Onde Comer no Deserto do Atacama

O Deserto do Atacama, no Chile, já é um destino desejado por muitos brasileiros e como se trata de um deserto, há muitas dúvidas sobre como é a vida do turista por lá, mas neste post falo especificamente sobre como são os restaurantes, o que servem, compartilho os preços…

A salada Caeser do Tierra, na Caracoles

Continuar lendo

Anúncios

Japan House made in Brazil, novo espaço cultural em São Paulo

Não sou muito de modismos. Enquanto as multidões correm para ver novidades da cidade de São Paulo, geralmente prefiro a vida rural da minha casa no interior, mas naquele fim de semana ficamos em SP e eu não quis ficar em casa chorando sentindo a ausência – ou a presença – de minha cachorrinha recém falecida em cada canto do apartamento. Sugeri então um passeio pela Av. Paulista, quando aproveitamos para visitar a Japan House, inaugurada um dia antes. Compartilho com você minhas impressões e dicas.

20170507_104502
Escultura, fachada lateral parte da fachada frontal

Continuar lendo

Bate Volta de Santiago do Chile: Portillo e Caracoles

Nem queria passar por aquela estrada sinuosa em plena cordilheira dos Andes, a Caracoles. Mas isso foi quando eu paquerava a Serra do Rio do Rastro, no Brasil, que tem paredões verdes e no verão, o roxo dos manacás colorindo a mata. Quem desdenha quer comprar, já diz o ditado… Quando descobri que para ir a Portillo a partir de Santiago a gente passaria pela Caracoles, ter essa experiência passou a ser até mais relevante do que visitar Portillo e seu lindo lago azul. Que mulher volúvel, você pode pensar, mas o fato é que numa viagem de 10 dias pelo Chile não caberia rodar quilômetros só pela ideia de pegar uma das estradas mais sinuosas do mundo. Gente, agora eu acho que vale!

A los Caracoles, pouco antes de Portillo

Primeiramente, por que escolhi ir a Portillo em vez de Cajon del Maipo, bate volta mais próximo de Santiago? Porque percebi que o último tem muitos turistas e veja só nas fotos: só o nosso já pequeno grupo está diante do Lago del Inca, curtindo o sol de final de verão, tomando pisco sauer e aproveitando as oportunidades que a vida nos deu. Portillo é mais procurada no inverno, pois é uma estação de esqui tradicional chilena e no verão não há muito o que fazer além disso, mas para quem gosta de um lugarzinho em meio às montanhas sem multidões, é um prato mineiro cheio! Se o branquinho da neve deixa a cordilheira dos Andes mais linda, o único azul que você verá no inverno é o das piscinas do hotel.

O lago todinho só para nós!
OK, quando chegamos um casal fazia um ensaio fotográfico – eram brasileiros!

Quem já leu alguns dos posts aqui do blog sabe que eu dou preferência a conhecer os países em suaves prestações, priorizando pontos próximos ente si, o que garante economia de tempo e dinheiro. Então, nesta minha terceira viagem ao Chile – segunda do marido – o destino principal era o Deserto do Atacama, que fica situado ao Norte, mas como é preciso fazer conexão em Santiago, aproveitamos para conhecer a capital do Chile na mesma viagem. Se você prefere conhecer o país de uma vez só, leia tudo o que já publiquei sobre o Chile na página índice do Chile. E acompanhe o blog fazendo sua inscrição para receber novas publicações e não perder novas dicas. Não vou ficar enviando mensagens, apenas as novas publicações que são, em geral, semanais. 

o Lago del Inca

Sobre o que fazer em Santiago eu tinha informações recentes pois em novembro havia preparado um roteiro para um casal. Mas não fechei com nenhuma agência os tradicionais passeios a Valparaíso e Viña del Mar nem nas Concha y Toro da vida, deixando para decidir por lá, já que a oferta de agências é bem grande. Mas lá no Atacama, a Aliny do blog Me Leve na Mala, que tinha acabado de chegar de Santiago, me deu o contato de um guia que levava grupos pequenos a Portillo – e ainda parava numa vinícola no Vale do Aconcagua, sobre o qual eu falarei e outro post. Convidamos duas brasileiras que também conhecemos no Atacama e que também estariam em Santiago nos mesmos dias e partimos nós 4 para um dia cheio de paisagens e muito bate papo com o Tomas, chileno que aprendeu Português com a namorada brasileira e virou especialista em atender esse público em Santiago. Entre em contato com a 2 Go Van e saiba todos os passeios que ele promove.

Tinha lido algumas avaliações sobre dirigir na Los Caracoles e não fiquei muito animada para alugar um carro e ir por conta própria, não só porque a estrada não é das mais seguras, sem acostamento, cheia de caminhões, etc., mas também porque não queria colocar este peso no meu marido, que afinal também merecia apreciar a paisagem e relaxar. Eu podera dirigir, mas também queria apreciar a paisagem, ehehe. Veja abaixo a rota a partir de Santiago:

A estrada tem 28 curvas e nem é tão perigosa como dizem – eita povo que gosta de valorizar! – inclusive eu ahaha. Não dá pra guiar a mais de 50km/h por causa das curvas e dos caminhões, que logicamente são mais lentos e pesados. Talvez haja perigo em condições de gelo na pista, para quem não está acostumado a guiar com correntes nos pneus, obrigatórias em regiões de montanha com neve. Ao final das curvas, há uma espécie de acostamento onde dá para estacionar o carro e fotografar a estrada (foto do início deste post), então te sugiro levar um pau de selfie para ficar mais alto e conseguir a vista total das curvas.  Agora, olha esta: acima da Caracoles passam as cadeirinhas dos meios de elevação para as pistas de esqui, que são 19, em diferentes graus de dificuldade.

Mas o mais legal é o vento. Eu me divirto com o vento – mesmo! tenho acessos de riso, não sei explicar… Mas tem gente que não gosta da brincadeira, não: uma amiga caiu, empurrada pelo vento. Eu quase perdi o celular, dá uma olhada:

Portillo é uma das mais tradicionais estações de esqui do Chile, mas não é uma estação pra brincar de esquibunda, a coisa é séria por lá! No hall do hotel, fotografias de várias equipes profissionais de esqui decoravam as paredes.

hall da fama no corredor do hotel

 

Portillo no verão
o restaurante do hotel Portillo

Portillo fica a 150 km de Santiago e dá pra fazer em um dia tranquilamente, mas se você for no inverno, é certeza que queira ficar por lá. Também é uma boa opção para quem vai a ou vem de Mendoza, na Argentina, 200 km mais a Leste. Eu achei o hotel meio derrubadinho, com mobiliário antiquado, mas talvez no inverno tenha seu charme. Além dele, há outras acomodações que vão de quartos simples para quem vai passar o dia esquiando até chalés em frente ao lago. O hotel conta com 120 quartos, escola de esqui e aluguel de equipamentos para a prática do esporte. Mais informações no site oficial.

 

Atacama: guia do deserto mais lindo do mundo!

Euzinha no deserto mais lindo do mundo!

“Mas o que você vai fazer num deserto?”, perguntou um amigo que certamente não tinha visto todas as imagens lindas que bombaram nas redes sociais  dos blogueiros nos últimos tempos e me deixaram maluca para ir ao Deserto do Atacama, o mais árido do mundo e com paisagens lunares, lagos e salares. Como eu tenho uma listinha de apenas 20 lugares para conhecer antes de morrer, venho acrescentando outros destinos ao sabor de novos desejos. Vai que ao acabar a bucket list a gente bate as botas! Bem, o Atacama não estava na lista, mas como eu disse as paisagens tocaram forte, assim como a curiosidade de estar no deserto mais seco do mundo e com o céu mais limpo do mundo. E confesso que foi o roteiro mais fácil de montar da minha vida. Muitos superlativos, né? Já disse que eles estariam presentes nos posts sobre o Atacama quando relatei o passeio pelos Vales da Lua e da Morte. Fica aqui que eu conto mais: quando ir, hospedagem, preços, um super guia pra você já chegar a San Pedro sabendo muito!

Onde Fica o Atacama
O Deserto do Atacama fica 1.600 km ao Norte da capital Santiago. Aí você diz: “mas vale a pena tudo isso só por causa de um deserto?” Nem vou citar Fernando Pessoa, porque vale muuuito! As paisagens são incríveis e não há monotonia, pois cada ponto do deserto tem uma formação rochosa diferente e  há lagos, dunas, termas, cavernas, fora os 17 vulcões no horizonte, quase sempre cobertinhos de neve! Além dos Andes, existe uma cordilheira mais baixa, a do Sal.
A cidade base para conhecer o deserto é San Pedro de Atacama, que ganhou um post só pra ela, de tão peculiar que é. 

