Airbnb: dá para confiar? Como escolher um imóvel para alugar

Esta semana rodou nas redes sociais denúncia de uma brasileira que havia alugado um apartamento em Berlim pelo mais famoso site de aluguel de imóveis para turismo ou temporada, o Airbnb. Para sua infelicidade – e nossa inquietação -, alguém entrou no apartamento e revirou suas malas, roubando uma quantia considerável em artigos pessoais, como bolsas e roupas. Não bastasse esse transtorno, a moça alegou que o Airbnb não se responsabilizou pelo ocorrido.

No ano passado o mesmo tipo de imagem rodou pelas redes, tiradas em hotéis de Orlando e a cada dia mais fotos e depoimentos de turistas que tiveram suas malas reviradas em seus quartos durante sua ausência apareciam. É muito bom que tenhamos esses meios de comunicação para saber que essas coisas podem acontecer e acontecem, assim a gente se lembra de pesquisar mais. Porque viajar dá trabalho, mesmo. É preciso pesquisar, ler avaliações, depoimentos de quem já se hospedou no local, em fontes diversas. Segundo comentário da própria moça, ela não se lembra das avaliações no site da Airbnb de pessoas que teriam alugado o referido imóvel antes dela. Então, é preciso pesquisar, moça!

Mas…

Esta semana também correu a notícia de que um proprietário de restaurante foi ameaçado, por e-mail, a receber avaliações negativas no TripAdvisor caso não contribuísse financeiramente com o chantageador, autor da mensagem. Então é bem possível que muitas avaliações do mais famoso site de Viagens sejam falsas, principalmente a partir do momento em que o TripAdvisor premia seus avaliadores com pontos de programas de fidelidade. Muita gente vai escrever sobre lugares que sequer visitou só para somar pontinhos. A culpa não é do TripAdvisor, mas vamos concordar que foi muita inocência achar que isso não aconteceria. E todo mundo sai perdendo. Acredito que para recuperar sua credibilidade, o TripAdvisor deveria tomar alguma medida, talvez oferecer aos restaurantes e estabelecimentos hoteleiros um código que seria entregue ao usuário do serviço que, se quisesse, poderia fazer a avaliação no site, evitando-se, assim, avaliações fantasma. Ou seja, mesmo pesquisando, é possível que a gente não tenha garantida a qualidade do serviço ou, no caso do Airbnb, a segurança de entrar num imóvel de terceiros.

Quanto ao Airbnb, existe um seguro incluso na anuidade que se paga ao anunciar o imóvel, então não entendo como o site de eximiu da responsabilidade, como relatado. Mas eu concordo que o site não é muito fácil de navegar e que as informações desse tipo não são exatamente claras, tanto para o viajante quanto para o proprietário.

Recentemente tive minha primeira experiência em aluguel através do AirBnB e aproveito para contar para vocês.

Como escolher um imóvel pelo AirBnB

1. Antes de mais nada, pesei as vantagens e desvantagens desse tipo de hospedagem, comparando-a com hotel, não necessariamente em ordem de importância:

Pontos positivos: maior espaço; possibilidade de fazer algumas refeições leves como café da manhã; experiência maior da realidade e modo de vida locais; menor preço.
Pontos negativos: não há serviço de limpeza para períodos curtos; não inclui café da manhã, como alguns hotéis; sensação de insegurança maior do que em um hotel, pois muitas vezes não há porteiro ou recepção, nem cofre no imóvel. Mas acho que o que dá mais insegurança é o fato de que qualquer hóspede mal intencionado pode fazer uma cópia da chave e entrar no imóvel enquanto você estiver fora. Não quero aqui assustar ninguém, mas é uma possibilidade, não? De qualquer forma, fora o dinheiro da viagem, não temos itens de valor, como roupas ou bolsas de grife. Já dizia Bob Dylan: “Quando você não tem nada, não tem nada a perder”.

