Roteiro de Munique e dicas para uma conexão longa

Você sofre de (ou se diverte com o) “já que”? Como diz meu marido, quando precisa pintar uma parede eu quero derrubar as três outras para aproveitar a reforma (rsrsrs), então quando se trata de viagem eu não resisto se tem um “já que” na história. Foi assim em nossa viagem rumo a Viena, Budapeste e Praga: nosso voo teve conexão em Munique e, já que havia uma grande disponibilidade de horários para o trecho Munique-Viena, escolhi um que nos permitisse algumas horas na cidade do Oktoberfest.

Munique o que visitar

Além de Munique, pratiquei o “já que” em Buenos Aires numa conexão para El Calafate. Leia no post Buenos Aires em Conexão no Aeroparque como foi.

Aproveitando uma conexão de longas horas
Ao aproveitar uma conexão para conhecer uma cidade, é importante considerar alguns detalhes para calcular se vale a pena deixar o aeroporto para visitá-la. Eu listei alguns:

  • em média, a conexão precisa ter mais de 5 horas para valer a pena, mas pode variar a cada cidade, dependendo da distância do aeroporto das atrações a visitar e da oferta de transporte;
  • verifique se a cidade de conexão fica em um país que exige visto de entrada. Se você não tiver o visto, não poderá entrar;
  • considere o tempo de desembaraço no aeroporto: imigração (no Espaço Schengen, a imigração é feita no primeiro país europeu onde você coloca os pés), retirada de malas (às vezes elas não vão direto ao destino final) e circulação pelos corredores (muitos são tão grandes que têm trens para unir um terminal a outro);
  • pesquise se o aeroporto de conexão tem guarda-volumes para você armazenar sua bagagem de mão/bordo ou a bagagem toda caso ela não tenha sido enviada ao destino final;
  • programe o tempo (e custo) de deslocamento do aeroporto até o centro da cidade, na ida e na volta, e o tempo que sobrará para visitar o local;
  • liste o que terá oportunidade de ver. Numa cidade muito grande, como Paris, Londres, Nova Iorque, não seria um desperdício passar apenas algumas horas? Aproveite conexões em cidades menores ou para revisitar as grandes que já conhece. Mas esta é minha opinião, não uma verdade universal. Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é;
  • verifique o clima local e vista-se de acordo com ele. Eu levei uma camiseta mais grossa para colocar por cima da que usei no voo, pois sabia que estaria mais frio em Munique.
  • Evite conexões que varem a madrugada. Você gasta com hotel e fica no stress de ter de voltar ao aeroporto no dia seguinte – ou passa uma noite horrorosa nos bancos do aeroporto.
  • Confira se os voos de conexão chegam e partem do mesmo aeroporto em uma mesma cidade. Muita gente não presta atenção nisso no momento da emissão do bilhete e tem que se deslocar entre aeroportos no intervalo da conexão, por sua conta e risco.
  • Vai passar a noite no aeroporto? Pesquise se há um hotel dentro dele ou nos arredores.
  • E que tal dormir na horizontal com privacidade e segurança, na sala de embarque do aeroporto? Aeroportos mais movimentados, geralmente os hubs, já contam com essa comodidade. Aqui no blog eu listei alguns deles. Leia no post Dormindo no Aeroporto

Munique o que fazer

Roteiro de 4 horas em Munique 
Munique atraçõesJá dei essa dica aqui no blog, mas não custa repetir: baixei um aplicativo no meu smart phone chamado CityMaps2Go. Você carrega o mapa, salva pontos turísticos, restaurantes, lojas, etc., enquanto faz o planejamento conectado e tudo fica disponível mesmo quando estiver offline. É gratuito e as poucas propagandas são discretíssimas, sem atrapalhar a imagem principal. O mapa também traz as opções de transporte, mas não calcula a rota. Por outro lado, funciona como um GPS, apontando onde você se encontra no mapa e que direção seguir. Acho um auxílio bacana e, por não traçar a rota, ainda te dá a oportunidade de ter que explorar mapa, pesquisar transporte, se perder e ter que pedir informação, o que sempre traz uma interação maior com a população local do que traria se você simplesmente tivesse tudo planejado.

As atrações foram escolhidas pela proximidade e relevância turística, considerando as poucas horas que teríamos. Muita coisa que eu gostaria de conhecer em Munique ficará para uma visita de verdade, já no campo dos sonhos para quando eu fizer a rota romântica da Alemanha. O roteiro foi todo feito a pé e começa e termina na estação Marienplatz, por onde chegamos e de onde saímos para voltar ao aeroporto.

