Procuram-se Cidades Pequenas

Procuram-se cidades pequenas…

…em que o horizonte não esteja escondido por detrás de edifícios altos, ou sob a espessa camada de poluição. E se a paisagem se parecer com uma pintura, ainda melhor!

Vale d'Orcia Toscana
Toscana, Itália

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Airbnb: dá para confiar? Como escolher um imóvel para alugar

Esta semana rodou nas redes sociais denúncia de uma brasileira que havia alugado um apartamento em Berlim pelo mais famoso site de aluguel de imóveis para turismo ou temporada, o Airbnb. Para sua infelicidade – e nossa inquietação -, alguém entrou no apartamento e revirou suas malas, roubando uma quantia considerável em artigos pessoais, como bolsas e roupas. Não bastasse esse transtorno, a moça alegou que o Airbnb não se responsabilizou pelo ocorrido.

No ano passado o mesmo tipo de imagem rodou pelas redes, tiradas em hotéis de Orlando e a cada dia mais fotos e depoimentos de turistas que tiveram suas malas reviradas em seus quartos durante sua ausência apareciam. É muito bom que tenhamos esses meios de comunicação para saber que essas coisas podem acontecer e acontecem, assim a gente se lembra de pesquisar mais. Porque viajar dá trabalho, mesmo. É preciso pesquisar, ler avaliações, depoimentos de quem já se hospedou no local, em fontes diversas. Segundo comentário da própria moça, ela não se lembra das avaliações no site da Airbnb de pessoas que teriam alugado o referido imóvel antes dela. Então, é preciso pesquisar, moça!

Mas…

Esta semana também correu a notícia de que um proprietário de restaurante foi ameaçado, por e-mail, a receber avaliações negativas no TripAdvisor caso não contribuísse financeiramente com o chantageador, autor da mensagem. Então é bem possível que muitas avaliações do mais famoso site de Viagens sejam falsas, principalmente a partir do momento em que o TripAdvisor premia seus avaliadores com pontos de programas de fidelidade. Muita gente vai escrever sobre lugares que sequer visitou só para somar pontinhos. A culpa não é do TripAdvisor, mas vamos concordar que foi muita inocência achar que isso não aconteceria. E todo mundo sai perdendo. Acredito que para recuperar sua credibilidade, o TripAdvisor deveria tomar alguma medida, talvez oferecer aos restaurantes e estabelecimentos hoteleiros um código que seria entregue ao usuário do serviço que, se quisesse, poderia fazer a avaliação no site, evitando-se, assim, avaliações fantasma. Ou seja, mesmo pesquisando, é possível que a gente não tenha garantida a qualidade do serviço ou, no caso do Airbnb, a segurança de entrar num imóvel de terceiros.

Quanto ao Airbnb, existe um seguro incluso na anuidade que se paga ao anunciar o imóvel, então não entendo como o site de eximiu da responsabilidade, como relatado. Mas eu concordo que o site não é muito fácil de navegar e que as informações desse tipo não são exatamente claras, tanto para o viajante quanto para o proprietário.

Recentemente tive minha primeira experiência em aluguel através do AirBnB e aproveito para contar para vocês.

Como escolher um imóvel pelo AirBnB

1. Antes de mais nada, pesei as vantagens e desvantagens desse tipo de hospedagem, comparando-a com hotel, não necessariamente em ordem de importância:

Pontos positivos: maior espaço; possibilidade de fazer algumas refeições leves como café da manhã; experiência maior da realidade e modo de vida locais; menor preço.
Pontos negativos: não há serviço de limpeza para períodos curtos; não inclui café da manhã, como alguns hotéis; sensação de insegurança maior do que em um hotel, pois muitas vezes não há porteiro ou recepção, nem cofre no imóvel. Mas acho que o que dá mais insegurança é o fato de que qualquer hóspede mal intencionado pode fazer uma cópia da chave e entrar no imóvel enquanto você estiver fora. Não quero aqui assustar ninguém, mas é uma possibilidade, não? De qualquer forma, fora o dinheiro da viagem, não temos itens de valor, como roupas ou bolsas de grife. Já dizia Bob Dylan: “Quando você não tem nada, não tem nada a perder”.

