Gol Premium para Santiago e Sala VIP de Guarulhos

Esta sou eu: só descobri que os bilhetes comprados para o trecho SP-Santiago eram Premium no momento do check in no balcão do aeroporto. Não que eu seja distraída (tá, às vezes sou), mas é que comprei numa promoção e sabe como são promoções, têm sempre uma pegadinha e não se pode perder tempo. Então meus olhos pousaram sobre detalhes como de qual aeroporto partiria (algumas promoções para quem mora em São Paulo saem de Campinas), se havia conexão, horário de chegada para pegar o próximo voo para Calama (destino Atacama!) e o preço, claro. Tudo certo, precinho aceitável, comprei os dois bilhetes. Deixo aqui minha avaliação sobre a classe Premium da Gol e conto um pouco da espera na sala VIP da Gol Internacional, no terminal 2 do aeroporto de Guarulhos.

Se a vida te der pepinos, relaxe os olhos com eles!

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Quanto custa uma viagem à Toscana

A Toscana é uma região da Itália bastante popularizada por filmes americanos como Cartas para Julieta e Sob o Sol de Toscana, mas os campos verdes ora decorados por girassóis, ora por papoulas, a culinária, os vinhos, as cidades muradas medievais no alto de colinas e jóias como Florença e Siena certamente merecem o crédito e estão na lista de desejos principalmente das mulheres, creio eu. Neste post compartilho o custo de uma viagem para a Toscana, tendo como referência minhas idas para lá. Como muitas despesas variam de acordo com o cofrinho do turista, você pode gastar muito menos ou muito mais do que os valores que eu apresento aqui.

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Fotografando pessoas em viagens: legal e ou invasivo?

Embora eu não seja fotógrafa, sempre gostei de ver fotos profissionais e de fotografar, desde antes das câmeras digitais, dos smartphones, das redes sociais, que democratizaram como nunca antes a fotografia. Se você tem menos de 40 anos já deve ter ao menos ouvido alguém dizer que registrar viagens nessa pré historia era mesmo uma arte. Ou se compararmos com hoje, uma m…! A gente economizava nos cliques porque podíamos tirar no máximo 36 poses em cada rolinho e a revelação era cara (ou eu que não tinha grana mesmo?) e o resultado muitas vezes frustrante. Comprei minha primeira câmera semiprofissional (analógica, claro) em minha primeira viagem ao exterior. Ela fotografava super bem e era bem mais intuitiva do que a EOS Rebel que uso hoje, a fotógrafa é que não tinha experiência: perdi todas as fotos de minha primeira parada, porque não encaixei o rolo do filme corretamente, e as que consegui revelar (quem aí ainda deixa escapar “quero revelar minhas fotos”? ahaha) tinham enquadramento ruim e nenhuma criatividade. Mas este post não é uma viagem ao tempo e o que eu quero é saber sua opinião sobre fotografar pessoas desconhecidas, pela rua, então vai lendo…

Itália, claro

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Bate Volta de Santiago do Chile: Portillo e Caracoles

Nem queria passar por aquela estrada sinuosa em plena cordilheira dos Andes, a Caracoles. Mas isso foi quando eu paquerava a Serra do Rio do Rastro, no Brasil, que tem paredões verdes e no verão, o roxo dos manacás colorindo a mata. Quem desdenha quer comprar, já diz o ditado… Quando descobri que para ir a Portillo a partir de Santiago a gente passaria pela Caracoles, ter essa experiência passou a ser até mais relevante do que visitar Portillo e seu lindo lago azul. Que mulher volúvel, você pode pensar, mas o fato é que numa viagem de 10 dias pelo Chile não caberia rodar quilômetros só pela ideia de pegar uma das estradas mais sinuosas do mundo. Gente, agora eu acho que vale!

A los Caracoles, pouco antes de Portillo

Primeiramente, por que escolhi ir a Portillo em vez de Cajon del Maipo, bate volta mais próximo de Santiago? Porque percebi que o último tem muitos turistas e veja só nas fotos: só o nosso já pequeno grupo está diante do Lago del Inca, curtindo o sol de final de verão, tomando pisco sauer e aproveitando as oportunidades que a vida nos deu. Portillo é mais procurada no inverno, pois é uma estação de esqui tradicional chilena e no verão não há muito o que fazer além disso, mas para quem gosta de um lugarzinho em meio às montanhas sem multidões, é um prato mineiro cheio! Se o branquinho da neve deixa a cordilheira dos Andes mais linda, o único azul que você verá no inverno é o das piscinas do hotel.

O lago todinho só para nós!
OK, quando chegamos um casal fazia um ensaio fotográfico – eram brasileiros!

Quem já leu alguns dos posts aqui do blog sabe que eu dou preferência a conhecer os países em suaves prestações, priorizando pontos próximos ente si, o que garante economia de tempo e dinheiro. Então, nesta minha terceira viagem ao Chile – segunda do marido – o destino principal era o Deserto do Atacama, que fica situado ao Norte, mas como é preciso fazer conexão em Santiago, aproveitamos para conhecer a capital do Chile na mesma viagem. Se você prefere conhecer o país de uma vez só, leia tudo o que já publiquei sobre o Chile na página índice do Chile. E acompanhe o blog fazendo sua inscrição para receber novas publicações e não perder novas dicas. Não vou ficar enviando mensagens, apenas as novas publicações que são, em geral, semanais. 

o Lago del Inca

Sobre o que fazer em Santiago eu tinha informações recentes pois em novembro havia preparado um roteiro para um casal. Mas não fechei com nenhuma agência os tradicionais passeios a Valparaíso e Viña del Mar nem nas Concha y Toro da vida, deixando para decidir por lá, já que a oferta de agências é bem grande. Mas lá no Atacama, a Aliny do blog Me Leve na Mala, que tinha acabado de chegar de Santiago, me deu o contato de um guia que levava grupos pequenos a Portillo – e ainda parava numa vinícola no Vale do Aconcagua, sobre o qual eu falarei e outro post. Convidamos duas brasileiras que também conhecemos no Atacama e que também estariam em Santiago nos mesmos dias e partimos nós 4 para um dia cheio de paisagens e muito bate papo com o Tomas, chileno que aprendeu Português com a namorada brasileira e virou especialista em atender esse público em Santiago. Entre em contato com a 2 Go Van e saiba todos os passeios que ele promove.

Tinha lido algumas avaliações sobre dirigir na Los Caracoles e não fiquei muito animada para alugar um carro e ir por conta própria, não só porque a estrada não é das mais seguras, sem acostamento, cheia de caminhões, etc., mas também porque não queria colocar este peso no meu marido, que afinal também merecia apreciar a paisagem e relaxar. Eu podera dirigir, mas também queria apreciar a paisagem, ehehe. Veja abaixo a rota a partir de Santiago:

A estrada tem 28 curvas e nem é tão perigosa como dizem – eita povo que gosta de valorizar! – inclusive eu ahaha. Não dá pra guiar a mais de 50km/h por causa das curvas e dos caminhões, que logicamente são mais lentos e pesados. Talvez haja perigo em condições de gelo na pista, para quem não está acostumado a guiar com correntes nos pneus, obrigatórias em regiões de montanha com neve. Ao final das curvas, há uma espécie de acostamento onde dá para estacionar o carro e fotografar a estrada (foto do início deste post), então te sugiro levar um pau de selfie para ficar mais alto e conseguir a vista total das curvas.  Agora, olha esta: acima da Caracoles passam as cadeirinhas dos meios de elevação para as pistas de esqui, que são 19, em diferentes graus de dificuldade.

Mas o mais legal é o vento. Eu me divirto com o vento – mesmo! tenho acessos de riso, não sei explicar… Mas tem gente que não gosta da brincadeira, não: uma amiga caiu, empurrada pelo vento. Eu quase perdi o celular, dá uma olhada:

Portillo é uma das mais tradicionais estações de esqui do Chile, mas não é uma estação pra brincar de esquibunda, a coisa é séria por lá! No hall do hotel, fotografias de várias equipes profissionais de esqui decoravam as paredes.

hall da fama no corredor do hotel

 

Portillo no verão
o restaurante do hotel Portillo

Portillo fica a 150 km de Santiago e dá pra fazer em um dia tranquilamente, mas se você for no inverno, é certeza que queira ficar por lá. Também é uma boa opção para quem vai a ou vem de Mendoza, na Argentina, 200 km mais a Leste. Eu achei o hotel meio derrubadinho, com mobiliário antiquado, mas talvez no inverno tenha seu charme. Além dele, há outras acomodações que vão de quartos simples para quem vai passar o dia esquiando até chalés em frente ao lago. O hotel conta com 120 quartos, escola de esqui e aluguel de equipamentos para a prática do esporte. Mais informações no site oficial.