Como você pode notar no mapa acima, a Bolívia é logo ali, assim como a Argentina. Se tiver tempo e di$ponibilidade, faça um trio que eu planejava fazer: Atacama, Salar de Uyuni (Bolívia) e Salta (Argentina). Eu não fui, mas indico a leitura de quem foi:

Salta, pelos olhos do blog 360 Meridianos
Uyuni segundo o Apure Guria

Como chegar ao Atacama e informações sobre voos (com $$), o aeroporto de Calama e traslados, eu compartilhei em outro post, porque este já estava grande demais. Vá até a página Atacama aqui no blog e você encontrará todos os posts relacionados a esta viagem

Calle Caracoles

Onde ficar no Atacama
Como todo lugar, tem hospedagem pra todos os gostos e bolsos. Sim, tem hotel que custa R$ 2 mil/noite (passeios inclusos e pensão completa… ah, então tá!), assim como tem um quartinho na birosca da Rua Caracoles. A dica é: se estiver sem carro, fique nas imediações da Caracoles, porque é por lá que você fará suas refeições e comprinhas quando não estiver no deserto. As ruas mais afastadas são bem escurinhas, então pense nisso na hora de escolher fora do eixo Caracoles-Tocopilla-Licancabur-Calama. Ah, San Pedro é conhecida como San Perro (cão em espanhol), pelo número de cães, que fazem coco nas ruas e de noite é a maior aventura andar no escuro. 

Hospedagem em San Pedro de Atacama

Como não pretendíamos fazer 2 ou 3 passeios no mesmo dia, o que nos daria algum tempo livre, escolhemos um hotel com estrutura legal, varanda no quarto, piscina, serviço de quarto – tinha até spa, o Hotel Poblado Kimal. Mas o quarto foi do que mais gostei, mesmo: cabaninhas de adobe entre o jardim, telhado de palha, quarto e banheiro grandes. Parecia que estávamos na África!

Café da manhã do hotel
Vista da janela do quarto

Vai fazer sua reserva para o Atacama? Eu poderia gostaria de estar roubando viajando, mas estou aqui escrevendo estas dicas para você, então ajude esta blogueira a pagar ao menos o pão das crianças  a manutenção do blog. É só fazer sua reserva no Booking.com, que eu recebo uma pequena esmola comissão e você não paga nada, nadica de nada a mais por isso. Deus te abençõe, viu, meu fio.

Visto e documentos para ir ao Chile
Não é necessário visto para entrar no Chile, nem mesmo passaporte, mas leve seu RG atualizado. Ou leve seu passaporte para ganhar mais um carimbinho ehehe.

No avião você preencherá um formulário de imigração que deverá ser entregue na entrada do Chile. Não se esqueça de guardar a papeleta que te entregarão (Tarjeta unica migratoria), que será apresentada na imigração, na saída do país longelíneo.

Seguro Viagem
O PB-4 é um benefício para contribuintes do INSS acordado entre Brasil e países como Portugal, Espanha, Grécia, Itália e Cabo Verde, mas o Chile não faz mais parte deste acordo desde 2014. Por isso, contrate seu seguro viagem, que além de cobrir problemas de saúde traz vários outros benefícios. Leia mais no próprio site da Mondial Assistance, com quem o blog mantém parceria. 

Quanto tempo ficar no Atacama
Se você vai fazer os passeios tradicionais, 5 dias bastam, sem considerar os deslocamentos, mas se quiser subir um vulcão ou fazer trilhas longas, precisará de mais tempo, não só pela quantidade de passeios, mas para ir se acostumando com a altitude, assunto do próximo item.

Mirante do Salar de Tara

O que é o mal de altitude, o soroche, e o que fazer
Já falei sobre o soroche quando fomos ao Peru. O mal de montanha ou de altitude pode causar desconforto em quem vive no nível do mar e de repente está a 4 mil metros. Se você não se cuidar e exagerar pode até interferir no seu comportamento. Ouvi relatos de um turista que abusou do exercício físico (a gente fica muito lento e até uma caminhadinha cansa) e ficou fora de si, com espécie de alucinação, achando que o amigo queria matá-lo. Outra se descabelava e queria tirar a roupa. Imagine o trabalho que deu acalmá-los!

Mas não se assuste, nos passeios que fizemos acima de 4 mil metros ninguém do grupo surtou, mas o guia era muito cuidadoso e não nos deixava nem dar uma corridinha até a van se estávamos meio distantes. Só pode andar! rsrsrs No Salar de Tara (4.500m), algumas pessoas do grupo reclamaram de dor de cabeça e de um pouco de enjoo (leia os posts específicos que estou escrevendo/escrevi para cada passeio). Eu senti uma pressão muito forte na testa e no nariz, que não passaram com analgésico. Mas achei mais punk no Peru porque chegamos de Lima a Cusco, com altitude de 3.400 metros, sem fazer adaptação. San Pedro fica a 2.400 metros, então dá pra ir se adaptando com um chazinho de coca aqui e ali e repouso.

Folhas de coca para o chá natural ou para mascar

Além de tomar chá de coca, natural ou industrializado, chupar balinha de coca (vendidos em todas lojinhas e mercadinhos de San Pedro), beba bastante água mesmo que não sinta sede, para manter a hidratação dos seus pulmões, porque o ar é muito seco e porque parece ajudar no mal estar causado pela altitude. Descansar bastante também ajuda, então  espere chegar em San Pedro, ver como se sente para então decidir fazer passeios no mesmo dia da chegada ou não.

Se os sintomas forem muito fortes ou se você passar muitas horas na altitude fazendo esforço físico, você pode mascar um punhado de folhas, como faz o povo da montanha, formando uma bola e engolindo o sumo. Eu masquei umazinha e achei bem amargo. O chá e a bala são bem gostosos – e você pode trazê-los para o Brasil! Quando fui ao Peru ouvi falar de um remédio, o sorojchi pill, mas no Atacama não sei se tem. Na falta dele, vá de dipirona. Leia o post O que Levar na Mala para o Atacama, onde detalharei outros itens necessários para sua vida no deserto.

estátuas incas representadas mascando coca, no Museu precolombino de Santiago

Língua
A língua é o espanhol, mas consegui me comunicar em restaurantes e lojas só falando português. Senti que a gente os entende mais do que eles nos entendem (cada um falando sua língua), mas não sei se foi minha percepção ou se é uma verdade.

Voltagem/Tomadas em San Pedro de Atacama
A voltagem é de 220 e as tomadas de 3 pinos paralelos. Leve seu adaptador universal.

Quando ir ao Atacama – Temperatura
Ah, isso é complicado, né? A gente acaba viajando quando tem disponibilidade, e isso é o legal do Atacama: qualquer época é boa para visitá-lo, pois as variações de temperatura acontecem mais ao longo do dia do que ao longo do ano. Veja o gráfico:

Além do inverno na mesma época que o do Brasil, esta região do Chile tem o inverno Altiplânico, que acontece em pleno verão e quando chove: janeiro e fevereiro. Eu fui na segunda semana de Março, e sabia que haveria chance de chuva nessa época e isso foi proposital, pois li que os salares ficam mais bonitos e como espelhos d’água. Como eu não iria ao Salar de Uyuni na Bolívia, pensei que poderia encontrar paisagens parecidas nos salares do Atacama,  mas não rolou… Por outro lado, não peguei chuva, mas havia chovido bastante na última semana de fevereiro, causando estragos no leito do rio San Pedro. Turisticamente, isso fez com que o sal ficasse mais presente nas superfícies, tornando os campos bem branquinhos, o que dá um efeito lindo no visual. Acho que a frente fria também colaborou para que nevasse nos Andes e vimos os vulcões mais altos cheios de neve.

O sal na borda das Lagunas Escondidas

IMPORTANTE: O céu do Atacama vale um torcicolo, mas viaje fora do período de lua cheia, inclusive considerando uns 4 dias antes ou depois dela, porque os observatórios que realizam um trabalho sério fecham e você vai ficar na mão. Encontrei uma única agência que estava realizando o tour na noite de lua cheia, mas li avaliações bem ruins e preferi não fazer, mesmo que fosse bem barato (eles cobravam metade do preço na lua cheia: 10.000). Vou falar mais disso no post Roteiro de 5 dias no Atacama.

A Lua cheia da varanda do quarto
Space é a empresa que realiza tours educativos de observação do céu noturno

Wifi e conexão no Atacama
Na Plaza de Armas há wifi gratuito, mas só conseguimos usar uma vez de duas tentativas. Os restaurantes onde comemos não liberam senha, mas no hotel o sinal era bom e gratuito.

