15 Bate-Voltas e Viagens a partir de Paris

Sempre rola esta pergunta nas redes sociais: “vou a Paris e queria dicas de outras cidades próximas”, por isso deixo uma ajudinha aqui no blog com cidades e lugares para conhecer a partir da capital da França. Além disso, saiba o que considerar para decidir se e quais bate-voltas vale a pena fazer tendo como base Paris – e a reflexão serve para qualquer outra cidade.

Paris bate voltas
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Antes de falar sobre as cidades para conhecer a partir de Paris, preciso te falar uma coisa. Se você acompanha o blog, sabe que sou a favor do planejamento regional, desconsiderando as fronteiras; vou exemplificar que ficará mais fácil para você entender.
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Museu D’Orsay faz 30 anos. Sua historia como estação de trem e museu

Museus de Paris

Difícil acreditar que já passou pela cabeça dos franceses demolir a estação ferroviária que hoje é a linda casa do Museu D’Orsay. Um projeto de hotel chegou a ser apresentado nos anos 1970, mas o bom senso prevaleceu (infelizmente não aconteceu o mesmo com a Torre de Monte Parnasse, que destoa não apenas na arquitetura, mas principalmente na altura) e o edifício de linhas retas e modernas não saiu do papel. Em vez disso, decidiu-se restaurar a estação e adaptá-la a um museu para receber pinturas e esculturas do período artisticamente fértil de 1848 a 1914.

estação de trem Orsay Paris

A História do d’Orsay
Assim como a Torre Eiffel, construída em 1889 para a Exposição Universal, a estação de trem também foi construída para receber visitantes da Exposição de 1900 provenientes das linhas a sudoeste de Paris. O projeto ficou sob responsabilidade do arquiteto Victor Laloux. Se você já viajou de trem, deve ter reparado que as estações são cobertas, mas têm aberturas para que a fumaça das então locomotivas a vapor fosse expelida. Com a modernização dos trens e o fim dessas locomotivas foi possível conceber uma estação de teto envidraçado, sem aberturas, e com detalhes decorativos como as rosáceas do teto, que hoje servem como saída de ar condicionado. Além da estação, projetou-se um hotel de luxo cujo restaurante ainda pode ser visitado.

Museu impressionista Paris
Sala que pertencia ao Hotel anexo à estação ainda pode ser visitada

O século XX foi de rápidos avanços tecnológicos e a estação logo se tornou obsoleta, pois os trens estavam cada vez mais longos, e as plataformas da Estação Orsay curtas demais para recebê-los, servindo apenas para trens provenientes do interior, apenas 39 anos depois de sua inauguração.

A estação acabou tendo outros usos, como centro de recolhimento de prisioneiros e deportados após o final da Segunda Guerra Mundial.  espaço para tenda de circo e até estacionamento de veículos.

No início dos anos 70 tornou-se Monumento Histórico, ou seja, protegido, e seu uso passou a ser mais cultural, abrigando a tenda de circo da companhia de teatro Renaud/Barrault. Em 1978 é organizado o concurso de arquitetura e em 1986 o Presidente da República, François Mitterrand inaugura o Museu D’Orsay.

Entre 2009 e 2011, o Orsay passa por nova modernização envolvendo a cor das paredes, a distribuição e organização das obras e a iluminação. Em 2011, o Brasil é representado pelos irmãos Campana, que tiveram o privilégio de decorar o café do Museu. Eu ainda não conheci o novo café, mas pela foto ficou lindo, embora o relógio pareça ter perdido o destaque, que na minha opinião era o charme do café. Em 2013 as salas do térreo é que passaram por uma repaginada.

Café irmãos Campana
O café-de-lhorloge inaugurado em 2011

 

O café em 2009
O café em 2009, quando visitei

Hoje o D’Orsay recebe milhões de visitantes de todo o mundo. Nem que não fosse um museu, a beleza de sua arquitetura já valeria uma visita. Ah, esqueci de dizer que embora a estrutura seja toda em metal, as fachadas recebem pedras para não destoar da arquitetura dos vizinhos, como o Louvre, do outro lado do rio Sena.

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Vazio assim, só mesmo em feriado nacional

Museu D'Orsey
Agora te desafio a procurar nos relógios do Orsay algo diferente, que eu só notei quando carreguei as fotos para este post! dica: está nos algarismos romanos.

Museu D'Orsay

Sei que todo mundo que vai a Paris pela primeira vez e escolhe apenas um museu para visitar acaba elegendo o Louvre e isso é compreensível. Eu fiz questão de conhecer também o d’Orsay e ainda gosto mais dele do que dos outros museus que visitei em Paris e tenho certeza que sua arquitetura tem muito a ver com isso.