 

San Diego: onde ficar e review de hotel

Se você chegou até aqui provavelmente fez a boa escolha de conhecer a cidade de San Diego, muitas vezes preterida por Los Angeles e São Francisco, as queridinhas californianas. Mas San Diego é capaz de agradar a todas as tribos! Já falei de minhas impressões sobre a cidade no post Roteiro de 3 dias em San Diego, dá uma passadinha lá também. Neste post organizo as opções de hospedagem em San Diego, que vão de hotéis, passam por casinhas térreas conhecidas como bangalôs a B&Bs charmosos, tudo agrupado por bairros ou distritos.

A escolha da localização de seu hotel pode modificar a impressão que você formará sobre a cidade, mas se a grana falar mais alto, escolha pela tarifa mais econômica, porque estará bem localizado em qualquer ponto de San Diego, servido por bom transporte público e acesso rápido a highways mesmo para ir de um bairro a outro.

Hotel nas praias de San Diego
As praias de San Diego estão entre as mais bonitas da Califórnia e há várias opções de onde ficar.

La Jolla (leia la róia): fica a noroeste do centro de San Diego, a mais afastada, e é um bairro chiquetoso, com galerias de arte e lojas de grife na Prospect Street. Ao mesmo tempo, tem aquele ar praiano, relaxado, ruas largas e enfileiradas por coqueiros As crianças adoram os leões marinhos de La Jolla Cove e quem curte ondas ou mergulho também tem seu espaço garantido.
La Jolla Cove
Coronado: Coronado não é um bairro de San Diego, mas um município. A área útil da península, ou seja, a região civil, aberta ao público e para moradores, equivale ao centro de San Diego e se espreme entre a base naval anfíbia e a aérea da Marinha, por isso não há tnatas opções de hospedagem como nas demais praias. A praia é linda! Tem areia branquinha, pedras e vegetação e o histórico Hotel del Coronado é a principal atração, mas não a única. Leia mais sobre Coronado neste post. Ponto negativo: o barulho dos caças e helicópteros que sobrevoam a praia para pousar na base aérea.
Praia de Coronado

Ocean Beach, Mission Bay e Pacific Beach: Bem, minha viagem não foi para curtir praia e eu só passei por essas áreas, mas se você quer ficar pertinho do mar, you belong here! Também fica perto do Sea World e o pier de Ocean each é ponto de encontro para o por do sol.

O pier de Ocean Beach
Nem tanto ao centro, nem tanto ao mar 
Old Town e Região Hoteleira de Mission Valley
Embora não esteja no centro, esta é uma região movimentada e onde estão os hotéis mais modernos da cidade. É onde fica o Old Town State Historic Park, ou simplesmente Old Town San Diego. Aliás, é possível se hospedar dentro do parque, no Cosmopolitan Hotel. Lá não faltarão atrações e opções para desfrutar da autêntica comida mexicana e de sua música e aprender sobre a Califórnia espanhola. Ficar nesta região também é legal para fácil acesso ao Parque Balboa e ao famoso zoológico de San Diego.
Leia sobre minha visita a Old Town e La Jolla.

 clique aqui para ver hotéis e preços na região de Old Town

A fachada do Cosmopolitan, em plena Old Town San Diego, tem ambientação estilo western

Hotel no Centro de San Diego
A arquitetura do centro de San Diego reflete sua personalidade: é tão culturalmente diverso quanto a cidade e edifícios altos e modernos contrastam com estilo barroco do final do século 19. O lugar mais charmoso do centro, na minha opinião é a área revitalizada nomeada Gaslamp Quarter. Esqueça o que você sabe sobre áreas centrais em grandes capitais: esta região, sobretudo o Gaslamp, tem muitas opções de bares e restaurantes e a vida é bem tranquila, mesmo no centro. Eu fiquei hospedada lá e sendo de São Paulo me divertia olhando o “trânsito” da hora do rush! Fica um pouco longe do Balboa Park e Old Town, mas tem acesso fácil às highways e chega-se nesses pontos bem rapidinho. É possível caminhar até o waterfront, onde ficam atrações como o  Museu-porta-avições USS Midway, até o centro de Convenções ou ainda até o Sea Port, uma área fofa com lojas especializadas e restaurantes. Uma das desvantagens de ficar no centro é o alto custo dos estacionamentos. Evite deixar com o manobrista do hotel e economize não só na gorjeta, mas na tarifa também. O centro tem vários estacionamentos públicos (public parking) que podem ser usados por qualquer um, calculados por hora a preços variáveis de acordo com o horário, comercial ou não.

 clique aqui para ver hotéis e preços na região central de San Diego

 

Um dos prédios históricos no Gaslamp Quarter

Review do hotel onde nos hospedamos
Escolhi o centro porque tem fácil acesso a outras regiões e porque me apaixonei pelo edifício histórico onde o hotel Courtyard by Marriott está instalado. Todo restaurado, manteve as características do antigo banco que ali funcionava e caprichou na decoração. OK, bancos não têm a mesma aura de uma residência de um nobre medieval e não são peculiares como uma tenda num safari na África, mas o prédio é lindo. Foi o primeiro hotel reservado para esta California trip, e depois baixei a bola, ficando em hotéis mais simples e econômicos. 

O check-in foi rápido e atencioso, assim como o check-out, mas foram os únicos contatos que tivemos com o pessoal. O quarto estava limpo e os lençois e travesseiros eram de boa qualidade. Apesar de estar na região central, não havia barulho de trânsito e o hotel era bem tranquilo, com turistas e pessoas viajando a negócios também.

A tarifa escolhida não incluía café da manhã e isso fez com que ‘perdêssemos’ muito tempo indo a um restaurante, escolhendo, comendo, pagando. Tá, pode falar que eu sou louca, que estava de férias, que devia aproveitar tudo com calma. Eu sei, mas eu tinha taaaanto pra fazer em San Diego (e olhe que era nossa segunda vez por lá)… Então nos dias seguintes acabamos comprando alimentos no Starbucks e comendo no quarto ou fazendo picnic (gente, odeio o aportuguesamento desta palavra, vai em Inglês, mesmo).

O saguão do Courtyard by Marriot

Você deve ter notado que os links deste post são para o site do Booking.com e esclareço que é o site que uso para minhas reservas, então indico porque confio. Além disso, se você reservar através desses links ou clicando no logo do Booking no meu blog, não gastará nada a mais e ainda contribuirá para a manutenção do blog, pis recebo uma pequena comissão. É uma maneira simpática de agradecer pelas dicas que compartilho com todo carinho.

 E você, já esteve em San Diego? Onde se hospedou? Conte aí nos comentários!

O skyline d eSan Diego, com a ponte Coronado em primeiro plano. Foto: John Bahu divulgação

Atacama: guia do deserto mais lindo do mundo!

Euzinha no deserto mais lindo do mundo!

“Mas o que você vai fazer num deserto?”, perguntou um amigo que certamente não tinha visto todas as imagens lindas que bombaram nas redes sociais  dos blogueiros nos últimos tempos e me deixaram maluca para ir ao Deserto do Atacama, o mais árido do mundo e com paisagens lunares, lagos e salares. Como eu tenho uma listinha de apenas 20 lugares para conhecer antes de morrer, venho acrescentando outros destinos ao sabor de novos desejos. Vai que ao acabar a bucket list a gente bate as botas! Bem, o Atacama não estava na lista, mas como eu disse as paisagens tocaram forte, assim como a curiosidade de estar no deserto mais seco do mundo e com o céu mais limpo do mundo. E confesso que foi o roteiro mais fácil de montar da minha vida. Muitos superlativos, né? Já disse que eles estariam presentes nos posts sobre o Atacama quando relatei o passeio pelos Vales da Lua e da Morte. Fica aqui que eu conto mais: quando ir, hospedagem, preços, um super guia pra você já chegar a San Pedro sabendo muito!

