Como é o tour Vale da Lua e Vale da Morte no Atacama

Que comecem os superlativos! Estreamos no deserto mais árido do planeta, o chileno Atacama, com um dos passeios mais populares e o mais próximo da cidadezinha de San Pedro de Atacama, a qual tem ares de faroeste americano ou de sertão brasileiro. Talvez pelo ineditismo tenha sido um dos passeios que mais me marcou, mas talvez tenha sido pelo incrível por do sol de um lado do vale e pela lua cheia do outro. É mais certo afirmar que a cada post publicado eu diga a mesma coisa sobre o Atacama: que todos os passeios foram de alguma maneira únicos e inesquecíveis, seja pelas paisagens, seja pelos efeitos do calor, do frio, da altitude, do silêncio, da companhia de pessoas que compartilham com você o prazer de estar naquele canto quase intocado do planeta. E isso não é pouco. Vá logo, vá logo, é minha melhor dica.

Este passeio é interessante fazer no primeiro ou segundo dia de sua estadia em San Pedro, dependendo de quantos dias tiver por lá, porque é de baixa altitude comparado aos demais. Os vales estão a apenas 2.500m, e também porque é mais rapidinho, com duração aproximada de 5 horas, podendo ser feito no período da manhã, quando há menos pessoas, ou à tarde, que embora seja mais cheio proporciona o espetáculo das cores do sol poente sobre as montanhas e vales. Então, a grande dica é contratar uma agência que te leva a um lugar especial pra ver este espetáculo que é o por do sol. Mas vamos começar pelo começo.

O guia Fabio, paulista que virou a mesa e se estabeleceu na seca, empoeirada e peculiar San Pedro de Atacama, chegou pontualmente em seu 4×4 em nosso hotel às 16h e só passamos em um outro hotel pra pegar a Aliny do blog Me Leve na Mala e sua mãe. Ou seja, parecia mais um passeio de amigos do que uma excursão e a vantagem da agência FlaviaBia Expedições começa por aí: grupos sempre pequenos e de brasileiros e guias fluentes em Português. Vou falando mais nos próximos posts.

Acesse a página índice do Atacama aqui no blog, onde estão/estarão os links para todos os posts sobre os passeios, a cidade e dicas gerais para planejar sua viagem até lá, como transporte, preços de alimentos, etc.

Ambos os vales ficam numa cordilheira denominada Cordilheira do Sal, um antigo lago cujo fundo foi se levantando e verticalizado, formado na mesma época da Cordilheira dos Andes, só uns 23 milhões de anos. Além do sal, o branco que se vê em alguns pontos é gesso. Eu sinceramente não consegui ver diferença entre os dois. Visitar em março é legal porque é dos poucos períodos em que chove, então a chuva lavou os campos de sal e estavam branquinhos! Por outro lado, a umidade esteve em torno dos 30% quando estivemos lá e isso prejudicou um pouco a nitidez das fotos dos Andes.

Há uma espécie de portaria/pedágio, controlada pela Associcion Indigena del Valle de la Luna, que representa 6 comunidades (você recebe um panfleto com mapa na entrada explicando melhor) e gerencia o Vale da Lua. Achei bastante simpático do governo chileno, que não tomou o lugar que tem todas as caractetísticas de um parque nacional. Aqui se pagam 2.000 pesos por pessoa. Leve dinheiro.

Cada agência faz um roteiro, mas os pontos visitados parecem ser os mesmos, embora até aí possa haver diferença. Nosso tour, por exemplo, não foi à popular Pedra do Coyote ou Mirador de Kari. Depois fiquei sabendo que descobriram uma trinca na pedra e não é mais permitido subir nela. Adeus filas pra fotos…

canyon para a caverna de sal

Nossa primeira parada foi a Caverna de Sal, uma caminhada dentro de um canyon estreitíssimo, de paredes com formas ora arredondadas, ora verticais cheias de cristais de sal, onde passa apenas uma pessoa por vez, em fila indiana. Se você se espremer bem em um determinado ponto, dá pra passar em vez de voltar pelo mesmo caminho, mas não nos esprememos, então não posso contar essa parte de virar suco. Como nosso tour saiu antes do que a maioria das agências, que começam às 17h, quando estávamos saindo um grupo grande chegava, e fica impraticável caminhar com gente indo e outras gentes vindo. Escolha bem sua agência!

