Dolomitas: guia para planejar sua viagem

A Itália tem uma longa lista de cidades e locais tombados como Patrimônio Mundial pela Unesco, a maior da Europa, com nomes manjados como Verona, Florença e Pisa, que entram nos sonhos e planos de todos os brasileiros que desejam visitar o país da bota pela primeira vez. As Dolomitas, cordilheira nos Alpes Italianos, acabam entrando na lista de pessoas que praticam esportes de inverno ou curtem um clima mais frio ou que, como eu, adoram uma paisagem montanhosa ou são trilheiros. Uma pena, porque mesmo para quem aprecia os contornos destas montanhas e as curvas de suas estradinhas da janela do carro este é um destino fantástico, que poderia ser incluído no roteiro de quem vai a Milão, Verona ou Veneza.

Rifugio Auronzo
Rifugio Auronzo

Este post traz informações complementares a outros já publicados a respeito da minha viagem à Itália em junho de 2016 e no final dele você encontra os links.

Localização
Sabe onde fica Veneza, na região Vêneto? Cerca de 200 quilômetros ao Norte você já está em Cortina d’Ampezzo, no coração das Dolomitas. Mas a paisagem alpina começa já em Belluno, ainda na província de Vêneto, e se estende mas a Oeste, até a província de Trentino Alto Ádige.

A região Tentino-Alto Ádige, no Norte da Itália
A região Tentino-Alto Ádige, no Norte da Itália


Passeios e roteiro pelas Dolomitas
No post anterior, você encontra o roteiro detalhado de 3 dias nas Dolomitas, descrevendo os pontos mais legais para paradas. Deixo aqui sugestões de outros lugares que não conheci. 

Ainda na região que explorei (Misurina, Cortina, Gardena, Funes e Siusi), outros pontos literalmente altos são o Glaciar Marmolada, que pode ser visto da estrada 641, atrás do Lago di Fedaia, e o Passo Pordoi na 48. Os lagos me decepcionaram, mas conheci poucos, então talvez tenha sido isso. Ou talvez seja porque os lagos das Montanhas Rochosas Canadenses sejam imbatíveis e qualquer comparação, injusta. Um lago bonito aonde se chega por uma trilha relativamente fácil é o Sorapiss.

Conhecer os museus da Primeira Guerra Mundial e ao mesmo tempo caminhar no alto das montanhas é possível, pois alguns dos museus são trilhas, chamados Museu a Céu Aberto, o mais famoso no Rifugio Falzarego, pegando a gôndola para Lagazuoi. Clique aqui para informações.

Museu I GM (3)

Depois de explorar essa região, ainda tem montanhas e vales para além da cidade de Bolzano, como San Genesio e Sopra Bolzano. 

Já que chegou até ali, numa esticadinha até Merano você viverá como um nobre: repousará seus pés cansados de trilhas nas Termas de Merano e apreciará o Castelo Trauttmansdorff. 

Castelo e Jardins em Merano
Castelo Trauttmansdorff e Jardins em Merano
E para se despedir das montanhas, nada melhor do que passear pelo centro histórico de Trento , cidade com vista para as montanhas!

Como Chegar às Dolomitas
🚗 As Dolomitas estendem-se por 200 quilômetros de Leste a Oeste, então é preciso definir sua porta de entrada, que pode ser:

  • a partir de Veneza, chegando a Cortina d’Ampezzo, na parte Leste das Dolomitas;
  •  a partir de uma das cidades a Oeste das Dolomitas, como Bolzano ou Trento, chegando a Siusi.

🚅 Não há trens percorrendo as Dolomitas de Leste a Oeste, mas há opções para chegar lá de transporte público e depois contratar passeios ou alugar um automóvel. Por isso, tenha programado o aluguel do automóvel para escolher o bilhete, pois nem todas cidades dispõem de locadoras. Eis algumas linhas que pesquisei e cujos bilhetes podem ser adquiridos online na Trenitalia. Todas as viagens levam cerca de duas horas e os valores foram pesquisados em Abril/2016:

  • de Innsbruck na Áustria até Bolzano (estava nos meus planos iniciais um bate volta antes de incluir a Toscana na mesma viagem): € 35
  • de Verona a Bolzano: € 12
  • de Veneza a Calalzo di Cadore-Cortina: € 12
Mapa das linhas férreas no Norte da Itália
Mapa das linhas férreas no Norte da Itália. Dentro do ovo, as Dolomitas

Milão é a cidade italiana com voos diretos partindo do Brasil mais próxima das Dolomitas e por isso deixo informações de como chegar a partir dela até Val Gardena, na parte central da cordilheira:

🚍 de ônibus: Duas companhias fazem a rota do Aeroporto Malpensa até Val Gardena: Busgroup.eu e Alto Adige Bus
🚅 de trem: comprar bilhete na Trenitalia até Bolzano e de lá um ônibus. Informações aqui.

