Um Dia em Siena – Roteiro

Pombas de Siena: como chegaram ali? Do que se alimentam? Por que cagam em nossas cabeças? Pertencem a que contrada? Hoje, no Mulher Casada Viaja, dicas e roteiro de Siena.

Plim-plim

A catedral de Siena

 

Nem Sérgio Chapelin, nem Glória Maria. Fui eu que caminhando na Piazza del Campo levei cocô de pomba na cabeça, o que segundo a lenda toscana traz sorte. Acho que deu, porque voltei a Siena dois anos depois. Não vou ficar falando de supertições, mas dar dicas: se precisar se livrar da meleca enfezada (venha ela de baixo ou de cima), tem um banheiro público a poucos metros da Piazza, na Via di Beccheria. Não me lembro ao certo, mas acho que custa € 1 para usá-lo. Pronto, você já tem a primeira dica de Siena. Depois dos comerciais Nos próximos parágrafos, o roteiro de Siena.

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Quanto custa uma viagem à Toscana

A Toscana é uma região da Itália bastante popularizada por filmes americanos como Cartas para Julieta e Sob o Sol de Toscana, mas os campos verdes ora decorados por girassóis, ora por papoulas, a culinária, os vinhos, as cidades muradas medievais no alto de colinas e jóias como Florença e Siena certamente merecem o crédito e estão na lista de desejos principalmente das mulheres, creio eu. Neste post compartilho o custo de uma viagem para a Toscana, tendo como referência minhas idas para lá. Como muitas despesas variam de acordo com o cofrinho do turista, você pode gastar muito menos ou muito mais do que os valores que eu apresento aqui.

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Roteiro de 1 dia em Verona

No post anterior, eu falei sobre a tarde de minha chegada a Verona quando basicamente visitei a Ponte Pietra e o Rio Ádige e a Piazza delle Erbe, então não deixe de ler. Neste post deixo o roteiro de Verona com as atrações principais: A Piazza Bra e a Arena, a Casa de Julieta, o Castelvecchio, entre outros.

A parte histórica de Verona é limitada pelas portas e muros e pelo rio Ádige e você vai encontrar placas sinalizando os principais pontos turísticos, então não tem como se perder. Quer dizer, até tem – e é sempre uma delícia, mas não tem como perder as “atrações” da cidade.

verona

Com o dia todo pela frente, começamos com um café da manhã na Piazza delle Erbe e fomos pegar no seio da Julieta. Caso você não saiba, há uma superstição de tocar o seio direito da estátua que fica abaixo do balcão onde teria vivido a Julieta de Shakespeare, para ter sorte no amor. Acredite ou não em superstições, faz parte da alegria de estar em um lugar especial.

estátua da Julieta em Verona

Devo dizer que a alegria acaba quando a gente passa pelo corredor que dá acesso ao pátio onde fica o balcão de Julieta: as paredes estão todas rabiscadas com nomes e recados. Quem, quem acha isso legal?

verona dicas

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Nem mesmo a placa que informa a proibição e aplicação de multa de €1.039 impõe respeito. Outra coisa: no muro atrás da estátua, vários chicletes são grudados na parede para segurar bilhetes escritos a Julieta. Na minha primeira vez em Verona achei tudo muito divertido e até li alguns bilhetes, mas desta vez tudo o que fiz vou mover a cabeça em reprovação e sair logo dali.

verona museus

A Casa de Julieta fica na Via Capello, 23. O acesso ao pátio onde está a estátua é gratuito, mas a Casa em si é um pequeno museu e ingressos são cobrados (€ 6 – ou € 7 se quiser ver a tumba de Julieta também). Ah, se você for a Munique, na Alemanha, há uma réplica da estátua na praça principal da cidade, a Marienplatz. Sem fila e sem chiclete. Mas não é Verona…

Deixo claro que a Casa de Julieta, assim como a de Romeu na Via Arche Scaligeri são invenções para turistas e não há registro de que as respectivas famílias rivais – Montague = Montecchio? e  Capello = Capuleto? – que nelas habitavam foram inspiradoras da obra de Shakespeare. É daquelas mentiras que piscam pra gente e a gente pisca de volta.

De lá caminhamos pela Via Mazzini e não resisti e entrei na Zara. Escrevo isso meio como um pedido de desculpas porque sempre me arrependo de gastar tempo em lojas quando viajo, ainda mais na Europa que tem tanto para se ver e aprender e se apaixonar. Mas se você não tem essa culpa, a Mazzini tem ótimas lojas de rede internacional.

a Via Mazzini
a Via Mazzini

A Bra é outra praça linda de Verona e onde fica a Arena de Verona, a terceira maior da Itália e assim como o Coliseu teve seus dias de gladiadores. Hoje você pode visitá-la e assistir a espetáculos de dança, concertos e às famosas óperas, que acontecem no verão, de junho a setembro. Em termos comparativos, ela é menor que o Coliseu, mas está em melhor estado de conservação. Para ver a programação e comprar ingressos, clique aqui. 

verona roteiro e dicas
A Arena vista da Piazza Bra
Arena de verona
Além dos concertos no verão, é possível visitar a arena

Além da Arena, na Piazza Bra você vai encontrar uma praça arborizada com uma estátua de Vittorio Emanuelle II – e se você estiver se perguntando porque há tantas estátuas e galerias e homenagens a ele, saiba que ele foi o responsável (ou levou as glórias) pela unificação do país e o proclamou como Reino da Itália, sendo conhecido como o Pai da Pátria. E isso é tão recente que chega a assustar, se pensarmos como a Itália é antiga: esse reinado durou de 1861 a 1946!

Vitor ou Vittorio
Vitor ou Vittorio

A prefeitura de Verona fica ali na Bra, no Palazzo Barbieri, do século 19. Na foto abaixo, só aparece um pedacinho do edifício que fica ao lado direito da Arena, mas na seguinte, que tirei da Torre del Lamberti, dá pra vê-lo melhor.

prefeitura de verona

Verona vista do alto

À esquerda da Arena, vemos casas coloridas em tons terrosos e em suas calçadas vários restaurantes.

Verona itinerário

Eu me lembro do impacto que o muro e a arena causaram em mim na primeira visita a Verona, assim como o Portoni della Bra e seu relógio. Ainda acho o conjunto maravilhoso, mas a sensação da primeira vez é única.

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Deixamos a Piazza Bra caminhando pela Via Roma. Logo na esquina fica o Museu Lapidário Maffeiano, mas só visitamos o pátio porque 1. é gratuito; 2. eu acho que não iria gostar muito do acervo que, como sugere o nome, é formado por lápides e urnas gregas e romanas. 3. o tempo urge!

O Museu na esquina da Bra com a via Roma
O Museu na esquina da Bra com a via Roma

verona card

No final da Via Roma fica o Castelvecchio, construído no século 14 para fins militares. O acesso ao pátio (corte d’Armi) é gratuito e ao museu (€ 6) apenas para quem tem o VeronaCard. Para mais informações, clique aqui.

verona lugares para conhecer
Fachada do Castelvecchio e entrada na torre à direita
verona castelvecchio
A entrada, por uma ponte levadiça

A placa da entrada menciona Carlo Scarpa, que restaurou nos anos 1960 o castelo e peças para o acervo do museu, como estátuas, pinturas, cerâmica e outros objetos veroneses do século 14 ao 18.

Castelo em verona
Torre dell’Orologio ao fundo, que foi reconstruída entre 1923 e 1925

Li em algum lugar que a torre do castelo voltada para o Ádige era bem maior do que vemos hoje e que chegava até o Arco dei Gavi. Esse arco romano do século I DC foi totalmente demolido enquanto Napoleão dominava a Itália (eita baixinho fdp!) e foi reconstruído nos anos de Mussolini na praça ao lado do castelo. Sua localização original era na Rua Cavour, à frente da torre do relógio do castelo, onde ainda se vêem as marcas de sua base, olha que legal!

portas e arcos de Verona
Arco dei Gavi

Atrás do arco, outro ponto bonito para ver o Rio Ádige (no post anterior você encontrará várias fotos do ponto mais bonito do rio, na ponte Pietra). Se tiver tempo, atravesse a ponte Scaligero (ou ponte do Castelvecchio) que só foi aberta ao público em 1870. Eu não fui, mas você tem que ir e me contar o que achou! Esta ponte também foi bombardeada durante a Segunda Guerra Mundial e reconstruída entre 1949 e 1951. Fico aqui pensando como a Europa conseguiu se reconstruir tantas vezes e penso em nossas casas históricas da baixa Salvador e do centro de Santos, mais novas e tão abandonadas…  

Nós, atrás do Arco dei Gavi
Nós, atrás do Arco dei Gavi e a ponte ao fundo

A Corso Cavour é bem menos muvucada e ótima para caminhar, embora não seja uma rua de pedestres, e no final dela fica a Porta Borsari

porta borsari Verona

Seguindo na mesma rua, que muda de nome e passa a ser Corso Porta Borsari, saímos novamente na Piazza delle Erbe. Minha amiga foi fazer compras e eu fui explorar a Piazza dei Signori, que tem em seu centro outra estátua que encontramos em várias cidades italianas: Dante Aleghieri, o pai da língua italiana, além de autor da Divina Comédia, o Camões deles, se é possível comparar. A praça é mais tranquila que as outras e passei algum tempo sem fazer nada, só observando o vai e vem de pessoas, as fachadas das casas e seus detalhes, assim como Dante.

verona dicas de viagem
Cadê você, Beatriz?

