Dolomitas: guia para planejar sua viagem

A Itália tem uma longa lista de cidades e locais tombados como Patrimônio Mundial pela Unesco, a maior da Europa, com nomes manjados como Verona, Florença e Pisa, que entram nos sonhos e planos de todos os brasileiros que desejam visitar o país da bota pela primeira vez. As Dolomitas, cordilheira nos Alpes Italianos, acabam entrando na lista de pessoas que praticam esportes de inverno ou curtem um clima mais frio ou que, como eu, adoram uma paisagem montanhosa ou são trilheiros. Uma pena, porque mesmo para quem aprecia os contornos destas montanhas e as curvas de suas estradinhas da janela do carro este é um destino fantástico, que poderia ser incluído no roteiro de quem vai a Milão, Verona ou Veneza.

Dolomitas-Itália
Rifugio Auronzo

Este post traz informações complementares a outros já publicados a respeito da minha viagem à Itália em junho de 2016 e no final dele você encontra os links.

Localização
Sabe onde fica Veneza, na região Vêneto? Cerca de 200 quilômetros ao Norte você já está em Cortina d’Ampezzo, no coração das Dolomitas. Mas a paisagem alpina começa já em Belluno, ainda na província de Vêneto, e se estende mas a Oeste, até a província de Trentino Alto Ádige.

Alpes Italianos
A região Tentino-Alto Ádige, no Norte da Itália


Passeios e roteiro pelas Dolomitas
No post anterior, você encontra o roteiro detalhado de 3 dias nas Dolomitas, descrevendo os pontos mais legais para paradas. Deixo aqui sugestões de outros lugares que não conheci. 

Ainda na região que explorei (Misurina, Cortina, Gardena, Funes e Siusi), outros pontos literalmente altos são o Glaciar Marmolada, que pode ser visto da estrada 641, atrás do Lago di Fedaia, e o Passo Pordoi na 48. Os lagos me decepcionaram, mas conheci poucos, então talvez tenha sido isso. Ou talvez seja porque os lagos das Montanhas Rochosas Canadenses sejam imbatíveis e qualquer comparação, injusta. Um lago bonito aonde se chega por uma trilha relativamente fácil é o Sorapiss.

Conhecer os museus da Primeira Guerra Mundial e ao mesmo tempo caminhar no alto das montanhas é possível, pois alguns dos museus são trilhas, chamados Museu a Céu Aberto, o mais famoso no Rifugio Falzarego, pegando a gôndola para Lagazuoi. Clique aqui para informações.

Museu Dolomitas Alpes Italia

Depois de explorar essa região, ainda tem montanhas e vales para além da cidade de Bolzano, como San Genesio e Sopra Bolzano. 

Já que chegou até ali, numa esticadinha até Merano você viverá como um nobre: repousará seus pés cansados de trilhas nas Termas de Merano e apreciará o Castelo Trauttmansdorff. 

Castelo e Jardins em Merano
Castelo Trauttmansdorff e Jardins em Merano
E para se despedir das montanhas, nada melhor do que passear pelo centro histórico de Trento , cidade com vista para as montanhas!

Como Chegar às Dolomitas
🚗 As Dolomitas estendem-se por 200 quilômetros de Leste a Oeste, então é preciso definir sua porta de entrada, que pode ser:

  • a partir de Veneza, chegando a Cortina d’Ampezzo, na parte Leste das Dolomitas;
  •  a partir de uma das cidades a Oeste das Dolomitas, como Bolzano ou Trento, chegando a Siusi.

🚅 Não há trens percorrendo as Dolomitas de Leste a Oeste, mas há opções para chegar lá de transporte público e depois contratar passeios ou alugar um automóvel. Por isso, tenha programado o aluguel do automóvel para escolher o bilhete, pois nem todas cidades dispõem de locadoras. Eis algumas linhas que pesquisei e cujos bilhetes podem ser adquiridos online na Trenitalia. Todas as viagens levam cerca de duas horas e os valores foram pesquisados em Abril/2016:

  • de Innsbruck na Áustria até Bolzano (estava nos meus planos iniciais um bate volta antes de incluir a Toscana na mesma viagem): € 35
  • de Verona a Bolzano: € 12
  • de Veneza a Calalzo di Cadore-Cortina: € 12
Dolomitas Alpe di Siussi restaurantes
Eu de boa em Alpe di Siusi

Milão é a cidade italiana com voos diretos partindo do Brasil mais próxima das Dolomitas e por isso deixo informações de como chegar a partir dela até Val Gardena, na parte central da cordilheira:

🚍 de ônibus: Duas companhias fazem a rota do Aeroporto Malpensa até Val Gardena: Busgroup.eu e Alto Adige Bus
🚅 de trem: comprar bilhete na Trenitalia até Bolzano e de lá um ônibus. Informações aqui.

