Veneza: Guia para planejar sua viagem

 Veneza roteiro

Veneza é uma ilha, e como toda ilha tem suas particularidades que exigem atenção dobrada no planejamento, como hospedagem, locomoção e até cuidados com o tamanho da bagagem. E não foi fácil juntar em um só post todas as informações (embora as dicas de como chegar estejam em outro post, pois são tantos detalhes, como diria o Roberto…),mas estou orgulhosa do resultado! Quem usá-lo para planejar sua viagem vai ter a vida bem facilitada. Ele é o resultado de minhas pesquisas para a viagem que fiz em maio/15, com meus pais de 76 anos, viajando desempacotada, do jeitinho que eu gosto. Coletei informações de diversos fóruns de viajante e só nesta segunda vez em Veneza, livre, leve e solta, é que percebi quanta coisa deixei de aprender sobre a cidade naquela ocasião!

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Localização

A Região de Veneto, onde está Veneza
A Região de Veneto, onde está Veneza, com o Mar Adriático como uma de suas fronteiras

Veneza fica no Noroeste da Itália, na região de Vêneto, onde também fica Verona, a cidade mais da Julieta do que de Romeu (eu acho que vale a visita, Verona é uma jóia!), e Pádua, destinos comumente inclusos nos pacotes turísticos brasileiros. Mas há muito mais esticadas: leia mais abaixo.

O mapa abaixo mostra os bairros de Veneza com o corte do Grande Canal. Ele é a grande atração, a “avenida principal”, mas os canais menores (que não aparecem no mapinha simplificado abaixo) têm um charme todo especial! Embora os canais estejam limpos e livres de esgoto há décadas, muita gente ainda segue o senso comum e diz que exalam mau cheiro. Já estive lá em pleno Julho, verão de altas temperaturas, e não senti mau cheiro vindo dos canais (apenas em um bem pequeno).

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Clique sobre a imagem para ampliá-la

Hospedagem
Há duas opções mais usuais:
🏨  Veneza Mestre, que fica no continente e pode ser acessada por trem ou ônibus regular de linha e por isso estar perto de estações ou pontos é importante. Eu sempre reservo hotel pelo site Booking.com. Leia as avaliações de hóspedes, veja as fotos do quarto e do hotel, a localização e faça sua reserva clicando aqui.

hotel em Veneza
🏨  em uma das ilhas de Veneza. Os bairros S. Croce e Cannaregio são mais próximos da estação de trem e de ônibus e costumam oferecer tarifas mais acessíveis. San Marco é muvucado demais. Dorsoduro na minha opinião é perfeito! Agora, se dinheiro não é um problema para você, fique em um hotel com entrada à beira de um canal. Você chega em grande estilo, do canal para a porta do hotel!

O quadro abaixo talvez te ajude a decidir se vale investir em hospedagem na ilha ou não, mas acho que quem acaba mandando é sempre o bolso!

veneza e meste

Antes de se decidir pela hospedagem, leia o post Como chegar a Veneza , que traz dicas e custos de transporte a partir do aeroporto e da estação de trem.

Outra dica é consultar o Google maps e seguir o itinerário (modo street view) até o hotel para saber se dá para encarar o arrastar de malas. Ou pagar os porters, homens com carrinhos que ficam nos portos (pelo menos na região de San Marco) oferecendo-se para levar sua bagagem. Não sei o custo, porque cheguei a Veneza quando o céu estava escuro, preparando uma chuva de verão e não perdi tempo perguntando.

Here comes the rain!
Here comes the rain!


Guarda-volumes e bagagem
Esta é a dica número 1 a respeito de Veneza (além da dica de perder-se): mala e Veneza não combinam. Há muita gente pelas ruas e muitos degraus. Eu viajei com dois idosos e tínhamos uma mala de bordo e duas grandes, mas todas tinham 4 rodinhas e nosso hotel era a poucos metros da Praça São Marcos, então não precisamos contratar porter.