2. Enquanto colocava esses pontos na balança, fiz a pesquisa no site do AirBnB, levando em conta custo, localização, equipamentos (secador, TV, WiFi, aquecedor ou ar condicionado, etc.) e estado do imóvel. Escolhi somente apartamentos com feedback de pessoas que os tinham alugado, e vários comentários. Isso me deu maior segurança.

3. No site não aparece o endereço exato do imóvel, apenas a localização aproximada. Então entrei em contato com o proprietário do apartamento escolhido e trocamos várias mensagens, sempre através do AirBnB, para que todas as conversas estivessem registradas lá. Ele me passou o endereço e através do Google eu avaliei a região e a rua em que o imóvel ficava, observando se era escura ou abandonada, se havia restaurantes e comércio por perto, etc.

4. Batemos o martelo e eu efetuei o pagamento com cartão de crédito pelo AirBnB. O proprietário só recebe a quantia depois da data do check in.

5. O proprietário me enviou um email com mapa, opções de como chegar ao imóvel a partir do aeroporto e algumas informações sobre o bairro, como sugestão de restaurantes na redondeza.

Como foi minha experiência no apartamento alugado pelo AirBnB

Chegamos em Viena já passava das 20h. Do aeroporto, enviei uma mensagem para o proprietário para combinar a entrega das chaves. Quando paramos em frente ao prédio, ele nos esperava. Ajudou com minha mala (o prédio não tinha elevador), deu as informações sobre WiFi e aquecedor e estávamos por nossa conta. Ficamos um pouco incomodados com a ausência do cofre, que sempre usamos para guardar o dinheiro da viagem, mas não tivemos nenhum problema. Desconfiados que somos, elegemos um esconderijo para o dinheiro. Nesses tempos de IOF de 6% sobre o cartão de crédito e dólar flutuante, acabamos usando cash nas viagens.

O apartamento de 55m² estava tal qual aparecia nas fotos do site, com exceção da cozinha que estava meio sujinha para os padrões brasileiros. Por isso acabamos não fazendo nem um café, o que foi frustrante.

apartamento AirBnB Viena
Sala do “nosso apartamento” em Viena

A roupa de cama e banho estava limpa e havia reserva no armário. O proprietário deixou sabão em pó, pano e produtos de limpeza caso precisássemos. Havia uma grande variedade de panfletos sobre Viena em uma mesa. A cama não era das mais confortáveis, mas o padrão de meu maciômetro é alto 😉. O chuveiro era bom, apesar de o box ser muito pequeno, mas isso também encontramos em hotéis europeus, não é?

O prédio era antigo, provavelmente do início do século XX ou final do XIX. O hall era lindo, com sancas e pinturas no teto e acabamentos nas paredes, lustres de cristal e pastilhas originais da época da construção no chão. O apartamento trazia uma decoração mais atual e clean, e tinha janelas altas e pé direito de uns 4 metros, eu acho. Todos os equipamentos funcionavam perfeitamente e com exceção da cozinha tudo estava limpinho. O bairro era bem silencioso, apesar de bem localizado, numa paralela da Mariahilfer, pertinho do Museumsquartier. Durante o dia a luz entrava pelos janelões que eu tanto gosto das cidades europeias.

O hall do prédio do "nosso apartamento"
O hall do prédio do “nosso apartamento”

No check out, como partimos muito cedo, combinamos de deixar a chave do apartamento na sua caixa de correio. Simples assim. como você pode ver, é uma relação acima de tudo de confiança, algo em que temos desacreditado muito por causa dos muitos desonestos que andam por aí e principalmente por aqui.