Wi fi na Plaza de Armas

Dinheiro/moeda/câmbio
O peso chileno vem aos milhares. Tudo custa mais de mil pesos e as moedinhas são um inferno: precisa de 1 quilo para comprar uma garrafinha d´água!😂 Veja o item Preços mais abaixo.

Trocamos dinheiro suficiente para uma refeição no aeroporto de Santiago e o resto trocamos em São Pedro, persquisando o melhor câmbio pelas ruas. Não são casas de Câmbio, mas negócios locais que fazem a troca, anunciando o serviço em placas à porta.

Uma das 7 lagunas escondidas: alta concentração de sal não te permite afundar!

Compras e Serviços
Adoro produtos andinos e em San Pedro tem coisas lindas, das lojas com produtos industrializados até os mais artesanais. Na Plaza de Armas da cidade, ao lado da prefeitura, você encontrará o Mercado de Artesanato, que achei muito mais organizado e arrumadinho do que o de Águas Calientes, no Peru. 

Se você tiver esquecido o biquini, a bateria, pilhas ou o cartão de memória, também vai achar na Rua Caracoles uma loja de produtos de montanhismo que vende tudo isso e muito mais, a El Rincon: Também na Caracoles vi serviço de lavanderia, mas acabei não indo perguntar o preço, sorry.

Farmácia, só vi uma por lá. Mercadinhos para comprar biscoitos, água (você vai precisar de muita), balinhas de coca, salgadinhos, vi mais de 3.

Preços (em pesos chilenos em março/17)

balas de coca (caramelos de coca): 1.500
pacote com 6 garrafas de 1,5 l de água mineral: 6.000
Museu do Meteoro: 3.500
Pukará de Quitor, sítio arqueológico: 3.000 (sem agência)
Traslado Calama-San Pedro-Calama em van compartilhada: 12.000
Aluguel de pick up 4×4: 78.624/dia
Aluguel de bicicleta: 4.000/6 horas
simcard (chip) da Movistar (comprei na Fotokina, no aeroporto de Santiago): 10.000

Cadê a dica de como fazer a mala? Tá em outro post, este ficou muito longo! E sobre transporte aéreo e como chegar também. Quer saber onde comer e o preço das refeições? Tudo na página-índice do Atacama, onde estão os links atualizados.

 

Como é o tour Vale da Lua e Vale da Morte no Atacama

Que comecem os superlativos! Estreamos no deserto mais árido do planeta, o chileno Atacama, com um dos passeios mais populares e o mais próximo da cidadezinha de San Pedro de Atacama, a qual tem ares de faroeste americano ou de sertão brasileiro. Talvez pelo ineditismo tenha sido um dos passeios que mais me marcou, mas talvez tenha sido pelo incrível por do sol de um lado do vale e pela lua cheia do outro. É mais certo afirmar que a cada post publicado eu diga a mesma coisa sobre o Atacama: que todos os passeios foram de alguma maneira únicos e inesquecíveis, seja pelas paisagens, seja pelos efeitos do calor, do frio, da altitude, do silêncio, da companhia de pessoas que compartilham com você o prazer de estar naquele canto quase intocado do planeta. E isso não é pouco. Vá logo, vá logo, é minha melhor dica.

Este passeio é interessante fazer no primeiro ou segundo dia de sua estadia em San Pedro, dependendo de quantos dias tiver por lá, porque é de baixa altitude comparado aos demais. Os vales estão a apenas 2.500m, e também porque é mais rapidinho, com duração aproximada de 5 horas, podendo ser feito no período da manhã, quando há menos pessoas, ou à tarde, que embora seja mais cheio proporciona o espetáculo das cores do sol poente sobre as montanhas e vales. Então, a grande dica é contratar uma agência que te leva a um lugar especial pra ver este espetáculo que é o por do sol. Mas vamos começar pelo começo.

O guia Fabio, paulista que virou a mesa e se estabeleceu na seca, empoeirada e peculiar San Pedro de Atacama, chegou pontualmente em seu 4×4 em nosso hotel às 16h e só passamos em um outro hotel pra pegar a Aliny do blog Me Leve na Mala e sua mãe. Ou seja, parecia mais um passeio de amigos do que uma excursão e a vantagem da agência FlaviaBia Expedições começa por aí: grupos sempre pequenos e de brasileiros e guias fluentes em Português. Vou falando mais nos próximos posts.

Acesse a página índice do Atacama aqui no blog, onde estão/estarão os links para todos os posts sobre os passeios, a cidade e dicas gerais para planejar sua viagem até lá, como transporte, preços de alimentos, etc.

Ambos os vales ficam numa cordilheira denominada Cordilheira do Sal, um antigo lago cujo fundo foi se levantando e verticalizado, formado na mesma época da Cordilheira dos Andes, só uns 23 milhões de anos. Além do sal, o branco que se vê em alguns pontos é gesso. Eu sinceramente não consegui ver diferença entre os dois. Visitar em março é legal porque é dos poucos períodos em que chove, então a chuva lavou os campos de sal e estavam branquinhos! Por outro lado, a umidade esteve em torno dos 30% quando estivemos lá e isso prejudicou um pouco a nitidez das fotos dos Andes.

Há uma espécie de portaria/pedágio, controlada pela Associcion Indigena del Valle de la Luna, que representa 6 comunidades (você recebe um panfleto com mapa na entrada explicando melhor) e gerencia o Vale da Lua. Achei bastante simpático do governo chileno, que não tomou o lugar que tem todas as caractetísticas de um parque nacional. Aqui se pagam 2.000 pesos por pessoa. Leve dinheiro.

Cada agência faz um roteiro, mas os pontos visitados parecem ser os mesmos, embora até aí possa haver diferença. Nosso tour, por exemplo, não foi à popular Pedra do Coyote ou Mirador de Kari. Depois fiquei sabendo que descobriram uma trinca na pedra e não é mais permitido subir nela. Adeus filas pra fotos…

canyon para a caverna de sal

Nossa primeira parada foi a Caverna de Sal, uma caminhada dentro de um canyon estreitíssimo, de paredes com formas ora arredondadas, ora verticais cheias de cristais de sal, onde passa apenas uma pessoa por vez, em fila indiana. Se você se espremer bem em um determinado ponto, dá pra passar em vez de voltar pelo mesmo caminho, mas não nos esprememos, então não posso contar essa parte de virar suco. Como nosso tour saiu antes do que a maioria das agências, que começam às 17h, quando estávamos saindo um grupo grande chegava, e fica impraticável caminhar com gente indo e outras gentes vindo. Escolha bem sua agência!

Ah, ao lado da área do estacionamento tem sanitários, mas estavam trancados com cadeados quando visitamos. A dica é levar papel higiênico nos passeios e brincar de ser gatinho. Não falta areia pra enterrar seus tesouros.

De lá seguimos para o Vale da Lua. A velocidade máxima permitida é de 40km/h, então dá pra apreciar bem as paisagens. Há uma área de estacionamento e seguimos a pé em uma trilha de terra batida e pequena elevação por cerca de 10 a 15 minutos. Leve água, porque nos demoramos aqui e não há sombra.

O branquinho não é neve, é sal!
São tantas cores e formas…
Basta olhar para o horizonte na direção dos Andes pra ver um vulcão. São 17 somente nesta região!

Então subimos uma colina e uau! Um visual de paisagens incríveis e formações bem diferentes entre si – e os vulcões sempre no horizonte, no lado oposto, na Cordilheira dos Andes. Dá pra andar no topo dessas duas colinas, que têm terra batida e muitas rochas, tornando bem tranquila a caminhada, mas ouvi gente dizendo que a subida é muito cansativa, o que achei estranho, pois achei muito fácil e meu único esporte é ser sedentária.

O que mais me impressionou é que há duas formações muito parecidas e que parecem arenas romanas, inclusive são chamadas Anfiteatros.

formiguinhas diante da imensidão do deserto

Dunas de areia escura, campos de sal, formações rochosas que parecem de outro planeta, este vale é rico por sua diversidade.

Já segue nossa página no Facebook? Clique aqui, curta a página e cadastre-se pra não perder as publicações!

Sim, há dunas neste deserto!

Veja o filminho que fiz do alto da colina no Vale da Lua:

De lá, ainda nos limites do Vale da Lua, visitamos uma pitoresca formação rochosa chamada Três Marias, um conjunto de 1 milhão de anos, assim, no meio do nada, como muitas formações que veríamos no Salar de Tara. Parece que uma das Marias foi decapitada por um turista há alguns anos, mas o nome do conjunto continua o mesmo. Eu, pra falar a verdade, achei mais divertido fotografar o homem casado viaja na estradinha do que disputar espaço com os muitos turistas nas Três Marias.