Roteiro de 1 dia em Verona

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Dante nada diz, a tudo observa…

Verona museus

Ali na praça fica a entrada para o Palazzo del Mercato Vecchio/Palazzo della Ragione, que dá acesso à Torre de Lamberti, a mais alta construção de Verona, com 84 metros. Começou a ser erguida no século 12 e sofreu várias intervenções, como se pode ver pela diferença de materiais, como tijolos e tufo alternados em camadas, quando tinha apenas 37 mestros de altura. Apenas no século 15 foi adicionada a parte em tijolos e mármore branco como vemos hoje. O relógio que fica na face voltada para a Piazza delle Erbe, foi acrescentado somente em 1779.

A Torre de Lamberti

Para chegar ao topo, você pode subir os 368 degraus ou pegar o elevador que chega até o ponto acima do relógio, restando outros 125 degraus para chegar até  o campanário, onde há dois sinos de diferentes tamanhos (4, segundo o site deles). O menor marcava as horas e também era acionado em caso de incêndios. O maior tocava o terror: chamava a população para pegar as armas em tempos de guerra.

Torre e sinos de Verona

Mais uma vez me entristeceu ver que Enza e Roberto e tantos outros deixaram sua marca ali. Sério, viajamos para que os lugares nos deixem marcas, não o contrário. Che vergogna!!

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No alto da torre tinha rabisco. Tinha rabisco no alto da torre.

A entrada para a Torre pode ser comprada na bilheteria do Palazzo del Mercato Vecchio/Palazzo della Ragione por € 8 e dá acesso ao elevador – isso é muito importante 😛 e à Galleria d’Arte Moderna Acihlle Forti. Se você tiver o Verona Card, ambos são gratuitos. Caso você não saiba, as cidades turísticas da Europa e América do Norte comercializam cartões que dão acesso gratuito ou com descontos para atrações ou transporte. Em Verona você pode comprar o com validade de 24 ou 48 horas (€ 18 ou € 22) no Centro de Informações Turísticas, na Piazza Bra ao lado da Prefeitura.

A Piazza delle Erbe vista da Torre
A Piazza delle Erbe vista da Torre

O acervo de arte (pinturas e esculturas) do museu pode ser visitado rapidamente. Não tenho fotos pois não são permitidas e isso causa um impacto enorme na minha memória, ou seja, não lembro de quase nada, agora meses depois. Além da capela ricamente decorada o acervo não me impressionou muito e a nota que fiz de uma artista de que gostei desapareceu entre minha papelada de viagem. As instalações do museu são modernas, com santo ar condicionado e há guarda volumes e banheiros bem equipados.

Saindo do museu meu estômago resmungou e comi uma deliciosa bruschetta (por que essas coisinhas são tão deliciosas na Itália?) na Via delle Fogge, uma simpática rua de pedestres recheada de mesinhas que sai da Piazza dei Signori. Se seu estômago não chiar, seguindo à direita na praça, na saída do museu, você encontra um monumento gótico, o Túmulo dos Scaligeri e pode ainda se perder pelas ruelas até sair no Duomo ou no rio Ádige.

brischetta, come ti amo!

As atrações deste e do post anterior não são as únicas de Verona, mas são as principais. Se você tiver um dia vai conseguir ver tudo, mas se puder, por que não ficar mais?

Acesse a página índice da Itália para ler tudo o que já publiquei sobre o país de meus antepassados.

meus pés em Verona

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O que Fazer em Verona além de apaixonar-se

Ah, uma segunda vez em Verona vai dar conta. Não deu. Muita gente vai dizer que um dia é suficiente em Verona e talvez para muitos seja, mesmo, mas eles não se apaixonarão/am, então de que vale a visita? Neste post falo sobre as atrações da tarde em que cheguei e no próximo dou o roteiro de 1 dia pelos pontos principais da cidade.

Cheguei a Verona de trem vindo de Trento (€17) com minha colega de viagem, esta a última cidade do rolê de 10 dias pela Itália (Toscana e Dolomitas). O taxi (€12) nos deixou no B&B Alle Erbe (€89), a passos da Piazza delle Erbe, cujo prédio fica em frente à Loggia del Mangano (leia mais abaixo), na Corte Sgarzerie. Como tocamos a campainha e ninguém nos atendeu, pois já havia passado a hora do check in, recorri a duas jovens que conversavam animadamente sentadas na mureta da loggia. Acabei descobrindo que uma delas era filha de uma brasileira (estamos por todo o mundo!). Solícitas, elas ligaram para o telefone de contato do B&B e em italiano explicaram que estávamos ali, prontinhas para entrar em nosso quarto. Eles forneceram a senha eletrônica para acessar o prédio e deu tudo certo.

sítio arqueológico em Verona
Loggia del Mangano

Nesta pequena praça, no número 8,  fica a entrada para o sítio arqueológico Corte Sgarzerie, cujas escavações começaram em 1983 e continuaram até 2011. Foram encontradas estruturas de edifícios públicos e de um templo romano dedicado a Juno, Minerva e Júpiter, usado até o século 4, quando foi abandonado devido à massificação do Cristianismo. A forma que possui hoje é medieval e passou por várias construções, tendo sido restaurada recentemente. Encontre mais informações aqui. 

Depois de ter explorado a simpática Trento naquele mesmo dia, e apesar do cansaço, saí para fotografar o rio Ádige (de novo, pois ele também banha Trento) e a ponte Pietra. Aqui ele é bem mais bonito do que em Trento, especialmente nos arredores da Pietra porque a colina em frente com seus ciprestes e edifícios centenários fazem um belo pano de fundo. Verona o que fazer

quantos dias em Veroa

A Pietra é um dos monumentos mais importantes da cidade por seu valor histórico. A primeira ponte construída ali, em madeira, data de 89 AC. Ao longo dos séculos, há registros de quedas e destruição da ponte, seja em madeira, seja em pedra. A ponte que se vê hoje foi reconstruída em 1959, após ter sido explodida em 1945 pelo exército alemão em retirada. Foram utilizadas pedras originais caídas no rio, mas faltavam muitas, então a completaram com tijolos de demolição de edifícios medievais.

A ponteà época da reconstrução
A ponte à época da reconstrução
noite em Verona
Do outro lado do rio, alla sinistra, a Igreja San Giorgio in Braida
Alla destra, o Teatr romano
Alla destra, o Teatro romano

Da Ponte, não é possível ver o teatro Romano, apenas a enorme placa verde que aponta sua localização, como mostra a foto acima. Do Teatro Romano original, construído no século 1 AC, restam apenas os degraus e trechos do muro, mas há espetáculos regulares ainda hoje. Se quiser assistir a um, este site vende ingressos.

O Teatro Romano. Foto de Wikipedia
O Teatro Romano. Foto de Wikipedia

Pena que não tive tempo para perambular pelas ruas do outro lado do rio. Minha amiga me esperava para jantarmos – e estava ficando muito ermo por ali e como boa paulistana…

dicas de Verona

turismo em Verona
sempre encantadoras ruelas italianas
No alto da Colina, o Santuário Na. Sra. de Lourdes observa Verona
No alto da Colina, o Santuário Na. Sra. de Lourdes observa Verona
bikes para empréstimo, do outro lado da ponte Pietra
bikes para empréstimo, do outro lado da ponte Pietra

De volta ao centrinho, fiz algumas fotos na Piazza delle Erbe, que em vez do mercado de outros tempos abriga barraquinhas de produtos verochineses. Essas barraquinhas são ótima opção para comprar suvenires como ímãs, chaveiros, chapéus, camisetas, biju, uma variedade enorme a preços baixos. Por outro lado, elas poluem a praça visualmente e não têm a autenticidade de feirinhas de antiguidade de outras praças na Europa. Na minha opinião, um mercado de frutas, legumes e flores deveria ser mantido ali, quem mais apoia a causa? Se puder, deixe para fotografar a praça no final do dia, quando há menos gente e dá para fotografar e apreciar os muitos monumentos, fontes, terraços, janelas e afrescos das fachadas.

piazza delle erbe verona
A Piazza delle Erbe de dia
verona
e à noitinha


Da imagem acima, podemos falar de dois pontos importantes da praça: a fonte e as Casas Mazantti. A Fonte “Madonna Verona“, tem em sua estátua o elemento mais antigo da praça, datada do século 4, mas a fonte é do século 14. Encantada com tudo, nem percebi que minha filha imitou a cena de La Dolce Vita e se refrescou na fonte, em minha primeira visita a Verona!