Dolomitas
O “miolo” das Dolomitas

 

Que estradas escolher
Este era um ponto preocupante para mim, porque eu não queria correr o risco de escolher uma estrada nas Dolomitas para ir do ponto A ao ponto B que fosse menos cênica que outra. Confesso que embora eu não tenha guiado por todas as estradas, é impossível cometer este erro porque para onde se olhe se avistam as montanhas. Basta sair da autoestrada e rodar pelas SP e SS, as estradas estreitas, sinuosas, cheias de cotovelinhos fofos dobrados a 180º. Mas o roteiro que fiz passa pela chamada Grande Estrada das Dolomitas, que vai de Cortina a Bolzano.

A Grande Estrada das Dolomitas
Em Passo Giau

Hospedagem
Há inúmeras possibilidades para todos os bolsos e estilos, desde campings, refúgios no alto das montanhas (concorridíssimos), B&B, hotéis-spa, a lista é longa. Como só usaria o hotel para banho e dormir, escolhi pousadas e hotéis econômicos, sem piscinas ou spas, pensando também nas interações sociais que estes lugares propiciam. Ficamos em dois pontos das Dolomitas: no Lago Misurina, a Leste, e em Funes, a Oeste, sobre os quais falarei em futuros posts. Veja o custo do Hotel Sorapiss e da Pension Sass Rigais no Booking.com, onde sempre reservo meus hoteis. 

Quintal da Pension Sass Rigais
Quintal da Pension Sass Rigais. Nada mal, né?

Trekking
Caminhar pelas montanhas nas diversas trilhas existentes é a principal atividade para quem não vai às Dolomitas para esquiar.  As trilhas têm vários níveis de dificuldade e a primeira a ser construída, a Via delle Dolomiti 1, foi traçada nos anos 1960, e até os anos 1980 outras 9 foram acrescentadas. O quadro abaixo traz informações sobre cada uma delas.  Você notará que há dois nomes para cada uma delas, um alemão e um italiano. Se você não tem familiaridade com trilhas ou dispõe de pouco tempo, saiba que não é preciso fazê-las completas, eleja apenas um trecho.  Fonte.

Nº da Trilha Nome Início Final Distância Duração
AltaVia 1 Via Classico Pragser Wildsee / Lago di Braies Belluno 150km 13 dias
Alta Via 2 Via delle Legende Brixen / Bressanone Feltre 185km 15 dias
Alta Via 3 Via dei Camosci Toblach / Dobbiaco Longarone 120km 10 dias
Alta Via 4 Via Grohmann Innichen / San Candido Pieve di Cadore 90km 8 dias
Alta Via 5 Via di Tiziano Sexten / Sesto Pieve di Cadore 100km 10 dias
Alta Via 6 Via dei Silenzi Sappada Vittorio Veneto 190km 14 dias
Alta Via 7 Via di Lothar Pateras Pieve d’Alpago Segusino 110km 11 dias
Alta Via 8 Via Panoramica Brixen / Bressanone Salurn / Salorno 160km 13 dias
Alta Via 9 Via Transversale Bozen / Bolzano Santo Stefano di Cadore 180km 14 dias
Alta Via 10 Judikarienhöhenweg Bozen / Bolzano Lago di Garda 200km 18 dias

Agora, se você acha caminhadas de 13 dias light demais, pode querer escalar as montanhas pela famosa Via Ferrata. Eu nem me atrevi a pesquisar, mas achei este site sobre o assunto em meio a minhas pesquisas.

Alpes Italianos Dolomitas
Ah, que delícia!!!
E este é pelo jeito o melhor guia de trekking nas Dolomitas, indicado em vários blogs que li. E neste site das Dolomitas você encontra um mapa de trilhas na região de Cortina.

Como minha intenção inicial era “trecar” solo, pesquisei algumas agências que gerenciavam o transporte, as reservas e as caminhadas, uma britânica e uma espanhola. Também tem agência no Brasil. 

