8 Destinos de Sonho de Viagem – para Realizar!

Este mês o tema da Blogagem Coletiva do grupo 8on8 é ‘viagem dos sonhos’, e escolhi compartilhar 8 Destinos de Sonho, para inspirar sua viagem e porque acredito que todo sonho mereça ser realizado. Tem muito lugar legal na lista, entre e sinta-se em casa pra tomar meus sonhos emprestados, já fiz muito isso em se tratando de viagens.

melhores destinos sonho

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10 desculpas para ir ao Sul da Patagônia

Quem gosta de viajar não precisa de motivo e se você gosta, mas gosta mesmo, vai sempre arrumar desculpa para mais uma viagem. Pode ser uma promoção de aéreo, um bônus recebido, a previsão maia de que o mundo acabaria (eu fui à Riviera Maia pra ver isso de perto – ótima desculpa) ou a hipótese de que Veneza ficará submersa um dia. Por isso o título deste post não é 10 motivos, e sim 10 desculpas. E estas aqui estão entre as desculpas mais lindas deste planeta, te garanto!

1. O azul do Lago Argentino, em El Calafte, Argentina

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2. caminhar sobre a geleira Perito Moreno, Argentina

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3. Tomar whiskey com gelo da Perito Moreno, Argentina

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4. Ficar bem pertinho de guanacos, raposas e emas e, se der sorte, avistar condores e pumas no Parque Torres del Paine, Chile

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5. estar no extremo Sul habitável do mundo, em Ushuaia, Argentina conhecido como “O Fim do Mundo”

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6. observar pinguins, leões marinhos e baleias bem de pertinho, em Ushuaia

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7. dirigir em estrada deserta, mas tão deserta, mesmo em alta temporada, que dá pra se sentar bem no meio dela! Entre os dois países

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8. ter o prazer de estar em uma paisagem como esta, em Torres del Paine, Chile

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9. ou como esta em El Chaltén, na Argentina

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10. Realizar o sonho de chegar ao final de uma trilha.

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Bônus (sempre tem mais uma desculpa): Fazer a mesma rota de Charles Darwin pelo Canal Beagle e Cabo Horn

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Torres del Paine: Hotéis, Campings e Refúgios

Muitos parques nacionais possuem estrutura para quem os visita apenas por um dia, mas também oferecem hospedagem para quem fica mais, para todos os gostos e bolsos. Embora muita gente opte por se hospedar em Puerto Natales, Torres del Paine tem várias opções de hospedagem, da barraca ao hotel de luxo. E é este o tema do presente post, que encerra os relatos e as dicas sobre nossa viagem à Patagônia Argentina e Chilena em janeiro/15. No final desta publicação, links para os demais posts sobre esta viagem à Patagônia argentina e chilena.

Hotéis em Torres del Paine

Hotel Lago Grey
Este hotel fica no final da estrada do Parque, ou seja, é o último ponto a que se pode chegar estando sobre rodas. O Lago Grey é formado pelo degelo do glaciar Grey e dali há uma trilha que te aproxima dos icebergs espalhados pelo lago. Visitamos o Hotel Grey para sondar se ainda haveria disponibilidade do passeio de barco que nos levaria até o glaciar. Como não tínhamos reservas, ficamos literalmente a ver navios… De qualquer forma, também é uma opção para uma refeição.

O Hotel Lago Grey
O Hotel Lago Grey
O restaurante do Hotel com vista para o Lago e o Glaciar Grey
O restaurante do Hotel com vista para o Lago e o Glaciar Grey
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Vista a partir do deck do restaurante

Hosteria Pehoe – Visitamos este hotel por causa de sua localização: não é todo dia que se caminha sobre numa ponte construída sobre um lago verde esmeralda de um dos parque nacionais mais bonitos do mundo, com vista para montanhas fantásticas. Além disso, aproveitamos para almoçar em seu restaurante, aberto ao público. Falamos um pouco sobre isso no post Torres del Paine: Hipnotizantes.

Ponte sobre o Lago Pehoe até o hotel
Ponte sobre o Lago Pehoe até o hotel
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Vista a partir do mirante do hotel
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Bloco do hotel e a ponte sobre o Lago Pehoe
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O restaurante do Lago Pehoe

Tierra Patagonia Hotel & Spa
Hotel Explora Patagonia
Hosteria Tyndall
Rio Serrano Hotel e Spa
Patagonia Camp
– Hosteria Lago del Toro
– Hotel Cabanas del Paine
– Hosteria Mirador del Payne

-Hotel  Las Torres
Como foi o hotel onde nos hospedamos, tenho mais informações e fiz um review bem completo:

Geral – O Las Torres tem uma boa estrutura, bar, restaurante, spa, horta orgânica, estábulo. Além do lobby com sala de convivência e bar, cada bloco de oito quartos tem uma sala de estar aconchegante com vista para a montanha. Em cada bloco, há oito apartamentos no térreo e oito no andar superior. Os que têm vista para a montanha são mais caros, mas acordar e ver o sol refletindo um laranja de outro mundo na montanha pode valer a pena.