Ju se refresca na base da fonte
Ju se refresca na base da fonte

As Casas Mazzanti são um conjunto de casas com afrescos remanescentes do período em que esse elemento era tão comum em Verona que os visitantes a apelidaram de urbs picta (cidade pintada). Pertenceram a várias famílias poderosas, como os Scala (séculos 13 a 16) e os Gonzaga, que vendeu à família Mazzanti em 1527.

verona fonte madonna veronaE se você já esteve em Veneza, deve se lembrar da coluna com leão alado que fica na Praça de São Marcos. Símbolo do poder veneziano, Verona ganhou um leão em 1523, abatido por jacobinos que retomaram o poder em 1797 e recolocado numa grande festa em 25 de abril de 1886, dia de São Marcos. Ainda olhando a foto abaixo, vê-se atrás da coluna de São Marcos o Palazzo Maffei, de 1668, ques ostenta 6 estátuas de divindades pagãs: Éroles, Júpiter, Vênus, Mercúrio, Apolo e Minerva.

verona dicas de viagem
A fonte que aparece na imagem abaixo é anexa à Tribuna ou Berlinda (eu não fotografei a dita, porque não sabia de sua relevância histórica, veja só!), uma espécie de gazebo de pedra onde na Idade Média os ‘prefeitos’ da cidade deveriam prestar seus votos a serviço de Verona. Também servia de padrão para medidas, utilizado pelos comerciantes locais.  Quanto à fonte, meu italiano não permitiu entender direito, mas na Idade Média quem blasfemasse contra Deus ou Virgem Maria era mergulhado uma quantidade x de vezes -e isso se fosse inverno, porque no verão a pena era outra.

verona

Outro monumento da praça é um pouco mais recente e homenageia os mortos no bombardeio da Primeira Guerra Mundial.

The Austrian air-raid on Verona, death and destruction by bomb in the Piazza delle Erbe

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Saber o significado e um pouquinho da historia dos elementos da cidade traz um novo olhar para o turista, mas outros sentidos precisam ser atendidos, como o paladar. Escolhemos uma mesa ao ar livre no Caffe Dante, na praça ali pertinho, a dei Signori, a respeito da qual falarei no próximo post sobre Verona. Já ouvi muito brasileiro dizer que a pizza boa é a brasileira e não a italiana. Bem, gosto é gosto…

verona

O serviço foi um pouco lento porque os atendentes estavam assistindo a uma partida de futebol da Eurocopa, Itália e Bélgica. Como boa brasileira, entendi. Deu Itália (2 X 0) e deu pizza. Todo mundo ficou feliz.

No próximo post, descrevo o roteiro de um dia inteiro em Verona, com mapinha e tudo!

Acesse a página índice da Itália para ler tudo o que já publiquei (e publicarei) sobre o país de meus antepassados.

verona piazza delle erbe

Conexão longa em Lisboa

Vez ou outra publico na página do FB mensagens engraçadas, do tipo: “Você trabalha com que? Trabalho com vontade de viajar” ou “Dinheiro não traz felicidade, mas te leva pra sofrer em Praga”, (Se você também se identifica com elas, compilei várias neste post). Também vejo vários comentários de blogueiros dizendo que mal retornamos de uma viagem já estamos pensando na próxima. Eu estava de volta a SP, onde moro, há apenas 20 dias, já com nova viagem dali a 60 dias e não resisti a uma promoção da TAP, comprando um voo para Milão datado 11 meses adiante, sem saber exatamente para onde iria, seguindo a lógica de que estando no Norte da Itália muitos lugares podem ser alcançados de trem.Lisboa

Acontece que tinha uma Lisboa no caminho. No caminho, tinha uma Lisboa, cidade que eu ainda não conhecia, e então escolhi o voo com a conexão diurna mais longa, para dar uma voltinha em solo lusitano.

De 2014 para trás eu costumava escolher voos diretos, mas nas últimas viagens tenho aproveitado conexões longas para conhecer ou revisitar uma cidade. Você não paga nada a mais por isso, só chega a seu destino um pouco mais tarde, mas para mim é um bônus que vale muito a pena. Eu já escrevi dicas para aproveitar conexões longas em Roteiro de 4 Horas em Munique e também já falei sobre Conexão em Buenos Aires. O termo conexão longa é muito relativo, pois dependendo da cidade você pode ter apenas 5 horas de conexão e ainda assim conseguir fazer algo, ao passo que 10 horas em Nova Iorque, por exemplo, podem não ser suficientes para ir à cidade, por causa das longas filas na imigração e do trânsito. Então pesquise em blogs e fóruns de viagem antes de comprar sua passagem. Também tem o stopover, quando você pode passar uma ou duas noites na cidade de conexão sem custo extra no bilhete. Isso é muito bom, não? ainda não fiz, porque sempre disponho de pouco tempo e dou preferência para o lugar que realmente quero conhecer…

E agora compartilho o meu roteiro de algumas horas em Lisboa dentro das 10 de intervalo entre voos, além de dicas.

O aeroporto
O aeroporto

Como Chegar do Aeroporto ao Centro de Lisboa
O aeroporto fica dentro da cidade, a 7 km do centro, o que rende pontos positivos para aproveitar a conexão e há duas opções de transporte público: metrô ou ônibus.

O metrô que serve o aeroporto é da linha vermelha e dependendo do seu destino será preciso fazer conexão para outra linha, mas leva cerca de 45 minutos para estar nos pontos turísticos.

Eu preferi pegar o Aerobus, que fica logo na saída do desembarque, e acho que levou tempo similar ao metrô, não me preocupei em marcar o tempo, pois fui sentindo a cidade da janela como quem come um lanche de fast food, porque não teria muito tempo para saborear suas delícias. Ao pé da letra, rolou bacalhau e pastel de clara, claro.

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Os preços você pode ver na foto acima. Eu comprei o bilhete ida e volta, mas me arrependi porque fiquei bem uns 25 minutos esperando no ponto do Rossio para voltar ao aeroporto. Parece bobagem, mas no final de uma viagem-maratona de 10 dias onde passei praticamente uma noite em cada cidade, você não tem muito pique para aproveitar a conexão, então se possível faça isso no voo de chegada, quando você está cheia de gás e entusiasmo.

Tinha sido uma viagem intensa, em duas regiões muito diferentes e que me tomaram bastante tempo para planejar: Toscana e Alpes, além de cidades como Veneza, Verona e Trento. Pobre Lisboa, só lhe sobrou uma lista de lugares para conhecer, sem qualquer indicação de restaurante ou como se locomover. Mas deve ser assim que muita gente viaja, blogueiro é que quer esmiuçar tudo e já conhecer antes de estar lá! Mas agora, escrevendo este post, percebo o quanto perdi – e o quanto aprendi depois da visita. Tá valendo, né?

Vi pela janela praças e grandes alamedas arborizadas e calçadas com pedras ‘portuguesas’ fazendo mosaicos em arabescos. Vi casas lindas que provavelmente pertenceram a famílias abastadas de outras épocas, mas que hoje precisam de restauro. Diferente de outras capitais europeías, o novo e o antigo se misturam, mas da janelinha do ônibus não consegui descobrir se isso foi bom ou ruim para Lisboa.

Saltamos do ônibus no Rossio, a região da Lisboa planejada pós-terremoto de 1775, e fomos direto para um restaurante com mesas na calçada na Praça D. Pedro IV/Rossio, onde fiquei observando as semelhanças nas feições dos portugueses com os brasileiros. Mas depois vi que eram tantos brasileiros em Lisboa que achei o jogo uma perda de tempo. Identidade maior encontrei no calçamento de pedras – portuguesas, ora pois – estilo Copacabana ali na praça do Rossio.