 

 

Paris: Roteiro de 2 dias e meio!

Ultraje ficar dois dias em Paris, pensei. Espremer Paris entre outros destinos, então, parece desrespeitoso. Mas era o que tínhamos.
E valeu muito a pena! Esta senhora, Paris, não merece 2 ou 3 dias de sua vida, apenas, então só siga esse roteiro caso não seja sua estréia.  A segunda visita não tem a expectativa da primeira, mas tive um certo medo de perder a paixão por Paris (clique para ler: Paris, Sonhe Comigo). Por outro lado, a segunda vez traz a sensação (irreal – ou surreal?) de que já somos do pedaço (São Francisco de Paula, padroeiro dos turistas, lucidez para esta pessoa, por favor!).

Chegamos de trem (todas as informações aqui), a partir de Amsterdã, desembarcando na Gare du Nord, o que já facilita locomoção e economiza minutos preciosos. Isso a gente pensa quando está planejando, porque quando chegamos ao destino, o gostoso é jogar o relógio no fundo da mala, comer quando se tem fome e dormir quando o sono bate, flanar pelas ruas…Corta! Voltando: Três estações depois, descemos na Luxemburgo, a um quarteirão de nosso hotel. Se você nunca esteve em Paris, talvez não saiba que precisará carregar suas malas escadaria acima, pois não há escadas rolantes nas estações de metrô. Talvez também não saiba que é super comum caminhar com a mala de rodinhas pelas ruas. Imagine isso em SP! Caso esteja chegando de avião, também é possível chegar em Paris pelo metrô. Confira as linhas do metrô parisiense aqui.

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Mas como foi uma passagem relâmpago, vou escrever em tópicos, que são tão rapidinhos quanto nossa passagem pela cidade! Considere que o roteiro leva em conta a localização do hotel e nossa preferência por caminhar. Só usamos metrô quando chegamos. Fizemos tudo a pé, afinal,  caminhar é a melhor atração de Paris.

Paris se divide em distritos numerados, embora também tenham nomes. Quanto menor o número, mais central é sua localização, isto é, mais perto das atrações turísticas você estará!

Paris e suas principais atrações turísticas, com a numeração dos bairros
Paris e suas principais atrações turísticas, com a numeração dos bairros
Nosso roteiro

🗼 tarde da chegada – sexta-feira

0. Check in no Hotel Best Western Trianon Rive Gauche, na Rue de Vaugirard, no 6º arrondissement.

Fachada de nossa rápida morada em Paris
Fachada de nossa rápida morada em Paris

1. Algo para enganar o estômago: crepe e baguete nos arredores do hotel, mais pela simpatia do proprietário do que pelo sabor. O cara falava sem parar, num Inglês que eu precisava franzir a testa para entender. Isso sempre me deixou mais com rugas do que com compreensão!

2. Pantheon. O ingresso a 4,50 euros dá direito a conhecer a arquitetura interna desta antiga igreja e a visitar a cripta – Urgh! A história do Pantheon é longa e envolve igreja, realeza e Revolução Francesa, que tirou seu caráter religioso para se tornar mausoléu dos grandes nomes franceses. O folheto recebido (inclusive tem em Português) resume algumas das transformações. O site exibe informações em inglês, espanhol e francês. Estava em restauração desde janeiro/2014. Visite o website oficial clicando aqui.

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Maquete do Pantheon
Maquete do Pantheon

3. Boulevard St Michel e sua imensa fonte.

St Michel Blvd

4.  Postar-se diante da Notre Dame é uma boa pedida não só para admirá-la, mas para observar os turistas que fazem selfies, brincam, fazem picnic por ali. Não entramos pois já a conhecemos em nossa primeira visita a Paris.

5. Passeio pelos arredores de Marais, o bairro gay de Paris. Passadinha em frente do prédio da Prefeitura, que no final da tarde ganhou um dourado maravilhoso.

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6. Jantar no Bistrô Paris Beaubourg, com vista para o Centro Georges Pompidou

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7. Mais uma olhada sobre o Sena,  esse rio que hipnotiza. Não sei se é ele próprio ou se são os lindos edifícios construídos a suas margens. Você sabia que as margens do Sena são Patrimônio tombado pela UNESCO?