2. Enquanto colocava esses pontos na balança, fiz a pesquisa no site do AirBnB, levando em conta custo, localização, equipamentos (secador, TV, WiFi, aquecedor ou ar condicionado, etc.) e estado do imóvel. Escolhi somente apartamentos com feedback de pessoas que os tinham alugado, e vários comentários. Isso me deu maior segurança.

3. No site não aparece o endereço exato do imóvel, apenas a localização aproximada. Então entrei em contato com o proprietário do apartamento escolhido e trocamos várias mensagens, sempre através do AirBnB, para que todas as conversas estivessem registradas lá. Ele me passou o endereço e através do Google eu avaliei a região e a rua em que o imóvel ficava, observando se era escura ou abandonada, se havia restaurantes e comércio por perto, etc.

4. Batemos o martelo e eu efetuei o pagamento com cartão de crédito pelo AirBnB. O proprietário só recebe a quantia depois da data do check in.

5. O proprietário me enviou um email com mapa, opções de como chegar ao imóvel a partir do aeroporto e algumas informações sobre o bairro, como sugestão de restaurantes na redondeza.

Como foi minha experiência no apartamento alugado pelo AirBnB

Chegamos em Viena já passava das 20h. Do aeroporto, enviei uma mensagem para o proprietário para combinar a entrega das chaves. Quando paramos em frente ao prédio, ele nos esperava. Ajudou com minha mala (o prédio não tinha elevador), deu as informações sobre WiFi e aquecedor e estávamos por nossa conta. Ficamos um pouco incomodados com a ausência do cofre, que sempre usamos para guardar o dinheiro da viagem, mas não tivemos nenhum problema. Desconfiados que somos, elegemos um esconderijo para o dinheiro. Nesses tempos de IOF de 6% sobre o cartão de crédito e dólar flutuante, acabamos usando cash nas viagens.

O apartamento de 55m² estava tal qual aparecia nas fotos do site, com exceção da cozinha que estava meio sujinha para os padrões brasileiros. Por isso acabamos não fazendo nem um café, o que foi frustrante.

apartamento AirBnB Viena
Sala do “nosso apartamento” em Viena

A roupa de cama e banho estava limpa e havia reserva no armário. O proprietário deixou sabão em pó, pano e produtos de limpeza caso precisássemos. Havia uma grande variedade de panfletos sobre Viena em uma mesa. A cama não era das mais confortáveis, mas o padrão de meu maciômetro é alto 😉. O chuveiro era bom, apesar de o box ser muito pequeno, mas isso também encontramos em hotéis europeus, não é?

O prédio era antigo, provavelmente do início do século XX ou final do XIX. O hall era lindo, com sancas e pinturas no teto e acabamentos nas paredes, lustres de cristal e pastilhas originais da época da construção no chão. O apartamento trazia uma decoração mais atual e clean, e tinha janelas altas e pé direito de uns 4 metros, eu acho. Todos os equipamentos funcionavam perfeitamente e com exceção da cozinha tudo estava limpinho. O bairro era bem silencioso, apesar de bem localizado, numa paralela da Mariahilfer, pertinho do Museumsquartier. Durante o dia a luz entrava pelos janelões que eu tanto gosto das cidades europeias.

O hall do prédio do "nosso apartamento"
O hall do prédio do “nosso apartamento”

No check out, como partimos muito cedo, combinamos de deixar a chave do apartamento na sua caixa de correio. Simples assim. como você pode ver, é uma relação acima de tudo de confiança, algo em que temos desacreditado muito por causa dos muitos desonestos que andam por aí e principalmente por aqui.