Deixo claro que não tenho indicação e não utilizei nenhum destes serviços, pois viajei de forma independente. Os links de agências e serviços de transporte são apenas fruto de minha pesquisa do planejamento desta viagem.

Passe para os Lifts (gondolas ou teleféricos)
Se você vai ficar na região de Cortina para fazer trilhas a pé ou de bike, existem passes de 3 a 7 dias que dão acesso a todos os teleféricos da região, pois as melhores trilhas estão no alto das montanhas. Acesse este site para ver os preços atualizados.

Dolomitas Seiser Siusi
O cable car que leva a um ponto ainda mais alto: Bullaccia

Língua e Cultura
Quando se viaja para grandes centros urbanos, podemos observar o modo de agir, falar, comer das pessoas em metrôs, ruas, praças e restaurantes, mas como nas Dolomitas não há concentração de gente, na minha breve passagem pela região não consegui sentir a cultura local e as únicas marcas foram uma atendente vestida com trajes tiroleses e as sinalizações indicativas de cidades que vinham em uma língua estranha, diferente, o ladino – além do italiano e alemão. Já dei essa dica em outro post, mas vou repetir: familiarize-se com os nomes dos lugares que quer ir nestas três línguas, porque ficará mais fácil ler as placas e decidir se vai virar adestra ou sinistra.

Mas fiquei curiosa e fui pesquisar: não são poucos os que falam ladino nessa região: 30.000 habitantes ainda escrevem e falam a língua que perdeu o status de dialeto e oficializou-se como terceira língua oficial na região das Dolomitas, sendo ensinado nas escolas.

Para saber mais

Websites oficiais
Auronzo di Cadore e Lago Misurina
Belluno
Cortina d’Ampezzo
Sobre as Dolomitas 

misurina Italia_Dolomitas

Geologia

Esta é para os nerds de plantão! Se quiser saber sobre a formação das Dolomitas, clique aqui!


Um pouco da historia das Dolomitas
Desde a Guerra da Independência Italiana de 1861, quando a Itália passou a ser um Estado, a fronteira entre Áustria e Itália estava em disputa e com a Primeira Guerra Mundial as Dolomitas viram sangrentas batalhas. Dezenas de milhares de soldados morreram de 1915 a 1918, não apenas em combate, mas também em avalanches e pela exposição aos elementos naturais como nevascas e frio – e, imagino, fome. Embora os Italianos estivessem em maior número, os Austríacos conseguiram as melhores posições estratégicas e tomaram o Monte Lagazuoi onde hoje fica o museu.

E depois de tanto sangue derramado, foi num tratado em Paris em 1919 que se decidiu o riscado da fronteira Áustria-Itália, quando a região das Dolomitas passou a pertencer à Itália, como prêmio pela Itália ter virado a casaca e se aliado à Tríplice Entente (aliança entre Inglaterra, França e Império Russo). Claro que a coisa é complexa e envolve interesses territoriais e econômicos, então este é só um resumão para unir pontos como cultura tirolesa-fronteira-museu de guerra.

WebCams
 Encontrei sites que dispõem webcams de vários pontos das Dolomitas, que ajudam a ver se já tem neve, se está chovendo, céu azul, etc.
– webcams da região de Auronzo e Lago Misurina (perto de Cortina d’Ampezzo)
– webcams de várias regiões das Dolomitas

Posts Relacionados às Dolomitas (clique sobre os títulos)

 

Onde ficar nas Dolomitas
Vista da Pousada Sass Rigais, em Funes

 

Cortina d’Ampezzo, nas Dolomitas, num bate-volta de Veneza

Apenas duas horas de carro separam a incomparável Veneza a uma menos conhecida dos brasileiros, mas de cenários tão incomparáveis quanto, embora totalmente diversos: a cadeia de montanhas chamada Dolomitas, que enfeita o Nordeste da Itália (como se o país precisasse de mais atrativos!), onde fica a fronteira com a Áustria, ou seja, nOs Alpes.