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8. Nem Notre Dame, nem Sacre Coeur. Minha igreja parisiense preferida é a Sainte Chapelle e fui prestar reverência a ela. Mas já estava fechada, então fiquei olhando tal qual cachorro em vitrine de frango. Leia post exclusivo sobre as Igrejas de Paris, a ser publicado logo logo. Abaixo, fotos da visita que fiz em 2009:

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9. Fotinhos noturnas em frente à Notre Dame.

Notre Dame 2

🗼 segundo dia – sábado

1. Café da manhã no bistrô Le Comptoir du Pantheon, na Rue Soufflot.

Oui!
Oui!

2. Igreja St Etiennen du Mont.

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3. Passeio pela feirinha de St. Germain. Abastecidos de cereja e morango.

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4.  Aquecer sob o sol parisiense no Jardim de Luxemburgo.

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Luxemburgo 2

5. Igreja St Sulpice. Informe-se sobre as apresentações de coral. Tivemos a sorte de estar por lá durante uma. Inesquecível!

6. Almoço no Rim Café, na Rue St Severin, porque estávamos por ali, mas não recomendo.

7. igreja St Severin

8. Doces deliciosos na Patissier Confiseur, na Rue Saint Jacques

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9. Caminhada até a Torre Eiffel, passando pelo Hotel des Invalides e finalmente chegando até Champ de Mars. Caso você prefira usar o metrô, desça na Trocadero e sua primeira vista da Torre será inesquecível! Se preferir gastar sola, siga pelas margens do Louvre, sempre um grande deleite. Nossa rota não tinha grandes atrativos, mas conhecemos partes de Paris mais residenciais e menos turísticas, digamos assim. Mas chegamos e lá estava ela – e centenas de turistas fazendo picnic e esperando a noite para ver a Torre brilhar ainda mais. Os elevadores da Torre ficam abertos até meia noite, mas como estava muito frio, eu preferi não subir, desta vez. Além disso, os ânimos entre mulher casada viaja e homem casado viaja não estavam para romance. Péssima ideia ter briguinhas a caminho de Paris…

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10. Caminhada de volta ao hotel às margens do Sena.

Pont Neuf (3)

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🗼 dia 3 – domingo

1. Como o dia começou frio e cinzento, o café da manhã foi no Paul’s da St Michel, que tem uma sobreloja quentinha.

2. Passeio pelo pátio do Louvre e pelo Jardin Des Tuileries.

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3. Hora do arrepio: cara a cara com as Ninfeias de Monet, no Museu L’Orangerie. Mais um sonho de viagem realizado!

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4. Agora era a vez do Homem Casado Viaja realizar o sonho de dirigir uma Ferrari, alugada na Place de La Concorde.

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4. Caminhada pela Champs Elysees – e compra da boneca do Frozen pra filhota! Gosta de decoração? Visite a Zara Home. Coisas lindas!

O Arco do Triunfo ficou meio longe, mas eu nunca gostei muito dele, mesmo, rsrsrs
O Arco do Triunfo ficou meio longe, mas eu nunca gostei muito dele, mesmo, rsrsrs

5. Almoço no L’Entrecote de Paris, na Rue de Marignan, travessa da Champs des Elysées

6. Grand Palais – Exibição dos painéis Guerra e Paz, de Candido Portinari. Além da obra, a exibição trouxe documentários sobre a retirada dos painéis, seu transporte e restauração no Brasil, que desde sua criação estavam na sede na ONU em NY. Se você já esteve no estrangeiro, como diziam antigamente, sabe que a coisa pega quando lá se vê algo que nos represente. Eu fiquei emocionadíssima nessa exibição, mas não cabe aqui detalhar os porquês.

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8. Último passeio pelas margens do rio. Aproveitamos o wifi livre entre a ponte Royal e a Passarela Solferino e ficamos apenas sentamos nas escadarias de frente ao Sena, mandando um selfie com nossa cara mais feliz, tendo além do rio, o Museu D’Orsay e o Louvre como paisagem.

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9. Passeio pelos jardins da Notre Dame

As tulipas se foram, mas as rosas não fazem feio!
As tulipas se foram, mas as rosas não fazem feio!

10. Sobremesa tardia no  Le Parvis, na Rue Arcole, na Ile de La Cite.

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Acho que o garçom foi com a nossa cara!

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11. Recordar é viver. Fomos caminhar na região do Quartier Latin onde nos hospedamos em 2009 e passamos em frente ao hotel da Rue Monge. It felt like home…

12. Última foto da Torre, vista da janela que foi minha por 3 noites, em Paris.

