10 desculpas para ir ao Sul da Patagônia

Quem gosta de viajar não precisa de motivo e se você gosta, mas gosta mesmo, vai sempre arrumar desculpa para mais uma viagem. Pode ser uma promoção de aéreo, um bônus recebido, a previsão maia de que o mundo acabaria (eu fui à Riviera Maia pra ver isso de perto – ótima desculpa) ou a hipótese de que Veneza ficará submersa um dia. Por isso o título deste post não é 10 motivos, e sim 10 desculpas. E estas aqui estão entre as desculpas mais lindas deste planeta, te garanto!

1. O azul do Lago Argentino, em El Calafte, Argentina

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2. caminhar sobre a geleira Perito Moreno, Argentina

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3. Tomar whiskey com gelo da Perito Moreno, Argentina

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4. Ficar bem pertinho de guanacos, raposas e emas e, se der sorte, avistar condores e pumas no Parque Torres del Paine, Chile

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5. estar no extremo Sul habitável do mundo, em Ushuaia, Argentina conhecido como “O Fim do Mundo”

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6. observar pinguins, leões marinhos e baleias bem de pertinho, em Ushuaia

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7. dirigir em estrada deserta, mas tão deserta, mesmo em alta temporada, que dá pra se sentar bem no meio dela! Entre os dois países

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8. ter o prazer de estar em uma paisagem como esta, em Torres del Paine, Chile

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9. ou como esta em El Chaltén, na Argentina

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10. Realizar o sonho de chegar ao final de uma trilha.

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Bônus (sempre tem mais uma desculpa): Fazer a mesma rota de Charles Darwin pelo Canal Beagle e Cabo Horn

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El Calafate, aquela da geleira Perito Moreno

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A grande Protagonista: Geleira Perito Moreno

Calafate é uma frutinha azul-arroxeada que pode ser colhida nas estepes da Patagônia. Diz a lenda que se você comê-las retornará à Patagônia um dia. Muito melhor do que ter que tocar alguma parte da estátua do Perito Moreno, no estilo Julieta em Verona, na Itália, touro em NY e javali em Florença!

O Calafate, fruto que deu origem ao nome da cidade

Então coma a frutinha, seja in natura, na forma de sorvete, de licor, de geleia, como cobertura de doces ou molho de pratos principais e drinks. Coma-a pois há muito o que fazer por lá e visitar a região mais de uma vez seria muito justo. O lugar é daquela beleza remota, cheia de paz e silêncio, onde a natureza majestosa ainda se faz respeitada. Onde o tempo parece passar devagar, sem obedecer aos relógios. Onde fartura de água não significa terra fértil. Lugar onde o azul do Lago Argentino disputa atenção com o azul do céu – em dias claros, claro. O vento briga ou brinca com seus cabelos e a secura do ar com sua pele. Pelo menos no verão.

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A cidade de El Calafate já foi mais rural, digamos. Ainda é mais uma Monte Verde-MG do que uma Campos de Jordão-SP e talvez por isso eu tenha gostado tanto de lá: casas com cerquinhas, jardins e calçadas com lavandas, cachorros e mais cachorros – enormes – pelas ruas. No verão, sente-se perfume de flores e pássaros alimentam-se nos jardins das casas. Não há badalação e todo mundo se veste descontraidamente. Montanhistas caminham ostentando não só suas mochilas enormes, mas sua juventude, paixão pela natureza e disposição física.

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Encantada com canteiros de lavanda nas calçcadas!

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Ainda lembro da edição do Globo Repórter que me apresentou a El Calafate e principalmente à geleira Perito Moreno (incrível como meu cérebro tem capacidade de armazenar destinos turísticos!). OK, moramos num país tropical e muita, mas muita, gente não tem a menor ideia do que seja uma geleira. Eu explico lá no post Perito Moreno, caminhando sobre o gelo.

Explico primeiro que El Calafate não é estação de esqui. Vá pros arredores de Bariloche para isso, também na Patagônia, mas 1.400 quilômetros ao Norte. El Calafate tem relevo e vegetação desérticos, mas o Lago Argentino tenta fazer você se esquecer disso. O inverno é rigoroso e o vento frio e forte sopra o ano todo. Estive sob Sol quente, mas o vento continuava frio e os locais repetiam que os dias estavam lindos. Com isso, imagino que nem sempre se veja esse céu azul-bandeira-argentina.

