A polêmica em torno do Uber. O problema é mais embaixo

Ontem fiquei espantada com a violência que os motoristas inscritos no aplicativo Uber estão sofrendo. Mesmo: estão agredindo fisicamente os motoristas quando chegam ao local combinado com o passageiro. A reportagem mostrou que no aeroporto um passageiro foi obrigado por taxistas a sair do carro registrado no Uber para entrar em um taxi licenciado. Isso é no mínimo chocante.

Uber é um aplicativo criado em 2009 e usado em vários países do mundo, onde causou polêmica, também, chegando a ser proibido em algumas cidades. No Brasil, está disponível em SP, BH, RJ e Brasília. Trata-se de um serviço similar ao taxi, mas sem licença. O carro do motorista precisa estar dentro das normas definidas pela startup e  possuir seguro de acidentes para o passageiro. O motorista passa por um treinamento e fica com 80% do faturamento. Quando você solicita um, recebe o nome e a foto do motorista e os dados do veículo em seu celular. Ao fim da corrida, o passageiro é convidado a avaliar o serviço, o que garante a qualidade como um todo.

Para ir de SP ao aeroporto de Cumbica, por exemplo, não é cobrada a taxa adicional sobre o valor da corrida de 50%, como acontece com os taxis comuns. É uma grande vantagem. Não é à toa que os taxistas estejam enfurecidos, tendo o volume de passageiros diminuído. Os taxistas precisam portar um alvará, o que não acontece com os motoristas do Uber, o que de seu ponto de vista justificaria o custo maior.

Uma primeira votação da Câmara Municipal de São Paulo aprovou uma lei que proíbe o uso de carros particulares para prestar serviços de transporte através de aplicativos, mas essa lei precisa passar por uma segunda votação e ser sancionada pelo prefeito Haddad. O prefeito de Brasília vetou a lei que proibia o serviço, mas como não há regulamentação, os motoristas ainda podem ser autuados com multa e retenção do veículo por não possuírem a licença de condutores de passageiros.

Enquanto a discussão continua e a regulamentação não é aprovada, seja de que maneira, a fiscalização pode aplicar multas de R$ 1.800,47, mais uma a taxa de remoção de cerca de R$ 700,00.  Na reincidência, a multa dobra. É um bom negócio para os cofres públicos.

Não tenho a menor ideia de como essa briga vai acabar, mas tenho certeza que o maior beneficiado hoje, você, vai acabar perdendo. O governo tem interesse em regulamentar para poder taxar, como se IPVA, DPVAT e todas as demais taxas já embutidas em combustível, venda de veículos não fossem suficientes. Os representantes dos taxistas querem que haja uma tarifa mínima estabelecida, para que a concorrência seja “leal”. Mas espera, concorrência acontece quando não há monopólio, ou estou enganada?

Foto do G1
Foto do G1: estado no veículo cujo motorista do Uber foi sequestrado e agredido

Fiquei pensando se as editoras de jornais revistas resolvessem entrar numa briga contra os blogs, por exemplo. Ou as editoras contra os e-books e dicionários e enciclopédias disponíveis na Internet. Afinal, ninguém paga impostos por isso. Seria também uma concorrência desleal?

Da notícia do imbróglio do Uber  podemos enxergar vários problemas de nossa sociedade, não é? O mais grave, na minha opinião, diz respeito à truculência com que os taxistas têm reagido. Onde a lei não chega para regular ou não é cumprida, surge a violência, tão presente em periferias de cidades grandes e sertões de nosso país, onde impera a lei da justiça com as próprias mãos.
A cena de um vereador  de SP urrando contra um adolescente favorável ao Uber quando este sugeriu que ele representava interesses dos taxistas de modo escuso é o retrato do longo caminho que ainda precisamos percorrer para poder chamar este país de democracia.

 

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