Jericoacoara: Aventura, ainda!

 

A Duna do Pôr do Sol mais famoso do Brasil
A Duna do Pôr do Sol mais famoso do Brasil

Antes de falar da idílica Jericoacoara, quero deixar claro que blogs sem anúncio e sem vínculos com agências comerciais ou governamentais não precisam dourar a pílula. Eu não preciso convencer ninguém a viajar. Escrevo para ajudar as pessoas a viajar com uma perspectiva mais pessoal do destino. Jeri é dessas lembranças que trazem sorrisos e franzidos no cenho ao mesmo tempo.

Acho que quando o turismo no Brasil ainda não havia nascido, Jericoacoara era aquele pedaço de paraíso que valia cada chacoalhão e solavanco enfrentado até lá. Ainda vale! Mesmo depois da virose forte que minha filha pegou, de termos sido enganados para que o motorista de um buggy pudesse faturar um traslado; mesmo tendo tido a confirmada reserva da pousada cancelada porque havíamos comprado apenas 2 noites e não o pacote do feriado, mesmo assim, Jericoacoara é um lugar muito bonito que vale a pena a visita, ah, apesar da prostituição infantil descarada e enojante, apesar dos pesares.

A região foi descoberta para o turismo nos anos 80 e desde 2002 a área de 84 km² que engloba as principais atrações da região, suas praias, dunas, lagoas e restingas tem o status de Parque Nacional de Jericoacoara, administrado pelo Ibama. Em 1984, Jeri havia sido transformada em APA (Área de Proteção Ambiental), condição que contribuiu para a conservação de sua peculiar paisagem de caatinga e coqueiros nas beiradas do oceano. (viagem.uol.com.br)

blog jeri fortaleza
300 km separam Fortaleza de Jericoacoara

Se você como eu parte do Sudeste, precisa pegar um vôo até Fortaleza (para não se cansar em suas férias, pois não é esse mesmo o objetivo, fique um tempo em Fortaleza e só depois siga para Jeri) e, a partir da capital, para vencer os 280 km que separam Fortaleza de Jijoca, porta de entrada para Jericoacoara, optar por:

1. tomar o ônibus da Fretcar (que leva 7 horas – me disseram!);

2. alugar um carro. O ideal é um 4 X 4 com GPS para não atolar nas dunas e não se perder nelas. Vá por mim, você parece estar num deserto e não vai querer ficar atolado ali no meio do nada. Se tiver prática em dirigir na areia fofa, um carro normal deve chegar, mas se informe antes em blogs com quem já teve esta experiência. Em ambos os casos, saiba que precisará deixar seu carro em um estacionamento na entrada de Jeri, pois só veículos autorizados circulam pela vila, o que não chega a ser um problema, pois pode-se fazer tudo a pé;

3. ou, como fizemos, contratar o traslado de ida e volta com uma agência de turismo.

Se sua opção for a 2 ou 3, você ainda tem cerca de 20 km pela frente, que começam num “Nossa, que aventura!” e terminam num “Nossa que dor nas costas” e “putz, quanta areia engoli!”, porque quando chegar em Jijoca, vai ter o famoso pau de arara te esperando. Acho injusto usar esse nome, pensando nos retirantes que dependiam de um para fugir da seca e miséria, pois se trata de um veículo 4×4, com caçamba coberta por lona para nos proteger do sol e de pessoas que escolheram estar ali. Ar condicionado, não precisa: o vento nordestino joga seus cabelos de um lado para outro e te refresca. Um pouco mais de conforto nos assentos seria legal, pois o sacolejo é grande e muito!

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O pau-de-arara, transporte de Jijoca e Jeri

Após menos de uma hora, chegamos a Jeri pela porta dos fundos, isto é, a primeira vista não é a mais bonita, nem é a da praia, nem de coqueirais, mas de uma rua de areia em uma vila de areia, com pessoas cheias de areia – assim como nós! Mas antes disso, o caminho sobre as dunas é emocionante. Bem, pelo menos para quem como eu nunca esteve num deserto (Nevada não conta)! blog jeri

A vila não tem iluminação nas ruas, apenas nas casas e comércio, o que deixa um clima de aconchego. Não tem ruas calçadas, mas de areia. Tem burros pastando na praça principal.  E um charme meio de Arraial d’Ajuda  nos anos 2000.  Muitas lojinhas e restaurantes.

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PASSEIOS

O pôr do sol. A duna mais famosa do Brasil está voltada para Oeste, então o sol se põe… no mar! O ritual é igual todos os dias: todos sobem a duna e esperam o sol se pôr no mar. Aí descem a duna caminhando, correndo, rolando, pulando, uma festa, uma comunhão com a natureza. E o melhor: fica ali mesmo na vila, sem 4X4 e sem bugueiro, assim como a praia, linda, principalmente na área mais distante da vila, pois existe muita sujeira, banquinhas com cachaça e, de manhã, garrafas jogadas pela areia. O mundo é lindo, mas é mal frequentado!

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Do outro lado, há uma praia com a fotogênica Pedra Furada, e para chegar lá também é preciso contratar um bugueiro. Nós contatamos a Jumentur (humor brasileiro!) no final da tarde, que não é a melhor hora para fotos, pois a pedra fica à sombra.