Ah, ao lado da área do estacionamento tem sanitários, mas estavam trancados com cadeados quando visitamos. A dica é levar papel higiênico nos passeios e brincar de ser gatinho. Não falta areia pra enterrar seus tesouros.

De lá seguimos para o Vale da Lua. A velocidade máxima permitida é de 40km/h, então dá pra apreciar bem as paisagens. Há uma área de estacionamento e seguimos a pé em uma trilha de terra batida e pequena elevação por cerca de 10 a 15 minutos. Leve água, porque nos demoramos aqui e não há sombra.

O branquinho não é neve, é sal!
São tantas cores e formas…
Basta olhar para o horizonte na direção dos Andes pra ver um vulcão. São 17 somente nesta região!

Então subimos uma colina e uau! Um visual de paisagens incríveis e formações bem diferentes entre si – e os vulcões sempre no horizonte, no lado oposto, na Cordilheira dos Andes. Dá pra andar no topo dessas duas colinas, que têm terra batida e muitas rochas, tornando bem tranquila a caminhada, mas ouvi gente dizendo que a subida é muito cansativa, o que achei estranho, pois achei muito fácil e meu único esporte é ser sedentária.

O que mais me impressionou é que há duas formações muito parecidas e que parecem arenas romanas, inclusive são chamadas Anfiteatros.

formiguinhas diante da imensidão do deserto

Dunas de areia escura, campos de sal, formações rochosas que parecem de outro planeta, este vale é rico por sua diversidade.

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Sim, há dunas neste deserto!

Veja o filminho que fiz do alto da colina no Vale da Lua:

De lá, ainda nos limites do Vale da Lua, visitamos uma pitoresca formação rochosa chamada Três Marias, um conjunto de 1 milhão de anos, assim, no meio do nada, como muitas formações que veríamos no Salar de Tara. Parece que uma das Marias foi decapitada por um turista há alguns anos, mas o nome do conjunto continua o mesmo. Eu, pra falar a verdade, achei mais divertido fotografar o homem casado viaja na estradinha do que disputar espaço com os muitos turistas nas Três Marias.

A gente sai pulando, saltitando, de tanta alegria. Efeitos da altitude?
Três Marias, à esquerda da foto. Uma Marcia, à esquerda dos ciclistas

Então partimos para o Vale da Morte e no caminho há um trecho em que o vulcão Licancabur, que domina a paisagem do Atacama, pode ser visto bem no meio da estrada. Ou seja, filme, fotografe, peça pro guia parar pra tirar fotinhos, não deixe só na sua memória. O nosso guia não parou no meio da estrada porque estava preocupado com o horário.😠 Tá certo, já pensou se a gente perde o por do sol?

Fiz a foto de dentro da van, mesmo: o imponente Licancabur

O Vale da Morte é um buracão fantástico, digno de locação cinematográfica, assim como todo o Atacama, mas o que tornou este passeio tão especial foi o por do sol. Chegamos pouco antes de o espetáculo das cores começar. É incrível como as cores mudam em segundos! E foi único ver no Oeste o sol se pondo e no leste a lua cheia!  Nem vou descrever, vejam as fotos:

duas fotos feitas com o mesmo celular, com intervalo de 5 segundos

Sempre acho que o por do sol da última viagem foi o melhor, mas vai ser difícil bater este!