Se estiver com malas grandes e seu hotel for longe de uma estação, leve uma mochila ou mala de bordo com as roupas que usará durante seus dias em Veneza. A Trasbagagli presta serviço de guarda-volumes no aeroporto Marco Polo e na Piazzale Roma, já em Veneza, onde ficam o terminal de trem e ônibus e estacionamento de veículos terrestres. São € 6 no aeroporto e € 7 na Piazzale. Eles também oferecem serviço de transporte de malas e pessoas. Confira os horários e outras informações no site oficial.

Atualização: Na minha viagem a Veneza em junho de 2016 encontrei na estação de trem Santa Lucia uma outra empresa de guarda volumes, a KiPoint. fica ao lado da plataforma 1.


Língua

Italiano. Inglês é compreendido nos locais turísticos, por lojistas e atendentes de restaurantes.

Veneza
Há quem não veja poesia…

Quando ir
Primavera ou Outono são as melhores épocas. No verão é quente demais, tem gente demais (embora a cada ano eu veja que as cidades clássicas do turismo europeu estejam mais e mais lotadas, independente da estação). O Carnaval – bem diferente do nosso, também costuma lotar ainda mais a cidade, mas deve ser inesquecível. O Alessandro do blog Fui e Vou voltar esteve por lá nessa época. Não deixe de ler esse e outros de seus sempre ótimos relatos de viagem. Além disso, vale se programar se quiser participar de festivais ou datas comemorativas. Vá até este site para conferir os principais eventos. No inverno costuma ocorrer o fenômeno aqua alta, quando a maré sobe e Veneza fica inundada, mas parece ter menos gente, mas esta informação não é em primeira mão, pois eu nunca fui a Veneza no inverno.Veneza temperatura

Permanência
Essa é sempre difícil de responder, porque depende do tipo de viagem que você faz, do dinheiro e do tempo disponíveis. Três dias é uma boa conta para conhecer as principais atrações e sentir a cidade. Eu fiquei duas noites e quando estava começando a entender e me perder por Veneza, tive que deixá-la. Mas se você lê o que eu escrevo sabe que, por mim, eu passaria o resto da vida morando em cidades pelo mundo. Nunca vai ser suficiente, vou ter que deixar débitos para uma próxima encarnação! rsrsrsrs

Como Chegar
Leia post Como Chegar a Veneza, pois tem muitos detalhes a considerar.

Será m barco? Será um carro? É um carco!
Será um barco? Será um carro? É um carco!

Como circular por lá
🚶 Caminhar é sempre a melhor maneira de se conhecer uma cidade, mas em Veneza é obrigatório, pois seus pés são o único transporte terrestre. E é bem fácil de se perder pelas ruelas e não ter ideia de onde se está, e esta é a melhor parte! Se perder rende boas descobertas e histórias e de quebra é uma ótima desculpa para puxar papo com alguém e talvez fazer novas amizades. Nada é mais agradável em uma viagem do que a surpresa. Um mapinha no bolso (ainda sou analógica) não faz mal nenhum a ninguém, mas só consulte-o quando for hora de voltar ao hotel. Permita-se!

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🚤 As românticas gôndolas turísticas não são meio de transporte, mas um passeio eternizado pelo romantismo. Os demais meios de transporte aquático não deixam de proporcionar um passeio, porque a arquitetura, as cores, as formas das janelas, tudo visto do Grande Canal é lindo! Confira:

  • water taxi, como diz o nome, um taxi, só que aquático. Do Terminal de trem à São Marcos €110. A grande vantagem é que ele te deixa exatamente no seu hotel, se houver um píer, claro. A desvantagem é para Veneza: as ondas produzidas por embarcações grandes e/ou rápidas formam ondas e muitas vezes as contenções construídas não são suficientes para barrar as ondas maiores. Queixa de venezianos.