Última noite em Paris, última vista da janela de nosso quarto
Última noite em Paris, última vista da janela de nosso quarto

Há pouco tempo escrevi Paris, sonhe comigo, em que divagava se continuaria apaixonada por Paris após uma segunda visita. Algumas pessoas disseram que “Paris é Paris, a gente sempre se apaixona”. É verdade. Paris é linda, É grandiosa. É charmosa. Descrever Paris parece tão difícil quanto descrever o amor. Ou explicar porque a gente ama alguém. E mesmo que o clima não estivesse tão bom como da primeira vez; mesmo que as tulipas já houvessem sido substituídas por outras flores menos nobres no Luxemburgo; mesmo que as cerejeiras na Notre Dame não exibissem mais seu rosa-Paris; ainda que não tenhamos elegido um bistrô para chamar de nosso; apesar de a cidade ter estado lotada demais de turistas (como os parisienses aguentam!), sim, eu continuo apaixonada por Paris. E me aguarde que um dia eu volto!

PRÁTICAS E RÁPIDAS

Localização
Paris é a capital da França e fica na Região Ile de France (existem outras 25 no país).

Visto
Não é necessário visto para entrar na França, mas aguente a “dedetização” no avião antes de sair de solo brasileiro. Eu juro que preferia ter de tirar um visto!

Língua
Francês, mon chéri, mas nas regiões turísticas o Inglês é aceito. Vale a velha dica de soltar um bom jour antes de falar Inglês.

Hospedagem
Em geral, quanto mais central a localização, mais caro será o hotel, mas vale a pena o esforço bancário e ficar em um dos bairros (do número 1 ao 10) onde estão as principais atrações e a partir de onde você pode caminhar – olha eu falando em flanar, de novo! Também acho legal ficar em hotéis pequenos, nos prédios típicos de Paris. Os hotéis das grandes redes não têm características parisienses nem na decoração, nem na arquitetura. Mas você pode escolher de acordo com suas preferências: gosta de luxo e elegância?  Fique perto da Champs Elysees. Prefere estar perto dos estudantes?  Fique ao redor do Jardim de Luxemburgo e da Sorbone, no Quartier Latin. Quer badalar?  Marais. Interesses gastronômicos?  Madeleine e Opera.
Ficamos no Trianon Rive Gauche, pertinho do Parque de Luxemburgo e do Blvd St Michel. Provavelmente são dois prédios unidos, pois há dois elevadores. O da nossa ala era um elevador minúsculo, em formato triangular, que na concepção parisiense serve a três pessoas. Só se for a três parisienses. Vá colocar 3 americanos ali! O quarto era bem espaçoso para os padrões de Paris e o banheiro maravilhoso (adoro aquela luz natural vinda da porta-balcão). Tudo limpinho, novo, cama e travesseiros macios e decoração aconchegante. E quando abri a porta-balcão e vi a Torre Eiffel, adorei o hotel! Tudo bem, a Torre é vista de muitos pontos da cidade, mas era da minha janela! Pelo menos naqueles 2 dias e meio. O café da manhã não era incluso, mas no último dia comemos lá e gostamos bastante, pois havia grande variedade.  Mas não espere um atendimento cordial ou mesmo simpático do pessoal do restaurante. Com exceção da recepcionista filha de portugueses, ninguém mais nos deu um sorriso sequer. A decoração dos espaços sociais é clássica, mas leve, sem excessos.

Atualização: Acabo de fazer parceira com o excelente Booking.com, site de busca e reserva de hotéis, pousadas e B&B.  Seja lá qual for o destino de sua próxima viagem, lembre-se de reservar seu hotel através do blog Mulher Casada Viaja. Basta clicar no logo do Booking.com à direita (se você estiver em um PC) ou no final do blog (se estiver em smartphone). É uma forma gentil, indolor, gratuita de contribuir com quem escreve mais que dicas, mas compartilha sonhos e realizações de viagem com você!

A escadaria do Trianon Rive Gauche
A escadaria do River Gauche

Permanência
Se for a primeira vez, ao menos 5 noites. Se quiser visitar os principais museus – bem, o que é principal, afinal?  estou considerando o Louvre e o D’Orsay -, talvez precise de 3 ou 4 dias só para eles. Lendo meu roteiro, dá pra ter uma ideia do tempo, que pode ser reduzido se você pular as caminhadas e usar o metrô – e não ficar babando a cada esquina. Cada viajante tem seu próprio estilo e alguns ficam felizes em passar em frente de um monumento ou igreja estando dentro de um ônibus de excursão. Considere seu tipo, faça a lista das atrações e bon voyage!

