Perito Moreno: Caminhando sobre o gelo

Caminhando sobre o gelo,
De luvas e quebra-vento,
Sobre a Perito Moreno,
Eu vou…

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Esta não foi a maior aventura da minha viagem à Patagônia; a maior eu conto no post Torres del Paine: Sangue, Suor e Beleza. Sim, eu gosto daquele Caetano Veloso anos 1960-70.

Tempo: janeiro de 2015. Lugar: El Calafate, no sul da Patagônia argentina. Motivo: A geleira Perito Moreno – peraí, você que mora num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, sabe o que é uma geleira?

Geleira, ou glaciar, é uma massa imensa de gelo que possui duas zonas diferentes: a de acúmulo, onde sempre neva, e a de percolação. Hein? É, eu também nunca tinha ouvido essa palavra e nem sei se há outra mais adequada, mas aprendi que na zona de percolação a geleira perde massa devido à evaporação e ao derretimento, especialmente no verão. Para explicar àqueles que me perguntaram “mas você estava perto do gelo, só de camiseta…”, explico que geleiras não derretem nem no verão e têm centenas, milhões de anos em algumas partes. Há glaciares em várias partes do mundo, como nos Alpes, no Himalaia, na Antártida, Nova Zelândia, Polo Norte, Monte Kilimanjaro (nossa, na África!) e até na Bolívia. Eu já tinha visto algumas geleiras nas Montanhas Rochosas do Canadá, onde a paisagem, os lagos e os picos são indescritíveis, mas estar frente a frente ao paredão de gelo de cerca de 55m de altura e 5 km de frente que é a Perito Moreno é algo único. Outros números também impressionam: 254 km2 de extensão e 720m de espessura!

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O píer 5, onde embarcamos para o trekking no gelo

Bem, você não vai até quase “o fim do mundo” que é El Calafate só para olhar a geleira, certo? Compramos um passeio que se chama Mini Trekking e te dá a oportunidade de caminhar sobre a Perito Moreno. Inclui o traslado de El Calafate até o Parque los Glaciares (80 km), tempo para explorar as passarelas e plataformas-mirante da geleira (2h30), um breve passeio de barco no Lago Rico (15 a 20 min), que fica no Sudoeste da Perito Moreno, e a caminhada em si (1h30).

A bordo do catamarã, todos entusiasmados com a vista e proximidade do paredão e com os icebergs. O vento gelado soprou e todos vestiram casacos e toucas e passavam protetor solar (o sol reflete ainda mais sobre neve ou gelo, assim como na areia da praia).

Nem era tanto frio, mas eu quis valorizar, ehehe
Nem era tanto frio, mas eu quis valorizar, ehehe

Chegamos a uma praia de terra? areia?  pedra triturada? e de formações rochosas interessantes. Infelizmente, a guia não explicou nada a respeito e acho que todos estavam concentrados no que viria pela frente pois ninguém perguntou nada.

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Nesta área estava até bem quente e precisei tirar casado e touca, mas sobre o gelo faz bastante frio – e não se esqueçam de que viajei em janeiro e que estava quente para os padrões locais. Ninguém da agência Hielo & Aventura nos avisou ou orientou quanto ao que vestir, o que considero uma falha, mas alertaram sobre a necessidade de usar tênis com cadarços para amarrar as tiras dos grampões. Mas a Márcia te diz: use calçado impermeável e agasalhe-se bem. Eu vesti uma legging fleece, botas com pele, camiseta, abrigo fleece e um corta-vento, além de touca e luvas, estas obrigatórias. Mas no abrigo há um cesto com luvas que você pode usar e devolver depois do trekking.

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Ali na praia recebemos informação de que iríamos até o abrigo, onde há mesas, bancos e banheiros, e depois seguiríamos por uma rápida trilha entre árvores até chegar à beira da geleira, onde seriam colocados os grampões e o grupo dividido em 20 pessoas para cada guia ou dois, de acordo com a língua preferida: inglês ou espanhol.

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Escolhi Inglês, porque eles falam espanhol muito rápido e acho difícil a compreensão baseada apenas na similaridade entre o português e a língua de Borges. Depois de colocar os grampões, orientam como pisar no gelo nas subidas e nas decidas e pedem que só fotografemos durante as pausas para que nos concentremos no caminho.

colocando os grampões
colocando os grampões

Durante o percurso, falam um pouco sobre a formação da geleira e respondem a perguntas. Em Inglês, a guia fala mais pausadamente e até comete alguns errinhos engraçados, como dizer que geleiras perdem volume por causa da “globalização”, quando quis dizer “aquecimento global”.

Eu senti butterflies in my stomach, assim como quando estou na fila de uma montanha russa, mas foi mais tranquilo do que eu esperava e caminhar sobre o gelo com os grampões pareceu relativamente fácil. Quanto ao grau de dificuldade, o trekking é cansativo como subir várias ladeiras, pois as trilhas são feitas para experimentar as diferenças de topografia, mesmo: sobe, desce, sobe, atravessa fendas, sobe, desce, pula córregos formados pelo degelo… A guia faz várias pausas para retomarmos o fôlego e fotografarmos, então não é preciso muito ou nenhum preparo físico, a não ser que a pessoa esteja muito fora de forma.

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O poço azul. Devia ter uma valsa com esse nome… Ou mais apropriado: um tango!

Caminha-se em fila indiana, pois eles preparam uma trilha, o que facilita. As guias andavam em paredes quase verticais com a maior desenvoltura e estavam sempre atentas ao grupo, chamando à atenção quem subia num monte fora da trilha, por exemplo. Algumas pessoas provam a água do degelo ou apenas molham as mãos nela. Well, é gelada igual água de geladeira…

Mini trekking na Perito Moreno
A única fenda da trilha

No final, que chegou antes do que eu esperava, cada um recebeu um copo com gelo tirado da geleira com meio dedo de whisky. Voltamos ao ponto onde tiramos os grampões e ao abrigo, onde esperamos o momento de tomar o barco e depois o ônibus de volta a El Calafate.