Cada bloco é unido por um corredor. O do último, é ao ar livre
Cada bloco é unido por um corredor. O do último, é ao ar livre
a cada bloco, uma saleta com vista
a cada bloco, uma saleta com vista

Quarto – Ficamos no 55, no último bloco, e por isso mais novo. Os equipamentos do banheiro são muito bons e têm janela – algo que a maioria dos hotéis não tem. Há um hall com um closet grande, onde fica o cofre. Os quartos são confortáveis e espaçosos, com cama, travesseiros e roupa de cama e banho de muito boa qualidade. Em dia quente, que não é muito comum por lá, os quartos ficam um forno (só tem aquecimento, não há ventilador ou ar condicionado) e muitos hóspedes deixavam a porta do quarto aberta numa tentativa de melhorar. As janelas têm vidro duplo contra o frio e a abertura é bem pequena, não contribuindo para que o ar fresco entre quando necessário. Com toda preocupação ambiental local, não entendi porque a caldeira estava a todo vapor no início da noite de um dia quente. Não tem TV no quarto (mas quem quer saber disso?), mas tem wi-fi, embora lento. Alguns quartos têm janelas menores e outros têm grandes painéis de vidro com hidromassagem dentro do quarto.

quarto duplo
quarto duplo
entrada da recepção
entrada da recepção
Cada bloco tem 8 apartamentos
um dos blocos
sala do lobby
sala do lobby
o Las Torres tem uma sala com uma espécie de museu da Patagônia
o Las Torres tem uma sala com uma espécie de museu da Patagônia

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Passeios oferecidos pelo Las Torres – Não contratamos nenhum passeio, mas muitos hóspedes o fizeram, uma boa alternativa para quem está sem carro, seja passeio de van, seja a cavalo.

Spa – tem diversos programas, que vão de lua mel (135 mil pesos) a Cura do Montanhista (75 mil pesos), com sauna, massagem e jacuzzi. Não, eu não fiz a cura do montanhista, mas bem que precisava!

Serviço: Check in e out foram rápidos e uma das atendentes tinha bom Inglês. No restaurante o pessoal era bem atencioso e me surpreendi com o fato de alguns deles serem poliglotas. Limpeza OK. As amenities não foram repostas após a primeira noite e eu precisei solicitar (haja hidratante num clima seco como aquele!).

Localização: para quem não vai fazer as trilhas completas de TdP (a O e a W), ficar nos Las Torres é uma boa opção para quem, como nós, fizemos somente a última perna da trilha W, cuja cabeceira é vizinha ao hotel. Leia nossa saga em TdP: Sangue, Suor e Beleza 

Refeições – O café da manhã e o jantar são na modalidade buffet e bem variados. O bar é uma ótima opção para se alimentar, pois o restaurante é bem caro. Pode-se escolher regime all inclusive, mas como não foi minha opção não sei se incluía todas as refeições – e será que vale a pena quando você vai passar boa parte do dia pelo parque? Tanto o bar como o restaurante têm grandes painéis de vidro para trazer a paisagem para dentro.

O bar do Las Torres
O bar do Las Torres

Como reservar hotel em Torres del Paine
Quem já acompanha o blog há algum tempo sabe que eu sempre fiz reservas pelo Booking.com. Por isso tive a segurança de firmar parceria com eles e, para fazer sua reserva, basta clicar neste link para o Booking. Fazendo isso, você não paga nada a mais, não perde nada e ainda ajuda com os custos de manutenção do blog pois recebo uma pequena comissão. Se você gostou das dicas, não custa nada. Gracias.

Camping
Há dois tipos de camping no Parque: os pagos e administrados pelos refúgios e os gratuitos, administrados pela CONAF, o órgão regulador dos parques nacionais chilenos.

Campings da Conaf
Guardas
– Italiano
– Britânico
– Torres

Os acampamentos pagos (em média USD 15) ficam nos refúgios, listados abaixo. Alugam equipamento completo: barraca, colchão, sacos de dormir.

Refúgios
Quando ouvi sobre refúgio pela primeira vez, imaginei uma cabana de madeira no meio de uma trilha, como as que vi em filmes sobre o Everest, com direito a neve e muito frio (rsrsrs), e pensei que fossem refúgios, ou seja, você entra lá em caso de uma tempestade. Essa era minha ideia até que visitei um em TdP e, sim, ele era no meio de uma trilha, era bem rústico, mas é como um albergue e nem todos são tão rústicos. O Grey, por exemplo, tem sofás de couro em amplo salão com grandes painéis de vidro. Em geral, os refúgios são cabanas com quartos e banheiros compartilhados. Têm uma sala de convivência um restaurante e vendem gêneros de primeira necessidade, além de alugar equipamentos como saco de dormir e barraca.

Visitamos o Chileno, que fica no meio da trilha para a base das Torres del Paine. O local é lindo, à beira do rio e com vista das montanhas.

 A vista da sala do Refúgio Chileno
A vista da sala do Refúgio Chileno

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Campings e Refúgios em Torres del Paine
– Chileno
– Los Perros
– Los Cuernos
– Camping Serón
– Paine Grande
– Grey
– Dickson

Como reservar camping e refúgios em Torres del Paine
A única empresa que encontrei que faz reservas para áreas de camping e refúgios foi a Fantastico Sur

Posts Relacionados (clique sobre o título e leia mais)

Comece seu planejamento por aqui: Torres del Paine: Dicas práticas

De El Calafate a Torres del Paine: dicas de combustível, fronteira, aluguel de carro

Vai encarar a trilha de 8 – ou 10 horas, no meu caso, leia TdP: Sangue, Suor e Beleza 

O que há para fazer lá: Torres del Paine: hipnotizantes 

Torres del Paine: Dicas práticas

O Parque Torres del Paine, localizado na Patagônia Chilena, foi criado em 1959 e possui 272.298 hectares (1 hectare = 10 mil metros quadrados). O pico mais alto é o Monte Paine Grande, com 3.050 metros. Paine significa azul e é o nome de um de seus rios, de águas azuis (ahhh!). As Torres são as protagonistas do parque, mas há outros picos de igual beleza, lagos de cores variadas, paisagens que mudam de acordo com a altitude. Embora seja um parque de difícil acesso e com pouca estrutura se comparado a outros parques nacionais do mundo, em 2014 2.510.648 pessoas o visitaram. E você, tá esperando o que? Ah, já sei: precisa de dicas! Então vamos lá:

Torres del Paine  trilha

A Fauna em Torres del Paine
Além dos trekkers, guanacos dominam a paisagem, mas tivemos a sorte de avistar um ponto escuro para o qual outros turistas apontavam à beira da estrada: era um puma tentando garantir seu jantar – guanaco. O puma de TdP é o maior da espécie e o Hotel Las Torres, onde ficamos, exibe a foto de um, acuado, em um dos corredores do hotel.