Dolomitas
a região de Val Gardena, nas Dolomitas

 

Que estradas escolher
Este era um ponto preocupante para mim, porque eu não queria correr o risco de escolher uma estrada nas Dolomitas para ir do ponto A ao ponto B que fosse menos cênica que outra. Confesso que embora eu não tenha guiado por todas as estradas, é impossível cometer este erro porque para onde se olhe se avistam as montanhas. Basta sair da autoestrada e rodar pelas SP e SS, as estradas estreitas, sinuosas, cheias de cotovelinhos fofos dobrados a 180º. Mas o roteiro que fiz passa pela chamada Grande Estrada das Dolomitas, que vai de Cortina a Bolzano.

A Grande Estrada das Dolomitas
Em Passo Giau

Hospedagem
Há inúmeras possibilidades para todos os bolsos e estilos, desde campings, refúgios no alto das montanhas (concorridíssimos), B&B, hotéis-spa, a lista é longa. Como só usaria o hotel para banho e dormir, escolhi pousadas e hotéis econômicos, sem piscinas ou spas, pensando também nas interações sociais que estes lugares propiciam. Ficamos em dois pontos das Dolomitas: no Lago Misurina, a Leste, e em Funes, a Oeste, sobre os quais falarei em futuros posts. Veja o custo do Hotel Sorapiss e da Pension Sass Rigais no Booking.com, onde sempre reservo meus hoteis. 

Quintal da Pension Sass Rigais
Quintal da Pension Sass Rigais. Nada mal, né?

Trekking
Caminhar pelas montanhas nas diversas trilhas existentes é a principal atividade para quem não vai às Dolomitas para esquiar.  As trilhas têm vários níveis de dificuldade e a primeira a ser construída, a Via delle Dolomiti 1, foi traçada nos anos 1960, e até os anos 1980 outras 9 foram acrescentadas. O quadro abaixo traz informações sobre cada uma delas.  Você notará que há dois nomes para cada uma delas, um alemão e um italiano. Se você não tem familiaridade com trilhas ou dispõe de pouco tempo, saiba que não é preciso fazê-las completas, eleja apenas um trecho.  Fonte.

Nº da Trilha Nome Início Final Distância Duração
AltaVia 1 Via Classico Pragser Wildsee / Lago di Braies Belluno 150km 13 dias
Alta Via 2 Via delle Legende Brixen / Bressanone Feltre 185km 15 dias
Alta Via 3 Via dei Camosci Toblach / Dobbiaco Longarone 120km 10 dias
Alta Via 4 Via Grohmann Innichen / San Candido Pieve di Cadore 90km 8 dias
Alta Via 5 Via di Tiziano Sexten / Sesto Pieve di Cadore 100km 10 dias
Alta Via 6 Via dei Silenzi Sappada Vittorio Veneto 190km 14 dias
Alta Via 7 Via di Lothar Pateras Pieve d’Alpago Segusino 110km 11 dias
Alta Via 8 Via Panoramica Brixen / Bressanone Salurn / Salorno 160km 13 dias
Alta Via 9 Via Transversale Bozen / Bolzano Santo Stefano di Cadore 180km 14 dias
Alta Via 10 Judikarienhöhenweg Bozen / Bolzano Lago di Garda 200km 18 dias

Agora, se você acha caminhadas de 13 dias light demais, pode querer escalar as montanhas pela famosa Via Ferrata. Eu nem me atrevi a pesquisar, mas achei este site sobre o assunto em meio a minhas pesquisas.

Ah, que delícia!!!
Ah, que delícia!!!
E este é pelo jeito o melhor guia de trekking nas Dolomitas, indicado em vários blogs que li. E neste site das Dolomitas você encontra um mapa de trilhas na região de Cortina.

Como minha intenção inicial era “trecar” solo, pesquisei algumas agências que gerenciavam o transporte, as reservas e as caminhadas, uma britânica e uma espanhola. Também tem agência no Brasil. 

Deixo claro que não tenho indicação e não utilizei nenhum destes serviços, pois viajei de forma independente. Os links de agências e serviços de transporte são apenas fruto de minha pesquisa do planejamento desta viagem.

