Machu Picchu, Cusco, Lima – Parte 3: Cusco

Este post faz parte da série que descreve e dá dicas de nossa viagem a Lima, Cusco, Águas Calientes e Machu Picchu, realizada em abril de 2013. E ele tem trilha sonora: se você estiver em PC, vá à barra lateral em “Viaje mais com música temática”; se estiver em celular, vá até o finalzinho que encontrará. Boa música peruana pra você!

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Nossa chegada
E chegou o dia de embarcar para Cusco e a emoção aumentou, afinal, a partir de Cusco saem os trens com destino a Machu Picchu, o objetivo principal da viagem. Mas isso não tira o brilho de Cusco, cidade interessante e que não merece ser apenas passagem para Machu Picchu. Cusco significa “umbigo do mundo” e era o centro administrativo do império inca. Fica no Vale Sagrado dos Incas e a partir dessa cidade de 300.000 habitantes é possível chegar a várias ruínas incas, percorrendo distâncias de no máximo 32 km, ou seja, bate e volta tranquilinho.

Plaza de Armas
Plaza de Armas

O vôo entre Lima e Cusco é rápido (1h20) e muito interessante, pois você vê o brilho das janelinhas no alto das montanhas e fica imaginando “não é possível que sejam casas, como é que se chega até ali, no alto dessas montanhas? E como é que se vive ali, no alto das montanhas?” Quando você se aproxima de Cusco e o avião vai perdendo altitude é que realiza que muitas cidades ficam a 2.000, 3.000 metros acima do nível do mar – e que por isso são chamados de povos andinos. Cusco está a 3.400 acima do nível do mar. Caminhe com um soroche desses!

Lima a Cusco

O pouso foi outra atração, pois sobrevoamos parte da cidade, o estádio Inca Garcilaso de la Vega (inca com nome de espanhol?), referência dos brasileiros do mal de altitude devido às partidas do Brasil por lá. A impressão que tive é a de que o avião ia parar em um topo de montanha qualquer, porque tudo é com relevo – Cadê esse aeroporto, gente?! Então o avião fez uma curva quase tocando uma das montanhas e pousou. O aeroporto parece um terminal de rodoviária, pequeno e simples. “Tá sentindo algo?”, perguntávamos um ao outro, na expectativa do soroche. Nada – ainda… Traslado ao hotel tranquilo, primeira impressão da cidade (árida, quente – era quase meio dia), chegada ao hotel, checked in e pumba! Soroche, o “mal de altitude” chegou.

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Soroche = mal da altitude
Tivemos uma sensação de zumbido constante nos ouvidos, leve dor de cabeça e cansaço, muito cansaço. A princípio subíamos quatro degraus e ficávamos ofegantes. É por isso que se aconselha aos viajantes que fiquem vários dias em Cusco para se acostumarem à altitude e não fazerem nada que demande esforço no primeiro dia caso tenham trilhas a enfrentar. Tivemos sorte: um carioca que viajava com a esposa ficou acamado e nem conseguiu ir a Machu Picchu, coitado! Mas have no fear, ele foi a exceção: a cidade estava cheia de turistas de todas as nacionalidades, classes sociais e idade, um clima muito gostoso, que eu sentiria ainda mais em Águas Calientes, por ser um vilarejo. No dia seguinte os efeitos do soroche estavam amenizados. Mas é claro que aproveitei para tomar chá de coca! Ir a Cusco e não beber chá de coca é como ir a Lima e não tomar pisco sauer!

chá de coca

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Passeios
Nossa primeira “atração turística” em Cusco foi Convento de Santo Domingo, ou Q’Orikancha, na língua quechua, localizado na Av. Sol. Contratamos uma guia local credenciada que nos acompanhou na visita, o que foi bem interessante, pois ela estava disponível para nós, apenas, e respondia a nossas dúvidas e perguntas. O ingresso custou 10 soles, mas não tenho registro do valor pago à guia, sorry!

Repare nos muros: as pedras lisas e perfeitamente assentadas (sem rejunte) são inca. As demais, coloniais.
Repare nos muros: as pedras lisas e perfeitamente assentadas (sem rejunte) são inca. As demais, coloniais.