1. Marienplatz, onde estou na foto acima, é a praça principal do Centro Histórico de Munique e é onde se encontra a velha e a nova Prefeitura e seu famoso relógio, o obelisco da Virgem Maria, a Fonte do Peixe e o Centro de Informações Turísticas. Saiba um pouco sobre cada um deles nos próximos parágrafos.

relógio de Munique

A nova sede da prefeitura (Neues Rathaus) levou 4 décadas para ser concluída, tendo início em 1867, e impressiona primeiramente pela arquitetura. Mas é muito famosa pela torre do relógio, com um carrilhão (Glockenspiel) de 43 sinos, em dois andares, o maior de toda Alemanha, que soam às 11h, 12h, 17h (no verão) e 21h. Eu acabei perdendo a apresentação das 12h, o único horário em que estaria na cidade… Fica para  próxima. Mas não é só um badalar compassado que perdi: há um show de bonecos com duração de 15 minutos que conta uma história: no andar de cima, representação de um festival de duas semanas de duração que aconteceu em 1546 na Marienplatz para celebrar o casamento do Duque Wilhelm Quinto. No andar inferior,  há uma dança em comemoração ao fim da Peste em 1517, que no folclore local teria sido espalhada por uma dragão, Wurmeck, morto com um tiro de canhão por um guardião da cidade. Li uma blogueira dizendo que visitou o local e não achou graça. É verdade que não precisamos gostar de tudo o que vemos, mas é preciso de um pouco de imaginação para voltar à época de sua construção, quando não havia cinema, muito menos TV ou qualquer tecnologia, para entender o quanto esse espetáculo era atrativo. Tudo vale a pena, já dizia o poeta.

A coluna da Virgem Maria (Mariensäule) data de 1638, quando Maria foi declarada a nova padroeira da cidade após ser ocupada pela Suécia durante a Guerra dos 30 Anos. Os quatro guerreiros na base lutam com criaturas que representam a guerra (leão), a peste (galo), a fome (dragão) e a heresia (serpente) – é, eram tempos medievais…

Munique oktoberfest

A Fonte do Peixe (Fischbrunnen) é de 1954, mas remete a uma fonte medieval que existia no local até 1831 quando a praça era um mercado e onde os peixes eram mantidos frescos para a venda. É muito legal saber desses detalhes porque eles dão vida a um monumento, não acham? Eu fiquei olhando a fonte e vi os mercadores, os compradores e seus trajes, os produtos à venda e até os peixes na fonte. Mulher casada viaja…

Munich roteiro

Antiga Prefeitura (Altes Rathaus) é um edifício construído entre 1470 e 1480 e que foi muito danificado na segunda guerra, passando por restauro e reconstrução que terminou em 1975. Os arcos que se vêem foram acrescentados em 1877 e 1934 para passagem, mas li também que já serviram como porta de entrada da cidade. Sua torre é parte de uma fortaleza do século XII e tem 55 metros de altura. Atualmente abriga o museu do Brinquedo (Spielzeugmuseum) em quatro andares diferentes.

Prefeitura de Munique

Verona doou a versão da Julieta a Munique
Pobre Julieta! Assediada em duas cidades turísticas…

Ah, ali também que fica uma réplica da estátua da Julieta (aquela do Romeu), doação da cidade de Verona. Claro que botei a mão no seio dela! Ao contrário da original em Verona, aqui ninguém liga muito para isso e não tinha fila! rsrsrs Mas se houver constrangimento em tocar as partes da estátua, você pode deixar flores, alternativamente. Eu entro nessas mais pela brincadeira do que pela superstição, claro. Afinal, já tenho sorte no amor (essa foi pro marido, que vai ler o post, claro! rsrsrs).

Bem, só por essas atrações na Marienplatz, já teria valido aproveitar a conexão e visitar rapidamente Munique! Mas tem muito mais.

 

Munique o que comerVictuals Market (Viktualienmarkt): Imaginei que depois dessas atrações já estaria na hora de almoçar e planejei visitar o mercado da cidade, que existe desde o século XVIII. Li sugestões de sopa de goulash (que provei em Budapeste), sanduíches Krustis (lembrei dos Simpsons kkkk) e salsicha com sauerkraut, vulgo chucrute. Foi lá que comi o primeiro hot dog dentre muitos dessa viagem. E o primeiro tem um gostinho especial! Não achei lugar para sentar, então comemos enquanto caminhávamos pelas ruas próximas. Afinal, não havia tempo a perder! Mas se você tiver tempo e quiser se sentar, há vários restaurantes no pátio interno da Nova Prefeitura e nos calçadões de pedestres, como o da  Kaufingerstraße, onde fica a loja de departamentos Kimer, com gerânios nas janelas e que na época de natal parece parte de um presépio.