Torres del Paine  2 dias

Continuando com sorte, também avistamos uma raposa da janela de nosso quarto. Ela perseguia as lebres que vivem no gramado do hotel. Flamingos e cisnes não vi, mas um condor nos recebeu no final da trilha Torres del Paine (sabem, daquelas cenas que parecem um sonho…) e numa estrada do parque vimos uma ema. By the way, adoro o nome dessa espécie de ema em inglês: Darwin’s rhea.

Torres del Paine onde ficar
A raposa da janela


Onde Fica Torres del Paine
O Parque Nacional Torres del Paine fica em Ultima Esperanza, na região de Magalhães, na Patagônia Chilena, bem ao Sul.

Como Chegar a Torres del Paine

  • De El Calafate: Leia o post De El Calafate e Torres del Paine
  • De Santiago, pegue um voo (4 horas) até Punta Arenas, de onde você precisará embarcar em um ônibus ou alugar um carro até Puerto Natales, 240 km ao Norte (3 horas). Mais 140 km (2 horas) e você chega a Torres del Paine. Moleza!

Quatro empresas rodoviárias partem de Puerto Natales até o Parque Vía Paine, Buses Gómez, JBA, Maria José. Há duas saídas diárias nos meses de Dezembro, janeiro e fevereiro: às 7h e às 14h30. Na baixa temporada, apenas às 7h.

Língua
Espanhol. Português é compreendido. No Hotel Las Torres me surpreendi com garçons que falavam fluentemente várias línguas. Um deles havia inclusive morado no Brasil e, orgulhoso, disse ter vivido em Fernando de Noronha.

Onde Ficar em Torres del Paine
Acesse no final deste post caminho para publicação com links para todos tipos de hospedagem.

Quanto tempo ficar em Torres del Paine
Muita gente visita Torres del Paine a partir de um bate-volta, seja de Puerto Natales, seja de El Calafate. É possível, mas só não será frustrante para quem não curte muito Parques Nacionais. Além de pouco proveitoso, especialmente de El Calafate a viagem pode ser muito cansativa.
As duas noites (e um dia completo, mais dois dias parciais, devido à viagem de e a El Calafate) que ficamos foram suficientes para conhecer os principais pontos acessíveis por veículo motorizado, seja carro particular, van de agências ou dos hotéis ou ônibus circular.
Para quem faz trilhas – e quer vivenciar o parque, a permanência vai depender do preparo físico e do tipo de trilha escolhido.
Como o tempo muda muito, quanto mais você ficar maiores suas chances de avistar o cume das montanhas. Isso porque é muito comum as nuvens encobrirem as montanhas protagonistas do Parque. Esse era um pesadelo que martelava minha cabeça, tal qual naqueles filmes em que uma voz meio Vincent Price diz: “você lá, e as Torres encobeeeeertas. ahahahaha”. Ainda bem que uma voz meio Robin Willians dizia: “fique ao menos duas noites e você as verá”. E eu as vi. E as vi bem de pertinho.

Torres del Paine estradas

Como Circular em Torres del Paine
– Pés ou cavalos para as trilhas, que  algumas vezes são distintas, outras compartilhadas.
– vans contratadas nos hotéis
– ônibus (informação do guia Frommer’s): de outubro a Abril há serviço diário e as paradas são Laguna Amarga, Cafeteria Pudeto e Centro Administrativo. Trans Via Paine (tel. 61/413672); Gomez  (tel. 61/411971); Buses JB (tel. 61/410242).
Vans partem de Laguna Amarga para a Hosteria Las Torres, onde começa (ou termina) o circuito W.
– carro próprio (encontramos duas famílias vindas do Brasil) ou alugado em El Calafate ou Puerto Natales.

Diñero
No parque não há caixas eletrônicos ou como fazer o câmbio. Leve pesos chilenos daqui ou troque-os em Puerto Natales. Nós trocamos no restaurante-lanchonete-casa-de-câmbio-loja-de-suvenires chamado Ovejero ao lado da fronteira Dom Guillermo.

Compras em Torres del Paine
Não há lojinhas ou comércio de qualquer tipo no Parque. Os Refúgios Grey, Chileno e Los Cuernos, acessíveis por trilha, vendem gêneros de primeira necessidade. O Hotel Las Torres tem uma lojinha de suvenires e um quiosque de alimentos. Como o Parque tem difícil acesso, as mercadorias são caras, então sugiro que leve ao Parque o que for consumir. Se for cruzar a fronteira, alimentos in natura estão proibidos. Não sei o que vendem na Cafeteria Pudeto, em Salto Grande, pois não fui lá.

O que Comer e Beber em Torres del Paine
A cultura gaúcha está presente nesta parte da Patagônia, então carne e chimarrão também estão. Quem acampa leva seu próprio alimento ou compra nos refúgios, mas os dois hotéis que visitei (Lagos Grey e Pehoe) têm restaurantes abertos ao público. O Las Torres abre o bar, mas não tenho certeza se o restaurante serve quem não está hospedado. De qualquer forma, o preço do jantar lá é exorbitante!