Gosto tanto que dói

Leitor de bilhete na parada dos Vaporetos
Leitor de bilhete na parada dos Vaporettos
  • vaporetto é o nome genérico para ônibus aquático, mas há três tipos: o vaporetto, que tem o deck plano e circula pelo Grande Canal, como o da linha 1, por exemplo; o motoscafo, usado em rotas para as ilhas, como Murano e Burano; e o motonave, maior de todos, às vezes com dois andares.  Os bilhetes podem ser comprados em máquinas ou na bilheteria, mas nem todos os portos têm um terminal. Lembre-se de validar seu bilhete no leitor à entrada da estação-plataforma ou estará sujeito a constrangimento e multa. Pode-se navegar em vaporettos para chegar e sair de Veneza, tendo como origem ou destino a Piazzale Roma. As malas podem ir a bordo, mas não há lugar certo para acomodá-las.
  •  traghetto é a gôndola sem decoração, não turística, que atravessa pedestres de um lado a outro do Grande Canal, então é uma travessia, não um passeio. Siga as dicas: procure a placa em um píer pequeno de madeira. Quando o barco chegar, embarque e sente-se de costas, porque ele vai dar meia volta ao deixar a doca. Pague ao barqueiro na entrada ou no desembarque. Os moradores de Veneza, acostumados ao balanço das ondas, vão em pé!
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Se você não mora em Veneza, vai pagar mais caro no traghetto
Tragueto: a gôndula dos venezianos
Traghetto: a gôndula dos venezianos

Passeio de Gôndola
Má vá!, que você vai me viajar até Veneza e não vai me dar um passeio de gondola! É caro, é mega turístico, mas é daquelas coisas para se fazer ao menos uma vez na vida! Ou quantas tiver vontade ou puder pagar, porque é salgadinho: 40 minutos vão lhe custar, no mínimo, a bagatela de €80 (o passeio, não por cabeça). A dica é perguntar qual o trajeto que o gondoleiro faz. Alguns passam pela Ponte dos Suspiros, outros pela Rialto. Se fizer questão, pergunte se o gondoleiro canta. Não perguntei e o nosso não cantava, então eu e meus pais entoamos um Volare! rsrsrs

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Dinheiro/Moeda
Euro. Cartões de crédito são bem aceitos.

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Fuso Horário
5 horas mais tarde em relação ao horário de Brasília, se não estivermos no horário de verão.

Compras
Máscaras venezianas grandes ou em miniatura, presentinhos com vidro de Murano, autênticos ou não, dependendo de seu bolso! Veneza tem lojas de quinquilharias e de grife. Aliás, que vitrines lindas!

As vianjantes adoram!
As viajantes adoram! Tudo com mapas: relógio, tênis, bolsa, chaveiro, bolsa, chapéu…
Que vestido mais Audrey Hepburn em Veneza
Que vestido mais Audrey Hepburn em Veneza
Impossível não se lembrar de Casanova
Impossível não se lembrar de Casanova

 

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Além de lojas, tive a sorte de estar na cidade em um fim de semana em que acontecia a feira de antiguidades em Campo S. Maurizio. Diferente de outras que a gente vê por aí, esta não tinha quinquilharias, mas objetos autênticos e antigos, como deve ser uma feira de pulgas. Consegui tirar algumas fotos, mas algumas barraquinhas não me permitiram. Já era final de domingo e muitas já estavam guardando os itens.

O Campo S Maurizio
O Campo S Maurizio

feira antiguidades Veneza

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Minha mãe tinha esse conjunto de escovas e espelho e eu adorava quando criança!

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Reembolso de imposto sobre produtos
Saiba que você pode restituir o imposto pago dos produtos que comprou na Europa, desde que tenha gasto um mínimo de €155 numa mesma loja. Eis os procedimentos:

– no aeroporto (quando estiver deixando a Europa): mostre os produtos comprados e ainda não usados e receba um carimbo no Formulário de Restituição de Imposto. Coloque o formulário no envelope amarelo que a loja onde você efetuou a compra lhe deu e entregue o formulário no escritório.

– em Veneza: siga os mesmos procedimentos e vá a um dos pontos de indicados no mapa abaixo. Clique para ampliar a imagem.