A Praça do Rossio vista do Elevador
A Praça do Rossio vista do Elevador

Disclaimer: 1. Lisboa nunca esteve em minha lista de cidades para conhecer, por isso uma conexão veio a calhar. 2. embora só tenha passado algumas horas na cidade, também passei poucas horas em tantas outras cidades da Europa, então acredito que caiba a comparação, sim. 3. aqui no blog você vai encontrar sinceridade quanto a tudo o que visito e faço, sem intenção de ofender ninguém. Se você é apaixonado por Lisboa, desculpe, eu não sou.

Bem, dito isto, continuo meu relato. Depois do almoço sem pressa, caminhamos pela Rua do Carmo, que tem lojas locais e de redes como H&M e Zara, em direção ao Elevador Santa Justa. E aí começou meu estranhamento, quer dizer, a confirmação de minhas suspeitas sobre Lisboa. Não havia uma bilheteria para comprar ingressos, apenas uma placa informando preços e horários. O acesso ao elevador tinha as paredes descascadas e sujas e mais lembrava um corredor de penitenciária do que de uma atração turística e histórica. Veja com seus olhos:

Acesso ao Elevador
Acesso ao Elevador

Uma fila formada na calçada indicava que era só esperar, eu achei. Então apareceu a funcionária e a fila andou e descobri que era só pagar para ela. A funcionária recebe o dinheiro, dá o troco, orienta os turistas, destranca a porta para o elevador, coloca todos pra dentro, tranca a porta e opera o elevador e tudo isso significa filas e espera maiores…atrações em Lisboa

O Tejo visto do Elevador
O Tejo visto do Elevador

Lisboa o que fazer em conexão

O elevador foi inaugurado no início do século 2o. Construído em ferro todo trabalhado, é uma bela obra e a vista que se tem é melhor ainda! Vê-se as camadas de verde do rio Tejo, o Castelo de São Jorge, o Rossio e a Igreja do Convento do Carmo, que fica no mesmo nível do alto do elevador.  Nós não fomos e me arrependi, mas vale aproveitar a proximidade e visitar o Convento, que marca o terrível terremoto de 1755 que destruiu quase toda a cidade. Os arcos da igreja não sustentam o teto, mas são molduras para o céu, ótimo para fotos!

As ruínas da Igreja do Convento
As ruínas da Igreja do Convento. Foto de Bert K.

Convento Igreja Lisboa

Caminhamos em direção à Praça do Comércio, que estava parcialmente “interditada” com uma grande área cercada com telão para assistir aos jogos da Eurocopa 2016. A praça é uma das maiores da Europa e sediava o palácio real até que o terremoto levou tudo ao chão. O Arco da Rua Augusta que fica ali, todos os edifícios, assim como a estátua de D. José I, foram construídos depois do terremoto e subsequentes tsunami  e incêncios (era dia de todos os santos e velas acesas não faltavam, o que agravou o quadro), junto com toda a reurbanização de Lisboa no projeto do Marquês de Pombal, com rede de esgoto, ruas largas e quarteirões paralelos. No Museu de Lisboa, que fica ali na praça, você pode aprender mais sobre como era a cidade antes do terremoto histórico e devastador. Assisti a um vídeo no Youtube sobre o terremoto de Lisboa bem educativo e divertido onde soube que a reconstrução só começou 3 anos depois do acontecimento e deu origem a barracos de madeira – olha a favela aí, gente! O Brasil foi o grande financiador da reconstrução – Olha o nosso ouro aí, gente!Lisboa Arco da Augusta

conexão em Lisboa
O Arco do Triunfo lusitano

Hoje, ministérios e outros edifícios governamentais ladeiam a praça com vista para o Tejo e dá pra imaginar as grandes embarcações aportando ali nos séculos passados. À direita do arco, fica o bar mais antigo da cidade e que era frequentado por Fernando Pessoa, o Martinho da Arcada.

Dali tomamos o bonde 28, bonde de linha mas que passa por vários pontos turísticos de Lisboa – e estava completamente lotado! O ingresso você paga para o próprio condutor. O ideal é pegá-no ponto final, na Praça Martin Moniz, mas é claro que eu não sabia disso… Aliás, minha ida a Lisboa foi a prova do quanto se perde se não se planeja.

Além do 28, há bondes turísticos da empresa Yellow Bus, que também oferecem passeios de barco e nos ônibus de dois andares. Preços a partir de € 19 (período de 24 horas) com acesso gratuito ao Elevador Santa Justa, Aerobus e bondes de linha.Lisboa conexão aeroporto

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Depois do Miradouro das Portas do Sol, o bonde esvaziou. Eu estava tão cansada que não tive energia para descer em nenhum ponto e finalmente sentei-me e pude observar as casas azulejadas da janelinha, desejando estar a pé – e com energia – para fotografar os lindos detalhes das luminárias, janelas e fachadas.untitled-53-copia

Quando o bonde chegou ao ponto final, não tínhamos a menor ideia de onde estávamos e depois de nos informarmos, soubemos que estávamos perto do Rossio, de novo! Caminhamos até a Praça da Figueira para comer pastel de clara na tradicional Confeitaria Nacional.

A Confeitaria Nacional
A Confeitaria Nacional

Depois disso, minha amiga foi pra seu hotel e eu vaguei pelas ruas, entrando nas lojinhas de suvenires (baratíssimos perto dos preços de outras cidades europeias), mas o cansaço venceu e fui pro aeroporto. Minha eurotrip 2016 chegava ao fim e deixei Lisboa com a certeza de que preciso aproveitar outra conexão para conhecê-la melhor.

Nas pegadas de Harry Potter

Não sou grande fã da série Harry Potter, mas li o primeiro livro no original, pensando em inspirar minha filha. Não chega a ter sido um sacrifício, sempre me interessei por historias de bruxas, magos e feitiços e tinha esperança que ela também se entusiasmasse com este mundo… uh… mágico, mas não rolou. Gostei da narrativa e dos personagens e confesso que precisaria ler os demais para poder dizer se gosto ou não da série. Só posso dizer que gosto do primeiro livro, do primeiro filme e que me diverti horrores em Orlando, no Islands of Adventure, onde foi montado o The Wizzarding World of Harry Potter (ainda não voltei a Orlando depois da inauguração de outra atração dos bruxinhos no parque ao lado, o Universal Studios, mas escrevi a respeito neste post). De qualquer forma, J.K. Rowling tem o mérito de levar aos livros uma geração de crianças e adolescentes habituada a passar horas em frente a computadores. E este não é um feito pequeno!

O Hogwarts Express em Hogsmeade, quer dizer, na Universal em Orlando
O Hogwarts Express em Hogsmeade, quer dizer, na Universal em Orlando

Onde encontrar traços – fictícios ou reais – que serviram de inspiração ou que foram inspirados nesses bruxinhos? Reuni neste post a resposta para esta pergunta organizada por países ou regiões. O que, você não é fã da série? E daí?, os lugares são lindos e a farra é garantida mesmo para quem não curte muito.

Estados Unidos

Além dos parques da Universal Studios em Orlando e Los Angeles, que têm uma área inteira de atrações, lojas e restaurantes inspirados nos parques:

Hollywood Boulevard, Los Angeles, Califórnia
A estrela do ator principal da série fica pertinho do Chinese Theater, onde você também encontra a impressão de pés e mãos da garotada.

Os bruxinhos mais legais ever
As marcas dos bruxinhos mais legais ever

Walk of Fame Hollywood Harry Potter

Ainda em Hollywood, desta vez nos Estúdios da Warner, que embora não seja um parque de diversões como a Universal tem um tour de domingo a domingo pelos estúdios onde a coisa real acontece e uma exposição com objetos e vestuário do filme (leia post sobre minha visita

A que Casa você pertence?
A que Casa você pertence?
Harry Potter fans
Entendedores entenderão!

Warner Studios Tour Harry Potter

Inglaterra: Londres

Kings Cross Station – Para chegar a Hogwarts, os bruxinhos precisam tomar o trem na plataforma 9 3/4 e a estação Kings Cross tem até um carrinho, quer dizer, meio carrinho, pois a outra metade está “dentro da parede”. Quem é fã vai e tira a foto empurrando o carrinho sonhando entrar na historia.

Vai a Hogwarts?
Vai a Hogwarts?

Millennium Bridge – Em uma visita a Londres é bem provável que você atravesse esta ponte, mas se você for fã, saberá que foi locação para o sexto filme da série.

Piccadilly Circus – Cena do filme Deathly Hallows foi feita numa das áreas mais movimentadas de Londres, a Broadway deles. Veja no YouTube como foi a filmagem.

