O que Fazer em Puerto Varas

Este post é complemento do Guia para Planejar sua viagem a Puerto Varas, onde compartilho preços, dou dicas de hospedagem e aquelas informações que a gente sempre se pergunta (ou deveria) sobre um destino: quando ir, onde comer, como chegar, onde fica… Ao contrário do que geralmente faço, publicar o máximo que posso nas semanas subsequentes à viagem, este post foi escrito 17 meses depois de minha visita à cidade do Osorno, em julho de 2016, despertado de um sono pelo planejamento de uma viagem de 10 dias pela região do lagos, Buenos Aires e Santiago, que fiz para um casal (clique aqui para ver como contratar este serviço). Sei que não é tema deste post, mas aproveito para dizer com um ponto de exclamação em negrito, itálico e sublinhado: como é mais barato planejar a viagem independente, mesmo contratando passeios de agências!

O Osorno
O Osorno

Roteiro em Puerto Varas
O centro da cidade de Puerto Varas é bem pequeno e é possível percorrê-lo a pé, mas há alguns passeios nas redondezas que podem ser feitos com transporte público ou contratado, seja de aluguel ou de agências turísticas locais. Por isso, dividi o roteiro em dois tópicos: na cidade e bate-voltas.

uma das ruas mais movimentadas é a Del Salvador
uma das ruas mais movimentadas é a Del Salvador

O que fazer na cidade de Puerto Varas
A localização de seu hotel deterinará a direção do roteiro, então apenas marquei as “atrações” da cidade e você organiza na ordem que lhe for mais conveniente.

  • Tour pelas casas históricas de Puerto Varas – Casas erguidas com a chegada, na metade do século 19, dos primeiros colonos alemães e chilenos ainda estão de pé e algumas muito bem conservadas e dignas de uma foto, como é o caso da Casa Kuschel, ao lado do Hotel Cabañas del Lago. A grande oferta de pinheiros patagônicos, hoje protegidos por lei, permitiu a construção dessas casas de madeira com ferramentas – e capricho -trazidas na bagagem destes primeiros moradores.

passeios em Puerto Varas

A Casa Kuschel, de 1915, fica na Rua Klener, perto do Monte Phillipi. Quando fui estava fechada, assim como todas as outras, mas é possível visitá-la e há uma lojinha de artesanato fino no térreo.  Não estarei cometendo nenhuma injustiça se disser que esta é a mais bonita das casas históricas de Puerto Varas, então se tiver que escolher apenas uma, ei-la! As igrejas luterana (1923) e a católica Sagrado Coração (1918) também estão na lista dos edifícios históricos, assim como a sede do hostel Helmut Haus – e todos estes estão marcados no mapinha que compartilho aqui.

  • Cerro Philippi, esta área verde que aparece acima dos hotéis à esquerda da foto abaixo. É um parque com muitas árvores e trilhas para o alto da colina, onde se tem uma boa vista do Lago. Quando eu fui, estava completamente vazio e fiquei até com um pouco de receio. Coisa de paulistana… Mas o dia estava muito fechado, e talvez isso tenha assustado os poucos turistas que estavam na cidade.
  • Passear pela costa do Lago Llanquihue e apreciar a vista dos vulcões no horizonte.
Não vai dar praia!
Não vai dar praia!
  • Visitar a Igreja Sagrado Coração. Confesso que fiquei um pouco decepcionada porque a igreja estava precisando de pintura e nem de longe parecia a dos cartões postais de Puerto Varas. Não a visitei por dentro, mas li que é toda revestida de madeira, enquanto seu exterior é de metal. A vista de lá é bem legal.
A Igreja Sagrado Coração
A Igreja Sagrado Coração
  • Fazer comprinhas na Feira Artesanal, uma vila de lojinhas com artigos de lã, couro, madeira. Mas os artigos mais bonitos e diferenciados (e mais caros) estavam na lojinha do Parque Nac. Vicente Pérez Rosales.
  • Não é assim uma Las Vegas – longe disso – mas se você nunca esteve em um cassino, o Dreams pode ser uma boa alternativa para passar as horas de um dia chuvoso, algo comum no inverno.
  • Caminhar pelas ruas e observar os locais, as casas de madeira, o jeitão pacato da cidade, principalmente num sábado quando os moradores deixam os bairros mais afastados e fazem compras no centrinho.

Bate-voltas a partir de Puerto Varas

  • Subir o vulcão Osorno, com 2.660 metros. Como eu só tinha um dia em Puerto Varas não fiz o passeio, mas você pode contratar uma agência para te levar ou ir por conta se estiver de carro. São 60 quilômetros a partir de Puerto Varas e tem trilhas, neve permanente acima de 2 mil metros e meios de elevação. E quantas vezes você poderá dizer que subiu num vulcão?!
  • Conhecer Frutillar e Llanquihue, outras cidadezinhas às margens do lago Llanquihue.
  • Saltos de Petrohue são cachoeiras que ficam dentro do Parque Nacional Vicente Pérez Rosáles.

    A lagoa esmeralda de Petrohue
    A lagoa esmeralda de Petrohue
  • Navegação no Lago Todos los Santos. Eu fiz este passeio durante o Cruce Andino, que liga Bariloche a Puerto Varas. Leia post a respeito aqui. Se você optar pela navegação apenas, pode comprar seu ingresso nas agências da cidade. Li em algum blog que os preços variam muito e que há barcos clandestinos que cobram mais caro que as agências!
Osorno no Todos Los Santos
O Osorno e o Lago Todos los Santos: Selfie nada individual!
  • Agora, se você estiver podendo, que tal voar num bimotor sobre os vulcões e lagos? Leia mais aqui.

 Estes passeios podem ser contratados com agências locais, como a Turistour (loja da Calle Del Salvador) ou ser feitos independentemente, sendo que o aluguel de carro é o meio mais confortável e rápido. Em um dia dá pra fazer os quatro primeiros passeios da listinha de bate-voltas, que são os principais.