Avaliação final de nossa opção pelo Airbnb 
Como gosto de interagir com pessoas de outras culturas, fiquei um pouco decepcionada, pois pensei que a interação com o proprietário ou com vizinhos seria um pouco maior. Eu e meu marido somos do tipo Faça Você Mesmo e não nos incomodamos em arrumar nossa cama ou passar uma vassoura para recolher os cabelos do banheiro, então o serviço de limpeza do hotel não fez falta. Não tivemos nenhum problema com segurança. Nunca usamos piscina ou salas de jogos de hotéis, ou serviços de concierge , então não nos fez falta esta falta de estrutura. De modo geral, se pensar que foi mais barato que hotel, valeu a experiência e eu repetiria.

Então, dá para confiar no AirBnBComo?
Gosto de pensar e preciso sempre lembrar que existem mais pessoas boas do que más no mundo e que ninguém vai entrar no apartamento no meio da noite para nos assassinar. Nossa, você não tinha pensado nessa possibilidade, te deixei com medo agora? rsrsrs

Se você fizer pesquisa direitinho, lendo feedback de quem já ficou por lá e acreditando na sua intuição, acho que dá para confiar, sim.

Baseio esta avaliação na minha experiência e nos muitos blogs que leio em que as pessoas alugaram no Airbnb e não tiveram problemas. Por outro lado, acabo de encontrar um site criado para que hóspedes e anfitriões lesados de alguma forma pudessem deixar seus comentários sem censura, e é natural que qualquer um que ler vai ficar com o pé atrás. O site é em Inglês: http://www.airbnbhell.com

No mais, infelizmente resta acionar os meios legais caso algo inesperado aconteça, como pode também ocorrer em um hotel ou numa companhia aérea ao ter as malas roubadas, por exemplo.

 

 

 

O planejamento de viagem e as relações

viagem planejamento

Faz tempo quero escrever sobre isso, e hoje veio o estímulo que faltava: num desses blogs em que a gente tropeça ao navegar pela Internet li algumas dicas de como planejar a viagem da família sozinha, algo que sempre fiz mesmo que frustradamente, mas o que me chamou a atenção foi uma afirmação logo no primeiro parágrafo do post. Segundo a autora, o marido não participava do planejamento da viagem da família e isso era muita sorte dela, a esposa autora, porque assim poderia fazer tudo como desejasse: escolha de hotel, lugares para visitar, compra das passagens aéreas. Justifico a escrita de um post só para isso: não acredito que seja só uma questão de participação no planejamento, acho que o buraco é mais embaixo.

Será que chegamos ao ponto em que é melhor fazer as coisas sem interferência, participação, opinião ou diálogo, simplesmente porque assim podemos fazê-las de nosso jeito?

Uma outra questão:

Um casal não precisa fazer tudo junto, mas algumas coisas deveriam ser decididas e conduzidas pelo par, e o planejamento de uma viagem em que os dois estarão presentes é uma delas.

Não vejo como essa ausência pode ser chamada de sorte. O planejamento é um terço da viagem (o outro terço é a viagem em si e o terço final é o retorno, quando contamos as historias, organizamos as fotos e compartilhamos com amigos um pouco do que vivemos) e fazê-lo sozinho ou sozinha é como embarcar numa viagem sozinho. Pior, quando você viaja sozinho/a, sabe que conta apenas com você mesmo/a para tudo. Guardadas as devidas proporções, é como uma mãe solteira que sabe que não tem com quem contar além dela mesma para criar e educar o filho, em contraste à que tem um marido ausente, peso morto. Sabe, a coisa do antes só do que mal acompanhada…

A ausência no planejamento produz um/a companheiro/a de viagem que parece ter sido ejetado/a do assento do avião, com quem você não dividiu nada de tudo o que estudou sobre o lugar. E isso não é ruim só para quem não planejou, mas também frustrante para quem planejou e não teve com quem dividir.

mulher-pensando-g-cópia[1]Talvez seja da minha natureza. Gosto de dividir o que sei, tanto que escolhi ser professora. Mas acredito no professor como o mediador de discussões, não o transmissor de conhecimento, e por isso não quero ficar dando palestra sobre um monumento durante minhas viagens. Nem que eu quisesse, afinal não basta ler sobre uma cidade em guias e blogs para ser capaz de se tornar um guia.