Como Circular por Lá
Circule, vá em linha reta, perca-se pelas ruas sem “atração turística”.  Seus pés serão seu grande meio de transporte. Mas o metrô está sempre por perto quando suas pernas pedirem arrego!
Os batoux também são ótima opção para ver a cidade sob outra perpectiva – e para descansar!

Dinheiro
Euro

Preços (em euros em maio/14)
– Refeição para casal: de  25 a 70
– Café da manhã para casal:  17 a 35
– Aluguel de Ferrari ou Lamborghini por 8 km: 89
– Entrada de Museus: de 13 a 15. No primeiro Domingo de cada mês, alguns museus são gratuitos (não, o Louvre não está na lista, sorry). ao contrário do que esperava, não havia filas gigantescas nos dois museus que visitamos no Domingo. Perdemos 10 minutos na fila do Orangerie.  Se você adora museus – e vê tudo passando rápido à frente de seus olhos – compre um passe de 2 dias (49 ), 4 dias (68 ) ou 6 dias (80).
– Moulin Rouge: 112
– Hop on, Hop off bus*: 32
– Hop on, Hop off boat*: 16
– Day trip para Londres: 229
– Day trip para Bruges, na Bélgica (leia dicas sobre essa linda cidade medieval clicando aqui): 214

*hop on significa entre, suba no veículo e hop off, desça. É um sistema de ônibus e barco turísticos conhecidos em várias cidades do mundo, em que você compra um passe de tarifa única, com validade de 24 ou 48 horas e pode subir ou descer em vários pontos da cidade. O trajeto normalmente inclui os principais museus, igrejas, praças, parques e monumentos.

Fuso Horário
São 4 horas de diferença (de Brasília), mas considere 5 durante o horário de verão Francês, que vai do último domingo de março ao último de outubro. Em nosso horário de verão, a diferença cai para 3 horas.

Outras dicas

Paris deve ser caminhada. Se você, como eu, não aguentar andar 15 horas por dia, tire um hora para voltar a seu hotel e dormir. Sem medo nem culpa. Vai se sentir revigorada para aproveitar a noite, que na primavera e no verão só chega depois das 22h. Mas se você preferir, use o metro que chega a todos os pontos turísticos. Guarde o bilhete durante o trajeto, pois é preciso apresentá-lo se solicitado.

Use calçados confortáveis – e mais para velhos do que para novos. Calçados novos e viagem não combinam!

Comprar ingressos pela Internet poupa minutos preciosos em fila de bilheteria, mas se o dia estiver lindo, você não vai querer estar enfiado em um museu! Para algumas coisas, vale a pena decidir no dia anterior, de olho na previsão do tempo.

Não se esqueça de levar o carregador de bateria de sua câmera. Eu fiquei na mão e tive que fotografar com o tablet…

Leia também:

Paris e carro é uma combinação furada, mas dirigir pelo interior da França é tudo de bom. Leia as dicas de aluguel de carro em Paris, estacionamento e pedágio aqui.

Se vai a Giverny visitar a casa do pintor impressionista Claude Monet, clique aqui.

Castelos no Vale do Loire também estão aqui no blog. Dê um pulinho lá, clicando sobre o título do post: Vale do Loire e seus Castelos.

 

 

 

Trem na França, Bélgica e Holanda: dicas

trem na Europa
Euzinha, na bela estação de Antuérpia

Cometi o pecado dos viajantes apressados: agarrei uma oferta de passagem SP-Paris ida e volta sem negociar uma SP-Amsterdã-Paris-SP, que atenderia melhor aos meus planos. Que sorte a minha! Tive a chance de aprender como viajar de trem pela Europa e conhecer algumas lindas estações de trem – e outras nem tanto, mas todas com pontualidade britânica!

Outro pecado (ou virtude, se você é viciada em viagem como eu) dos viajantes é o “já que”.  “Já que estou indo a Amsterdã, por que não dar uma paradinha na Bélgica?” E dá-lhe passagem de trem!

Conto aqui um pouco sobre minha passagem (olha o trocadilho aí, gente!) por estas estações de trem e, claro, vão dicas de como proceder no embarque e antes de fazer as malas!

Comprando as passagens

Este item mereceu um post próprio (trem: como comprar bilhetes), principalmente porque não há página em Português no site que vende as passagens do trem de alta velocidade, conhecido como TGV.

Primeira ou segunda classe?