A gente sai pulando, saltitando, de tanta alegria. Efeitos da altitude?
Três Marias, à esquerda da foto. Uma Marcia, à esquerda dos ciclistas

Então partimos para o Vale da Morte e no caminho há um trecho em que o vulcão Licancabur, que domina a paisagem do Atacama, pode ser visto bem no meio da estrada. Ou seja, filme, fotografe, peça pro guia parar pra tirar fotinhos, não deixe só na sua memória. O nosso guia não parou no meio da estrada porque estava preocupado com o horário.😠 Tá certo, já pensou se a gente perde o por do sol?

Fiz a foto de dentro da van, mesmo: o imponente Licancabur

O Vale da Morte é um buracão fantástico, digno de locação cinematográfica, assim como todo o Atacama, mas o que tornou este passeio tão especial foi o por do sol. Chegamos pouco antes de o espetáculo das cores começar. É incrível como as cores mudam em segundos! E foi único ver no Oeste o sol se pondo e no leste a lua cheia!  Nem vou descrever, vejam as fotos:

duas fotos feitas com o mesmo celular, com intervalo de 5 segundos

Sempre acho que o por do sol da última viagem foi o melhor, mas vai ser difícil bater este!

Com o sol se pondo, o vento fica frio e precisamos nos agasalhar, mas lembre-se que esta viagem aconteceu no final do verão, em março. Em outras épocas pode ser mais frio, então pesquise a média de temperatura quando você for. Eu sempre uso o app Accurate weather. Sua agência também pode te informar o que vestir. Vi gente de shorts e vi gente de calças, como em nosso grupo. Minha mala estava cheia de gorros e cachecóis que nunca cheguei a usar. But you’d better be safe than sorry!

E pra deixar o dia ainda mais especial, uma manta andina sobre uma mesa com aperitivos, vinho tinto, suco, e até comida quente: carne moída e frango em cubinhos e acompanhamentos. Só comi por insistência do guia, porque eu já estava alimentada com tanta paisagem linda deste nosso primeiro dia no Atacama.

Nosso pequeno grupo brindando o privilégio de estar no Atacama

Vale a pena fazer o Vale da Morte e Vale da Lua?
Sim! Não precisa ser geólogo para admirar os contornos das montanhas e dunas; não precisa ser trilheiro para fazer os poucos percursos a pé; não precisa ser muito sensível para se emocionar com o por do sol num lugar espetacular como o Atacama.

Quanto custa o passeio Vale da Morte e Vale da Lua? Que agência contratar no Atacama?
Todas as agências da cidade de San Pedro fazem este passeio, mas há diferença enorme nos preços e consequentemente no serviço prestado. Pergunte quantas pessoas estarão no grupo, o que acontece se não houver número suficiente para o passeio, qual o roteiro para o passeio, quantas horas leva, se é servido algum lanche, entre outras. Não se apoie somente no preço para decidir, especialmente em passeios mais distantes, como o Salar de Tara, de que falarei mais adiante. Vi vários carros quebrados no meio do deserto…

Dá pra ir ao Vale da Lua ou da Morte sem agência?
Muitas pessoas fazem este passeio em carro comum, porque não saímos da estrada (mas para o por do sol no Vale da Morte, no ponto aonde fomos, é preciso um, sim), mas alugar carro em San Pedro é bem caro, então se você realmente quiser guiar pelas estradas de rípio do deserto programe-se para alugar um no aeroporto de Calama e trace bem suas rotas num mapa, de papel, sabe?, pois não há conexão na maior parte dos lugares do deserto.

Também é possível fazer esses passeios de bicicleta, mas tem uma subidinha puxada logo ao sair de San Pedro, então acho que esta opção é só para quem tem a bicicleta como esporte e está acostumado a altitudes. Embora esta região esteja a apenas 2.500 de altitude, há menos oxigênio no ar do que ao nível do mar, e isso nos torna mais lentos e com menos fôlego. Ouvi relatos de gente que desmaia não só pela falta de oxigênio, mas pelo calor, ourto ponto a considerar. Mais relatos de gente que perde a consciência ou que surta no post sobre o Salar de Tara.

Tem alguma pergunta? Manda aí nos comentários!

Este passeio foi patrocinado pela FlaviaBia Expedições, mas matenho minha opinião subjetiva e livre de interferências comerciais. Agradeço a Flávia e toda sua equipe que fez de nossos dias no Atacama inesquecíveis. E à galera que fez os passeios conosco, que saudade, né, gente?!

O que Fazer em Puerto Varas

Este post é complemento do Guia para Planejar sua viagem a Puerto Varas, onde compartilho preços, dou dicas de hospedagem e aquelas informações que a gente sempre se pergunta (ou deveria) sobre um destino: quando ir, onde comer, como chegar, onde fica… Ao contrário do que geralmente faço, publicar o máximo que posso nas semanas subsequentes à viagem, este post foi escrito 17 meses depois de minha visita à cidade do Osorno, em julho de 2016, despertado de um sono pelo planejamento de uma viagem de 10 dias pela região do lagos, Buenos Aires e Santiago, que fiz para um casal (clique aqui para ver como contratar este serviço). Sei que não é tema deste post, mas aproveito para dizer com um ponto de exclamação em negrito, itálico e sublinhado: como é mais barato planejar a viagem independente, mesmo contratando passeios de agências!

O Osorno
O Osorno

Roteiro em Puerto Varas
O centro da cidade de Puerto Varas é bem pequeno e é possível percorrê-lo a pé, mas há alguns passeios nas redondezas que podem ser feitos com transporte público ou contratado, seja de aluguel ou de agências turísticas locais. Por isso, dividi o roteiro em dois tópicos: na cidade e bate-voltas.

uma das ruas mais movimentadas é a Del Salvador
uma das ruas mais movimentadas é a Del Salvador

O que fazer na cidade de Puerto Varas
A localização de seu hotel deterinará a direção do roteiro, então apenas marquei as “atrações” da cidade e você organiza na ordem que lhe for mais conveniente.

  • Tour pelas casas históricas de Puerto Varas – Casas erguidas com a chegada, na metade do século 19, dos primeiros colonos alemães e chilenos ainda estão de pé e algumas muito bem conservadas e dignas de uma foto, como é o caso da Casa Kuschel, ao lado do Hotel Cabañas del Lago. A grande oferta de pinheiros patagônicos, hoje protegidos por lei, permitiu a construção dessas casas de madeira com ferramentas – e capricho -trazidas na bagagem destes primeiros moradores.

passeios em Puerto Varas

A Casa Kuschel, de 1915, fica na Rua Klener, perto do Monte Phillipi. Quando fui estava fechada, assim como todas as outras, mas é possível visitá-la e há uma lojinha de artesanato fino no térreo.  Não estarei cometendo nenhuma injustiça se disser que esta é a mais bonita das casas históricas de Puerto Varas, então se tiver que escolher apenas uma, ei-la! As igrejas luterana (1923) e a católica Sagrado Coração (1918) também estão na lista dos edifícios históricos, assim como a sede do hostel Helmut Haus – e todos estes estão marcados no mapinha que compartilho aqui.

  • Cerro Philippi, esta área verde que aparece acima dos hotéis à esquerda da foto abaixo. É um parque com muitas árvores e trilhas para o alto da colina, onde se tem uma boa vista do Lago. Quando eu fui, estava completamente vazio e fiquei até com um pouco de receio. Coisa de paulistana… Mas o dia estava muito fechado, e talvez isso tenha assustado os poucos turistas que estavam na cidade.
  • Passear pela costa do Lago Llanquihue e apreciar a vista dos vulcões no horizonte.
Não vai dar praia!
Não vai dar praia!
  • Visitar a Igreja Sagrado Coração. Confesso que fiquei um pouco decepcionada porque a igreja estava precisando de pintura e nem de longe parecia a dos cartões postais de Puerto Varas. Não a visitei por dentro, mas li que é toda revestida de madeira, enquanto seu exterior é de metal. A vista de lá é bem legal.
A Igreja Sagrado Coração
A Igreja Sagrado Coração
  • Fazer comprinhas na Feira Artesanal, uma vila de lojinhas com artigos de lã, couro, madeira. Mas os artigos mais bonitos e diferenciados (e mais caros) estavam na lojinha do Parque Nac. Vicente Pérez Rosales.
  • Não é assim uma Las Vegas – longe disso – mas se você nunca esteve em um cassino, o Dreams pode ser uma boa alternativa para passar as horas de um dia chuvoso, algo comum no inverno.
  • Caminhar pelas ruas e observar os locais, as casas de madeira, o jeitão pacato da cidade, principalmente num sábado quando os moradores deixam os bairros mais afastados e fazem compras no centrinho.

