Viagem sem Filhos

Quando escrevi os posts da série Viagem com crianças, pedi a algumas amigas-mães que opinassem sobre o tema. Algumas deram dicas, contaram experiências e teve até quem admitiu que dependendo da idade e da personalidade dos filhos, é um porre viajar com eles. É verdade, às vezes a melhor opção é tirar férias dos filhos. Pronto, falei!

O ideal seria poder viajar várias vezes ao ano, escolhendo um destino para o casal, outro para a família toda. E não precisa ser Disney, tem muita coisa legal para crianças pequenas.

No post Viajando com Crianças I , eu falo um pouco sobre as duas opções. As dicas para quem resolveu viajar com os filhos estão nesta publicação.

Neste post eu pensei em dicas para “arrumar a casa” antes da partida. Elas são baseadas em minha experiência e bem gerais e não têm a pretensão de serem uma verdade, mas sim minha opinião. Você vai ter que adaptar, cortar, somar, de acordo com sua realidade.

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Enfim sós!


Nossos medos revelados, desnudos

Um dos medos maternos mais irracional, mas o grande campeão, é o de que o avião caia e seu filho fique órfão de pai e mãe. Não me levem a mal (me levem para viajar), mas é irracional, sim, afinal podemos sofrer acidente de carro, sofrer algum tipo de violência, as estatísticas mostram que ainda é mais seguro viajar de avião do que de carro.  Curiosamente, o medo de o avião cair parece diminuir quando a criança está na mesma viagem – como se a melhor opção fosse que ela morresse junto dos pais! É, porque se ela morrer com os pais não há com o que se preocupar no pós-morte e você pode descansar em paz (desculpem, mas é engraçado). Quem nunca pensou nisso que atire o primeiro passaporte! Já conheci casais que viajavam em voos diferentes, porque em caso de acidente a criança ainda teria um dos pais… Mas eu confesso que isso também passa pela minha cabeça quando minha filha fica. Só não escrevi meus últimos desejos porque acho que é chamar a má sorte (rsrsrs).  Ainda mais nesses últimos tempos, pois 2014 não está um ano muito bom para viajar de avião  – ou dar entrevista para o William Bonner.

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E se…

Mas quais são outros medos que também assombram principalmente as mães? Imagino que nossa suposta insubstituibilidade (aff, que palavrão! aposto que foi cunhado por uma mãe!) seja a justificativa de muitas: “Ninguém, NINGUÉM, vai cuidar do meu bebê como eu!” grita uma voz lá de dentro que muitas vezes fica presa, com vergonha, mas berra como apito de fábrica em tantas outras. Sim, é verdade. Sou mãe e sei que ninguém ao menos amaria tanto quanto eu. Mas cuidar, vão cuidar diferente, bem. Mas não igual a você. E seu filho nasceu, está fora de seu útero, está no mundo. Precisa interagir com pessoas próximas que lhe dêem segurança, carinho, cuidados, mas que também lhe ofereçam uma nova experiência.

Ausência talvez seja outro medo. “Meu filho ou minha filha sentirá minha falta? Conseguirá dormir sem meu beijo de boa noite? Pensará que eu o abandonei?” Ou a ausência não sentida, o que pode ser ainda mais doloroso: “Será que nem vai ligar que estarei fora?”. Claro que liga, mas se você tiver se preparado direitinho, as chances de a criança sentir sua falta de maneira não saudável são menores.

Tem também o medo de não se reconhecer, de não se reencontrar como casal, porque, afinal, depois do nascimento dos filhos, a dinâmica da família muda e alguns papéis podem ficar adormecidos (porque alguém nessa relação precisa dormir!). Soube de casais que perceberam durante férias sem os filhos que não se amavam mais, pois os filhos pareciam ser o único motivo para estarem juntos. Mais um motivo para viajar: acabar com uniões infelizes. E é mais legal e mais barato que terapia!

