São Paulo: roteiro pelo bairro da Luz

A avenida Paulista é a favorita entre os turistas que visitam a cidade de São Paulo, não sem motivo, mas a região do bairro da Luz brilhou no século 19 e mantém traços daqueles anos dourados que merecem ser visitados hoje, como o Jardim da Luz, a Estação de trem da Luz, a Sala São Paulo, a Pinacoteca do estado e outros museus, todos tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Confira o roteiro pelo bairro da Luz e conheça sua historia.

roteiro fim de semana Sao Paulo

Não fiz este roteiro de uma vez só, já que moro em São Paulo e estas visitas aconteceram em dias diferentes. A pé, de um ponto a outro, dá apenas 4 quilômetros, mas como há vários museus, acredito que seja necessário dedicar um dia inteiro para conhecer a região.

Para chegar ao bairro da Luz, a forma mais prática é descer no metrô Luz, uma estação bem movimentada pois é integrada com a linha dos trens urbanos, a CPTM, além das linhas Azul e Amarela do metrô. Na estação Luz, há placas indicativas para a saída para a Pinacoteca e é só atravessar a rua.

As fotos antigas deste post foram digitalizadas a partir do livro Lembranças de São Paulo, que apresenta a cidade através dos séculos por meio de antigos cartões postais, uma forma interessante de voltar ao passado e ver como era linda minha cidade.

O bairro da Luz surgiu quando Domingo Luís se mudou para a região em 1601 e construiu a Capela Nossa Senhora da Luz. Naquela época só existiam fazendas  e o desenvolvimento urbano chegou apenas no século 19, junto com a rede ferroviária. A foto abaixo é um recorte de um mapa representando São Paulo em 1877 e podemos ver o Parque da Luz e a primeira estação de trem da Luz, próximo ao terminal de bondes. o que fazer em São Paulo

A decadência da área teve início em 1950 quando as empresas grandes ali instaladas se mudaram para outras áreas da cidade, como a Avenida Paulista, que coincidiu com o declínio ensaiado das ferrovias e o surgimento de transportes mais velozes, como o avião e veículos motorizados.

Mais recentemente, nos anos 1990, o terrível problema dos usuários de crack que vagam pela região como walkers, os zumbis do The Walking Dead, degradou de vez a região em torno da Rua Mauá e da Estação Julio Prestes. Quando fui à Sala São Paulo, de carro e à noite, confesso que fiquei bastante impressionada (=assustada), e não vi a hora de entrar no estacionamento onde tudo é cercado e controlado. Não sei como está atualmente e não encontrei informações a respeito para compartilhar aqui. Há um ano o governo estadual anunciou um projeto de construir uma passagem subterrânea entre a estação da Luz e a Sala São Paulo para que as pessoas tivessem maior segurança mas, como tudo que envolve os dependentes químicos da região, virou uma polêmica e deve ter sido esquecida. Se você tiver notícias, por favor deixe nos comentários.

Mas então, é seguro ir até a região da Luz? 
Bem, eu não deixaria de ir, nem como turista nem como moradora. A vida segue ‘normal’ nas proximidades da Pinacoteca, basta ser cuidadoso. Há uma saída do metrô bem em frente à entrada da Pinacoteca e na própria Estação da Luz, então a circulação na rua é mínima.

Quando visito regiões com alto índice de batedores de carteira, levo na bolsa apenas um cartão bancário de débito e um documento de identificação e o mínimo de dinheiro vivo. Não usei minha câmera fotográfica e fiz fotos com o celular, rapidamente e com um olho no peixe outro no gato. Também é tranquilo circular na Avenida Tiradentes, se você esticar até o Museu de Arte Sacra. Quanto à Estação Julio Prestes-Sala São Paulo, volto a dizer que não sei como anda a situação atualmente.

Agora vamos ao roteiro. Se você acordar cedo, antes que os museus abram, pode começar o roteiro pelo Jardim da Luz, que abre às 6h, ou conhecer a Estação da Luz. 