Onde Fica o Atacama
O Deserto do Atacama fica 1.600 km ao Norte da capital Santiago. Aí você diz: “mas vale a pena tudo isso só por causa de um deserto?” Nem vou citar Fernando Pessoa, porque vale muuuito! As paisagens são incríveis e não há monotonia, pois cada ponto do deserto tem uma formação rochosa diferente e  há lagos, dunas, termas, cavernas, fora os 17 vulcões no horizonte, quase sempre cobertinhos de neve! Além dos Andes, existe uma cordilheira mais baixa, a do Sal.
A cidade base para conhecer o deserto é San Pedro de Atacama, que ganhou um post só pra ela, de tão peculiar que é. 

Como você pode notar no mapa acima, a Bolívia é logo ali, assim como a Argentina. Se tiver tempo e di$ponibilidade, faça um trio que eu planejava fazer: Atacama, Salar de Uyuni (Bolívia) e Salta (Argentina). Eu não fui, mas indico a leitura de quem foi:

Salta, pelos olhos do blog 360 Meridianos
Uyuni segundo o Apure Guria

Como chegar ao Atacama e informações sobre voos (com $$), o aeroporto de Calama e traslados, eu compartilhei em outro post, porque este já estava grande demais. Vá até a página Atacama aqui no blog e você encontrará todos os posts relacionados a esta viagem

Calle Caracoles

Onde ficar no Atacama
Como todo lugar, tem hospedagem pra todos os gostos e bolsos. Sim, tem hotel que custa R$ 2 mil/noite (passeios inclusos e pensão completa… ah, então tá!), assim como tem um quartinho na birosca da Rua Caracoles. A dica é: se estiver sem carro, fique nas imediações da Caracoles, porque é por lá que você fará suas refeições e comprinhas quando não estiver no deserto. As ruas mais afastadas são bem escurinhas, então pense nisso na hora de escolher fora do eixo Caracoles-Tocopilla-Licancabur-Calama. Ah, San Pedro é conhecida como San Perro (cão em espanhol), pelo número de cães, que fazem coco nas ruas e de noite é a maior aventura andar no escuro. 

Hospedagem em San Pedro de Atacama

Como não pretendíamos fazer 2 ou 3 passeios no mesmo dia, o que nos daria algum tempo livre, escolhemos um hotel com estrutura legal, varanda no quarto, piscina, serviço de quarto – tinha até spa, o Hotel Poblado Kimal. Mas o quarto foi do que mais gostei, mesmo: cabaninhas de adobe entre o jardim, telhado de palha, quarto e banheiro grandes. Parecia que estávamos na África!

Café da manhã do hotel
Vista da janela do quarto

Vai fazer sua reserva para o Atacama? Eu poderia gostaria de estar roubando viajando, mas estou aqui escrevendo estas dicas para você, então ajude esta blogueira a pagar ao menos o pão das crianças  a manutenção do blog. É só fazer sua reserva no Booking.com, que eu recebo uma pequena esmola comissão e você não paga nada, nadica de nada a mais por isso. Deus te abençõe, viu, meu fio.

Visto e documentos para ir ao Chile
Não é necessário visto para entrar no Chile, nem mesmo passaporte, mas leve seu RG atualizado. Ou leve seu passaporte para ganhar mais um carimbinho ehehe.

No avião você preencherá um formulário de imigração que deverá ser entregue na entrada do Chile. Não se esqueça de guardar a papeleta que te entregarão (Tarjeta unica migratoria), que será apresentada na imigração, na saída do país longelíneo.

Seguro Viagem
O PB-4 é um benefício para contribuintes do INSS acordado entre Brasil e países como Portugal, Espanha, Grécia, Itália e Cabo Verde, mas o Chile não faz mais parte deste acordo desde 2014. Por isso, contrate seu seguro viagem, que além de cobrir problemas de saúde traz vários outros benefícios. Leia mais no próprio site da Mondial Assistance, com quem o blog mantém parceria. 

Quanto tempo ficar no Atacama
Se você vai fazer os passeios tradicionais, 5 dias bastam, sem considerar os deslocamentos, mas se quiser subir um vulcão ou fazer trilhas longas, precisará de mais tempo, não só pela quantidade de passeios, mas para ir se acostumando com a altitude, assunto do próximo item.

Mirante do Salar de Tara

O que é o mal de altitude, o soroche, e o que fazer
Já falei sobre o soroche quando fomos ao Peru. O mal de montanha ou de altitude pode causar desconforto em quem vive no nível do mar e de repente está a 4 mil metros. Se você não se cuidar e exagerar pode até interferir no seu comportamento. Ouvi relatos de um turista que abusou do exercício físico (a gente fica muito lento e até uma caminhadinha cansa) e ficou fora de si, com espécie de alucinação, achando que o amigo queria matá-lo. Outra se descabelava e queria tirar a roupa. Imagine o trabalho que deu acalmá-los!

Mas não se assuste, nos passeios que fizemos acima de 4 mil metros ninguém do grupo surtou, mas o guia era muito cuidadoso e não nos deixava nem dar uma corridinha até a van se estávamos meio distantes. Só pode andar! rsrsrs No Salar de Tara (4.500m), algumas pessoas do grupo reclamaram de dor de cabeça e de um pouco de enjoo (leia os posts específicos que estou escrevendo/escrevi para cada passeio). Eu senti uma pressão muito forte na testa e no nariz, que não passaram com analgésico. Mas achei mais punk no Peru porque chegamos de Lima a Cusco, com altitude de 3.400 metros, sem fazer adaptação. San Pedro fica a 2.400 metros, então dá pra ir se adaptando com um chazinho de coca aqui e ali e repouso.

Folhas de coca para o chá natural ou para mascar

Além de tomar chá de coca, natural ou industrializado, chupar balinha de coca (vendidos em todas lojinhas e mercadinhos de San Pedro), beba bastante água mesmo que não sinta sede, para manter a hidratação dos seus pulmões, porque o ar é muito seco e porque parece ajudar no mal estar causado pela altitude. Descansar bastante também ajuda, então  espere chegar em San Pedro, ver como se sente para então decidir fazer passeios no mesmo dia da chegada ou não.

Se os sintomas forem muito fortes ou se você passar muitas horas na altitude fazendo esforço físico, você pode mascar um punhado de folhas, como faz o povo da montanha, formando uma bola e engolindo o sumo. Eu masquei umazinha e achei bem amargo. O chá e a bala são bem gostosos – e você pode trazê-los para o Brasil! Quando fui ao Peru ouvi falar de um remédio, o sorojchi pill, mas no Atacama não sei se tem. Na falta dele, vá de dipirona. Leia o post O que Levar na Mala para o Atacama, onde detalharei outros itens necessários para sua vida no deserto.

estátuas incas representadas mascando coca, no Museu precolombino de Santiago

Língua
A língua é o espanhol, mas consegui me comunicar em restaurantes e lojas só falando português. Senti que a gente os entende mais do que eles nos entendem (cada um falando sua língua), mas não sei se foi minha percepção ou se é uma verdade.

Voltagem/Tomadas em San Pedro de Atacama
A voltagem é de 220 e as tomadas de 3 pinos paralelos. Leve seu adaptador universal.

Quando ir ao Atacama – Temperatura
Ah, isso é complicado, né? A gente acaba viajando quando tem disponibilidade, e isso é o legal do Atacama: qualquer época é boa para visitá-lo, pois as variações de temperatura acontecem mais ao longo do dia do que ao longo do ano. Veja o gráfico:

Além do inverno na mesma época que o do Brasil, esta região do Chile tem o inverno Altiplânico, que acontece em pleno verão e quando chove: janeiro e fevereiro. Eu fui na segunda semana de Março, e sabia que haveria chance de chuva nessa época e isso foi proposital, pois li que os salares ficam mais bonitos e como espelhos d’água. Como eu não iria ao Salar de Uyuni na Bolívia, pensei que poderia encontrar paisagens parecidas nos salares do Atacama,  mas não rolou… Por outro lado, não peguei chuva, mas havia chovido bastante na última semana de fevereiro, causando estragos no leito do rio San Pedro. Turisticamente, isso fez com que o sal ficasse mais presente nas superfícies, tornando os campos bem branquinhos, o que dá um efeito lindo no visual. Acho que a frente fria também colaborou para que nevasse nos Andes e vimos os vulcões mais altos cheios de neve.

O sal na borda das Lagunas Escondidas

IMPORTANTE: O céu do Atacama vale um torcicolo, mas viaje fora do período de lua cheia, inclusive considerando uns 4 dias antes ou depois dela, porque os observatórios que realizam um trabalho sério fecham e você vai ficar na mão. Encontrei uma única agência que estava realizando o tour na noite de lua cheia, mas li avaliações bem ruins e preferi não fazer, mesmo que fosse bem barato (eles cobravam metade do preço na lua cheia: 10.000). Vou falar mais disso no post Roteiro de 5 dias no Atacama.