Avaliação final de nossa opção pelo Airbnb 
Como gosto de interagir com pessoas de outras culturas, fiquei um pouco decepcionada, pois pensei que a interação com o proprietário ou com vizinhos seria um pouco maior. Eu e meu marido somos do tipo Faça Você Mesmo e não nos incomodamos em arrumar nossa cama ou passar uma vassoura para recolher os cabelos do banheiro, então o serviço de limpeza do hotel não fez falta. Não tivemos nenhum problema com segurança. Nunca usamos piscina ou salas de jogos de hotéis, ou serviços de concierge , então não nos fez falta esta falta de estrutura. De modo geral, se pensar que foi mais barato que hotel, valeu a experiência e eu repetiria.

Então, dá para confiar no AirBnBComo?
Gosto de pensar e preciso sempre lembrar que existem mais pessoas boas do que más no mundo e que ninguém vai entrar no apartamento no meio da noite para nos assassinar. Nossa, você não tinha pensado nessa possibilidade, te deixei com medo agora? rsrsrs

Se você fizer pesquisa direitinho, lendo feedback de quem já ficou por lá e acreditando na sua intuição, acho que dá para confiar, sim.

Baseio esta avaliação na minha experiência e nos muitos blogs que leio em que as pessoas alugaram no Airbnb e não tiveram problemas. Por outro lado, acabo de encontrar um site criado para que hóspedes e anfitriões lesados de alguma forma pudessem deixar seus comentários sem censura, e é natural que qualquer um que ler vai ficar com o pé atrás. O site é em Inglês: http://www.airbnbhell.com

No mais, infelizmente resta acionar os meios legais caso algo inesperado aconteça, como pode também ocorrer em um hotel ou numa companhia aérea ao ter as malas roubadas, por exemplo.

 

 

 

7 comentários sobre “Airbnb: dá para confiar? Como escolher um imóvel para alugar

  1. Naide Silva novembro 16, 2015 / 2:14 am

    Gosto muito do que escreve. São informações muito legais. Mas, se você puder me fazer um esclarecimento…. Viajei , em Abril deste ano, para Londres e Paris. Fiz reserva de hotel pelo Booking. Como nunca tinha ido à Europa, não sabia que seria descontada uma taxa assim que fosse feita a reserva. Foi- me afirmado pela empresa que este dinheiro seria ressarcido.Todos os dois hotéis seriam pagos no check-in. Em Londres, o hotel afirmou-me que o Booking me reembolsaria. O que não aconteceu. Em Paris , o hostel fez o desconto da taxa na hora do check-in.
    É esta a prática do Booking ?
    Obrigada, Naide ( Rio de Janeiro).

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    • mulhercasadaviaja novembro 16, 2015 / 11:16 am

      Oi, Naide, obrigada por acompanhar o blog. Não sei a que tarifa exatamente você se refere. Existe um imposto municipal cobrado por noite e por pessoa em hotéis na Europa, que não está incluso no valor ofertado pelo Booking, será que é isso? Talvez você se refira ao valor da acomodação, ou seja, a tarifa que aparece no site do Booking. Note que há tarifas variadas. Em geral, as mais caras te dão direito a cancelamento sem custo e você paga somente no check in. Os preços melhores normalmente não permitem cancelamento (devolução do valor pago) e a cobrança é automática, no momento da reserva. Um ícone azul com a letra “i” ao lado do valor da tarifa esclarece sobre o tipo de tarifa.
      Espero ter ajudado. Abraços!

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  2. Carina novembro 16, 2015 / 10:47 pm

    Adorei as dicas do seu blog! Vi que foi a Bariloche recentemente e que já postou alguns posts, gostaria de saber quando vai publicar oa outros, estou planejando viajar pra lá ano que vem e suas dicas são valiosas!

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    • mulhercasadaviaja novembro 17, 2015 / 6:18 am

      Oi, Carina. Obrigada e seja bem vinda! Você já leu todos os posts de Bariloche? Rsrsrs faltam 6 que me comprometi escrever. Com essa crise, vou viajar menos e então retomar as viagens passadas. Mas se você tiver alguma pergunta, faça nos comentários do post sobre Bariloche que te ajudo no que puder. Abraços!

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