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A avenida El Libertador e um patriota

A avenida principal é a del Libertador San Martin, em homenagem a San Martin, figura que teve papel fundamental na libertação da Argentina, do Chile e Peru. A cidade cresce ao longo dela, com lojas, restaurantes, agências de viagem, locadoras de veículos, supermercado, enfim, tudo do que precisar estará lá. Em uma de suas pontas, a estrada para El Chaltén, para o aeroporto e para TdP, no Chile. Na outra ponta, a estrada para o Parque Los Glaciares, onde está a geleira Perito Moreno.

O Lago Argentino
O Lago Argentino

De meu planejamento inicial descrito no post Patagônia Argentina e Chilena: plano de viagem , algumas alterações forçadas. Meu marido provocou e expliquei que blogueiro de viagem não sabe de tudo, sofre os perrengues pra depois os leitores aproveitarem e não cometerem os mesmos erros (mas outros – rsrsrs, porque viajar é isso também!). 

Eu tinha planejado fazer a atração principal – Los Glaciares – logo no primeiro dia inteiro na cidade. Enviei com antecedência três mensagens para a agência Hielo & Aventura, escritas em Português e Inglês. Demoraram a responder e quando responderam não finalizaram o pedido, cuja etapa final seria o envio de um formulário do cartão de crédito, que nunca recebi. Nossa, será que é difícil fazer um sistema de venda de ingressos online ?! Resultado: quando chegamos a El Calafate, meu pedido de reserva não havia sido considerado e tive de agendar o passeio para o dia até então reservado para ir a El Chaltén ou para caiacar na geleira Upsala. Senti-me no Brasil: desrespeitada e sem ter a quem recorrer. Conversei com outros turistas e muitos tinham a mesma reclamação: em alta temporada a procura é tamanha que a agência não dá conta de atender a todos os pedidos. O pior é não receber nem ao menos um pedido de desculpas da funcionária da Hielo & Aventura, como se a falha tivesse sido minha, o que considero muita falta de profissionalismo. Minha sugestão: peça ao seu hotel que efetue a compra dos passeios ou compre em uma outra agência, que repassará o pedido à Hielo, pois é a única que faz o Minitrekking e o Big Ice, dois passeios de caminhada sobre a geleira Perito Moreno. Há uma infinidade de opções de passeios ao redor da cidade. Veja algumas sugestões no post El Calafate: o que fazer por lá.

Quem vai fora de temporada não tem qualquer problema quanto a reservas, seja para passeios, seja para acomodação (não se pode ter tudo, mas eu peguei o céu azul, ahahaha) e quem dispõe de ao menos uma semana na cidade, por exemplo, acaba conseguindo encaixar os passeios principais mesmo sem reserva na alta temporada. Outro passeio que eu gostaria de ter feito e exemplifica isso é o de caiaque na Geleira Upsala. Eu cheguei no dia 18 e só teriam disponibilidade para o dia 24, quando estaria retornando a SP. Além de não ir a El Chaltén (que tem paisagens lindíssimas e trilhas) e de não fazer o caiaque, também tive que alterar a reserva do carro, devolvendo-o um dia antes pois o passeio para Los Glaciares inclui traslado (pago).

Viajar é... saber que nem tudo dá certo
Viajar é… saber que nem tudo dá certo

Sem passeio programado para o primeiro dia, tomamos o café da manhã admirando o Lago Argentino, do restaurante do hotel Terrazas del Calafate (lei post a respeito dos hotéis onde fiquei nesta viagem) e depois iniciamos o reconhecimento da cidade.

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Sala de Refeições do Hotel Terrazas del Calafate

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Fotografei calmamente Lago, flores, abelhas em lavandas, pássaros, casas e com a mesma calma nos sentamos no gostoso Libro Bar para tomar uma cervejinha e comer empanadas ao sol, ouvindo italianos, americanos, argentinos e brasileiros que faziam o mesmo. A cidade tem muitos cachorros – enormes –  pelas ruas e alguns pediam carinho por ali.

