Veneza: roteiro de uma primeira vez

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 Venezia che bela! Falar isso é óbvio, mas minha herança italiana me deixou poucas palavras  –  a maioria delas nem posso publicar aqui (rsrsrs). Mas ficaram na memória algumas músicas que meu pai cantava quando eu era criança, o sobrenome, o gosto pela boa mesa e pelo dolce far niente e o gênio estourado. Pensando bem, até que é bastante coisa!

Quando eu era criança, havia uma brincadeira de pular corda em que “prevíamos” onde passaríamos nossa lua-de-mel, entre outras. Eu sempre dizia “Veneza!” e não sabia muito além das gôndolas. Passei-a em Natal, no RN, mas finalmente, depois de 20 anos de casada, fui a Veneza, não em uma segunda lua-de-mel, mas com filha e mãe, além do maridão, claro.

Com toda essa turma, achei melhor viajar de uma forma que não aprecio muito, comprando um pacote com guia presente o tempo todo, circulando pela Itália em ônibus e excursão. A vantagem foi não ter que fazer todo planejamento, o que tomaria bastante tempo e naquela época eu não dispunha desse luxo. A desvantagem foi não ter que fazer todo planejamento, porque aí não se aprende muito sobre o destino e nos colocamos numa posição muito passiva diante da viagem, como ter o tempo regulado pelo programa e passeios que não queria fazer. Mas houve outros inconvenientes, como refeições em restaurantes muito ruins em Veneza.

Como Hebe diria:
Como Hebe diria: “Não é uma gracinha? “

Chegando em Veneza
A excursão pela Itália previa um dia inteiro em Veneza. Chegamos ao hotel Russott (leia abaixo sobre ele), localizado em Mestre, vindos de Verona no final da tarde. O grupo se acomodou e permaneceu por lá. O que??? Estou a poucos minutos da bela, histórica, ousada Veneza e vou ficar no hotel? NOT ME! Pegamos um ônibus urbano na estrada e em 10 minutos chegamos pela porta dos fundos, eu diria, pois a parada do ônibus fica em um pedaço pouco charmoso de Veneza, a Piazzale Roma, última parada de veículos terrestres. Não tínhamos nem um mapa e eu não tinha estudado nada, mas sempre tem um brasileiro pelo mundo, nesse caso uma brasileira, que nos indicou o caminho até a parte mais turística. Assim, no escurinho, fui me encantando com Veneza. Não havia muitos turistas pelas ruas e como já estava tarde escolhemos logo um restaurante com mesinhas do lado de fora, às margens do Grande Canal, o Roma. Tivemos bom atendimento, embora surpresos com a pequena porção de antepasto por 9 euros. A cerveja veio geladinha, a 7 euros e a água a 4 euros. A massa (14 euros) não foi a mais gostosa que provamos na Itália, mas foi o primeiro que encontramos com gerânios e vista para o canal. Sugiro que no verão você use repelente, pois o toldo branco ficou escurecido pelos pernilongos!

Vista do meu primeiro jantar em Veneza
Vista do meu primeiro jantar em Veneza. A foto não ficou assim uma Brastemp, mas na minha lembrança a vista era linda!!!

Depois de passear por algumas ruelas no retorno à Piazzale, o sono veio mais tranquilo, afinal, eu não tinha desperdiçado horas em um hotel ruim perto de Veneza. Elas passaram por mim enquanto eu estava caminhando e jantando à beira do Grande Canal. Em Veneza, aquela das minhas brincadeiras de criança.

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Roteiro do primeiro – e único – dia
No dia seguinte, partimos com o ônibus do grupo e tomamos um barco até a Ilha de Murano para ver a técnica artesanal de vidro soprado. Eu acho o passeio válido pela vista que se tem de alguns dos principais pontos de Veneza, desde que você tenha bastante tempo para curtir Veneza, o que não era o caso do nosso grupo (se quiser aprender sobre vidro soprado, em Blumenau-SC a apresentação foi bem melhor). Os preços dos objetos à venda eram muito altos para o bolso de quem ganha em real, pelo menos o meu real. E além disso, em Veneza também tem arte em vidro sendo vendida. Algumas made in China, cuidado!

