Atacama: guia do deserto mais lindo do mundo!

Euzinha no deserto mais lindo do mundo!

“Mas o que você vai fazer num deserto?”, perguntou um amigo que certamente não tinha visto todas as imagens lindas que bombaram nas redes sociais  dos blogueiros nos últimos tempos e me deixaram maluca para ir ao Deserto do Atacama, o mais árido do mundo e com paisagens lunares, lagos e salares. Como eu tenho uma listinha de apenas 20 lugares para conhecer antes de morrer, venho acrescentando outros destinos ao sabor de novos desejos. Vai que ao acabar a bucket list a gente bate as botas! Bem, o Atacama não estava na lista, mas como eu disse as paisagens tocaram forte, assim como a curiosidade de estar no deserto mais seco do mundo e com o céu mais limpo do mundo. E confesso que foi o roteiro mais fácil de montar da minha vida. Muitos superlativos, né? Já disse que eles estariam presentes nos posts sobre o Atacama quando relatei o passeio pelos Vales da Lua e da Morte. Fica aqui que eu conto mais: quando ir, hospedagem, preços, um super guia pra você já chegar a San Pedro sabendo muito!

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Cerro Tronador: lagos, geleiras e vulcão em Bariloche

Lago Nahuel Huapi ao amanhecer, às 9h
Lago Nahuel Huapi ao amanhecer, às 9h

Nosso fiel escudeiro, o motorista do remisse Jose, nos deixou em frente ao Centro Cívico, para que eu pudesse fotografar o nascer do dia. Como valeu a pena ficar no frio daquela manhã de fim de junho observando as cores do céu em tons pouco comuns, pelo menos para quem como eu mora em SP. Apesar disso, o dia se revelou cinzento e frio e o passeio ao Parque Nacional Nahuel Huapi para ver a geleira negra do Cerro Tronador não rendeu fotos tão lindas como poderia, então não desanime de fazer o passeio tendo por base as fotos. E escolha um dia de sol, se possível. Ele trará mais cor a tudo.

Bariloche dicas
Beleza natural, sem filtro

O passeio tem início às 9h e como toda excursão, tem aquela parte chata de pingar de hotel em hotel, mas como era apenas uma van, ou seja, poucas pessoas no grupo, não perdemos tanto tempo. O caminho é sem grandes atrativos e logo cruzamos a portaria do Parque Nacional, onde devemos pagar a entrada. Um funcionário do parque entra no ônibus e cobra a taxa de 100 pesos por pessoa. Crianças abaixo de 12 anos não pagam. Eu já visitei parques nacionais no Brasil, Chile, Canadá e nos Estados Unidos e agora, na Argentina, foi o único país em que a cada dia que entrei precisei pagar uma nova taxa. E não recebemos nenhum mapa, nenhum panfleto. Nada. Perguntei à guia e ela disse que há algum tempo já não distribuem mapas na entrada.

A entrada do Parque Nahuel Huapi
A entrada do Parque Nahuel Huapi

A van faz algumas paradas para fotos em alguns pontos, como este da imagem abaixo, em que aparece em primeiro plano a rosa mosqueta, nativa da região e da qual você provavelmente já ouviu falar. Sua maior eficácia diz respeito à cicatrização, mas além de óleos há cremes, perfumes e até chá. Se quiser provar, vá em frente, mas eu não gostei.

Cerro Tronador passeio

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Rio Manso

Às 10h40 fazemos a primeira parada com estrutura de cafeteria e sanitários, em Los Rapidos, à beira do Rio Manso. A região é lindíssima e há trilhas que provavelmente são muito usadas no verão.
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Rio Manso Argentina
Rio Manso Argentina

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Ao meio dia paramos em um mirante em frente à Ilha Piuqué Huapi, que significa coração na língua mapuche, mas a forma só pode ser vista para quem se aventura na trilha de umas 8 horas de duração do outro lado do rio. O nome deste lindo lago da foto abaixo é Mascardi e sua ilha envolve uma lenda ao estilo Romeu e Julieta. Interessante como a temática de algumas historias se repete em diversos povos, mesmo com tantas diferenças culturais e regionais.  Dois jovens, Lilen e Ayopan, de tribos diferentes e inimigas se conhecem, se apaixonam, mas são impedidos de praticar seu amor. Resolvem então fugir, na primeira noite de lua cheia. Os guerreiros os perseguem e a jovem Lilen é atingida no ombro por uma flecha, caindo no lago. Desesperado, Ayopan salta para salvá-la, mas é atingido por outra flecha bem no momento em que a abraça. A flecha perfura o corpo do rapaz e atinge também o de Lilen, unindo-os pra sempre nas profundezas do lago, no exato lugar onde surgiu a ilha em forma de coração. Eu sempre gostei de lendas indígenas e acho delicioso ouvir uma assim, in loco.

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Por falar em historias e lendas, acho que ainda não contei em nenhum post sobre a origem do nome Bariloche, então vamos lá: essa região do lado Leste da cordilheira (ou seja, do lado argentino) era chamada de Vuriloche, que significa “gente do outro lado da montanha”, na língua mapuche. Assim como no Brasil há certa confusão entre os fonemas bassoura-vassoura, basculante-vasculante, Vuriloche acabou sendo registrada pelos colonizadores como Bariloche.

Panorâmica do Lago Mascardi
Panorâmica do Lago Mascardi e a Ilha Piuqué Huapi

Todo o percurso é feito em uma estrada estreita e de mão única, então no período da manhã só se guia em direção à geleira do Tronador e depois das 16h só se desce.

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Ainda no Lago Mascardi, algumas das vistas mais lindas de todo o passeio:

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Foto do mesmo ponto feita por Bruna e Victor (brasileiros que conhecemos por lá) em um dia ainda mais encoberto

Às 12h30 chegamos a Pampa Linda, onde há uma hosteria com a melhor vista do Tronador (sem contar a do Cruce Andino no lado Chileno, que é fantástica!), e de onde saem algumas trilhas. É ali que almoçamos. Você faz o pedido no balcão e recebe uma senha, que é gritada para que você retorne ao balcão e retire seu pedido. Se você assistia Sielfeld como eu, vai se lembrar do The Soup Man: “No Soup for You!”. Eu devia ter ouvido esse pensamento… Há poucas opções, como você pode ver na foto abaixo. Não dei sorte no pedido e acabei furtando uma empanada do maridão. Não sei como alguém pode errar ao fazer uma sopa de legumes! Sério, não tinha gosto de nada, eram legumes cozidos numa água sem qualquer tempero. Quando fui ao banheiro, outro susto: um dos sanitários estava sem porta e não havia água aquecida nas torneiras (desculpe, mas aqui isso não é luxo, é necessidade), ou seja, vi um monte de gente saindo do banheiro sem lavar as mãos. Também não havia toalhas para se enxugar as mãos e o sabonete era de barra. A Nojinho do Divertidamente apertou seus botões, mas eu usei assim mesmo. Afinal, sabonete líquido e espuminha são invenções mais recentes, sabe?