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Além de restaurantes e bares, você pode aproveitar a noite para conhecer o cassino local, mas a cidade é mais diurna mesmo.

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Caminhando pela Libertador em direção ao Aeroporto, você encontrará um pergolado sem trepadeiras (aqui tudo é rasteiro e as árvores não são nativas, foram plantadas, segundo a guia), uma praça com parque infantil à esquerda e uma escadaria. No alto dela fica um mirante, ou mirador, como eles dizem.

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A vista do Mirante

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O bom de visitar a cidade primeiro é que seus olhos ainda não estão tão exigentes. Depois de dormir aos pés das montanhas, a vista delas tão distantes já não tem graça…

Cadeados na ponte para o mirador: semelhanças entre Paris e Calafate ficam presas ali
Cadeados na ponte para o mirador: semelhanças entre Paris e Calafate ficam presas ali

Também na av. Libertador fica a administração do Parque Los Glaciares e em seus jardins há esculturas homenageando Perito Moreno e Charles Darwin, duas figuras importantes para o conhecimento da flora e fauna da região. Arbustos têm placas identificando espécies locais e há algumas máquinas antigas (geradores, equipamentos agrícolas) também em exposição pelo jardim.

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Malvinas – ou Falklands – já eram caso de preocupação!
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Perito Moreno: o desbravador da Patagônia
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Darwin, que estudou os animais da região

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Além de comer e visitar as lojas locais, não há muito o que fazer na cidade, pois as maiores atrações estão mesmo ao redor dela. Se você curte visitar casas de famosos, informe-se  onde fica a casa da presidente da república Argentina. Um taxista de Buenos Aires me disse, contrariado, que ela tem três hotéis cinco estrelas na região. De novo, me senti em casa. Temos mesmo muito em comum com nossos Hermanos.

PRÁTICAS RÁPIDAS

Localização
El Calafate fica na porção Sul da Patagônia Argentina, em Santa Cruz, a 2.700 km de Buenos Aires e a 1.400 km de Bariloche. Longe né?

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Como Chegar
Tomei um voo para Buenos Aires pela Tam (duração de 3 horas) e de lá outro até El Calafate pela Lan (3h25 de voo). A Aerolineas Argentinas também faz o trecho Buenos Aires-El Calafate. Se você escolher o Aeroparque (aeroporto de B.A.), dá tempo de passear pela capital argentina numa conexão longa. De taxi até Puerto Madero, por exemplo, dá uns 20 minutos. Leia post sobre o Aeroparque aqui.

Parênteses sobre planejamento de viagem:

Muita gente planeja uma viagem pensando em um país, sem levar em consideração que as fronteiras foram criadas por motivos políticos. É mais fácil conhecer o sul da Patagônia chilena e argentina de uma só vez do que escolher Santiago e Torres del Paine numa ida ao Chile, ou Buenos Aires e El Calafate em uma viagem à Argentina. Além da proximidade física, as culturas também têm semelhanças. É cuia de chimarrão e mate pra todo lado! Até as músicas são muito similares às gaúchas – e olhe que o sul da Patagonia é beeeeem longe do Rio Grande do Sul! Um outro exemplo é visitar o sul da Alemanha e aproveitar para incluir no roteiro Estrasburgo, que faz parte da França mas tem arquitetura e culinária alemãs, e Zurique, na Suíça. Quando comecei a viajar, fiz a besteira de visitar os Estados Unidos de Leste a Oeste (Flórida-Califórnia-Nevada-Arizona-Nova Iorque, em voos continentais) e no ano seguinte ao Canadá, também de Leste a Oeste (Toronto a Vancouver). Teria sido muito mais esperto fazer a costa Oeste dos dois países e no ano seguinte a Leste dos dos dois. Mas eu não sabia que retornaria. Não sabia que ia “viciar” nessa coisa de viajar. E não tinha blogueiro de viagem para ensinar isso!