Warner Brothers Studio Tour – Não fui ao Tour em Londres, mas me parece que lá é mais recheado de atividades para Potter’s fans do que em Los Angeles. Mais informações no site da Warner.

Regent’s Park, London Zoo’s Reptile House, onde Harry apronta com o primo, percebendo que seus poderes estão aumentando.

E ícones londrinos apareceram em A Ordem da Fênix, como o rio ThamesTower Bridge, London Eye, Big Ben, e Palácio de Buckingham.  

Inglaterra: Seaford
Ao Sul de Londres, num bate-volta de 2 horinhas de trem, os fãs podem ficar cara a cara com o penhasco onde as jogadores de Quadribol aterrisaram. E é um lugar muito bonito mesmo para quem não é fã: Seven Sisters Country Park.

Seven Sisters
Seven Sisters

Inglaterra: Northumberland
Como sugere o nome,o condado de Northumberland fica no Norte 
da Inglaterra e lá você encontra o Alnwick Castle, onde aconteceram as cenas de voo em vassoura do primeiro filme e onde Ron e Harry bateram o Ford voador. 

Vai uma partida de Quadribol
Vai uma partida de Quadribol?

Inglaterra: Oxford
A Universidade de Oxford foi usada em várias cenas e o edifício 
belíssimo do século XV, a Divinity School, foi usado como locação para a Hogwarts Infirmary. Neste vídeo você consegue ver bem as grandes janelas, mas não o trabalho delicado e preciso do teto. 

As cenas do refeitório (The Great Hall) também foram rodadas em Oxford, no Hall do Christ Church College, e a escadaria também – mas elas não se movem, claro!

harry potter

O Hall original, em Oxford
O Hall original, em Oxford


Escócia
Pegue o trem Maria-fumaça da West Coast Railways, The Jacobite, mas você não chegará a Hogwarts porque é um trouxa!  😄

harry potter hogwarts

Irlanda
Cliffs of Moher são uma das principais atrações turísticas irlandesas e apareceram no filme Harry Potter e o Príncipe Mestiço.

harru potter irlanda
Cena tempestuosa do filme, mas ouvi dizer que o clima não é agradável, mesmo no verão

 

Atualização: Quer se hospedar no mundo dos bruxinhos? O B&B Geogian House tem quartos decorados ricamente com o tema, dá uma olhada:

 

E você, lembra de mais alguma referência à série? Deixa aí nos comentários.

Museu D’Orsay faz 30 anos. Sua historia como estação de trem e museu

Museus de Paris

Difícil acreditar que já passou pela cabeça dos franceses demolir a estação ferroviária que hoje é a linda casa do Museu D’Orsay. Um projeto de hotel chegou a ser apresentado nos anos 1970, mas o bom senso prevaleceu (infelizmente não aconteceu o mesmo com a Torre de Monte Parnasse, que destoa não apenas na arquitetura, mas principalmente na altura) e o edifício de linhas retas e modernas não saiu do papel. Em vez disso, decidiu-se restaurar a estação e adaptá-la a um museu para receber pinturas e esculturas do período artisticamente fértil de 1848 a 1914.

estação de trem Orsay Paris

A História do d’Orsay
Assim como a Torre Eiffel, construída em 1889 para a Exposição Universal, a estação de trem também foi construída para receber visitantes da Exposição de 1900 provenientes das linhas a sudoeste de Paris. O projeto ficou sob responsabilidade do arquiteto Victor Laloux. Se você já viajou de trem, deve ter reparado que as estações são cobertas, mas têm aberturas para que a fumaça das então locomotivas a vapor fosse expelida. Com a modernização dos trens e o fim dessas locomotivas foi possível conceber uma estação de teto envidraçado, sem aberturas, e com detalhes decorativos como as rosáceas do teto, que hoje servem como saída de ar condicionado. Além da estação, projetou-se um hotel de luxo cujo restaurante ainda pode ser visitado.

Museu impressionista Paris
Sala que pertencia ao Hotel anexo à estação ainda pode ser visitada

O século XX foi de rápidos avanços tecnológicos e a estação logo se tornou obsoleta, pois os trens estavam cada vez mais longos, e as plataformas da Estação Orsay curtas demais para recebê-los, servindo apenas para trens provenientes do interior, apenas 39 anos depois de sua inauguração.

A estação acabou tendo outros usos, como centro de recolhimento de prisioneiros e deportados após o final da Segunda Guerra Mundial.  espaço para tenda de circo e até estacionamento de veículos.

No início dos anos 70 tornou-se Monumento Histórico, ou seja, protegido, e seu uso passou a ser mais cultural, abrigando a tenda de circo da companhia de teatro Renaud/Barrault. Em 1978 é organizado o concurso de arquitetura e em 1986 o Presidente da República, François Mitterrand inaugura o Museu D’Orsay.

Entre 2009 e 2011, o Orsay passa por nova modernização envolvendo a cor das paredes, a distribuição e organização das obras e a iluminação. Em 2011, o Brasil é representado pelos irmãos Campana, que tiveram o privilégio de decorar o café do Museu. Eu ainda não conheci o novo café, mas pela foto ficou lindo, embora o relógio pareça ter perdido o destaque, que na minha opinião era o charme do café. Em 2013 as salas do térreo é que passaram por uma repaginada.

Café irmãos Campana
O café-de-lhorloge inaugurado em 2011

 

O café em 2009
O café em 2009, quando visitei

Hoje o D’Orsay recebe milhões de visitantes de todo o mundo. Nem que não fosse um museu, a beleza de sua arquitetura já valeria uma visita. Ah, esqueci de dizer que embora a estrutura seja toda em metal, as fachadas recebem pedras para não destoar da arquitetura dos vizinhos, como o Louvre, do outro lado do rio Sena.

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Vazio assim, só mesmo em feriado nacional

Museu D'Orsey
Agora te desafio a procurar nos relógios do Orsay algo diferente, que eu só notei quando carreguei as fotos para este post! dica: está nos algarismos romanos.

Museu D'Orsay

Sei que todo mundo que vai a Paris pela primeira vez e escolhe apenas um museu para visitar acaba elegendo o Louvre e isso é compreensível. Eu fiz questão de conhecer também o d’Orsay e ainda gosto mais dele do que dos outros museus que visitei em Paris e tenho certeza que sua arquitetura tem muito a ver com isso.

 

 

Funes? Nas Montanhas Dolomitas!

Este post faz parte de uma série sobre a viagem ao Norte da Itália, mais especificamente nas Montanhas Dolomitas, nos Alpes. Aqui eu conto sobre Funes e a experiência de hospedagem por lá e desafio você a dizer se já ouviu alguma vez falar nesse lugar! Relaxe, eu também nunca tinha ouvido falar, mas leia como a desconhecida Funes entrou no meu roteiro:

O cenário encantado das Dolomitas, em Funes

Dolomitas: um sonho realizado
Esse sonho não é meu, tomei emprestado! Durante o planejamento de minha viagem às Dolomitas eu li vários posts, a maioria em Inglês, pois os blogs brasileiros que encontrei a respeito, além de escassos, traziam poucas informações práticas. Entretanto, de um deles eu gostei por causa da historia: a viajante havia visto uma imagem das Dolomitas no Google, mas não sabia onde ficava especificamente aquela igrejinha no vale verde emoldurado por picos de agulha ainda nevados. Até que um dia seu marido traz a informação de que se tratava de Funes, onde eles registram a própria foto no mesmo ponto da imagem típica de calendário. E Funes entrou na minha rota, também, e passei uma noite numa pousadinha ali pertinho da Igrejinha em Santa Madalena, da foto acima. Se você quiser ler a historia e ver o roteiro deles, clique aqui. 

Como tomei o sonho emprestado, achei que o céu azul viesse junto, sqn! Funes foi a parada final de nosso segundo dia nas Dolomitas, quando dirigimos desde o Lago Misurina sob chuva e frio de final de primavera. Frustrante, até, pois não conseguimos fazer muitas paradas por causa da chuva e deixamos de subir por teleférico a alguns passos com vistas espetaculares em dias claros. Leia sobre este segundo dia nas Dolomitas em roteiro de 3 dias nas Dolomitas e sobre o primeiro em Cortina d’Ampezzo num bate volta de Veneza. Outros posts sobre esta viagem têm os links no final desta publicação.

E tinha sido assim o dia todo...
Sass Rigais quando chegamos

Apesar da curta distância entre Lago Misurina e Funes – cerca de 130 km com alguns desvios, uns voluntários, outros nem tanto (sim, erramos algumas entradas e nos perdemos feio), o cansaço por dirigir em estradas sempre sinuosas e estreitas e a chuva constante geraram uma tensão que só acabou quando deitei na cama e dormi.