A Lua cheia da varanda do quarto
Space é a empresa que realiza tours educativos de observação do céu noturno

Wifi e conexão no Atacama
Na Plaza de Armas há wifi gratuito, mas só conseguimos usar uma vez de duas tentativas. Os restaurantes onde comemos não liberam senha, mas no hotel o sinal era bom e gratuito.

Wi fi na Plaza de Armas

Dinheiro/moeda/câmbio
O peso chileno vem aos milhares. Tudo custa mais de mil pesos e as moedinhas são um inferno: precisa de 1 quilo para comprar uma garrafinha d´água!😂 Veja o item Preços mais abaixo.

Trocamos dinheiro suficiente para uma refeição no aeroporto de Santiago e o resto trocamos em São Pedro, persquisando o melhor câmbio pelas ruas. Não são casas de Câmbio, mas negócios locais que fazem a troca, anunciando o serviço em placas à porta.

Uma das 7 lagunas escondidas: alta concentração de sal não te permite afundar!

Compras e Serviços
Adoro produtos andinos e em San Pedro tem coisas lindas, das lojas com produtos industrializados até os mais artesanais. Na Plaza de Armas da cidade, ao lado da prefeitura, você encontrará o Mercado de Artesanato, que achei muito mais organizado e arrumadinho do que o de Águas Calientes, no Peru. 

Se você tiver esquecido o biquini, a bateria, pilhas ou o cartão de memória, também vai achar na Rua Caracoles uma loja de produtos de montanhismo que vende tudo isso e muito mais, a El Rincon: Também na Caracoles vi serviço de lavanderia, mas acabei não indo perguntar o preço, sorry.

Farmácia, só vi uma por lá. Mercadinhos para comprar biscoitos, água (você vai precisar de muita), balinhas de coca, salgadinhos, vi mais de 3.

Preços (em pesos chilenos em março/17)

balas de coca (caramelos de coca): 1.500
pacote com 6 garrafas de 1,5 l de água mineral: 6.000
Museu do Meteoro: 3.500
Pukará de Quitor, sítio arqueológico: 3.000 (sem agência)
Traslado Calama-San Pedro-Calama em van compartilhada: 12.000
Aluguel de pick up 4×4: 78.624/dia
Aluguel de bicicleta: 4.000/6 horas
simcard (chip) da Movistar (comprei na Fotokina, no aeroporto de Santiago): 10.000

Cadê a dica de como fazer a mala? Tá em outro post, este ficou muito longo! E sobre transporte aéreo e como chegar também. Quer saber onde comer e o preço das refeições? Tudo na página-índice do Atacama, onde estão os links atualizados.

 

Como é o tour Vale da Lua e Vale da Morte no Atacama

Que comecem os superlativos! Estreamos no deserto mais árido do planeta, o chileno Atacama, com um dos passeios mais populares e o mais próximo da cidadezinha de San Pedro de Atacama, a qual tem ares de faroeste americano ou de sertão brasileiro. Talvez pelo ineditismo tenha sido um dos passeios que mais me marcou, mas talvez tenha sido pelo incrível por do sol de um lado do vale e pela lua cheia do outro. É mais certo afirmar que a cada post publicado eu diga a mesma coisa sobre o Atacama: que todos os passeios foram de alguma maneira únicos e inesquecíveis, seja pelas paisagens, seja pelos efeitos do calor, do frio, da altitude, do silêncio, da companhia de pessoas que compartilham com você o prazer de estar naquele canto quase intocado do planeta. E isso não é pouco. Vá logo, vá logo, é minha melhor dica.

Este passeio é interessante fazer no primeiro ou segundo dia de sua estadia em San Pedro, dependendo de quantos dias tiver por lá, porque é de baixa altitude comparado aos demais. Os vales estão a apenas 2.500m, e também porque é mais rapidinho, com duração aproximada de 5 horas, podendo ser feito no período da manhã, quando há menos pessoas, ou à tarde, que embora seja mais cheio proporciona o espetáculo das cores do sol poente sobre as montanhas e vales. Então, a grande dica é contratar uma agência que te leva a um lugar especial pra ver este espetáculo que é o por do sol. Mas vamos começar pelo começo.

O guia Fabio, paulista que virou a mesa e se estabeleceu na seca, empoeirada e peculiar San Pedro de Atacama, chegou pontualmente em seu 4×4 em nosso hotel às 16h e só passamos em um outro hotel pra pegar a Aliny do blog Me Leve na Mala e sua mãe. Ou seja, parecia mais um passeio de amigos do que uma excursão e a vantagem da agência FlaviaBia Expedições começa por aí: grupos sempre pequenos e de brasileiros e guias fluentes em Português. Vou falando mais nos próximos posts.

Acesse a página índice do Atacama aqui no blog, onde estão/estarão os links para todos os posts sobre os passeios, a cidade e dicas gerais para planejar sua viagem até lá, como transporte, preços de alimentos, etc.

Ambos os vales ficam numa cordilheira denominada Cordilheira do Sal, um antigo lago cujo fundo foi se levantando e verticalizado, formado na mesma época da Cordilheira dos Andes, só uns 23 milhões de anos. Além do sal, o branco que se vê em alguns pontos é gesso. Eu sinceramente não consegui ver diferença entre os dois. Visitar em março é legal porque é dos poucos períodos em que chove, então a chuva lavou os campos de sal e estavam branquinhos! Por outro lado, a umidade esteve em torno dos 30% quando estivemos lá e isso prejudicou um pouco a nitidez das fotos dos Andes.

Há uma espécie de portaria/pedágio, controlada pela Associcion Indigena del Valle de la Luna, que representa 6 comunidades (você recebe um panfleto com mapa na entrada explicando melhor) e gerencia o Vale da Lua. Achei bastante simpático do governo chileno, que não tomou o lugar que tem todas as caractetísticas de um parque nacional. Aqui se pagam 2.000 pesos por pessoa. Leve dinheiro.

Cada agência faz um roteiro, mas os pontos visitados parecem ser os mesmos, embora até aí possa haver diferença. Nosso tour, por exemplo, não foi à popular Pedra do Coyote ou Mirador de Kari. Depois fiquei sabendo que descobriram uma trinca na pedra e não é mais permitido subir nela. Adeus filas pra fotos…

canyon para a caverna de sal

Nossa primeira parada foi a Caverna de Sal, uma caminhada dentro de um canyon estreitíssimo, de paredes com formas ora arredondadas, ora verticais cheias de cristais de sal, onde passa apenas uma pessoa por vez, em fila indiana. Se você se espremer bem em um determinado ponto, dá pra passar em vez de voltar pelo mesmo caminho, mas não nos esprememos, então não posso contar essa parte de virar suco. Como nosso tour saiu antes do que a maioria das agências, que começam às 17h, quando estávamos saindo um grupo grande chegava, e fica impraticável caminhar com gente indo e outras gentes vindo. Escolha bem sua agência!

Ah, ao lado da área do estacionamento tem sanitários, mas estavam trancados com cadeados quando visitamos. A dica é levar papel higiênico nos passeios e brincar de ser gatinho. Não falta areia pra enterrar seus tesouros.

De lá seguimos para o Vale da Lua. A velocidade máxima permitida é de 40km/h, então dá pra apreciar bem as paisagens. Há uma área de estacionamento e seguimos a pé em uma trilha de terra batida e pequena elevação por cerca de 10 a 15 minutos. Leve água, porque nos demoramos aqui e não há sombra.

O branquinho não é neve, é sal!
São tantas cores e formas…
Basta olhar para o horizonte na direção dos Andes pra ver um vulcão. São 17 somente nesta região!

Então subimos uma colina e uau! Um visual de paisagens incríveis e formações bem diferentes entre si – e os vulcões sempre no horizonte, no lado oposto, na Cordilheira dos Andes. Dá pra andar no topo dessas duas colinas, que têm terra batida e muitas rochas, tornando bem tranquila a caminhada, mas ouvi gente dizendo que a subida é muito cansativa, o que achei estranho, pois achei muito fácil e meu único esporte é ser sedentária.

O que mais me impressionou é que há duas formações muito parecidas e que parecem arenas romanas, inclusive são chamadas Anfiteatros.

formiguinhas diante da imensidão do deserto

Dunas de areia escura, campos de sal, formações rochosas que parecem de outro planeta, este vale é rico por sua diversidade.