Bate-voltas a partir de Puerto Varas

  • Subir o vulcão Osorno, com 2.660 metros. Como eu só tinha um dia em Puerto Varas não fiz o passeio, mas você pode contratar uma agência para te levar ou ir por conta se estiver de carro. São 60 quilômetros a partir de Puerto Varas e tem trilhas, neve permanente acima de 2 mil metros e meios de elevação. E quantas vezes você poderá dizer que subiu num vulcão?!
  • Conhecer Frutillar e Llanquihue, outras cidadezinhas às margens do lago Llanquihue.
  • Saltos de Petrohue são cachoeiras que ficam dentro do Parque Nacional Vicente Pérez Rosáles.

    A lagoa esmeralda de Petrohue
    A lagoa esmeralda de Petrohue
  • Navegação no Lago Todos los Santos. Eu fiz este passeio durante o Cruce Andino, que liga Bariloche a Puerto Varas. Leia post a respeito aqui. Se você optar pela navegação apenas, pode comprar seu ingresso nas agências da cidade. Li em algum blog que os preços variam muito e que há barcos clandestinos que cobram mais caro que as agências!
Osorno no Todos Los Santos
O Osorno e o Lago Todos los Santos: Selfie nada individual!
  • Agora, se você estiver podendo, que tal voar num bimotor sobre os vulcões e lagos? Leia mais aqui.

 Estes passeios podem ser contratados com agências locais, como a Turistour (loja da Calle Del Salvador) ou ser feitos independentemente, sendo que o aluguel de carro é o meio mais confortável e rápido. Em um dia dá pra fazer os quatro primeiros passeios da listinha de bate-voltas, que são os principais.

20150704-img_0027
Osorno brincou de esconde-esconde comigo. Naquele dia foi uma das poucas chances que tive de vê-lo

Abaixo, alguns preços cobrados pelas agências locais:
– excursão até Chiloe : 30.000 pesos chilenos
– saltos de Petrohué e Lago Todos Los Santos: 15.000 pesos chilenos
– Saltos de Petrohue, Vulcão Osorno com almoço, meio de elevação e navegação no Todos Los Santos: 40.000
– excursão a Frutilar: 18.000

O Centro de Informações Turísticas de Puerto Varas fica na Costanera, entre a Gramado e a Walker Martinez.

O centro de ifnormações turísticas
O centro de ifnormações turísticas

Não deixe de ler os demais posts sobre Puerto Varas. Caso inclua Bariloche na mesma viagem (o que é uma boa, pela distância), há mais de 10 posts sobre a cidade. Clique aqui para vê-los. E em breve tem mais Chile no blog: Santiago e Deserto do Atacama!

 

Puerto Varas: guia para sua viagem

20150704-img_0051

Revisitei virtualmente Puerto Varas por esses dias, planejando a viagem para um casal à região dos Lagos Andinos (presto consultoria e monto roteiros. Veja aqui) – e me deu uma invejinha branca porque agora, na primavera-verão, as chuvas dão uma folga, assim como as nuvens, permitindo que o azul intenso do lago Llanquihue e os vulcões Osorno e Calbuco em seu horizonte sejam apreciados em sua plenitude. Aí percebi que ainda não tinha escrito sobre a cidade chilena menos conhecida que sua vizinha argentina Bariloche, o que faço agora.

Puerto Varas o que fazer
As placas à beira do Lago Llanquihue indicam as paradas do Cruce Andino

Visitei Puerto Varas porque a cidadezinha é ponto final da histórica – e inesquecível – travessia dos Lagos Andinos (Cruce Andino), que pode ter início em Puerto Varas ou Bariloche. Eu fiz os dois sentidos do passeio de um dia completo e as dicas você encontra no post Cruce Andino: de Bariloche a Puerto Varas.   

Cruce Andino Puerto Varas
Percurso final do Cruce Andino, já em Puerto Varas

Cheguei a Puerto Varas no ônibus da agência local, que pegou o grupo do Cruce Andino no porto onde o Lago Todos los Santos e o rio Petrohue se encontram. No caminho, marcado no screenshot acima, três meses após a erupção do Calbuco, ainda podíamos ver os montes de cinza que haviam sido empurrados da estrada para o acostamento.

A caminho de Puerto Varas, as cinzas deixadas pelo Calbuco
A caminho de Puerto Varas, as cinzas deixadas pelo Calbuco. Ao fundo, o Rio Petrohue

Poucos quilômetros mais adiante, o ônibus para às margens do Lago Llanquihue e registramos em foto sob a luz do sol poetente o fotogênico vulcão Osorno. Mais uma vez, porque no Lago Todos Los Santos eu já tinha cansado de fotografá-lo!

Osorno, prazer em te ver!
Osorno, prazer em te ver!
Puerto Varas
Por do sol em Puerto Varas
A onipresente vista. Mas tem vulcão ali, atrás da neblina!
Vista do quarto no Hotel Cabaña del Lago. Tem vulcão ali, atrás da neblina!
Puerto Varas no mapa do linguição Chile
Puerto Varas no mapa do linguição Chile


Localização

Não sei pensar em uma cidade ou país sem localizá-los no mapa, entonces aproveitei pra mostrar o Chile e suas regiões, lembrando que esta é a região dos Lagos e que Puerto Varas fica na mesma latitude de Bariloche, sendo mais fácil conhecer as duas numa mesma viagem do que sair de Santiago para isso, por exemplo. Aliás, esta é uma excelente maneira de se organizar: esqueça as fronteiras políticas e visite cidades de dois ou três países numa mesma viagem (como Viena, Budapeste e Praga ou Seattle e Vancouver ou ainda Munique e Innsbruck…)

 

Distâncias de Puerto Varas a outras cidades dos lagos
Puerto Montt 20 km
San Martin de los Andes 569 km
Santiago de Chile 996 km

Como Chegar a Puerto Varas
Além do Cruce Andino, você pode chegar de avião a partir de Puerto Montt, a 20 quilômetros, seja de carro alugado ou de transfers promovidos pelas agências turísticas da região. Ônibus também partem de Bariloche, dando a volta no Lago Nahuel Huapi, passando por Vila La Angostura, cruzando os Andes no Passo Cardenal Antonio Samoré, numa viagem de mais de 300 quilômetros. Este mesmo trajeto pode ser feito de carro e é uma opção mais econômica do que o Cruce Andino, mas verifique as condições climáticas: não vá se meter a dirigir em estrada gelada ou nevada. Não há corrente de pneus (obrigatórias) que façam milagre!

Quando ir a Puerto Varas
Se quiser aproveitar a neve ao subir o Osorno, o melhor é ir entre final de julho e agosto. Dependendo do ano, setembro ainda tem bastante neve – e este ano (2016) nevou nos Andes no início de novembro! Por outro lado, a região dos Lagos Andinos enfrenta alto índice pluvioétrico no inverno, e se você não tiver sorte, o Cruce Andino pode acabar sendo uma roubada, como aconteceu comigo no retorno a Bariloche, depois dessa breve visita a Puerto Varas.

Frio e muita chuva
Frio e muita chuva no início do inverno/2015

Como eu disse no início, primavera e verão, além de serem meses quentes, trazem a vantagem de dias longos, claros e livres de chuva – o que fazem desse período a alta temporada para argentinos, chilenos, europeus e norte-americanos, que buscam a região para fazer trilhas nos muitos parques nacionais chilenos e argentinos. Porque brasileiro quer ir pra ver neve!😉

Quanto tempo ficar em Puerto Varas
Se for só para conhecer a cidade, um dia é suficiente. Aumente se quiser fazer bate-voltas.