O Lago Misurina, a 15 km de Cortina
Chegando ao Lago Misurina, a 15 km de Cortina

Diferente do que muita gente pensa, os Alpes não estão ali só para servirem de estação de esqui. O verão por estas bandas pode ser uma opção prazerosa para apreciar os contornos das montanhas e, se você for um entusiasta trilheiro ou ciclista, aposto que já ouviu falar das Dolomitas, destino preferido também de motoqueiros e motoristas, pois todas as estradas têm um visual maravilhoso e para quem gosta de dirigir ou pedalar as curvas são apenas mais um atrativo.

A região das Dolomitas é daqueles lugares com alta concentração de beleza por metro quadrado e exibe (esta palavra é perfeita aqui: o cenário parece uma exibição de Arte), além das montanhas de até 3 mil metros no papel principal, coadjuvantes de peso, como o maior planalto de altitude da Europa: Alpe di Siussi (post a respeito com imagens que parecem de calendário já estão publicado aqui), lagos, vales com casas alpinas e igrejinhas que mais parecem aqueles tijolinhos de madeira nossa infância, cultura tirolesa (fala-se mais alemão do que italiano), lagos formados pelo degelo e encostas pontuadas por vaquinhas e carneiros, numa extensão de apenas 200 metros de Leste a Oeste, tendo como cidades mais famosas Bolzano (já em seu limite) e Cortina D’Ampezzo, no coração das Dolomitas.

O Centrinho de Cortina
Torre da Igreja Santi Filippo e Gicamo, de 1850, e as onipresentes montanhas

Eu, Marcia, me, myself, na minha opinião totalmente pessoal e subjetiva, acho que bate-volta para essas montanhas é uma pena, mas se é isso o que cabe na sua viagem ou o que lhe basta, não vai se arrepender. Saí de Veneza já passavam das 10h30 e consegui almoçar e passear por Cortina, subir a montanha até o Rifugio Auronzo e caminhar em volta do Lago Misurina, além de várias paradas para fotos. No verão, quando os dias são mais longos, um bate volta é possível, sim.

cortina ruas-1
Em vez de um monte de prédios da minha janela em SP, adoraria ver este paredão!

Outra coisa: fiz na mesma viagem a Toscana e as Dolomitas e cada região tem sua beleza, mas as montanhas são… arrebatadoras, impactantes. Não posso dizer que uma road trip é mais bonita que a outra porque é também uma questão de gosto, mas é uma pena que se valorize tanto a Toscana, entre os brasileiros, e poucos conheçam as Dolomitas. De qualquer forma, opte você por bate volta ou por permanecer alguns dias na região, ficam aqui dicas para você ir a Cortina, nome apropriadíssimo, pois a partir dela abre-se o espetáculo que são as Dolomitas.

Cortina nova edição-1

O ginásio que serviu para competições das Olimpíadas de 1956
O ginásio que serviu para competições das Olimpíadas de 1956 em Cortina. Hoje tem hockey!

Localização
Cortina d’Ampezzo fica na província de Belluno, 158 quilômetros ao Norte de Veneza e a 1224 de altitude.

Como chegar a Cortina d’Ampezzo

✈ Os aeroportos mais próximos são em Veneza e Bolzano.

🚄 Não se chega direto a Cortina de trem. A estação mais próxima fica em Calalzo di Cadore.

🚌 Este site tem informações sobre as linhas de ônibus que chegam a Cortina.

🚗 Se você está em Veneza, o ponto de partida é a Piazzale Roma, onde ficam o terminal de ônibus e o ponto final/inicial do vaporettos. A maior parte das locadoras de veículos fica na rua de trás do canal, na Ponte della Libertà.  Também há lojas no aeroporto Marco Polo.

locadoras na Ponte della Libertà
locadoras na Ponte della Libertà, Veneza

 

Não deixe de ler o post Dirigindo na Itália,
com dicas de estacionamento, pedágio, combustível…

Estradas de Veneza a Cortina d’Ampezzo, nas Dolomitas
Qualquer Google Maps ou GPS vai te mostrar o caminho de Veneza a Cortina d’Ampezzo, que é muito simples: autoestrada A 27 e SS 51 após a entrada para Belluno, que você não pega, ou seja, siga em frente. Se quiser, a primeira parada com uma vista bonita é em Valle di Cadore, à esquerda da estrada, onde tem um Centro de informações Turísticas ao lado de uma fonte bonitinha com fundo de montanhas:

a caminho de Cortina, as montanhas ficam mais próximas, em Valle di Cadore
opçao para esticar as pernas e fazer uma das primeiras fotos das montanhas: Valle di Cadore

Um pouco mais adiante, uma outra cidadezinha: San Vito di Cadore. A SS51 passa no meio de ambas e não há acostamento, então fique de olho em estacionamentos de comércio para dar uma paradinha para fotos.