20150628-IMG_0487É comum haver propriedades particulares dentro dos limites de parques nacionais, que foram criados depois de essas famílias se estabelecerem ali, e é justo que não sejam expulsas de suas terras ou “indenizadas” (sei bem como acontecem essas indenizações). Mas se estas famílias se prestam a oferecer serviços aos turistas dentro de um parque nacional, deveriam seguir algumas diretrizes de higiene e qualidade.

Outra crítica ao parque é que achei injusto pagar 100 pesos por pessoa a cada visita. Em termos comparativos, a entrada no Yosemite Park na Califórnia ou no Grand Canyon custa US$ 30 por uma semana por veículo (e tem banheiro até na trilha Bright Angel). Para Torres del Paine no Chile, são US$ 66 por pessoa por três dias. Além disso, não vi um sanitário ou ponto de apoio ao turista administrado pelo parque nacional. Todos os pontos onde paramos eram particulares. Nem um mapinha foi entregue (esse eu não perdoo, adoro um mapinha – rsrsrs). Por outro lado, a estrada estava em bom estado, mas não entendo porque não pavimentá-la. Se você pensar, é muito custo para o retorno estrutural que o parque oferece.

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a bela vista em Pampa Linda
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Placa de trilhas saindo de Pampa Linda

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Às 14h retornamos à estrada e percebemos que o solo fica ainda mais escuro, devido à proximidade com o vulcão. São 7 quilômetros até chegarmos à geleira Ventisquero Negro. O Cerro Tronador é um vulcão, tem 3.491 metros de altura e possui três cumes: o argentino, o chileno e o internacional, que delimita a fronteira. Além disso, abriga sete geleiras e quando há desprendimento de gelo produz-se um som alto e grave como um trovão, daí o nome Tronador.

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Depois de ver geleiras como a Perito Moreno, no Sul da Argentina, e a Athabasca, no Canadá, a visão da geleira Vestiquero Negro não impressiona tanto, mas ela tem uma carta na manga: como a geleira se forma no vulcão, o gelo que se desprende se mistura à rocha vulcânica e produz este efeito marmorizado. Mas o que mais me impressiona quando visito geleiras é saber o quanto elas perdem em volume ao longo dos anos. Em 1942, a Vestiquero Negro alcançava a área onde hoje está o mirante, que agora é lago onde flutuam os icebergs.

Cerro Tronador e sua geleira

O nome em português da geleira é Geleira Negra
O nome em português da geleira é Geleira Negra

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Às 14h50 deixamos a geleira e fazemos o caminho de volta, desta vez sem paradas. Li em outros blogs que a partir deste ponto, se você não está em excursão, pode caminhar mais um quilômetro para acessar outro mirante.

Preços (em pesos argentinos em Julho/2015)
excursão: 560
entrada no parque: 100 por pessoa

Onde comprar
Como fizemos os passeios pelos lagos a convite da Turisur (não deixe de fazer, são lindos!), foi lá também que fechamos este passeio. Há duas lojas no centro de Bariloche: na Mitre 219 e na Villegas 310. Reservas podem ser feitas pelo site da Turisur, clique aqui. 


Avaliação
A guia demonstrou conhecer bem a flora e a história da região e respondeu prontamente às perguntas do grupo. A van estava limpa e aquecida, mas seus assentos eram muito estreitos e meu marido que é alto sentiu desconforto. O tempo nas paradas só é suficiente para fotografar rapidamente e ouvir alguma explicação da guia. Se quiser explorar, caminhar ou mesmo fotografar com calma precisará ir por conta. 
Muitos consideram este o melhor passeio de Bariloche. Talvez eu não tenha achado porque o dia estava muito fechado e frio e as cores dos lagos não estavam tão vívidas. Ou talvez porque para mim, conhecer um lugar é mais do que passar de ônibus, parar para fotografar e voltar ao ônibus. Se você é do tipo que fica satisfeito em ver, sem necessariamente vivenciar, a excursão te atenderá perfeitamente e você sairá dela mais feliz do que eu. O almoço certamente foi o ponto baixo.

Dicas
É sempre muito frio perto de geleiras, então agasalhe-se bem. Não é preciso roupas ou calçados impermeáveis se não estiver nevando ou tiver nevado.
🍔 Leve um lanche para almoço. A alimentação em Pampa Linda é realmente muito ruim.
📷 Se conseguir, sente-se à frente da van para ver a paisagem pelo vidro frontal e, principalmente, para descer primeiro e fotografar a paisagem antes que os mirantes se encham de gente.

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Hotel Llao Llao

Cruce Andino: de Bariloche a Puerto Varas

Uma viagem com 8 horas de duração, em que você sobe e desce em três embarcações diferentes e em três ônibus, mas não se trata de uma viagem para chegar a um destino. O objetivo é o caminho, a paisagem de lagos, vales, montanhas de picos nevados, floretas úmidas. Este é o Cruce Andino, a excursão que parte de Bariloche na Argentina com destino a Puerto Varas, no Chile. Ou o sentido inverso. Eu fiz este passeio de paisagens espetaculares a convite da Turisur, partindo de Bariloche numa sexta-feira, pernoitando duas noites em Puerto Varas e retornando a Bariloche no Domingo. Conto agora neste post minhas impressões.

San Carlos de Bariloche

Mas o que é o Cruce Andino?
Não se trata de um cruzeiro, pois como eu disse três ônibus (4, se contar o que leva ao ponto de partida) vencem a parte terrestre entre vales e montanhas. Veículos ou embarcações particulares não estão autorizados neste caminho, pois não há estrutura de estradas ou ferryboats, então a estrada de mão única é só para seu grupo, assim como a navegação em alguns dos lagos. Além de ser um caminho com paisagens deslumbrantes, é também histórico, porque era o único usado para se comercializar artigos do Pacífico e produtos patagônicos antes da construção da Ruta 40, uma espécie de Route 66, que cruza a Argentina.

Cruce Andino Bariloche
O percurso completo do Cruce Andino


Preparando-se
Como eu disse, o Cruce Andino pode começar em Bariloche ou em Puerto Varas (ou Puerto Montt). Em Bariloche é operado exclusivamente pela Turisur e em Puerto Varas pela Turistour.

passeios em  Bariloche
Loja da Turisur em Bariloche
Passeios em Puerto Varas
Loja da Turistour em Puerto Varas

Seja qual for a origem, o percurso e os pontos a serem visitados são os mesmos, mas no inverno, se você parte de Bariloche, não há luz suficiente no final do dia para visitar o Parque Nacional Vicente Pérez Rosales, no Chile. A solução é realizar o passeio em dois dias, pernoitando em Peulla no meio do caminho, ou fazer como eu fiz, ficando em Puerto Varas e fazendo o caminho de volta a Bariloche em outro dia. Custos de hospedagem e alimentação não estão inclusos no preço da excursão.

Você pode contratar o traslado hotel-Puerto Pañuelo (leia sobre a estrutura do Porto no post Puerto Blest e Los Cantaros), de onde partem as embarcações que navegam o Lago Nahuel Huapi ou chamar um remisse (tipo de taxi, comum e seguro). Há também ônibus público que chega até o porto. Leia sobre remisses, ônibus e aluguel de carro em Bariloche no Guia para Planejar sua Viagem a Bariloche.  O percurso até Puerto Pañuelo é muito bonito e é parte do Circuito Chico, uma excursão bastante popular em Bariloche e sobre a qual publicarei post em breve.