 

Funes ou Villnoess tem apenas 80 quilômetros quadrados e vilarejos alpinos: San Pietro, Tiso, San Valentino, San Giacomo, Santa Madalena e Colle. E se você estiver achando o local a cara da Áustria ou da Suíça, tem razão: a região não pertencia à Itália até o final da Primeira Guerra Mundial e lá se fala, além do italiano, alemão e ladino.

Pension Sass Rigais
A pousada Sass Rigais fica numa rua sem saída, já dentro dos limites do Parco Naturale Puez Odle, tanto que é preciso passar pela guarita de estacionamento, mas só pela manhã consegui ver as montanhas e achei que apesar do sufoco pra chegar ali tinha valido a pena passar a noite num lugar tão especial.

Sass Rigais Funes bolzano
Mesas externas da pousada

Sass Rigais Funes

A pousada é administrada por uma família e tem 16 quartos simples com um lavatório e 4 banheiros compartilhados no corredor. Achei tudo muito limpo e organizado, principalmente os banheiros, que davam a impressão que eu estava dormindo na casa de uma tia: tapetinhos artesanais, cortina floral na janela, vasinho na pia… Sair do banheiro vestindo pijamas também dá essa impressão! 😄 O jantar estava incluso em nossa estadia e era típico italiano: uma entrada de salada e 2 pedaços de pizza (!), uma carne com ares gourmet (não aguentei comer) e uma sobremesa.

Sass Rigais, as montanhas no quintal da pousada
Da varandinha do quarto, eu vi o céu azul

O café da manhã era bem servido e a o restaurante tem janelinhas com cortinas (eles se cansam da vista?). O aquecedor central estava desligado porque era primavera (!), mas o edredom era tão quente e o isolamento térmico tão bem feito que não sentimos frio.

Janela do restaurante no Sass Rigais
Janela do restaurante no Sass Rigais

Difícil foi a comunicação com os funcionários, pois fora a proprietária, que falava inglês, os demais só falavam alemão. Mas nada que linguagem gestual não resolva, e fica tudo mais engraçado.

Como sempre acontece em regiões montanhosas, acordei cedo, fiz a foto (acima) dos meus pés com as montanhas ao fundo, peguei umas frutas secas e fui passear. As trilhas estão praticamente no quintal da pousada, mas como há muitos pinheiros, quase não se veem as montanhas. São bem sinalizadas e cuidadas e têm canaletas de madeira para escoamento da água, evitando erosão.

Sass Rigais Funes-17
indicação das trilhas

Sass Rigais Funes-11 Sass Rigais Funes-12

 

Sass Rigais Funes-16
a trilha é bem larga e bem cuidada

O passeio foi prazeroso. A luz do sol evaporava a umidade deixada pelo dia anterior e dava pra ver a fumacinha saindo dos gramados e cercas. Os trilheiros e bikers só começaram a chegar quando eu voltava para a pousada para o café da manhã. Depois disso, posamos para uma foto e seguimos para Alpe di Siussi, um lugar tão lindo que parece o paraíso na Terra – você tem que ler o post!

Quintal da Pension Sass Rigais
Quintal da Pension Sass Rigais

No caminho, paradinha para fotos em Santa Madalena, onde fica uma das capelinhas mais fotografadas das Dolomitas, a S. Giovanni:

A capela S. Giovanni, em Funes
A capela S. Giovanni, em Funes

sta magdalena-1

Vídeo feito por um drone da região de Val di Funes, publicado no YouTube. Lindo de ver!

Abaixo, mapa da rede de transporte coletivo que serve a região, caso voce esteja sem carro:

val-di-funes

Depois de Alpe di Siusi e de uma noite e um dia em Trento, cidade com vista para as Dolomitas, voltei com a certeza de que preciso ir de novo. Esta viagem teve mudanças de data e de objetivo e um dia espero conseguir cumprir a ideia original: ficar 10 dias só na região, sem carro, usando transporte público e os meios de elevação, dormir em refúgios, quartos compartilhados. Pois a sensação é que vi apenas o trailer de um filme longo e impactante.

Posts Relacionados às Dolomitas (clique sobre os títulos)

 

Lago Misurina e Refúgio Auronzo

A criança que habita em mim não via a hora de chegar ao Rifugio Auronzo. Ela estava agitada, ansiosa por estar em seu parque de diversões preferido: as montanhas. Há poucas horas havia visto os primeiros carneiros pastando tendo como pano de fundo Os Alpes. Tinha guiado por uma estradinha sinuosa entre Cortina d’Ampezzo e Lago Misurina, onde a criança fez meu corpo saltitar de alegria – e depois registrar um saltinho tímido numa foto. Minha filha adolescente morre de vergonha quando faço isso, mas não ligo, a criança é mais forte que o mico, e um dia minha filha cresce e volta a ser criança, permitindo-se saltitar na alegria.

dicas da Itália
eu, o hospital para crianças asmáticas e as montanhas Tre Cime di Lavaredo

Se sua criança também curte saltitar em destinos de montanha, você vai entender minha cara de felicidade no alto do Rifugio Auronzo quando assistir ao filminho não profissional-super-caseiro-de-quem-só-usava-Movie-Maker-pra-fazer-retrospectiva-de-aniversário – cujo link está no final deste post. Eu não conseguia parar de sorrir. É isso o que as viagens fazem com a gente, principalmente naqueles destinos onde a gente se encontra com nossa criança interior.

O Lago Misurina
A estrada que liga Cortina d’Ampezzo até Misurina é, como todas as outras das Dolomitas, sinuosa e com vistas lindas de paredões rochosos. Vaquinhas pastando completam a experiência sensorial – não olfativa, como você pode pensar, mas auditiva: seus sinos badalam a ao movimento de suas cabeças ao comer ou ao posar para as câmeras dos turistas. Quando a estrada fica plana e reta, é inevitável parar para fotografar as montanhas Tre Cime di Lavaredo que se vêem ao fundo, como na foto acima. O prédio amarelo é um hospital, maior referência italiana para crianças asmáticas, instalado 1.750 metros acima do nível do mar e entre montanhas, lugar perfeito para quem tem doenças respiratórias e fome de paisagens lindas, mas me pareceu um tanto quanto silencioso demais. Acho que eu deveria ter ouvido ao menos uma tosse quando passeei em seus jardins, mas nada…

O Hospital Infantil para Asmáticos
O Hospital Infantil para Asmáticos
Na trilha que circunda o lago
Na trilha que circunda o lago

O lago é pequeno, tem menos de 3 km e uma trilha fácil, plana e com bancos para descanso ou apreciação o circunda, podendo ser feita por crianças e idosos sem problema. Além das Tre Cime, outras montanhas compõem a paisagem do lago: Cristallino e Sorapis, então é fácil encontrar motivos para fotografar em sua visita ao Misurina. Em dias claros e sem vento, infelizmente não foi o caso, as montanhas se duplicam nas águas e nos dias de inverno o lago de apenas 5 metros de profundidade congela e vira uma pista de patinação, tendo inclusive sido local das competições de patinação de velocidade nas Olimpíadas de Inverno de 1956, que aconteceram em Cortina d’Ampezzo.

O Monte Sorapis
O Monte Sorapis
O Misurina congelado
O Misurina congelado
Teleférico para Rifugio Coll de Varda
Teleférico para Rifugio Col de Varda

Além de caminhar, relaxar, fotografar e admirar a paisagem, há um teleférico que chega ao Rifugio Col de Varda, a 2.106 metros de altitude, e que deve dar uma bela vista panorâmica do lago e das montanhas próximas, mas estava fechado  no dia em que estive lá.

Leia os outros posts sobre as Dolomitas, cujos links estão no final deste.

 Senta que lá vem historia
Misurina era, segundo a lenda e a Wikipedia, a neta (ou filha, de acordo com outra fonte) mimada de um amado e generoso rei, que se rendia a seus impulsivos caprichos. Um dia Misurina ouviu dizer que uma bruxa que vivia numa montanha próxima possuía uma espelho que permitia a seu dono ver tudo o que acontecia no mundo.  Misurina esperneou e fez tanta birra que o bondoso rei foi ter com a bruxa, que barganhou a troca transformando-o em uma montanha (a Sorapiss!) para sombrear sua horta de ervas. Ao descobrir o sacrifício de seu amado avô, Misurina chorou tanto que encheu um rio – ou um lago – de lágrimas. E o espelho? Ninguém me contou, mas acho que são as lágrimas depositadas no lago que refletem o mundo no Misurina.

misurina reflexo
O Sorapiss refletido nas águas do Misurina em foto que não é minha…

Eu escolhi ficar no Lago Misurina pela paisagem, embora a de Cortina d’Ampezzo também seja linda, mas me preocupava saber se haveria restaurantes abertos à noite para o jantar, já que estávamos fora de temporada se só há uns 10 edifícios ali no lago. Então fizemos umas comprinhas em Cortina: frutas, queijos, pães e vinho, mas há hotéis que servem também não hóspedes, descobri lá.