Jardim da Luz – Praça da Luz (Metrô Luz)
Primeiro jardim público da cidade, o Jardim da Luz tem 113 km²e  foi aberto ao público em 1825, mas segundo o site Sao Paulo in Foco, começou como o primeiro Jardim Botânico da cidade, antes de 1800, e somente na década de 1870 as pessoas passaram a frequentá-lo. Leia aqui.

Além das árvores e plantas, o parque tem várias esculturas, ma caso não vá passear pelo Parque da Luz, aproveite a possibilidade de sair em um dos terraços da Pinacoteca para apreciar do alto e com segurança as obras.

Arte em São Paulo
uma das obras do Parque da Luz: Carregadora de Perfume, de Victor Brecheret

Estações de trem da região: da Luz e Júlio Prestes
As estradas de ferro romperam o isolamento de São Paulo, ligando-a ao litoral e ao Oeste do estado, transportando imigrantes e riquezas agrícolas e industriais. Hoje, com tanta tecnologia, é fácil se perder e esquecer o que representaram, mas eram tão importantes e inovadores que as pessoas esperavam na plataforma apenas para vê-lo chegar. Por seus saguões desfilaram figuras importantes da sociedade. Virou poema, Estrada de Ferro, pelas mãos de Manuel Bandeira sendo depois musicalizado por Tom Jobim.

No site da Sala São Paulo você encontra a historia completa da estação Julio Prestes e sugiro que visite também o Museu da Imigração no bairro da Mooca e o Museu do Café, este em Santos, pois trens, imigração e cultivo do café estão ligados pela Historia.

Estação da Luz e Museu da Língua Portuguesa – Praça da Luz (Metrô Luz)

Estação da Luz em 1911

Em 1867 surgia a primeira estação da Luz, um prédio simples e bem diferente do que vemos ainda hoje. A imponente estação da Luz na forma atual, aberta ao público em 1901, é uma réplica da estação de Sydney, e todo material, de plantas a pregos, veio da Inglaterra.

Em 1946 houve um incêndio e reconstruir a estação levou longos 5 anos. Mais recentemente, em 2016, o Museu da Língua Portuguesa, instalado na estação, sofreu um incêndio que manteve a entrada principal fechada por 7 meses e o Museu continuava fechado quando a visitei, em maio de 2018, mas já podíamos ver os resultados da restauração: a pintura externa estava sendo realizada, mas os tijolos da plataforma e o saguão estavam em sua melhor forma, um prazer para os olhos!

São Paulo roteiro
A Torre do Relógio da  Estação da Luz em junho/18


Estação Julio Prestes e Sala São Paulo – 
Praça Júlio Prestes (Metrô Luz)
O edifício onde hoje fica a Sala São Paulo foi projetado por Christiano Stockler das Neves e construído entre 1925 e 1938 para ser a estação da Estrada de Ferro Sorocabana, batizada com o nome do presidente do Brasil Julio Prestes. Assim como a estação da Luz, possui uma torre de relógio imponente, de 75 metros de altura.

A Sala São Paulo é a melhor sala de concertos da América Latina e sede da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, instalada no antigo saguão com pé direito de 24 metros da Estação Julio Prestes desde 1999, depois de uma reforma de 18 meses.

Eu a visitei durante um espetáculo, mas há também a opção de agendar uma visita guiada por e-mail (visita@osesp.art.br) ou do telefone (11 3367-9573-das 10h30 às 17h30) ao custo de R$5,00 e duração de 50 minutos.