Bariloche o que fazer
Puerto Pañuelo no dia do embarque

E começa a jornada!
Ao chegar no porto, sua bagagem é identificada e colocada na esteira para embarcar e você só vai revê-la quando chegar ao hotel escolhido, seja em Puerto Varas, seja em Peulla. Por isso, carregue com você tudo o que for precisar ao longo do dia. Depois dirija-se ao guichê no prédio do porto para pagar a taxa de embarque (32 pesos em julho/2015) e aguarde a abertura do portão de embarque.Cruce Andino

Pegou o passaporte? Você precisará dele, pois cruzará a fronteira Argentina-Chile ou vice-versa. Esqueci o meu… Pois é, macaca velha relaxa e perrengue, here it comes! Eu também não tinha meu RG porque só carrego a Carteira de Habilitação. Coisas de quem vive em SP. Ainda bem que percebi logo ao receber a documentação da imigração, ainda no porto, a tempo de descer do barco. O pessoal da Turisur foi muito compreensivo e eu não precisei pagar a taxa de embarque novamente quando retornei para finalmente fazer o Cruce no dia seguinte. Obrigada, gente!

Às 10h o catamarã Victoria Andina zarpa para navegar o Nahuel Huapi em direção ao Braço Blest. O barco tem calefação excelente, sistema de som e vídeo, sanitários e cafeteria. Nesta primeira parte do percurso, que dura cerca de uma hora, você certamente vai querer alimentar as gaivotas que seguem o barco, então não se esqueça de levar biscoitos (simples, sem recheio) ou pão. E prepare-se para o frio do inverno com luvas, toucas e um quebra-vento. Logo ao entrar no Braço Blest, vemos a Ilha Sentinela, onde estão os restos mortais de Perito Moreno, grande herói dos parques nacionais e importante figura na demarcação da fronteira entre Chile e Argentina. O barco toca a buzina para prestar sua homenagem. E se você estiver imaginando onde foi que ouviu esse nome antes, ele está presente em ruas de Bariloche, nomeia uma cidade argentina, lagos e é mundialmente conhecido pela geleira que fica no sul da Patagônia Argentina, a (surprise!) Perito Moreno. Aproveite e leia sobre como foi caminhar sobre esta geleira no post Caminhando sobre o gelo. Quem sabe você inclui o Sul da Patagônia no mesmo roteiro?

Cruce Andino passeio em Bariloche

Pouco depois das 11h chegamos ao belo Puerto Blest, onde pudemos tirar algumas fotos. Há um hotel em frente ao porto que possui lanchonete e sanitários, uma praia e o Rio Frias, mas não há muito tempo para curtir o lugar (faça o passeio Puerto Blest para isso) pois o primeiro ônibus do dia nos espera atrás do hotel.

Rio Frias Bariloche Puerto Blest
O Rio Frias a poucos metros de desaguar no Lago Nahuel Huapi
Puerto Blest Bariloche no inverno
Puerto Blest

O ônibus é de modelo urbano, com bancos baixos, relativamente confortável, mas o percurso é bem curto, 3 quilômetros, e o sacolejo não chega a incomodar. O trajeto leva entre 10 ou 15 minutos e chega a Puerto Alegre, onde não há nada além da paisagem. E que paisagem!

Puerto Alegre Lago Frias Bariloche além da neve
Em Puerto Alegre pegamos o barco para navegar o Frias

Puerto Alegre fica em uma das pontas do Lago Frias, 770 metros acima do nível do mar, e foi locação do premiado filme Diários de Motocicleta, de 2004. É um lago menor, de águas caudalosas, de um tom de verde lindo e paisagem ímpar, inclusive avista-se dele o vulcão Cerro Tronador, com 3.491 metros de altura. O Tronador tem nove geleiras e algumas podem ser avistadas, principalmente na excursão Cerro Tronador.

passeios em Bariloche
Antiga sede do Parque Nacional no Lago Frias

O percurso neste lago de 70 metros de profundidade é bem curto, apenas 3 quilômetros, mas lindíssimo. Quando chegamos à outra ponta, em Puerto Frias, fazemos os procedimentos de saída da Argentina. Algumas malas são inspecionadas, aleatoriamente.

Passeios pelos Lagos AndinosPuerto Frias Cruce Andino Lagos Andinos

Bariloche dicas de viagem
Aduaneira argentina

Passaporte carimbado, às 13h nos despedimos da guia argentina e um guia chileno nos acompanha durante o percurso de ônibus de 1h30 até Puella. Antes de chegar a Puella, o ônibus faz uma parada bem na divisa entre Argentina e Chile, pouco mais de 200 metros montanha acima (900 metros acima do nível do mar) para fotografarmos.

Cruzar fronteira Chile e Argentina

Cruce Andino Argentina Chile

Tive a grande sorte de ter um guia tão bacana quanto o Guillermo. Sempre acreditei que para se tornar um bom profissional em qualquer área é preciso conhecimento, técnica, experiência, paixão para o trabalho, mas acima de tudo, dom. Guillermo não fez nada diferente dos outros guias, foi apenas ele mesmo, e isso é o que fez toda diferença. As orientações, informações sobre a paisagem, dados históricos eram passados num tom de voz agradável e pausado, o que permitia fácil compreensão do espanhol e principalmente interesse de quem está mais voltado à paisagem do que a números e fatos.

O ônibus segue em meio a um tipo de floresta denominada Floresta Temperada Pluvial, existente apenas em regiões de latitudes e longitudes diferentes como Estados Unidos (Califórnia, Oregon, Washington e Alasca), Nova Zelândia, Noruega, Tasmânia, Japão e Taiwan. Passa por campos de degelo como o da foto abaixo e por fazendas, que já existiam antes da oficialização da área como Parque Nacional.

como é o Cruce AndinoCruce Andino cruzando os Andes

Chegando na aduana do Chile, em Peulla, todas as malas e bolsas são inspecionadas e o guia explica o porquê: Chile fica entre a Cordilheira dos Andes a Leste e o Pacífico a Oeste. Estas condições, ao mesmo tempo em que isolam o país, contribuem para a ausência de pragas e doenças provenientes de outros países que pudessem afetar a agricultura, então nenhum alimento in natura pode passar pela fronteira. Eu já falei sobre isso quando cruzei a fronteira Argentina-Chile no post De El Calafate a Torres del Paine.

fronteira Chile Argentina
Peulla é um vilarejo a 76 quilômetros de Puerto Varas e de poucos habitantes. Além da aduana, tem uma escola para atender as poucas crianças (5, segundo o garçom do hotel), o Hotel Natura e as atrações locais são passeios a cavalo, caminhadas e tirolesa. Fazemos uma pausa de 90 minutos para almoçar. Quem opta por fazer o Cruce Andino em dois dias, fica hospedado neste hotel e prossegue no dia seguinte ou outro determinado.