Torres del Paine onde comer restaurantes
Entrada do restaurante e hotel Lago Pehoe


Visto
Não é preciso visto, e embora o Chile não faça parte do Mercosul, o RG é aceito. Mas se tiver um passaporte, a aceitação pode ser maior – e você ganha um carimbinho! rsrsrs

Torres del Paine dicas

O que Fazer em Torres del Paine

  • apreciar o rio Paine e seu incrível tom de azul
  • fotografar as Torres del Paine, de preferência na base ao fim da trilha W
  • avistar Los Cuernos na curta trilha de Salto Grande ou do Lago Pehoe.
  • Fazer a trilha do Vale Francês
  • navegar ou atravessar o Lago Pehoe que tem a vista mais linda do conjunto de montanhas do Parque: cerca de 30 dólares por trecho. Saída de Salto Grande, na Cafeteria Pudeto. Não aceita reservas ou compras antecipadas e o pagamento é feito após o embarque.
  • Navegar no Lago Grey: passeio de 2h30 ao custo de 55.000 pesos chilenos. Veja link no final do post.
  • caminhar sobre o Glaciar Grey
  • cavalgar. Reservas e saídas do Hotel Las Torres
  • Trekking. As trilha mais famosas são o circuito W e o O.

Torres del Paine o que fazer

Clima e Temperatura em Torres del Paine
Li em várias fontes que o tempo muda muito rapidamente em TdP, sendo difícil a previsão – e senti isso na pele. Para saber o que levar na mala, pesquisei a previsão do tempo usando a opção “hourly”. Embora o verão seja alta temporada, o parque continua tranquilo e ao meu ver é a melhor opção.

Os hotéis e abrigos costumam postar na recepção a previsão do dia. Confira a velocidade do vento, se for fazer trilhas. Clique na imagem para ampliá-la.

clima em Torres del Paine

Posts Relacionados (clique sobre o título para ler mais sobre Torres del Paine):

Vai ficar em TdP, confira post com links para todo tipo de hospedagem no parque: TdP: Hotéis, Campings e Refúgios:

De El Calafate a Torres del Paine: dicas de combustível, fronteira, aluguel de carro

Vai encarar a trilha de 8 – ou 10 horas, no meu caso, leia TdP: Sangue, Suor e Beleza 

O que há para fazer lá: Torres del Paine: hipnotizantes

Sites e blogs que ajudarão a planejar sua viagem:

– Para hospedagem, clique no Booking.com. O Mulher Casada Viaja tem parceria com eles (afinal, eu sempre reservei por lá e tenho segurança em indicar para vocês usarem), então é só clicar sobre o logo deles (no final do blog, se você estiver em smartphone, ou na lateral direita, se estiver em PC). Você não gasta nada mais e eu ganho uma comissão que me ajuda a continuar escrevendo e dando dicas!😊

– Navegação no Lago Grey: clique aqui.

– este link é para um blog que tem ótima descrição das trilhas em TdP e lindas fotos.

– confira a previsão do tempo para a região aqui.

– Se você vai para acampar, leia as dicas aqui.

– Este site traz as 14 fotos mais batidas – nos dois sentidos – de uma viagem a Torres del Paine. Quem foi vai se identificar, certamente.

– O site oficial do Parque Torres del Paine não é muito amigável na navegação, mas vale dar uma olhada.

– Uma coisa que muita gente esquece ou dispensa e eu acho imprescindível para uma viagem tranquila: fazer seguro viagem. O Mulher Casada Viaja tem parceria com a Mondial Allianz Assistance, que oferece desconto para os leitores que tiverem o cupon de desconto. Encontre este cupom no post Receita de Viagem, desculpe não colocá-lo aqui, mas como ele muda periodicamente preciso centralizá-lo num só lugar.

– Se você vai esticar até Ushuaia e quer dicas, o Alessandro do Fui e Vou Voltar tem imagens lindas e texto fluido onde descreve seu roteiro.

Contato direto com o parque: magallanes.oirs@conaf.cl
(61)2238581
Pronto, agora que você tem todas as dicas, está esperando o que para conhecer Torres del Paine?

 

 

Torres del Paine: hipnotizantes

Acho que esse é o adjetivo perfeito para descrever as montanhas em Torres del Paine: Hipnotizantes. Eu não me cansava de admirá-las, igual à menina que ganha a boneca tão desejada e a leva para a cama, acorda no meio da noite, sorri, abraça a boneca e volta a dormir. Como não dormi ao relento, mantive as cortinas do quarto abertas para que a montanha Almirante Neto fosse a última coisa a ser vista e a primeira ao amanhecer, ainda sem sair da cama. Além disso, não resisti e na primeira noite deixei o calor e a segurança do quarto (a região tem pumas) para, entre as duas ou três da madrugada, sentir a montanha, o vale e a escuridão – mas só um pouquinho, porque bicho de cidade se assusta com o nada.

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Caso de amor com a montanha

Se você também gosta de estar em vales, montanhas e lagos, bem-vindo/a a este post! Se você aprecia quase qualquer tipo de viagem, como eu, bem-vindo/a a este post!

Como já contei aqui no blog, chegamos ao Parque Nacional Torres del Paine dirigindo de El Calafate, na Argentina, viagem esta tema do post De El Calafate a Torres del Paine. Recapitulando: era segunda quinzena de janeiro, quando as temperaturas são amenas no sul da patagônia e os dias mais longos.

Este relato começa logo após cruzarmos a fronteira. O trecho de 13 quilômetros de rípio (cascalhos) entre a estrada até a Portaria Lago Sarmiento é bem ruim.  Alguns preferem entrar no parque pela Portaria Laguna Amarga. Quem vem de Puerto Natales, mais ao Sul, provavelmente use a Portaria Serrano. As portarias permanecem abertas das 8h30 às 20h30 nessa época do ano. Escolhemos a Sarmiento porque iríamos percorrer a estrada da Portaria Laguna Amarga, que é mais cênica, no final do dia, a caminho do hotel. Sugiro que você imprima um mapa do parque para se localizar e escolher por qual portaria entrará, caso esteja viajando por conta.