Eu posso viajar sem meus filhos!

Então você foi abençoado/a com uma família linda, tem recursos para viajar em suas férias e ainda pode contar com uma irmã, mãe ou sogra para ficar com seu filho ou sua filha enquanto você estiver fora? Não se esqueça de erguer suas mãos aos céus e agradecer! Esta, claro, é a primeira etapa para viajar desfilhada.

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Obrigada, meu Deus!

A escolha do destino
Acho que esse item não importa muito, pois vai ser muito especial – e um alívio – poder comer tranquilamente a dois, dormir até quando quiser, poder andar o dia inteiro sem ter hora para voltar ao hotel. Dependendo da idade da criança e/ou de sua insegurança, talvez seja melhor escolher um destino mais próximo de casa. Se você estiver confiante, atravesse o oceano e divirta-se!

Jogue a culpa pela descarga do banheiro do avião
Um dos truques da maternidade feliz é não dar ouvidos às opiniões que chegam a seu ouvido e seguir seu coração. O mesmo cabe aqui: se sentir que é o momento de viajar, segura na mão de Deus e vá!

Preparando o ambiente
Você não tem esses medos; ou conseguiu vencê-los; ou os colocou na mala e vai viajar com eles. Parabéns! Agora você precisa deixar tudo o mais normal possível para seu filho ou filha.

Dica mais importante, mas tão importante que nem tem número: a poucos dias da viagem (nada de aumentar a ansiedade das crianças contando  muito tempos antes), explique a seu filho que vocês vão viajar para um lugar que não vai ser bacana para uma criança, onde ele ficaria cansado e chateado, sem ter nada legal para fazer. Faça analogia a brincadeiras, a programas de TV, exemplificando que adultos fazem algumas coisas diferentes das crianças. Relembre viagens legais que vocês fizeram em família e diga que desta vez vai ser diferente. Ressalte que vovó/titia vai ficar com ele  e que como ele já é grandinho vai mostrar como tudo funciona em casa. Tenho certeza que você tem um jeito todo especial de conversar com seu  filho ou filha e que mantendo os ouvidos atentos e a voz segura, essa segurança será transferida para ele ou ela também.

1. Caso a criança vá ficar na casa do “cuidador”, convide-a a fazer sua mala com você, escolhendo roupas para brincar em casa e para passear, calçados, brinquedos, livros. Faça dessa preparação um momento gostoso, para que a criança encare como algo positivo. Brinque que ela vai “viajar” para a casa da vovó ou titia. Coloque na mala uma camisa usada, com o cheiro da mamãe ou do papai, para a criança dormir agarradinha. Uma foto também ajuda a criança a concretizar a saudade sentida.

2. Saudade. Ótima oportunidade para ensinar (e aprender!) que dor, saudade, frustração – e tantos outros sentimentos que hoje muitos pais tentam esconder, protegendo mas prejudicando seus filhos – fazem parte de nossas vidas tanto quanto os sentimentos de alegria. Saudade dói, mas passa no reencontro. Converse sobre ela se seu filho trouxer o assunto à tona. Se não trouxer, a própria experiência ensinará. Já reparou que as gerações anteriores aprendiam mais pela vivência do que pelas palavras dos pais? Outra coisa: é claro que você vai ficar olhando bebês/crianças, lojas de bebês/crianças e possivelmente lágrimas darão as caras. Keep Calm and Travel on!

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Adoro as definições de Adriana Falcão. Já leu para seu filho o livro Mania de Explicação?

3. Se os responsáveis por seu filho ou filha durante sua ausência concordarem em ficar em sua casa, esta é a melhor opção. Por mais que estejam acostumados com a casa dos avós ou tios, nada como a casa da gente. Se possível, mantenha sua rotina, sem deixar de ir à escola, por exemplo. Peça à criança (a partir dos 3 anos) que mostre aos “cuidadores” onde se guardam as coisas: alimentos, medicamentos, kit de primeiros socorros, equipamentos como inalador, etc. Mostre como se faz a lancheira ou se arruma a mochila da escola. Oriente-os a respeito da agenda escolar. Deixe cardápio para as refeições prontas (inclusive para a lancheira). Envolva a criança nesse processo, levando em conta sua idade e com o que ela pode contribuir.