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Osorno brincou de esconde-esconde comigo. Naquele dia foi uma das poucas chances que tive de vê-lo

Abaixo, alguns preços cobrados pelas agências locais:
– excursão até Chiloe : 30.000 pesos chilenos
– saltos de Petrohué e Lago Todos Los Santos: 15.000 pesos chilenos
– Saltos de Petrohue, Vulcão Osorno com almoço, meio de elevação e navegação no Todos Los Santos: 40.000
– excursão a Frutilar: 18.000

O Centro de Informações Turísticas de Puerto Varas fica na Costanera, entre a Gramado e a Walker Martinez.

O centro de ifnormações turísticas
O centro de ifnormações turísticas

Não deixe de ler os demais posts sobre Puerto Varas. Caso inclua Bariloche na mesma viagem (o que é uma boa, pela distância), há mais de 10 posts sobre a cidade. Clique aqui para vê-los. E em breve tem mais Chile no blog: Santiago e Deserto do Atacama!

 

Puerto Varas: guia para sua viagem

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Revisitei virtualmente Puerto Varas por esses dias, planejando a viagem para um casal à região dos Lagos Andinos (presto consultoria e monto roteiros. Veja aqui) – e me deu uma invejinha branca porque agora, na primavera-verão, as chuvas dão uma folga, assim como as nuvens, permitindo que o azul intenso do lago Llanquihue e os vulcões Osorno e Calbuco em seu horizonte sejam apreciados em sua plenitude. Aí percebi que ainda não tinha escrito sobre a cidade chilena menos conhecida que sua vizinha argentina Bariloche, o que faço agora.

Puerto Varas o que fazer
As placas à beira do Lago Llanquihue indicam as paradas do Cruce Andino

Visitei Puerto Varas porque a cidadezinha é ponto final da histórica – e inesquecível – travessia dos Lagos Andinos (Cruce Andino), que pode ter início em Puerto Varas ou Bariloche. Eu fiz os dois sentidos do passeio de um dia completo e as dicas você encontra no post Cruce Andino: de Bariloche a Puerto Varas.   

Cruce Andino Puerto Varas
Percurso final do Cruce Andino, já em Puerto Varas

Cheguei a Puerto Varas no ônibus da agência local, que pegou o grupo do Cruce Andino no porto onde o Lago Todos los Santos e o rio Petrohue se encontram. No caminho, marcado no screenshot acima, três meses após a erupção do Calbuco, ainda podíamos ver os montes de cinza que haviam sido empurrados da estrada para o acostamento.

A caminho de Puerto Varas, as cinzas deixadas pelo Calbuco
A caminho de Puerto Varas, as cinzas deixadas pelo Calbuco. Ao fundo, o Rio Petrohue

Poucos quilômetros mais adiante, o ônibus para às margens do Lago Llanquihue e registramos em foto sob a luz do sol poetente o fotogênico vulcão Osorno. Mais uma vez, porque no Lago Todos Los Santos eu já tinha cansado de fotografá-lo!

Osorno, prazer em te ver!
Osorno, prazer em te ver!
Puerto Varas
Por do sol em Puerto Varas
A onipresente vista. Mas tem vulcão ali, atrás da neblina!
Vista do quarto no Hotel Cabaña del Lago. Tem vulcão ali, atrás da neblina!
Puerto Varas no mapa do linguição Chile
Puerto Varas no mapa do linguição Chile


Localização

Não sei pensar em uma cidade ou país sem localizá-los no mapa, entonces aproveitei pra mostrar o Chile e suas regiões, lembrando que esta é a região dos Lagos e que Puerto Varas fica na mesma latitude de Bariloche, sendo mais fácil conhecer as duas numa mesma viagem do que sair de Santiago para isso, por exemplo. Aliás, esta é uma excelente maneira de se organizar: esqueça as fronteiras políticas e visite cidades de dois ou três países numa mesma viagem (como Viena, Budapeste e Praga ou Seattle e Vancouver ou ainda Munique e Innsbruck…)

 

Distâncias de Puerto Varas a outras cidades dos lagos
Puerto Montt 20 km
San Martin de los Andes 569 km
Santiago de Chile 996 km

Como Chegar a Puerto Varas
Além do Cruce Andino, você pode chegar de avião a partir de Puerto Montt, a 20 quilômetros, seja de carro alugado ou de transfers promovidos pelas agências turísticas da região. Ônibus também partem de Bariloche, dando a volta no Lago Nahuel Huapi, passando por Vila La Angostura, cruzando os Andes no Passo Cardenal Antonio Samoré, numa viagem de mais de 300 quilômetros. Este mesmo trajeto pode ser feito de carro e é uma opção mais econômica do que o Cruce Andino, mas verifique as condições climáticas: não vá se meter a dirigir em estrada gelada ou nevada. Não há corrente de pneus (obrigatórias) que façam milagre!

Quando ir a Puerto Varas
Se quiser aproveitar a neve ao subir o Osorno, o melhor é ir entre final de julho e agosto. Dependendo do ano, setembro ainda tem bastante neve – e este ano (2016) nevou nos Andes no início de novembro! Por outro lado, a região dos Lagos Andinos enfrenta alto índice pluvioétrico no inverno, e se você não tiver sorte, o Cruce Andino pode acabar sendo uma roubada, como aconteceu comigo no retorno a Bariloche, depois dessa breve visita a Puerto Varas.

Frio e muita chuva
Frio e muita chuva no início do inverno/2015

Como eu disse no início, primavera e verão, além de serem meses quentes, trazem a vantagem de dias longos, claros e livres de chuva – o que fazem desse período a alta temporada para argentinos, chilenos, europeus e norte-americanos, que buscam a região para fazer trilhas nos muitos parques nacionais chilenos e argentinos. Porque brasileiro quer ir pra ver neve!😉

Quanto tempo ficar em Puerto Varas
Se for só para conhecer a cidade, um dia é suficiente. Aumente se quiser fazer bate-voltas.