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Avaliação: foi interessante, principalmente para nós brasileiros que não temos acesso a tamanha quantidade de gelo para poder caminhar sobre. Mas não é algo que classificaria como “a” aventura. Se você quer mais emoção, talvez deva fazer o Big Ice, mas pesquise em fóruns de viajantes para saber a opinião de quem já fez.

PRÁTICAS RÁPIDAS

  • Vestuário: Roupa confortável e abrigada, jaqueta impermeável ou quebra vento, tênis ou botas de trekking com cadarços e impermeáveis. Óculos de sol, protetor solar e labial, luvas, gorro.
  • A agência aconselha levar seu próprio lanche, mas há lanchonete em frente às passarelas de observação da Perito Moreno.
  • Pessoas abaixo de 10 e acima de 65 anos não podem fazer o passeio. Não é aconselhável para pessoas com sobrepeso e é proibida para gestantes ou pessoas com didiculdade de coordenação e motricidade.
  • O valor da excursão, salgados 125 dólares, não inclui o ingresso ao Parque Nacional Los Glaciares, que custa 150 pesos para integrantes do Mercosul.
  • O passeio teve início às 10h, com traslado ida e volta até o Los Glaciares, tempo para observação da geleira a partir das passarelas, navegação no Lago Rico e o trekking. Voltamos a El Calafate por volta das 19h.
  • O mini trekking pode ser contratado em qualquer agência de El Calafate ou mesmo nos hotéis, mas de qualquer forma é administrado pela empresa Hielo y Aventura. Como contei no post El Calafate, aquela do Perito Moreno enviei-lhes várias mensagens mas não consegui concluir a reserva, comprando na própria agência quando cheguei, o que alterou meu roteiro inicial. Fique no pé deles!
  • O mini trekking não acontece entre o final de maio e o início de agosto de cada ano.

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El Calafate, aquela da geleira Perito Moreno

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El Calafate: o que fazer por lá

El Calafate Mini trekking

El Calafate, no sul da Patagônia Argentina, é uma cidadezinha fofa, tranquila e dominada pelo lindo Lago Argentino. Mas a maioria dos visitantes quer mesmo saber das atrações no seu entorno, seja a 80 km de distância, como o Parque Los Glaciares onde fica a geleira Perito Moreno, ou a pouco mais de 200 km, como a região do tão famoso quanto belo Fitz Roy, em El Chaltén. Além disso, a fronteira com o Chile é logo ali, e você pode aproveitar para conhecer um dos parques mais lindos do mundo: o de Torres del Paine.

Patagônia El Calafate Argentina

Se você vai a El Calafate, vai certamente ver o glaciar Perito Moreno, que fica no Parque Nacional Los Glaciares. Ir a El Calafate e não vê-lo é como ir a Paris e não ver a Torre ou ao Rio e não ver o Cristo. Ou a Londres e não ver o Big Ben e a NY e não ver a Estátua da Liberdade. Ou… well, you’ve got it!

Perito Moreno Argentina


NO PARQUE LOS GLACIARES

Para chegar lá é fácil, você segue pela av. Libertador no sentido oposto ao do aeroporto, vai olhando o lindo lago Argentino à sua direita, e quando chegar a uma bifurcação, ainda são mais 40 km pela frente e a paisagem fica mais montanhosa e ganha curvas. Logo à frente, a portaria do Parque. Mas quase todo mundo vai de excursão, pois contrata passeio de catamarã ou sobre a geleira, como nós fizemos, e aí é preciso já sair de El Calafate com o ônibus da agência. A única autorizada a fazer o minitrekking e o Big Ice é a Hielo & Aventura, mas as demais agências de El Calafate também vendem o passeio. Se você quiser apenas observar a geleira, pode ir por conta. As plataformas de observação dão a melhor visão da Moreno, pois foram construídas em vários níveis. Alguns pontos têm proteção de painel de vidro contra o vento forte e gelado.

Geleira Argentina ingresso
O ingresso do Los Glaciares

O trajeto de 80 km levou, do nosso hotel no Centro até a entrada do parque, cerca de 1h30. O ônibus é limpo e bem confortável e uma gravação de áudio fala um pouco sobre a geleira. A cobrança do ingresso ao parque é feita por um funcionário que entra no ônibus, pergunta a nacionalidade de cada um e toma notas em um tablet. Faz isso pois integrantes do Mercosul têm desconto, pagando 150 pesos. Quando fomos, o passaporte não foi solicitado, mas é bom garantir e levar o seu.

Perito Moreno El Calafate
O portal de entrada do Los Glaciares

Após o pagamento (em dinheiro) e entrega dos ingressos, o ônibus continua pela única estrada (asfaltada) do parque, de onde você já avista a enorme língua de gelo que sai do vale, que é a Perito Moreno. Há um mirante, onde o ônibus não para, pois segue direto à praça onde começa a série de plataformas e onde há lanchonete, banheiros e loja de suvenires.

Perito Moreno El Calafate
Wow!

A agência vai pedir que leve seu almoço e imagino que façam isso para evitar aglomeração na única lanchonete local. Não vi mesas para quem leva lanche e as pessoas acabam comendo nas plataformas mesmo. Mesas de picnic eu avistei do ônibus, em áreas mais longe das plataformas. Apesar disso, não há lixo pelo chão e atenção: não há cestos de lixo, então todo o lixo que você produzir deverá ser levado de volta com você até El Calafate. Há banheiros grandes e relativamente limpos (não é padrão Fifa, mas muito mais limpos do que muitos brazucas).

Argentina onde ir dicas
A área de apoio, com lanchonete, banheiros e lojinha

o que comer na Patagônia

câmbio El Calafate

Para chegar às plataformas inferiores, pessoas com mobilidade reduzida contam com um elevador. Embora haja mais de 300 degraus, o esforço vale muito a pena e há bancos para descanso em algumas plataformas.

Perito Moreno El Calafate

Não custa avisar: as passarelas são de metal perfurado, então não vá de saltinhos ou saltões.

Perito Moreno El Calafate
A geleira Perito Moreno, em El Calfate, Argentina

Em alguns pontos, a incidência da luz do sol sobre o gelo o deixa de um azul reluzente, como se houvesse uma lâmpada instalada entre o gelo.