Com o sol se pondo, o vento fica frio e precisamos nos agasalhar, mas lembre-se que esta viagem aconteceu no final do verão, em março. Em outras épocas pode ser mais frio, então pesquise a média de temperatura quando você for. Eu sempre uso o app Accurate weather. Sua agência também pode te informar o que vestir. Vi gente de shorts e vi gente de calças, como em nosso grupo. Minha mala estava cheia de gorros e cachecóis que nunca cheguei a usar. But you’d better be safe than sorry!

E pra deixar o dia ainda mais especial, uma manta andina sobre uma mesa com aperitivos, vinho tinto, suco, e até comida quente: carne moída e frango em cubinhos e acompanhamentos. Só comi por insistência do guia, porque eu já estava alimentada com tanta paisagem linda deste nosso primeiro dia no Atacama.

Nosso pequeno grupo brindando o privilégio de estar no Atacama

Vale a pena fazer o Vale da Morte e Vale da Lua?
Sim! Não precisa ser geólogo para admirar os contornos das montanhas e dunas; não precisa ser trilheiro para fazer os poucos percursos a pé; não precisa ser muito sensível para se emocionar com o por do sol num lugar espetacular como o Atacama.

Quanto custa o passeio Vale da Morte e Vale da Lua? Que agência contratar no Atacama?
Todas as agências da cidade de San Pedro fazem este passeio, mas há diferença enorme nos preços e consequentemente no serviço prestado. Pergunte quantas pessoas estarão no grupo, o que acontece se não houver número suficiente para o passeio, qual o roteiro para o passeio, quantas horas leva, se é servido algum lanche, entre outras. Não se apoie somente no preço para decidir, especialmente em passeios mais distantes, como o Salar de Tara, de que falarei mais adiante. Vi vários carros quebrados no meio do deserto…

Dá pra ir ao Vale da Lua ou da Morte sem agência?
Muitas pessoas fazem este passeio em carro comum, porque não saímos da estrada (mas para o por do sol no Vale da Morte, no ponto aonde fomos, é preciso um, sim), mas alugar carro em San Pedro é bem caro, então se você realmente quiser guiar pelas estradas de rípio do deserto programe-se para alugar um no aeroporto de Calama e trace bem suas rotas num mapa, de papel, sabe?, pois não há conexão na maior parte dos lugares do deserto.

Também é possível fazer esses passeios de bicicleta, mas tem uma subidinha puxada logo ao sair de San Pedro, então acho que esta opção é só para quem tem a bicicleta como esporte e está acostumado a altitudes. Embora esta região esteja a apenas 2.500 de altitude, há menos oxigênio no ar do que ao nível do mar, e isso nos torna mais lentos e com menos fôlego. Ouvi relatos de gente que desmaia não só pela falta de oxigênio, mas pelo calor, ourto ponto a considerar. Mais relatos de gente que perde a consciência ou que surta no post sobre o Salar de Tara.

Tem alguma pergunta? Manda aí nos comentários!

Este passeio foi patrocinado pela FlaviaBia Expedições, mas matenho minha opinião subjetiva e livre de interferências comerciais. Agradeço a Flávia e toda sua equipe que fez de nossos dias no Atacama inesquecíveis. E à galera que fez os passeios conosco, que saudade, né, gente?!

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Torres del Paine: hipnotizantes

Acho que esse é o adjetivo perfeito para descrever as montanhas em Torres del Paine: Hipnotizantes. Eu não me cansava de admirá-las, igual à menina que ganha a boneca tão desejada e a leva para a cama, acorda no meio da noite, sorri, abraça a boneca e volta a dormir. Como não dormi ao relento, mantive as cortinas do quarto abertas para que a montanha Almirante Neto fosse a última coisa a ser vista e a primeira ao amanhecer, ainda sem sair da cama. Além disso, não resisti e na primeira noite deixei o calor e a segurança do quarto (a região tem pumas) para, entre as duas ou três da madrugada, sentir a montanha, o vale e a escuridão – mas só um pouquinho, porque bicho de cidade se assusta com o nada.