Leia o post Puerto Varas Roteiro, com dicas de o que fazer na região

Como Circular por Puerto Varas

Dá pra fazer tudo a pé, mas lembre-se de que a cidade fica num morro, o que pode trazer dificuldades para quem tem problemas de locomoção ou para idosos. Vi alguns ônibus circulando e esta van que leva a municípios vizinhos. Taxis podem ser chamados pelos hoteis.

como circular em Puerto Varas

Onde ficar em Puerto Varas
Enquanto não chovia, consegui caminhar pela cidade e visitei alguns hotéis para contar aqui para vocês minhas impressões. Dos que não gostei, nem comento aqui. Como em outras cidades, há várias opções de hospedagem, de hostels a hotéis estrelados. Eu me hospedei no Cabañas del Lago, cortesia da TuristTour em parceria com a Turistur, que também me ofereceram o passeio Cruce Andino. Mas eu indicaria o hotel mesmo que não tivesse sido assim: ele é lindo e aconchegante, todos os quartos têm vista para o lago, as salas de convivência são muito acolhedoras, café da manhã farto. O único porém é que é preciso caminhar um pouco para chegar ao centrinho, pois o Cabañas se localiza bem no cantão do lago, mas eu gosto de andar e é um grande prazer fazer isso em Puerto Varas – quando não chove, claro. Leia a review que fiz de minha hospedagem no Cabañas del Lago.

o restaurante do Cabanas del Lago
o restaurante do Cabanas del Lago


Reserve este ou outro hotel pelo Booking.com, site de resevas seguro e prático que sempre utilizo para minhas viagens e com quem temos parceria.

Um hotel mais simples e menor, mas que achei bastante acolhedor é o Hotel Puerta del Lago, que fica perto da igreja Sagrado Coração, cartão postal da cidade.

Fachada do Puerta del Lago
Fachada do Puerta del Lago

Outro hotel legal – e com uma vista bacana, mas com cara de hotel urbano (eu gostei do Cabañas pela rusticidade chique) é o Solace. Consegui permissão para visitar um de seus melhores quartos, andar alto e que tem janelas em duas paredes, proporcionando uma vista linda. Saiba mais clicando aqui.

Opção mais econômica é o Hostel Estrella de Belén, que como você vê na foto abaixo fica ao lado da Igreja do Sagrado Coração. O papo à mesa da cozinha foi tão bom que acabei indo embora sem ter visto as instalações. Fica na Rua Verbo Divino 422.

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Onde Comer em Puerto Varas
A chuva não me permitiu grandes incursões culinárias e acabei fazendo as refeições no hotel Cabaña del Lago (muito bom, por sinal), comendo em apenas um restaurante da cidade, o La Cocina de Fran, uma casa simpática e com atendimento atencioso, mas que fechou, segundo informação atual do TripAdvisor, que pena… Veja no Tripadvisor indicações de restaurantes locais.

onde comer em Puerto Varas

Compras e preços em Puerto Varas
Além de lojas com artigos para montanhistas (preços altos como os picos das cidades nas montanhas), há uma vila com várias lojinhas de produtos artesanais chamada Feira Artesanal, com boa variedade e qualidade superior aos que vi em Bariloche. Os preços ali estavam bem atrativos e comprei toucas e luvas de lã, além dos carimbados ímãs de geladeira e chaveirinhos. 

Também passei por um supermercado para conferir frutas, legumes e mesmo produtos industrializados, e claro achei o meu querido Pisco Sauer nas prateleiras. Caso você não saiba (porque já falei sobre isso no blog), foi bebendo pisco em Águas Calientes depois de visitar Machu Picchu (é uma bebida típica do Peru e do Chile) que decidi viajar mais, por isso Pisco Sauer está na minha lista de bebidas preferidas – além de ser muito gostoso, claro!

o que comprar no Chile

pães mega brancos - não são pães sírios!
pães mega brancos – não são pães sírios!

Eu consumi muito pouco em Puerto Varas, mas anotei alguns preços
em dólares americanos:
– chocolate quente no Cabañas del Lago: 3
– sanduíche quente no Cabañas del Lago: 8
– água mineral no Cabañas del Lago: 2

em pesos chilenos:
– salada completa: 3.200
– salmão: 5.900
– cerveja Corona: 2.200

– excursão até Chiloe : 30.000 pesos chilenos
– sakdis de Petrohué e Lago Todos Los Santos: 15.000 pesos chilenos
– Saltos de Petrohue, Vulcão Osorno com almoço, meio de elevação e navegação no Todos Los Santos: 40.000
– excursão a Frutilar: 18.000

Leia o post Puerto Varas Roteiro, com dicas de o que fazer na região

Tomadas
Cada vez mais necessárias para recarregar todas nossas tralhas eletrônicas! Seu aparelho brasileiro vai precisar de adaptador, mas carregadores de celulares, tablets e Ipads dispensarão.

tomada no chile

Na próxima semana, escreverei sobre o que fazer em Puerto Varas. Até!

 

 

Cruce Andino: de Bariloche a Puerto Varas

Uma viagem com 8 horas de duração, em que você sobe e desce em três embarcações diferentes e em três ônibus, mas não se trata de uma viagem para chegar a um destino. O objetivo é o caminho, a paisagem de lagos, vales, montanhas de picos nevados, floretas úmidas. Este é o Cruce Andino, a excursão que parte de Bariloche na Argentina com destino a Puerto Varas, no Chile. Ou o sentido inverso. Eu fiz este passeio de paisagens espetaculares a convite da Turisur, partindo de Bariloche numa sexta-feira, pernoitando duas noites em Puerto Varas e retornando a Bariloche no Domingo. Conto agora neste post minhas impressões.

San Carlos de Bariloche

Mas o que é o Cruce Andino?
Não se trata de um cruzeiro, pois como eu disse três ônibus (4, se contar o que leva ao ponto de partida) vencem a parte terrestre entre vales e montanhas. Veículos ou embarcações particulares não estão autorizados neste caminho, pois não há estrutura de estradas ou ferryboats, então a estrada de mão única é só para seu grupo, assim como a navegação em alguns dos lagos. Além de ser um caminho com paisagens deslumbrantes, é também histórico, porque era o único usado para se comercializar artigos do Pacífico e produtos patagônicos antes da construção da Ruta 40, uma espécie de Route 66, que cruza a Argentina.

