Dia de chuva em SP: visita ao Teatro Municipal

Um bom filminho, seja na telinha ou na telona, sempre é uma alternativa para os dias chuvosos, ainda mais se você está com filhos em casa, de férias. Mas uma hora cansa, assim como esta chuva que cai em SP há mais de um século – quer dizer, uma semana. Minha filha já fez todos aqueles programas de férias: Aquário de SP, Catavento, Pinacoteca, Jardim Botânico, Museu da Imigração, só pra citar alguns dos urbanos, então era hora de ir ao centro velho e apresentar a ela o Viaduto do Chá, o Vale do Anhangabaú, o parque Dom Pedro, a Praça Ramos de Azevedo, e o passeio terminou no nosso lindo Teatro Municipal.

Desde muito tempo eu tinha curiosidade de conhecer o teatro por dentro e desde dezembro um post-it na geladeira marcava dias e horários de visitas guiadas. Minha lista de resoluções para 2017 também marcava fazer algo novo ao menos uma vez ao mês (a de 2016, de fazer algo novo uma vez por semana, furou…), então fiquei satisfeita de o post-it não ter nem tido tempo de perder a cola! Conto neste post como foi a visita.

e sua inspiração, a Opera Garnier de Paris
e sua inspiração, a Opera Garnier de Paris

Como agendar a visita guiada no Teatro Municipal de São Paulo
A dica maior é chegar no período da manhã e deixar seu nome na lista, dirigindo-se ao guichê da direita que fica na porta à esquerda da fachada do Teatro (na da direita tem um café/restaurante). Você então opta pelo horário ou se encaixa em um que ainda esteja disponível. Chegamos por volta das 12h30 e fizemos parte do grupo das 15h. No dia em que fomos, o agendamento finalizou por volta das 13h, pois não havia mais vagas. As incrições abrem às 10h.

Outra coisa: não é possível conhecer o teatro de outra forma, apenas por visita guiada – e eles controlam o grupo o tempo todo, para que não haja nenhum desgarrado perambulando por ali.

Horário das Visitas Guiadas
De terça-feira a sexta-feira: às 11h, 15h e 17h
Sábado e feriados: às 11h, 12h, 14h e 15h

Duração do tour: 60 minutos

planta baixa do Teatro
planta baixa do Teatro

Como é a visita guiada ao Teatro Municipal
Todos aguardam no pequeno saguão da bilheteria e uma fila se forma diante da porta lateral que dá acesso ao saguão nobre, onde os nomes da lista são conferidos. O grupo é separado em uma média de 15 pessoas por guia e cada grupo começa a visita em uma área diferente do teatro. O nosso começou pela plateia, onde nos sentamos e ouvimos as explicações históricas sobre a construção do teatro, influências arquitetônicas, retrato da sociedade da época e depois a guia respondeu a perguntas e abriu espaço para fotos.

plateia Teatro Municipal

De todas as informações, o que mais me marcou foi a divisão de classes: nas poltronas hoje forradas em vermelho (as cadeiras eram soltas e de palhinha, perdendo em acústica) sentavam-se os barões do café e figuras proeminetes, os únicos autorizados a entrar pelo portão central e a usar o salão nobre no segundo andar. No balcão (primeiro e segundo andares) ficavam os profissionais liberais, como advogados, médicos e professores (note que era um lugar para ver e ser visto, pois o guarda corpo é vasado e ricamente adornado). Nos dois superiores, a galeria, que não aparecem na foto, ficavam os comerciantes e imigrantes, ou seja, na galeria, a galera.

palco do Teatro Municipal de São Paulo
O palco

Minha impressão: a acústica é excelente e se ouve qualquer ruído vindo de qualquer parte. O palco é muito grande e tem a mesma profundidade que o espaço destinado à platéia (que achei pequeno) e como a cena acontece por trás das colunas, a visibilidade para quem está nas laterais é bem ruim. O teto me decepcionou um bocado. Depois de ficar com torcicolo admirando Chagall na Opera de Paris, fica difícil se entusiasmar com pintura tão inexpressiva. Juro, as nuvens, por exemplo, parecem ter sido feitas por uma criança! E é uma pintura clássica, mitologia grega…

o teto da plateia
o teto da plateia

De lá seguimos para o porão, que na reforma de 1980 desaterrou cerca de 1 metro da base (dá pra ver a diferença nas colunas robustas de granito) e hoje é possível ficar em pé. Os arcos de tijolos formam um jogo visual bonito e a guia explicou que se usou apenas areia, conchas trituradas e óleo de baleia como argamassa. O espaço servia apenas como sustentação da estrutura e para ventilação – uma ventilação refrigerada pelas águas do rio do Vale do Anhangabaú cujo funcionamento a guia não soube explicar. Recente licitação para exploração do espaço foi vencida por uma rede de bares de jazz que vai se instalar ali com a desafio de não apenas atrair público para o castigado centro velho, mas instalar um bar num espaço tombado onde não se pode fincar um prego. Apesar dos tubos de ventilação, o cheiro de umidade é bem forte, e esse pode ser outro problema para eles resolverem.

o porão com seus arcos
o porão com seus arcos

Subimos as escadas e fomos para o saguão nobre, parando diante da escadaria para fotografá-la antes das explicações da guia.

A escadaria do saguão nobre
A escadaria do saguão nobre

O mármore da escada veio da Itália, assim como as duas figuras femininas (tocheiras). Fiquei impressionada com a manutenção dos degraus, pois em teatros e museus da Europa é comum vê-los bem desgastados por pisadas.

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já no segundo andar, seguimos para o salão nobre, onde eram realizadas festas e eventos para a alta sociedade.

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O piso não foi restaurado porque a madeira usada foi extinta, então os irmãos Campana foram convidados a desenvolver este tapete para forrar e proteger o que resta do piso original.

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Uma das portas que se abrem para o terraço na Praça Ramos de Azevedo
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Ora pois!

Bem, eu não contei o que a guia explicou para não spoilar sua visita, mas gostei das informações, da organização e da abertura para responder a perguntas. Visita gratuita de um grande monumento da cidade, só tenho elogios!

As fotos foram feitas com meu celular, pois fui pro Centro justamente pra comprar uma nova lente para minha câmera…

Mais informações no site oficial do teatro. 

 

 

Teatro Municipal de Sao Paulo/Municipal Theatre of Sao Paulo

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