Munique roteiro de 1 dia
A fachada da Kimer: capricho puro!
Oktoberfest
O que acharam da camiseta, meninas?
A Igreja São João Nepomuceno (Asamkirche) é para quem curte o estilo barroco, aquele cheio de rebuscamentos, colunas torcidas, detalhes mil. Construída no século XVIII, ela é colada à antiga residência dos irmãos que a encomendaram, os Asam, por isso ela é conhecida como Asamkirche. Não chegamos a visitá-la, mas estava na lista.😢

Porta Nova Sendlinger (Sendlinger Tor). Eu adoro portas de cidade medievais. Fico imaginando os viajantes  (sempre eles!) chegando em peregrinação ou para vender seus produtos e pagando as taxas na entrada. É como a Imigração dos aeroportos… Suas torres marcam o local do primeiro muro de Munique, no final de 1200, e o nome remete à estrada medieval que levava à Itália- e trazia gente de lá. Outra coisa que estava na minha lista, mas não tivemos tempo de ver.

Frauenkirche é a Catedral de Munique e marca presença no horizonte da cidade, pois suas torres gêmeas têm 99 metros de altura e nenhum outro edifício da cidade está autorizado a exceder esta altura. É possível subir em uma de suas torres, mas adivinha: só entramos na igreja, que é gratuita, e não tivemos tempo de subir à torre. Sua construção começou em 1468 e diferente de muitas dessa época, é inteiramente feita de tijolos. Confesso que me surpreendi com a simplicidade de seu interior, mas não é assim mesmo que deveriam ser os templos? Entretanto, a simplicidade se deve à falta de dinheiro, mesmo, quando de sua construção. Se você gosta de lendas, há uma muito legal envolvendo a construção dessa igreja, com direito a pacto com o diabo! O aplicativo que sugeri acima conta várias versões dessa lenda, mas não vou compartilhar aqui por falta de espaço.

Munique roteiroMunique igrejas

 Odeonplatz. Assim como Marienplatz, esta praça tem alguns pontos históricos e arquitetônicos relevantes: a igreja Theatine, Dodger’s alley e o Field Marshall’s Hall.
A Igreja dos Teatinos e São Caetano (Theatinerkirche) tem uma história típica do catolicismo medieval: em troca de um herdeiro que não vinha mesmo após uma década de casamento, o então rei Ferdinando prometeu uma igreja em homenagem a São Caetano, tendo sido atendido dois anos depois da promessa, e em 1663 a construção começou e a inauguração em 1674 foi literalmente de fachada, pois outros 16 anos foram necessários para completar seu belíssimo interior barroco.
Quando eu vi a foto do Field Marshall’s Hall (Feldherrnhalle), lembrei-me da Loggia dei Lanzi de Florença, e depois soube que ele realmente foi inspirado nesse terraço-museu italiano! Apesar da inspiração, enquanto Florença exibe figuras mitológicas, Munique dedica o espaço aos militares, que foi construído em 1841 para homenagear os soldados bávaros, representados pelas duas estátuas nas laterais. A estátua maior foi acrescentada em 1870 para honrar os soldados mortos na guerra Franco-Prussiana e os dois leões chegaram no início do século XX.  Mas o acontecimento mais peculiar e significativo do Hall foi quando Hitler foi ferido e aprisionado por um ano, nos primórdios do nazismo, durante o Golpe chamado Beer Hall.
Munique e o nazismo
Viscard Alley ou Dodger’s Alley (Drueckebergergasse) é uma rua com história interessante. Em Inglês, dodge significa desviar, daí o nome. Não sei se em alemão é o mesmo. Quando Hitler ergueu um memorial para honrar os 16 companheiros mortos no fracassado Golpe Beer Hall de 1923, todos que por ali passavam precisavam saudar os soldados que guardavam o memorial com o tradicional “Heil Hitler”. Quem não concordava com o regime nazista fazia um desvio, que hoje é marcado de uma cor diferente sobre o calçamento de pedra.
No caminho de volta da Odeonplatz, passamos pela Max Joseph Platz, onde fica a Bavarian State Opera e o Residenz, museu-palácio. Ao lado do museu começa uma avenida larga, a Maximilianstraße, onde as lojas de grife do mundo todo mantêm filiais e onde os homens ficam malucos com os carrinhos simples estacionados por ali…
museu em Munique
O Residenz
Hofgarten. Também não tive tempo de ir a este parque, mas deixo a dica. Como muitos parques europeus, pertencia à realeza no início do século XVII e em 1780 foi aberto ao público. Caminhando na direção nordeste, à esquerda da sede do governo da Bavária (Bayerische Staatskanzlei) – edifício que mais se parece uma estufa -, encontramos uma faixa imensa, maior do que o Central Park de Nova Iorque, onde há um jardim Inglês, um pagode chinês, um beer Garden.  O Memorial da Segunda Guerra Mundial e o Palácio Real de Munique (Residenz) ficam ali pertinho.
Mesmo sem muito tempo disponível, paramos para uma cerveja (caneco de 1 litro!) no Hofbräuhaus Beer Hall, o mais famoso de Munique pois é o berço da Oktoberfest e a primeira cervejaria da Bavária, que começou a produzir em 1589. O espaço existe desde 1607, mas era reservado à família real e seus convidados até que em 1828 o imperador Ludwig a tornou pública. Gente como Sissi, a imperatriz austríaca, e Mozart foram alguns de seus frequentadores.
Munique Oktoberfest
O HB não é apenas um bar, é um ícone!
Munique Orktoberfest como é
Muitos se vestem a caráter