Leia o post Puerto Varas Roteiro, com dicas de o que fazer na região

Como Circular por Puerto Varas

Dá pra fazer tudo a pé, mas lembre-se de que a cidade fica num morro, o que pode trazer dificuldades para quem tem problemas de locomoção ou para idosos. Vi alguns ônibus circulando e esta van que leva a municípios vizinhos. Taxis podem ser chamados pelos hoteis.

como circular em Puerto Varas

Onde ficar em Puerto Varas
Enquanto não chovia, consegui caminhar pela cidade e visitei alguns hotéis para contar aqui para vocês minhas impressões. Dos que não gostei, nem comento aqui. Como em outras cidades, há várias opções de hospedagem, de hostels a hotéis estrelados. Eu me hospedei no Cabañas del Lago, cortesia da TuristTour em parceria com a Turistur, que também me ofereceram o passeio Cruce Andino. Mas eu indicaria o hotel mesmo que não tivesse sido assim: ele é lindo e aconchegante, todos os quartos têm vista para o lago, as salas de convivência são muito acolhedoras, café da manhã farto. O único porém é que é preciso caminhar um pouco para chegar ao centrinho, pois o Cabañas se localiza bem no cantão do lago, mas eu gosto de andar e é um grande prazer fazer isso em Puerto Varas – quando não chove, claro. Leia a review que fiz de minha hospedagem no Cabañas del Lago.

o restaurante do Cabanas del Lago
o restaurante do Cabanas del Lago


Reserve este ou outro hotel pelo Booking.com, site de resevas seguro e prático que sempre utilizo para minhas viagens e com quem temos parceria.

Um hotel mais simples e menor, mas que achei bastante acolhedor é o Hotel Puerta del Lago, que fica perto da igreja Sagrado Coração, cartão postal da cidade.

Fachada do Puerta del Lago
Fachada do Puerta del Lago

Outro hotel legal – e com uma vista bacana, mas com cara de hotel urbano (eu gostei do Cabañas pela rusticidade chique) é o Solace. Consegui permissão para visitar um de seus melhores quartos, andar alto e que tem janelas em duas paredes, proporcionando uma vista linda. Saiba mais clicando aqui.

Opção mais econômica é o Hostel Estrella de Belén, que como você vê na foto abaixo fica ao lado da Igreja do Sagrado Coração. O papo à mesa da cozinha foi tão bom que acabei indo embora sem ter visto as instalações. Fica na Rua Verbo Divino 422.

20150704-img_0048

Onde Comer em Puerto Varas
A chuva não me permitiu grandes incursões culinárias e acabei fazendo as refeições no hotel Cabaña del Lago (muito bom, por sinal), comendo em apenas um restaurante da cidade, o La Cocina de Fran, uma casa simpática e com atendimento atencioso, mas que fechou, segundo informação atual do TripAdvisor, que pena… Veja no Tripadvisor indicações de restaurantes locais.

onde comer em Puerto Varas

Compras e preços em Puerto Varas
Além de lojas com artigos para montanhistas (preços altos como os picos das cidades nas montanhas), há uma vila com várias lojinhas de produtos artesanais chamada Feira Artesanal, com boa variedade e qualidade superior aos que vi em Bariloche. Os preços ali estavam bem atrativos e comprei toucas e luvas de lã, além dos carimbados ímãs de geladeira e chaveirinhos. 

Também passei por um supermercado para conferir frutas, legumes e mesmo produtos industrializados, e claro achei o meu querido Pisco Sauer nas prateleiras. Caso você não saiba (porque já falei sobre isso no blog), foi bebendo pisco em Águas Calientes depois de visitar Machu Picchu (é uma bebida típica do Peru e do Chile) que decidi viajar mais, por isso Pisco Sauer está na minha lista de bebidas preferidas – além de ser muito gostoso, claro!

o que comprar no Chile

pães mega brancos - não são pães sírios!
pães mega brancos – não são pães sírios!

Eu consumi muito pouco em Puerto Varas, mas anotei alguns preços
em dólares americanos:
– chocolate quente no Cabañas del Lago: 3
– sanduíche quente no Cabañas del Lago: 8
– água mineral no Cabañas del Lago: 2

em pesos chilenos:
– salada completa: 3.200
– salmão: 5.900
– cerveja Corona: 2.200

– excursão até Chiloe : 30.000 pesos chilenos
– sakdis de Petrohué e Lago Todos Los Santos: 15.000 pesos chilenos
– Saltos de Petrohue, Vulcão Osorno com almoço, meio de elevação e navegação no Todos Los Santos: 40.000
– excursão a Frutilar: 18.000

Leia o post Puerto Varas Roteiro, com dicas de o que fazer na região

Tomadas
Cada vez mais necessárias para recarregar todas nossas tralhas eletrônicas! Seu aparelho brasileiro vai precisar de adaptador, mas carregadores de celulares, tablets e Ipads dispensarão.

tomada no chile

Na próxima semana, escreverei sobre o que fazer em Puerto Varas. Até!

 

 

Sugestões de Destinos em 2016

O que calendário e viagens têm em comum além das datas marcadas com entusiasmo e contadas ansiosamente até que as tão sonhadas férias ou feriados libertadores cheguem? Folhinhas. Acho que já não existem n Brasil, não iguais às da minha infância, quando minha mãe ganhava do comércio local onde abastecíamos a casa, em dezembro ou no início do ano, uma “folhinha”, um bloquinho de 12 folhas com cerca de 45 cm de altura e 30 de largura, unidas por um perfil de lata onde havia um furinho para a gente pendurar no prego. Havia de vários tipos: com fotos de carros, reproduções de pinturas, motivos infantis, mas é claro que eu gostava mais daquelas com paisagens, que mudavam de acordo com as estações do ano. Dezembro, por exemplo, tinha sempre um vilarejo de janelas amareladas pela luz, montanhas nevadas, o típico cartão de natal importado da Europa. Setembro mostrava um riacho, flores campestres amarelas e lilases bordando seu caminho. Na Amazon calendários de parede similares, com uma folha para cada mês do ano, ainda podem ser encontrados, mas não achei aqui no Brasil, numa busca pela Internet.

feriados 2016

Achei um aplicativo de papel de parede que se parece muito com a ideia de Folhinha, mas à velocidade que surgem novas tecnologias e aplicativos, duvido que alguém de 2045 seja capaz de lembrar com tantos detalhes como eram os calendários dos smartphones ou de PCs de 2015. E eles podem ser práticos e não ocupar espaço ou poluir o ambiente, mas não creio que terão espaço na memória afetiva de quem os usa como as folhinhas têm na minha geração e nas passadas.

Eu gosto de ter calendários no escritório e também os compro em viagens, que viram quadrinhos que além de decorativos trazem uma lembrança gostosa.  Não faz isso? Eu faço e ainda compartilho aqui: Lembranças de Viagem na Decoração.

Mas é 2016 o objeto deste post, então listo feriados nacionais e aniversários das capitais brasileiras. Não entraram na lista feriados restritos a um grupo, como do funcionalismo público, por exemplo, nem de feriados restritos a uma cidade ou estado, como o Dia da Consciência Negra. De quebra, fiz uma seleção de destinos bem populares ou que estão na lista de lugares para conhecer antes de morrer aqui na América do Sul. By the way, essa expressão é meio sem sentido, como se desse para conhecer depois de morrer… Então vamo que vamo que cada vida é curta!

Janeiro
Calor, verão, todo mundo quer ir a destinos praia, mas na minha opinião é a maior furada pois tudo é cheio e caro, além de ser insuportavelmente quente. Sugiro que você resista e aproveite para conhecer destinos que ficam frios demais no inverno, como o Sul da Patagônia: El Calafate, El Chalten, Ushuaia, Torres del Paine. Os dias são longos, com por do sol às 22h, a temperatura amena e a paisagem inesquecível. Experiência própria e aprovada! Confira as dicas aqui.

El calafate Perito Moreno
a Perito Moreno, em El Calafate


Monte Roraima
entrou no meu campo de sonhos, então um dia vou! E em janeiro começa a temporada seca, facilitando a caminhada pelas trilhas até chegar ao topo do monte, a 2.875 metros de altura. Quem traz dicas é o Rafael do blog Seu Mochilão.

Feriados Nacionais
Começamos bem: dia 1 cai na sexta, mas imagino que você já tenha programado onde tomar espumante e pular as sete ondinhas.

Aniversários de cidades
12 (ter) – Belém (PA)
25 (seg) – São Paulo (SP)

Fevereiro
Em pleno verão, passado o Carnaval, os preços caem com a volta às aulas. Se você puder aproveitar, curta as praias do Nordeste.

Se o que você quer é curtir o Carnaval, não faltam opções pelo Brasil: das festas de rua com marchinhas tradicionais de São Luís do Paraitinga ao frevo e maracatu de Olinda, passando pelos blocos e escolas de samba do Rio e pelo trio elétrico de Salvador, o Carnaval é daquelas coisas que se devem viver ao menos uma vez na vida!

E você sabia que o Uruguai tem o Carnaval mais longo do mundo? Confira as dicas no blog Brasileiros no Uruguai.