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Preços em euros, em maio/15
– Transporte em embarcação coletiva do aeroporto a San Marco (linha blu): €15 por pessoa
– transporte em vaporetto de San Marco a Piazzale Roma: €7
– museu da Basílica de São Marco e acesso ao terraço:  €5 (a entrada na Basílica é gratuita)

A loja de suvenires do Museu da Basílica
A loja de suvenires do Museu da Basílica

– campanário da Basílica (acesso por elevador):  €8
– vaporetto:  €7
– gôndola:  € 80
– barco do aeroporto até San Marco:  €15
– lancha para até 6 pessoas:  € 100
– água mineral: de  €3 a  €4,50
– café:  €4
– meia garrafa de vinho Toscano:  €24
– cerveja:  €4,50
– salada:  €15
– espaguete à bolonhesa:  €13
– pizza individual (redonda, em restaurante):  a partir de € 7
– sopa de legumes (minestrone): € 12

Visto e Seguro Viagem

Não é necessário. Mas atenção para a Carta Schengen, que é obrigatória na Itália e na maioria dos países europeus. Basicamente, significa que você precisa fazer um seguro viagem. Está gostando das dicas? Que tal então contribuir com o blog e fazer o seguro com nossa parceira Mondial Assistance, que oferece 15% de desconto para os leitores do Mulher Casada Viaja. É só clicar aqui, inserir o código 2017AFL e fazer seu orçamento para uma viagem tranquila e segura. Se comprar depois de 2017, o código para fazer valer o desconto é atualizado nesta página do blog.

O que fazer em Veneza e região

  • Flanar, caminhar, andar, se perder no labirinto de ruelas muito, muito estreitas.
  • Ir a museus: Accademia, Peggy Guggenheim, Punta dela Dogana. Mas tem tantas galerias de Arte que a gente vai encontrando e nem se sabe o nome…
  • tour a pé e gratuitos às quartas, sextas, sábados e domingos. Clique aqui.
  • Ingressos para outros museus, como do Vidro e o Palácio Ducale você encontra neste site.
  • Praça de São Marcos e sua basílica, campanário (a vista lá do alto é linda!) e o Palácio Ducal.
  • passear de Gôndola.
  • atravessar pontes. Rialto e a dos Suspiros são clássicas. A primeira estava em restauro em maio/2015 e a segunda nunca teve nada de romântica: os suspiros a que se refere o nome eram os dados pelos condenados à morte que por ela passavam. Eu gosto das mais “intimistas”, aquelas que achamos sem querer, na surpresa.

viagem Veneza

  • ir a Dorsoduro e às ilhas de Murano (onde se visitam fábricas de vidro soprado) e Burano (ilha de pescadores com casario simples e multicolorido).
  • ver o por do sol da Ponte da Academia.
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A Basílica S Maria dela Salute vista da Ponte da Academia

– fazer nada na Punta dela Dogana, só observando o vai e vem das embarcações. De preferência bem cedinho ou pouco antes de anoitecer, quando está mais vazia. Olhem meus pezinhos (sapatilhas um tamanho maior para não machucar) por lá!

Ah, Veneza!
Ah, Veneza! Esta foto apareceu primeiro no Instagram. Siga o Mulher Casada Viaja por lá também!

– assistir a um concerto de música erudita em Veneza. Pode ser em um palácio, pode ser em uma igreja. Esta abaixo é a San Vidal, que fica no final do Campo S. Stefano, uma praça nos moldes medievais, sem uma única árvore, com mesas de restaurantes ao ar livre. O Palazzo delle Prigioni é o edifício ligado ao Palácio Ducale pela Ponte dos Suspiros (como diz o nome, era o antigo presídio) e também tem concertos.

Música na Igreja São Vidal
Música na Igreja São Vidal

Voltagem/tomadas
220 v. Tomada de pino redondo. Leve seu adaptador!socket-normal

Acqua Alta
Quando a maré sobe geralmente entre novembro e fevereiro, Veneza ganha outra característica: um espelho d’água durante algumas horas do dia. Soube que plataformas são providenciadas para que os pedestres caminhem, então se você estiver indo nessa época, pergunte no seu hotel como eles estão preparados para isso.

WiFi
Nesse quesito, Veneza fica devendo. Diferente de outras cidades turísticas europeias, não há conexão em praças ou espaços públicos. Não tentei conexão em restaurantes. Lembre-se: comer é sagrado para os italianos.