E você, o que pensa disso?

 

 

 

O Turismo e as Igrejas

O que acontece quando um restaurante ou uma casa noturna perde público? O imóvel fica disponível para um novo uso, às vezes no mesmo campo de atuação, às vezes para algo completamente diferente. Você já pensou o que acontece quando uma igreja perde seus fiéis e já não faz sentido sua existência, seja pelo pouco e consequente falta de verba para manutenção? Eu nunca tinha pensado nisso até que vi há alguns anos a notícia de que as igrejas da Holanda têm se transformado em restaurantes e livrarias porque a população de ateus cresce numa proporção maior do que as igrejas fecham. Aí resolvi dar uma sapeada no Google e fiquei boquiaberta ao saber que não é uma tendência holandesa apenas. Compartilho com vocês agora o que aprendi, mas antes, alguns números, porque só as fotos não bastaram para mim.

Países como Suécia, Noruega, Japão, Dinamarca, Finlândia e até França possuem índices de ateísmo entre 85% e 54%. Todos eles países ricos e com boas taxas de alfabetização, isto é, onde a leitura é parte integrante da vida, tornando-se uma cultura (eu já vi alemão lendo livro em trilha de parque nacional, por exemplo). Segundo o Censo de 2010 realizado pelo IBGE,  86,8% dos brasileiros definem-se como cristãos. Uma pesquisa de 2011 afirma que brasileiro lê, em média, 2 livros por ano.

Nestes dois extremos, uma coisa fica a martelar em minha mente: um levantamento da ONU apontou que países com boa taxa de alfabetização tendem a ser mais descrentes, mas será que o fato de os habitantes desses países terem segurança social e política e qualidade de vida invejável estaria relacionado ao ateísmo, além da educação?

Não quero dizer que somente pessoas mais pobres sejam cristãs ou expressem alguma forma de crença, mas quando penso em todas as dificuldades que os moradores da periferia de São Paulo, por exemplo, enfrentam, entendo perfeitamente porque precisam tanto se apoiar na fé. Porque não podem contar com ninguém e como se dizia antigamente, vão reclamar com quem, como o Bispo? Porque não há segurança nas ruas, não há educação de qualidade, não há opções de lazer onde moram. Porque passam 4 horas por dia dentro do transporte coletivo lotado e desconfortável e entre essas horas encaram uma rotina estressante e/ou desestimulante. Porque não lhes é permitido sonhar, pois sabem o quanto impossível pode ser realizar sonhos atrevidos. Precisam rezar. Precisam ter fé. Precisam de algo que lhes dê sentido a toda dor e dificuldade porque passam. Precisam de uma recompensa pós-vida, porque nesta vida será difícil encontrar. Talvez eu seja muito materialista, no contraponto ao espiritual, já que muitos deles acham que quem sofre são os que não creem em Deus. Talvez eu seja hedonista e por isso os veja como sofredores. Talvez muitos deles não se vejam assim, apoiados em sua fé.

Moro em São Paulo e há cerca de um ano a Igreja Universal do Reino de Deus inaugurou um super mega hiper blaster templo no bairro do Brás, Zona Leste da cidade. Alguns números retirados do website oficial: “O Templo, com 126 metros de comprimento e 104 metros de largura (…). São cerca de 100 mil metros quadrados (m²) de área construída num terreno de aproximadamente 35 mil metros e com altura de 55 metros.” Enquanto isso, igrejas dos países ricos estão sendo transformadas em casas, cafeterias, clubes noturnos, pista de skate. Food for thought!