 Feriados Nacionais
9 (ter) – Carnaval

Aniversários de cidades

Março
Boa época para ir a Jericoacoara: as chuvas encheram as lagoas e a alta temporada já passou.
Eu fui em Novembro, mas como era uma emenda de feriado, tudo estava cheio demais. Leia meu relato aqui.

IMG_2044

A invasão dos hermanos argentinos e uruguaios às praias de Florianópolis diminui, mas as águas ainda estão em uma temperatura agradável e os dias são lindos, combinação boa para aproveitar a ilha. Leia o guia da capital de Santa Catarina aqui.

Feriados Nacionais
25 (sex) – Paixão de Cristo

Aniversários de cidades
1 (ter) – Rio de Janeiro
12 (sáb) – Recife
17 (qui) – Aracaju
23 (qua) – Florianópolis
26 (sáb) – Porto Alegre
29 (ter) – Curitiba e Salvador

Abril
Começa a estação seca em Machu Picchu e as temperaturas estão amenas, caindo bastante à noite. Vários posts sobre minha visita a Cusco e Lima, também, podem ser encontrados aqui no blog.

IMG_2677

Praia e Cultura? Cartagena, na Colômbia, é boa pedida. O blog Bora lá Comigo traz as dicas.

Feriados Nacionais
21 (qui) – Tiradentes

Aniversários de cidades
8 (sex) – Cuiabá
13 (qua) – Fortaleza
21 (qui) – Brasília

Maio
Feriadão dia 26, que tal conhecer nossa Amazônia antes que acabe? Quem dá as dicas é um leitor do blog Viaje na Viagem, com várias sugestões.

Feriados Nacionais
1 (Dom) – Dia do Trabalho
26 (qui) – Corpus Christi

Aniversários de cidades
20 (sex) – Palmas

Junho
Parece Carnaval, mas é Festa de São João e no Nordeste e Norte do Brasil o bicho pega com as festa juninas embaladas a forró, como Festival Folclórico de Parintins (Amazonas), de Caruaru e Bumba meu Boi, em São Luís.

Agora, se você quer fugir da bagunça, no Sudeste e Sul do Brasil começa a temporada de frio (será?) e é uma boa opção subir as serras e curtir a fase da engorda. E quem quiser pode pegar trilha para queimar as calorias nos cânions Itaimbezinho e Fortaleza.

itaimbezinho

Julho
Temperaturas amenas e redução do volume das águas pedem uma visita às Cataratas do Iguaçu. Há alguns anos visitei as Cidades Históricas em um Julho lindo, quente e ensolarado. Também já fiz de SP a Gramado de carro nesta época, passando por Curitiba e cidades serranas catarinenses. Tivemos a sorte de pegar dias claros e de temperatura agradáveis apesar de ser inverno.

Curitiba Opera de arame

Ceará é sempre quente e ainda dá pra curtir praia mesmo no inverno. Também é ótima opção para os Lençóis Maranhenses. Quem tem dicas é a Silvia, do Matraqueando.

Junho, Julho e Agosto
Feriados Nacionais
Segura na mão de Deus e vá – trabalhar! Não há feriados nacionais nestes três meses. Ótima opção para tirar férias…

Aniversários de cidades
9 de julho (sáb) – Boa Vista
5 de agosto (Sex) – João Pessoa
16 de agosto (ter) – Teresina
26 de agosto (sex) – Campo Grande

Agosto
Quer neve? A partir de Agosto ela é mais garantida em Bariloche. Escrevi, inclusive sobre o belíssimo Cruce Andino. Lá você encontra links para outros posts sobre a região dos lagos andinos.

Cerro Catedral

Setembro
Segundo o Rafael do blog 360 Meridianos, setembro é quando a transparência das águas fica ainda mais marcante em Fernando de Noronha. Também é boa opção para ir a Bonito. Se você puder emendar o feriado de 7 de setembro é uma boa, pois normalmente se ficam poucos dias nesses destinos.

Feriados Nacionais
7 (qua) – Independência do Brasil

Aniversários de cidades
8 (qui) – Vitória e São Luís
21 (qua) – Porti Velho

Outubro
A Oktoberfest, em Santa Catarina, para muvucar, ou o Atacama para se isolar. Dicas do Atacama vêm do blog Vambora, enquanto eu ainda não for, e da Oktoberfest do website oficial.

Blumenau Oktoberfest
Se é outro líquido que te interessa, Alter do Chão tem em outubro sua melhor época. O blog Aventuras pela Amazônia traz as dicas.

Feriados Nacionais
12 (qua) – Nossa Sra. Aparecida

Aniversários de cidades
24 (seg) – Manaus e Goiânia

Novembro
Gosta de praticar mergulho de flutuação? a partir de novembro é uma boa ir a Angra dos Reis e Ilha Grande, pedaço de paraíso no Sudeste brasileiro.

Feriados Nacionais
2 (qua) – Finados
15 (ter) – Proclamação da República

Aniversários de cidades

 
Dezembro

O Carnaval começa cedo em Natal, no início de dezembro, com o nome de Carnatal e de quebra você aproveita as praias da capital do Rio Grande do Norte.

Mirante Pipa Natal

E se você acha que Bariloche é legal só no inverno, errou. Argentinos e europeus vão até os Andes especialmente no verão para fazer trilhas e passear nos lagos e em dezembro acontece o Cruce Andino Moutain Bike.

Feriados Nacionais
25 (dom) – Natal

Aniversários de cidades
5 (seg) – Maceió
12 (seg) – Belo Horizonte
25 (dom) – Natal
28 (qua) – Rio Branco

Ah, se desse para conhecer um destino por mês, né? Bons planos para você!

Cerro Tronador: lagos, geleiras e vulcão em Bariloche

Lago Nahuel Huapi ao amanhecer, às 9h
Lago Nahuel Huapi ao amanhecer, às 9h

Nosso fiel escudeiro, o motorista do remisse Jose, nos deixou em frente ao Centro Cívico, para que eu pudesse fotografar o nascer do dia. Como valeu a pena ficar no frio daquela manhã de fim de junho observando as cores do céu em tons pouco comuns, pelo menos para quem como eu mora em SP. Apesar disso, o dia se revelou cinzento e frio e o passeio ao Parque Nacional Nahuel Huapi para ver a geleira negra do Cerro Tronador não rendeu fotos tão lindas como poderia, então não desanime de fazer o passeio tendo por base as fotos. E escolha um dia de sol, se possível. Ele trará mais cor a tudo.

Bariloche dicas
Beleza natural, sem filtro

O passeio tem início às 9h e como toda excursão, tem aquela parte chata de pingar de hotel em hotel, mas como era apenas uma van, ou seja, poucas pessoas no grupo, não perdemos tanto tempo. O caminho é sem grandes atrativos e logo cruzamos a portaria do Parque Nacional, onde devemos pagar a entrada. Um funcionário do parque entra no ônibus e cobra a taxa de 100 pesos por pessoa. Crianças abaixo de 12 anos não pagam. Eu já visitei parques nacionais no Brasil, Chile, Canadá e nos Estados Unidos e agora, na Argentina, foi o único país em que a cada dia que entrei precisei pagar uma nova taxa. E não recebemos nenhum mapa, nenhum panfleto. Nada. Perguntei à guia e ela disse que há algum tempo já não distribuem mapas na entrada.

A entrada do Parque Nahuel Huapi
A entrada do Parque Nahuel Huapi

A van faz algumas paradas para fotos em alguns pontos, como este da imagem abaixo, em que aparece em primeiro plano a rosa mosqueta, nativa da região e da qual você provavelmente já ouviu falar. Sua maior eficácia diz respeito à cicatrização, mas além de óleos há cremes, perfumes e até chá. Se quiser provar, vá em frente, mas eu não gostei.

Cerro Tronador passeio

20150628-DSC_0013
Rio Manso

Às 10h40 fazemos a primeira parada com estrutura de cafeteria e sanitários, em Los Rapidos, à beira do Rio Manso. A região é lindíssima e há trilhas que provavelmente são muito usadas no verão.
los rapidos 20150628-IMG_0428

Rio Manso Argentina
Rio Manso Argentina

20150628-IMG_0412

Ao meio dia paramos em um mirante em frente à Ilha Piuqué Huapi, que significa coração na língua mapuche, mas a forma só pode ser vista para quem se aventura na trilha de umas 8 horas de duração do outro lado do rio. O nome deste lindo lago da foto abaixo é Mascardi e sua ilha envolve uma lenda ao estilo Romeu e Julieta. Interessante como a temática de algumas historias se repete em diversos povos, mesmo com tantas diferenças culturais e regionais.  Dois jovens, Lilen e Ayopan, de tribos diferentes e inimigas se conhecem, se apaixonam, mas são impedidos de praticar seu amor. Resolvem então fugir, na primeira noite de lua cheia. Os guerreiros os perseguem e a jovem Lilen é atingida no ombro por uma flecha, caindo no lago. Desesperado, Ayopan salta para salvá-la, mas é atingido por outra flecha bem no momento em que a abraça. A flecha perfura o corpo do rapaz e atinge também o de Lilen, unindo-os pra sempre nas profundezas do lago, no exato lugar onde surgiu a ilha em forma de coração. Eu sempre gostei de lendas indígenas e acho delicioso ouvir uma assim, in loco.