De Veneza a…
Pádua: a 46 km. Eu passei por Pádua quando viajei empacotada, e o programa era conhecer a basílica e só. Pesquise outras atrações e se vale a pena.
Verona: a 115 km. Valem cada quilômetro. A cidade é linda. Se puder pernoitar, melhor, para poder atravessar o rio e aproveitar além do centro histórico.
Bolonha: a 150 km. Não visitei ainda, mas é uma cidade grande, universitária, e como tudo na Itália, histórica também.
Trieste: a 170 km. A estrada SS 14 vai beirando o Mar Adriático e alguns trechos têm túneis esculpidos nas rochas.
Cortina d’Ampezzo: 157 km. Maior cidade do Leste Alpino, a viagem com vista das montanhas Dolomitas já vale. Cortina é uma cidade de estação de esqui, com boa estrutura de lojas e restaurantes. Veja aí no índice de destinos no topo do site se já tem publicação a respeito, pois estou indo para lá em junho/2016.

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Reencontro em Veneza

 

Vai a outras cidades italianas? Confira as publicações na página-índice da Itália!

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Veneza: roteiro de uma primeira vez

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 Venezia che bela! Falar isso é óbvio, mas minha herança italiana me deixou poucas palavras  –  a maioria delas nem posso publicar aqui (rsrsrs). Mas ficaram na memória algumas músicas que meu pai cantava quando eu era criança, o sobrenome, o gosto pela boa mesa e pelo dolce far niente e o gênio estourado. Pensando bem, até que é bastante coisa!

Quando eu era criança, havia uma brincadeira de pular corda em que “prevíamos” onde passaríamos nossa lua-de-mel, entre outras. Eu sempre dizia “Veneza!” e não sabia muito além das gôndolas. Passei-a em Natal, no RN, mas finalmente, depois de 20 anos de casada, fui a Veneza, não em uma segunda lua-de-mel, mas com filha e mãe, além do maridão, claro.

Com toda essa turma, achei melhor viajar de uma forma que não aprecio muito, comprando um pacote com guia presente o tempo todo, circulando pela Itália em ônibus e excursão. A vantagem foi não ter que fazer todo planejamento, o que tomaria bastante tempo e naquela época eu não dispunha desse luxo. A desvantagem foi não ter que fazer todo planejamento, porque aí não se aprende muito sobre o destino e nos colocamos numa posição muito passiva diante da viagem, como ter o tempo regulado pelo programa e passeios que não queria fazer. Mas houve outros inconvenientes, como refeições em restaurantes muito ruins em Veneza.

Como Hebe diria:
Como Hebe diria: “Não é uma gracinha? “

Chegando em Veneza
A excursão pela Itália previa um dia inteiro em Veneza. Chegamos ao hotel Russott (leia abaixo sobre ele), localizado em Mestre, vindos de Verona no final da tarde. O grupo se acomodou e permaneceu por lá. O que??? Estou a poucos minutos da bela, histórica, ousada Veneza e vou ficar no hotel? NOT ME! Pegamos um ônibus urbano na estrada e em 10 minutos chegamos pela porta dos fundos, eu diria, pois a parada do ônibus fica em um pedaço pouco charmoso de Veneza, a Piazzale Roma, última parada de veículos terrestres. Não tínhamos nem um mapa e eu não tinha estudado nada, mas sempre tem um brasileiro pelo mundo, nesse caso uma brasileira, que nos indicou o caminho até a parte mais turística. Assim, no escurinho, fui me encantando com Veneza. Não havia muitos turistas pelas ruas e como já estava tarde escolhemos logo um restaurante com mesinhas do lado de fora, às margens do Grande Canal, o Roma. Tivemos bom atendimento, embora surpresos com a pequena porção de antepasto por 9 euros. A cerveja veio geladinha, a 7 euros e a água a 4 euros. A massa (14 euros) não foi a mais gostosa que provamos na Itália, mas foi o primeiro que encontramos com gerânios e vista para o canal. Sugiro que no verão você use repelente, pois o toldo branco ficou escurecido pelos pernilongos!

Vista do meu primeiro jantar em Veneza
Vista do meu primeiro jantar em Veneza. A foto não ficou assim uma Brastemp, mas na minha lembrança a vista era linda!!!