Perito Moreno El Calafate

A melhor forma de avistar a geleira é mesmo pelas plataformas e passarelas, pois você a vê de cima a baixo. Não fiz o passeio de catamarã então não sei da vista que ele proporciona. O passeio de barco que fiz (incluso no minitrekking) foi legal por chegar perto dos icebergs desprendidos da geleira e por dar uma outra perspectiva dos paredões.

Perito Moreno quando ir

A agência te dá duas horas e meia para explorar as passarelas e lanchar e depois seguimos de ônibus até o píer de onde saem os barcos para o minitrekking, mas isso eu conto em outro post, o Perito Moreno: Caminhando sobre o Gelo (link no final deste).

Sul da Argentina geleira

O barulho do gelo desprendendo é muito interessante, principalmente na primeira vez que se ouve. Assemelha-se a um trovão longo ou ao som de um morteiro. A diferença se deve ao tamanho do bloco de gelo que se desprendeu. Todo mundo fica com as câmeras a postos, na esperança de flagrar o acontecimento. Vi vários, mas não gravei nenhum.

À distância, o gelo que se desprende parece pequeno diante da imensidão do paredão, mas calculo que tenham no mínimo uns três metros. Seu tamanho fica mais claro quando tomamos os barcos e navegamos próximos a eles.

Gravei o som de um bloco caindo. Não se decepcione. Este foi pequeno. Ao vivo, tudo é sempre melhor, lembre-se.

Se você quiser programar sua viagem para 2017, 2018, talvez testemunhe o fenômeno de ruptura. É que ciclicamente o glaciar cresce e toca a península de Magalhães (onde ficam as passarelas) e obstrui o lago. A água aos poucos derrete o bloco de gelo, que vira um túnel ou ponte, dependendo do seu ponto de vista. Quando desaba, é um espetáculo para os olhos e ouvidos. A última vez em que isso aconteceu foi dezembro/13.
Atualização: Será que são os efeitos do aquecimento Global? Estava eu navegando pela Internet quando vi a notícia da ruptura em março/2016, um ano antes do previsto!!! Veja o vídeo aqui.

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A ruptura

Ainda no Los Glaciares, você pode fazer outras atividades que, dependendo da época do ano e das condições climáticas, podem acontecer ou não:

– Caminhar sobre o Perito Moreno, num passeio denominado Minitrekking, que inclui uma curta navegação e a caminhada em si.  Leia post em que descrevo minha experiência.

Mini Trekking Perito Moreno
Mini trekking na Perito Moreno

– Big Ice no Glaciar Perito Moreno: navegação e caminhada no Gelo. O tempo de caminhada é superior ao mini trekking e a área é mais “acidentada”, exigindo maior esforço físico. Quem fez este passeio foi a Camila do blog O Melhor Mês do Ano. Confira lá o que ela achou da experiência.

Safari Náutico: navegação pelo Lago Rico que permite ter uma visão mais próxima do glaciar Perito Moreno.

NA CIDADE

mirante do Lago Argentino e montanhas, na Av. El Lbertador

– apostar no cassino da cidade, na Av El Libertador.

o que fazer em El Calafate

PERTO DA CIDADE

Todos os Glaciares: navegação em catamarã que percorre os principais glaciares do Parque Nacional Los Glaciares.

Perito Moreno passeios El Calafate

– Se você se entusiasmar com o mundo do gelo, pode visitar o Museu Glaciarium e seu Glaciobar, o bar de gelo com temperatura ambiente de 10 graus negativos. Fica a 6 km de El Calafate.

Balcon El Calafate, as montanhas chapadas que ficam na direção oposta do Lago Argentino. As agências fazem passeios com 4X4 até lá.

Estância Cristina: estâncias são fazendas e nesta você aprenderá sobre os desbravadores da Patagônia e sobre técnicas de tosquia de ovelhas. Depois você é levado ao mirante do Glaciar Upsalla. Também inclui navegação no Lago Argentino.

– Pesca Esportiva: o Lago Roca é onde se encontram as melhores trutas. Encontrei um grupo animado de pescadores americanos aposentados que atravessaram o continente americano para pescar!

– Trekking, Mountain Bike, cavalgada…

– Se você tiver mais tempo em El Calafate e região e se gostar de caminhadas entre montanhas – ou de subi-las -, pode incluir alguns dias em El Chaltén, a 214 km, onde fica o famoso Fitz Roy (não confunda com a cidade Fitz Roy, que fica mais a Leste). Se não gostar de caminhadas, pode fazer um bate-volta e apreciar a vista motorizada ou motorizado.

El Calafate passeios
Fica para minha próxima vez…

– Ali pertinho, também tem um passeio que eu queria muito fazer, mas infelizmente não consegui: caiaque entre icebergs desprendidos do Upsala Glacier.

No post anterior eu disse que El Calafate não é estação de esqui. Não é, mas tem escola de esqui e outras atividades na neve, no Calafate Mountain Park

El Calafate no inverno

Como você deve ter percebido, há passeios contemplativos, para quem não gosta, não quer ou não pode estar em ação e há passeios mais ativos. Seja qual for sua opção, as paisagens são lindas e para nós que moramos em um país quente, a sensação do frio no rosto em pleno verão é algo singular. E venta, venta muito.

Site oficial do parque Los Glaciares: clique aqui.
Posts Relacionados (clique sobre o título para ler mais sobre o Sul da Patagônia)

El Calafate: Hospedagem

De El Calafate a Torres del Paine (este post traz links para publicações sobre Torres del Paine)
 
El Calafate, aquela da geleira Perito Moreno

Perito Moreno: Caminhando sobre o gelo

Patagônia Argentina e Chilena: plano de viagem

 

 

El Calafate, aquela da geleira Perito Moreno

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A grande Protagonista: Geleira Perito Moreno

Calafate é uma frutinha azul-arroxeada que pode ser colhida nas estepes da Patagônia. Diz a lenda que se você comê-las retornará à Patagônia um dia. Muito melhor do que ter que tocar alguma parte da estátua do Perito Moreno, no estilo Julieta em Verona, na Itália, touro em NY e javali em Florença!