20150628-IMG_0448

Por falar em historias e lendas, acho que ainda não contei em nenhum post sobre a origem do nome Bariloche, então vamos lá: essa região do lado Leste da cordilheira (ou seja, do lado argentino) era chamada de Vuriloche, que significa “gente do outro lado da montanha”, na língua mapuche. Assim como no Brasil há certa confusão entre os fonemas bassoura-vassoura, basculante-vasculante, Vuriloche acabou sendo registrada pelos colonizadores como Bariloche.

Panorâmica do Lago Mascardi
Panorâmica do Lago Mascardi e a Ilha Piuqué Huapi

Todo o percurso é feito em uma estrada estreita e de mão única, então no período da manhã só se guia em direção à geleira do Tronador e depois das 16h só se desce.

20150628-IMG_0468

Ainda no Lago Mascardi, algumas das vistas mais lindas de todo o passeio:

20150628-IMG_0451

20150628-IMG_0455

0348 victor e bruna
Foto do mesmo ponto feita por Bruna e Victor (brasileiros que conhecemos por lá) em um dia ainda mais encoberto

Às 12h30 chegamos a Pampa Linda, onde há uma hosteria com a melhor vista do Tronador (sem contar a do Cruce Andino no lado Chileno, que é fantástica!), e de onde saem algumas trilhas. É ali que almoçamos. Você faz o pedido no balcão e recebe uma senha, que é gritada para que você retorne ao balcão e retire seu pedido. Se você assistia Sielfeld como eu, vai se lembrar do The Soup Man: “No Soup for You!”. Eu devia ter ouvido esse pensamento… Há poucas opções, como você pode ver na foto abaixo. Não dei sorte no pedido e acabei furtando uma empanada do maridão. Não sei como alguém pode errar ao fazer uma sopa de legumes! Sério, não tinha gosto de nada, eram legumes cozidos numa água sem qualquer tempero. Quando fui ao banheiro, outro susto: um dos sanitários estava sem porta e não havia água aquecida nas torneiras (desculpe, mas aqui isso não é luxo, é necessidade), ou seja, vi um monte de gente saindo do banheiro sem lavar as mãos. Também não havia toalhas para se enxugar as mãos e o sabonete era de barra. A Nojinho do Divertidamente apertou seus botões, mas eu usei assim mesmo. Afinal, sabonete líquido e espuminha são invenções mais recentes, sabe?

20150628-IMG_0487É comum haver propriedades particulares dentro dos limites de parques nacionais, que foram criados depois de essas famílias se estabelecerem ali, e é justo que não sejam expulsas de suas terras ou “indenizadas” (sei bem como acontecem essas indenizações). Mas se estas famílias se prestam a oferecer serviços aos turistas dentro de um parque nacional, deveriam seguir algumas diretrizes de higiene e qualidade.

Outra crítica ao parque é que achei injusto pagar 100 pesos por pessoa a cada visita. Em termos comparativos, a entrada no Yosemite Park na Califórnia ou no Grand Canyon custa US$ 30 por uma semana por veículo (e tem banheiro até na trilha Bright Angel). Para Torres del Paine no Chile, são US$ 66 por pessoa por três dias. Além disso, não vi um sanitário ou ponto de apoio ao turista administrado pelo parque nacional. Todos os pontos onde paramos eram particulares. Nem um mapinha foi entregue (esse eu não perdoo, adoro um mapinha – rsrsrs). Por outro lado, a estrada estava em bom estado, mas não entendo porque não pavimentá-la. Se você pensar, é muito custo para o retorno estrutural que o parque oferece.

20150628-IMG_0497
a bela vista em Pampa Linda
20150628-IMG_0505
Placa de trilhas saindo de Pampa Linda

20150628-IMG_0506

Às 14h retornamos à estrada e percebemos que o solo fica ainda mais escuro, devido à proximidade com o vulcão. São 7 quilômetros até chegarmos à geleira Ventisquero Negro. O Cerro Tronador é um vulcão, tem 3.491 metros de altura e possui três cumes: o argentino, o chileno e o internacional, que delimita a fronteira. Além disso, abriga sete geleiras e quando há desprendimento de gelo produz-se um som alto e grave como um trovão, daí o nome Tronador.

20150628-IMG_0516

Depois de ver geleiras como a Perito Moreno, no Sul da Argentina, e a Athabasca, no Canadá, a visão da geleira Vestiquero Negro não impressiona tanto, mas ela tem uma carta na manga: como a geleira se forma no vulcão, o gelo que se desprende se mistura à rocha vulcânica e produz este efeito marmorizado. Mas o que mais me impressiona quando visito geleiras é saber o quanto elas perdem em volume ao longo dos anos. Em 1942, a Vestiquero Negro alcançava a área onde hoje está o mirante, que agora é lago onde flutuam os icebergs.

Cerro Tronador e sua geleira

O nome em português da geleira é Geleira Negra
O nome em português da geleira é Geleira Negra

20150628-IMG_0542

Às 14h50 deixamos a geleira e fazemos o caminho de volta, desta vez sem paradas. Li em outros blogs que a partir deste ponto, se você não está em excursão, pode caminhar mais um quilômetro para acessar outro mirante.

Preços (em pesos argentinos em Julho/2015)
excursão: 560
entrada no parque: 100 por pessoa

Onde comprar
Como fizemos os passeios pelos lagos a convite da Turisur (não deixe de fazer, são lindos!), foi lá também que fechamos este passeio. Há duas lojas no centro de Bariloche: na Mitre 219 e na Villegas 310. Reservas podem ser feitas pelo site da Turisur, clique aqui. 


Avaliação
A guia demonstrou conhecer bem a flora e a história da região e respondeu prontamente às perguntas do grupo. A van estava limpa e aquecida, mas seus assentos eram muito estreitos e meu marido que é alto sentiu desconforto. O tempo nas paradas só é suficiente para fotografar rapidamente e ouvir alguma explicação da guia. Se quiser explorar, caminhar ou mesmo fotografar com calma precisará ir por conta. 
Muitos consideram este o melhor passeio de Bariloche. Talvez eu não tenha achado porque o dia estava muito fechado e frio e as cores dos lagos não estavam tão vívidas. Ou talvez porque para mim, conhecer um lugar é mais do que passar de ônibus, parar para fotografar e voltar ao ônibus. Se você é do tipo que fica satisfeito em ver, sem necessariamente vivenciar, a excursão te atenderá perfeitamente e você sairá dela mais feliz do que eu. O almoço certamente foi o ponto baixo.

Dicas
É sempre muito frio perto de geleiras, então agasalhe-se bem. Não é preciso roupas ou calçados impermeáveis se não estiver nevando ou tiver nevado.
🍔 Leve um lanche para almoço. A alimentação em Pampa Linda é realmente muito ruim.
📷 Se conseguir, sente-se à frente da van para ver a paisagem pelo vidro frontal e, principalmente, para descer primeiro e fotografar a paisagem antes que os mirantes se encham de gente.

Posts Relacionados (clique sobre o título para saber mais sobre a região)

❄ Bariloche: guia para planejar sua viagem
❄ Bariloche: Roteiro de Inverno
❄ Cabaña del Lago: um refúgio em Puerto Varas, Chile
❄ Bariloche: Passeios e Checklist
❄ Puerto Blest e Los Cantaros: o melhor passeio de Bariloche
❄ Primeiro Encontro com Bariloche
❄ Isla Victoria e Bosque de Arrayanes: Natureza e Historia em Bariloche
❄ Cerro Catedral: um templo para brincar em Bariloche
❄ Roupas de neve ou para Temperaturas Negativas
❄ Cruce Andino: de Bariloche a Puerto Varas

Em breve:
❄ Troquei de Casa! Bariloche, Fui!
❄ Bariloche: restaurantes e supermercados
❄ Vila la Angostura
❄ Circuito Chico: o tour mais popular de Bariloche
❄ Puerto Varas: o que fazer
❄
Hotel Llao Llao