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Caso de amor com a montanha

Se você também gosta de estar em vales, montanhas e lagos, bem-vindo/a a este post! Se você aprecia quase qualquer tipo de viagem, como eu, bem-vindo/a a este post!

Como já contei aqui no blog, chegamos ao Parque Nacional Torres del Paine dirigindo de El Calafate, na Argentina, viagem esta tema do post De El Calafate a Torres del Paine. Recapitulando: era segunda quinzena de janeiro, quando as temperaturas são amenas no sul da patagônia e os dias mais longos.

Este relato começa logo após cruzarmos a fronteira. O trecho de 13 quilômetros de rípio (cascalhos) entre a estrada até a Portaria Lago Sarmiento é bem ruim.  Alguns preferem entrar no parque pela Portaria Laguna Amarga. Quem vem de Puerto Natales, mais ao Sul, provavelmente use a Portaria Serrano. As portarias permanecem abertas das 8h30 às 20h30 nessa época do ano. Escolhemos a Sarmiento porque iríamos percorrer a estrada da Portaria Laguna Amarga, que é mais cênica, no final do dia, a caminho do hotel. Sugiro que você imprima um mapa do parque para se localizar e escolher por qual portaria entrará, caso esteja viajando por conta.

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A Portaria Sarmiento

Antes da portaria, você já avista os primeiros guanacos, o Lago Sarmiento e as montanhas com picos nevados. O ingresso nos custou 66 dólares por pessoa (18 mil pesos chilenos), com direito a permanecer no parque por três dias, mas não vimos ninguém conferindo durante o tempo que estivemos lá ou na saída. Você mesmo anota seus dados em um livro, com informações pessoais e origem. Recebe um mapa do parque, com as trilhas e estradas, regulamento e informações básicas da fauna, flora e principais montanhas. Acostumada com sorrisos e saudações de guarda florestais de parques norteamericanos, estranhei a funcionária de poucas palavras e nem esboço de sorriso.

O mapa e os recibos
O mapa e os recibos

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Como nossos planos incluíam um dia de trilha e outros dois dias que, além da visita ao parque, seriam usados para vir de e voltar a El Calafate, aproveitamos a tarde excepcionalmente longa (o sol se põe por volta das 22h no verão) para explorar um trecho do parque.

Com paisagem tão cênica, você faz diversas paradas para fotografar e as horas passam rapidinho. Há alguns pontos com recuo na estrada, mas embora seja proibido parar fora desses pontos, há pouca circulação de veículos e não achamos perigoso, desde que você não pare numa curva, claro.

Dirigimos até o Salto Grande, uma cachoeira não muito impressionante, mas a atração principal foi o vento no meio da trilha: muito forte e surpreendente. Aproveite para fazer fotos divertidas por lá. Dependendo do ângulo, vai parecer que você estava voando mesmo! Também tem uma cafeteria no início da trilha e o catamarã para navegação no Lago Pehoe e para o Acampamento Paine Grande (e a primeira perna do W) parte dali.

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o salto e a selfie

De Salto Grande sai uma trilha fácil de uma hora de duração e quase toda plana para o Mirador Los Cuernos, os picos que competem em beleza com as Torres del Paine que nomeiam o parque. A vista dela pelo caminho é mais bonita do que no próprio mirante, na minha opinião (fotos abaixo). Confira e escolha sua montanha preferida. Eu não consigo decidir!

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Que vento é esse!!!!!
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A vista no meio da trilha para Los Cuernos

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Houve um incêndio em Dezembro de 2011 que atingiu grande área do parque e em janeiro de 2012 o parque ficou fechado. Não só nesta trilha, mas em vários pontos ainda se veem os restos de árvores queimadas. É de partir o coração… Vez ou outra um visitante é expulso do parque por estar fazendo fogueira, o que é terminantemente proibido, em qualquer local ou situação.