Enquanto os países ricos fecham igrejas, por aqui...
Enquanto os países ricos fecham igrejas, por aqui…

 

Alguns exemplos de novos usos dados a igrejas cristãs:

Igreja Metodista de South Williamsport na Pensilvânia (EUA) transformada em espaço de brincadeiras infantis, com escorregadores, paredes de escalada, playground, labirintos e vídeo games.

foto de City Data
foto de City Data

Igreja na Holanda, transformada em pista de skate:

igreja holanda

Esta se tornou uma casa no valor de 2,3 milhões de dólares. Fica em Denver, Colorado (EUA):

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Livraria Selexyz Dominicanen, na Holanda:

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Igreja Ortodoxa Grega em Estocolmo (Suécia) agora é um centro de startups:

mulher casada viaja

Outra igreja que virou pista de skate, desta vez em Surrey (England):

skatepark[1]

E como este é um blog de viagens, na minha opinião, visitar igrejas ou templos locais, admirar sua arquitetura, assistir a um encontro de fiéis e observá-los continua sendo uma das atividades mais importantes quando se viaja, seja no exterior, seja no Brasil. Afinal, a religiosidade (ou a ausência dela) diz muito sobre um povo, não acham? E se você for uma pessoa de fé, aproveite e agradeça a chance de poder viajar e conhecer outras culturas.

Que a Força esteja com você!

 

A polêmica em torno do Uber. O problema é mais embaixo

Ontem fiquei espantada com a violência que os motoristas inscritos no aplicativo Uber estão sofrendo. Mesmo: estão agredindo fisicamente os motoristas quando chegam ao local combinado com o passageiro. A reportagem mostrou que no aeroporto um passageiro foi obrigado por taxistas a sair do carro registrado no Uber para entrar em um taxi licenciado. Isso é no mínimo chocante.

Uber é um aplicativo criado em 2009 e usado em vários países do mundo, onde causou polêmica, também, chegando a ser proibido em algumas cidades. No Brasil, está disponível em SP, BH, RJ e Brasília. Trata-se de um serviço similar ao taxi, mas sem licença. O carro do motorista precisa estar dentro das normas definidas pela startup e  possuir seguro de acidentes para o passageiro. O motorista passa por um treinamento e fica com 80% do faturamento. Quando você solicita um, recebe o nome e a foto do motorista e os dados do veículo em seu celular. Ao fim da corrida, o passageiro é convidado a avaliar o serviço, o que garante a qualidade como um todo.

Para ir de SP ao aeroporto de Cumbica, por exemplo, não é cobrada a taxa adicional sobre o valor da corrida de 50%, como acontece com os taxis comuns. É uma grande vantagem. Não é à toa que os taxistas estejam enfurecidos, tendo o volume de passageiros diminuído. Os taxistas precisam portar um alvará, o que não acontece com os motoristas do Uber, o que de seu ponto de vista justificaria o custo maior.

Uma primeira votação da Câmara Municipal de São Paulo aprovou uma lei que proíbe o uso de carros particulares para prestar serviços de transporte através de aplicativos, mas essa lei precisa passar por uma segunda votação e ser sancionada pelo prefeito Haddad. O prefeito de Brasília vetou a lei que proibia o serviço, mas como não há regulamentação, os motoristas ainda podem ser autuados com multa e retenção do veículo por não possuírem a licença de condutores de passageiros.

Enquanto a discussão continua e a regulamentação não é aprovada, seja de que maneira, a fiscalização pode aplicar multas de R$ 1.800,47, mais uma a taxa de remoção de cerca de R$ 700,00.  Na reincidência, a multa dobra. É um bom negócio para os cofres públicos.

Não tenho a menor ideia de como essa briga vai acabar, mas tenho certeza que o maior beneficiado hoje, você, vai acabar perdendo. O governo tem interesse em regulamentar para poder taxar, como se IPVA, DPVAT e todas as demais taxas já embutidas em combustível, venda de veículos não fossem suficientes. Os representantes dos taxistas querem que haja uma tarifa mínima estabelecida, para que a concorrência seja “leal”. Mas espera, concorrência acontece quando não há monopólio, ou estou enganada?

Foto do G1
Foto do G1: estado no veículo cujo motorista do Uber foi sequestrado e agredido

Fiquei pensando se as editoras de jornais revistas resolvessem entrar numa briga contra os blogs, por exemplo. Ou as editoras contra os e-books e dicionários e enciclopédias disponíveis na Internet. Afinal, ninguém paga impostos por isso. Seria também uma concorrência desleal?