Hotel em Peulla Chile
Hotel Natura Patagônia

Peulla Chile Lagos Andinos

Cruce Andino onde comerApesar do isolamento de Peulla, os alimentos estavam frescos, mas não posso dizer que foi o melhor salmão ou truta que já comi. O atendimento é meio lento devido aos poucos funcionários, mas que bom não tornaram o almoço do tipo bandejão ou PF. O serviço é a la carte, apesar de estar todo mundo com pressa para seguir viagem. Veja os preços no final deste post.

Como eu fiquei de papo com um casal na hora do almoço, não tivemos tempo para explorar a região (sorry, Marcia e Ademir!), que tem uma paisagem bonita entre montanhas e o Rio Negro. Às 16h tomamos o ônibus até o porto no lindo lago Todos Los Santos, que tem esse nome por ter sido avistado no dia de Todos os Santos.

Peulla Lados Andinos
A estradinha que leva do Hotel Natura ao Lago Todos Los Santos

O lago tem uma cor impressionante (eu falo isso de todos, mas é porque cada um tem um tom diferente do outro e todos lindos).  A coloração de lagos de degelo é proveniente de partículas leves que se desprendem da rocha no degelo e, por serem leves, esses sedimentos ficam suspensos na superfície dos lagos.
O Lago de Todos Los Santos tem uma área de 178 km² e profundidade máxima de 337 metros (!)e está 150 metros acima do nível do mar. A maior parte dos lagos andinos são profundos assim pela formação glacial e processos vulcânicos, segundo a Wikipedia.

Cruce Andino Chile

Lagos Andinos Chilenos

Lago Todos os Santos Chile
O vulcão Puntiagudo
Osorno Chile Cruce Andino
O Osorno
Osorno no Lago Todos Los Santos
navegando o Lago Todos los Santos com o Osorno como testemunha

No inverno, o sol se põe mais ao Norte, e o Osorno fica em contra luz a maior parte da navegação. Acho que de manhã, no percurso Chile-Argentina, fica mais fácil avistá-lo, mas como chovia no dia em que fiz esse trecho, não tenho certeza. Pergunte na agência se fizer questão de boas fotos. Repare nas duas fotos abaixo: a primeira não está em contraluz e vê-se o verde esmeralda do lago. A segunda tem o vulcão Osorno, o porto, o Hotel Petrohue Lodge, mas nada do esmeralda.

Lago Todos Los Santos Chile
Port Petrohue, lago Todos Los Santos
Parques Nacionais Chile
Chegando a Petrohue

Tomamos então o último ônibus do Cruce, com destino a Puerto Varas, por volta das 17h30. O ponto mais afastado de Puerto Varas tinha as margens tomadas por cinzas deixadas pela erupção do vulcão Calbuco, em abril de 2015. Quando nós brasileiros ouvimos falar em cinza vulcânica, imaginamos cinza, ou seja, um pó fino. Sim, o pó fino existe, mas é levado pelo vento, tanto que chega a cidades distantes como Bariloche. Mas aqui , aos pés dos vulcões ativos, são pedriscos pesados. A terra é preta nas cidades e praias de lagos. Conversando com um senhor de Puerto Varas que tem um imóvel nesta região, ele disse que seu telhado desabou pelo peso dos pedriscos acumulados no teto da casa.

Puerto Varas Cruce andino
A caminho de Puerto Varas, as cinzas deixadas pelo Calbuco
Cabulco erupção
O Calbuco ainda soltando fumacinha, dois meses depois da erupção

E meu acordo com São Pedro de permitir cenas inesquecíveis, dignas de filmes, em minhas viagens continuou valendo. Olhem o por do sol que avistei no Lago Llanquihue! Obrigada, São Pedro!!!Puerto Varas Chile

O trajeto de volta a Bariloche
O Cruce Andino é pago por trecho e a volta só é gratuita se você é argentino ou chileno. Para os demais turistas, é preciso pagar nova tarifa e por isso nem todo mundo escolhe fazer o retorno por esta via. Mas eu queria ter a experiência completa para relatar aqui para vocês!

No Domingo, depois de um sábado com os pés em terra firme, o ônibus passou no hotel  de Puerto Varas (leia minha avaliação do Cabañas del Lago) quando ainda estava escuro. O céu estrelado e a lua cheia da noite anterior tinham dado lugar a um céu encoberto e eu sabia que São Pedro tinha outros pedidos a atender (rsrsrs).

Depois de pegar outros turistas sonolentos e de circundar um terço do lago Llanquihue, chegamos ao Parque Nacional Vicente Perez Rosales, em Petrohue para visitar as quedas d´água.

O ônibus parou em frente a algumas lojas de artesanato e estranhei pois precisamos acessar a trilha passando por dentro de uma delas. Estilo Disney de consumo? A trilha é toda de madeira e com corrimãos e logo no início tem um banheiro. Para circular sobre as quedas, há passarelas metálicas, mas estavam fechadas pelo acúmulo de cinzas do Calbuco (ainda!!!). Eu não fiquei muito impressionada com as quedas, mas sim com a cor da água. Além disso, em dias claros, atrás da queda da foto abaixo, naquele cinza do céu, avista-se o Osorno, o que deixa qualquer paisagem mais bonita.

Parque Nacional Vicente Perez Rosales Chile
Os Saltos de Petrohue

A guia nos disse para seguir a trilha e virar à esquerda, e mencionou que algumas trilhas estavam

cinzas do vulcão
A trilha coberta de cinzas

interditadas devido às cinzas do vulcão. Mas à direita, tinha indicação de uma trilha que dizia Enamorados e eu, que nem sou curiosa, fui por ela. Sim, ela estava coberta de cinzas, mas nada que impossibilitasse caminhar por ali, como você pode ver na foto ao lado.

Eu fui a única do grupo que seguiu a trilha da direita e por isso, além de conhecer os saltos, também vi o lago que parecia um cenário de sonho:

Lago em Petrohue Parque Nacional Vicente Perez Rosales
O lago em Petrohue que só eu vi

A foto abaixo em fiz depois de uma tentativa frustrada de fotografar meus pés sentada no corrimão da trilha. Claro que levei um tombo e que bom as cinzas estarem ali para amortecer a queda e evitar que minha câmera se espatifasse no chão – o que aconteceria algumas horas depois, dentro do barco… Estava escrito nas estrelas!

petrohue Puerto Varas
A lagoa esmeralda de Petrohue

As lojas ali têm artesanato de muito bom gosto, além de CDs, livros, mapas. Aproveitei para comprar ímãs de geladeira na lojinha e uma boneca mapuche de feltro que agora faz companhia para os outros objetos de povos nativos que tenho na sala de casa. By the way, já leu o post sobre decoração com suvenires de viagem?

Saindo de lá, em dez minutos o ônibus nos levou ao porto Petrohue para navegar o Todos Los Santos, parar para almoço em Peulla, ônibus novamente, Lago Frias, ônibus rapidinho, Puerto Blest, catamarã e Puerto Pañuelo, ou seja, todo o percurso de volta, igualzinho, mas totalmente diferente, porque chovia, porque nevara no ponto mais alto da estrada, porque quem volta já não é o mesmo que foi!