O Calafate, fruto que deu origem ao nome da cidade

Então coma a frutinha, seja in natura, na forma de sorvete, de licor, de geleia, como cobertura de doces ou molho de pratos principais e drinks. Coma-a pois há muito o que fazer por lá e visitar a região mais de uma vez seria muito justo. O lugar é daquela beleza remota, cheia de paz e silêncio, onde a natureza majestosa ainda se faz respeitada. Onde o tempo parece passar devagar, sem obedecer aos relógios. Onde fartura de água não significa terra fértil. Lugar onde o azul do Lago Argentino disputa atenção com o azul do céu – em dias claros, claro. O vento briga ou brinca com seus cabelos e a secura do ar com sua pele. Pelo menos no verão.

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A cidade de El Calafate já foi mais rural, digamos. Ainda é mais uma Monte Verde-MG do que uma Campos de Jordão-SP e talvez por isso eu tenha gostado tanto de lá: casas com cerquinhas, jardins e calçadas com lavandas, cachorros e mais cachorros – enormes – pelas ruas. No verão, sente-se perfume de flores e pássaros alimentam-se nos jardins das casas. Não há badalação e todo mundo se veste descontraidamente. Montanhistas caminham ostentando não só suas mochilas enormes, mas sua juventude, paixão pela natureza e disposição física.

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Encantada com canteiros de lavanda nas calçcadas!

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Ainda lembro da edição do Globo Repórter que me apresentou a El Calafate e principalmente à geleira Perito Moreno (incrível como meu cérebro tem capacidade de armazenar destinos turísticos!). OK, moramos num país tropical e muita, mas muita, gente não tem a menor ideia do que seja uma geleira. Eu explico lá no post Perito Moreno, caminhando sobre o gelo.

Explico primeiro que El Calafate não é estação de esqui. Vá pros arredores de Bariloche para isso, também na Patagônia, mas 1.400 quilômetros ao Norte. El Calafate tem relevo e vegetação desérticos, mas o Lago Argentino tenta fazer você se esquecer disso. O inverno é rigoroso e o vento frio e forte sopra o ano todo. Estive sob Sol quente, mas o vento continuava frio e os locais repetiam que os dias estavam lindos. Com isso, imagino que nem sempre se veja esse céu azul-bandeira-argentina.

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A avenida El Libertador e um patriota

A avenida principal é a del Libertador San Martin, em homenagem a San Martin, figura que teve papel fundamental na libertação da Argentina, do Chile e Peru. A cidade cresce ao longo dela, com lojas, restaurantes, agências de viagem, locadoras de veículos, supermercado, enfim, tudo do que precisar estará lá. Em uma de suas pontas, a estrada para El Chaltén, para o aeroporto e para TdP, no Chile. Na outra ponta, a estrada para o Parque Los Glaciares, onde está a geleira Perito Moreno.

O Lago Argentino
O Lago Argentino

De meu planejamento inicial descrito no post Patagônia Argentina e Chilena: plano de viagem , algumas alterações forçadas. Meu marido provocou e expliquei que blogueiro de viagem não sabe de tudo, sofre os perrengues pra depois os leitores aproveitarem e não cometerem os mesmos erros (mas outros – rsrsrs, porque viajar é isso também!). 

Eu tinha planejado fazer a atração principal – Los Glaciares – logo no primeiro dia inteiro na cidade. Enviei com antecedência três mensagens para a agência Hielo & Aventura, escritas em Português e Inglês. Demoraram a responder e quando responderam não finalizaram o pedido, cuja etapa final seria o envio de um formulário do cartão de crédito, que nunca recebi. Nossa, será que é difícil fazer um sistema de venda de ingressos online ?! Resultado: quando chegamos a El Calafate, meu pedido de reserva não havia sido considerado e tive de agendar o passeio para o dia até então reservado para ir a El Chaltén ou para caiacar na geleira Upsala. Senti-me no Brasil: desrespeitada e sem ter a quem recorrer. Conversei com outros turistas e muitos tinham a mesma reclamação: em alta temporada a procura é tamanha que a agência não dá conta de atender a todos os pedidos. O pior é não receber nem ao menos um pedido de desculpas da funcionária da Hielo & Aventura, como se a falha tivesse sido minha, o que considero muita falta de profissionalismo. Minha sugestão: peça ao seu hotel que efetue a compra dos passeios ou compre em uma outra agência, que repassará o pedido à Hielo, pois é a única que faz o Minitrekking e o Big Ice, dois passeios de caminhada sobre a geleira Perito Moreno. Há uma infinidade de opções de passeios ao redor da cidade. Veja algumas sugestões no post El Calafate: o que fazer por lá.

Quem vai fora de temporada não tem qualquer problema quanto a reservas, seja para passeios, seja para acomodação (não se pode ter tudo, mas eu peguei o céu azul, ahahaha) e quem dispõe de ao menos uma semana na cidade, por exemplo, acaba conseguindo encaixar os passeios principais mesmo sem reserva na alta temporada. Outro passeio que eu gostaria de ter feito e exemplifica isso é o de caiaque na Geleira Upsala. Eu cheguei no dia 18 e só teriam disponibilidade para o dia 24, quando estaria retornando a SP. Além de não ir a El Chaltén (que tem paisagens lindíssimas e trilhas) e de não fazer o caiaque, também tive que alterar a reserva do carro, devolvendo-o um dia antes pois o passeio para Los Glaciares inclui traslado (pago).

Viajar é... saber que nem tudo dá certo
Viajar é… saber que nem tudo dá certo

Sem passeio programado para o primeiro dia, tomamos o café da manhã admirando o Lago Argentino, do restaurante do hotel Terrazas del Calafate (lei post a respeito dos hotéis onde fiquei nesta viagem) e depois iniciamos o reconhecimento da cidade.

