Deserto do Atacama: Como é o passeio Salar de Tara

Vista do Salar a partir do mirante

O passeio ao Salar de Tara, um dos muitos tours oferecidos no Deserto do Atacama, é o de maior altitude, chegando a 4.800 metros, então é importante estar atento às dicas aqui do Mulher Casada Viaja para aproveitá-lo ao máximo, ainda antes de agendar a data. Estivemos no Atacama há mais de um ano, e mesmo agora, com a distância e emoções resfriadas pelo tempo, afirmo ser o passeio mais rico em experiência e paisagens dentre todos os outros – e olhe que é difícil escolher, com concorrentes de peso como Lagunas Altiplânicas e Piedras Rojas e Vale da Lua e da Morte.

Chegamos ao Atacama numa manhã de março e depois de explorar o centrinho de San Pedro e almoçar, fomos até a agência FlaviaBia Expedições e fechamos todos os passeios do Atacama. Eu geralmente não curto agências, preferindo fazer meus próprios roteiros, mas num deserto é fundamental contar com uma equipe, seja por motivos turísticos, seja pela segurança. E o passeio ao Salar de Tara é dos que mais adentram no deserto, distante 150 km de San Pedro, percorrendo lugares sem estradas e muito rústicos, sem placas de sinalização e sem sinal de GPS. Além disso, o mal de altitude pode trazer inconvenientes, e os guias estão sempre de olho nos turistas para que não façam movimentos bruscos ou se desgarrem do grupo. Já li vários relatos de pessoas que não seguiram as orientações do guia e passaram mal. Eu gosto de dar pulos para fotos e às vezes me afastava do grupo porque demorava um pouco mais para fotografar e corria para voltar sem atrasá-los, e mesmo isso era algo a ser evitado. A gente fica facilmente sem fôlego ao caminhar e os movimentos são lentos. Mas garanti meu pulinho:

Não tenho intenção de assustar ninguém ou te desestimular, pelo contrário. Seguindo as dicas daqui, você fará o passeio ao Salar de Tara com segurança e será um dia inesquecível só por boas lembranças.

Comece seu planejamento ao Atacama por aqui:
– Confira Atacama: Guia do Deserto mais Lindo do Mundo
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Como é o passeio Salar de Tara

Transporte: van
Quem Leva: Flavia Bia Expediciones
Duração: dia inteiro, das 8h às 16h
Altitude: 4.500 metros, no meio do passeio
Distância de San Pedro: 150 km
Visitamos: Moai de Tara, Monges da Pacana, Salar de Tara, Lagoa Diamante e mirantes
Custo: 150 dólares (dez/18)
Incluso: guia em português (ou portunhol), café da manhã e almoço
Quando ir: o ideal é fazer os passeios de menor altitude (2.500 metros, como Termas de Puritama e Vales da Lua e Morte ou Lagunas Escondidas) nos seus primeiros dias no Atacama. Fizemos o Salar de Tara (4.500m altitude) em nosso terceiro dia no deserto e senti bastante incômodo, como dor e pressão na cabeça e um pouco de enjoo, mas no dia seguinte não senti nada durante o passeio Lagunas Altiplânicas, de altitude similar.
O que vestir: pela manhã estará bastante frio (0º  a 10º), mas tende a esquentar até o final do passeio, chegando a 25º. Use uma jaqueta corta-vento (venta muito, uma amiga caiu quando estava na posição mais antiga do mundo, usando o banheiro inca), uma malha por baixo dela, touca e luvas. Eu abusei também da legging segunda pele. Se tiver, use botinha para trekking, mas um tênis pode dar conta do recado, também, pois as vans nos deixam bem perto dos pontos a visitar e caminhamos bem pouco.
O que levar: protetor solar, 1 litro de água por pessoa, lanche (se sua agência não incluir refeições), papel higiênico, álcool gel e sacolinha plástica para levar o lixo gerado de volta a San Pedro (não há banheiros), rinosoro, colírio. 

Leia sobre o Mal de Altitude e o que fazer para conviver com ele no Atacama em Guia do Deserto Mais Lindo do Mundo

As paisagens do passeio Salar de Tara

A primeira parada do dia foi em frente ao vulcão Licancabur, que domina a região e pode ser visto a 150 km de distância. Foi onde tomamos café da manhã no melhor estilo expedição fake, ou seja, só mordomias na natureza selvagem. Quem iria imaginar comer pão francês delicioso, tipo baguete, feito por um francês em pleno deserto? O Licancabur entrou em erupção pela última vez em 2015, está quase 6 mil metros acima do nível do mar e fica no limite entre o Chile e a Bolívia. Se você tem espírito aventureiro, saiba que é possível chegar ao cume, confira no site Gente de Montanha.

Pelo caminho, parávamos ao avistar animais, como as vicunhas. Sim, eu sei, é difícil entender a diferença entre guanaco, lhama, vicunha, alpaca, eu achava que sabia, mas desisti. Outro bichinho que deu as caras foi o vizcacha, um parente do chinchila. Flamingos vimos bem à distância, afinal, o Salar de Tara está localizado na Reserva Nacional los Flamencos.

Descemos pela segunda vez da van na Laguna de Quepiaco, que estava quase seca naquela época do ano. Uma vegetação a cobre parcialmente, servindo de alimento para os seres da região.

A viagem até o Salar foi longa e sacolejante. Senti um certo desconforto que nem mesmo o chá de coca que tomei pela manhã no hotel e o que provei no café da manhã resolveram. A pressão na cabeça e dor no nariz também incomodou um pouco e o analgésico não parecia fazer efeito – ou fez, talvez a dor fosse maior se eu não o tivesse tomado. Fizemos uma parada para conhecer o banheiro inca, ou seja, agachar atrás de pedras. Você já deve imaginar, mas não custa dizer: cuidado com a direção do vento, planeje para onde seu xixi vai ser ventado. 