Cruce Andino Bariloche
O percurso completo do Cruce Andino


Preparando-se
Como eu disse, o Cruce Andino pode começar em Bariloche ou em Puerto Varas (ou Puerto Montt). Em Bariloche é operado exclusivamente pela Turisur e em Puerto Varas pela Turistour.

passeios em  Bariloche
Loja da Turisur em Bariloche
Passeios em Puerto Varas
Loja da Turistour em Puerto Varas

Seja qual for a origem, o percurso e os pontos a serem visitados são os mesmos, mas no inverno, se você parte de Bariloche, não há luz suficiente no final do dia para visitar o Parque Nacional Vicente Pérez Rosales, no Chile. A solução é realizar o passeio em dois dias, pernoitando em Peulla no meio do caminho, ou fazer como eu fiz, ficando em Puerto Varas e fazendo o caminho de volta a Bariloche em outro dia. Custos de hospedagem e alimentação não estão inclusos no preço da excursão.

Você pode contratar o traslado hotel-Puerto Pañuelo (leia sobre a estrutura do Porto no post Puerto Blest e Los Cantaros), de onde partem as embarcações que navegam o Lago Nahuel Huapi ou chamar um remisse (tipo de taxi, comum e seguro). Há também ônibus público que chega até o porto. Leia sobre remisses, ônibus e aluguel de carro em Bariloche no Guia para Planejar sua Viagem a Bariloche.  O percurso até Puerto Pañuelo é muito bonito e é parte do Circuito Chico, uma excursão bastante popular em Bariloche e sobre a qual publicarei post em breve.

Bariloche o que fazer
Puerto Pañuelo no dia do embarque

E começa a jornada!
Ao chegar no porto, sua bagagem é identificada e colocada na esteira para embarcar e você só vai revê-la quando chegar ao hotel escolhido, seja em Puerto Varas, seja em Peulla. Por isso, carregue com você tudo o que for precisar ao longo do dia. Depois dirija-se ao guichê no prédio do porto para pagar a taxa de embarque (32 pesos em julho/2015) e aguarde a abertura do portão de embarque.Cruce Andino

Pegou o passaporte? Você precisará dele, pois cruzará a fronteira Argentina-Chile ou vice-versa. Esqueci o meu… Pois é, macaca velha relaxa e perrengue, here it comes! Eu também não tinha meu RG porque só carrego a Carteira de Habilitação. Coisas de quem vive em SP. Ainda bem que percebi logo ao receber a documentação da imigração, ainda no porto, a tempo de descer do barco. O pessoal da Turisur foi muito compreensivo e eu não precisei pagar a taxa de embarque novamente quando retornei para finalmente fazer o Cruce no dia seguinte. Obrigada, gente!

Às 10h o catamarã Victoria Andina zarpa para navegar o Nahuel Huapi em direção ao Braço Blest. O barco tem calefação excelente, sistema de som e vídeo, sanitários e cafeteria. Nesta primeira parte do percurso, que dura cerca de uma hora, você certamente vai querer alimentar as gaivotas que seguem o barco, então não se esqueça de levar biscoitos (simples, sem recheio) ou pão. E prepare-se para o frio do inverno com luvas, toucas e um quebra-vento. Logo ao entrar no Braço Blest, vemos a Ilha Sentinela, onde estão os restos mortais de Perito Moreno, grande herói dos parques nacionais e importante figura na demarcação da fronteira entre Chile e Argentina. O barco toca a buzina para prestar sua homenagem. E se você estiver imaginando onde foi que ouviu esse nome antes, ele está presente em ruas de Bariloche, nomeia uma cidade argentina, lagos e é mundialmente conhecido pela geleira que fica no sul da Patagônia Argentina, a (surprise!) Perito Moreno. Aproveite e leia sobre como foi caminhar sobre esta geleira no post Caminhando sobre o gelo. Quem sabe você inclui o Sul da Patagônia no mesmo roteiro?

Cruce Andino passeio em Bariloche

Pouco depois das 11h chegamos ao belo Puerto Blest, onde pudemos tirar algumas fotos. Há um hotel em frente ao porto que possui lanchonete e sanitários, uma praia e o Rio Frias, mas não há muito tempo para curtir o lugar (faça o passeio Puerto Blest para isso) pois o primeiro ônibus do dia nos espera atrás do hotel.

Rio Frias Bariloche Puerto Blest
O Rio Frias a poucos metros de desaguar no Lago Nahuel Huapi
Puerto Blest Bariloche no inverno
Puerto Blest

O ônibus é de modelo urbano, com bancos baixos, relativamente confortável, mas o percurso é bem curto, 3 quilômetros, e o sacolejo não chega a incomodar. O trajeto leva entre 10 ou 15 minutos e chega a Puerto Alegre, onde não há nada além da paisagem. E que paisagem!

Puerto Alegre Lago Frias Bariloche além da neve
Em Puerto Alegre pegamos o barco para navegar o Frias

Puerto Alegre fica em uma das pontas do Lago Frias, 770 metros acima do nível do mar, e foi locação do premiado filme Diários de Motocicleta, de 2004. É um lago menor, de águas caudalosas, de um tom de verde lindo e paisagem ímpar, inclusive avista-se dele o vulcão Cerro Tronador, com 3.491 metros de altura. O Tronador tem nove geleiras e algumas podem ser avistadas, principalmente na excursão Cerro Tronador.

passeios em Bariloche
Antiga sede do Parque Nacional no Lago Frias

O percurso neste lago de 70 metros de profundidade é bem curto, apenas 3 quilômetros, mas lindíssimo. Quando chegamos à outra ponta, em Puerto Frias, fazemos os procedimentos de saída da Argentina. Algumas malas são inspecionadas, aleatoriamente.

Passeios pelos Lagos AndinosPuerto Frias Cruce Andino Lagos Andinos

Bariloche dicas de viagem
Aduaneira argentina

Passaporte carimbado, às 13h nos despedimos da guia argentina e um guia chileno nos acompanha durante o percurso de ônibus de 1h30 até Puella. Antes de chegar a Puella, o ônibus faz uma parada bem na divisa entre Argentina e Chile, pouco mais de 200 metros montanha acima (900 metros acima do nível do mar) para fotografarmos.