Depois da trilha, quase ao escurecer, dirigimos até o Hotel Las Torres. A estrada do parque é de rípio mas fora a poeira não é ruim. Há sinalização indicativa dos lagos e para alguns pontos do parque.

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De rípio, as estradas do parque são melhores do que as estradas de terra do Brasil
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Chegando a Las Torres

O hotel fica aos pés do Monte Almirante  Neto, de 2.670 metros, no início da trilha que leva ao Lago e à vista das Torres del Paine. Além do Hotel, nesta área estão o EcoCamp e os Refúgios Las Torres Norte e Central. Mais abaixo, link para um super post com indicação de hotéis, campings, refúgios.

Fiz minha reserva pelo Booking.com, com quem o Mulher Casada Viaja tem parceria e que sempre uso para reservar os hotéis. Leia as avaliações de hóspedes, veja as fotos do quarto e do hotel, a localização e faça sua reserva clicando aqui. O blog ganha uma pequena comissão, que ajuda os custos com sua manutenção no WordPress. Não custa nada a mais pra você!

Vale onde fica o Hotel Las Torres Patagonia
Vale onde fica o Hotel Las Torres Patagonia

Feito o check in, estávamos ávidos por um banho para tirar o pó e por um prato quente, mas como o restaurante do hotel fecha às 22h e era mais longe do nosso quarto do que o bar (não daria tempo), ficamos por lá, que além de bebidas tem saladas e comidinhas. Pedi um pisco sauer e fomos de salada e empanadas. O bar parecia uma Torre de Babel (adoro!), com gente falando idiomas diversos, trilheiros cobertos de pó e uma vista maravilhosa da montanha.

Você pode ser feliz em qualquer lugar, mas se for em TdP, melhor!
Você pode ser feliz em qualquer lugar, mas se for em TdP, melhor!
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O lobby do hotel com o bar ao fundo

No dia seguinte fizemos a trilha para a base das Torres del Paine, que nos tomou o dia todo e que mereceu um post só pra ele. O link está no final deste post.

A galera descansando à beira do lago
O que vi no final da trilha

Depios da trilha e de um bom banho, nos arrastamos (literalmente! eu mal conseguia caminhar) até o restaurante do hotel e quando soube que o serviço era de buffet me arrependi de não ter ido ao bar. Don’t get me wrong, a comida era boa, mas eu tive que levantar e caminhar até o buffet ao menos três vezes para fazer a refeição completa. As articulações das minhas pernas rangiam, meus pés choravam e eu não via a hora de aquela refeição acabar, eu voltar para o quarto e finalmente repousar. E eu que achava que o Grand Canyon é que tinha sido cansativo! Mas então eu tinha 20 anos a menos!

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No meio da trilha

No terceiro dia em TdP fizemos o check out perto das 10 horas, quando o hotel já estava vazio, pois todos saem cedo para as trilhas, passeios a cavalo ou tours oferecidos pelo hotel. Demos graças por ser um dia em que ficaríamos a maior parte do tempo sentados no carro, pois havíamos exigido demais de nossos preguiçosos músculos.

Deixando Las Torres
Deixando Las Torres

O dia estava nublado e bem escuro e eu não cansava de pensar “Que sorte tivemos em escolher o dia anterior para a trilha. Não havia uma nuvem no céu!”. Pois é, elas resolveram se reunir no the day after.

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Vários ângulos das montanhas vão passando pela janela do carro
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vista do Lago Pehoe
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Viajar é… pular pra foto depois de 10 horas de trilha

A partir daí, a estrada  corre rente ao Rio Paine, que tem um tom lindo de azul. Então entendi. Paine significa azul e as Torres foram nomeadas em uma justa homenagem. Coloquei um vídeo sem edição, com direito a espirro, erro de pronúncia do nome de Lago, trepidação do carro e até o “Pára, pára” para uma foto. A vida como ela é:

