Viajar é preciso: a razão por trás do prazer

Si fueris Romae, Romano vivito more. Cícero —  Em Roma, sê romano.

Minhas primeiras horas em Roma e três acontecimentos em intervalos de poucos minutos, na mesma Via Nazionalle, me fizeram lembrar desse ditado.

1. numa loja, a atendente se dirigiu a mim e mandou um italiano rápido, emendado, que eu obviamente não entendi. Desculpei-me e pedi que falasse em Inglês e ela surpresa e confusa disse que pensara que eu fosse italiana, devido a minha aparência.

2. Alguns quarteirões depois, um casal estava plantado, criando raízes em frente à faixa de pedestres, na hora do rush. Postei-me ao lado deles e só então lembrei: “Em Roma, sê romano“. Botei o pé na rua, virei-me para eles e gesticulando disse: “Andiamo!”. Os carros pararam, eles agradeceram – em italiano – e chegamos ao outro lado da avenida.

3. Lá do outro lado, um senhor italiano me pede informação de onde era a Via Nazionalle. Eu toda orgulhosa por ter compreendido, por parecer local, por poder ajudar (OK, principalmente por parecer local), expliquei em um italiaguês: “Questa qui” , gesticulando.

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Não sei se você compreenderá o que essas pequenas coisas significam para mim. Adoro estar em outras culturas, falar outras línguas, provar comidas e bebidas. Nada especial, tem milhões de pessoas assim. Talvez você que está lendo seja uma delas e então entenderá que essas pequenas coisas que acontecem quando se está viajando é que dão sabor ao ato de viajar. Eu nunca vivi fora do Brasil, nem mesmo de minha cidade natal, e isso me faz muita falta, como uma coisa mal resolvida. É difícil ser um espírito livre morando num corpo que criou raízes. Minhas viagens ajudam o espírito a  se soltar, mas logo tenho que puxar o cordão e trazê-lo de volta. Enquanto algumas pessoas viajam para descansar, se divertir, fazer amigos, fugir de problemas, mudar de vida, eu não tenho outra explicação: viajo porque preciso.

por que viajar

Você que me conhece pode até dizer que nem sempre foi assim. É verdade, quando a gente está envolvido numa rotina insana, em que tem leões para matar diariamente, não se dá atenção ao espírito, que fica recolhido, esquecido num canto qualquer do corpo.

Não tenho só cara de italiana, sou descendente de famílias italianas. Além do sobrenome e do gene esquentadinho que comprovadamente tenho, há evidências de que eu também tenha o DRD4-7R, derivado do DRD4, que é associado aos níveis de dopamina no cérebro. Ah, por isso que viajar vicia!

wanderlust (sem tradução no Português): impulso muito forte e irresistível de viajar pelo mundo
wanderlust (sem trad. no Português): impulso ou desejo muito forte e irresistível de viajar pelo mundo

Apesar de haver um monte de gente viciada em viajar, apenas 20% da população mundial teria esse gene, segundo estudo promovido por Chaunsheng Chen em 1999, que analisou 2.320 indivíduos de populações e históricos migratórios diferentes para concluir que descendentes de povos que não migraram não possuem essa derivação do DRD4. Para mim, isso não explica porque há pessoas que gostam de viajar, mas sim porque há quem não queira sair de casa ou fazer mudanças em suas vidas. Estou cada vez mais convencida de que tenho esse 7R! E você?

 

 

 

 

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2 comentários sobre “Viajar é preciso: a razão por trás do prazer

  1. Fernanda Bragatto 1 de julho de 2015 / 22:20

    Curti texto!! Também me sinto um espirito livre preso num corpo que criou Raizes!!! kkk.. Amei a colocação!!

    Curtir

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