Se você vem do Chile, pode dirigir a partir de Punta Arenas (350 km até Torres del Paine), a cidade mais próxima servida por aeroporto, pernoitar no parque ou em Puerto Natales e de lá dirigir até El Calafate. A partir do parque TdP são 364 km até El Calafate, passando por Esperanza, um desvio em formato de V que torna a viagem mais longa em quilometragem, mas mais fácil. Se você jogar no Google, ele não dará a opção de ir a Esperanza, então precisa incluir em “Rotas” essa localização. Leia post onde descrevo a viagem de El Calafate a Torres del Paine e dou dicas importantes sobre fronteira e combustível.

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Balcon El Calafate nos vidros do aeroporto
Portão de embarque com vista especial
Portão de embarque com vista especial

O aeroporto El Calafate fica a 16 km do centro e  você pode contratar traslado, pela internet ou no guichê do aeroporto, ao custo de 170 pesos por pessoa, ida e volta. Eu reservei com a empresa Ves Patagonia e eles foram bastante atenciosos, principalmente na chegada, quando precisei ir a uma agência no centro e o motorista se ofereceu para ficar com nossas malas, levar os demais passageiros e depois nos buscar para levar ao nosso hotel. Mas o pagamento também não pode ser feito online, então precisei ficar na fila como todo mundo, com ou  sem reserva, para pagar. Eles trabalham das 8h às 20h. Um taxi fica em torno de 300 pesos, dependendo da localização do hotel.

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A escadaria paga-promessa da rodoviária. E em que estado!

Se você for de ônibus, aproveite para fazer uma promessa de subir a escadaria que leva à rodoviária da cidade. Acho que o santo não vai reclamar!
Entendo que El Calafate tenha colinas, mas escolher justo o alto de uma delas para instalar a rodoviária… no comprendo! Vi o sufoco de uma viajante levando a mala degraus acima. Não é porque a maioria dos visitantes da cidade escala montanhas que tem a mesma paixão por degraus!

A Rodoviária
A Rodoviária. Tantos brasileiros visitam El Calafate mas nenhum Bem-vindo em Português…

Aluguel de veículo: há várias locadoras locais na cidade. Eu preferi usar a Hertz porque as locais não permitiriam o aluguel sem seguro (meu cartão de crédito oferece isso gratuitamente). Falo mais sobre o aluguel no post De El Calafate a Torres del Paine.

Língua
Espanhol e, da parte dos brasileiros, portunhol (rsrsrs). Em agências de turismo é possível se comunicar em Inglês, mas em restaurantes e lojas fica mais difícil.

Temperatura / O que Vestir

el_calafateA primeira coisa a lembrar é que venta muito no Sul da Patagônia e mesmo em dias quentes pode soprar uma brisa gélida, por isso leve um casaco corta-vento. A melhor época para aproveitar as atividades ao ar livre é o verão, quando os dias começam às 6h e terminam às 22h. Além disso, muitos passeios não acontecem entre maio e agosto, então pesquise. Mesmo no verão, se fizer passeios como o Mini Trekking ou o Big Ice, em que se caminha na geleira, ou o caiaque no Upsala, leve gorro, luvas e casaco com fleece e corta-vento. Um rapaz inglês estava sobre a geleira de bermudas, mas ele era de Londres…

Proteção contra o vento para as árvores em crescimento
Proteção contra o vento para as árvores em crescimento

O clima da cidade é de montanha também na vestimenta. Botas de caminhada, mochilões, casacos são comumente avistados e muitos turistas chegam dos passeios e vão direto ao restaurante sem constrangimento.

Hospedagem
É possível ficar em hotéis para todos bolsos, pousadas, alugar cabanas (chalés), tem até hotel gay friendly. Só não vi camping. Ficamos em um hotel a 20 minutos de caminhada do centrinho, o Terrazas del Calafate, e depois que voltamos do Chile no aconchegante e fofo Madre Tierra Patagonia. Link para post dando dicas de hospedagem e descrevendo minha experiência nesses hotéis está no final desta publicação.