Mas antes disso, fiquei observando o jardim, as pedras do muro que sustentam o templo e as pessoas que passavam as horas sob o sol de Cusco (sim, eu ainda observo antes de fotografar!). O clima é gostoso, mas sinto um incômodo ao ver as pedras do período colonial sobrepostas às do período inca, um símbolo concreto da imposição do conquistador espanhol. Embora algumas ruelas pavimentadas com granito bruto tenham me lembrado as Cidades Históricas mineiras, no Brasil do século XVI não havia templos e palácios como aqui, então a aculturação não está visível na arquitetura. Talvez pelourinhos sejam uma evidência que me deixam com o sentimento que tive ali, enquanto minha cabeça girava pelo soroche.

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Impressionante a diferença do corte colonial do inca
Impressionante a diferença do corte colonial do inca

Não se engane pelo nome do Convento achando que encontrará a religião católica lá. O que está em evidência é a cultura inca. Nos jardins do Convento você pode observar vários blocos de pedra largados. Os pesquisadores não conseguiram explicar a onde pertenciam mas a precisão do corte impressiona. Eram os Deuses astronautas? Alienígenas do Passado? Não sei, mas em Machu Picchu o guia local nos explicou que houve tentativas contemporâneas de cortar as rochas tal qual era feito durante o Império Inca e mesmo com a tecnologia de que dispomos hoje não se obteve sucesso. Mistério…

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Decoração colonial
Decoração colonial

A foto acima mostra como os espanhóis decoravam as paredes do antigo templo inca: gesso e pinturas. Este é o único exemplar remanescente e foi recentemente restaurado.

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Ao redor do templo, além do jardim, você encontrará alguém disposto a ser fotografado com sua alpaca em troca de alguns soles.

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Optamos por permanecer na cidade pois tínhamos apenas uma tarde e uma manhã em Cusco, com horário apertado para o trem para Águas Calientes e o vôo para Lima. Quem dispõe de mais tempo adquire o Boleto Turístico no Centro de Informações Turísticas na Av. Sol, optando pelo passe válido por 10 dias a 130 soles, com visitas ao Vale Sagrado dos Incas – Pisaq, Chinchero, Ollantaytambo, ou somente o City Tour, por 70 soles. Este ultimo inclui não só as atrações da cidade, mas Saqsayhuaman (aprendi que a pronúncia é parecida com a do Inglês sexy woman – ficou mais fácil!), Qenqo, Puka Pukkara e Tambomachay.

Se você gosta de trabalho em tear, vai querer visitar a Associação de Tecelões, também na Av. Sol, onde poderá observar a habilidade desses profissionais. O centro traz ainda uma série de lindas fotos sobre a passagem da vida na cultura andina, como cerimônias de casamento e funerais e, claro, sobre o processo de fiar a lã das alpacas. Aliás, qual a diferença entre lhamas e alpacas, perguntei por lá. A alpaca possui o pelo mais macio e em maior quantidade, embora seja quase metade do tamanho da lhama,  por isso é usada na otenção da lã, enquanto a lhama é mais usada para carga (e corte, me disseram). Você sabia que 85% da população mundial de alpaca está no Peru? Tem filhos ou sobrinhos? Traga uma alpaca-brinquedo.

Impressionou-se com a quantidade de igrejas em Ouro Preto-MG? Em Cusco chega a ser engraçado, pois é uma a cada quadra! A Plaza de Armas abriga a Catedral e  a Compañia de Jesús. A Catedral foi construída sobre o Palácio Inca Wiracocha, entre 1579 e 1679 e nela foram usadas pedras extraídas dos muros da Fortaleza de Saqsayhuaman. No centro da praça, um chafariz com estátua de Pachacutec, o mais importante imperador Inca.

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A Plaza de Armas e Pachacutec, o imperador Inca

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Compras
No mais, para quem tem pouco tempo, o gostoso é passear pelas ruas e observar os “locais” e fazer umas compras – comprei mantas quentinhas e lindas, transformei um pano bordado em um quadro e outro na capa de meu álbum de scrapbook do Peru.

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Claro que luvas, gorros (sabe aquele, que cobre as orelhas, que você compra e só usa por lá mesmo?), malhas, cachecóis valem super a pena, além das lembrancinhas tradicionais, como alpacas-ímas de geladeira (cada lugar que visito, trago um ou dois ímãs rsrsrs). Ah, o algodão peruano é muito macio e durável, pode comprar de olhos fechados nas barraquinhas!