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Sala de Refeições do Hotel Terrazas del Calafate

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Fotografei calmamente Lago, flores, abelhas em lavandas, pássaros, casas e com a mesma calma nos sentamos no gostoso Libro Bar para tomar uma cervejinha e comer empanadas ao sol, ouvindo italianos, americanos, argentinos e brasileiros que faziam o mesmo. A cidade tem muitos cachorros – enormes –  pelas ruas e alguns pediam carinho por ali.

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Além de restaurantes e bares, você pode aproveitar a noite para conhecer o cassino local, mas a cidade é mais diurna mesmo.

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Caminhando pela Libertador em direção ao Aeroporto, você encontrará um pergolado sem trepadeiras (aqui tudo é rasteiro e as árvores não são nativas, foram plantadas, segundo a guia), uma praça com parque infantil à esquerda e uma escadaria. No alto dela fica um mirante, ou mirador, como eles dizem.

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A vista do Mirante

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O bom de visitar a cidade primeiro é que seus olhos ainda não estão tão exigentes. Depois de dormir aos pés das montanhas, a vista delas tão distantes já não tem graça…

Cadeados na ponte para o mirador: semelhanças entre Paris e Calafate ficam presas ali
Cadeados na ponte para o mirador: semelhanças entre Paris e Calafate ficam presas ali

Também na av. Libertador fica a administração do Parque Los Glaciares e em seus jardins há esculturas homenageando Perito Moreno e Charles Darwin, duas figuras importantes para o conhecimento da flora e fauna da região. Arbustos têm placas identificando espécies locais e há algumas máquinas antigas (geradores, equipamentos agrícolas) também em exposição pelo jardim.

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Malvinas – ou Falklands – já eram caso de preocupação!
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Perito Moreno: o desbravador da Patagônia
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Darwin, que estudou os animais da região

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Além de comer e visitar as lojas locais, não há muito o que fazer na cidade, pois as maiores atrações estão mesmo ao redor dela. Se você curte visitar casas de famosos, informe-se  onde fica a casa da presidente da república Argentina. Um taxista de Buenos Aires me disse, contrariado, que ela tem três hotéis cinco estrelas na região. De novo, me senti em casa. Temos mesmo muito em comum com nossos Hermanos.

PRÁTICAS RÁPIDAS

Localização
El Calafate fica na porção Sul da Patagônia Argentina, em Santa Cruz, a 2.700 km de Buenos Aires e a 1.400 km de Bariloche. Longe né?

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Como Chegar
Tomei um voo para Buenos Aires pela Tam (duração de 3 horas) e de lá outro até El Calafate pela Lan (3h25 de voo). A Aerolineas Argentinas também faz o trecho Buenos Aires-El Calafate. Se você escolher o Aeroparque (aeroporto de B.A.), dá tempo de passear pela capital argentina numa conexão longa. De taxi até Puerto Madero, por exemplo, dá uns 20 minutos. Leia post sobre o Aeroparque aqui.

Parênteses sobre planejamento de viagem:

Muita gente planeja uma viagem pensando em um país, sem levar em consideração que as fronteiras foram criadas por motivos políticos. É mais fácil conhecer o sul da Patagônia chilena e argentina de uma só vez do que escolher Santiago e Torres del Paine numa ida ao Chile, ou Buenos Aires e El Calafate em uma viagem à Argentina. Além da proximidade física, as culturas também têm semelhanças. É cuia de chimarrão e mate pra todo lado! Até as músicas são muito similares às gaúchas – e olhe que o sul da Patagonia é beeeeem longe do Rio Grande do Sul! Um outro exemplo é visitar o sul da Alemanha e aproveitar para incluir no roteiro Estrasburgo, que faz parte da França mas tem arquitetura e culinária alemãs, e Zurique, na Suíça. Quando comecei a viajar, fiz a besteira de visitar os Estados Unidos de Leste a Oeste (Flórida-Califórnia-Nevada-Arizona-Nova Iorque, em voos continentais) e no ano seguinte ao Canadá, também de Leste a Oeste (Toronto a Vancouver). Teria sido muito mais esperto fazer a costa Oeste dos dois países e no ano seguinte a Leste dos dos dois. Mas eu não sabia que retornaria. Não sabia que ia “viciar” nessa coisa de viajar. E não tinha blogueiro de viagem para ensinar isso!

Se você vem do Chile, pode dirigir a partir de Punta Arenas (350 km até Torres del Paine), a cidade mais próxima servida por aeroporto, pernoitar no parque ou em Puerto Natales e de lá dirigir até El Calafate. A partir do parque TdP são 364 km até El Calafate, passando por Esperanza, um desvio em formato de V que torna a viagem mais longa em quilometragem, mas mais fácil. Se você jogar no Google, ele não dará a opção de ir a Esperanza, então precisa incluir em “Rotas” essa localização. Leia post onde descrevo a viagem de El Calafate a Torres del Paine e dou dicas importantes sobre fronteira e combustível.

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Balcon El Calafate nos vidros do aeroporto
Portão de embarque com vista especial
Portão de embarque com vista especial

O aeroporto El Calafate fica a 16 km do centro e  você pode contratar traslado, pela internet ou no guichê do aeroporto, ao custo de 170 pesos por pessoa, ida e volta. Eu reservei com a empresa Ves Patagonia e eles foram bastante atenciosos, principalmente na chegada, quando precisei ir a uma agência no centro e o motorista se ofereceu para ficar com nossas malas, levar os demais passageiros e depois nos buscar para levar ao nosso hotel. Mas o pagamento também não pode ser feito online, então precisei ficar na fila como todo mundo, com ou  sem reserva, para pagar. Eles trabalham das 8h às 20h. Um taxi fica em torno de 300 pesos, dependendo da localização do hotel.

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A escadaria paga-promessa da rodoviária. E em que estado!

Se você for de ônibus, aproveite para fazer uma promessa de subir a escadaria que leva à rodoviária da cidade. Acho que o santo não vai reclamar!
Entendo que El Calafate tenha colinas, mas escolher justo o alto de uma delas para instalar a rodoviária… no comprendo! Vi o sufoco de uma viajante levando a mala degraus acima. Não é porque a maioria dos visitantes da cidade escala montanhas que tem a mesma paixão por degraus!