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A Portaria Sarmiento

Antes da portaria, você já avista os primeiros guanacos, o Lago Sarmiento e as montanhas com picos nevados. O ingresso nos custou 66 dólares por pessoa (18 mil pesos chilenos), com direito a permanecer no parque por três dias, mas não vimos ninguém conferindo durante o tempo que estivemos lá ou na saída. Você mesmo anota seus dados em um livro, com informações pessoais e origem. Recebe um mapa do parque, com as trilhas e estradas, regulamento e informações básicas da fauna, flora e principais montanhas. Acostumada com sorrisos e saudações de guarda florestais de parques norteamericanos, estranhei a funcionária de poucas palavras e nem esboço de sorriso.

O mapa e os recibos
O mapa e os recibos

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Como nossos planos incluíam um dia de trilha e outros dois dias que, além da visita ao parque, seriam usados para vir de e voltar a El Calafate, aproveitamos a tarde excepcionalmente longa (o sol se põe por volta das 22h no verão) para explorar um trecho do parque.

Com paisagem tão cênica, você faz diversas paradas para fotografar e as horas passam rapidinho. Há alguns pontos com recuo na estrada, mas embora seja proibido parar fora desses pontos, há pouca circulação de veículos e não achamos perigoso, desde que você não pare numa curva, claro.

Dirigimos até o Salto Grande, uma cachoeira não muito impressionante, mas a atração principal foi o vento no meio da trilha: muito forte e surpreendente. Aproveite para fazer fotos divertidas por lá. Dependendo do ângulo, vai parecer que você estava voando mesmo! Também tem uma cafeteria no início da trilha e o catamarã para navegação no Lago Pehoe e para o Acampamento Paine Grande (e a primeira perna do W) parte dali.

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o salto e a selfie

De Salto Grande sai uma trilha fácil de uma hora de duração e quase toda plana para o Mirador Los Cuernos, os picos que competem em beleza com as Torres del Paine que nomeiam o parque. A vista dela pelo caminho é mais bonita do que no próprio mirante, na minha opinião (fotos abaixo). Confira e escolha sua montanha preferida. Eu não consigo decidir!

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Que vento é esse!!!!!
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A vista no meio da trilha para Los Cuernos

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Houve um incêndio em Dezembro de 2011 que atingiu grande área do parque e em janeiro de 2012 o parque ficou fechado. Não só nesta trilha, mas em vários pontos ainda se veem os restos de árvores queimadas. É de partir o coração… Vez ou outra um visitante é expulso do parque por estar fazendo fogueira, o que é terminantemente proibido, em qualquer local ou situação.

Depois da trilha, quase ao escurecer, dirigimos até o Hotel Las Torres. A estrada do parque é de rípio mas fora a poeira não é ruim. Há sinalização indicativa dos lagos e para alguns pontos do parque.

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De rípio, as estradas do parque são melhores do que as estradas de terra do Brasil
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Chegando a Las Torres

O hotel fica aos pés do Monte Almirante  Neto, de 2.670 metros, no início da trilha que leva ao Lago e à vista das Torres del Paine. Além do Hotel, nesta área estão o EcoCamp e os Refúgios Las Torres Norte e Central. Mais abaixo, link para um super post com indicação de hotéis, campings, refúgios.

Fiz minha reserva pelo Booking.com, com quem o Mulher Casada Viaja tem parceria e que sempre uso para reservar os hotéis. Leia as avaliações de hóspedes, veja as fotos do quarto e do hotel, a localização e faça sua reserva clicando aqui. O blog ganha uma pequena comissão, que ajuda os custos com sua manutenção no WordPress. Não custa nada a mais pra você!

Vale onde fica o Hotel Las Torres Patagonia
Vale onde fica o Hotel Las Torres Patagonia

Feito o check in, estávamos ávidos por um banho para tirar o pó e por um prato quente, mas como o restaurante do hotel fecha às 22h e era mais longe do nosso quarto do que o bar (não daria tempo), ficamos por lá, que além de bebidas tem saladas e comidinhas. Pedi um pisco sauer e fomos de salada e empanadas. O bar parecia uma Torre de Babel (adoro!), com gente falando idiomas diversos, trilheiros cobertos de pó e uma vista maravilhosa da montanha.

Você pode ser feliz em qualquer lugar, mas se for em TdP, melhor!
Você pode ser feliz em qualquer lugar, mas se for em TdP, melhor!
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O lobby do hotel com o bar ao fundo

No dia seguinte fizemos a trilha para a base das Torres del Paine, que nos tomou o dia todo e que mereceu um post só pra ele. O link está no final deste post.

A galera descansando à beira do lago
O que vi no final da trilha

Depios da trilha e de um bom banho, nos arrastamos (literalmente! eu mal conseguia caminhar) até o restaurante do hotel e quando soube que o serviço era de buffet me arrependi de não ter ido ao bar. Don’t get me wrong, a comida era boa, mas eu tive que levantar e caminhar até o buffet ao menos três vezes para fazer a refeição completa. As articulações das minhas pernas rangiam, meus pés choravam e eu não via a hora de aquela refeição acabar, eu voltar para o quarto e finalmente repousar. E eu que achava que o Grand Canyon é que tinha sido cansativo! Mas então eu tinha 20 anos a menos!

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No meio da trilha

No terceiro dia em TdP fizemos o check out perto das 10 horas, quando o hotel já estava vazio, pois todos saem cedo para as trilhas, passeios a cavalo ou tours oferecidos pelo hotel. Demos graças por ser um dia em que ficaríamos a maior parte do tempo sentados no carro, pois havíamos exigido demais de nossos preguiçosos músculos.