Bem, não me lembro que horas eram, mas devia ser perto das 15h quando fizemos o check in no Hotel Sorapiss rapidamente e voltamos ao nosso carrinho para subir ao Rifugio Auronzo.

Sobre aluguel de carro na Itália e dicas de direção por lá, leia Dirigindo na Itália 

Cai a noite no Lago Misurina
Cai a noite no Lago Misurina

Onde ficamos no Lago Misurina
Hotel Sorapiss é simples, mas aconchegante, com vista para o lago e com atendimento simpático e atencioso, motivo principal da minha indicação a você. Se quiser pesquisar outros hotéis no Lago Misurina, clique aqui.

Nossa casa no Lago Misurina
Nossa casa no Lago Misurina
Área social do Hotel Sorapiss
Área social do Hotel Sorapiss

A decoração está desatualizada, mas tanto o quarto quanto as áreas sociais eram bem aconchegantes e eu fiquei imaginando aquela sala com lareira no inverno, tudo branquinho através das janelas…

Primeiro registro da manhã, da janela
Primeiro registro da manhã, da janela: prenúncio de um dia chuvoso

Rifugio Auronzo
Pra começar, o que são rifugios? Refúgio são acomodações simples no alto de montanhas, que servem de pousada para quem está fazendo trilhas longas, de vários dias, mas qualquer um pode solicitar reserva, que deve ser feita com muita antecedência, em geral.  A maioria possui quartos coletivos com beliches, mas há quartos para 2 ou 4 pessoas, também. A maioria serve refeições e as mesas ao ar livre são disputadíssimas em dias quentes. Eu não entrei no Rifugio Auronzo porque a paisagem do lado de fora era hipnotizante e eu não conseguia desgrudar os olhos dos picos.

trekking dolomitas

 

Rifugio Auronzo
Rifugio Auronzo

Quem viaja por estas bandas o que vai mais fazer é encontrar refúgios e o que é bacana é o fato de muitos serem acessíveis por carro ou teleférico, diferente de outros parques nacionais onde são exclusivos para quem faz trekking ou escaladas. Claro que  a sensação de conquista é inexistente, pois não há esforço algum envolvido, mas a vista, ah, a vista…

Trilha próxima ao Rifugio Auronzo
Trilha próxima ao Rifugio Auronzo

Chegar ao Rifugio Auronzo  foi muito fácil. Dirigi a partir de Cortina d’Ampezzo, onde cheguei ainda mais facilmente vindo de Veneza (leia as dicas no post Cortina d’Ampezzo), onde almoçamos. Uma breve parada no Lago Misurina para fazer o check in no Hotel Sorapiss, onde me informei sobre o Rifugio, e tomamos a estrada no final do lago. Pouco depois de começar a serra, há uma guarita para pagar a taxa de €18 pelo estacionamento (algo inexistente em outros rifugios que visitei nas Dolomitas) e ao lado, mais vaquinhas pastando.

Guarita do estacionamento
Guarita do estacionamento

Rifugio Auronzo

Mas o bucolismo vira suspense pela ausência de guardrail em alguns pontos da sinuosa e estreita estrada. Mas logo se avista o grande estacionamento, no alto da montanha e o refúgio.

Montanhas Dolomitas

Minha colega de viagem, Miriam, tinha ficado no carro, mas eu fui buscá-la porque não é possível alguém ir até ali e não ver aquela paisagem! Depois de umas fotos ela retornou para o calor do carro e eu fui “só até ali” 😉

Rifugio Auronzo Belluno

Caminhei em direção a uma capelinha – algo também sempre presente nos vales e passos – que fica na trilha que parte do rifugio. Não sei quanto tempo caminhei, mas se ela não estivesse me esperando eu teria ficado mais.

Refúgio Auronzo

Rifugio Auronzo dolomitas

Esse foi o primeiro contato com as montanhas nesta viagem aos Alpes Italianos, e estar pertinho delas, com direito a vento frio no rosto, isolamento e quietude trouxe um prazer imenso. As montanhas são minha praia e é nelas que me sinto bem, de corpo e alma. And nothing else compares!

Acesse o canal do blog Mulher Casada Viaja no YouTube onde compartilhei minha alegria de estar nas montanhas.

 

Posts Relacionados às Dolomitas (clique sobre o título)
Dirigindo na Itália
– Cortina d’Ampezzo
– Dolomitas: roteiro de 3 dias
Roteiro de 12 dias pelo Norte e pela Toscana
– Dolomitas: guia para planejar sua viagem
– Alpe di Siusi
– Val di Funes

 

 

 

Dolomitas: guia para planejar sua viagem

A Itália tem uma longa lista de cidades e locais tombados como Patrimônio Mundial pela Unesco, a maior da Europa, com nomes manjados como Verona, Florença e Pisa, que entram nos sonhos e planos de todos os brasileiros que desejam visitar o país da bota pela primeira vez. As Dolomitas, cordilheira nos Alpes Italianos, acabam entrando na lista de pessoas que praticam esportes de inverno ou curtem um clima mais frio ou que, como eu, adoram uma paisagem montanhosa ou são trilheiros. Uma pena, porque mesmo para quem aprecia os contornos destas montanhas e as curvas de suas estradinhas da janela do carro este é um destino fantástico, que poderia ser incluído no roteiro de quem vai a Milão, Verona ou Veneza.

Rifugio Auronzo
Rifugio Auronzo

Este post traz informações complementares a outros já publicados a respeito da minha viagem à Itália em junho de 2016 e no final dele você encontra os links.

Localização
Sabe onde fica Veneza, na região Vêneto? Cerca de 200 quilômetros ao Norte você já está em Cortina d’Ampezzo, no coração das Dolomitas. Mas a paisagem alpina começa já em Belluno, ainda na província de Vêneto, e se estende mas a Oeste, até a província de Trentino Alto Ádige.

A região Tentino-Alto Ádige, no Norte da Itália
A região Tentino-Alto Ádige, no Norte da Itália


Passeios e roteiro pelas Dolomitas
No post anterior, você encontra o roteiro detalhado de 3 dias nas Dolomitas, descrevendo os pontos mais legais para paradas. Deixo aqui sugestões de outros lugares que não conheci. 

Ainda na região que explorei (Misurina, Cortina, Gardena, Funes e Siusi), outros pontos literalmente altos são o Glaciar Marmolada, que pode ser visto da estrada 641, atrás do Lago di Fedaia, e o Passo Pordoi na 48. Os lagos me decepcionaram, mas conheci poucos, então talvez tenha sido isso. Ou talvez seja porque os lagos das Montanhas Rochosas Canadenses sejam imbatíveis e qualquer comparação, injusta. Um lago bonito aonde se chega por uma trilha relativamente fácil é o Sorapiss.

Conhecer os museus da Primeira Guerra Mundial e ao mesmo tempo caminhar no alto das montanhas é possível, pois alguns dos museus são trilhas, chamados Museu a Céu Aberto, o mais famoso no Rifugio Falzarego, pegando a gôndola para Lagazuoi. Clique aqui para informações.

Museu I GM (3)

Depois de explorar essa região, ainda tem montanhas e vales para além da cidade de Bolzano, como San Genesio e Sopra Bolzano. 

Já que chegou até ali, numa esticadinha até Merano você viverá como um nobre: repousará seus pés cansados de trilhas nas Termas de Merano e apreciará o Castelo Trauttmansdorff. 

Castelo e Jardins em Merano
Castelo Trauttmansdorff e Jardins em Merano
E para se despedir das montanhas, nada melhor do que passear pelo centro histórico de Trento , cidade com vista para as montanhas!

Como Chegar às Dolomitas
🚗 As Dolomitas estendem-se por 200 quilômetros de Leste a Oeste, então é preciso definir sua porta de entrada, que pode ser:

  • a partir de Veneza, chegando a Cortina d’Ampezzo, na parte Leste das Dolomitas;
  •  a partir de uma das cidades a Oeste das Dolomitas, como Bolzano ou Trento, chegando a Siusi.