A Rodoviária
A Rodoviária. Tantos brasileiros visitam El Calafate mas nenhum Bem-vindo em Português…

Aluguel de veículo: há várias locadoras locais na cidade. Eu preferi usar a Hertz porque as locais não permitiriam o aluguel sem seguro (meu cartão de crédito oferece isso gratuitamente). Falo mais sobre o aluguel no post De El Calafate a Torres del Paine.

Língua
Espanhol e, da parte dos brasileiros, portunhol (rsrsrs). Em agências de turismo é possível se comunicar em Inglês, mas em restaurantes e lojas fica mais difícil.

Temperatura / O que Vestir

el_calafateA primeira coisa a lembrar é que venta muito no Sul da Patagônia e mesmo em dias quentes pode soprar uma brisa gélida, por isso leve um casaco corta-vento. A melhor época para aproveitar as atividades ao ar livre é o verão, quando os dias começam às 6h e terminam às 22h. Além disso, muitos passeios não acontecem entre maio e agosto, então pesquise. Mesmo no verão, se fizer passeios como o Mini Trekking ou o Big Ice, em que se caminha na geleira, ou o caiaque no Upsala, leve gorro, luvas e casaco com fleece e corta-vento. Um rapaz inglês estava sobre a geleira de bermudas, mas ele era de Londres…

Proteção contra o vento para as árvores em crescimento
Proteção contra o vento para as árvores em crescimento

O clima da cidade é de montanha também na vestimenta. Botas de caminhada, mochilões, casacos são comumente avistados e muitos turistas chegam dos passeios e vão direto ao restaurante sem constrangimento.

Hospedagem
É possível ficar em hotéis para todos bolsos, pousadas, alugar cabanas (chalés), tem até hotel gay friendly. Só não vi camping. Ficamos em um hotel a 20 minutos de caminhada do centrinho, o Terrazas del Calafate, e depois que voltamos do Chile no aconchegante e fofo Madre Tierra Patagonia. Link para post dando dicas de hospedagem e descrevendo minha experiência nesses hotéis está no final desta publicação.

A sala de convivência do Madre Tierra Patagonia
A sala de convivência do Madre Tierra Patagonia


Permanência
Como sempre, depende do tipo de viagem que você curte, da disponibilidade de dinheiro e tempo. Os principais passeios levam o dia todo, então, se quiser fazer ao menos três (por exemplo, o Los Glaciares com Mini trekking e navegação, o Upsala com navegação e caiaque e visitar o museu Glaciarium no mesmo dia que passeia pelo centro e faz comprinhas) precisará de três dias completos. Se for incluir bate-volta a El Chaltén ou a Torres del Paine, inclua ao menos mais dois dias inteiros, mais o dia de chegada e partida. Na minha opinião, o ideal é ao menos 8 noites para a região: 4 em El Calafate, 2 em Torres del Paine, 2 para El Chaltén. Muitos incluem Ushuaia e aí a conta aumenta, pois os passeios costumam incluir cruzeiros de 3 noites.

Como Circular por Lá
Taxis são cômodos se o seu hotel fica mais distante da cidade (40 pesos em média). Se estiver no centro ou próximo dele, caminhar é o melhor. Há aluguel de bicicletas e de cavalos. A Avenida Costanera é paralela ao Lago Argentino e é uma boa opção para caminhar, pedalar ou cavalgar.

Dinheiro
Peso argentino. Dólar é aceito em todo lugar, mas se pagar em dólar receberá o troco em pesos.

Fuso horário
Estamos na mesma linha do fuso horário e só há diferença quando adotamos o horário de verão, que nesse caso, fica sendo uma hora mais tarde lá em relação ao horário de Brasília em horário de verão.

Compras
Chocolate, alfajor, doce de leite, geleia e licor de calafate, artesanato andino, artigos de montanhistas (lojas Columbia e Timberland). As camisetas, típicas de lembrancinhas, têm um algodão ruim ao toque. Há também bastante artigos de lã e peles de carneiro. Acho que pela primeira vez meu marido não comprou um boné sequer em um destino turístico, pois a qualidade e beleza não o atraíram.

Cobertura de pedras nas lojinhas de artesanato
Cobertura de pedras nas lojinhas de artesanato

A maior loja de artesanato andino da cidade é a Arte Índio, na Avenida Libertador com a 9 de Julio. Há também uma feirinha (que achei bem pobre em diversidade) aos pés da Rodoviária, também na Libertador. Eu achei os preços altos, se comparados aos do Peru. Diferente de outros destinos turísticos, achei que o consumo é pouco explorado. Num lugar como o Parque Nacional Los Glaciares, por exemplo, há uma minúscula loja de suvenires e pensei que haveria um fotógrafo profissional no passeio em que caminhamos sobre o gelo. Acho que tenho ido muito à Disney (ahaha).

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O que Comer e Beber por lá
Estamos na Argentina, então carne é assunto sério. Mas não espere a mesma qualidade de carnes de restaurantes de Buenos Aires, pelo menos não encontrei. Licor, geleia e sorvete (delicioso) de calafate. O leite, a manteiga e o queijo são saborosos, assim como o doce de leite. Prove a cerveja patagônica Austral. Tomar vinho também faz parte do trato!

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Parece açaí, mas é calafate
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Show de horror para os veganos


Preços (em pesos argentinos)

– cerveja artesanal Berlina: 110
– cerveja Sol: 50
– água (em restaurante): 24
– Coca-Cola: 26
– empanada: 20
– barrinha de chocolate artesanal: 16
– sorvete 250 g: 55
– alfajor: 12
– licor de calafate: 120
– geleia de calafate: 60
– Papas Pringles no mercado: 36
– 2 maças (argentinas!): 8.59
– refeição para casal, com vinho argentino ou chileno:
– pizza individual: 100
– salada mista: 50
– truta grelhada: 150
– cubierto, o couvert: em média 20 a 25

Valores dos passeios estarão descritos no post El Calafate: o que fazer por lá.

Gorjetas – Os 10% referentes ao serviços dos garçons não estão incluídos nas contas de bares e restaurantes.