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No caminho a Murano, avistamos o Palácio Ducal, as cúpulas da Basílica de São Marcos e o Campanário

Quando finalmente chegamos à ilha principal de Veneza, todos os outros turistas – e parecia que o mundo todo tinha decidido conhecer Veneza – estavam lá. O guia fez um reconhecimento da Ponte dos Suspiros, da Praça de São Marco, da Basílica e do Campanário, do Palácio Ducal e nos deu menos de uma hora para circular, pois tínhamos agendado um passeio de gôndola. Eu estava atordoada com tanta gente em volta e tanta beleza arquitetônica- ou será que era o calor? A fila para o campanário era imensa, o sol estava castigando, então encaramos uma fila para entrar na Basílica de São Marcos, que é gratuita.

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Difícil dizer qual catedral italiana é mais bonita, mas a Basílica de São Marcos me encantou muito
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São tantos detalhes que merecem uma foto, que agradeço estarmos na era digital. Filme de 36 poses não daria nem pro começo!

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Não sou arquiteta, mas me lembro das aulas de História e da influência bizantina na Europa e na Basílica isso é bastante evidente. A forração de paredes e abóbadas em pastilhas douradas formando mosaicos é de fazer chorar. Quando a visitamos em julho de 2013 a fachada estava sendo restaurada, mas isso não ofuscou sua beleza. Acho uma pena chegar a um destino de sonho e encontrar monumentos em restauro. A foto sai com tapume, tela de proteção dependurada, etc. Mas gente, que coisa impressionante é ver a diferença, lado a lado, da parte restaurada e da sem restauro! E essas fotos são apenas do hall/terraço, não sei o nome técnico para a entrada coberta de igrejas, pois é proibido fotografar ou filmar seu interior.
Para entrar na Basílica, valem as dicas de evitar shorts, decotes e até ombros à vista. Era alto verão na Europa e não tinha como não mostrar pernas e ombros! Então carreguei comigo um lenço grande ou echarpe. Por um euro você “aluga” um pedaço de TNT para enrolar nas pernas ou jogar sobre os ombros, em quase todas as igrejas da Itália.

A Ponte dos (últimos) Suspiros
A Ponte dos (últimos) Suspiros


O Passeio de Gôndola
Se você é romântica vai ter sonhado com esse momento! O meu não foi nada romântico, pois além da filha e da mãe, ainda tinha um outro casal conosco na mesma gôndola. O passeio estava incluso no meu pacote e foi assim distribuído. Mas não pense que isso ofuscou a beleza desse símbolo maior de Veneza! Eu só não tenho fotos lindas com meu marido, mas as recordações são muito melhores do que uma imagem, gosto de pensar para não ficar frustrada (rsrsrs). Os pequenos canais, o passeio por baixo das pontes, a habilidade do gondoleiro e o ponto alto: todas as gôndolas do grupo “estacionaram” em um canal largo (eu disse que estava atordoada, será que era o Grande Canal??) e um cantor se apresentou para nós.

Dica: combine com o gondoleiro o trajeto, dando preferência para canais menores. O custo gira em torno de € 80. Se você for de excursão, como eu, e nela estiver incluso o passeio de gôndola, veja a possibilidade de pagar um extra para ir só com seu amor e ter mais privacidade.

O Almoço
Depois de gondolar, fomos ao “almoço-pesadelo”, também incluso no pacote. O restaurante era bem simples. Não me importo com lugares simples desde que a comida seja boa e que eu tenha o mínimo de atenção. O restaurante escolhido pela agência não tinha estrutura para receber um grupo grande como o nosso e recebeu dois grupos em excursão ao mesmo tempo, mais os clientes avulsos. Eu já estava atravessada porque não tinha aproveitado bem a manhã do único dia em Veneza. O restaurante tinha dois garçons e, na nossa mesa, nem o pão chegava. Quando chegou, estava duro de fazer barulho ao bater na mesa! Depois virou piada, mas na hora o sangue italiano sobe! Claro que a mesa que nos deram só não era dentro do banheiro porque o banheiro era minúsculo: duas cabines, tanto para homens como para mulheres.  Mas eu parecia ser a única pessoa incomodada com a situação. Uma colega de viagem me acalmou e chamamos o guia. Fiz minha reclamação da programação do dia, da escolha do restaurante, da demora no atendimento. Se soubesse que o dia seria desse jeito, preferia ter me despedido do grupo e feito o meu roteiro.
Eu nunca viajo de pacote, talvez porque goste de fazer minhas escolhas e de arcar com as consequências caso elas não tenham sido boas. Desculpem o desabafo, mas nem só de incríveis recordações se faz uma viagem e acho importante relatar experiências ruins também, pois acontecem com todo mundo.