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Sim, há dunas neste deserto!

Veja o filminho que fiz do alto da colina no Vale da Lua:

De lá, ainda nos limites do Vale da Lua, visitamos uma pitoresca formação rochosa chamada Três Marias, um conjunto de 1 milhão de anos, assim, no meio do nada, como muitas formações que veríamos no Salar de Tara. Parece que uma das Marias foi decapitada por um turista há alguns anos, mas o nome do conjunto continua o mesmo. Eu, pra falar a verdade, achei mais divertido fotografar o homem casado viaja na estradinha do que disputar espaço com os muitos turistas nas Três Marias.

A gente sai pulando, saltitando, de tanta alegria. Efeitos da altitude?
Três Marias, à esquerda da foto. Uma Marcia, à esquerda dos ciclistas

Então partimos para o Vale da Morte e no caminho há um trecho em que o vulcão Licancabur, que domina a paisagem do Atacama, pode ser visto bem no meio da estrada. Ou seja, filme, fotografe, peça pro guia parar pra tirar fotinhos, não deixe só na sua memória. O nosso guia não parou no meio da estrada porque estava preocupado com o horário.😠 Tá certo, já pensou se a gente perde o por do sol?

Fiz a foto de dentro da van, mesmo: o imponente Licancabur

O Vale da Morte é um buracão fantástico, digno de locação cinematográfica, assim como todo o Atacama, mas o que tornou este passeio tão especial foi o por do sol. Chegamos pouco antes de o espetáculo das cores começar. É incrível como as cores mudam em segundos! E foi único ver no Oeste o sol se pondo e no leste a lua cheia!  Nem vou descrever, vejam as fotos:

duas fotos feitas com o mesmo celular, com intervalo de 5 segundos

Sempre acho que o por do sol da última viagem foi o melhor, mas vai ser difícil bater este!

Com o sol se pondo, o vento fica frio e precisamos nos agasalhar, mas lembre-se que esta viagem aconteceu no final do verão, em março. Em outras épocas pode ser mais frio, então pesquise a média de temperatura quando você for. Eu sempre uso o app Accurate weather. Sua agência também pode te informar o que vestir. Vi gente de shorts e vi gente de calças, como em nosso grupo. Minha mala estava cheia de gorros e cachecóis que nunca cheguei a usar. But you’d better be safe than sorry!

E pra deixar o dia ainda mais especial, uma manta andina sobre uma mesa com aperitivos, vinho tinto, suco, e até comida quente: carne moída e frango em cubinhos e acompanhamentos. Só comi por insistência do guia, porque eu já estava alimentada com tanta paisagem linda deste nosso primeiro dia no Atacama.

Nosso pequeno grupo brindando o privilégio de estar no Atacama

Vale a pena fazer o Vale da Morte e Vale da Lua?
Sim! Não precisa ser geólogo para admirar os contornos das montanhas e dunas; não precisa ser trilheiro para fazer os poucos percursos a pé; não precisa ser muito sensível para se emocionar com o por do sol num lugar espetacular como o Atacama.

Quanto custa o passeio Vale da Morte e Vale da Lua? Que agência contratar no Atacama?
Todas as agências da cidade de San Pedro fazem este passeio, mas há diferença enorme nos preços e consequentemente no serviço prestado. Pergunte quantas pessoas estarão no grupo, o que acontece se não houver número suficiente para o passeio, qual o roteiro para o passeio, quantas horas leva, se é servido algum lanche, entre outras. Não se apoie somente no preço para decidir, especialmente em passeios mais distantes, como o Salar de Tara, de que falarei mais adiante. Vi vários carros quebrados no meio do deserto…

Dá pra ir ao Vale da Lua ou da Morte sem agência?
Muitas pessoas fazem este passeio em carro comum, porque não saímos da estrada (mas para o por do sol no Vale da Morte, no ponto aonde fomos, é preciso um, sim), mas alugar carro em San Pedro é bem caro, então se você realmente quiser guiar pelas estradas de rípio do deserto programe-se para alugar um no aeroporto de Calama e trace bem suas rotas num mapa, de papel, sabe?, pois não há conexão na maior parte dos lugares do deserto.

Também é possível fazer esses passeios de bicicleta, mas tem uma subidinha puxada logo ao sair de San Pedro, então acho que esta opção é só para quem tem a bicicleta como esporte e está acostumado a altitudes. Embora esta região esteja a apenas 2.500 de altitude, há menos oxigênio no ar do que ao nível do mar, e isso nos torna mais lentos e com menos fôlego. Ouvi relatos de gente que desmaia não só pela falta de oxigênio, mas pelo calor, ourto ponto a considerar. Mais relatos de gente que perde a consciência ou que surta no post sobre o Salar de Tara.

Tem alguma pergunta? Manda aí nos comentários!

Este passeio foi patrocinado pela FlaviaBia Expedições, mas matenho minha opinião subjetiva e livre de interferências comerciais. Agradeço a Flávia e toda sua equipe que fez de nossos dias no Atacama inesquecíveis. E à galera que fez os passeios conosco, que saudade, né, gente?!

O que Fazer em Monterey, Califórnia

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Monterey é ofuscada por outras cidades californianas como São Francisco, Los Angeles e até San Diego, então saio em sua defesa e brado que você precisa ficar ao menos 2 dias por lá, no melhor estilo slow travel e passear a pé pela Coastal Trail, se entupir de peixe e frutos do mar, visitar a parte histórica da cidade e observar lontras e leões marinhos bem de perto, na natureza. Talvez queira visitar um dos aquários mais famosos do mundo ou apenas passear pelas ruas arborizadas com casas de madeira que parecem cenário de estúdio de Hollywood. E que tal visitar condomínios com campos de golfe à beira mar, ou comer nos restaurantes estrelados de sua vizinha Carmel-by-the-Sea? Neste post falo especificamente sobre Monterey e mais adiante descrevo nossos passeios por Carmel e pela 17-mile Drive em novas publicações.

leões marinhos
leões marinhos que mais parecem esculturas!

A beleza de Monterey é bem diferente daquela que estampa nosso ideal de paraíso: em algumas praias a areia é grossa (quando há), no lugar das palmeiras ou coqueiros há ciprestes retorcidos pelos fortes ventos e a água do Pacífico é fria, mesmo no verão. Além disso, a quantidade de algas pode afastar qualquer desejo de entrar no mar, assim como o forte odor proveniente dos leões marinhos. Mesmo assim, mergulhadores chegam aos montes para testemunhar a farta vida submarina da região.

Mergulhadores em San Carlos Beach
Mergulhadores em San Carlos Beach

A parte mais turística de Monterey fica na Cannery Row, uma rua cheia de lojas, hotéis e restaurantes e no final dela fica o famoso Aquário de Monterey ($50), que visitamos em nossa primeira vez em Monterey, 20 aninhos atrás… Se você for, fique atento aos horários de alimentação dos peixes, que é muito legal. Também há programas para crianças passarem a noite no aquário!

Ícone da indústria de sardinhas enlatadas
Ícone da indústria de sardinhas enlatadas

A latinha oval de sardinhas de meio quilo alimentou as tropas aliadas na Primeira e Segunda Guerras Mundiais e virou um ícone, mas acho que Andy Warhol preferia a sopa de tomate… Anyway, Cannery Row (=fábrica de conservas) ganhou este nome apenas no final da década de 1950 depois que o escritor John Steinbeck publicou em 1945 um livro sobre a depressão da indústria de enlatados em Monterey com esse título. A história também foi adaptada para o cinema em 1982. Esse filme eu não vi, mas toda vez que minha filha assistia Tá Chovendo Hambúrguer (Cloudy with a chance of Meatballs) me lembrava de Monterey e acho que a inspiração da história pode mesmo ter vindo daí: ambas tiveram a decadência da indústria de enlatados pesqueiros e viraram cidade turística.