Passe para os Lifts (gondolas ou teleféricos)
Se você vai ficar na região de Cortina para fazer trilhas a pé ou de bike, existem passes de 3 a 7 dias que dão acesso a todos os teleféricos da região, pois as melhores trilhas estão no alto das montanhas. Acesse este site para ver os preços atualizados.

O cable car que leva a um ponto ainda mais alto: Bullaccia
Teleférico em Alpe di Siusi

Língua e Cultura
Quando se viaja para grandes centros urbanos, podemos observar o modo de agir, falar, comer das pessoas em metrôs, ruas, praças e restaurantes, mas como nas Dolomitas não há concentração de gente, na minha breve passagem pela região não consegui sentir a cultura local e as únicas marcas foram uma atendente vestida com trajes tiroleses e as sinalizações indicativas de cidades que vinham em uma língua estranha, diferente, o ladino – além do italiano e alemão. Já dei essa dica em outro post, mas vou repetir: familiarize-se com os nomes dos lugares que quer ir nestas três línguas, porque ficará mais fácil ler as placas e decidir se vai virar adestra ou sinistra.

Mas fiquei curiosa e fui pesquisar: não são poucos os que falam ladino nessa região: 30.000 habitantes ainda escrevem e falam a língua que perdeu o status de dialeto e oficializou-se como terceira língua oficial na região das Dolomitas, sendo ensinado nas escolas.

Para saber mais

Websites oficiais
Auronzo di Cadore e Lago Misurina
Belluno
Cortina d’Ampezzo
Sobre as Dolomitas 

Dolomitas Alpes italianos
Lago Misurina
Geologia

Esta é para os nerds de plantão! Se quiser saber sobre a formação das Dolomitas, clique aqui!


Um pouco da historia das Dolomitas
Desde a Guerra da Independência Italiana de 1861, quando a Itália passou a ser um Estado, a fronteira entre Áustria e Itália estava em disputa e com a Primeira Guerra Mundial as Dolomitas viram sangrentas batalhas. Dezenas de milhares de soldados morreram de 1915 a 1918, não apenas em combate, mas também em avalanches e pela exposição aos elementos naturais como nevascas e frio – e, imagino, fome. Embora os Italianos estivessem em maior número, os Austríacos conseguiram as melhores posições estratégicas e tomaram o Monte Lagazuoi onde hoje fica o museu.

E depois de tanto sangue derramado, foi num tratado em Paris em 1919 que se decidiu o riscado da fronteira Áustria-Itália, quando a região das Dolomitas passou a pertencer à Itália, como prêmio pela Itália ter virado a casaca e se aliado à Tríplice Entente (aliança entre Inglaterra, França e Império Russo). Claro que a coisa é complexa e envolve interesses territoriais e econômicos, então este é só um resumão para unir pontos como cultura tirolesa-fronteira-museu de guerra.

WebCams
 Encontrei sites que dispõem webcams de vários pontos das Dolomitas, que ajudam a ver se já tem neve, se está chovendo, céu azul, etc.
– webcams da região de Auronzo e Lago Misurina (perto de Cortina d’Ampezzo)
– webcams de várias regiões das Dolomitas

Posts Relacionados às Dolomitas (clique sobre os títulos)

 

 

 

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5 comentários sobre “Dolomitas: guia para planejar sua viagem

  1. Diego 25 de outubro de 2016 / 8:11

    Bom dia!! Pelo que vi tem que usar trem para bolzano e de lá usar o ônibus, certo? No ônibus para cortinha é 3hrs. Minha dúvida é, da pra aproveitar so de onibus? essas vistas maravilhosas não é acesso so de carro?

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  2. pauloparaluppi 14 de fevereiro de 2017 / 7:41

    Ola Márcia, tudo bem? Estou pensando em fazer uma viagem pela Itália e tenho grandes expectativas em relação a região das Dolomitas. Vc acha que Bolzano é uma boa base para conhecer a região de carro? Por que vc deixou o Lago di Braies de fora do seu roteiro? Obrigado, Paulo.

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    • Marcia, blogueira do Mulher Casada Viaja 14 de fevereiro de 2017 / 15:30

      Oi, Paulo. Tenho certeza que suas expectativas serão atendidas!
      Olha, eu preferi ficar em 3 lugares diferentes, mesmo tendo o incoveniente de chek in/out e carregar malas, porque assim fiquei em lugares no meio das montanhas. Bolzano é uma cidade com estrutura, mas você vai percorrer vários quilômetros até chegar a Leste, perto de Cortina e bate-voltas ali são cansativos. Quanto ao Lago di Braies, foi falta de tempo, mesmo. Vai ficar pra uma próxima.
      Abraços

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