Vista da Praça São Marcos mais vazia, do alto do Campanário
Vista da Praça São Marcos mais vazia, do alto do Campanário

Campanário San Marco IMG_0202

Tarde Livre
O grupo tinha então algumas horas para atividades independentes e se encontraria às 17h para voltar ao hotel. Conversei com minha mãe e filha e elas voltaram com o grupo. Depois desse horário, algumas cidades europeias ficam mais vazias e é o caso de Veneza.  Conseguimos subir no campanário da São Marcos (€8,  com elevador), caminhar por ruelas e sobre pontes, sentar em um restaurante numa praça com fonte e observar os passantes, comer e beber tranquilamente, como deve ser em uma viagem de férias. Foi então que provei a bebida nacional, o spritz, de origem húngara, que em algumas regiões da Itália mistura campari ao vinho com água gaseificada. Resultado, na minha opinião, intragável.

Ponte Rialto

Aí  veio o vento que traria uma chuva de verão. As mesas ao ar livre começaram a ser retiradas e tivemos que achar um abrigo. Mesmo com esse contratempo, foram as horas mais gostosas em Veneza. Corremos para um ponto de vaporetto e foi então que percebemos como estávamos longe de onde pensávamos estar. Veneza é assim: a gente se encontra quando se perde!

Vista do Vaporetto
Vista do Vaporetto

Hospedagem
Ficamos no hotel Russott duas noites, em excursão da Surland/Lusanova. O próprio guia nos antecipou que o hotel era o pior dentre os outros que ficaríamos na Itália, o que não pode ser um bom sinal, certo? Daí cantou a musiquinha do filme Família Adams, dizendo que a decoração era meio tenebrosa. Antes fosse apenas isso! Sua pior característica é a localização: além de longe de Veneza, é preciso caminhar na rodovia (a calçada é estreita ou inexistente em alguns trechos) se quiser tomar o ônibus e à noite é bem escuro e desolado, sem nada por perto. Em julho, quando fomos, os ônibus coletivos vindos de Veneza perto das 22h estavam lotados nas duas noites que os usamos. Não há lojas, restaurantes ou mercados por perto. A decoração não é de Halloween (mas nunca tinha visto carpete que subia até meia parede!), acho que o guia tentou amenizar outros aspectos, como o atendimento ruim, café da manhã fraco. Wifi, só na recepção. Barulho de caminhões e ônibus vindo da rodovia. Não recomendo mesmo.

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Agora, dois anos depois, voltarei a Veneza desempacotada, com viagem planejada por mim, no hotel que escolhi, comendo nos restaurantes indicados por outros viajantes. Aguardem novidades!

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O que NÃO fazer em Veneza

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6 comentários sobre “Veneza: roteiro de uma primeira vez

  1. adriramos maio 5, 2015 / 7:11 pm

    Veneza é uma das cidades que mais quero conhecer. Adorei suas fotos e dicas.

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    • mulhercasadaviaja maio 16, 2015 / 1:26 pm

      É apaixonante! A cor do mar e dos canais em contraste com o azul do céu, a arquitetura, as ruelas medievais, surpresas em caminhadas sem destino. E nem visitei os museus maravilhosos que a cidade oferece. Ficam pra uma próxima.

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  2. Alessandro Paiva maio 6, 2015 / 11:01 am

    Nossa, estive lá no carnaval! É um astral fora do comum!

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  3. Simone Neves agosto 14, 2017 / 7:39 pm

    Que legal, to amando suas dicas. Tbém vamos comemorar nossos 20 anos de casados em Veneza.

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