A sala de convivência do Madre Tierra Patagonia
A sala de convivência do Madre Tierra Patagonia


Permanência
Como sempre, depende do tipo de viagem que você curte, da disponibilidade de dinheiro e tempo. Os principais passeios levam o dia todo, então, se quiser fazer ao menos três (por exemplo, o Los Glaciares com Mini trekking e navegação, o Upsala com navegação e caiaque e visitar o museu Glaciarium no mesmo dia que passeia pelo centro e faz comprinhas) precisará de três dias completos. Se for incluir bate-volta a El Chaltén ou a Torres del Paine, inclua ao menos mais dois dias inteiros, mais o dia de chegada e partida. Na minha opinião, o ideal é ao menos 8 noites para a região: 4 em El Calafate, 2 em Torres del Paine, 2 para El Chaltén. Muitos incluem Ushuaia e aí a conta aumenta, pois os passeios costumam incluir cruzeiros de 3 noites.

Como Circular por Lá
Taxis são cômodos se o seu hotel fica mais distante da cidade (40 pesos em média). Se estiver no centro ou próximo dele, caminhar é o melhor. Há aluguel de bicicletas e de cavalos. A Avenida Costanera é paralela ao Lago Argentino e é uma boa opção para caminhar, pedalar ou cavalgar.

Dinheiro
Peso argentino. Dólar é aceito em todo lugar, mas se pagar em dólar receberá o troco em pesos.

Fuso horário
Estamos na mesma linha do fuso horário e só há diferença quando adotamos o horário de verão, que nesse caso, fica sendo uma hora mais tarde lá em relação ao horário de Brasília em horário de verão.

Compras
Chocolate, alfajor, doce de leite, geleia e licor de calafate, artesanato andino, artigos de montanhistas (lojas Columbia e Timberland). As camisetas, típicas de lembrancinhas, têm um algodão ruim ao toque. Há também bastante artigos de lã e peles de carneiro. Acho que pela primeira vez meu marido não comprou um boné sequer em um destino turístico, pois a qualidade e beleza não o atraíram.

Cobertura de pedras nas lojinhas de artesanato
Cobertura de pedras nas lojinhas de artesanato

A maior loja de artesanato andino da cidade é a Arte Índio, na Avenida Libertador com a 9 de Julio. Há também uma feirinha (que achei bem pobre em diversidade) aos pés da Rodoviária, também na Libertador. Eu achei os preços altos, se comparados aos do Peru. Diferente de outros destinos turísticos, achei que o consumo é pouco explorado. Num lugar como o Parque Nacional Los Glaciares, por exemplo, há uma minúscula loja de suvenires e pensei que haveria um fotógrafo profissional no passeio em que caminhamos sobre o gelo. Acho que tenho ido muito à Disney (ahaha).

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O que Comer e Beber por lá
Estamos na Argentina, então carne é assunto sério. Mas não espere a mesma qualidade de carnes de restaurantes de Buenos Aires, pelo menos não encontrei. Licor, geleia e sorvete (delicioso) de calafate. O leite, a manteiga e o queijo são saborosos, assim como o doce de leite. Prove a cerveja patagônica Austral. Tomar vinho também faz parte do trato!

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Parece açaí, mas é calafate
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Show de horror para os veganos


Preços (em pesos argentinos)

– cerveja artesanal Berlina: 110
– cerveja Sol: 50
– água (em restaurante): 24
– Coca-Cola: 26
– empanada: 20
– barrinha de chocolate artesanal: 16
– sorvete 250 g: 55
– alfajor: 12
– licor de calafate: 120
– geleia de calafate: 60
– Papas Pringles no mercado: 36
– 2 maças (argentinas!): 8.59
– refeição para casal, com vinho argentino ou chileno:
– pizza individual: 100
– salada mista: 50
– truta grelhada: 150
– cubierto, o couvert: em média 20 a 25

Valores dos passeios estarão descritos no post El Calafate: o que fazer por lá.

Gorjetas – Os 10% referentes ao serviços dos garçons não estão incluídos nas contas de bares e restaurantes.