Cruzar fronteira Chile e Argentina

Cruce Andino Argentina Chile

Tive a grande sorte de ter um guia tão bacana quanto o Guillermo. Sempre acreditei que para se tornar um bom profissional em qualquer área é preciso conhecimento, técnica, experiência, paixão para o trabalho, mas acima de tudo, dom. Guillermo não fez nada diferente dos outros guias, foi apenas ele mesmo, e isso é o que fez toda diferença. As orientações, informações sobre a paisagem, dados históricos eram passados num tom de voz agradável e pausado, o que permitia fácil compreensão do espanhol e principalmente interesse de quem está mais voltado à paisagem do que a números e fatos.

O ônibus segue em meio a um tipo de floresta denominada Floresta Temperada Pluvial, existente apenas em regiões de latitudes e longitudes diferentes como Estados Unidos (Califórnia, Oregon, Washington e Alasca), Nova Zelândia, Noruega, Tasmânia, Japão e Taiwan. Passa por campos de degelo como o da foto abaixo e por fazendas, que já existiam antes da oficialização da área como Parque Nacional.

como é o Cruce AndinoCruce Andino cruzando os Andes

Chegando na aduana do Chile, em Peulla, todas as malas e bolsas são inspecionadas e o guia explica o porquê: Chile fica entre a Cordilheira dos Andes a Leste e o Pacífico a Oeste. Estas condições, ao mesmo tempo em que isolam o país, contribuem para a ausência de pragas e doenças provenientes de outros países que pudessem afetar a agricultura, então nenhum alimento in natura pode passar pela fronteira. Eu já falei sobre isso quando cruzei a fronteira Argentina-Chile no post De El Calafate a Torres del Paine.

fronteira Chile Argentina
Peulla é um vilarejo a 76 quilômetros de Puerto Varas e de poucos habitantes. Além da aduana, tem uma escola para atender as poucas crianças (5, segundo o garçom do hotel), o Hotel Natura e as atrações locais são passeios a cavalo, caminhadas e tirolesa. Fazemos uma pausa de 90 minutos para almoçar. Quem opta por fazer o Cruce Andino em dois dias, fica hospedado neste hotel e prossegue no dia seguinte ou outro determinado.

Hotel em Peulla Chile
Hotel Natura Patagônia

Peulla Chile Lagos Andinos

Cruce Andino onde comerApesar do isolamento de Peulla, os alimentos estavam frescos, mas não posso dizer que foi o melhor salmão ou truta que já comi. O atendimento é meio lento devido aos poucos funcionários, mas que bom não tornaram o almoço do tipo bandejão ou PF. O serviço é a la carte, apesar de estar todo mundo com pressa para seguir viagem. Veja os preços no final deste post.

Como eu fiquei de papo com um casal na hora do almoço, não tivemos tempo para explorar a região (sorry, Marcia e Ademir!), que tem uma paisagem bonita entre montanhas e o Rio Negro. Às 16h tomamos o ônibus até o porto no lindo lago Todos Los Santos, que tem esse nome por ter sido avistado no dia de Todos os Santos.

Peulla Lados Andinos
A estradinha que leva do Hotel Natura ao Lago Todos Los Santos

O lago tem uma cor impressionante (eu falo isso de todos, mas é porque cada um tem um tom diferente do outro e todos lindos).  A coloração de lagos de degelo é proveniente de partículas leves que se desprendem da rocha no degelo e, por serem leves, esses sedimentos ficam suspensos na superfície dos lagos.
O Lago de Todos Los Santos tem uma área de 178 km² e profundidade máxima de 337 metros (!)e está 150 metros acima do nível do mar. A maior parte dos lagos andinos são profundos assim pela formação glacial e processos vulcânicos, segundo a Wikipedia.

Cruce Andino Chile

Lagos Andinos Chilenos

Lago Todos os Santos Chile
O vulcão Puntiagudo
Osorno Chile Cruce Andino
O Osorno
Osorno no Lago Todos Los Santos
navegando o Lago Todos los Santos com o Osorno como testemunha

No inverno, o sol se põe mais ao Norte, e o Osorno fica em contra luz a maior parte da navegação. Acho que de manhã, no percurso Chile-Argentina, fica mais fácil avistá-lo, mas como chovia no dia em que fiz esse trecho, não tenho certeza. Pergunte na agência se fizer questão de boas fotos. Repare nas duas fotos abaixo: a primeira não está em contraluz e vê-se o verde esmeralda do lago. A segunda tem o vulcão Osorno, o porto, o Hotel Petrohue Lodge, mas nada do esmeralda.

Lago Todos Los Santos Chile
Port Petrohue, lago Todos Los Santos
Parques Nacionais Chile
Chegando a Petrohue

Tomamos então o último ônibus do Cruce, com destino a Puerto Varas, por volta das 17h30. O ponto mais afastado de Puerto Varas tinha as margens tomadas por cinzas deixadas pela erupção do vulcão Calbuco, em abril de 2015. Quando nós brasileiros ouvimos falar em cinza vulcânica, imaginamos cinza, ou seja, um pó fino. Sim, o pó fino existe, mas é levado pelo vento, tanto que chega a cidades distantes como Bariloche. Mas aqui , aos pés dos vulcões ativos, são pedriscos pesados. A terra é preta nas cidades e praias de lagos. Conversando com um senhor de Puerto Varas que tem um imóvel nesta região, ele disse que seu telhado desabou pelo peso dos pedriscos acumulados no teto da casa.

Puerto Varas Cruce andino
A caminho de Puerto Varas, as cinzas deixadas pelo Calbuco
Cabulco erupção
O Calbuco ainda soltando fumacinha, dois meses depois da erupção

E meu acordo com São Pedro de permitir cenas inesquecíveis, dignas de filmes, em minhas viagens continuou valendo. Olhem o por do sol que avistei no Lago Llanquihue! Obrigada, São Pedro!!!Puerto Varas Chile

O trajeto de volta a Bariloche
O Cruce Andino é pago por trecho e a volta só é gratuita se você é argentino ou chileno. Para os demais turistas, é preciso pagar nova tarifa e por isso nem todo mundo escolhe fazer o retorno por esta via. Mas eu queria ter a experiência completa para relatar aqui para vocês!