Deixando Las Torres
Deixando Las Torres

O dia estava nublado e bem escuro e eu não cansava de pensar “Que sorte tivemos em escolher o dia anterior para a trilha. Não havia uma nuvem no céu!”. Pois é, elas resolveram se reunir no the day after.

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Vários ângulos das montanhas vão passando pela janela do carro
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vista do Lago Pehoe
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Viajar é… pular pra foto depois de 10 horas de trilha

A partir daí, a estrada  corre rente ao Rio Paine, que tem um tom lindo de azul. Então entendi. Paine significa azul e as Torres foram nomeadas em uma justa homenagem. Coloquei um vídeo sem edição, com direito a espirro, erro de pronúncia do nome de Lago, trepidação do carro e até o “Pára, pára” para uma foto. A vida como ela é:

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O lindo rio Paine=Azul

Dirigimos até o final da estrada, no Lago Grey (sorry ladies, nada a ver com Christian Grey), com algumas paradas, claro. Lá existe um passeio de barco pelo Lago que na alta temporada parte quatro vezes ao dia, então programe-se porque nessa época não conseguirá se não comprar antecipadamente. Foi o que aconteceu conosco…

O restaurante do Hotel com vista para o Lago e o Glaciar Grey
O restaurante do Hotel Lago Grey com vista para o Lago e o Glaciar Grey
O glaciar Grey
O glaciar Grey

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No caminho de volta, a estrada corre paralela ao Rio Grey e se despede para seguir rumo ao Leste. Quem volta para Puerto Natales, pega a direita na bifurcação, onde fica a administração do parque, uma base de informações, terminal de ônibus e apoio para emergências ou incêndios.

Administração do Parque TdP
Administração do Parque

Como viajaríamos a El Calafate, na Argentina, pegamos a esquerda, avistamos o Rio Paine mais uma vez e chegamos ao Lago Pehoe.

Pode-se dizer que o Lago Pehoe é o centro do Parque. Pehoe significa “escondido” e se pronuncia “pay-oh-way” (agora sei). Este lago também é navegável, embora o catamarã parta de Salto Grande e não de onde ficam a ponte sobre suas águas verdes, Hotel e Restaurante homônimos. Aproveitamos para almoçar lá e subir uma pequena trilha até o alto de um morro para fotografar as montanhas de um outro ângulo.

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Lago Pehoe, hotel e restaurante homônimos

Eu recomendo parar ali para uma refeição, pois o Lago é lindo, a vista das montanhas impossível de definir e ainda tem uma colina com vista de 360 graus do entorno, de onde tirei a foto em que dou um saltinho, mais abaixo.

O restaurante é aconchegante e oferece menu completo, ou seja, há duas opções de entrada, de prato principal de de sobremesa, bebidas à parte, ao custo de 18.900 pesos (34 dólares). Não foi a melhor comida que já comi, mas foi uma das melhores vistas, com certeza!

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Se gostar de cerveja, peça a Austral, que é produzida na região e tem rótulo com a vista do restaurante!

Cerveja com rórulo da paisagem. Só aqui!!!
Cerveja com rótulo da paisagem local. Só aqui!!!

Fome saciada, subimos uma colina para o mirador, vista point, mirante que fica ali no terreno do hotel. E eu gostei desse negócio de pular pra foto! rsrsrs

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Viajar é… saltar para foto apesar da dor muscular causada por 10 horas de trilha

Depois do Lago Pehoe, nos restou fazer o caminho de volta até a Portaria Lago Sarmiento e finalmente a El Calafate. Leia sobre o percurso El Calafate-TdP em . No próximo post, as dicas práticas sobre Torres del Paine.

Se não tivesse tanto mundo para conhecer, eu já estaria planejando voltar e fazer a trilha do Vale do Francês. Afinal, minhas pernas já nem doem mais!

Última dica: para quem gosta desse tipo de viagem, sugiro a ainda mais bela Icefields Parkway, estrada que liga os parques Jasper e Banff, nas Montanhas Rochosas canadenses. Escrevi sobre ela sem tantos detalhes, pois fomos no século passado, em 1997. Clique aqui: Icefields Parkway: “A” estrada nas Rochosas Canadenses

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Posts Relacionados

Para saber mais, leia também os posts clicando em seus títulos:

TdP: Hotéis, Campings e Refúgios: links para todos os tipos de hospedagem em TdP

De El Calafate a Torres del Paine: dicas de combustível, fronteira, aluguel de carro

TdP: Sangue, Suor e Beleza: vai encarar a trilha de 8 – ou 10 horas, no meu caso 

Dicas que faltaram nos posts anteriores você encontra aqui: Torres del Paine: Dicas práticas

 

 

Torres del Paine: Sangue, Suor e Beleza

Neste post descrevo a experiência de fazer uma das pernas do circuito W, a que dá a honra de se chegar à base das Torres del Paine, que dão nome ao parque Chileno, e ao lago formado pelo degelo. Não tenho a menor esperança de que eu consiga transmitir o que foi essa experiência, mas aí vai:

Você conhece o frevo do Caetano: Sangue, suor e cerveja, né? Pensei no título, ao escolher um para este post, que resumisse em poucas palavras minha experiência de subir cerca de 800 metros – e depois descer, num total próximo a 10 horas de caminhada. Veja bem: sou totalmente, assumidamente sedentária, estou um pouco acima do peso e achava que caminhar 4 quilômetros diários por uns 10 dias na praia antes dessa empreitada me ajudariam. Ajudaram, claro, mas eu devia ter treinado numa montanha! Até os cinco dias posteriores, minhas panturrilhas pareciam tijolos, subir ou descer degraus era dor certa e meu marido tinha sangue pisado nos dois pés e unhas dos dedões cinzas, prontas pra dizer adeus. Se eu faria de novo?  C-L-A-R-O!

Cora, você não falava de trilhas, mas caiu como uma luva!
Cora, você não falava de trilhas, mas serviu como uma luva!