A Cannery Row
A Cannery Row

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Ali tem uma loja divertidíssima (Sea Otter Shirts) , e tudo nela remete às lontras (otters) e até a loja da Harley Davidson deixou um painel para foto com a lontroqueira:

A praia MacAbee fica bem na muvuca da Cannery Row. É bem feinha, principalmente porque tem umas ruínas na areia que eu não entendo o motivo de não as retirarem por completo. Tem acesso por escadas a partir desta pracinha:

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Outra área bastante visitada é a Fisherman’s Wharf, um cais onde você também pode comer, fazer compras e de onde saem os passeios de barco para avistar baleias. Eles garantem (não sei como) que você sempre as verá, em qualquer época do ano. Segundo o catálago de uma empresa que faz os passeios, no inverno e na primavera é possível avistar baleias cinzentas e no verão e outono baleias azuis e jubartes. Os preços variam de $40  a $49, em passeios que duram de 3 a 4 horas.monterey onde comer

Vitrine de restaurante em Fisherman's Wharf
Vitrine de restaurante em Fisherman’s Wharf

Eu falei da vida marinha farta, não foi? Foi ali no Fisherman’s Wharf que nos deliciamos observando duas lontras que “pescavam” ostras. Dá uma olhada no vídeo:

Unindo Pacif Grove ao Sul a Castroville ao Norte, está Coastal Trail, uma pista de ciclismo e para pedestres que segue 28 km pela orla traçada numa antiga trilha de trem. Ao longo dela você encontrará onde alugar bicicletas e áreas para picnic.

Coastal Trail nas proximidades de Fisherman's Wharf
Coastal Trail nas proximidades de Fisherman’s Wharf

De Monterey é possível avistar as Dunas do Fort Ord e eu fiquei mega curiosa para ir conhecer essa praia, mas não deu tempo.

O centrinho de Monterey, onde estão bancos, escritórios e comércio, é bem pequeno e tem aquele jeitinho interiorano, de vida calma, e em nada lembra o litoral. As ruas estavam decoradas com bandeirolas da Itália e uma feira com música ao vivo (mas nada de italiana) e barraquinhas de bebidas e alimentos estava acontecendo perto do Parque Histórico de Monterey. Demos uma passadinha por lá, mas o que mais encontrei de autêntico foi cannoli.

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O conjunto histórico de Monterey é distribuído por várias ruas e se você quiser conhecer todas as casas pode seguir as plaquinhas metálicas chumbadas nas calçadas, como a da foto abaixo. No Centro de Informações Turísticas (Monterey Visitor’s Center) tem muito material gratuito sobre a cidade, a 17-Mile Drive e até sobre Big Sur, então passe lá. Fica na Camino el Estero, 401.

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O centro de Informações Turísticas de Monterey
O centro de Informações Turísticas de Monterey

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Sempre que estou de carro gosto de passear pelas ruas residencias das cidades que visito e Monterey tem o estilo de casa que adoro: clapboard, com varandinha, cerca branca e muuuuitas flores!

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Vi várias ruas com árvores no meio delas - sem ilhas!
Vi várias ruas com árvores no meio delas – sem ilhas!
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Oliveiras na Califórnia!
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As cores do Outono no final do verão

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Mas o que leva muita gente a Monterey é seu entorno: apenas 7 km a separam da charmosa Carmel ou da linda 17-Mile Drive (foto de abertura deste post), tema de publicação futura.

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A primeira praia da 17-Mile Drive, em Spanish Bay

Como chegar a Monterey
Não temos voos diretos do Brasil para lá, então terá que fazer conexão em Los Angeles, São Francisco, San Diego, Las Vegas ou Phoenix.

A partir de São Francisco são apenas 190 quilômetros. Se tiver tempo, pode parar no Gilroy Premium Outlet, que fica no caminho, mas mais perto de Monterey do que de San Fran, tanto que como já era noite quando nos aproximamos decidimos fazer um bate volta a partir de Monterey no dia seguinte. Valeu a pena? Com o sono que eu estava, foi ótimo para dormir mais um pouquinho no carro! 😊

De São Farncisco a Monterey
De São Farncisco a Monterey

Onde Comer em Monterey
Comece bem o dia com um desjejum caprichado no Caffe Trieste, uma rede bem diferente do estilo Starbucks. Você também pede no balcão, mas eles servem à mesa e o ambiente é acolhedor – com wifi livre. Fica na Alvarado Street, no centro da cidade, perto do Rabobank. Você leu direito! 😂 Vimos várias agências com esse nome nesta parte da Califórnia.

O café da manhã doce da minha filha
O café da manhã doce da minha filha

Se o dia estiver bonito, por que não fazer um picnic? Na Coastal Trail você encontra mesas com uma bela vista da marina e do horizonte.

monterey onde comer

Não comemos em Fisherman’s Wharf, mas lá tem vários restaurantes. Tivemos duas refeições na Cannery Row e aprovamos. No almoço escolhi um prato típico norte-americano, o clam chowder, no Louie Linguini’s.

O Clam chowder no pão italiano
O Clam chowder no pão italiano

No jantar, escolhemos o Fish Hopper, que fica sobre o mar e é todo envidraçado. Escolhi um salmão com cobertura de gergelim preto.

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Foi nesse restaurante que entendi porque não estavam servindo água aos clientes assim que se sentassem à mesa, como é prática nos Estados Unidos. Devido à seca, água é servida apenas se solicitada.

Se você perdeu a chance de provar o chocolate Ghirardelli, que virou ponto turístico em São Francisco, em Monterey você tem outra oportunidade e a loja na Cannery Row fica lotada. Um pacote de 422g com tabletes sortidos sai por 16 dólares. Minha opinião sobre o chocolate? Nada demais.

Preços médios (em dólares, em setembro/2016)

refrigerante: 3,50
Corona long neck: 5,50
espresso: 3,95
Salada Caesar: 8
Salada Caprese: 12
Chowder no pão italiano: 13
Espaguete e almôndegas ou pene a bolonhesa: 16
Porção de camarão empanado com fritas: 24
Fish and chips: 17
Salmão ao pesto co legumes: 25
sobremesa (bolo ou mousse): 10

Onde ficar em Monterey
Em minhas buscas encontrei vários hotéis com lareira, mega românticos, mas como não era o caso (nem frio, nem romance), ficamos no Arbor Inn, hotel estilo motel americano com estacionamento grátis e café da manhã bem ruinzinho. O quarto era espaçoso, limpo e confortável. O exterior era muito charmoso. 

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Procure seu hotel ou pousada em Monterey pelo Booking.com. Se você gostar do preço, faça sua reserva clicando no logo deles aqui no blog (ou no link acima) e eu recebo uma pequena comissão para ajudar a pagar a manutenção do blog. Você não paga nada a mais, pode conferir!

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Roteiro de 1 dia em Verona

No post anterior, eu falei sobre a tarde de minha chegada a Verona quando basicamente visitei a Ponte Pietra e o Rio Ádige e a Piazza delle Erbe, então não deixe de ler. Neste post deixo o roteiro de Verona com as atrações principais: A Piazza Bra e a Arena, a Casa de Julieta, o Castelvecchio, entre outros.

A parte histórica de Verona é limitada pelas portas e muros e pelo rio Ádige e você vai encontrar placas sinalizando os principais pontos turísticos, então não tem como se perder. Quer dizer, até tem – e é sempre uma delícia, mas não tem como perder as “atrações” da cidade.

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Com o dia todo pela frente, começamos com um café da manhã na Piazza delle Erbe e fomos pegar no seio da Julieta. Caso você não saiba, há uma superstição de tocar o seio direito da estátua que fica abaixo do balcão onde teria vivido a Julieta de Shakespeare, para ter sorte no amor. Acredite ou não em superstições, faz parte da alegria de estar em um lugar especial.

estátua da Julieta em Verona

Devo dizer que a alegria acaba quando a gente passa pelo corredor que dá acesso ao pátio onde fica o balcão de Julieta: as paredes estão todas rabiscadas com nomes e recados. Quem, quem acha isso legal?

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Nem mesmo a placa que informa a proibição e aplicação de multa de €1.039 impõe respeito. Outra coisa: no muro atrás da estátua, vários chicletes são grudados na parede para segurar bilhetes escritos a Julieta. Na minha primeira vez em Verona achei tudo muito divertido e até li alguns bilhetes, mas desta vez tudo o que fiz vou mover a cabeça em reprovação e sair logo dali.

verona museus

A Casa de Julieta fica na Via Capello, 23. O acesso ao pátio onde está a estátua é gratuito, mas a Casa em si é um pequeno museu e ingressos são cobrados (€ 6 – ou € 7 se quiser ver a tumba de Julieta também). Ah, se você for a Munique, na Alemanha, há uma réplica da estátua na praça principal da cidade, a Marienplatz. Sem fila e sem chiclete. Mas não é Verona…

Deixo claro que a Casa de Julieta, assim como a de Romeu na Via Arche Scaligeri são invenções para turistas e não há registro de que as respectivas famílias rivais – Montague = Montecchio? e  Capello = Capuleto? – que nelas habitavam foram inspiradoras da obra de Shakespeare. É daquelas mentiras que piscam pra gente e a gente pisca de volta.