Se a diferença do valor for muuuito pouca, vale a pena a primeira classe, que tem wifi (embora lento) e serviço de bordo com suco e um lanchinho inclusos no custo. As poltronas reclinam um pouquinho. E só. Se a viagem for curta, acho que não vale a pena.

De Paris a Amsterda de trem
O lanche da primeira classe do trecho Amsterdam-Paris (3 horas de viagem)

CDG terminal de trem


Indo do ponto A ao ponto B dentro do aeroporto Charles de Gaulle, Paris

Após todo o desembaraço de passaporte e bagagem, nos dirigimos ao Terminal 2, de onde partem os trens de alta velocidade.

trem ou avião Paris-Amsterda

como é trem de Paris a Amsterdam
Plataforma e trem que leva de um terminal ao outro, dentro do CDG

Já no terminal 2, o grande lobby de espera do Aeroporto CDG tem lanchonetes, banheiros, bancos simpáticos para espera com luminárias que trazem aconchego e uma mostra da paixão dos franceses pelas bikes: um posto de recarga de celular que funciona a pedaladas!

CDG estação terminal de trem
Lobby da estação de trem do CDG e a simpatico recarga We Bike

aeroporto de Paris CDG estação de trem

Dá tempo para fazer uma boquinha? O terminal tem algumas opções. Eu fiz a minha e provei meu primeiro baguete (5,10 euros) da viagem no Autogrill Gare Roissey.

Le Flambeur, baguete de atum.
Le Flambeur, baguete de atum.


Qual plataforma? E que mala?

Fique de olho no painel do lobby que, cerca de 40 minutos antes da saída de seu trem, exibirá a qual plataforma você deve se dirigir. Já na plataforma, é preciso conferir no seu bilhete em qual vagão está seu assento. Na aerogare do CDG, tem painel eletrônico na plataforma. Nas demais estações, um funcionário passa e informa onde se postar à espera do trem, mas em muitas estações de cidades europeias (principalmente as menores) você só descobre qual é seu vagão quando chega o trem, que tem um painel eletrônico próximo à porta indicando o vagão ou  o número pintado. Os trens regionais, que param de estação em estação, não têm assento marcado, então tanto faz em que vagão você entrar.

Tendo assento marcado, se você entrar no vagão errado, poderá se locomover de um vagão para outro, mas é uma péssima ideia, pois o espaço destinado à bagagem é ridídulo de pequeno e ficar por último significa ficar na mão. Por isso diz-se tanto que se for viajar de trem pela Europa, deve-se levar uma mala de bordo (aquelas que não precisam ser despachadas no avião) ou tipo sacola, que podem ser acomodadas no compartimento acima de sua cabeça no vagão. Ou a mochila, claro. E os degraus do trem às vezes são tão estreitos e altos que dificultam entrar com as malas. Eu costumo colocar a mala primeiro de depois subir.

mala bagagem em trem na Europa
As duas prateleiras para armazenar as malas de todo o vagão! Travel light…

Validando o bilhete de trem

trem na Europa como é
Homem casado viaja validando o bilhete de trem
como é viajar de trem na Europa
Na estação CDG, indicação do vagão em painel na plataforma

Ah, ao se dirigir para as escadas rolantes que levam às plataformas é preciso validar seu bilhete, inserindo-o na maquinha, como mostra a foto acima. Certifique-se de que o carimbo foi estampado, porque a tinta pode estar acabando e ficar muito fraco. Se isso acontecer, procure outra máquina. Caso você não tenha validado, sofrerá pena de multa porque durante a viagem, como antigamente, há um fiscal que fará a leitura do código de barras do seu bilhete (eu queria aquele furadorzinho, mas não rolou… rsrs).

Paisagem

Viajar de trem é legal porque não precisa chegar com tanta antecedênica para embarcar e as estações são próximas dos hotéis em regiões centrais, diferentemente dos aeroportos que em geral são afastados e tem que fazer os procedimentos de segurança, fazer checkin, exigindo uma antecedência maior. E de quebra você pode apreciar a vista. Mas tirar fotos da paisagem é um desafio nos trens de alta velocidade, pois quando você vê a cena, ela se foi e sua câmera nem ligada está! Resultado: reflexos do vidro, elementos indesejados, horizonte torto, imagens tremidas. Lembre-se de ajustar a câmera para o modo esporte, que tira fotos em velocidade e disparo contínuo, assim ao menos uma vai ficar boa. Como você pode ver nas fotos abaixo, só aprendi isso depois…

avião ou trem da França a Holanda
Curso para fotografar em TGV já!
term ou avião França a Bélgica
Paisagem borrada pelo TGV


Pontualidade

Se seu bilhete diz que seu trem partirá às 19h08, acredite! Eles chegam minutos antes, embarcamos e tentamos espremer as malas no tal compartimento (acho que eles se baseiam no metro quadrado médio de apartamentos de grandes cidades europeias para planejar esse treco!). E o trem parte no horário exato. Incrível para os padrões brasileiros! Ah, em alguns trechos, a porta do vagão não abriu automaticamente, então foi preciso apertar o botão que fica na porta para abri-la.