Da notícia do imbróglio do Uber  podemos enxergar vários problemas de nossa sociedade, não é? O mais grave, na minha opinião, diz respeito à truculência com que os taxistas têm reagido. Onde a lei não chega para regular ou não é cumprida, surge a violência, tão presente em periferias de cidades grandes e sertões de nosso país, onde impera a lei da justiça com as próprias mãos.
A cena de um vereador  de SP urrando contra um adolescente favorável ao Uber quando este sugeriu que ele representava interesses dos taxistas de modo escuso é o retrato do longo caminho que ainda precisamos percorrer para poder chamar este país de democracia.

 

Viajar é preciso: a razão por trás do prazer

Si fueris Romae, Romano vivito more. Cícero —  Em Roma, sê romano.

Minhas primeiras horas em Roma e três acontecimentos em intervalos de poucos minutos, na mesma Via Nazionalle, me fizeram lembrar desse ditado.

1. numa loja, a atendente se dirigiu a mim e mandou um italiano rápido, emendado, que eu obviamente não entendi. Desculpei-me e pedi que falasse em Inglês e ela surpresa e confusa disse que pensara que eu fosse italiana, devido a minha aparência.

2. Alguns quarteirões depois, um casal estava plantado, criando raízes em frente à faixa de pedestres, na hora do rush. Postei-me ao lado deles e só então lembrei: “Em Roma, sê romano“. Botei o pé na rua, virei-me para eles e gesticulando disse: “Andiamo!”. Os carros pararam, eles agradeceram – em italiano – e chegamos ao outro lado da avenida.

3. Lá do outro lado, um senhor italiano me pede informação de onde era a Via Nazionalle. Eu toda orgulhosa por ter compreendido, por parecer local, por poder ajudar (OK, principalmente por parecer local), expliquei em um italiaguês: “Questa qui” , gesticulando.

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Não sei se você compreenderá o que essas pequenas coisas significam para mim. Adoro estar em outras culturas, falar outras línguas, provar comidas e bebidas. Nada especial, tem milhões de pessoas assim. Talvez você que está lendo seja uma delas e então entenderá que essas pequenas coisas que acontecem quando se está viajando é que dão sabor ao ato de viajar. Eu nunca vivi fora do Brasil, nem mesmo de minha cidade natal, e isso me faz muita falta, como uma coisa mal resolvida. É difícil ser um espírito livre morando num corpo que criou raízes. Minhas viagens ajudam o espírito a  se soltar, mas logo tenho que puxar o cordão e trazê-lo de volta. Enquanto algumas pessoas viajam para descansar, se divertir, fazer amigos, fugir de problemas, mudar de vida, eu não tenho outra explicação: viajo porque preciso.

por que viajar

Você que me conhece pode até dizer que nem sempre foi assim. É verdade, quando a gente está envolvido numa rotina insana, em que tem leões para matar diariamente, não se dá atenção ao espírito, que fica recolhido, esquecido num canto qualquer do corpo.

Não tenho só cara de italiana, sou descendente de famílias italianas. Além do sobrenome e do gene esquentadinho que comprovadamente tenho, há evidências de que eu também tenha o DRD4-7R, derivado do DRD4, que é associado aos níveis de dopamina no cérebro. Ah, por isso que viajar vicia!

wanderlust (sem tradução no Português): impulso muito forte e irresistível de viajar pelo mundo
wanderlust (sem trad. no Português): impulso ou desejo muito forte e irresistível de viajar pelo mundo

Apesar de haver um monte de gente viciada em viajar, apenas 20% da população mundial teria esse gene, segundo estudo promovido por Chaunsheng Chen em 1999, que analisou 2.320 indivíduos de populações e históricos migratórios diferentes para concluir que descendentes de povos que não migraram não possuem essa derivação do DRD4. Para mim, isso não explica porque há pessoas que gostam de viajar, mas sim porque há quem não queira sair de casa ou fazer mudanças em suas vidas. Estou cada vez mais convencida de que tenho esse 7R! E você?