Praça no final da Av. Sol, em frente ao Sonesta
Praça no final da Av. Sol, em frente ao Sonesta

Um galpão no final da Av. Sol abriga o Centro Artenasal de Cusco, com várias barraquinhas de mais do mesmo. Eu achei maior diversidade e bons preços nos arredores da Praça São Francisco. Pechinche sempre! Mas às vezes as mercadorias são tão em conta que eu ficava até envergonhada em pechinchar.

Há uma grande oferta de drogas em Cusco. Por isso, na Plaza de Armas, por exemplo, se um ambulante se aproxima para vender doces ou aquarelas, a Polícia de Turismo (!) apita e ele se afasta.

A elegante Polícia do Turismo
A elegante Polícia do Turismo

Nosso último dia no Peru foi em Cusco, depois de voltarmos de Machu Picchu e Águas Calientes. Era o feriado de 1º de Maio e a cidade estava em festa, com desfiles de comerciantes, manifestantes socialistas e, claro, danças, música e trajes típicos.

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Restaurantes
No primeiro dia, almoçamos em um restaurante na Plaza de Armas, mesmo sabendo que eles não eram bons (tinha lido dicas em blogs), pois eu queria mesmo era comer paisagem e o restaurante ficava no segundo andar de uma das casas em frente à Catedral. A comida não era ruim, mas não tinha nada de especial.

À noite, fomos ao Incanto, restaurante recomendado com ambiente agradável, silencioso, bom atendimento, pizza deliciosa! Gastamos 104 soles e consumimos 1 pizza, 1 suco natural, 1 água, 1 pisco sauer, semifredo e torta de maçã, essa linda aí da foto.

Tarta Tartin do Incanto
Tartin do Incanto

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Hospedagem
Ficamos no Sonesta, no final da Av do Sol, bom para se dormir com sossego e caminhar até os principais pontos turísticos. Hotel moderno, bonito, com camas confortáveis. Não tem ar condicionado, mas nos forneceram ventilador. Embora a temperatura caísse para 10 graus à noite, o quarto estava bem quente. Café da manhã bom e variado, falta maior variedade de pães, mas os ovos são feitos na hora, ao seu estilo. Funcionários atenciosos, mas alguns tinham dificuldade em entender Português e Inglês.

quarto do Sonesta em Cusco
quarto do Sonesta em Cusco

Então, vamos para o Peru?

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Machu Picchu, Cusco, Lima – Parte 2: Lima

Machu Picchu, Cusco, Lima parte 4: Machu Picchu e Peru Rail

Machu Picchu, Cusco, Lima – parte 5: Águas Calientes

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6 comentários sobre “Machu Picchu, Cusco, Lima – Parte 3: Cusco

  1. cilene 14 de fevereiro de 2014 / 15:48

    Dá vontade de ir mesmo…. as fotos ficaram lindas e o texto muito bom. Estou aprimorando o meu espanhol e o Peru é minha “cereja” no bolo latinoamericano… Continue escrevendo. Bjs Cilene

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    • mulhercasadaviaja 14 de fevereiro de 2014 / 20:34

      Vá, sim, Cilene, eu super recomendo, mesmo não tendo feito metade do que faria se tivesse mais tempo. E aí, vai participar? Cadê seu texto? bjs!

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      • Cilene 14 de fevereiro de 2014 / 20:38

        Mas que texto? Vc leu meu blog/diário sobre a viagem que fiz a Lisboa em abril/2013? Escrevi para me “corresponder” com a família que ficou aqui (eles nem deram a devida atenção…) quem sabe vc goste… leia: numardegente.blogspot.com.br

        Mas depois que voltei, achei que o blog ficou sem razão de ser e não escrevi mais… bjs Cilene

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        • mulhercasadaviaja 16 de fevereiro de 2014 / 4:15

          Estou adorando seu diario de viagem! Vc se importaria se eu colocasse um link no meu para o seu? Bjs

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        • Cilene 17 de fevereiro de 2014 / 16:28

          Olá, eu não me incomodo não… já ‘aceitei’ que o que caiu na rede não tem volta… mas só que os meus escritos terminaram… acho que fiz um blog muito direcionado e depois ele ficou sem função… preciso fazer outro, mais aberto… mas tenho que ter um tema… uma ideia… enfim, como se diz em inglês: be my guest… (isso mesmo??) bjs Cilene

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