Restaurantes onde comemos:

– La Vaca Atada: comi apenas uma salada, que estava boa, e tomei vinho. A carne estava no ponto pedido, mas foi cortada para isso (!). Ambiente OK, atendimento OK. Restaurante OK
– Vera Cruz: não gostamos da apresentação do prato, da comida nem do atendimento. Ambiente simples. Banheiro em mal estado de conservação
– El Cucharon: apresentação dos pratos boa, ambiente decorado com bom gosto, comida saborosa e atendimento atencioso

O único da lista que não fica na Av. Libertador, mas na 9 de Julio
O único da lista que não fica na Av. Libertador, mas na 9 de Julio

– La Lechuza: ambiente agradável, comida boa. Serviço um pouco lento
– Librobar: é um bar, é uma livraria. Tem mesinhas na calçada diante de um shopping ao ar livre. Serviço bem descontraído. Pra que a pressa!

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cardápio do Librobar: pão, cerveja e poesia: “Two beer or not two beer”

– La Cocina: pizza individual sem grandes surpresas. Difícil agradar quem come pizza na Mooca (rsrsrs)
– Dom Luis:  é uma confeitaria com boas opções de lanches, doces, pães.
– Ovejitas: tem mesas aconchegantes internas e no jardim e além de sorvete de massa tem chocolates deliciosos.

Visto
Não é necessário visto, nem mesmo passaporte. Apenas a Carteira de Identidade é suficiente para entrar na Argentina. Mas lembre-se: se aproveitar para cruzar a fronteira com o Chile para ir a Torres del Paine, precisará de passaporte (mas não de visto). O Chile não faz parte do Mercosul. Falo sobre fronteira no post De El Calafate e Torres del Paine.

Seguro
Não sei você, mas eu não viajo sem fazer um seguro, mesmo nunca tendo precisado usar. É uma despesa que garante sua tranquilidade caso algo dê errado e não só para urgências médicas. Extravio de malas, fisioterapia, representação legal e tantos outros benefícios. A Mondial Assistance é parceira do blog Mulher Casada Viaja e você pode fazer seu seguro clicando no logo que tem à direita (se estiver em PC) ou no finalzão do blog (se estiver em smartphone). Frequentemente tem alguma promoção se você fizer através do blog.  Mesmo que não tenha, se você fizer ao clicar no logo da Mondial aqui no blog, você ganha meu agradecimento, porque eu recebo uma comissãozinha. Uma desculpa ou justificativa para continuar escrevendo…

Voltagem/Tomadas

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Leve seu adaptador e saiba que a voltagem é de 220 volts, então se os aparelhos que for usar não forem bivolt (a maioria dos modernos é, como celulares, tablets), vai precisar de um transformador. Ou não os leve.

Posts Relacionados (clique ou toque sobre os títulos para ler mais sobre a região)

El Calafate: Hospedagem

De El Calafate a Torres del Paine (este post traz links para publicações sobre Torres del Paine)
 
El Calafate: o que fazer por lá

Perito Moreno: Caminhando sobre o gelo

Patagônia Argentina e Chilena: plano de viagem

Ushuaia – ainda não fui, mas o Alessandro do blog Fui e Vou Voltar tem imagens lindas e texto fluido onde descreve seu roteiro.

Patagônia Argentina e Chilena: plano de viagem

Torres del Paine: o parque dos meus sonhos!
Torres del Paine: o parque dos meus sonhos!

Olha! A minha listinha dos 20 destinos para conhecer antes de morrer vai ficar menorzinha (mas se Deus quiser eu vou acrescentar outros tantos, basta ter saúde e dinheiro, porque vontade não falta, mesmo!). Começo 2015 com uma viagem a dois a um lugar longínquo, gelado, mas de paisagens de tirar o fôlego: a Patagônia Argentina e Chilena.

Não vai ser como nossas expectativas de recém-casados, quando sonhávamos em partir de São Paulo de carro e atravessar fronteiras para chegar aos Andes e admirar as Torres del Paine. Vai ser uma viagem curtinha, de 6 noites, porque é isso que cabe na nossa vida real.

