Grand Canyon

Eu Fui!
Eu tinha poucos livros em casa quando criança e os poucos que tinha, eu adorava ler e reler. Dentre eles, um  chamado Maravilhas do Mundo,livro-maravilhas-do-mundo-edmund-swinglehurst-14672-MLB2682162684_052012-F que eu folheava enquanto divagava se um dia conheceria  os lugares nele retratados.  O Grand Canyon era um deles,  então você pode imaginar que  a emoção que senti ao olhar aquela  imensidão foi em dobro.  A vontade era de gritar à beira de um de seus rims: I’m the queen of the world! Mas James Cameron nem conhecia Leonardo di Caprio naquela época…

grand canyon Yavapai Observation Station

Já faz tempo, foi em 1996 (as fotos foram escaneadas), então para escrever este post precisei fazer um bom exercício mental e uma pesquisa melhor ainda (rsrsrs). E recordar é viver, certo? Hum, que vontade de voltar…

Conheci o Grand Canyon numa viagem de 21 dias pelo Oeste americano, visitando Califórnia (várias cidades), Arizona (o Grand Canyon) e Nevada  (Las Vegas), que são estados fronteiriços.

Muita gente faz o percurso de 780 km entre Los Angeles e Las Vegas de carro e você deve lembrar de várias cenas de filmes em que marmanjos se mandam para Vegas para um fim de semana de bebedeira, sexo, drogas e jogos. Nós voamos de Los Angeles a Las Vegas, retiramos o carro alugado no aeroporto, curtimos a cidade dos cassinos e no dia seguinte dirigimos os 440 km até o Grand Canyon, fazendo um desvio só para rodar pela Route 66. A paisagem é desértica e só perto do parque nacional vai surgindo vegetação verde.  Feito o check in no hotel, nos dirigimos à entrada do Parque, estacionamos e aumentamos os passos em direção a um dos mirantes da Borda Sul, a mais visitada – e mais bonita.

É ele!
Descrever o que sentimos já é normalmente difícil. Descrever depois de tantos anos, então… Mas eu me lembro quando cheguei à beira do South Rim. Era final de tarde e não tinha muita gente. Havia um silêncio gostoso, que para mim parecia respeito diante da imensidão do Grand Canyon. Afinal, só o que se consegue dizer é: “Wow!” Mas é preciso viver o Grand Canyon, senão você diz “Wow! Que lindo, mas e agora?  Vamos embora?” E viver um pouco o Grand Canyon foi o que fizemos na manhã seguinte.

Pegando a trilha
Não tínhamos um plano. Naquela época, a Internet existia mais para mensagens do que para pesquisas, o Google nem tinha sido criado. Não conhecíamos ninguém que tinha ido ao Grand Canyon para nos dar aquelas tão preciosas dicas.  Ao chegar ao parque (o ingresso tem validade de 7 dias), visitamos as lojas e o Centro de Visitantes, compramos lembrancinhas, pegamos o jornal local, mapas e descobri que para fazer a trilha completa era preciso pernoitar em acampamento na parte mais baixa do Grand Canyon para seguir em direção ao Rio Colorado – e fazer isso com muuuuuita antecedência.

O início da trilha Bright Angel é marcado por um portal
O início da trilha Bright Angel é marcado por um portal. Homem Casado Viaja com sua VHS (rsrsrs)

Então resolvemos descer a Bright Angel Trail até onde aguentássemos, considerando que levaríamos o dobro do tempo para subir. A trilha é a mesma para quem vai a pé ou no lombo de cavalo. Foi assim que descobri porque nos filmes de cowboy eles tinham sempre um lencinho no pescoço (rsrsrs): o pó que sobe quando passa o grupo de cavalos é tanto que entra pelos seus poros, dificulta a respiração. Acrescente aí o calor de 37 graus, o clima de semi-deserto, a variação de altitude e o fato de não sermos hikers e você vai achar que somos meio malucos.

A Bright Angel
A Bright Angel

A trilha é bem estreita e você precisa se encolher para dar passagem a quem vem na direção contrária, como todas as trilhas que já conheci. Há alguns animais de pequeno porte pela trilha, mas tivemos a sorte de encontrar um bighorn sheep. Li que eles costumam ficar em locais mais remotos do parque nacional. Bem, acho que estávamos em um lugar remoto!