Depois de passear por algumas ruelas no retorno à Piazzale, o sono veio mais tranquilo, afinal, eu não tinha desperdiçado horas em um hotel ruim perto de Veneza. Elas passaram por mim enquanto eu estava caminhando e jantando à beira do Grande Canal. Em Veneza, aquela das minhas brincadeiras de criança.

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Roteiro do primeiro – e único – dia
No dia seguinte, partimos com o ônibus do grupo e tomamos um barco até a Ilha de Murano para ver a técnica artesanal de vidro soprado. Eu acho o passeio válido pela vista que se tem de alguns dos principais pontos de Veneza, desde que você tenha bastante tempo para curtir Veneza, o que não era o caso do nosso grupo (se quiser aprender sobre vidro soprado, em Blumenau-SC a apresentação foi bem melhor). Os preços dos objetos à venda eram muito altos para o bolso de quem ganha em real, pelo menos o meu real. E além disso, em Veneza também tem arte em vidro sendo vendida. Algumas made in China, cuidado!

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No caminho a Murano, avistamos o Palácio Ducal, as cúpulas da Basílica de São Marcos e o Campanário

Quando finalmente chegamos à ilha principal de Veneza, todos os outros turistas – e parecia que o mundo todo tinha decidido conhecer Veneza – estavam lá. O guia fez um reconhecimento da Ponte dos Suspiros, da Praça de São Marco, da Basílica e do Campanário, do Palácio Ducal e nos deu menos de uma hora para circular, pois tínhamos agendado um passeio de gôndola. Eu estava atordoada com tanta gente em volta e tanta beleza arquitetônica- ou será que era o calor? A fila para o campanário era imensa, o sol estava castigando, então encaramos uma fila para entrar na Basílica de São Marcos, que é gratuita.

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Difícil dizer qual catedral italiana é mais bonita, mas a Basílica de São Marcos me encantou muito
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São tantos detalhes que merecem uma foto, que agradeço estarmos na era digital. Filme de 36 poses não daria nem pro começo!

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Não sou arquiteta, mas me lembro das aulas de História e da influência bizantina na Europa e na Basílica isso é bastante evidente. A forração de paredes e abóbadas em pastilhas douradas formando mosaicos é de fazer chorar. Quando a visitamos em julho de 2013 a fachada estava sendo restaurada, mas isso não ofuscou sua beleza. Acho uma pena chegar a um destino de sonho e encontrar monumentos em restauro. A foto sai com tapume, tela de proteção dependurada, etc. Mas gente, que coisa impressionante é ver a diferença, lado a lado, da parte restaurada e da sem restauro! E essas fotos são apenas do hall/terraço, não sei o nome técnico para a entrada coberta de igrejas, pois é proibido fotografar ou filmar seu interior.
Para entrar na Basílica, valem as dicas de evitar shorts, decotes e até ombros à vista. Era alto verão na Europa e não tinha como não mostrar pernas e ombros! Então carreguei comigo um lenço grande ou echarpe. Por um euro você “aluga” um pedaço de TNT para enrolar nas pernas ou jogar sobre os ombros, em quase todas as igrejas da Itália.

A Ponte dos (últimos) Suspiros
A Ponte dos (últimos) Suspiros


O Passeio de Gôndola
Se você é romântica vai ter sonhado com esse momento! O meu não foi nada romântico, pois além da filha e da mãe, ainda tinha um outro casal conosco na mesma gôndola. O passeio estava incluso no meu pacote e foi assim distribuído. Mas não pense que isso ofuscou a beleza desse símbolo maior de Veneza! Eu só não tenho fotos lindas com meu marido, mas as recordações são muito melhores do que uma imagem, gosto de pensar para não ficar frustrada (rsrsrs). Os pequenos canais, o passeio por baixo das pontes, a habilidade do gondoleiro e o ponto alto: todas as gôndolas do grupo “estacionaram” em um canal largo (eu disse que estava atordoada, será que era o Grande Canal??) e um cantor se apresentou para nós.

Dica: combine com o gondoleiro o trajeto, dando preferência para canais menores. O custo gira em torno de € 80. Se você for de excursão, como eu, e nela estiver incluso o passeio de gôndola, veja a possibilidade de pagar um extra para ir só com seu amor e ter mais privacidade.