Cruce Andino com chuva
Com chuva, não se vê toda a beleza do lugar

 

Bariloche Puerto Blest passeio de barco
De volta a Puerto Blest


Preços
Baixa temporada (6 de abril a 30 junho): US$ 230.00
Alta temporada (6 de janeiro a 20 de abril; 1 de julho a 25 de dezembro):  US$ 280,00
Pico: 26 de dezembro a 5 de janeiro: US$ 300.00
Crianças até 2 anos não pagam e até 12 pagam 50%.

Não inclui a taxa de embarque (32 pesos), refeições e hospedagem.
Visite o site da Turisur para mais informações.

Refeição em Peulla, no Hotel Natura (preços em pesos chilenos em Julho/2015)
entrada carpacio: 5.000
porção de fritas: 2.500
filé de salmão, merluza e bovino: 7.700,  7.200 e 8.500
salada: de 3.200 a 4.900

Enfim, vale a pena fazer o Cruce?
Se você puder pagar o custo do Cruce, vale sim. É um dia completo de paisagens deslumbrantes onde também se aprende muito se você prestar atenção nas explicações dos guias. Além disso, uma boa parte do percurso não pode ser feito em automóveis ou embarcações particulares. E você não se preocupa com logística, aluguel de carro, taxa e documentação para cruzar fronteira, corrente de neve na roda do carro…

E quem não fizer?
Se você quiser conhecer alguns dos pontos do Cruce Andino, pode fazer em passeios que saem de Bariloche ou de Puerto Varas:

  • Para conhecer Puerto Blest e navegar o Lago Frias: compre o tour Puerto Blest e Los Cantaros com a Turisur. Não é possível chegar até lá de carro.
  • Também dá para avistar o Cerro Tronador do lado argentino fazendo o tour Cerro Tronador, vendido nas agências do centro de Bariloche.
  • Para conhecer as quedas de Petrohue, você pode contratar com alguma agência de Puerto Varas ou, se estiver de carro, dirigir até o parque pela Internacional 225. Mais informações no site oficial do Parque Nacional Vicente Perez Rosales.
  • Para cruzar os Andes entre Bariloche e Puerto Varas, siga a Ruta 40 saindo de Bariloche, passando por Vila La Angostura.  Depois de cruzar a fronteira com o Chile, continue por outras três estradas. Não se esqueça de verificar toda a documentação necessária para cruzar a fronteira com carro alugado (a locadora providenciará) e de que no inverno é obrigatório o uso de correntes nas rodas. Leve em consideração que não estamos habituados a dirigir em condições de neve e gelo.
O Cerro Tronador, no meio do Cruce Andino
O Cerro Tronador, no meio do Cruce Andino


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 Puerto Blest e Los Cantaros: o melhor passeio de Bariloche

– Primeiro Encontro com Bariloche
– Isla Victoria e Bosque de Arrayanes: Natureza e Historia em Bariloche
– Cerro Catedral: um templo para brincar em Bariloche
– Roupas de neve ou para Temperaturas Negativas
Cerro Tronador: Lagos, Geleiras e Vulcão em Bariloche

Em breve:
– Troquei de Casa! Bariloche, Fui!
– Bariloche: restaurantes e supermercados
– Vila la Angostura
– Circuito Chico: o tour mais popular de Bariloche
– Puerto Varas: o que fazer
– Hotel Llao Llao

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Roupa de neve ou para temperaturas negativas

“Magina, num é tanto frio!” . Tá, vai nessa! Eu não sei você, mas eu sempre acho que não vai estar tão frio ou tanto calor. Lembro de quando desembarquei no aeroporto de Las Vegas em pleno verão norte americano. Enquanto colocava as malas no carro alugado, falava comigo mesma: “mas de onde vem esse calor? Não pode ser do asfalto, aqui é coberto.” Bem, era o calor do deserto e era sempre aquele bafo de forno ao sair do hotel, dos cassinos protegidos pelo ar condicionado… O mesmo quando fui para as Montanhas Rochosas Canadenses e diante de um maciço de gelo em um cânion me perguntava porque ali era tão frio, a ponto de doer os ouvidos e a cabeça. Vai pra lá na primavera? Leve toucas! Estas foram minhas primeiras viagens internacionais. Agora já estou mais experiente e até consigo dar boas dicas! 😉

Se você vai enfrentar temperaturas negativas, saiba que nem todas as roupas de inverno que usamos no Sudeste do Brasil, por exemplo, são eficientes para suportar o frio de temperaturas negativas. A quantidade/qualidade de roupa que você precisará para se sentir aquecido ou aquecida depende da temperatura média corporal de cada um, então neste post eu coloquei uma média para temperaturas de até 2 graus negativos, que foi o que enfrentamos no inverno mais quente que o usual de 2015 em Bariloche. Mas há quem sinta muuuito frio. Outro dia esta foto rolou no FB e eu a achei tão verdadeira que resolvi compartilhar aqui, mesmo não tendo localizado a autora, para pedir permissão (o site parece estar fora do ar e não achei a página do FB):

Não é
Não é?

Antes de sair comprando roupas e acessórios, veja com familiares e amigos se eles podem emprestar casacos, botas e outros itens que você não usará com frequência. Não é fácil comprar botas, casacos e outras peças que ficarão guardadas no armário até a próxima viagem a um lugar frio, dá dó do dinheiro gasto. A solução é… viajar para lugares frios mais vezes! 😂

Falando sério, eu já listei minha busca por roupas apropriadas para neve no post Bariloche: passeios e check list e agora volto ao assunto com novas dicas.

Preciso mesmo comprar roupas especiais?


Calças
Você não precisa comprar calças especiais. Leve as mais quentes que tiver ou mesmo seu jeans, mas precisará usar uma térmica por baixo, como primeira camada. Se você for para um destino onde neva muito ou onde neva pouco mas você for subir montanha para brincar  na neve ou esquiar, precisará de calças impermeáveis. Em geral elas são forradas e aguentam bem o frio, permitindo que a gente se sente diretamente na neve sem congelar ou sentir a umidade. Você pode alugá-las ou comprá-las. Leia o post mencionado acima.

Eu com minhas roupas para neve
Eu com minhas roupas para neve

Casacos e Jaquetas
Casacos de lã são ótimos para usar à noite, quando for jantar ou não ficar exposto ao vento, neve ou chuva por muito tempo. Do contrário você precisará de uma jaqueta corta-vento e impermeável. Além disso, use uma malha ou fleece por debaixo da jaqueta ou do casaco.

Calçados
Seu tênis aguenta se você usar meias térmicas. SQN. Eu, por exemplo, sinto frio nos pés e além de um par de meias térmicas preciso de uma bota forrada de lã de carneiro. Os tênis de montanhismo são boa opção para quem não sente muito frio, mas confirme sua impermeabilidade.

Se você vai fincar os pés na neve acumulada, cuja altura ultrapassa a altura da sola de seu calçado, possivelmente seus pés ficarão úmidos se o calçado não for adequado. Aí é que entram as botas de neve, que são seladas entre o solado e a parte que cobre o peito do pé e calcanhar para que a umidade fique do lado de fora.