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O lindo rio Paine=Azul

Dirigimos até o final da estrada, no Lago Grey (sorry ladies, nada a ver com Christian Grey), com algumas paradas, claro. Lá existe um passeio de barco pelo Lago que na alta temporada parte quatro vezes ao dia, então programe-se porque nessa época não conseguirá se não comprar antecipadamente. Foi o que aconteceu conosco…

O restaurante do Hotel com vista para o Lago e o Glaciar Grey
O restaurante do Hotel Lago Grey com vista para o Lago e o Glaciar Grey
O glaciar Grey
O glaciar Grey

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No caminho de volta, a estrada corre paralela ao Rio Grey e se despede para seguir rumo ao Leste. Quem volta para Puerto Natales, pega a direita na bifurcação, onde fica a administração do parque, uma base de informações, terminal de ônibus e apoio para emergências ou incêndios.

Administração do Parque TdP
Administração do Parque

Como viajaríamos a El Calafate, na Argentina, pegamos a esquerda, avistamos o Rio Paine mais uma vez e chegamos ao Lago Pehoe.

Pode-se dizer que o Lago Pehoe é o centro do Parque. Pehoe significa “escondido” e se pronuncia “pay-oh-way” (agora sei). Este lago também é navegável, embora o catamarã parta de Salto Grande e não de onde ficam a ponte sobre suas águas verdes, Hotel e Restaurante homônimos. Aproveitamos para almoçar lá e subir uma pequena trilha até o alto de um morro para fotografar as montanhas de um outro ângulo.

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Lago Pehoe, hotel e restaurante homônimos

Eu recomendo parar ali para uma refeição, pois o Lago é lindo, a vista das montanhas impossível de definir e ainda tem uma colina com vista de 360 graus do entorno, de onde tirei a foto em que dou um saltinho, mais abaixo.

O restaurante é aconchegante e oferece menu completo, ou seja, há duas opções de entrada, de prato principal de de sobremesa, bebidas à parte, ao custo de 18.900 pesos (34 dólares). Não foi a melhor comida que já comi, mas foi uma das melhores vistas, com certeza!

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Se gostar de cerveja, peça a Austral, que é produzida na região e tem rótulo com a vista do restaurante!

Cerveja com rórulo da paisagem. Só aqui!!!
Cerveja com rótulo da paisagem local. Só aqui!!!

Fome saciada, subimos uma colina para o mirador, vista point, mirante que fica ali no terreno do hotel. E eu gostei desse negócio de pular pra foto! rsrsrs

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Viajar é… saltar para foto apesar da dor muscular causada por 10 horas de trilha

Depois do Lago Pehoe, nos restou fazer o caminho de volta até a Portaria Lago Sarmiento e finalmente a El Calafate. Leia sobre o percurso El Calafate-TdP em . No próximo post, as dicas práticas sobre Torres del Paine.

Se não tivesse tanto mundo para conhecer, eu já estaria planejando voltar e fazer a trilha do Vale do Francês. Afinal, minhas pernas já nem doem mais!

Última dica: para quem gosta desse tipo de viagem, sugiro a ainda mais bela Icefields Parkway, estrada que liga os parques Jasper e Banff, nas Montanhas Rochosas canadenses. Escrevi sobre ela sem tantos detalhes, pois fomos no século passado, em 1997. Clique aqui: Icefields Parkway: “A” estrada nas Rochosas Canadenses

O blog também te ajuda com o seguro viagem, que inclui desde problemas de saúde a extravio de bagagem. Temos parceria com a Mondial Assistance, que oferece 15% de desconto para os leitores do Mulher Casada Viaja. É só clicar aqui e fazer seu orçamento para uma viagem tranquila e segura. O código para fazer valer o desconto é atualizado nesta página do blog.