O Almoço
Depois de gondolar, fomos ao “almoço-pesadelo”, também incluso no pacote. O restaurante era bem simples. Não me importo com lugares simples desde que a comida seja boa e que eu tenha o mínimo de atenção. O restaurante escolhido pela agência não tinha estrutura para receber um grupo grande como o nosso e recebeu dois grupos em excursão ao mesmo tempo, mais os clientes avulsos. Eu já estava atravessada porque não tinha aproveitado bem a manhã do único dia em Veneza. O restaurante tinha dois garçons e, na nossa mesa, nem o pão chegava. Quando chegou, estava duro de fazer barulho ao bater na mesa! Depois virou piada, mas na hora o sangue italiano sobe! Claro que a mesa que nos deram só não era dentro do banheiro porque o banheiro era minúsculo: duas cabines, tanto para homens como para mulheres.  Mas eu parecia ser a única pessoa incomodada com a situação. Uma colega de viagem me acalmou e chamamos o guia. Fiz minha reclamação da programação do dia, da escolha do restaurante, da demora no atendimento. Se soubesse que o dia seria desse jeito, preferia ter me despedido do grupo e feito o meu roteiro.
Eu nunca viajo de pacote, talvez porque goste de fazer minhas escolhas e de arcar com as consequências caso elas não tenham sido boas. Desculpem o desabafo, mas nem só de incríveis recordações se faz uma viagem e acho importante relatar experiências ruins também, pois acontecem com todo mundo.

Vista da Praça São Marcos mais vazia, do alto do Campanário
Vista da Praça São Marcos mais vazia, do alto do Campanário

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Tarde Livre
O grupo tinha então algumas horas para atividades independentes e se encontraria às 17h para voltar ao hotel. Conversei com minha mãe e filha e elas voltaram com o grupo. Depois desse horário, algumas cidades europeias ficam mais vazias e é o caso de Veneza.  Conseguimos subir no campanário da São Marcos (€8,  com elevador), caminhar por ruelas e sobre pontes, sentar em um restaurante numa praça com fonte e observar os passantes, comer e beber tranquilamente, como deve ser em uma viagem de férias. Foi então que provei a bebida nacional, o spritz, de origem húngara, que em algumas regiões da Itália mistura campari ao vinho com água gaseificada. Resultado, na minha opinião, intragável.

Ponte Rialto

Aí  veio o vento que traria uma chuva de verão. As mesas ao ar livre começaram a ser retiradas e tivemos que achar um abrigo. Mesmo com esse contratempo, foram as horas mais gostosas em Veneza. Corremos para um ponto de vaporetto e foi então que percebemos como estávamos longe de onde pensávamos estar. Veneza é assim: a gente se encontra quando se perde!

Vista do Vaporetto
Vista do Vaporetto

Hospedagem
Ficamos no hotel Russott duas noites, em excursão da Surland/Lusanova. O próprio guia nos antecipou que o hotel era o pior dentre os outros que ficaríamos na Itália, o que não pode ser um bom sinal, certo? Daí cantou a musiquinha do filme Família Adams, dizendo que a decoração era meio tenebrosa. Antes fosse apenas isso! Sua pior característica é a localização: além de longe de Veneza, é preciso caminhar na rodovia (a calçada é estreita ou inexistente em alguns trechos) se quiser tomar o ônibus e à noite é bem escuro e desolado, sem nada por perto. Em julho, quando fomos, os ônibus coletivos vindos de Veneza perto das 22h estavam lotados nas duas noites que os usamos. Não há lojas, restaurantes ou mercados por perto. A decoração não é de Halloween (mas nunca tinha visto carpete que subia até meia parede!), acho que o guia tentou amenizar outros aspectos, como o atendimento ruim, café da manhã fraco. Wifi, só na recepção. Barulho de caminhões e ônibus vindo da rodovia. Não recomendo mesmo.

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Agora, dois anos depois, voltarei a Veneza desempacotada, com viagem planejada por mim, no hotel que escolhi, comendo nos restaurantes indicados por outros viajantes. Aguardem novidades!

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O que NÃO fazer em Veneza

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