A Sala São Paulo

Estação Pinacoteca: Memorial da Resistência de São Paulo
Em 2004 o conjunto de armazéns e escritórios da Estrada de Ferro Sorocabana foi reformado e passou a abrigar exposições temporárias. No térreo está o Memorial da Resistência de SP, instituição que objetiva preservar a memória da resistência à repressão política do Brasil, no mesmo lugar onde funcionou o Deops/SP (Departamento de Ordem Política e Social) de 1940 a 1983. Veja o relato da visita ao Memorial, escrito pela Katarina do Outro Blog, aqui.

roteiro São Paulo 2 dias

Pinacoteca do Estado de São Paulo – Praça da Luz, 2 (metrô Luz)
Museu de Arte com acervo da produção brasileira do século 19 em diante, mas com exposições temporárias internacionais, a Pinacoteca é o museu mais antigo da cidade e tem sede num lindo edifício de tijolos desenhado por Ramos de Azevedo para ser o Liceu de Artes e Ofícios. No final do século 20 recebeu uma ampla reforma e hoje chama tanto a atenção quanto seu acervo. 

o que fazer em São Paulo

Minha última visita à Pinacoteca é recente, quando aproveitei para ver a exposição de Hilma af Klint (em cartaz até 16 de julho/18). Quando publiquei este post ainda não havia escrito um inteirinho sobre a Pinacoteca, então procure atualizações na página São Paulo, please.

museus de São Paulo

Aproveite para almoçar no restaurante da Pinacoteca, com vista para o Parque da Luz:

A Pinacoteca funciona das 10h às 17h30 (fecha às terças-feiras). Entrada: R$ 6

Pina Contemporânea
Está prometida para 2019 a inauguração de um anexo da Pinacoteca, a Pina Contemporânea, que como indica o nome abrigará mais de 3 mil obras de arte contemporânea, parte do acervo da Pinacoteca mas que são expostas esporadicamente, apenas. O prédio fica a 50 metros do edifício da Pina Luz (Pinacoteca), onde funcionava o Grupo Escolar Prudente de Moraes.

Museu de Arte Sacra – Av. Tiradentes, 676 (metrô Tiradentes)
Confesso que não é meu tipo de museu preferido, mas ajuda a compor a historia de São Paulo e na minha opinião o presépio napolitano em exposição permanente já vale a visita. Leia sobre ele em Museu de Arte Sacra e seus Presépios. 

Museus SP

Não deixe de incluir no seu roteiro em São Paulo a visita ao bairro da Luz e, tendo pouco tempo, visite ao menos a Pinacoteca.

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9 comentários sobre “São Paulo: roteiro pelo bairro da Luz

  1. Amilton Fortes julho 19, 2018 / 4:05 pm

    Que delícia! Adoro Sampa e seus cantinhos, a região da Luz conheço muito pouco, vou tentar explorá-la da próxima vez que visitar a cidade. Abs

    Curtido por 1 pessoa

  2. Carol Duque julho 19, 2018 / 2:09 pm

    Adorei esse roteiro especial em Sampa. Gosto de história e de apreciar a arquitetura e em Sampa tem demais isso. Quando voltar em São Paulo vou querer explorar mais da cidade.

    Curtido por 1 pessoa

  3. diego Arena julho 17, 2018 / 8:27 pm

    Ai esses lugares lindos!!! Adoro a estação da luz e a Pinacoteca é um dos meus museus favoritos em São Paulo. Do seu roteiro eu não conheço o Memorial da Resistência, preciso pegar um dia e ir até lá conhecer.

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  4. rui batista julho 17, 2018 / 1:24 pm

    Estou a ver que da única vez que estive em São Paulo perdi demasiadas coisas interessantes… sem dúvida, terei de voltar! 🙂

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  5. Gabi Torrezani julho 17, 2018 / 7:45 am

    Adoro o centro velho de SP, tem muito charme… realmente, muita coisa pra ver na Luz! Espero que os órgaos públicos tenham a consciencia da importancia histórica do centro pra mante-lo bonito…

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    • Marcia julho 19, 2018 / 2:39 pm

      Problema complexo este do centro Velho e maior ainda nesta região da Luz. Mas há esperança, novos centros culturais estão pipocando aqui e ali.

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