De lá caminhamos pela Via Mazzini e não resisti e entrei na Zara. Escrevo isso meio como um pedido de desculpas porque sempre me arrependo de gastar tempo em lojas quando viajo, ainda mais na Europa que tem tanto para se ver e aprender e se apaixonar. Mas se você não tem essa culpa, a Mazzini tem ótimas lojas de rede internacional.

a Via Mazzini
a Via Mazzini

A Bra é outra praça linda de Verona e onde fica a Arena de Verona, a terceira maior da Itália e assim como o Coliseu teve seus dias de gladiadores. Hoje você pode visitá-la e assistir a espetáculos de dança, concertos e às famosas óperas, que acontecem no verão, de junho a setembro. Em termos comparativos, ela é menor que o Coliseu, mas está em melhor estado de conservação. Para ver a programação e comprar ingressos, clique aqui. 

verona roteiro e dicas
A Arena vista da Piazza Bra
Arena de verona
Além dos concertos no verão, é possível visitar a arena

Além da Arena, na Piazza Bra você vai encontrar uma praça arborizada com uma estátua de Vittorio Emanuelle II – e se você estiver se perguntando porque há tantas estátuas e galerias e homenagens a ele, saiba que ele foi o responsável (ou levou as glórias) pela unificação do país e o proclamou como Reino da Itália, sendo conhecido como o Pai da Pátria. E isso é tão recente que chega a assustar, se pensarmos como a Itália é antiga: esse reinado durou de 1861 a 1946!

Vitor ou Vittorio
Vitor ou Vittorio

A prefeitura de Verona fica ali na Bra, no Palazzo Barbieri, do século 19. Na foto abaixo, só aparece um pedacinho do edifício que fica ao lado direito da Arena, mas na seguinte, que tirei da Torre del Lamberti, dá pra vê-lo melhor.

prefeitura de verona

Verona vista do alto

À esquerda da Arena, vemos casas coloridas em tons terrosos e em suas calçadas vários restaurantes.

Verona itinerário

Eu me lembro do impacto que o muro e a arena causaram em mim na primeira visita a Verona, assim como o Portoni della Bra e seu relógio. Ainda acho o conjunto maravilhoso, mas a sensação da primeira vez é única.

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Deixamos a Piazza Bra caminhando pela Via Roma. Logo na esquina fica o Museu Lapidário Maffeiano, mas só visitamos o pátio porque 1. é gratuito; 2. eu acho que não iria gostar muito do acervo que, como sugere o nome, é formado por lápides e urnas gregas e romanas. 3. o tempo urge!

O Museu na esquina da Bra com a via Roma
O Museu na esquina da Bra com a via Roma

verona card

No final da Via Roma fica o Castelvecchio, construído no século 14 para fins militares. O acesso ao pátio (corte d’Armi) é gratuito e ao museu (€ 6) apenas para quem tem o VeronaCard. Para mais informações, clique aqui.

verona lugares para conhecer
Fachada do Castelvecchio e entrada na torre à direita
verona castelvecchio
A entrada, por uma ponte levadiça

A placa da entrada menciona Carlo Scarpa, que restaurou nos anos 1960 o castelo e peças para o acervo do museu, como estátuas, pinturas, cerâmica e outros objetos veroneses do século 14 ao 18.

Castelo em verona
Torre dell’Orologio ao fundo, que foi reconstruída entre 1923 e 1925

Li em algum lugar que a torre do castelo voltada para o Ádige era bem maior do que vemos hoje e que chegava até o Arco dei Gavi. Esse arco romano do século I DC foi totalmente demolido enquanto Napoleão dominava a Itália (eita baixinho fdp!) e foi reconstruído nos anos de Mussolini na praça ao lado do castelo. Sua localização original era na Rua Cavour, à frente da torre do relógio do castelo, onde ainda se vêem as marcas de sua base, olha que legal!

portas e arcos de Verona
Arco dei Gavi

Atrás do arco, outro ponto bonito para ver o Rio Ádige (no post anterior você encontrará várias fotos do ponto mais bonito do rio, na ponte Pietra). Se tiver tempo, atravesse a ponte Scaligero (ou ponte do Castelvecchio) que só foi aberta ao público em 1870. Eu não fui, mas você tem que ir e me contar o que achou! Esta ponte também foi bombardeada durante a Segunda Guerra Mundial e reconstruída entre 1949 e 1951. Fico aqui pensando como a Europa conseguiu se reconstruir tantas vezes e penso em nossas casas históricas da baixa Salvador e do centro de Santos, mais novas e tão abandonadas…  

Nós, atrás do Arco dei Gavi
Nós, atrás do Arco dei Gavi e a ponte ao fundo

A Corso Cavour é bem menos muvucada e ótima para caminhar, embora não seja uma rua de pedestres, e no final dela fica a Porta Borsari

porta borsari Verona

Seguindo na mesma rua, que muda de nome e passa a ser Corso Porta Borsari, saímos novamente na Piazza delle Erbe. Minha amiga foi fazer compras e eu fui explorar a Piazza dei Signori, que tem em seu centro outra estátua que encontramos em várias cidades italianas: Dante Aleghieri, o pai da língua italiana, além de autor da Divina Comédia, o Camões deles, se é possível comparar. A praça é mais tranquila que as outras e passei algum tempo sem fazer nada, só observando o vai e vem de pessoas, as fachadas das casas e seus detalhes, assim como Dante.

verona dicas de viagem
Cadê você, Beatriz?

Roteiro de 1 dia em Verona

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Dante nada diz, a tudo observa…

Verona museus

Ali na praça fica a entrada para o Palazzo del Mercato Vecchio/Palazzo della Ragione, que dá acesso à Torre de Lamberti, a mais alta construção de Verona, com 84 metros. Começou a ser erguida no século 12 e sofreu várias intervenções, como se pode ver pela diferença de materiais, como tijolos e tufo alternados em camadas, quando tinha apenas 37 mestros de altura. Apenas no século 15 foi adicionada a parte em tijolos e mármore branco como vemos hoje. O relógio que fica na face voltada para a Piazza delle Erbe, foi acrescentado somente em 1779.

A Torre de Lamberti

Para chegar ao topo, você pode subir os 368 degraus ou pegar o elevador que chega até o ponto acima do relógio, restando outros 125 degraus para chegar até  o campanário, onde há dois sinos de diferentes tamanhos (4, segundo o site deles). O menor marcava as horas e também era acionado em caso de incêndios. O maior tocava o terror: chamava a população para pegar as armas em tempos de guerra.

Torre e sinos de Verona

Mais uma vez me entristeceu ver que Enza e Roberto e tantos outros deixaram sua marca ali. Sério, viajamos para que os lugares nos deixem marcas, não o contrário. Che vergogna!!

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No alto da torre tinha rabisco. Tinha rabisco no alto da torre.

A entrada para a Torre pode ser comprada na bilheteria do Palazzo del Mercato Vecchio/Palazzo della Ragione por € 8 e dá acesso ao elevador – isso é muito importante 😛 e à Galleria d’Arte Moderna Acihlle Forti. Se você tiver o Verona Card, ambos são gratuitos. Caso você não saiba, as cidades turísticas da Europa e América do Norte comercializam cartões que dão acesso gratuito ou com descontos para atrações ou transporte. Em Verona você pode comprar o com validade de 24 ou 48 horas (€ 18 ou € 22) no Centro de Informações Turísticas, na Piazza Bra ao lado da Prefeitura.

A Piazza delle Erbe vista da Torre
A Piazza delle Erbe vista da Torre

O acervo de arte (pinturas e esculturas) do museu pode ser visitado rapidamente. Não tenho fotos pois não são permitidas e isso causa um impacto enorme na minha memória, ou seja, não lembro de quase nada, agora meses depois. Além da capela ricamente decorada o acervo não me impressionou muito e a nota que fiz de uma artista de que gostei desapareceu entre minha papelada de viagem. As instalações do museu são modernas, com santo ar condicionado e há guarda volumes e banheiros bem equipados.

