Fortaleza: entre o sol nascente e o sol poente

Fortaleza é uma das cidades mais visitadas do Nordeste e quando minha filha já estava grandinha o suficiente para encarar o trecho Fortaleza-Jericoacoara, resolvemos conhecê-la. Para ela, o que interessava era que estávamos indo ao Beach Park.  Para mim, era Jeri, então acabamos vendo Fortaleza como uma conexão e em conexões sempre ficam pontos a visitar e acabamos não conhecendo muitas das belas praias do litoral Cearense, que se divide em Leste e Oeste. Fica para uma próxima…

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Chegamos em Fortaleza no feriado prolongadíssimo de 15 a 20 de novembro de 2012 + 2 dias “matados” no início e no final do feriado, ou seja, o tempo de um pacote regular, só que tinha uma Jericoacoara no meio. Tinha que ter.

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A fachada do Sonata

Nosso hotel, o Sonata Iracema, ficava no canto da Praia de Iracema, que é imprópria para banhos, então fomos de taxi até a Praia do Futuro, muito frequentada por turistas e locais, famosa por suas “barracas”, que na verdade são restaurantes à beira-mar com serviço de praia. Algumas têm uma infra impressionante, com piscina com  toboágua, ótimo para quem tem crianças. A praia é bonita, tem os famosos ambulantes nordestinos (eu me divirto, mas tem gente que se incomoda), ouvi dizer ser um bocado insegura, tem oferta descarada de serviço da mais antiga das profissões, e por aí vai.

No caminho, passamos pela Praia de Mucuripe e Fagner cantou As Velas do Mucuripe em minha memória. Descobri que se tratava de um porto e de um local farto em pesca (daí a música!) e que ainda é um lugar ótimo para comprar peixe – inclusive para turistas, pois as barracas fritam o camarão na hora pra você!

Ao chegar à barraca Chico do Caranguejo, sem qualquer constrangimento, o taxista recebeu de algum funcionário da “barraca” uma cédula (sabe? dinheiro), por tê-la indicado. Isso é Brasil! Em outra ocasião, o taxista deixou uma porcentagem da corrida com o funcionário do hotel, por tê-lo chamado. Isso é Brasil! Sabemos que no turismo sempre há comissões, mas achei a coisa toda muito descarada. Será que sou hipócrita?

Fiquei impressionada com o tamanho da “barraca”. Trata-se de um restaurante com muuuuitas mesas, piscinas, toboáguas, espaço aquático para as crianças de fazer inveja a muitos clubes. Passamos o dia ali, à sombra dos coqueiros, pés na areia, bebericando, deixando nossa filha ser feliz tendo um gostinho do que a esperaria no Beach Park. É, porque para nós estava muito chato o calor, pés na areia, pouca roupa e cervejinha gelada (rsrsrs). OK, eu comecei com um drink porque adoro essas bandeirinhas em comes e bebes! kkkk

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Avistar é difícil se você ficar à sombra dos coqueiros, nas mesinhas perto da piscina

À noite, de volta a Iracema, fomos caminhar pelo calçadão da Av. Beira Mar, onde algumas barraquinhas são montadas para venda de artesanato e outras de alimentos. Deve ser muito gostoso morar perto do mar e poder caminhar, correr, andar de skate, de bicicleta, levar os filhos para andar de triciclo – e todo mundo faz isso, ao mesmo tempo e no mesmo espaço do calçadão, então é preciso ficar ligado o tempo todo para não ser atropelado em plena calçada. E a gente ainda recebe dicas de Amsterdã dizendo que lá é confuso por causa das bicicletas. Sabe de nada, inocente! (rsrsrs).

No segundo dia, caminhamos pelo centro velho de Fortaleza para conhecer o Mercado Central de Fortaleza e o Centro Cultural Dragão do Mar. Em alguns pontos, a calçada simplesmente desaparecia. Havia sujeira pelas ruas, fezes humanas e moradores de rua pelas praças. A sensação era de insegurança e muita gente atesta que se trata de um lugar perigoso. Dois casais europeus caminhavam perto de nós e fiquei imaginando o que estariam pensando de nosso lindo e tão mal tratado Brasil…

À tarde, a orla da Av. Beira Mar estava tomada pela população (descobri depois, cerca de 500 mil), e o trânsito na avenida simplesmente parou – porque os carros “estacionavam” em plena rua para assistir ao espetáculo da Quadrilha da Fumaça. Além de Proclamação da República, era Dia do Aviador e da Força Aérea Brasileira. Adoro quando “ganho” esses bônus em dias festivos!