Arquitetura, facilidades e dificuldades na locomoção

Nem todas as estações são lindas, mas espera-se que sejam convenientes. Dos trechos que percorri nesta viagem, a do CDG é de longe a melhor. A de Amsterdam tem citações sobre viagem impressas nos encostos dos bancos, e bitucas de cigarro aos montes nos trilhos. Bem Amsterdam, não acham? Quando chegamos a Bruxelas Midi para pegar o trem para Brugges, tive a sensação de estar em uma estação do leste europeu (pela língua incompreensível e pela ausência de modernização). Ali, mais um obstáculo: escadas, ou seja, carregue sua mala ou acabe com as rodinhas. Escolhi preservar a coluna. E não é que as rodinhas resistiram?! Outro problema é o frio. A estação tem cobertura apenas na plataforma, mas o vento forte tira qualquer morador de país tropical do sério. Imagine no inverno!! Foi a pior estação, na minha opinião.

estação trem Bruxelas
A estação de Bruxelas: sem glamour ou modernização

A estação da pequena Brugges é mais amigável ao viajante. O saguão é quentinho e há escadas rolantes.

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Saguão da Estação de Brugges, Bélgica

Mas quem leva o troféu de majestosa é a de Antuérpia, onde fizemos conexão entre Brugges-Amsterdã.

Antuérpia trem na Europa

dicas de trem Paris Amsterda
A majestosa estação de Antuérpia, Bélgica

A Gare du Nord, em Paris é bem simples, mas convenientemente em… Paris. Três estações depois estávamos a uma quadra do hotel na região do Parque de Luxemburgo.

como é viajar de trem na França
Homem Casado Viaja, na Gare du Nord, em Paris

Se você leu até aqui, parabéns! Aproveite as dicas. Se não, faça como eu e descubra tudo isso lá, no susto ou na diversão. Vai depender de como você vê a coisa.

Leia sobre outras viagens de trem: Viena-Budapeste, Praga-Viena, Paris-Londres, passo a passo de como comprar bilhetes online, as companhia férreas de cada país europeu e outras. É só clicar aqui.

 

Paris. Sonhe comigo!

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Paris aconteceu para mim em um abril, Abril em Paris…

Como diz a música,  Eu nunca conheci o charme da primavera, nunca a vi cara a cara, nunca soube que meu coração pudesse cantar ou o calor de um abraço até acontecer Abril em Paris.  Em Inglês é mais bonito. Na voz de Ella Fitzgerald, enche meus olhos de lágrimas… Paris em Abril.

We’ll always have Paris, seja dito no aeroporto em Casablanca, seja em qualquer outro lugar do mundo.

Paris is always a good idea, disse Awdrey Hepburn em Sabrina.

Forget Paris!, chavão da comédia romântica de mesmo nome.

La vie en Rose, que tem a força de te transportar a Paris quando ouvida…

É. Estou no meu ano sabático vivendo a vida rosa. Escrevendo sobre viagens, curtindo minha casa e família. E todas essas imagens, canções e filmes surgem agora novamente, quando terei a chance de ver a única Paris mais uma vez.

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Eu não falo Francês, infelizmente. Sei quase nada sobre sua cultura. Não sou apreciadora dos pratos mais elaborados. Não tenho dinheiro suficiente para gastar em suas lojas chiquérrimas. História, Arquitetura e Arte, sei o básico para fazer perguntas.

Mas Paris, ainda assim, é apaixonante…

Não foi amor à primeira vista, pois chegamos pelo aeroporto e aeroportos sempre ficam em regiões menos agradáveis aos olhos e algumas vezes às narinas.

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A paixão veio aos pouquinhos. Na janela do hotel com sacada típica. No tintilar das garrafas de vinho sendo depositadas para reciclagem. Nos parisienses tirando uma soneca após o almoço nos Jardins de Luxemburgo. Nas barracas de queijo e de flores do Quartier Latin.
E na Torre. No Sena. Nos bistrôs. E…

Estou com medo. Medo de voltar a Paris e ver elementos que não enxerguei da primeira vez. Sentir incômodo com o cheiro de urina das ruas. Ou com a sujeira deixada pelos turistas. Ou com a falta de cortesia dos moradores. Ou algo outro que eu não tenha visto em 2009.