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O glaciar Perito Moreno

Como os pontos a serem visitados ficam bem ao Sul da América do Sul, é um passeio para ser feito no verão, quando o clima é mais ameno. Em janeiro, o índice pluviométrico é o menor de todo ano e as temperaturas ficam em torno de 8 a 20 graus (no inverno cai para -2º C). Mas não se engane: caminhar sobre o gelo ou mesmo pegar trilhas exigem casacos corta-vento e tocas. A quantidade de horas de sol (luz do dia) também interfere no aproveitamento de uma viagem como esta, em que tudo é feito ao ar livre. No verão o sol nasce às 5h30 e se põe apenas às 23h, enquanto no inverno há apenas 8 horas de luz por dia.

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Os pontos circulados são os que visitaremos

Descrevo abaixo as etapas para planejar esta viagem, mais trabalhosa do que uma à Europa! Quando você decidir ir, pode seguir meus passos para planejar sua própria aventura!

  • Fiz orçamento em três agências de viagem, que ofereciam pacotes bem diferentes. Valores por pessoa, sem aéreo, tendo por base quarto duplo. O “a partir de” varia por causa da classe do hotel:
    a. 11 noites (cruzeiro de 3 noites), incluindo Ushuaia, Punta Arenas, Torres del Paine e El Calafate, com guia e passeio ao Perito Moreno e cruzeiro de 3 noites: a partir de US$ 5,400 por pessoa;
    b. 6 noites, El Calafate, Puerto Natales e Torres del Paine, aluguel de carro SUV e passeio no Perito Moreno: a partir de US$ 2,115;
    c. 7 noites com Puerto Natales, El Calafate e Torres del Paine e todas as refeições, aluguel de Jeep e entradas em parques, museus e Perito Moreno: a partir de US$ 5,500.
  • Pesquisei alguns hotéis e sem fazer o orçamento completo percebi que ficaria muuuuito mais barato planejar eu mesma a viagem, sem pacote, do jeito que eu gosto, embora seja sempre mais trabalhoso e às vezes a gente se enrosque em dúvidas como “onde é que tem posto de gasolina nesse fim de mundo?”. Mas assim é bom, porque tenho tempo para planejar, aprendo um monte sobre o destino, gasto menos e ainda dou dicas para você! No final, contas feitas, hotéis, 4 dias de carro intermediário, traslados, saíram por US$ 2,154, para os dois. Não entraram no cálculo as entradas de parques e passeios de barco ou sobre as geleiras, mas nem de longe chegarão aos 2 mil dólares de diferença!
  • Money talks, mas outros pontos a favor de viajar desempacotada foram:
    a. algumas dessas agências montaram pacotes com voos a partir de Santiago, sendo que é mais rápido e perto fazer por Buenos Aires. Para quem dispõe de pouco tempo e não vai  curtir a capital chilena, melhor o aéreo por Buenos Aires.
    b. o carro te dá liberdade de parar naquela paisagem linda para a qual você em um ônibus ou van de excursão daria apenas tchauzinho.
    c. ganhei pontos no aluguel do carro equivalentes a uma diária no Brasil. Se você ainda não tem um programa de fidelidade com uma locadora, programe-se!
    d. viajando de pacote, os quartos oferecidos nem sempre são os melhores, mesmo que os hotéis sejam os mesmos das agências.
mini trekking sobre o glaciar: um dos passeios
mini trekking sobre o glaciar: um dos passeios
  • Comprando o aéreo. Entrei no site da TAM, cliquei em “várias cidades” no box de escolha dos voos (os voos domésticos argentinos são operados pela Lan):
    a. SP-Buenos Aires-Buenos Aires-El Calafate
    b. El Calafate-Buenos Aires-São Paulo. Aqui, como a conexão é longa, ainda dá pra aproveitar umas horas na capital argentina, que não visito desde 2010.
    A princípio, o sistema me ofereceu um voo que, além de não ser direto, teria conexão de 6 horas durante a madrugada, em Córdoba. Não faz sentido sair de férias e ter que dormir em bancos desconfortáveis de aeroporto para esperar pelo voo. E esse retorno levaria 24 horas, céus! Liguei para a central de atendimento da TAM e enquanto falava com o simpático atendente, acabei conseguindo na opção ”solicitar outros voos” um voo direto, sem conexão entre Buenos Aires e SP. E foi aí que descobri que comprando pelo atendimento você paga 7% sobre o valor da passagem. No início do atendimento digital, é informado que existe uma taxa, mas não sabia que era tão alta! Agradeci e pedi desculpas ao atendente constrangida (eles ganham comissão), elogiando sua presteza, mas fui pro site e fechei. As duas passagens (4 trechos, sendo os internacionais na classe executiva) que sairiam por R$5.350, saíram por R$4.377, já com taxas de embarque. Ah, não se esqueça de incluir a assistência viagem. Ah 2: verifique com seu cartão de crédito se ele oferece benefícios como seguro viagem gratuito e até seguro de automóvel alugado. A economia é grande. Se você não tiver, faça seu seguro com a Mondial Assistance, que frequentemente oferece descontos para leitores do Mulher Casada Viaja. Mas você tem que entrar no site deles através do blog, clicando sobre o logo aí da direita (se estive em PC) ou lá embaixão (se estiver em smartphone).
Monte Fitz Roy, em El Chaltén, a 214 km de El Calafate
Monte Fitz Roy, em El Chaltén, a 214 km de El Calafate