Dica esperta: eu aluguei uma bota de borracha própria para neve porque ia caminhar na neve fofa. Só que em alguns pontos a altura da neve acumulada chegava próximo a meus joelhos, ultrapassando a barra das botas. Resultado: entrou neve dentro da bota e fiquei com os dois pares de meias térmicas molhados. Tive que tirá-las para não congelar. Então a dica é: ao alugar a bota, verifique se os canos são rígidos ou maleáveis. Se forem maleáveis, use um par desses elásticos comuns para deixar os canos lacrados em sua panturrilha.

aluguel bota de neve
Camadas: meia, saco plástico, botinha de feltro, bota impermeável: tudo na loja de aluguel

Sua bota do Brasil pode ser usada quando não está chovendo ou  nevando ou quando você for ficar em ambientes internos. Eu usei no Canadá e fiquei preocupada com o quanto meus pés ficaram frios só pelo tempo de contato com o gelo acumulado enquanto vazia meu simpático boneco de neve. Sério, foi preocupante.

Fincando os pés na neve com botas comuns: bad idea!

Acessórios
Os cachecóis de lã que usamos aqui são suficientes para manter seu pescoço quentinho e isso é importante para evitar problemas de garganta.

Já os gorros ou toucas que temos não dão muito conta do recado por dois motivos: o vento gélido penetra pelos buraquinhos da malha de tricô. Por isso em países frios você encontra gorros forrados com um fleece. Estes sim resolvem o problema. Não se esqueça de verificar se elas cobrem bem as orelhas. Outra questão é a impermeabilidade. Se você ficar na chuva ou na neve, use o gorro da sua jaqueta impermeável por cima do gorro de lã. Uma dica é comprar uma touca de soft e usar por baixo do gorr de lã mais bonitinho.

Roupa para neve
Para as crianças, há jardineiras, que evitam o gelo entrar no vão entre a jaqueta e as calças

Meias térmicas são essenciais. Não adianta usar duas da convencional. São comercializadas em lojas especializadas em roupas para neve ou esportes de montanha e fazem toda a diferença. Eu só percebi quando cheguei em SP vestindo um par e comecei a sentir um calor danado nos pés! E olhe que era inverno aqui.

As luvas que temos servem se você não ficar exposto ao frio por muito tempo. Eu fiquei uma hora esperando por um ônibus em ponto coberto, com luvas de lã comum, e minhas mãos congelaram. Da mesma forma que existem gorros de lã forrados, existem luvas. Para manipular neve ou esquiar, você precisará das luvas especiais, que são bem grossas e impermeáveis. As luvas de couro também são boas por serem impermeáveis, mas não aguentam tanto o frio.

Não se esqueça de óculos de sol para subir a montanha nas estações de esqui e de protetor labial. Hidratantes também são importantes, já que regiões montanhosas costumam ter clima seco.

VISTA-SE COMO UMA CEBOLA, EM CAMADAS

O segredo de estar preparado/a para o frio é vestir-se em camadas. Além de te manter aquecido/a, é mais fácil para aguentar as mudanças bruscas de temperatura quando saímos de um ambiente interno e entramos em ambientes com calefação.

cmadas de roupas para o frio
Foto da Quechua


1a. camada: roupa íntima e segunda pele
A roupa íntima é a mesma que usamos, claro, mas o que é a segunda pele? São camisetas e calças térmicas com tecido especialmente desenvolvido para suportar temperaturas negativas. É como uma leggings, mas de fleece. Há modelos para ambos os sexos.

2a. camada: malhas
Como explica a foto acima, pode ser uma malha quentinha de lã ou cashmere que você tem em casa, mas há no mercado as de fleece, que esquentam bem apesar de serem leves e finas.

3a. camada: casacos e jaquetas
Os mais eficientes são as forradas com pena de ganso. O tecido é de nylon ripstop, o mesmo utilizado nos balões de ar quente, o que dá maior durabilidade. O mais legal é que são extremamente leves. O menos legal é que são extremamente caros.

Já reservou seu hotel? Eu sempre usei o Booking.com para fazer as minhas reservas. Gosto potque leio as avaliações de hóspedes, escolho a localização pelo mapinha loca que eles disponibilizam em cada página, vejo as fotos do quarto e do hotel, e escolho se quero pagar lá, em moeda local ou antecipadamente. Se você reservar clicando no link acima, o blog recebe uma pequena comissão que ajuda a pagar a taxa de manutenção, sem que você pague a mais por isso. E é uma forma simpática de retribuir todas as dicas legais.  

FAZENDO A MALA DE INVERNO
Com a alta do dólar, eu não tinha esperanças de encontrar bons preços no inverno 2015 em Bariloche, então levei tudo de casa para não usar aquela desculpa “minha roupa está suja, vou comprar novas”. Então procurei me garantir e agora sei que exagerei em alguns itens:
– segunda camada: não precisava levar tanta malha. Eu separei 8 peças para 15 dias, too many!
– casaco: mesmo os moradores locais não têm um monte de casacos, usam o mesmo praticamente todos os dias, variando os acessórios. Eu vesti um de lã para ir e ainda levei um na mala, uma bobagem. A jaqueta corta vento vermelha com fleece acabou sendo a mais usada mesmo – e a que me mantinha mais aquecida e seca. Se você acompanhar as fotos dos posts de Bariloche, vai notar que estou sempre com ela! – e do Chile, da Itália…

Também não sou a favor de perder tempo lavando roupa, a não ser que eu esteja num apartamento que tenha máquina que faça o trabalho enquanto eu tomo banho, por exemplo. Hotéis sempre cobram caro para fazer esse serviço e eu não sabia como seria lá em Bariloche, por isso levei tanta roupa.

roupa de neve
Quem tem roupa apropriada – e espírito jovem – pode brincar na neve!

O que senti falta: mais meias. Acabei não usando as meias-calças então as meias  foram super solicitadas. Uma só calça de fleece, primeira camada, além da meia calça, foi pouco, eu deveria ter levado ao menos duas.
O que levei demais: segunda camada. Apesar de ter levado uma montanha de malhas, só usei 3 ou 4, em 15 dias.

mala de inverno

o VacBag está disponível em 4 tamanhos. Paguei $20 no Grande
o VacBag está disponível em 4 tamanhos. Paguei $20 no Grande

Depois que a fiz foto acima, lembrei que não tinha colocado as calças (1 jeans, 1 lãzinha, 2 leggings grossas e 1 veludo) e acrescentei mais uma touca e mais um cachecol. Com tanta roupa, como fazer tudo caber na mala? Pode não ser novidade para muita gente, mas é um truque que não pode ser guardado em segredo! Spread the word: sacos fechados a vácuo. A marca mais famosa é Ordene. Ela vem com um lacre igual ao ziploc de embalagens de cozinha, e uma válvula. Coloque tudo dentro de um saco (ou dois, dependendo do tamanho dele), mas é importante que ele seja acomodado dentro da mala antes de você usar o aspirador para sugar o ar de dentro dele (pela válvula), pois assim o saco toma a forma da mala e você não perde centímetros preciosos. Além disso, depois de sugado ele vai estar tão rígido que você não conseguirá manipulá-lo.

