El Calafate: Hospedagem

A cidade de El Calafate no Sul da Patagônia Argentina tem opções de hospedagem para todos gostos e bolsos. Neste post falarei sobre os dois hotéis em que me hospedei, o Terrazas del Calafate e o MadreTierra Patagonia. Fiquei em dois hotéis diferentes por duas noites cada um porque no meio da viagem fiquei outras duas noites em Torres del Paine. No final, falo brevemente sobre outras formas de hospedagem.

O Terrazas del Calafate

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O hotel não tem piscinas ou jacuzzis, é de porte pequeno, com apenas um funcionário na recepção por turno, mas muito prestativos. A sala de convivência e o restaurante têm vista hipnotizante para o Lago Argentino e pé direito duplo, te convidando a não sair do hotel!

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A vista da sala de estar
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E a vista do restaurante

Fica em um bairro bem residencial e afastado do centrinho. É possível caminhar para a área dos restaurantes e lojas, mas se você estiver com pressa ou cansado/a, pegue um taxi. Custou cerca de 5 dólares ou 40 pesos, em jan/15. Nas vezes que pedimos um, ele chegou ao hotel em 5 ou 10 minutos e na cidade tem vários pontos de taxi. Caminhar com vista para o Lago Argentino é um prazer, mas use o taxi principalmente para retornar ao hotel, que fica no alto de uma colina e a subida é de tirar o fôlego – ou preparatória para as trilhas que pegará se for a El Chaltén ou Torres del Paine! O recepcionista nos deu um mapinha da cidade, mas nem precisaria, pois é muito fácil se encontrar na cidade pequena. Se preferir, o hotel serve pratos quentes no jantar, mas é preciso reservar.

A vista
A vista

O quarto é amplo e limpo com decoração padrão de hotel e todos têm janelões para o Lago Argentino. As camas e travesseiros são muito confortáveis.

 
Wif-fi e café da manhã inclusos na diária. O café da manhã é bem servido, mas não oferece pratos quentes.

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Ponto negativo foi o chuveiro: a cada 7 segundos vinha um jato de água fria. Mas você está viajando, divirta-se! Conte 1-2-3-4-5-6-7, dê passinho pra trás, 1-2, passinho pra frente e 1-2-3-4-5-6-7, passinho pra trás… Se você perder a conta, note que se o fluxo de água diminuir é porque a água vai esfriar. É rítmico e cíclico.

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O chuveiro compassado

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Embora seja um hotel pequeno, os hóspedes mal se olhavam, o que achei super estranho. Se eu dizia bom dia no café da manhã, me respondiam, mas se eu esperasse pela iniciativa alheia, nada!

O Madre Tierra Patagonia

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O MadreTierra é uma pousada, não tem vista para o Lago, mas todo mundo bate papo e valorizo isso numa hospedagem (acho que é minha parte mochileira não vivida falando alto – rsrsrs). Cada cantinho traz aconchego e denota cuidados. Se você gosta de atendimento personalizado, este é o lugar.

A localização é excelente, na 9 de Julio, uma travessa da av. Libertador, mas muito tranquilo. Tem uma confeitaria maravilhosa ao lado e o restaurante El Cucharon.

A tranquila o de Julio, na tranquila El Calafate
A tranquila 9 de Julio, na tranquila El Calafate

A proprietária garimpou móveis em antiquários e a escolha dos acabamentos do banheiro e mesmo das portas e janelas foi feita com critério e bom gosto (agora é meu lado decoradora não vivido profissionalmente – rsrsrs).

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Adorei ter ficado lá, principalmente pelo jeitinho de B&B. Os donos são quem atendem na recepção e no café da manhã e o Mariano dá até receita de pão de queijo!

Capricho: caneta com pena de Condor e chaveiro com lã de alpaca
Capricho: caneta com pena de Condor e chaveiro com lã de alpaca

Fiquei no primeiro quarto à direita do corredor térreo, bem próximo à recepção, e as vozes vindas de lá não chegaram a atrapalhar; mas se você tem sono leve, considere pedir um quarto mais afastado. O quarto é pequeno e não tem frigobar. Cama e travesseiros macios e roupa de cama de boa qualidade. Mantas andinas também decoram camas e mesas e uma lousa emoldurada na porta traz os nomes dos hóspedes, em vez de número do quarto. No checkout, um cartão de agradecimento com uma flor sobre a cama e pastilhas de chocolate.

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Pra que número se somos pessoas!
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Flores naturais na cabeceira
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Um gentil Adeus

Tem apenas sete quartos e uma área de convivência muito aconchegante no segundo andar, com livros sobre a Patagonia à disposição dos hóspedes. Ponto negativo: não aceitam cartão de crédito.

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O café da manhã é bem variado e caseiro, mas não está incluso na diária (saiu a US 10 por pessoa). Os ovos são feitos na hora ao seu estilo e saladinha de frutas frescas no capricho!