Restaurantes onde comemos:

– La Vaca Atada: comi apenas uma salada, que estava boa, e tomei vinho. A carne estava no ponto pedido, mas foi cortada para isso (!). Ambiente OK, atendimento OK. Restaurante OK
– Vera Cruz: não gostamos da apresentação do prato, da comida nem do atendimento. Ambiente simples. Banheiro em mal estado de conservação
– El Cucharon: apresentação dos pratos boa, ambiente decorado com bom gosto, comida saborosa e atendimento atencioso

O único da lista que não fica na Av. Libertador, mas na 9 de Julio
O único da lista que não fica na Av. Libertador, mas na 9 de Julio

– La Lechuza: ambiente agradável, comida boa. Serviço um pouco lento
– Librobar: é um bar, é uma livraria. Tem mesinhas na calçada diante de um shopping ao ar livre. Serviço bem descontraído. Pra que a pressa!

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cardápio do Librobar: pão, cerveja e poesia: “Two beer or not two beer”

– La Cocina: pizza individual sem grandes surpresas. Difícil agradar quem come pizza na Mooca (rsrsrs)
– Dom Luis:  é uma confeitaria com boas opções de lanches, doces, pães.
– Ovejitas: tem mesas aconchegantes internas e no jardim e além de sorvete de massa tem chocolates deliciosos.

Visto
Não é necessário visto, nem mesmo passaporte. Apenas a Carteira de Identidade é suficiente para entrar na Argentina. Mas lembre-se: se aproveitar para cruzar a fronteira com o Chile para ir a Torres del Paine, precisará de passaporte (mas não de visto). O Chile não faz parte do Mercosul. Falo sobre fronteira no post De El Calafate e Torres del Paine.

Seguro
Não sei você, mas eu não viajo sem fazer um seguro, mesmo nunca tendo precisado usar. É uma despesa que garante sua tranquilidade caso algo dê errado e não só para urgências médicas. Extravio de malas, fisioterapia, representação legal e tantos outros benefícios. A Mondial Assistance é parceira do blog Mulher Casada Viaja e você pode fazer seu seguro clicando no logo que tem à direita (se estiver em PC) ou no finalzão do blog (se estiver em smartphone). Frequentemente tem alguma promoção se você fizer através do blog.  Mesmo que não tenha, se você fizer ao clicar no logo da Mondial aqui no blog, você ganha meu agradecimento, porque eu recebo uma comissãozinha. Uma desculpa ou justificativa para continuar escrevendo…

Voltagem/Tomadas

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Leve seu adaptador e saiba que a voltagem é de 220 volts, então se os aparelhos que for usar não forem bivolt (a maioria dos modernos é, como celulares, tablets), vai precisar de um transformador. Ou não os leve.

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Patagônia Argentina e Chilena: plano de viagem

Ushuaia – ainda não fui, mas o Alessandro do blog Fui e Vou Voltar tem imagens lindas e texto fluido onde descreve seu roteiro.

Patagônia Argentina e Chilena: plano de viagem

Torres del Paine: o parque dos meus sonhos!
Torres del Paine: o parque dos meus sonhos!

Olha! A minha listinha dos 20 destinos para conhecer antes de morrer vai ficar menorzinha (mas se Deus quiser eu vou acrescentar outros tantos, basta ter saúde e dinheiro, porque vontade não falta, mesmo!). Começo 2015 com uma viagem a dois a um lugar longínquo, gelado, mas de paisagens de tirar o fôlego: a Patagônia Argentina e Chilena.

Não vai ser como nossas expectativas de recém-casados, quando sonhávamos em partir de São Paulo de carro e atravessar fronteiras para chegar aos Andes e admirar as Torres del Paine. Vai ser uma viagem curtinha, de 6 noites, porque é isso que cabe na nossa vida real.

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O glaciar Perito Moreno

Como os pontos a serem visitados ficam bem ao Sul da América do Sul, é um passeio para ser feito no verão, quando o clima é mais ameno. Em janeiro, o índice pluviométrico é o menor de todo ano e as temperaturas ficam em torno de 8 a 20 graus (no inverno cai para -2º C). Mas não se engane: caminhar sobre o gelo ou mesmo pegar trilhas exigem casacos corta-vento e tocas. A quantidade de horas de sol (luz do dia) também interfere no aproveitamento de uma viagem como esta, em que tudo é feito ao ar livre. No verão o sol nasce às 5h30 e se põe apenas às 23h, enquanto no inverno há apenas 8 horas de luz por dia.

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Os pontos circulados são os que visitaremos

Descrevo abaixo as etapas para planejar esta viagem, mais trabalhosa do que uma à Europa! Quando você decidir ir, pode seguir meus passos para planejar sua própria aventura!

