Alemanha, Áustria e Eslováquia retomam o controle de fronteira: a crise de refugiados sírios

Desde que a mídia começou a noticiar mais intensamente a situação de refugiados que chegavam à Europa provenientes da Síria, o que mais me preocupou não foi o fato de eu ter uma viagem marcada para a região, mas tentar entender a situação em si, de onde vinham esses refugiados, para onde queriam ir, as medidas que o governo de cada país estava tomando quanto à questão. Não vou ficar aqui repetindo as imagens de refugiados porque isso a mídia já faz. Além de pensar alto a respeito da situação, deixo aqui informações sobre o que muda para quem vai à região. E enquanto eu estiver lá vou dando mais notícias pelo Facebook.

Eu ainda não tenho uma opinião formada a respeito e estou bem dividida e isso talvez seja porque procurei me informar em fontes “de direita”, “de esquerda”, humanitárias. Tenho certeza que se você se mantiver imparcial e ler de fontes diversas também vai ficar cheio de dúvidas porque todas elas, cada uma a sua maneira, parecem ter razão. Sim, deve ser verdade que há quem se aproveite a fuga dos sírios e se infiltre entre os refugiados para  conseguir asilo em países ricos (dizem que documentos de identidade de outros países são encontrados no lixo). Sim, é verdade que como seres humanos temos o dever de ajudar quem busca abrigo (alguém aí olhou pro próprio umbigo? quanta gente precisa de ajuda aqui pelo Brasil, na sua cidade, ates de culpar europeus de xenofobia e não movemos um dedo?). Sim, é verdade que há interesses na mão de obra barata que chega. Sim, é verdade que a Europa vai se transformando cada vez mais e isso me assusta.

Não se trata de xenofobia, sou  muito a favor da mistura de culturas e da diversidade, mais um motivo para gostar tanto de viajar. Mas este vídeo me assustou um pouco pois mesmo que os radicais sejam a minoria, são as minorias que começam as guerras, que promovem atentados e atrocidades como as que marcaram a história da humanidade, sejam essas minorias ou governo legítimo ou não. Acredito que se você se estabelece em país que te acolheu, precisa respeitar as leis e a cultura daquele país. Não fazemos isso como turistas? Se você visita países islâmicos, como mulher vai vestir um véu para não chamar a atenção e demonstrar respeito a essa cultura. Mas parece que o contrário está acontecendo. Numa escola alemã a diretora orientou as meninas a não usarem minissaia pois poderiam ser mal interpretadas pelos imigrantes islâmicos.

Mas agora, a poucos dias da minha viagem a Munique, Viena, Budapeste e Praga, passei para a fase “minha viagem nessa situação” e resolvi compartilhar com vocês o que mudou para quem vai ao Leste Europeu.

O que muda nas fronteiras europeias

Você deve saber que existe há 20 anos na Europa um tratado chamado Schengen. Ele te obriga a contratar um seguro com cobertura de € 30 mil, mas permite a livre circulação entre os países signatários estando de posse de um passaporte com validade de 6 meses da data da saída da Europa. Na prática isso significa que haverá controle de passaporte na primeira cidade europeia onde você pisar, mesmo que seja apenas uma conexão de voo, e o mesmo ocorre na saída. Entre esse período, você tem circulação livre, sem controle de fronteiras.

Como os refugiados chegam em uma quantidade assombrosa, 438 mil em 7 meses de 2015 contra 571 mil em 2014, alguns países da Comunidade Europeia resolveram reestabelecer o controle das fronteiras. A Hungria ergueu cercas, você deve ter visto. Alemanha, Áustria e Eslováquia na mesma semana declararam que o controle de fronteira está de volta. A Holanda também intensificou o controle, pois o país pode servir como passagem à Alemanha. Ou seja, seu passaporte será solicitado não apenas no primeiro país da Europa, mas quando passar por uma unidade fronteiriça entre esses países.

Como eu vou viajar de trem de Viena a Budapeste, Áustria a Hungria, entrei em contato com o escritório consular da Hungria em São Paulo, que me informou que o controle será feito dentro do trem, com um funcionário governamental verificando os passaportes. Imagino que nos demais trechos o mesmo será feito, então se você está com seus documentos em ordem não há com o que se preocupar e pode voltar a tentar a compreender o que acontece por trás das notícias.

Atualização: Acabo de voltar da viagem. Não vi nada parecido com as imagens vistas na TV e não houve controle de passaporte depois de minha entrada na Europa. Apenas na viagem de trem entre Praga e Viena meu passaporte foi solicitado, mas acho que foi para confirmar a identidade com o bilhete que eu portava. De meu marido, que viajava comigo, ou dos passageiros sentados próximos a nós nessa viagem, não houve solicitação.

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