No Domingo, depois de um sábado com os pés em terra firme, o ônibus passou no hotel  de Puerto Varas (leia minha avaliação do Cabañas del Lago) quando ainda estava escuro. O céu estrelado e a lua cheia da noite anterior tinham dado lugar a um céu encoberto e eu sabia que São Pedro tinha outros pedidos a atender (rsrsrs).

Depois de pegar outros turistas sonolentos e de circundar um terço do lago Llanquihue, chegamos ao Parque Nacional Vicente Perez Rosales, em Petrohue para visitar as quedas d´água.

O ônibus parou em frente a algumas lojas de artesanato e estranhei pois precisamos acessar a trilha passando por dentro de uma delas. Estilo Disney de consumo? A trilha é toda de madeira e com corrimãos e logo no início tem um banheiro. Para circular sobre as quedas, há passarelas metálicas, mas estavam fechadas pelo acúmulo de cinzas do Calbuco (ainda!!!). Eu não fiquei muito impressionada com as quedas, mas sim com a cor da água. Além disso, em dias claros, atrás da queda da foto abaixo, naquele cinza do céu, avista-se o Osorno, o que deixa qualquer paisagem mais bonita.

Parque Nacional Vicente Perez Rosales Chile
Os Saltos de Petrohue

A guia nos disse para seguir a trilha e virar à esquerda, e mencionou que algumas trilhas estavam

cinzas do vulcão
A trilha coberta de cinzas

interditadas devido às cinzas do vulcão. Mas à direita, tinha indicação de uma trilha que dizia Enamorados e eu, que nem sou curiosa, fui por ela. Sim, ela estava coberta de cinzas, mas nada que impossibilitasse caminhar por ali, como você pode ver na foto ao lado.

Eu fui a única do grupo que seguiu a trilha da direita e por isso, além de conhecer os saltos, também vi o lago que parecia um cenário de sonho:

Lago em Petrohue Parque Nacional Vicente Perez Rosales
O lago em Petrohue que só eu vi

A foto abaixo em fiz depois de uma tentativa frustrada de fotografar meus pés sentada no corrimão da trilha. Claro que levei um tombo e que bom as cinzas estarem ali para amortecer a queda e evitar que minha câmera se espatifasse no chão – o que aconteceria algumas horas depois, dentro do barco… Estava escrito nas estrelas!

petrohue Puerto Varas
A lagoa esmeralda de Petrohue

As lojas ali têm artesanato de muito bom gosto, além de CDs, livros, mapas. Aproveitei para comprar ímãs de geladeira na lojinha e uma boneca mapuche de feltro que agora faz companhia para os outros objetos de povos nativos que tenho na sala de casa. By the way, já leu o post sobre decoração com suvenires de viagem?

Saindo de lá, em dez minutos o ônibus nos levou ao porto Petrohue para navegar o Todos Los Santos, parar para almoço em Peulla, ônibus novamente, Lago Frias, ônibus rapidinho, Puerto Blest, catamarã e Puerto Pañuelo, ou seja, todo o percurso de volta, igualzinho, mas totalmente diferente, porque chovia, porque nevara no ponto mais alto da estrada, porque quem volta já não é o mesmo que foi!

Cruce Andino com chuva
Com chuva, não se vê toda a beleza do lugar

 

Bariloche Puerto Blest passeio de barco
De volta a Puerto Blest


Preços
Baixa temporada (6 de abril a 30 junho): US$ 230.00
Alta temporada (6 de janeiro a 20 de abril; 1 de julho a 25 de dezembro):  US$ 280,00
Pico: 26 de dezembro a 5 de janeiro: US$ 300.00
Crianças até 2 anos não pagam e até 12 pagam 50%.

Não inclui a taxa de embarque (32 pesos), refeições e hospedagem.
Visite o site da Turisur para mais informações.

Refeição em Peulla, no Hotel Natura (preços em pesos chilenos em Julho/2015)
entrada carpacio: 5.000
porção de fritas: 2.500
filé de salmão, merluza e bovino: 7.700,  7.200 e 8.500
salada: de 3.200 a 4.900

Enfim, vale a pena fazer o Cruce?
Se você puder pagar o custo do Cruce, vale sim. É um dia completo de paisagens deslumbrantes onde também se aprende muito se você prestar atenção nas explicações dos guias. Além disso, uma boa parte do percurso não pode ser feito em automóveis ou embarcações particulares. E você não se preocupa com logística, aluguel de carro, taxa e documentação para cruzar fronteira, corrente de neve na roda do carro…

E quem não fizer?
Se você quiser conhecer alguns dos pontos do Cruce Andino, pode fazer em passeios que saem de Bariloche ou de Puerto Varas:

  • Para conhecer Puerto Blest e navegar o Lago Frias: compre o tour Puerto Blest e Los Cantaros com a Turisur. Não é possível chegar até lá de carro.
  • Também dá para avistar o Cerro Tronador do lado argentino fazendo o tour Cerro Tronador, vendido nas agências do centro de Bariloche.
  • Para conhecer as quedas de Petrohue, você pode contratar com alguma agência de Puerto Varas ou, se estiver de carro, dirigir até o parque pela Internacional 225. Mais informações no site oficial do Parque Nacional Vicente Perez Rosales.
  • Para cruzar os Andes entre Bariloche e Puerto Varas, siga a Ruta 40 saindo de Bariloche, passando por Vila La Angostura.  Depois de cruzar a fronteira com o Chile, continue por outras três estradas. Não se esqueça de verificar toda a documentação necessária para cruzar a fronteira com carro alugado (a locadora providenciará) e de que no inverno é obrigatório o uso de correntes nas rodas. Leve em consideração que não estamos habituados a dirigir em condições de neve e gelo.
O Cerro Tronador, no meio do Cruce Andino
O Cerro Tronador, no meio do Cruce Andino