🚅 Não há trens percorrendo as Dolomitas de Leste a Oeste, mas há opções para chegar lá de transporte público e depois contratar passeios ou alugar um automóvel. Por isso, tenha programado o aluguel do automóvel para escolher o bilhete, pois nem todas cidades dispõem de locadoras. Eis algumas linhas que pesquisei e cujos bilhetes podem ser adquiridos online na Trenitalia. Todas as viagens levam cerca de duas horas e os valores foram pesquisados em Abril/2016:

  • de Innsbruck na Áustria até Bolzano (estava nos meus planos iniciais um bate volta antes de incluir a Toscana na mesma viagem): € 35
  • de Verona a Bolzano: € 12
  • de Veneza a Calalzo di Cadore-Cortina: € 12
Mapa das linhas férreas no Norte da Itália
Mapa das linhas férreas no Norte da Itália. Dentro do ovo, as Dolomitas

Milão é a cidade italiana com voos diretos partindo do Brasil mais próxima das Dolomitas e por isso deixo informações de como chegar a partir dela até Val Gardena, na parte central da cordilheira:

🚍 de ônibus: Duas companhias fazem a rota do Aeroporto Malpensa até Val Gardena: Busgroup.eu e Alto Adige Bus
🚅 de trem: comprar bilhete na Trenitalia até Bolzano e de lá um ônibus. Informações aqui.

Dolomitas
a região de Val Gardena, nas Dolomitas

 

Que estradas escolher
Este era um ponto preocupante para mim, porque eu não queria correr o risco de escolher uma estrada nas Dolomitas para ir do ponto A ao ponto B que fosse menos cênica que outra. Confesso que embora eu não tenha guiado por todas as estradas, é impossível cometer este erro porque para onde se olhe se avistam as montanhas. Basta sair da autoestrada e rodar pelas SP e SS, as estradas estreitas, sinuosas, cheias de cotovelinhos fofos dobrados a 180º. Mas o roteiro que fiz passa pela chamada Grande Estrada das Dolomitas, que vai de Cortina a Bolzano.

A Grande Estrada das Dolomitas
Em Passo Giau

Hospedagem
Há inúmeras possibilidades para todos os bolsos e estilos, desde campings, refúgios no alto das montanhas (concorridíssimos), B&B, hotéis-spa, a lista é longa. Como só usaria o hotel para banho e dormir, escolhi pousadas e hotéis econômicos, sem piscinas ou spas, pensando também nas interações sociais que estes lugares propiciam. Ficamos em dois pontos das Dolomitas: no Lago Misurina, a Leste, e em Funes, a Oeste, sobre os quais falarei em futuros posts. Veja o custo do Hotel Sorapiss e da Pension Sass Rigais no Booking.com, onde sempre reservo meus hoteis. 

Quintal da Pension Sass Rigais
Quintal da Pension Sass Rigais. Nada mal, né?

Trekking
Caminhar pelas montanhas nas diversas trilhas existentes é a principal atividade para quem não vai às Dolomitas para esquiar.  As trilhas têm vários níveis de dificuldade e a primeira a ser construída, a Via delle Dolomiti 1, foi traçada nos anos 1960, e até os anos 1980 outras 9 foram acrescentadas. O quadro abaixo traz informações sobre cada uma delas.  Você notará que há dois nomes para cada uma delas, um alemão e um italiano. Se você não tem familiaridade com trilhas ou dispõe de pouco tempo, saiba que não é preciso fazê-las completas, eleja apenas um trecho.  Fonte.

Nº da Trilha Nome Início Final Distância Duração
AltaVia 1 Via Classico Pragser Wildsee / Lago di Braies Belluno 150km 13 dias
Alta Via 2 Via delle Legende Brixen / Bressanone Feltre 185km 15 dias
Alta Via 3 Via dei Camosci Toblach / Dobbiaco Longarone 120km 10 dias
Alta Via 4 Via Grohmann Innichen / San Candido Pieve di Cadore 90km 8 dias
Alta Via 5 Via di Tiziano Sexten / Sesto Pieve di Cadore 100km 10 dias
Alta Via 6 Via dei Silenzi Sappada Vittorio Veneto 190km 14 dias
Alta Via 7 Via di Lothar Pateras Pieve d’Alpago Segusino 110km 11 dias
Alta Via 8 Via Panoramica Brixen / Bressanone Salurn / Salorno 160km 13 dias
Alta Via 9 Via Transversale Bozen / Bolzano Santo Stefano di Cadore 180km 14 dias
Alta Via 10 Judikarienhöhenweg Bozen / Bolzano Lago di Garda 200km 18 dias

Agora, se você acha caminhadas de 13 dias light demais, pode querer escalar as montanhas pela famosa Via Ferrata. Eu nem me atrevi a pesquisar, mas achei este site sobre o assunto em meio a minhas pesquisas.

Ah, que delícia!!!
Ah, que delícia!!!
E este é pelo jeito o melhor guia de trekking nas Dolomitas, indicado em vários blogs que li. E neste site das Dolomitas você encontra um mapa de trilhas na região de Cortina.

Como minha intenção inicial era “trecar” solo, pesquisei algumas agências que gerenciavam o transporte, as reservas e as caminhadas, uma britânica e uma espanhola. Também tem agência no Brasil. 

Deixo claro que não tenho indicação e não utilizei nenhum destes serviços, pois viajei de forma independente. Os links de agências e serviços de transporte são apenas fruto de minha pesquisa do planejamento desta viagem.

Passe para os Lifts (gondolas ou teleféricos)
Se você vai ficar na região de Cortina para fazer trilhas a pé ou de bike, existem passes de 3 a 7 dias que dão acesso a todos os teleféricos da região, pois as melhores trilhas estão no alto das montanhas. Acesse este site para ver os preços atualizados.

O cable car que leva a um ponto ainda mais alto: Bullaccia
Teleférico em Alpe di Siusi

Língua e Cultura
Quando se viaja para grandes centros urbanos, podemos observar o modo de agir, falar, comer das pessoas em metrôs, ruas, praças e restaurantes, mas como nas Dolomitas não há concentração de gente, na minha breve passagem pela região não consegui sentir a cultura local e as únicas marcas foram uma atendente vestida com trajes tiroleses e as sinalizações indicativas de cidades que vinham em uma língua estranha, diferente, o ladino – além do italiano e alemão. Já dei essa dica em outro post, mas vou repetir: familiarize-se com os nomes dos lugares que quer ir nestas três línguas, porque ficará mais fácil ler as placas e decidir se vai virar adestra ou sinistra.

Mas fiquei curiosa e fui pesquisar: não são poucos os que falam ladino nessa região: 30.000 habitantes ainda escrevem e falam a língua que perdeu o status de dialeto e oficializou-se como terceira língua oficial na região das Dolomitas, sendo ensinado nas escolas.

Para saber mais

Websites oficiais
Auronzo di Cadore e Lago Misurina
Belluno
Cortina d’Ampezzo
Sobre as Dolomitas 

Dolomitas Alpes italianos
Lago Misurina
Geologia

Esta é para os nerds de plantão! Se quiser saber sobre a formação das Dolomitas, clique aqui!


Um pouco da historia das Dolomitas
Desde a Guerra da Independência Italiana de 1861, quando a Itália passou a ser um Estado, a fronteira entre Áustria e Itália estava em disputa e com a Primeira Guerra Mundial as Dolomitas viram sangrentas batalhas. Dezenas de milhares de soldados morreram de 1915 a 1918, não apenas em combate, mas também em avalanches e pela exposição aos elementos naturais como nevascas e frio – e, imagino, fome. Embora os Italianos estivessem em maior número, os Austríacos conseguiram as melhores posições estratégicas e tomaram o Monte Lagazuoi onde hoje fica o museu.

E depois de tanto sangue derramado, foi num tratado em Paris em 1919 que se decidiu o riscado da fronteira Áustria-Itália, quando a região das Dolomitas passou a pertencer à Itália, como prêmio pela Itália ter virado a casaca e se aliado à Tríplice Entente (aliança entre Inglaterra, França e Império Russo). Claro que a coisa é complexa e envolve interesses territoriais e econômicos, então este é só um resumão para unir pontos como cultura tirolesa-fronteira-museu de guerra.

WebCams
 Encontrei sites que dispõem webcams de vários pontos das Dolomitas, que ajudam a ver se já tem neve, se está chovendo, céu azul, etc.
– webcams da região de Auronzo e Lago Misurina (perto de Cortina d’Ampezzo)
– webcams de várias regiões das Dolomitas

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