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Outras formas de ficar em EL Calafate

  • Alugar uma casa inteira ou apenas um quarto, pelo AirBnB. Estou cada vez mais inclinada a eleger estas formas de hospedagem. A gente pode fazer novos amigos ou brincar de “viver como um local”:
  • Ah, esta modalidade já me ganhou! Entre no Home Exchange, inscreva sua casa e pague nadinha para se hospedar nas suas férias. Claro que exige um grau de desapego e muita pesquisa para confiar em quem deixar ficar na sua casa. Além disso, pesquisei casas disponíveis em El Calafate e só existia, na época em que publiquei este post, uma opção. Confira, se tiver a ousadia de trocar de casa nas férias! Vou fazer minha primeira troca em Julho e aí eu conto como foi a experiência.
  • Camping. Se você for no verão, é possível encarar um camping. Eu não conheci, mas há boas referências e a localização é excelente.
  • Que tal um amor e uma cabana? – pelo menos nas férias!

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  • Hostels são maneiras econômicas e ricas, pois sempre se conhece muita gente e sempre tem perrengues para contar! Há quartos coletivos ou individuais. Clique aqui para ver opções.

Escolhi os hotéis lendo avaliações de viajantes no TripAdvisor e no Booking.com, que também usei para efetuar as reservas. Seja lá para onde você for viajar, consulte-os, mas faça a reserva através do Mulher Casada Viaja, que tem parceria com o Booking. Você não perde nada e ganha meu agradecimento por reservar através do meu blog. 😇


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Com esta publicação, encerro a série sobre El Calafate. E como sempre, fica a vontade de voltar um dia, afinal, faltou conhecer muita coisa por lá!

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Perito Moreno: Caminhando sobre o gelo

Caminhando sobre o gelo,
De luvas e quebra-vento,
Sobre a Perito Moreno,
Eu vou…

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Esta não foi a maior aventura da minha viagem à Patagônia; a maior eu conto no post Torres del Paine: Sangue, Suor e Beleza. Sim, eu gosto daquele Caetano Veloso anos 1960-70.

Tempo: janeiro de 2015. Lugar: El Calafate, no sul da Patagônia argentina. Motivo: A geleira Perito Moreno – peraí, você que mora num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, sabe o que é uma geleira?

Geleira, ou glaciar, é uma massa imensa de gelo que possui duas zonas diferentes: a de acúmulo, onde sempre neva, e a de percolação. Hein? É, eu também nunca tinha ouvido essa palavra e nem sei se há outra mais adequada, mas aprendi que na zona de percolação a geleira perde massa devido à evaporação e ao derretimento, especialmente no verão. Para explicar àqueles que me perguntaram “mas você estava perto do gelo, só de camiseta…”, explico que geleiras não derretem nem no verão e têm centenas, milhões de anos em algumas partes. Há glaciares em várias partes do mundo, como nos Alpes, no Himalaia, na Antártida, Nova Zelândia, Polo Norte, Monte Kilimanjaro (nossa, na África!) e até na Bolívia. Eu já tinha visto algumas geleiras nas Montanhas Rochosas do Canadá, onde a paisagem, os lagos e os picos são indescritíveis, mas estar frente a frente ao paredão de gelo de cerca de 55m de altura e 5 km de frente que é a Perito Moreno é algo único. Outros números também impressionam: 254 km2 de extensão e 720m de espessura!

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O píer 5, onde embarcamos para o trekking no gelo

Bem, você não vai até quase “o fim do mundo” que é El Calafate só para olhar a geleira, certo? Compramos um passeio que se chama Mini Trekking e te dá a oportunidade de caminhar sobre a Perito Moreno. Inclui o traslado de El Calafate até o Parque los Glaciares (80 km), tempo para explorar as passarelas e plataformas-mirante da geleira (2h30), um breve passeio de barco no Lago Rico (15 a 20 min), que fica no Sudoeste da Perito Moreno, e a caminhada em si (1h30).

A bordo do catamarã, todos entusiasmados com a vista e proximidade do paredão e com os icebergs. O vento gelado soprou e todos vestiram casacos e toucas e passavam protetor solar (o sol reflete ainda mais sobre neve ou gelo, assim como na areia da praia).

Nem era tanto frio, mas eu quis valorizar, ehehe
Nem era tanto frio, mas eu quis valorizar, ehehe

Chegamos a uma praia de terra? areia?  pedra triturada? e de formações rochosas interessantes. Infelizmente, a guia não explicou nada a respeito e acho que todos estavam concentrados no que viria pela frente pois ninguém perguntou nada.