ASS 51, em San Vito di Cadore
A estrada SS 51, em San Vito di Cadore

A partir daí, Cortina está pertinho e é tanta paisagem que você esquece da quilometragem e do relógio. Ao chegar à cidade, procure um dos estacionamentos, que são gratuitos na baixa temporada. Este em que paramos fica perto da estação de ônibus da cidade, onde há banheiro público (€1) e comércio típico de estações, como lanchonetes, vending machines e suvenires.

estacionamento em Cortina
sinalização para estacionamento em Cortina

Outra opção: Se tiver mais tempo, na bifurcação da SS 51 siga à direita (foto abaixo), que continua com o nome de SS 51bis (aprendi, perdida em Paris, que bis quer dizer “é esse número, mas não exatamente esse número”). Na bifurcação, pegue a SS52 sentido Norte. Em seguida, as placas indicarão Auronzo e Misurina, e pegue a SS48, que também te leva a Cortina d’Ampezzo. Eu não fiz esse trecho, mas parece ser lindo.

Cortina a caminho foto Google

Para voltar a Veneza, pegue a SS51 e a A27. Leia mais abaixo as opções de lugares próximos a Cortina para visitar.

Como circular
Cortina é tão pequena que se você bobear acaba saindo dela achando que nem chegou (sim, aconteceu conosco! rsrsrs), então dá pra fazer tudo a pé. Para ir a outros pontos próximos, como Misurina ou Passo Falzarego, caso esteja sem carro, poderá usar ônibus de linha, que partem da rodoviária. Uma máquina automática vende bilhetes (€1,20 a unidade) e há uma de troco também. 

Trajetos de ônibus urbano na região de Cortina
Trajetos de ônibus urbano na região de Cortina
Rodoviária de Cortina
Rodoviária de Cortina

Câmeras ao vivo
Quer dar uma espiada ao vivo do alto das Montanhas? Este site tem 6 câmeras só na região de Cortina!

Vídeos do YouTube
Você vai encontrar vários, mas eu selecionei este pois tem mais imagens da primavera do que do inverno, mais comum de encontrar pois Cortina é um resort de esqui.

Este vídeo é profissional e mostra Cortina em todas as estações, trazendo uma ideia do quanto da pra se fazer por lá!

o Centrinho de Cortina
o Centrinho de Cortina

Onde ficar em Cortina d’Ampezzo
Como toda cidade turística, há hospedagem para todos os bolsos e gostos. O hotel que escolhi ficava no Lago Misurina, a apenas 15 km de Cortina e vou escrever sobre ele no post Lago Misurina. Fiz a reserva pelo Booking.com e se você fizer a sua através do blog Mulher Casada Viaja estará contribuindo para a manutenção do blog, pois recebo uma pequena comissão. Você não paga nada a mais por isso e faz um gesto simpático com quem passou horas para organizar este post. Grazie!

Estrada entre Cortina e Lago Misurina
Estrada entre Cortina e Lago Misurina

Visto, Passaporte e Carta Schengen
Não é necessário visto para entrar na Itália, apenas passaporte com validade superior a 6 meses e, como a Itália faz parte da Comunidade Europeia onde é exigida a Carta Schengen, há obrigatoriedade de contratação de seguro viagem. Além disso, seguro viagem não é só para o caso de você torcer o pé numa trilha ou sofrer um acidente. Malas extraviadas e tantas outras coisas que tornariam sua aventura inesquecível negativamente podem ser minimizadas com o seguro. O blog tem parceria com a Mondial Assistance,  que  oferece 15% de desconto para os leitores, desde que contratado através do link do blog. Neste link você encontra o código promocional

Língua e cultura
A língua oficial é o italiano e nesta parte das Dolomitas não há tanta influência tirolesa como na região mais a Oeste. A arquitetura é alpina, mas com um quê típico italiano. As poucas pessoas com quem tive contato foram atenciosas e simpáticas e usei o Inglês para me comunicar em restaurantes, centro de turistas e pousadas.

