Museu do Café na parada de Cruzeiro em Santos

As cabras é que sabem das coisas. Diz a lenda que um pastor etíope notou que seus bovídeos ficavam mais alegres e saltitantes depois de comer os grãos de um determinado arbusto. E assim começa a historia do café pelo mundo! Neste post conto sobre nossa visita ao Museu do Café, na cidade de Santos-SP.

Mesmo que você não seja do Estado de São Paulo, sua historia está entrelaçada com a cafeicultura: edifícios, ferrovias, modernização de portos, casarões na cidade e nas fazendas, o próprio teatro Muncipal de São Paulo, literatura, muito do desenvolvimento de São Paulo se deve à riqueza produzida nos cafezais espalhados pelo interior do estado de São Paulo, sul de Minas Gerais e norte do Paraná. A cidade de Santos nasceu e desenvolveu-se graças à construção do porto de Santos, necessário para o escoamento da produção. O café mais que merecia um museu para contar sua trajetoria e o charmoso prédio da Rua XV de Novembro, construído em 1922 especialmente para abrigar a então Bolsa Oficial de Café, foi escolhido. Os pregões negociavam o valor das sacas de café e aconteceram até a décade de 1950, quando os negócios se transferiram para a capital de São Paulo. O lindo edifício passou por um período de abandono e degradação até que o governo do estado de SP o assumiu e iniciou o restauro.

A fachada do Museu

Segundo a ABIC (Associação brasileira da Indústria do Café), ‘o hábito de tomar café foi desenvolvido na cultura árabe. No início, o café era conhecido apenas por suas propriedades estimulantes e a fruta era consumida fresca, sendo utilizada para alimentar e estimular os rebanhos durante viagens. Com o tempo, o café começou a ser macerado e misturado com gordura animal para facilitar seu consumo durante as viagens. Em 1000 d.C., os árabes começaram a preparar uma infusão com as cerejas, fervendo-as em água. Somente no século XIV, o processo de torrefação foi desenvolvido, e finalmente a bebida adquiriu um aspecto mais parecido com o dos dias de hoje. A difusão da bebida no mundo árabe foi bastante rápida. O café passou a fazer parte do dia-a-dia dos árabes sendo que, em 1475, até foi promulgada uma lei permitindo à mulher pedir o divórcio, se o marido fosse incapaz de lhe prover uma quantidade diária da bebida. A admiração pelo café chegou mais tarde à Europa durante a expansão do Império Otomano.’

ahaha, divórcio por causa de café… adoro Historia, mas leia mais lá no site da ABIC, aqui eu conto sobre a visita ao Museu do Café, lembra?

Já fazia tempo eu queria andar de bondinho pelo centro antigo de Santos e visitar o Museu do Café e o momento perfeito veio quando desembarcamos do cruzeiro pela costa brasileira num sábado de uma manhã ensolarada. Visitamos o Museu, passeamos de bonde para observar as fachadas azulejadas das casas centenárias – muitas das quais estão urgentemente precisando de um sério restauro, é de chorar! – almoçamos num restaurante com música ao vivo e comida tradicionais de Portugual, tudo em poucas horas. Lembrei de minha ultra mega blaster rápida visita a Lisboa numa conexão…

Ao entrar você é convidado a deixar seus pertences num armário (gratuito). Assim que passamos pela entrada, vemos o imponente saguão onde aconteciam os pregões, que à época da fundação do Museu, em 1998, era a única área aberta a visitação. Seus olhos certamente serão direcionados a 3 pontos: ao vitral, às telas de Benedito Calixto e ao piso de mármore, mas veja-o melhor do segundo andar (quarta imagem abaixo). 

O vitral  ‘ A Epopeia dos Bandeirantes’ , de Benedito Calixto
A Inauguração da Vila de Santos, em 1545 retratada por Benedito Calixto

A primeira sala de exibição possui uma estufa com algumas espécies de café e objetos relativos ao processo do cultivo.

Não cheguei a assistir ao filme “Mãos do Café”, exibido no cineminha ao fundo da sala.

Painéis com mapas, imagens e textos contam a trajetoria do café no Brasil e no mundo na segunda sala, ainda no térreo.

 

No andar superior, a exposição também permanente “Praça de Santos” é bastante emocionante, com objetos e relatos de trabalhadores envolvidos na cadeia da produção, cujas vozes você pode ouvir em estações com fones de ouvido. As que mais me marcaram foram das costureiras dos sacos de café e do homem que trabalhou como provador de café.

objetos usados pelo provador de café. A bacia acima era onde ele cuspia o café

Se você gosta de arquitetura, vai adorar a exposição com detalhes sobre a construção do prédio e até ferramentas e esta é uma área bastante interativa e educativa, principalmente para as crianças.