Ainda quero ser apaixonada por Paris…

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Paris-Londres de trem

Estação St Pancras, em Londres
Estação St Pancras, em Londres

“Todos os dias é um vai e vem
a vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar

E assim chegar e partir
são só dois lados
da mesma viagem
O trem que chega
é o mesmo trem da partida
A hora do encontro
é também despedida
A plataforma dessa estação
é a vida desse meu lugar”

Ah, Milton, como não se lembrar de sua linda canção em uma estação de trem, entre malas e expectativas!

E você, gosta de viajar de trem?

Gare du Nord, Paris
Gare du Nord, Paris

Meu marido tinha nas lembranças de infância as viagens de trem que o levavam ao interior de SP para vsitar os familiares – um pouquinho diferente, né?  Mas eu nunca tinha usado um trem para viajar (além de SP-Mogi das Cruzes rsrsrs). Minha primeira experiência foi ótima: saímos do hotel de Paris poucos minutos (não horas) antes do horário de embarque, mas como tinha trânsito acabamos por perder o trem. Nosso bilhete permitia mudanças sem custo, e fomos colocados no trem seguinte, com uma espera de 30 minutinhos. Foi preciso passar pelo controle de passaportes, mas nada próximo da espera e dos trâmites de um aeroporto internacional.  Após aguardar na plataforma, entramos em nosso vagão e a pergunta foi: onde vão nossas malas? Parece bobo, mas para quem nunca viajou de trem não é tão obvio assim. Não há nenhum funcionário para ajudar a embarcar suas malas e se elas estiverem muito pesadas, boa sorte! Encontramos nossos lugares, com uma mesinha entre nossos assentos e de nossos vizinhos franceses de meia idade que não pareciam muito amigáveis para um papo. Bem, pelo menos se ofereceram para tirar uma foto nossa quando tentávamos fazer uma selfie na era pré-selfies.

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Aff, que cara. Devia ser proibido ser fotografado de manhã!
Apesar da correria, consegui uma fotinho na Gare du Nord
Apesar da correria, consegui uma fotinho na Gare du Nord

A pasisagem decepcionou um pouco, sem grandes ou pequenos atrativos. O que mais me chamou à atenção (além da rapidez: 2h15 Paris-Londres) foi descobrir quantas poucas árvores há nos campos ingleses. Do lado francês, as pichações nos muros da Gare du Nord também foram surpresa. No mais, fica registrado que o trem é silencioso até mesmo no túnel sob o Canal da Mancha e corre sem solavancos apesar da alta velocidade.

St Pancras (3)
Relógio restaurado pela fabricante original
St Pancras (4)
The Meeting Place, de Paul Day
StPancras
A fachada vitoriana da St Pancras

 

Escultura em homenagem a Sir John Betjeman, responsável por salvar a estação e o hotel da demolição nos anos 1960
Escultura em homenagem a Sir John Betjeman, responsável por salvar a estação e o hotel da demolição nos anos 1960

Do outro lado do Canal da Mancha, Londres nos esperava e a estação St Pancreas, que recebe os trens  velocidade provenientes de Paris e Bruxelas, é um portal que faz jus à beleza da cidade. Construída em 1868, quando ostentava o título de maior vão coberto do mundo, foi ponto importante de partidas e chegadas nas duas grandes guerras. Guarda vários assuntos para fotografar, então não saia correndo, aprecie as esculturas, o contraste do aço azul e dos tijolos vermelhos, os janelões. Quando sair, tire mais fotinhos da fachada vitoriana. Se tiver sorte (e dinheiro sobrando), hospede-se no hotel anexo à estação, que permaneceu fechado por décadas, quando seus quartos viraram escritórios da companhia férrea. Mas quando estiver na plataforma, feche os olhos e sinta o momento em que as crianças de Londres foram enviadas para o interior do país para fugir dos bombardeios; imagine quantas lágrimas de alegria e de tristeza esses tijolos testemunharam. Já é uma viagem, não?

Leia também:

–  Trem: Paris-Bruxelas-Bruges-Antuérpia-Amsterdam-Paris. Ufa!

Trem: como comprar bilhetes

Pela Europa de Trem

Também escrevi sobre a relação trem-cinema neste post Trem: Luzes, Câmera, Ação! 

Bon voyage!