Cortina d Ampezzo
Pelas ruas de Cortina

Dinheiro/Moeda 
Com o IOF de 6% sobre o cartão de crédito, deixei para usá-lo em poucas situações e levei euros para quase todas as despesas. Se você decidir levar dinheiro, não se esqueça do moneybelt, aquela pochete de tecido que se usa entre a roupa íntima e a camiseta ou calças, que você compra em lojas de bolsas ou pela Internet. Nesta região não há batedores de carteira como em Roma ou Paris, mas é todo dinheiro que você tem na viagem, então melhor não correr riscos deixando-o em sua carteira. Outra coisa: nenhuma das pousadas em que fiquei tinha cofre nos quartos.

Quanto custa ir para Cortina d’Ampezzo
Claro que um mesmo destino pode ter variações enormes de custo, dependendo do perfil do viajante, da época do ano e de tantos outros fatores, mas deixo aqui uma ideia do quanto gastar, baseando-me nas despesas de junho/2016:

Hospedagem: média de €70 em hotéis ou pousadas simples (sem estrutura como piscina, spa, mas limpos e com restaurantes) com vista para montanhas e lagos.

Refeições: o preço não muda muito de uma cidade para outra e uma refeição simples (uma pizza ou massa com cerveja) não sai por menos de €15, mas sempre comemos com “uma vista: na piazza principal, em frente a uma montanha ou lago, etc.

Cortina d Ampezzo Dolomitas
mercadinho em Cortina: legumes, frutas, vinhos e queijos: faça seu picnic!

Pedágio e combustível: rodamos 3 dias por Veneza-Cortina-Misurina-Falzarego-Selva Gardena-Funes-Alpe di Siussi e Trento e gastamos €46 para reabastecer o carro antes de sua devolução à locadora. O custo do pedágio que só existe nas autoestradas e não nas estradinhas entre as montanhas, depende da quilometragem rodada. Para chegar a Funes nos perdemos e tivemos que rodar até achar uma saída, então gastamos € 7,50. Na saída de Funes a Siussi foram €3,80.

Não tem cofre, mas tem vista!
Não tem cofre, mas tem vista! Hotel Sorapiss

Voltagem/Tomadas
Não se esqueça do adaptador universal para tomadas e de um benjamim, pois alguns hotéis têm poucas tomadas para recarregar câmera, celulares, etc.

Fuso horário
Se não estivermos em horário de verão, na Itália são 5 horas mais tarde em relação ao horário de Brasília.

dicas da Itália

Temperatura/clima
Confira a previsão do tempo neste site das Dolomitas.

Quando ir a Cortina d’Ampezzo
Se você quiser ver neve, de novembro até março vai encontrar os picos, telhados e pinheiros cobertos por ela. Mas esqueça o carro nesta opção se você não tem experiência em dirigir com correntes nos pneus, que são obrigatórios. Leia mais em Dirigindo na Itália.

Se quiser fazer trilhas, usar sua bike ou simplesmente fugir da friaca dos Alpes, a partir de maio já dá para encarar os picos, onde venta muito e faz frio mesmo no final da primavera. Em 2016 a primavera foi chuvosa e o calor demorou a chegar. Nos rifugios e passos e no início da manhã ou à noite, precisei usar jaqueta corta vento mesmo no meio de junho! Se puer escolher, a alta temporada de verão, entre julho e agosto é o ideal – e quem sabe suas fotos ganham mais colorido do que as minhas com o sol!

Entre nas ruas residencias!
Entre nas ruas residências!

O que fazer em Cortina d’Ampezzo e região
Cortina foi apenas uma parada para almoço e passeamos um pouco pelo centrinho após a farta refeição típica italiana. Quase tudo estava fechado (hora de almoço+baixa temporada) e eu estava ansiosa para ir ao Rifugio Auronzo, então não ficamos muito por lá. Além da diferença entre uma viagem no inverno e no verão, há dois tipos de viagem nas Dolomitas e as sugestões dependerão de qual é a sua:

  1. contemplativa, para quem tem menos tempo, quando rodamos pelas estradas sinuosas, fazemos paradas, tomamos teleféricos para o alto das montanhas e fotografamos. A paisagem aliada às estradas sinuosas fazem das Dolomitas destino preferido de motoqueiros, ciclistas e por que não dos motoristas? Infelizmente foi o que cabia no meu roteiro, então conheci o centrinho, peguei folhetos no Uffici Turistico, dirigi até o Lago Misurina e subi de carro até o Rifugio Auronzo. No dia seguinte, ainda na região, fui a Passo Giau e ao Passo Falzarego. Neste, um teleférico te leva a 2,700 de altitude, no Rifugio Lagazuoi, aonde só não fui porque as montanhas estavam completamente encobertas e eu não veria nada. Falarei sobre estes passeios em posts à parte.
  2. imersão, para quem fica mais dias e faz trilhas para lagos, nas montanhas, visita as antigas trincheiras da Primeira Guerra Mundial. Nesta categoria podemos adicionar passeios de bicicleta, esqui e incontáveis esportes de inverno que nós moradores de países tropicais nem imaginamos. Se você tiver a sorte de ficar por lá para isso, o centro de informações turísticas tem diversos mapas gratuitos para você se orientar.

Centro de Informações Turísticas de Cortina d’Ampezzo
O Ufficio Turistico fica na Corso Italia, 81, fácil de achar pois é perto da igreja da cidade, cuja torre pode ser vista facilmente. Lá você pode pegar gratuitamente mapas de trilhas ou de pistas de ciclismo e receber informações de que precisar.

De Cortina a…
Lago Misurina: 15 km
Veneza: 158 km
Bolzano: 132 km
Innsbruck: 164 km

Minhas impressões de Cortina
Durante o planejamento de minha viagem, senti falta de informações mais específicas sobre Cortina, mas lá descobri que não há muito a escrever além do que já disse aqui, pois o grande barato mesmo é ficar pelas estradas e trilhas e usar os meios de elevação para ir ao topo das montanhas onde as estradas não chegam. Claro que quem fica na cidade vai curtir os restaurantes e comércio, mas a cidade é tão pequena que pode ser chamada de vila.  Na foto invernal abaixo, você vê a praça principal e a cidade se espalha pelas encostas das montanhas na forma de casinhas alpinas. Vale a pena? Se você gosta de natureza e de montanhas, a região das Dolomitas é o lugar certo para você. 

O Centro de Cortina no inverno, em foto do Expedia
O Centro de Cortina no inverno, em foto do Expedia

Depois de todas estas dicas dá pra planejar sua ida a Cortina, mas se você não tiver tempo ou paciência, você sabia que eu organizo roteiros e/ou presto assessoria para você montar sua própria viagem? Leia como funciona clicando aqui.

Não deixe de ler os posts sobre Veneza, com dicas de como chegar, um guia para você começar o planejamento, roteiro de uma primeira vez, e o que não fazer por lá, além de uma explicação de como Veneza foi construída sobre as águas.

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Alpe di Siussi
Dirigindo na Itália
 Dolomitas: roteiro de 3 dias
Roteiro pelo Norte da Itália e pela Toscana
 Dolomitas: guia para sua viagem
Lago Misurina e Rifugio Auronzo

Em breve sobre região das Dolomitas:
Val di Funes
Trento

 

 

 

Roteiro de 12 dias pelo Norte da Itália e pela Toscana

Val di Funes, nas Dolomitas
Val di Funes, nas Dolomitas

Quem foi Cabra das Rochosas em outra encarnação como eu, ficaria 10 dos 12 dias disponíveis na Itália somente nos Alpes, sem sombra de dúvida. Seja no inverno, para praticar esportes de neve  ou no verão para fazer caminhadas e apreciar os contornos dos vales e picos, o Norte da Itália vai muito além de Veneza e Milão e eu descobri em minhas pesquisas nomes menos conhecidos, como Auronzo, Bolzano, Carezza, Val di Funes e Gardena, todos na cadeia de montanhas Dolomitas. Um pouco mais ao Sul, os nomes já são mais familiares, como Sirmione, Como, Verona e Trento.

Cabra das Rochosas, eu em outra encarnação
Cabra das Rochosas, eu em outra encarnação

Como comprei o bilhete aéreo com antecedência de sete meses e adiei a viagem por mais três, tive aí quase um ano para sonhar com essas montanhas. Um problema nas pernas me fez mudar objetivo da viagem, que seria me inscrever em grupos de trekking, viajar sozinha e caminhar entre as montanhas, caminhar e caminhar.  Cheguei até a divulgar na página do Facebook que organizaria um grupo de leitoras do blog para viajar à Itália, mas tive receio de me comprometer como responsável por um grupo estando com esse probleminha mal resolvido nas pernas.