Na minha opinião, o ponto alto do passeio é o mirante para o Salar de Tara e para as Catedrais de Tara, formadas por cinzas da erupção de um vulcão há milhares de anos. As cores que a natureza imprimiu num lugar tão árido impressionam. A vegetação em tufos amarelados traz harmonia com os tons esverdeados da laguna de sal e montanhas ao fundo. O silêncio só é quebrado pelo som do vento incessante, e estas características se repetem em muitos outros lugares do Atacama, o que torna esta viagem tão singular. 

A van nos deixa um pouco abaixo do mirante e pegamos uma trilha curta até chegar à beira da laguna. É importante permancer na trilha marcada com pedras para não danificar plantas e microorganismos.

O almoço foi ali, nesta paisagem meio surreal, numa situação igualmente inusitada: vinho branco fresco, conforto, refeição quente, tudo no meio do deserto. E chuva no horizonte do deserto mais seco do mundo.

E por falar em almoço, não deixe de conferir o post Onde Comer no Deserto do Atacama.

No retorno, paramos para conhecer os Monjes de la Pakana (ou moais de Tara), formações rochosas esculpidas pelo vento, que assim como outras espalhadas pelo mundo parecem ter surgido do nada. Uma delas tem 25 metros de altura e parece um índio guardando o deserto – ou apenas uma forma fálica, você pode escolher.  Na terceira foto, detalhe do ‘rosto’ do índio.

Voltamos a San Pedro e os sintomas do soroche (mal de altitude) logo cessaram. O dia seguinte seria mais uma vez de paisagens incríveis no Deserto do Atacama, quando conheceríamos Piedras Rojas e as Lagunas Altiplânicas. 

Se mais este post do Salar de Tara não te convenceu a dar um pulinho no Deserto do Atacama, desisto. Não sem motivo, foi o último post sobre o deserto mais lindo do mundo. Já tá na hora de conhecer outro, tipo Namíbia, Saara…

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13 comentários sobre “Deserto do Atacama: Como é o passeio Salar de Tara

  1. Fábio Mendes dezembro 12, 2018 / 11:12 am

    Atacama é um dos meus sonhos de viagem! Da última vez que fomos ao Chile não houve tempo hábil para conhecer o deserto, mas na próxima certamente iremos conhecer. É um lugar lindo e suspirante. Adorei o relato e as fotos. Parabéns pelo post!

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  2. carlaalexmota dezembro 12, 2018 / 11:03 am

    Este lugar é TÃO mas tão bonito! Tenho tantas saudades dos dias em que passei no Atacama. Maravilhoso. Obrigada por me fazer recordar.

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  3. Fabio Ayub Brasil dezembro 10, 2018 / 10:50 am

    Olá Marcia! Suas fotos me fizeram relembrar várias sensações que tivemos, ao tomar café em meio a essas paisagens, aquele friooo da manhã rsrsr. Ótimas dicas para não sofrer com o mal da montanha! 😉

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  4. Fabíola Moura dezembro 8, 2018 / 4:14 pm

    Eu acho muito bonito o Atacama, mas tenho medo de não encarar o desconforto e a altitude. Vi que dessa vez você não levou sua filha, imagino que não seja um passeio indicado para crianças né? Ou dá?

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  5. Paula Abud dezembro 7, 2018 / 11:19 pm

    Nossa, Márcia que fotos maravilhosas! Ainda bem que conseguiu a foto com o pulinho, é sua marca registrada! Adorei o visual, não conheço nada do Atacama, só fico babando nas fotos por ora, mas as dicas estão anotadas!!

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  6. sonia letycia (@sonialetycia) dezembro 7, 2018 / 10:39 am

    Toda vez (toda vez de verdade) que vejo fotos do Atacama quero soltar um palavrão 😀 não é possível que nunca ninguém tire uma foto ruim por lá, fico imaginando como deve ser vendo ao vivo. Demais!

    Obs.: dica do xixi mais do que anotada! haha

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  7. Gabriela Torrezani dezembro 7, 2018 / 8:26 am

    Eu adorei esse passeio no Atacama, achei que foi um dos mais bonitos! Mas a altitude castiga bastaaaaaante… e eu não fechei com a FlaviaBia porque achei mto caro, fui com outra empresa que cobrou metade e o serviço foi bem parecido…

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  8. Michele da Costa dezembro 6, 2018 / 10:24 pm

    Muito interessante, Marcia! Deve ser mesmo um passeio bem diferente. Fiquei imaginando o “xixi voador”.. rs.

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  9. itamarjapa dezembro 6, 2018 / 8:32 pm

    Passeio maravilhoso, sem dúvidas um dos mais belos do Atacama! Nós adoramos muito! Foi ótimo relembrar por aqui! 🙂

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  10. Helen Pusch dezembro 6, 2018 / 2:42 pm

    Eu também achei o passeio ao Salar de Tara um dos melhores na região do Atacama – e, como tu mesma disseste, é difícil eleger um melhor. As paisagens são inacreditáveis de tão lindas, parecem de outro planeta.

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  11. MARCIO VITAL VALENÇA dezembro 6, 2018 / 10:00 am

    Um dos destinos mais lindos que visitamos na América do Sul. Parabéns pelas dicas

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  12. Patricia dezembro 4, 2018 / 11:54 pm

    O salar de tara foi um dos passeios que mais me impressionou no Atacama. Achei incrível o contraste da paisagem, com o vermelho árido, o verde das lagunas e os picos branquinhos de neve. Tudo em uma mesma paisagem.

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