Tem gente que viaja para conhecer gente, para fazer compras, para descansar, para se divertir e há quem jamais pense em subir uma montanha. Bem, mas tem muita gente que sente um prazer enorme nisso e eu sou uma delas. Alguns fazem o Caminho de Santiago de Compostela, outras a Trilha Inca e os mais destemidos o Monte Everest. Cada um tem lá suas razões: superar resistência física e mental, esquecer traumas através da experiência, conectar-se com seu interior… Não sei porque gosto de trilhas, mas me sinto muito bem nelas, uma felicidade duradoura, muito maior do que as dores pelo corpo. Trilhas nos aproximam, além da natureza, de nossos ancestrais, nômades e andarilhos. Tudo a ver com quem curte viajar!

Quando você faz uma trilha longa, tem muito tempo pra pensar e lembrei de alguns sonhos não realizados por um vento ou outro que os tirou do caminho. Não reclamo, não. Somos o que somos graças a esses pé de vento, sô! Mas nem tudo foi filosófico: quando meu coração estava disparado e meu rosto fervendo por tentar manter o mesmo ritmo daquela senhorinha que estava bem atrás de mim e acabara de me passar humilhantemente, pensei que eu devia ter sido bode montanhês em outra vida. Caramba! É a única explicação razoável (kkk) para meu coração sorrir ao pensar em viver no Colorado em vez da Flórida – ou passar o dia subindo montanha em vez de ir ao spa do hotel!

Eu, numa vida passada...
Eu, numa vida passada… (mountain goat, espécie das Rochosas norte-americanas)

A ideia de que todos na trilha estão no mesmo barco traz uma proximidade com pessoas totalmente desconhecidas, mortais de culturas diferentes, dando força, dizendo “falta pouco”, “vale muito a pena”, etc. Isso entre os mortais, porque aqueles com seus trekking poles (nem sei falar isso em Português) e suas mochilas-barracas nas costas e sua habilidade e preparo físico invejáveis simplesmente passam, mal dizem um Hello ou Hola e lá se vão, tick, tick, tick (também não sei a onomatopeia para trekking pole batendo em pedras), sempre à sua frente. E se você não der espaço, acidentes podem acontecer.

Esse era um dos meus sonhos: não ser uma mortal subindo a trilha. Eu nunca sonhei em ter roupas legais ou carro legal, etc. Eu voltava do trabalho de sexta-feira e no metrô via mochileiros indo viajar, acampar junto à natureza. Era aquilo que eu queria. Não rolou, mas pelo menos agora lá estava eu na mesma trilha que eles! E como já fiz algumas outras também, acho que posso me dar por satisfeita e entender que os ventos nos afastam e nos trazem de volta. É só ter paciência.

O parque TdP tem mais trilhas do que estradas com distâncias que vão de 1 a 18 quilômetros e duração de 1h a 4h30 sem considerar a volta. Os circuitos mais famosos são o O e o W. Nós fizemos a trilha que sai do Hotel Las Torres, onde nos hospedamos, passa pelo acampamento Chileno (em teoria, 2h depois) e chega à base das Torres del Paine, 2h30 depois. Parece moleza, mas não foi. O parque tem trilhas que podem ser percorridas a pé ou a cavalo e o interessante é que só levantando poeira nelas você chega a cenários inesquecíveis.

O "w" de Torres del Paine
O “w” de Torres del Paine

Não pense que se você não quiser ou não puder fazer trilhas não valerá a pena ir a Torres del Paine. O Parque tem estradas, embora de cascalhos, que chegam à maioria de seus lagos e mirantes nos acostamentos da estrada também propiciam belas vistas e tem até trilha bem rapidinha para ver uma cachoeira, a Salto Grande. Navegação em rios também agradam quem não quer se aventurar nas trilhas. Leia mais no post Torres del Paine: Hipnotizante. O link está no final desta publicação.

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O Monte Almirante Nieto e as regras da trilha


A trilha

Os hotéis, acampamentos e Refúgios costumam divulgar no início da manhã a previsão do tempo, velocidade do vento, horário do nascer e pôr-do-sol. Confira todas essas informações e peça orientação de alguém experiente para decidir se aquele é um bom dia para fazer a trilha escolhida. Nós tivemos muita sorte, o clima estava perfeito no dia da trilha: claro, sem vento, porque no dia anterior apesar de estar claro, ventava bastante e no dia seguinte ao que fizemos a trilha, o céu estava cinzento e não se avistavam as Torres.

Iniciamos a trilha por volta das 8h30 da manhã. O início é bucólico, atravessando duas pontes sobre o rio formado pelo degelo proveniente das montanhas e subindo por trilhas de terra de leve inclinação… E você se ilude, achando que vai ser essa moleza.

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Início de trilha: tranquilo

 

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No ponto da foto acima, uma guia de um grupo australiano disse que em dias de vento forte é preciso passar por ali agachado. Eu não teria acreditado se no dia anterior não tivesse presenciado a força do vento em outro ponto do parque!

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Muitas pessoas contratam um guia para fazer a trilha, mas não vi necessidade. Ela é bem marcada: pedras, árvores ou estacas fincadas nas pedras pintadas de laranja-avermelhado indicam o caminho. Além disso, placas informam o ponto onde você está e há um sinalizador de altitude, latitude e longitude. Com ponta verde significa trilha classificada como fácil; amarela é média e vermelho trilha difícil.

A trilha que pegamos é de nível mediano. Então tá!
A trilha que pegamos é de nível mediano. Então tá!

 

Placas dispostas na trilha indicam quanto falta
Placas dispostas na trilha indicam quanto falta

 

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Contemplação ou introspecção? Nada disso, é fadiga mesmo!