Estou a pouco mais de um mês para pisar em solo italiano de novo, tentando manter a calma por estar sem viajar há meses (gente, consegui!!!), aprendendo um pouco de italiano de forma autônoma, e controlando os pensamentos negativos que passeiam de vez em quando pela minha mente: “Que pena, seria sua primeira viagem à Europa sozinha.” ou “Que pena que você não vai ter a experiência de fazer trekking nas Dolomitas e dormir em refúgios a 2 mil metros de altitude.”. Tudo tem um porquê, mesmo que a gente não consiga enxergá-lo, conforto-me ao pensar.

Alpe di Siussi
Alpe di Siussi

Geralmente acho o planejamento da última viagem o mais trabalhoso e certamente chegar a este roteiro exigiu muitas horas de pesquisa e com uma colega de viagem, alguma negociação. Eu queria ficar só nas montanhas, nos Alpes Italianos, suíços e austríacos, que embora pertençam a três diferentes países possuem traços culturais tiroleses e relevo em comum. Mas minha amiga achava que montanhas eram muito parecidas entre si, algumas mais altas, outras mais baixas (rsrsrs) e queria mudar de paisagem e fazer a Toscana de carro, o que acabei topando (ai, que sacrifício, fazer a Toscana de carro!). Entre uma conversa e outra, havíamos flertado com outras possibilidades, que listo a seguir caso você queira incluí-las em seu próprio roteiro, se tiver mais tempo e dinheiro:

  • Vale d’Aosta
  • “já que” estaremos em Aosta, uma esticadinha até a francesa Annecy
  • Bellagio, no Lago di Como e Sirmione, no Lago di Garda
  • percorrer os trilhos especiais do trem panorâmico Bernina Express, que liga Itália à Suíça.
  • continuar nas paisagens alpinas fazendo o trecho St. Moritz (Suíça) a Innsbruck (Áustria) de trem, que é belíssimo. Dá uma olhada neste vídeo do trajeto!

Cada uma dessas ideias saiu do roteiro final por vários motivos, mas o determinante foi o curto tempo de que dispúnhamos. Mas elas já estão num roteiro futuro: Annecy entra brincando num roteiro pela Suíça, assim como o Bernina e o Lago Como. E Innsbruck pode ser incluída na chamada Rota Romântica Alemã.

dolomitas
cenário dos meus sonhos nos últimos meses

A versão final do roteiro continuou apertada, com uma noite em cada cidade, coisa que eu não faço há pelo menos uns 20 anos e que não recomendo devido ao desgaste e à impossibilidade de explorar e sentir a cidade, mas toda regra tem uma exceção e nesta viagem há justificativas para uma noite em cada cidade:

  1. Milão, Verona e Veneza são cidades que já visitamos
  2. era mais fácil ficar uma noite em cada cidade da Toscana do que fazer bate-voltas a partir de Siena, além de ser mais charmoso dormir numa pousada do tipo agroturismo
  3. o mesmo nas Dolomitas: já que são roteiros de carro e cidades/vilas com características parecidas, será menos cansativo, espero, percorrer menos quilômetros do que trocar de hotel.
Castelo Banfi, em Montalcino
Castelo Banfi, em Montalcino

Roteiro de 12 dias na Itália
dia 1 – chegada a Milão no final da manhã. Ainda não decidi se faço um bate-volta rapidíssimo ao Lago di Como ou se curto um pouco Milão

dia 2 – trem de Milão para Siena

dia 3 – de carro alugado: Siena-Montepulciano-Pienza-Montalcino

Siena
Siena

dia 4 – Montalcino-Monteriggione-S. Gimignano-Volterra-Colle di Val d’Elsa-Siena

dia 5: trem de Siena a Veneza (quem resiste a ela, no meio do caminho, entre o ponto A e o B?)

dia 6: Veneza

Veneza no verão
Veneza no verão

dia 7: de carro alugado: Veneza-Auronzo-Cortina d’Ampezzo-Lago Misurina

dia 8: Lago Misurina-Falzarego Pass-Selva Gardena-Alpi di Siussi-Val di Funes

dia 9: Val di Funes-Merano-Bolzano-Trento

dia 10: de trem: Trento-Verona

dia 11: de trem: Verona-Milão

Milão
Milão

dia 12: de avião: Milão-Lisboa-SP

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