 

  • li relatos de quem fez esta viagem em blogs e também em fóruns de viajantes como o do TripAdvisor. Anotei dicas de agências locais, de locadoras de veículos, de empresas que fazem traslados aeroporto-hotel, de sugestões de passeios. Obrigada Internet!
  • decidimos o roteiro:
    – dia 1: SP-Buenos Aires – El Calafate
    – dia 2: El Calafate: passeio no Parque Nacional Los Glaciares, onde fica a mais impressionante geleira do mundo, a Perito Moreno. Mini trekking sobre o gelo.
    – dia 3: retirada do carro alugado e viagem a Torres del Paine
    – dia 4: Torres del Paine
    – dia 5:Retorno a El Calafate e espero poder fazer algum passeio, como o caiaque no Upsala Glacier. Atualização pós viagem: o passeio ao Upsala leva o dia todo, então se você quiser, terá de deixar TdP de madrugada.
    – dia 6: bate-volta a El Chaltén (214 km)
    – dia 7: El Calafate-Buenos Aires (passeio na cidade devido a conexão de 8 horas, eba!) – SP.
    Assim como viajar às Rochosas Canadenses, imagino que o ponto principal desta viagem seja a vista das montanhas das estradas e as que estão escondidas nas curvas das trilhas. Olhando o roteiro, parece não haver muito o que fazer além de se alimentar da paisagem de montanhas, lagos, geleiras e, com sorte, alguns animais selvagens.
  • Programar os passeios foi o que deu mais trabalho. Li no TripAdvisor os passeios mais usuais e as agências que os organizam. Os websites das agências locais não têm ferramenta de reserva e foi frustrante enviar e-mails e não receber retorno.
  • Para as reservas dos hotéis, usei o Booking.com. Falarei sobre hospedagem nos posts de El Calafate e Torres del Paine. Atualização: agora o blog tem parceria com o Booking.com. Você reserva clicando no logo à direita (se estiver em PC) ou no final do blog (se estiver em smartphone). Não paga nada mais por isso e eu ganho uma comissão. É um gesto simpático em retribuição a todas as dicas que os blogueiros compartilham, não acha?
  • Reservei o carro com a Hertz. Como viajaremos da Argentina ao Chile, é necessário informar à locadora que você precisará de permissão para cruzar a fronteira (= papelada providenciada pela locadora e pagamento de taxa para isso – $120 doletas). Caso vá de carro a partir do Brasil, é preciso emitir a Carta Verde, para cruzar a fronteira entre Brasil e Argentina.
  • Sem querer fazer propaganda mas já fazendo, comprei roupas especiais para esta viagem na loja virtual da Decathlon: luvas (comprei uma que tem polegares e indicadores sensíveis ao toque de celulares), calça térmica, segunda pele, blusa quentinha segunda camada (fleece). Usarei uma bota forrada de pele e levarei um tênis de caminhada.
De caiaque entre icebergs!
De caiaque entre icebergs no Glaciar Upsala, em El Calafate

Bem, isso tudo foi o planejamento. Parece mais simples agora que está organizado, mas deu muito trabalho.

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