Apesar de tanta cerveja, não vi uma só discussão ou tumulto. Também não vi tanta festividade como esperava (será que é porque era segunda-feira?) e, pra ser sincera, a banda estava meio derrubada. Mas de vez em quando um grupo se animava e fazia a dancinha tradicional de levantar as pesadas canecas e balançar de lado a lado cantando.

Cervejaria em Munique
A fachada do HB
Estou louca para escrever sobre a historia dessa cervejaria, mas como ainda tenho tanta coisa pendente, deixo o link para o vídeo oficial que conta um pouco dela (em inglês).
Oktoberfest onde beber
Só para fazer gênero: uma latinha de cerveja já me basta
Achei a cidade uma graça, limpa e com mais atrações do que eu esperava. Infelizmente era segunda-feira, quando não há Oktoberfest, mas mesmo assim tinha muita gente vestida a caráter pelas ruas e quase todas as lojas exibiam os trajes típicos. Nossa, agora que percebi que os caras da foto abaixo, tirada na Kaufingerstraße, são os mesmos que fotografei no Hofbräuhaus, mas eu juro que tinha muita gente com trajes típicos pelas ruas, não só eles (rsrsrs).
Oktoberfest
Conexão curta em Munique: o que fazer
S
e você não tiver tempo suficiente para deixar o aeroporto e visitar Munique, pegue a saída do aeroporto e tome uma cerveja no beer garten Airbrau, que fica entre a saída do aeroporto e o acesso ao trem. É uma praça linda, entre o centro de convenções em formato de U e é coberta. Foi o que fizemos na volta, aproveitando para jantar. Gastamos €15,40 em 2 cervejas de meio litro cada e numa porção de 4 salsichas com chucrute, com direito a um pretzel e pães saborosos. Na volta será preciso passar pelos procedimentos de segurança novamente, mas acho que é muito melhor do que ficar de bobeira no portão de embarque.

bier garten aeroporto Munique
O Airbrau, bier garten na saída do terminal 2

restaurante em Munique

 

Última dica: muitas cidades europeias têm tours gratuitos, geralmente na língua local ou em inglês, e você só paga uma gorjeta ao final da visita. Em Munique, tem duração de 4 horas e passa por todos os pontos que listei aqui. Mais detalhes no site oficial. 
Para saber sobre o aeroporto, como comprar os bilhetes de trem e como chegar ao centro de Munique, leia o post Do Aeroporto ao Centro de Munique, que publicarei na próxima semana.
E você já foi a Munique? Tem alguma dica legal para compartilhar? Deixe aí nos comentários. Abraços!

5 comentários sobre “Roteiro de Munique e dicas para uma conexão longa

  1. Julio Souza abril 19, 2016 / 8:23 pm

    Parabéns pelo post! Vou aproveitar as dicas.

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  2. Barbara Gimenez maio 17, 2016 / 1:30 pm

    Oi Márcia, tudo bem?

    Parabéns pelo post, ótimas dicas!
    Eu e mais duas amigas faremos uma conexão de 9 hs e 35 minutos em Munique.
    Certamente aproveitaremos esse seu roteiro pra conhecer um pouco a cidade.
    Vc poderia me dizer quanto tempo gastou em média pra ir do aeroporto até estação Marienplatz?
    Nessa sua conexão (que também foi longa) vc precisou retirar a bagagem e despachar novamente?
    Quais foram os procedimentos?

    Obrigada!

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