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Lagoas Azul e Paraíso
Também é preciso contratar bugueiros para chegar às lagoas. A Azul é linda, mas a faixa de areia onde ficam os turistas por causa do serviço de praia é reduzida e tem-se a impressão de estar em uma praia qualquer, cheia de gente. Ressalto que estive lá em feriado prolongado. Talvez em dias menos concorridos, tenha-se a impressão de paraíso…
Mas é um paraíso deitar numa rede dentro da lagoa e passar o dia assim, olhando as dunas, a água, o céu…
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PERMANÊNCIA
Ficamos apenas 2 noites. Três seria bom e o ideal uma semana (para aprender um pouco de capoeira ou kite surfe) ou uma vida, como muitos fazem ao deixar a vida que têm e se mudar para cá.
HOSPEDAGEM

Eu tinha feito a reserva da Pousada Vila Bela Vista pelo próprio site do hotel e recebi duas confirmações. Um dia antes de irmos a Jeri, já em Fortaleza, ligamos para perguntar se eles tinham algum tipo de transporte a partir de Jijoca e disseram que nossa reserva tinha sido cancelada, pois tiveram problema com a ferramenta de reservas e que tinham enviado e-mail – que eu não recebi. Era feriado prolongado e tivemos dificuldade em encontrar um lugar para ficar em Jeri, tendo de pagar por um pacote de 4 dias sendo que ficaríamos apenas 2. Aliás, esse deve ter sido o verdadeiro motivo do cancelamento da reserva na Vila Bela Vista: viram que podiam fazer pacotes de mais dias e não quiseram perder a oportunidade. Jeri é linda, apesar dos pesares.

Por telefone, conseguimos uma outra pousada, mas tivemos que pagar pelo pacote do feriado completo, quando ficaríamos apenas duas noites.

Ficamos no quarto 24 do Recanto Do Barão Pousada, na nova ala da pousada, onde fica a agradável área do café da manhã. A pousada se localiza em frente ao famoso forró da vila, mas seu som nem chegou perto do quarto! Tem um jardim bonito e uma piscininha bem tímida (mas quem quer piscina com  praias e lagoas lindas?). Os quartos são bem simples, mas o nosso, em especial, era bem grande, por ser o último do corredor.
DICAS
– Leve dinheiro, pois os passeios são pagos cash e não havia agência bancária quando lá estive (nov/12)
– melhor época: entre julho e janeiro, fora da temporada de chuvas.
voltagem: 220
 – Serviço de saúde: Existe um Posto de Saúde em Jericoacoara que atende das 8h às 17h com condições básicas de funcionamento. O  “hospital” mais próximo fica em Jijoca. Não conhecemos o primeiro, porque a todos que perguntávamos, diziam não existir nada em Jeri, orientando-nos a ir a Jijoca. Perdemos o traslado já pago, desgastamos nossa filha já debilitada por vômito e diarreia para nos deslocar até Jijoca e o rapaz que fez o traslado não teve a humanidade de ao menos nos deixar próximo do hospital, tendo que caminhar sob o sol nordestino com criança de 11 anos no colo.
Jeri é linda, mas não é democrática. Um idoso ou uma pessoa com dificuldades de mobilidade não chegaria até lá.

Jeri é maravilhosa, mas as pessoas que dela vivem parecem ter extrapolado o sentido da expressão “exploração do turismo”.

3 comentários sobre “Jericoacoara: Aventura, ainda!

  1. gabriela janeiro 24, 2015 / 11:48 pm

    Gostaria de saber que tipo de virose sua filha pegou la, pois não tem nem um dia que chegamos de la e meu marido está vomitando, sem apetite e com dores fortes na barriga.
    Se vc puder me responder o mais rapido possivel, ficarei imensamente agradecida.
    E-mail: gabriela.slandrade@gmail.com

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    • mulhercasadaviaja janeiro 25, 2015 / 5:49 pm

      Oi Gabriela. Desculpe não responder antes, mas acabo de voltar de viagem. Não sei o nome da virose, mas que bom vocês já estarem em casa, porque lá o atendimento médico é bem precário. Minha filha foi medicada com o básico para esse quadro: plasil para o enjoo, um outro medicamento que não me lembro (sorry) e muita água para hidratar. Mas foi exatamente isso o que ela sentiu. Espero que ele esteja melhor, mas não se preocupe, isso passa. Pergunta: você foram às lagoas? Eu acho que ali é o negócio, porque não é água corrente e as águas são muito provavelmente usadas como vaso sanitário…

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  2. Leila junho 20, 2017 / 11:59 pm

    Interessante, deve ter mudado muito.Quando eu fui a Jericoacoara em 1986, fui eu, meu filho que tinha 12 anos, minha filha uns 10 anos e minha mãe. Havia duas maneiras de ir à Jericoacoara, ou você alugava um 4×4 ou você ia num 4×4 em que iam outras pessoas, e era um preço razoavel. Nos levaram direto à pousada. Somente havia umas duas pousadas, Num quarto ficamos nos quatro, dormimos em rede, o banheiro era um so, masculino e feminino, ficava no fim da pousada, era rustico, mas não era ruim. No outro dia, fomos à praia que era pertissimo da pousada, descemos as dunas de skate, passeamos na praia que era maravilhos. No outro dia, fomos e voltamos a pé para a Praia da Pedra Furada, lindissima também, e somente tivemos cuidado de controlar a enchente da maré para podermos voltar pela praia. Uma das melhores viagens que ja fiz.

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