Posts Relacionados

Para saber mais, leia também os posts clicando em seus títulos:

TdP: Hotéis, Campings e Refúgios: links para todos os tipos de hospedagem em TdP

De El Calafate a Torres del Paine: dicas de combustível, fronteira, aluguel de carro

TdP: Sangue, Suor e Beleza: vai encarar a trilha de 8 – ou 10 horas, no meu caso 

Dicas que faltaram nos posts anteriores você encontra aqui: Torres del Paine: Dicas práticas

 

 

Patagônia Argentina e Chilena: últimos preparativos

Depois das festas de final de ano e de uns dias na praia, voltei a SP ainda com preguiça de fazer a mala – pra dizer a verdade, ainda não a fiz, porque está um calor insano e eu tenho que colocar roupa de frio, de friozinho e de calor, pois em Buenos Aires vai estar perto dos 30 graus, em El Calafate uma média de 16 e nas geleiras eu não encontrei previsão, mas imagino que o frio fique perto dos 10 graus, pensando positivo. Eita tarefa difícil!

Mais difícil foi ver a foto abaixo e saber que eu possivelmente não vou conseguir chegar a este ponto, porque essa trilha leva longas horas e embora eu tenha feito caminhadas diárias recentemente, não se comparam a passar o dia caminhando sobre pedras, atravessando riachos e subindo montanhas…

Foto do fórum Virtual tourist, blueskyjohn, linda vista!
Foto do fórum Virtual Tourist: a vista no Mirador Britânico, uma das pernas do “W”!

Embarco amanhã e estes foram os últimos preparativos. Eles podem servir como um check list para qualquer viagem:

– salvei várias músicas em um pen drive para as longas horas de estrada que enfrentaremos

– li um pouco mais sobre a flora e fauna local: deserto, tundra, estepe, floresta, deserto de altitude. Guanacos, lobos, lebres, pumas, condor. Quem quiser saber mais (em espanhol), clique aqui.

– entrei em mais alguns fóruns de viagem para ver atualizações de informações que eu havia pedido sobre combustível, em que lugar cruzar a fronteira, etc.

– conferi meu e-mail na esperança de ter recebido resposta da reserva de traslado de chegada e retorno em El Calafate, da empresa que faz o mini trekking no Perito Moreno, mas nada!

Será que a agência aceitou minha reserva...
Somente em El Calafate descobrirei se a agência aceitou minha reserva para o mini trekking no Perito Moreno

– preparei as roupas e tudo o mais que minha filha usará para a semana de recreação em que a inscrevi aqui em SP, enquanto mamãe e papai batem perna nas montanhas

– fizemos mercado para que meus pais tenham o que precisarem aqui em casa, onde ficarão com nossa filha

– cuidados pessoais: unhas, depilação, sobrancelhas…

– separei passaportes, vouchers de hotéis e da reserva do carro, mapas que imprimi

– carreguei bateria de câmera fotográfica, celular e tablet/pad

– sacamos algum dinheiro em real e dólar para levar, pois precisaremos trocar por pesos chilenos em Puerto Natales, logo após cruzar a fronteira

– conferi com o banco a liberação do cartão para gastos no exterior

– vasculhei os fóruns de viagem em busca de dicas e encontrei este mapa que me foi útil: de tempo e dificuldade de cada trilha

O "w" de Torres del Paine
O “w” de Torres del Paine

– conferi a previsão do tempo e ainda não acredito que vai estar tão quente, mesmo em El Calafate!

Momento de reflexão: quando fui para as Montanhas Rochosas, no Canadá ou para Yosemite e Grand Canyon nos Oeste dos EUA, eu não tinha quase nenhuma informação sobre os parques, o que fazer lá, que trilhas pegar, etc. Tinha as reservas de hotéis e mapas na mão. Isso foi em 1996-97. Hoje, na era da informação, não ter alguns detalhes claros traz insegurança. Vou tentar manter a tranquilidade e rir dos perrengues que muito possivelmente enfrentaremos. Tô quase colocando um barril de plástico na mala pra armazenar gasolina! Na volta eu conto como foi!

Bora fazer a mala!