4. Se os cuidadores forem ficar na sua casa, um dia antes da viagem abasteça a geladeira e a despensa. Se mora em condomínio, informe por escrito aos controladores de acesso que os cuidadores estarão “morando” em sua casa ou apartamento durante aquele determinado período. Verifique as regras para estacionar dentro do condomínio.

5. Peça aos “cuidadores” que façam programas de que a criança gosta, como cinema, parque, sorvete na praça, etc. Nada como ser mimado quando a gente sente saudades, não é?

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6. Para crianças maiores: se houver possibilidade de ficar na casa de primos, haverá distração suficiente para que sua ausência seja menos sentida. Afinal, as crianças estarão bastante ocupadas divertindo-se e bem cansadas na hora de dormir, quando a saudade mais bate. Quem não tem ótimas lembranças de temporadas na casa dos primos?

7. Informe a escola sobre sua ausência para o caso de alguma alteração comportamental e disponibilize o nome e telefone de quem ficará responsável pela guarda da criança. Verifique a política de autorização de retirada da criança da escola.

8. Deixe número de telefone do pediatra e cartão do convênio médico com os cuidadores, assim como orientações do que fazer se precisar buscar serviço hospitalar. Mesmo que conheçam bem a criança, ressalte alergias ou quaisquer cuidados relevantes necessários, deixando tudo por escrito, na imbatível porta da geladeira.

9. Deixe dinheiro para eventualidades, para reabastecer geladeira e despensa, para passeios.

10. Combine horários para vocês  se “encontrarem” online durante a viagem, levando em conta a rotina da criança, suas atividades de turista e a diferença de fuso horário.  Você pode até ler uma história na hora da cama, já pensou que maravilha? Nada de chorar diante da criança, mas deixe claro que sente saudades. Aproveite esses momentos para descobrir se está sendo saudável ou não para a criança ver os pais pela tela, perguntando aos cuidadores. Se estiver sendo doloroso, melhor abortar o plano de comunicação com elas pela Internet.

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Se a idade da criança não permitir que use tecnologia com autonomia, ensine o “cuidador” a fazê-lo

11. Para as crianças que já reconhecem números, fazer um calendário e ir contando os dias que faltam para o reencontro com os pais pode ser uma boa ideia.

12. Last, but not least: convoque o maridão para te ajudar em todas essas etapas. Afinal, a viagem é a dois!

No dia da Viagem

Mantenha a rotina da criança e nada de despedidas à italiana no aeroporto. Despeça-se em casa com naturalidade, dizendo que sentirá saudades e que vai querer saber de toda a bagunça que fizeram durante sua ausência. Ir ao aeroporto pode instigar na criança o desejo de ir junto e já pensou a cena?

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Se for chorar, que seja longe das crianças!


Durante a Viagem

Sabe quando você está sem um par e só vê casais apaixonados? Ou quando você quer engravidar, não consegue, e só vê grávidas em todo lugar? Pode crer que você vai ver um monte de casais viajando com os filhos. Espante a culpa mais uma vez. Talvez aquele casal não tenha com quem deixar os filhos. Talvez seja a vez de viajar com os filhos. Ou talvez seja opção, assim como foi a sua de viajar desfilhada.

Além das dicas acima, não se esqueça de comprar uma lembrancinha para seu rebento (mas acho que nem precisava dizer isso!). Vai ser uma lembrança de uma vitória – sua e dele. Ah, uma super lembrança para os cuidadores, claro.

E você, tem alguma história para contar? Deixe no comentário que vou adorar saber dela. Quem sabe sua história inspira alguém!

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