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minha foto (xi, o avião já passou!)
Foto do g1
Foto do g1

Na manhã seguinte, pegamos a van que nos levou a Jericoacoara.

PRÁTICAS RÁPIDAS

Hospedagem
Eu sempre busco avaliações de hotéis no TripAdvisor e faço a reserva pelo Booking.com e foi assim que escolhi o Sonata de Iracema, localizado na Avenida Beira-Mar, próximo à Ponte dos Ingleses, o que significa que não está no ponto mais movimentado e central do calçadão da praia de Iracema.
O atendimento foi bom e o café da manhã incluso na diária melhor ainda. Fizemos um jantar lá e também aprovamos. Quanto ao quarto, o box do banheiro é um problema, pois é bem pequeno – e todo os hóspedes reclamam disso, não sou a úncia. Não espere uma boa piscina, pois é pequena e sombreada a maior parte do tempo, além de a vista das janelas do edifício vizinho serem todas voltadas para essa área. Tem wifi e 3 computadores para uso dos hóspedes. A vista de todos os quartos é para a praia, ponto alto a ser observado. Volto a frisar que a praia é imprópria para banhos.

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Vista do quarto do hotel Sonata
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Vista do mesmo quarto, olhando para a esquerda

O que Fazer

Praia do Futuro. Fica a 11 km do centro e é a praia utilizada tanto por turistas como pelos locais por ser limpa e bonita. As barracas com estrutura como restaurantes, duchas de água doce, cadeiras e espreguiçadeiras contribuem para essa preferência. As mais conhecidas são Chico do Caranguejo, Guarderia Brasil,  Itapariká e Crocobeach. Em minhas pesquisas antes da viagem,  muita gente diz que a região é bastante insegura, tanto de dia como de noite.

Ponte dos Ingleses. É um belo pier de deck de madeira (não temos muitos no Brasil, não é?). Como quase em todo Brasil, tem sujeira pelo chão e bagunça. Poderia ter alguma informação turística sobre sua construção. Os jovens fazem a festa pulando de pilar em pilar e saltando ao mar. Pode ser divertido, mas é perigoso e nada é feito pelo policiamento local.

A Ponte dos Ingleses: ótima para ver o por do sol
A Ponte dos Ingleses: ótima para ver o por do sol

Mercado Central de Fortaleza. Não tem frutas ou produtos in natura locais e, pelo que entendi, desde 1931 foi proibida a venda de legumes, frutas e carnes no Mercado (hein?). Well, de novo, pelo que entendi do mal escrito texto sobre sua história no site oficial do Mercado, houve preferência para exposição de artigos artesanais e em 1997 um novo prédio foi oferecido para abrigar o Mercado Central, tal como o conhecemos hoje, com rampas, escadas e elevadores e um vão livre central. Os visitantes encontram as tradicionais rendas cearenses, artigos de couro, camisetas e mil bugigangas, além da castanha de caju, licores, cachaça… Feche os olhos para a sujeira, a falta de manutenção e divirta-se puxando conversa com os vendedores. Não há muita variedade e muitos produtos nem são artesanais, mas essa parece ser uma tendência mundial. Site oficial aqui.

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– Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Também no final da década de 1990, foi inaugurado o espaço cultural com salas para shows, galerias de arte, teatro, cinema e planetário, contribuindo para a revitalização do bairro de Iracema.
À noite, a região é mais visitada devido aos bares que ficam em seu entorno, em casarões restaurados.

Theatro José de Alencar. Só apreciar os vitrais coloridos e a estrutura metálica do teatro inaugurado em 1910  já vale a visita, mas confira a programação para quando estiver na cidade. Os jardins só saíram do papel em 1975, com projeto de Burle Marx. De terça a domingo há visitas guiadas. Mais detalhes no site da Secretaria de Cultura.

Beach Park. Distante cerca de 30 km de Fortaleza, na praia de Porto das Dunas, no município vizinho Aquiraz. Pela proximidade, é bem possível fazer um bate-e-volta. Veja link para o post sobre o Beach Park no final desta publicação.

Cumbuco. Vencendo a mesma distância, você chega a dunas e lagoas, em um parque de diversão mais natural, com passeios de jangada e bugue e o delicioso esquibunda. Mas jet-skis, banana boats, kitesurf e windsurf também dão as caras por lá.

 

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