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Nesta área estava até bem quente e precisei tirar casado e touca, mas sobre o gelo faz bastante frio – e não se esqueçam de que viajei em janeiro e que estava quente para os padrões locais. Ninguém da agência Hielo & Aventura nos avisou ou orientou quanto ao que vestir, o que considero uma falha, mas alertaram sobre a necessidade de usar tênis com cadarços para amarrar as tiras dos grampões. Mas a Márcia te diz: use calçado impermeável e agasalhe-se bem. Eu vesti uma legging fleece, botas com pele, camiseta, abrigo fleece e um corta-vento, além de touca e luvas, estas obrigatórias. Mas no abrigo há um cesto com luvas que você pode usar e devolver depois do trekking.

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Ali na praia recebemos informação de que iríamos até o abrigo, onde há mesas, bancos e banheiros, e depois seguiríamos por uma rápida trilha entre árvores até chegar à beira da geleira, onde seriam colocados os grampões e o grupo dividido em 20 pessoas para cada guia ou dois, de acordo com a língua preferida: inglês ou espanhol.

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Escolhi Inglês, porque eles falam espanhol muito rápido e acho difícil a compreensão baseada apenas na similaridade entre o português e a língua de Borges. Depois de colocar os grampões, orientam como pisar no gelo nas subidas e nas decidas e pedem que só fotografemos durante as pausas para que nos concentremos no caminho.

colocando os grampões
colocando os grampões

Durante o percurso, falam um pouco sobre a formação da geleira e respondem a perguntas. Em Inglês, a guia fala mais pausadamente e até comete alguns errinhos engraçados, como dizer que geleiras perdem volume por causa da “globalização”, quando quis dizer “aquecimento global”.

Eu senti butterflies in my stomach, assim como quando estou na fila de uma montanha russa, mas foi mais tranquilo do que eu esperava e caminhar sobre o gelo com os grampões pareceu relativamente fácil. Quanto ao grau de dificuldade, o trekking é cansativo como subir várias ladeiras, pois as trilhas são feitas para experimentar as diferenças de topografia, mesmo: sobe, desce, sobe, atravessa fendas, sobe, desce, pula córregos formados pelo degelo… A guia faz várias pausas para retomarmos o fôlego e fotografarmos, então não é preciso muito ou nenhum preparo físico, a não ser que a pessoa esteja muito fora de forma.

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O poço azul. Devia ter uma valsa com esse nome… Ou mais apropriado: um tango!

Caminha-se em fila indiana, pois eles preparam uma trilha, o que facilita. As guias andavam em paredes quase verticais com a maior desenvoltura e estavam sempre atentas ao grupo, chamando à atenção quem subia num monte fora da trilha, por exemplo. Algumas pessoas provam a água do degelo ou apenas molham as mãos nela. Well, é gelada igual água de geladeira…

Mini trekking na Perito Moreno
A única fenda da trilha

No final, que chegou antes do que eu esperava, cada um recebeu um copo com gelo tirado da geleira com meio dedo de whisky. Voltamos ao ponto onde tiramos os grampões e ao abrigo, onde esperamos o momento de tomar o barco e depois o ônibus de volta a El Calafate.

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Avaliação: foi interessante, principalmente para nós brasileiros que não temos acesso a tamanha quantidade de gelo para poder caminhar sobre. Mas não é algo que classificaria como “a” aventura. Se você quer mais emoção, talvez deva fazer o Big Ice, mas pesquise em fóruns de viajantes para saber a opinião de quem já fez.

PRÁTICAS RÁPIDAS

  • Vestuário: Roupa confortável e abrigada, jaqueta impermeável ou quebra vento, tênis ou botas de trekking com cadarços e impermeáveis. Óculos de sol, protetor solar e labial, luvas, gorro.
  • A agência aconselha levar seu próprio lanche, mas há lanchonete em frente às passarelas de observação da Perito Moreno.
  • Pessoas abaixo de 10 e acima de 65 anos não podem fazer o passeio. Não é aconselhável para pessoas com sobrepeso e é proibida para gestantes ou pessoas com didiculdade de coordenação e motricidade.
  • O valor da excursão, salgados 125 dólares, não inclui o ingresso ao Parque Nacional Los Glaciares, que custa 150 pesos para integrantes do Mercosul.
  • O passeio teve início às 10h, com traslado ida e volta até o Los Glaciares, tempo para observação da geleira a partir das passarelas, navegação no Lago Rico e o trekking. Voltamos a El Calafate por volta das 19h.
  • O mini trekking pode ser contratado em qualquer agência de El Calafate ou mesmo nos hotéis, mas de qualquer forma é administrado pela empresa Hielo y Aventura. Como contei no post El Calafate, aquela do Perito Moreno enviei-lhes várias mensagens mas não consegui concluir a reserva, comprando na própria agência quando cheguei, o que alterou meu roteiro inicial. Fique no pé deles!
  • O mini trekking não acontece entre o final de maio e o início de agosto de cada ano.

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