ONDE COMPRAR ROUPAS, CALÇADOS E ACESSÓRIOS
Se você vai a um país com custo de vida acessível, deixe para comprar lá. Bariloche pode ter a moeda desvalorizada em relação ao real, mas achei tudo lá muito caro no inverno de 2015. Selecionei algumas lojas para você pesquisar online:

Fiero Shop 
BeneVento 
Decatllon
The North Face
Timberland

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Posts Relacionados a Bariloche (clique sobre o título para saber mais sobre a região)

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 Bariloche: Roteiro de Inverno
 Cabaña del Lago: um refúgio em Puerto Varas, Chile
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 Puerto Blest e Los Cantaros: o melhor passeio de Bariloche

– Primeiro Encontro com Bariloche
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– Cerro Catedral: um templo para brincar em Bariloche
– Cruce Andino: de Bariloche a Puerto Varas
Cerro Tronador: Lagos, Geleiras e Vulcão em Bariloche

 

 

Bariloche: roteiro de inverno

Pela visão brasileira, Bariloche é sinônimo de inverno, mas a alta temporada rola também no verão. Por isso o título roteiro de inverno. No verão as atividades são diferentes, pois incluem caminhadas e excluem brincadeiras na neve. E a paisagem muda conforme a estação, claro. No outono, os álamos tingem de dourado os lagos à beira dos quais estão plantados, criando um efeito ainda mais encantador e as árvores da base de montanhas, ou cerros, como eles dizem lá, ficam ferrugem. E a luz do outono, sempre tão especial…

Pois bem, segue o meu roteiro de 15 dias em Bariloche. Não, não foi muito tempo. Há anos não fazíamos uma slow travel, pra falar a verdade, acho que nunca tínhamos feito. Bariloche é perfeita para repor as energias: o sol surge depois das 9h, chove bastante e o frio te convida a ficar em frente à lareira olhando a neve lá fora. OK, isso só aconteceu porque eu tinha 15 dias, senão teria sido uma corrida contra o calendário, como sempre é. E nem falei da boa carne e do vinho mais acessível do que cerveja. E não há barreira de língua: a gente entende o espanhol e eles entendem nosso português, olha que coisa boa.

Não deixe de ler os outros posts com dicas práticas de Bariloche e Cerro Catedral, bem como o relato de cada um dos passeios. Os links estão no final deste post.

Roteiro

Segue meu roteiro de 25 de junho a 10 de julho, para você se planejar antes de ir a Bariloche e sugiro outras atividades que não fiz por preguiça ou porque estava gostando de “brincar de casinha” no apart-hotel em Cerro Catedral. Sem culpa.

Dia 1: viagem e chegada. Reconhecimento da Villa Cerro Catedral (nos hospedamos lá). Leia-se: ‘à procura de um restaurante aberto’.

Aeroporto de Bariloche
O aeroporto de Bariloche


Dia 2: dormimos bastante para compensar o alarme do relógio às 3 da manhã do dia anterior, descemos a cerrinha para o centro de Bariloche, caminhamos pelo Centro Cívico, lojas da Mitre e da San Martin e pegamos nossos vouchers na agência Turisur, pois no dia seguinte começariam as excursões lacustres.  

Centro Cívico e o Lago Nahuel Huapi
Centro Cívico e o Lago Nahuel Huapi


Dia 3: excursão de dia inteiro: navegação no Nahuel Huapi para Puerto Blest, Lago Frias e Cascata Los Cantaros.

Puerto Blest
Puerto Blest


Dia 4: excursão de dia inteiro: Cerro Tronador.

Ilha Piuqué Huapi, na excursão Cerro Tronador
Ilha Piuqué Huapi, na excursão Cerro Tronador


Dia 5: excursão à tarde: navegação no Nahuel Huapi para Isla Victoria e Bosque Arrayanes.

Vista do Mirante no Bosque de Arrayanes
Vista do Mirante no Bosque de Arrayanes


Dia 6: Ficamos na Villa Catedral e à noite jantamos no centro.

A avenida principal da Villa Catedral
A avenida principal da Villa Catedral


Dia 7: Nevou de madrugada e choveu a maior parte do dia. Acordamos tarde, almoçamos no centro, visitamos o Museu do Chocolate, passeamos no centro e jantamos no apart-hotel.

Capela São Eduardo
Capela São Eduardo

Dia 8: Passeio na Capela Santo Eduardo e no Hotel Llao Llao. À tarde subimos o Cerro Catedral
esqui em Bariloche

Dia 9: Cruce Andino: um dia inteiro de passeio por lagos e montanhas, cruzando os Andes.

Uma das cenas do Cruce Andino
Uma das cenas do Cruce Andino

Dia 10: Puerto Varas: enquanto não choveu, conheci a cidade e observei as nuvens e o vulcão Osorno brincarem de esconde-esconde. Depois assisti à final da Copa América 2015 no hotel, com os chilenos. Deu Chile.

Osorno: vulcão adormecido em Puerto Varas
Osorno: vulcão adormecido em Puerto Varas

Dia 11: Cruce Andino (retorno a Bariloche). Retirada do carro alugado.

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Quando o guia disse que temos belas praias no Brasil, mas não nessa cor, eu perguntei se ele conhecia Ilha Grande…

Dia 12: Dia de conhecer o sanatório, quer dizer, o hospital de Bariloche: estava com infecção urinária. Aproveitei pra ficar de molho por causa da torção no pé esquerdo quando caí na escada de um dos barcos do Cruce Andino. Não achei benzedeira em Bariloche (rsrsrs), mas por falar nisso, tem um tipo de loja que não é comum por aqui: santeria, que vende imagens, velas, crucifixos, terços… Fizemos compras no supermercado e à noite recebemos, para uma noite de vinho, pães e queijos, os proprietários do apart-hotel e a família do sobrinho do meu marido que estava em Bariloche.

Dia 13: Circuito Chico. À noite jantamos com um casal que conheci no Chile.

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Dia 14: Day trip a Vila la Angostura debaixo de chuva. À noite a família se reuniu no hotel onde estavam os sobrinhos.

Villa la Angostura
Uma das paisagens a caminho de Vila La Angostura

Dia 15: Nevou bastante e subimos o Cerro Catedral mais uma vez. À noitinha, cervejaria com a família.

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Gorro inspirado no filme Fargo

Dia 16: devolução do carro no aeroporto de Bariloche e viagem de volta ao Brasil.