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 Bariloche: guia para planejar sua viagem
 Bariloche: Roteiro de Inverno
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– Bariloche: Passeios e Checklist
 Puerto Blest e Los Cantaros: o melhor passeio de Bariloche

– Primeiro Encontro com Bariloche
– Isla Victoria e Bosque de Arrayanes: Natureza e Historia em Bariloche
– Cerro Catedral: um templo para brincar em Bariloche
– Roupas de neve ou para Temperaturas Negativas
Cerro Tronador: Lagos, Geleiras e Vulcão em Bariloche

Em breve:
– Troquei de Casa! Bariloche, Fui!
– Bariloche: restaurantes e supermercados
– Vila la Angostura
– Circuito Chico: o tour mais popular de Bariloche
– Puerto Varas: o que fazer
– Hotel Llao Llao

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Puerto Blest e Los Cantaros: o melhor passeio de Bariloche

Turisur passeios Bariloche

A manjada foto da gaivota pegando biscoitos das mãos de turistas que se equilibram num barco com uma vista de tirar o fôlego talvez seja a imagem mais recorrente quando se fala em navegar o Nahuel Huapi, o onipresente lago da cidade de Bariloche. E estava eu, buscando informações do que fazer entre 25 de junho e 10 de julho, quando soube que além do histórico Cruce Andino havia outros dois passeios lacustres, todos partindo do cinematográfico Puerto Pañuelo e todos operados pela Turisur. O primeiro deles e do qual falo neste post é o que vai a Puerto Blest, Lago Frías e Cachoeira Los Cántaros. Fiz o passeio a convite da Turisur, que tem escritório na Calle Villegas, 310, no centro de Bariloche.

A fachada da Tursur, no Centro de Bariloche
A fachada da Tursur, no Centro de Bariloche

Morando em um país tropical, com algumas praias acessíveis apenas pelo mar, lagoas mornas por jangadas e piscinas naturais por saveiros, tive poucas chances de navegar por lagos antes de visitar Bariloche. Além da beleza das montanhas, das florestas e dos lagos em si, o que causou boa impressão foi a organização dos passeios, o profissionalismo dos marinheiros e guias e a qualidade da frota da Turisur. Em nada lembrava os passeios de saveiro por Ilha Grande ou Angra dos Reis no estado do RJ, quando os saveiros aportavam um ao lado do outro e íamos pulando-os até chegar ao píer.

O interior do catamarã Victoria Andina, que leva de Puerto Pañuelo a Puerto Blest
O interior do catamarã Victoria Andina, que leva de Puerto Pañuelo a Puerto Blest

O barco utilizado para este passeio foi o catamarã Victoria Andina. Além dos assentos da parte frontal (foto acima), há assentos estilo lanchonete, com mesas, ideais para grupos e famílias grandes. O catamarã com capacidade para 260 pessoas tem sanitários, calefação e cafeteria. Acredite, você vai precisar de um chocolate quente depois de ficar no convés, com o braço estendido, segurando um biscoito, em oferta às gaivotas. Durante o trajeto,  apresentam-se em vídeo as fotos tiradas por uma equipe de fotógrafos, que podem ser impressas se você quiser comprá-las.

gaivotas Bariloche

Como fazia muito frio, logo que partimos, pontualmente às 10h, os vidros estavam embaçados, mas foram ficando translúcidos e pudemos apreciar a paisagem. Diferente de navegação em mar, não há balanço e não se enjoa. Apesar disso, as normas de se manter sentado na chegada e saída de cada porto precisam ser observadas.

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O barco desliga os motores para que os turistas fotografem a cachoeira

O trajeto inicial até Puerto Blest leva 90 minutos e a navegação é feita pelo braço mais importante do Nanuel Huapi, o Braço Blest. Logo ao entrar nesse estreito, vemos a Ilha Sentinela, onde estão os restos mortais de Perito Moreno, grande herói dos parques nacionais e importante figura na demarcação da fronteira entre Chile e Argentina. O barco toca a buzina para prestar sua homenagem. E se você estiver imaginando onde foi que ouviu esse nome antes, ele está presente em ruas de Bariloche, nomeia uma cidade, lagos e é mundialmente conhecido pela geleira que fica no sul da Patagônia Argentina, a (surprise!) Perito Moreno. Aproveite e leia sobre como foi caminhar sobre ela clicando aqui.

Puerto Blest

Tudo o que se tem para fazer é relaxar, apreciar a paisagem, fotografar e alimentar as gaivotas. Ao chegar a Puerto Blest, todo mundo quer um click com o visu da foto acima, mas temos só 10 minutos. Então sossegue e faça suas fotos no retorno, quando há tempo para lanche, fotos e até brincar na praia.

Praia de lago frio: a brincadeira é jogar pedras no lago, escrever na areia e cutucar o que se vê pela frente com cana, muito frequente na região
Praia de lago frio: a brincadeira é jogar pedras no lago, escrever na areia e cutucar o que se vê pela frente com cana, muito frequente na região

Pode-se usar os banheiros do único hotel da região, o Hotel Blest. Ao lado do hotel há um mirante para o rio Frias, que se origina de um dos glaciares do Cerro Tronador e termina no lago de mesmo nome e deságua no Nahuel Huapi. Nosso ônibus nos esperava para um percurso de 3 quilômetros, cerca de 10 ou 15 minutos por uma estradinha de mão única de terra, em meio à selva valdiviana, uma espécie de floresta úmida.

Puerto Blest passeio

Chega-se a Puerto Alegre, parte norte do Lago Frías. Quem incluiu em seu passeio a navegação do Lago Frias embarca no Victoria del Sul, com capacidade para 110 pessoas. Quem não incluiu, depois de apreciar o lago Frias desse ponto, pode voltar caminhando pela trilha para ver mais de perto as espécies da região ou aguardar o retorno do Victoria del Sul para voltar de ônibus.

lagos argentinos

Às 12h10, deixamos Puerto Alegre para uma navegação rápida pelo lago Frías, de 70 metros de profundidade. Sua coloração esverdeada deve-se a partículas de rochas provenientes do glaciar do  Tronador, que ficam na superfície da água.