Saindo do museu meu estômago resmungou e comi uma deliciosa bruschetta (por que essas coisinhas são tão deliciosas na Itália?) na Via delle Fogge, uma simpática rua de pedestres recheada de mesinhas que sai da Piazza dei Signori. Se seu estômago não chiar, seguindo à direita na praça, na saída do museu, você encontra um monumento gótico, o Túmulo dos Scaligeri e pode ainda se perder pelas ruelas até sair no Duomo ou no rio Ádige.

brischetta, come ti amo!

As atrações deste e do post anterior não são as únicas de Verona, mas são as principais. Se você tiver um dia vai conseguir ver tudo, mas se puder, por que não ficar mais?

Acesse a página índice da Itália para ler tudo o que já publiquei sobre o país de meus antepassados.

meus pés em Verona

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verona dicas

O que Fazer em Verona além de apaixonar-se

Ah, uma segunda vez em Verona vai dar conta. Não deu. Muita gente vai dizer que um dia é suficiente em Verona e talvez para muitos seja, mesmo, mas eles não se apaixonarão/am, então de que vale a visita? Neste post falo sobre as atrações da tarde em que cheguei e no próximo dou o roteiro de 1 dia pelos pontos principais da cidade.

Cheguei a Verona de trem vindo de Trento (€17) com minha colega de viagem, esta a última cidade do rolê de 10 dias pela Itália (Toscana e Dolomitas). O taxi (€12) nos deixou no B&B Alle Erbe (€89), a passos da Piazza delle Erbe, cujo prédio fica em frente à Loggia del Mangano (leia mais abaixo), na Corte Sgarzerie. Como tocamos a campainha e ninguém nos atendeu, pois já havia passado a hora do check in, recorri a duas jovens que conversavam animadamente sentadas na mureta da loggia. Acabei descobrindo que uma delas era filha de uma brasileira (estamos por todo o mundo!). Solícitas, elas ligaram para o telefone de contato do B&B e em italiano explicaram que estávamos ali, prontinhas para entrar em nosso quarto. Eles forneceram a senha eletrônica para acessar o prédio e deu tudo certo.

sítio arqueológico em Verona
Loggia del Mangano

Nesta pequena praça, no número 8,  fica a entrada para o sítio arqueológico Corte Sgarzerie, cujas escavações começaram em 1983 e continuaram até 2011. Foram encontradas estruturas de edifícios públicos e de um templo romano dedicado a Juno, Minerva e Júpiter, usado até o século 4, quando foi abandonado devido à massificação do Cristianismo. A forma que possui hoje é medieval e passou por várias construções, tendo sido restaurada recentemente. Encontre mais informações aqui. 

Depois de ter explorado a simpática Trento naquele mesmo dia, e apesar do cansaço, saí para fotografar o rio Ádige (de novo, pois ele também banha Trento) e a ponte Pietra. Aqui ele é bem mais bonito do que em Trento, especialmente nos arredores da Pietra porque a colina em frente com seus ciprestes e edifícios centenários fazem um belo pano de fundo. Verona o que fazer

quantos dias em Veroa

A Pietra é um dos monumentos mais importantes da cidade por seu valor histórico. A primeira ponte construída ali, em madeira, data de 89 AC. Ao longo dos séculos, há registros de quedas e destruição da ponte, seja em madeira, seja em pedra. A ponte que se vê hoje foi reconstruída em 1959, após ter sido explodida em 1945 pelo exército alemão em retirada. Foram utilizadas pedras originais caídas no rio, mas faltavam muitas, então a completaram com tijolos de demolição de edifícios medievais.

A ponteà época da reconstrução
A ponte à época da reconstrução
noite em Verona
Do outro lado do rio, alla sinistra, a Igreja San Giorgio in Braida
Alla destra, o Teatr romano
Alla destra, o Teatro romano

Da Ponte, não é possível ver o teatro Romano, apenas a enorme placa verde que aponta sua localização, como mostra a foto acima. Do Teatro Romano original, construído no século 1 AC, restam apenas os degraus e trechos do muro, mas há espetáculos regulares ainda hoje. Se quiser assistir a um, este site vende ingressos.

O Teatro Romano. Foto de Wikipedia
O Teatro Romano. Foto de Wikipedia

Pena que não tive tempo para perambular pelas ruas do outro lado do rio. Minha amiga me esperava para jantarmos – e estava ficando muito ermo por ali e como boa paulistana…

dicas de Verona

turismo em Verona
sempre encantadoras ruelas italianas
No alto da Colina, o Santuário Na. Sra. de Lourdes observa Verona
No alto da Colina, o Santuário Na. Sra. de Lourdes observa Verona
bikes para empréstimo, do outro lado da ponte Pietra
bikes para empréstimo, do outro lado da ponte Pietra

De volta ao centrinho, fiz algumas fotos na Piazza delle Erbe, que em vez do mercado de outros tempos abriga barraquinhas de produtos verochineses. Essas barraquinhas são ótima opção para comprar suvenires como ímãs, chaveiros, chapéus, camisetas, biju, uma variedade enorme a preços baixos. Por outro lado, elas poluem a praça visualmente e não têm a autenticidade de feirinhas de antiguidade de outras praças na Europa. Na minha opinião, um mercado de frutas, legumes e flores deveria ser mantido ali, quem mais apoia a causa? Se puder, deixe para fotografar a praça no final do dia, quando há menos gente e dá para fotografar e apreciar os muitos monumentos, fontes, terraços, janelas e afrescos das fachadas.

piazza delle erbe verona
A Piazza delle Erbe de dia
verona
e à noitinha


Da imagem acima, podemos falar de dois pontos importantes da praça: a fonte e as Casas Mazantti. A Fonte “Madonna Verona“, tem em sua estátua o elemento mais antigo da praça, datada do século 4, mas a fonte é do século 14. Encantada com tudo, nem percebi que minha filha imitou a cena de La Dolce Vita e se refrescou na fonte, em minha primeira visita a Verona!

Ju se refresca na base da fonte
Ju se refresca na base da fonte

As Casas Mazzanti são um conjunto de casas com afrescos remanescentes do período em que esse elemento era tão comum em Verona que os visitantes a apelidaram de urbs picta (cidade pintada). Pertenceram a várias famílias poderosas, como os Scala (séculos 13 a 16) e os Gonzaga, que vendeu à família Mazzanti em 1527.

verona fonte madonna veronaE se você já esteve em Veneza, deve se lembrar da coluna com leão alado que fica na Praça de São Marcos. Símbolo do poder veneziano, Verona ganhou um leão em 1523, abatido por jacobinos que retomaram o poder em 1797 e recolocado numa grande festa em 25 de abril de 1886, dia de São Marcos. Ainda olhando a foto abaixo, vê-se atrás da coluna de São Marcos o Palazzo Maffei, de 1668, ques ostenta 6 estátuas de divindades pagãs: Éroles, Júpiter, Vênus, Mercúrio, Apolo e Minerva.

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A fonte que aparece na imagem abaixo é anexa à Tribuna ou Berlinda (eu não fotografei a dita, porque não sabia de sua relevância histórica, veja só!), uma espécie de gazebo de pedra onde na Idade Média os ‘prefeitos’ da cidade deveriam prestar seus votos a serviço de Verona. Também servia de padrão para medidas, utilizado pelos comerciantes locais.  Quanto à fonte, meu italiano não permitiu entender direito, mas na Idade Média quem blasfemasse contra Deus ou Virgem Maria era mergulhado uma quantidade x de vezes -e isso se fosse inverno, porque no verão a pena era outra.

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Outro monumento da praça é um pouco mais recente e homenageia os mortos no bombardeio da Primeira Guerra Mundial.

The Austrian air-raid on Verona, death and destruction by bomb in the Piazza delle Erbe

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Saber o significado e um pouquinho da historia dos elementos da cidade traz um novo olhar para o turista, mas outros sentidos precisam ser atendidos, como o paladar. Escolhemos uma mesa ao ar livre no Caffe Dante, na praça ali pertinho, a dei Signori, a respeito da qual falarei no próximo post sobre Verona. Já ouvi muito brasileiro dizer que a pizza boa é a brasileira e não a italiana. Bem, gosto é gosto…

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O serviço foi um pouco lento porque os atendentes estavam assistindo a uma partida de futebol da Eurocopa, Itália e Bélgica. Como boa brasileira, entendi. Deu Itália (2 X 0) e deu pizza. Todo mundo ficou feliz.

No próximo post, descrevo o roteiro de um dia inteiro em Verona, com mapinha e tudo!

Acesse a página índice da Itália para ler tudo o que já publiquei (e publicarei) sobre o país de meus antepassados.

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