  • Fiz orçamento em três agências de viagem, que ofereciam pacotes bem diferentes. Valores por pessoa, sem aéreo, tendo por base quarto duplo. O “a partir de” varia por causa da classe do hotel:
    a. 11 noites (cruzeiro de 3 noites), incluindo Ushuaia, Punta Arenas, Torres del Paine e El Calafate, com guia e passeio ao Perito Moreno e cruzeiro de 3 noites: a partir de US$ 5,400 por pessoa;
    b. 6 noites, El Calafate, Puerto Natales e Torres del Paine, aluguel de carro SUV e passeio no Perito Moreno: a partir de US$ 2,115;
    c. 7 noites com Puerto Natales, El Calafate e Torres del Paine e todas as refeições, aluguel de Jeep e entradas em parques, museus e Perito Moreno: a partir de US$ 5,500.
  • Pesquisei alguns hotéis e sem fazer o orçamento completo percebi que ficaria muuuuito mais barato planejar eu mesma a viagem, sem pacote, do jeito que eu gosto, embora seja sempre mais trabalhoso e às vezes a gente se enrosque em dúvidas como “onde é que tem posto de gasolina nesse fim de mundo?”. Mas assim é bom, porque tenho tempo para planejar, aprendo um monte sobre o destino, gasto menos e ainda dou dicas para você! No final, contas feitas, hotéis, 4 dias de carro intermediário, traslados, saíram por US$ 2,154, para os dois. Não entraram no cálculo as entradas de parques e passeios de barco ou sobre as geleiras, mas nem de longe chegarão aos 2 mil dólares de diferença!
  • Money talks, mas outros pontos a favor de viajar desempacotada foram:
    a. algumas dessas agências montaram pacotes com voos a partir de Santiago, sendo que é mais rápido e perto fazer por Buenos Aires. Para quem dispõe de pouco tempo e não vai  curtir a capital chilena, melhor o aéreo por Buenos Aires.
    b. o carro te dá liberdade de parar naquela paisagem linda para a qual você em um ônibus ou van de excursão daria apenas tchauzinho.
    c. ganhei pontos no aluguel do carro equivalentes a uma diária no Brasil. Se você ainda não tem um programa de fidelidade com uma locadora, programe-se!
    d. viajando de pacote, os quartos oferecidos nem sempre são os melhores, mesmo que os hotéis sejam os mesmos das agências.
mini trekking sobre o glaciar: um dos passeios
mini trekking sobre o glaciar: um dos passeios
  • Comprando o aéreo. Entrei no site da TAM, cliquei em “várias cidades” no box de escolha dos voos (os voos domésticos argentinos são operados pela Lan):
    a. SP-Buenos Aires-Buenos Aires-El Calafate
    b. El Calafate-Buenos Aires-São Paulo. Aqui, como a conexão é longa, ainda dá pra aproveitar umas horas na capital argentina, que não visito desde 2010.
    A princípio, o sistema me ofereceu um voo que, além de não ser direto, teria conexão de 6 horas durante a madrugada, em Córdoba. Não faz sentido sair de férias e ter que dormir em bancos desconfortáveis de aeroporto para esperar pelo voo. E esse retorno levaria 24 horas, céus! Liguei para a central de atendimento da TAM e enquanto falava com o simpático atendente, acabei conseguindo na opção ”solicitar outros voos” um voo direto, sem conexão entre Buenos Aires e SP. E foi aí que descobri que comprando pelo atendimento você paga 7% sobre o valor da passagem. No início do atendimento digital, é informado que existe uma taxa, mas não sabia que era tão alta! Agradeci e pedi desculpas ao atendente constrangida (eles ganham comissão), elogiando sua presteza, mas fui pro site e fechei. As duas passagens (4 trechos, sendo os internacionais na classe executiva) que sairiam por R$5.350, saíram por R$4.377, já com taxas de embarque. Ah, não se esqueça de incluir a assistência viagem. Ah 2: verifique com seu cartão de crédito se ele oferece benefícios como seguro viagem gratuito e até seguro de automóvel alugado. A economia é grande. Se você não tiver, faça seu seguro com a Mondial Assistance, que frequentemente oferece descontos para leitores do Mulher Casada Viaja. Mas você tem que entrar no site deles através do blog, clicando sobre o logo aí da direita (se estive em PC) ou lá embaixão (se estiver em smartphone).
Monte Fitz Roy, em El Chaltén, a 214 km de El Calafate
Monte Fitz Roy, em El Chaltén, a 214 km de El Calafate

 

  • li relatos de quem fez esta viagem em blogs e também em fóruns de viajantes como o do TripAdvisor. Anotei dicas de agências locais, de locadoras de veículos, de empresas que fazem traslados aeroporto-hotel, de sugestões de passeios. Obrigada Internet!
  • decidimos o roteiro:
    – dia 1: SP-Buenos Aires – El Calafate
    – dia 2: El Calafate: passeio no Parque Nacional Los Glaciares, onde fica a mais impressionante geleira do mundo, a Perito Moreno. Mini trekking sobre o gelo.
    – dia 3: retirada do carro alugado e viagem a Torres del Paine
    – dia 4: Torres del Paine
    – dia 5:Retorno a El Calafate e espero poder fazer algum passeio, como o caiaque no Upsala Glacier. Atualização pós viagem: o passeio ao Upsala leva o dia todo, então se você quiser, terá de deixar TdP de madrugada.
    – dia 6: bate-volta a El Chaltén (214 km)
    – dia 7: El Calafate-Buenos Aires (passeio na cidade devido a conexão de 8 horas, eba!) – SP.
    Assim como viajar às Rochosas Canadenses, imagino que o ponto principal desta viagem seja a vista das montanhas das estradas e as que estão escondidas nas curvas das trilhas. Olhando o roteiro, parece não haver muito o que fazer além de se alimentar da paisagem de montanhas, lagos, geleiras e, com sorte, alguns animais selvagens.
  • Programar os passeios foi o que deu mais trabalho. Li no TripAdvisor os passeios mais usuais e as agências que os organizam. Os websites das agências locais não têm ferramenta de reserva e foi frustrante enviar e-mails e não receber retorno.
  • Para as reservas dos hotéis, usei o Booking.com. Falarei sobre hospedagem nos posts de El Calafate e Torres del Paine. Atualização: agora o blog tem parceria com o Booking.com. Você reserva clicando no logo à direita (se estiver em PC) ou no final do blog (se estiver em smartphone). Não paga nada mais por isso e eu ganho uma comissão. É um gesto simpático em retribuição a todas as dicas que os blogueiros compartilham, não acha?
  • Reservei o carro com a Hertz. Como viajaremos da Argentina ao Chile, é necessário informar à locadora que você precisará de permissão para cruzar a fronteira (= papelada providenciada pela locadora e pagamento de taxa para isso – $120 doletas). Caso vá de carro a partir do Brasil, é preciso emitir a Carta Verde, para cruzar a fronteira entre Brasil e Argentina.
  • Sem querer fazer propaganda mas já fazendo, comprei roupas especiais para esta viagem na loja virtual da Decathlon: luvas (comprei uma que tem polegares e indicadores sensíveis ao toque de celulares), calça térmica, segunda pele, blusa quentinha segunda camada (fleece). Usarei uma bota forrada de pele e levarei um tênis de caminhada.
De caiaque entre icebergs!
De caiaque entre icebergs no Glaciar Upsala, em El Calafate

Bem, isso tudo foi o planejamento. Parece mais simples agora que está organizado, mas deu muito trabalho.

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