A antiga administração do Parque Nacional
A antiga administração do Parque Nacional
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Este arbusto alto e seco que se vê em várias fotos é chamado Álamo. Fica amarelo no Outono, imaginem que contraste lindo!

Em Puerto Frías, sul do lago Frías, as pessoas que fazem o Cruce Andino se dirigem à aduaneira argentina para controle de passaportes e revista de bagagem, que é feita aleatoriamente. Os demais passageiros têm entre 10 a 15 minutos para caminhar, fotografar, usar o banheiro e comprar algo no quiosque local.

Os portos dos lagos andinos
Os portos dos lagos andinos
Interior do Victoria del Sul
Interior do Victoria del Sul

Lago Frias

Puerto Frias
Puerto Frias

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lagos andinosPercorremos o caminho de volta até Puerto Alegre e depois de ônibus a Puerto Blest. Temos então pouco mais de uma hora para almoçar e fazer as fotos do lugar com calma. A lanchonete fica no térreo do hotel.

Puerto Blest onde comer

O andar superior tem um restaurante (que estava fechado) e uma sala de estar com janelas que emolduram essa linda paisagem.

Realizei este mesmo percurso uma segunda vez quando fiz o Cruce Andino e posso dizer que além da mudança registrada pelas estações, a paisagem se transforma em dias de chuva, de sol e de neve. Escolha o que mais lhe agrada.

Às 14h30 partimos de Puerto Blest para uma breve navegação até as passarelas que levam aos mirantes da Cachoeira Los Cantaros. São cerca de 700 degraus, mas bem leves, com descanso a cada 4. Não é difícil para crianças ou idosos e como pode-se ver nas fotos, há corrimãos. De qualquer forma, sempre penso em como o mundo não está preparado para receber pessoas com limitações de mobilidade e como temos que agradecer por ter saúde para aproveitar as belezas da natureza.

Bariloche los Cantaros

roteiro Bariloche

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Sei que a cachoeira é a grande atração, mas eu me encantei mesmo foi com o lago, que leva o mesmo nome. Pena que estava na contraluz, mas mesmo assim, consegui alguns ângulos legais.

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E então é hora de voltar ao Victoria Andina, mais paisagens lindas, mais gaivotas. Na minha opinião este é um passeio para favoritar em qualquer planejamento de viagem a Bariloche. Mesmo que você faça o Cruce Andino, que considero (não gosto desse termo, mas ele é certeiro!) imperdível, não deixe de fazer o Puerto Blest para aproveitar o Los Cantaros e ter mais tempo em Puerto Blest, que no Cruce é apenas uma breve passagem.

PRÁTICAS RÁPIDAS

Compra de Ingresso
Você pode comprar os ingressos antecipadamente pela Internet ou no escritório da  Turisur. Outras agências também comercializam, mas a Turisur é a concessionária autorizada a realizar navegação pelo Nahuel Huapi e demais lagos da região, até a fronteira com o Chile. Também é possível contar com a sorte e comprar no dia do passeio, no guichê da Turisur que fica no estacionamento do porto, mas é melhor garantir seu ingresso, não acha?

pagando a taxa de embarque e de acesso ao Parque Nacional
pagando a taxa de embarque e de acesso ao Parque Nacional

Preços (em pesos argentinos )
adultos: 580
crianças de 5 a 12 anos: 290
extensão a Lago Frias: 220 (opcional)
traslado do Centro de Bariloche a Puerto Pañuelo: 130

Taxas a serem pagas em dinheiro em Puerto Pañuelo:
– taxa de embarque: 32
– ingresso ao Parque Nacional: 100 (para integrantes do Mercosul). Menores de 16 anos e maiores de 65 não pagam.

Visite o site da Turisur para mais informações.

câmbio pesos argentinos
O câmbio é feito pelo dólar oficial

Horário
O passeio leva o dia todo. O barco parte às 10h de Puerto Pañuelo, em frente ao hotel Llao Llao, mas é preciso chegar com antecedência mínima de 30 minutos para pagar a taxa de embarque e de acesso ao Parque Nacional. Além disso, o porto é um lugar muito bonito, e faz parte do Circuito Chico.

Porto Pañuelo antes do passeio
Porto Pañuelo antes do passeio


Estrutura do Porto Pañuelo

Todos os passeios lacustres partem de Puerto Pañuelo, 25 quilômetros a Oeste de Bariloche. O porto construído em 1965 tem estacionamento gratuito para período igual ou superior a 90 minutos, um edifício com calefação e envidraçado com uma lanchonete, sanitários modernos e limpos, wifi gratuito e rápido e os guichês de pagamento das taxas de embarque e de entrada no Parque Nacional. O edifício tem vista para o Cerro Lopez, esse lindão da foto acima. Gaivotas do que imagino seja papier marche adiantam que suas versões reais estarão à espera de pão e biscoitos oferecidos pelos turistas que navegam o Lago Nahuel Huapi.

puerto pañuelo
o andar superior da lanchonete em Puerto Pañuleo
a sala de embarque
a sala de embarque

Gostou do passeio? Em breve publico sobre outra excursão lacustre realizada pela Turisur, o Isla Victoria e Bosque de arrayanes. A cereja do bolo será o Cruce Andino! Confira abaixo todos os posts relacionados a esta viagem a Bariloche:

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❄ Bariloche: guia para planejar sua viagem
❄ Cabaña del Lago: um refúgio em Puerto Varas, Chile
❄ Bariloche: Passeios e Checklist
❄ Isla Victoria e Bosque de Arrayanes: natureza e história em Bariloche

Em breve:

❄ Troquei de Casa! Bariloche, Fui!
❄ Bari
loche: Roteiro de Inverno
❄
Bariloche: restaurantes e supermercados
❄
O que vestir na neve
❄
 Cerro Catedral
❄
 Cruce Andino
❄ Cerro Tronador
❄
 Vila la Angostura
❄
 Puerto Varas: o que fazer
❄
Hotel Llao Llao