O bighorn sheep escapando de minha foto
O bighorn sheep escapando de minha foto
Grand Canyon eu na trilha
Pochete é bem brega, mas é prático numa trilha! kkkk

Grand Canyon Bright Angel Trail

Enquanto você desce, vai observando a mudança da paisagem e principalmente da cor das paredes de terra. Depois de três horas eu já estava satisfeita com a vista, pois estávamos bem lá embaixo. Hora de subir.

Olha, estávamos bem
Três horas depois, estávamos bem “lá embaixo”

Eu tinha 27 anos e tudo é mais fácil com 20 e poucos anos. Mesmo assim, no dia seguinte meu corpo doía. Voltamos mais uma vez ao parque e procuramos uma vista diferente, em outros mirantes, cujo nome infelizmente não me lembro. Fizemos um picnic e dirigimos de volta a Las Vegas.

grand canyon picnic

Leia (em Inglês) fórum no TripAdvisor sobre quem fez a trilha.

PRÁTICAS RÁPIDAS

Sobre o Parque
O Grand Canyon tem três rims: North e South, que ficam dentro dos limites do Parque Nacional e a 440 km de Las Vegas. O primeiro é o mais famoso e o mais visitado. O Grand Canyon West está a 195 km da cidade cassino, onde fica o SkyWalk, a estrutura de vidro em formato de ferradura sobre o Grand Canyon, oficialmente fora do Parque Nacional e dentro de uma reserva indígena.

Um site (em Inglês) que faz um comparativo de atividades, relevo, paisagem, hotéis, distância, etc., entre South, North e West Rim é este aqui.

A Josi, do blog Uma turista nas Nuvens fez um bate volta a partir de Las Vegas e conheceu o West Rim. Clique aqui para ler as dicas dela.

O desenho abaixo mostra a entrada do parque (South Rim) e a região de Tusayan, onde ficam os hotéis mais próximos, fora do Parque Nacional, onde nos hospedamos.

map2large

Localização
Estado do Arizona, no Oeste norte-americano.
Grand Canyon map

Como chegar

✈ há voos a partir de Los Angeles (média de 500 dólares) e Las Vegas (média de 300 dólares, com conexão em Phoenix), chegando a Flagstaff (a 130 km do South Rim), onde você pode contratar tours para o Grand Canyon caso não queira alugar um carro.

🚄 pela Amtrak, a empresa ferroviária americana, de Los Angeles (CA) a Flagstaff (AZ), que faz o percurso em 10h30. Bilhetes aqui.

 🚗 a partir de Las Vegas: pegue a US 93 South. Você vai passar pela Hoover Dam, a represa do Rio Colorado, mega obra de engenharia. Planeje a viagem com tempo para conhece-la ou ao menos pare para fotos. Continue na US 93S e perto de Kingman você terá a chance de dirigir um trecho da mítica Route 66. A Route 66 vai cair novamente na I40. Se não ligar para isso ou se estiver com pressa (esse desvio aumenta a viagem em cerca de 1 hora), vá direto pela I 40 East. Depois você entra à esquerda na AZ-64, sentido Norte, que vai dar na entrada do Parque Nacional Grand Canyon.

Leia dicas sobre como dirigir na Flórida, que podem ser úteis em qualquer parte dos Estados Unidos neste post.

Hospedagem
Há seis tipos de hospedagem para quem quer ficar dentro do parque nacional, borda Sul, e todas podem ser reservadas (com muita antecedência) através deste site.

Nós ficamos do lado de fora do Parque Nacional, a 10  km da entrada do parque, na US 180, no Grand Canyon Squire Inn, que tem boa estrutura para quem viaja com crianças, com piscina, boliche, sala de jogos, arcadia (jogos eletrônicos), pois à noite não há muito o que fazer, caso você não esteja exausto demais para dormir.

Permanência
Duas noites é o ideal. Bate-e-volta a partir de Las Vegas, só se você odiar belezas naturais e quiser olhar para o canyon e dizer “Legal, agora vamos!”, mas mesmo assim a viagem é longa. Se quiser praticar esportes ou fazer a trilha completa, vá aumentando os dias.

Como circular por lá
De carro ou nos ônibus gratuitos que circulam pelo parque e pela região hoteleira de Tusayan.

Compras
Não sei como é hoje, mas em 1996 as lojas do Centro de visitantes tinham as lembranças clássicas: camisetas, bonés, cantis, ímas, cartões postais, CDs de música indígena, livros sobre o Grand Canyon – a pochete que eu estava usando na trilha (rsrsrs).

Beijos e vá ao Grand Canyon!

Um comentário sobre “Grand Canyon

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