O terraço pode ser visitado. À esquerda, vêem-se as gruas do Porto de Santos
E lá você pode carregar umas sacas…

Uma parte divertida, principalmente para os “mais grandinhos” (leia-se mais velhos) é a exposição temporária de propagandas de café publicadas em jornais e revistas de SP e RJ do período de 1900 a 1950. 

Um detalhe interessante é que o museu oferece cursos para baristas, cuja inscrição é feita no próprio site do Museu do Café.

Antes de ir embora, não deixe de tomar um café na cafeteria do Museu, que fica ao lado da entrada/saída. O destaque fica por conta do café mais raro, o Jacu Bird, que tem esse nome porque é produzido com as fezes do pássaro jacu depois que ele come e defeca os grãos. Talvez você tenha visto esta historia numa cena do filme Antes de Partir (The Bucket List), com Morgan Freeman e Jack Nickolson.

A cafeteria do Museu do Café

Dê uma olhada na lojinha de souvenirs, onde você pode comprar café, xícaras, entre outros.

O ingresso custa R$ 10,00 e funcionários e estudantes da rede pública do Estado de SP pagam meia entrada. Aos sábados a visitação é gratuita.
Acho o valor já tão baixo e ainda têm que oferecer gratuidade aos sábados? A gente acaba gastando mais ao tomar café na cafeteria do que com o ingresso, cuja renda poderia ir para um fundo para a manutenção do prédio, por exemplo. Acho que isso é desvalorizar demais a cultura. Detalhe: fomos num sábado e o museu estava bem vazio. Triste.

 

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16 comentários sobre “Museu do Café na parada de Cruzeiro em Santos

  1. Viajento 18 de julho de 2017 / 15:13

    Interessante conhecer a história. Imagino que hoje em dia ainda existam casos de divórcio por café mal preparado. Tem um pessoal que leva isso muito a sério, haha!

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  2. 1001dicasdeviagem 23 de julho de 2017 / 8:37

    Meu marido é barista, então o que não falta em casa é café rss.. Brincadeiras à parte, ainda não conheço pessoalmente este museu, mas além de lindo parece ser muito interessante. Adorei a dica!

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  3. Pollyane Martins | www.diariodepolly.com | 24 de julho de 2017 / 7:16

    Gente! Não acredito que fui a Santos e perdi essa dica! Achei o prédio a coisa mais linda e adoraria suuuper visitar um museu da bebida que mais tomo na vida, depois de água, claro! hehe. Ah, sobre o café que aparece no filme “Antes de Partir” é o de civeta (luwak coffee) e não o de jacu. Adorei essa ideia de ter uma cafeteria no final do tour, afinal, é tudo que vc vai querer fazer mesmo! Obrigada por compartilhar a dica. Beijo!

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  4. quartodeviagem 24 de julho de 2017 / 7:40

    falou em café é comigo mesmo, me deu vontade de conhecer esse museu, é muita história!

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  5. Vickawaii 24 de julho de 2017 / 19:59

    Que bacana! Não sei se incluiria esse museu em um roteiro heiehu, mas achei o prédio super bonito e também, sou fã de café ❤

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  6. Gisele Rocha 25 de julho de 2017 / 20:25

    GENTE! Esse museu foi feito pra mim, eu adoro café, tomo mais café que água nessa vida. O post está muito informativo e essa curiosidade sobre o pastor que ficava reparando no rebanho mais feliz e contente depois de comer café me deixou mto surpresa. Não duvido de nada!

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  7. Keul Fortes Ana Raquel 25 de julho de 2017 / 22:43

    Uau! Que post lindo. =) Fiquei fascinada com essas fotos. Parabéns! Fiquei bem curiosa para conhecer esse lugar.

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  8. Paula Abud 26 de julho de 2017 / 1:25

    Que legal, Márcia! Eu desconhecia sobre o Museu do Café em Santos, acredita? Achei incrível, café é algo que faz parte da gente rsrs Já quero conhecer mais, adoro histórias e curiosidades.

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  9. Deisy Rodrigues 26 de julho de 2017 / 1:31

    Visitei esse museu faz muitos anos,me marcou bastante a beleza do prédio, deu saudade de andar de bondinho, tô achando que preciso voltar pra Santos, seu post me deixou nostálgica. Adorei as curiosidades sobre o café, aliás adoro não vivo sem.

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