Depois de duas horas de trilha de pedras pequenas, na maioria, com subidas e descidas e vistas lindas, chegamos ao Acampamento Chileno.

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Trata-se de um refúgio e área de camping. O refúgio tem algumas mesas em uma sala com vista para as Torres e um balcão-recepção, onde também se vendem alguns produtos básicos. Há quartos que podem ser reservados para passar a noite, mas não cheguei a entrar neles. O mais marcante é o cheiro de chulé que fica à porta, pois é proibido entrar de calçados e ficam todos andando de meias no chão. Coisa que lembra infância…

 A vista da sala do Refúgio Chileno
A vista da sala do Refúgio Chileno
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Como era de se esperar, gente do mundo todo visita TdP

No lado de fora, além da área para as barracas, mesas e bancos, onde aproveitamos para descansar e fazer uma boquinha. Ah, você pode também usar o banheiro do refúgio, mas há uma taxa cujo valor não me recordo.

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Deixando o Refúgio, a trilha segue em meio a uma floresta e há várias passagens por pinguelas e pontes. É um trecho que alivia o calor do sol e traz uma paisagem diferente.

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Depois da floresta, vem o trecho final, que eu considero o pior (não, o pior é o retorno, que parece interminável!), todo feito de pedras grandes, algumas que precisam ser escaladas.

glass half full ou half empty?
glass half full ou half empty?

Nesse momento eu olhei o que ainda tínhamos de pedras para vencer, mas a vista das Torres também estava ali. Half glass full, com certeza! Falta pouco…

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A vista acima, desculpem, mas só quem pega a trilha recebe de premio. Conseguem ver os veios escuros na base da montanha: são pequenas cachoeiras. Imagine isso na Primavera!

Uma cena linda, que infelizmente não registrei em foto, foi a de um condor voando no vale, logo que chegamos. Não avistamos a presença de nenhum outro animal selvagem na trilha. Ouvi alguns pássaros no trecho de floresta e só.

A galera descansando à beira do lago
A galera descansando à beira do lago

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Na foto abaixo eu estava agradecendo a Deus, às forças do universo, Maomé, Buda… pela chance de estar em um lugar tão especial. Lembrei da fala de um trilheiro: “Esta é a Catedral. Aqui é minha igreja”. A emoção tomou conta de mim. Chorei e não foi um chorinho comum. O choro ia sair tão alto e escandaloso, e num lugar tão silencioso como aquele seria o maior mico, como diz minha filha, então segurei. Piorou! A garganta começou a doer pelo choro contido. Tomei um pouco de água e o choro desceu, não sei para onde, mas demorei a me recuperar. Ali era minha igreja e eu estava mais pertinho de Deus.

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Enquanto isso, maridão tentava tirar uma soneca com vista para as Torres. Os amigos mais próximos sabem que ele dormiria até numa laje. Olha a prova aí! Calculo que ficamos ali uns 30 minutos.

Soneca até na laje
Soneca até na laje

O caminho de volta foi bem difícil. Algumas pessoas desciam rapidamente, num trote, o que além de ser mais rápido, evita o esforço dos joelhos. Mantivemos nosso ritmo lento. Meus joelhos doíam demais e tomei um analgésico, o que facilitou o retorno. Havia pouca gente subindo, provavelmente indo ao Refúgio Chileno. Fiquei imaginando como deve ser lindo ver ao vivo o que vi em várias fotos: a luz do sol nascente sobre as Torres (ou seria o poente?). Menos romântica, imaginei o frio que deve ser à noite, na beira do gelado rio. Ai, que bom minha cama macia e quentinha me esperava lá no fim da trilha! ehehe

Eram 14h30 quando iniciamos a descida e às 18h30 estávamos de volta ao hotel Las Torres. Ah, uma dica: para economizar espaço na mala, eu nunca levo chinelos para as viagens,  a não ser que seja destino praia. Que falta fizeram as Havaianas! Eu queira muito uma folga para meus pés depois de 1O horas de trilha. Leve as suas, vi muita gente zanzando pelo hotel de pantufas.

O que levar na trilha

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Água mineral gratuita

– garrafa de água cheia (reabasteça no rio)
– castanhas, uva passa, barra de proteína, fruta, lanche…
– band-aid e analgésico – no retorno, meus joelhos agradeceram!
– capa de chuva, gorro, boné, protetor solar e labial, óculos de sol, abrigo corta-vento
– câmera fotográfica, claro!

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– os trekking poles são essenciais. Nós não tínhamos, mas vou providenciar para a próxima trilha!
– saco plástico para guardar o lixo que você produzir
– papel higiênico.

Os mapas do parque indicam que esta trilha pode ser vencida em 8 horas. Quem está em melhor forma pode até fazer em menos tempo, mas não sei para que a pressa com tanta beleza em volta.

Links para conhecer melhor Torres del Paine

– Leia sobre meu encantamento no post Torres del Paine: Hipnotizantes

– Dicas detalhadas sobre rota, combustível e condição das estradas em De El Calafate e Torres del Paine

– Relação de hotéis, campings e abrigos, com links para seus sites, clique aqui.

– Dicas práticas de como circular pelo parque, temperatura, onde comer estão neste post.

10 desculpas para ir ao Sul da Patagônia

Outras pessoas que contam sua experiência na trilha:

relato divertido de gente como a gente, ou seja, sedentária.

– dicas (em Inglês) de um experiente em trilhas: clique aqui.

– mais experientes, desta vez em português: link.

 

 

 

De El Calafate a Torres del Paine

Neste post falo sobre o aluguel do carro em El Calafate, descrevo o trajeto El Calafate a Torres del Paine, dou dicas de onde abastecer e compartilho nossa experiência de cruzar a fronteira Argentina-Chile com carro alugado.

De El Calate a Torres del Paine de carro alugado

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