⛄  ⛄ ⛄ ⛄ ⛄ ⛄ ⛄ ⛄ ⛄ ⛄ ⛄ ⛄

O que você pode incluir em seu roteiro que até entrou no meu, mas saiu de fininho:

  • Cerro Otto: subir ao topo, avistar o entorno e comer na confeitaria giratória que tem láCerro Otto
  • Cerro Campanario: Outra montanha que tem ascensão e faz parte do Circuito Chico

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  • Piedras Blancas: Além das brincadeiras na neve, tem um centro de esqui para iniciantes
  • Tomar um chá da tarde no Hotel Llao Llao

    20150702-LrMobile0207-2015-1229127747433819569
    panorâmica do salão de chá do Llao Llao
  • Subir o Cerro Bayo, em Villa La Angostura, para esquiar ou brincar na neve
  • Circuito Grande: Não o fiz por completo porque quando fomos a Villa la Angostura (dia 14), a primeira parada, choveu muito, então decidimos voltar a Bariloche.
  • Esticar até San Martin de Los Andes

Você não me perguntou, mas vou falar: se eu tivesse que escolher apenas uma atividade em Bariloche… ia ser dureza! Duas fica mais fácil: subir o Cerro Catedral e fazer o Cruce Andino.

⛄  ⛄ ⛄ ⛄ ⛄ ⛄ ⛄ ⛄ ⛄ ⛄ ⛄ ⛄

Links para posts relacionados a Bariloche (clique sobre o título para saber mais sobre a região)

– Bariloche: Passeios e Checklist
– Cabaña del Lago: um refúgio em Puerto Varas, Chile
– Puerto Blest e Los Cantaros: O Melhor passeio de Bariloche
– Isla Victoria e Bosque de Arrayanes: Natureza e História em Bariloche
 Primeiro Encontro com Bariloche

– Cerro Catedral: um templo para brincar em Bariloche
Roupa de Neve ou para Temperaturas Negativas
– Bariloche: Guia para Planejar sua Viagem
Cruce Andino: de Bariloche a Puerto Varas
– Cerro Tronador: Lagos, Geleiras e Vulcão em Bariloche

Em breve:
Bariloche: restaurantes e supermercados
Troquei de Casa! Bariloche, Fui!
Vila la Angostura
Hotel Llao Llao
Puerto Varas: o que fazer

Vai programar sua viagem a Bariloche? Pesquise seu hotel pelo site Booking.com, o mesmo que utilizo para fazer as minhas viagens. Leia as avaliações de hóspedes, veja as fotos do quarto e do hotel, a localização e faça sua reserva clicando aqui.

O blog também te ajuda com o seguro viagem, que inclui desde problemas de saúde a extravio de bagagem. Temos parceria com a Mondial Assistance, que oferece 15% de desconto para os leitores do Mulher Casada Viaja. É só clicar aqui e fazer seu orçamento para uma viagem tranquila e segura. O código para fazer valer o desconto é atualizado nesta página do blog.

Cerro Catedral: um templo para brincar em Bariloche

A penúltima vez  que subi uma montanha não foi brincadeira e não foi para brincar, mas eu a chamei de minha catedral. Estar frente a frente com Torres del Paine foi muito especial em todos os sentidos e é daqueles momentos que eu vou guardar para sempre. Por outro lado, subir a Catedral oficial, aquela em Bariloche, foi brincadeira de criança. Mesmo! E é sobre o Cerro Catedral, maior estação de esqui da América do Sul, que falarei neste post.

esqui em Bariloche

Cerro Catedral tem esse nome porque no seu topo há rochas que lembram, pela cor e forma, as torres de uma catedral gótica.  Óbvio dizer que a paisagem lá de cima é linda, e quem vai pela primeira vez não sabe se aprecia a neve, os lagos, as outras montanhas, então a dica é: só vá se o dia estiver claro, ensolarado. Outra dica: se não se importar com a vista, converse com os locais (da Villa Catedral) para saber se aquele é um bom dia para subir, pois às vezes está nublado ou até chovendo e lá no topo o sol está brilhando.

Cerro Catedral

Eu sinceramente espero que você que planeja ver neve pela primeira vez ou pisar no gelo acumulado por alguma nevasca passada esteja tão feliz consigo mesmo/a que não tenha vergonha de brincar como criança: faça guerra de bola de neve, role bolas morro abaixo na esperança de vê-las crescendo como nos desenhos da sua infância, prove a neve que cai fresca do céu, faça boneco de neve com nariz-cenoura ou não, faca anjinho, role morro abaixo, esquibunde. Se souber, pode até esquiar e praticar snowboard…

Não pode faltar!
Olaf na sua versão: não pode faltar!

Meus planos eram ambiciosos e otimistas: embora minha viagem a Bariloche estivesse programada para a última semana de junho e primeiro decêndio de julho, eu achava que sairia de lá com um histórico respeitável de tombos nas aulas de esqui. Nevou tão pouco que a temporada de inverno 2015 só começou mesmo na segunda semana de Julho e dos 15 dias em que fiquei por lá subi apenas duas vezes o Cerro Catedral. Não foi suficiente para que eu me entusiasmasse por tomar aulas de esqui, mas foi o suficiente para que eu saísse várias vezes de manhã, ainda de pijamas, para ver a neve caindo ou fotografar geadas e o efeito “tudo branco”.

neve em Bariloche
Em frente ao hotel, em Cerro Catedral

Importante frisar que meu hotel era na Vila de Cerro Catedral, cujas altitude e proximidade com a montanha permitem a moradores e turistas ali instalados ver a neve antes do pessoal que se hospeda em Bariloche. Essa foi minha sorte, pois durante a viagem, nevou bem poquito uma só noite na cidade de Bariloche. Lá a neve forte mesmo só caiu em 11 de Julho, quando eu já estava de volta a SP. Em Catedral, a proprietária do apart-hotel prometeu neve para o dia 6 de julho (dia no aniversário de seu filho mais velho) e dia 6 tivemos A neve! Para você que vai ou pensa em ir, ou mesmo que quer conhecer, organizei as dicas em tópicos. Cerro Catedral
Localização
Cerro Catedral está a 11 quilômetros do centro de Bariloche.
Como Chegar
A estrada que dá acesso à Villa Catedral e ao Cerro se chama Caminho a Cerro Catedral (rs) e começa no km 9 da Av. Bustillo, a que margeia o Lago Nahuel Huapi., sentido Península Llao Llao (Oeste). Não há iluminação e a estrada tem algumas boas curvas, mas nada assustador. O problema é que as faixas estavam bem desbotadas e não havia refletores como olhos de gato ou faixas verdes para neblina. Mas  fique tranquilo/a: acho que o Fernando Haddad, prefeito de SP, passou por lá, porque todo mundo dirige a 50 quilômetros por hora. Falando sério, é importantíssimo dirigir devagar no inverno, pois pode haver uma cada de gelo na pista e com isso é muito fácil perder o controle do carro. Ah, homem casado viaja pediu para informar que o farol baixo deve ser aceso mesmo durante o dia. Além do gelo, como toda serra, há neblina em alguns pontos, principalmente à noite. Se você vai direto do Aeroporto de Bariloche e não tem carro alugado, à esquerda do portão de saída da sala de desembarque, há um balcão de uma empresa de remisses.

a estrada de acesso a Cerro Catedral (sentido Bariloche)
a estrada de acesso a Cerro Catedral (aqui, sentido Bariloche)

Como Circular na base do Cerro
👣  A Villa Catedral é bem pequena e é possível fazer tudo a pé.

🚗  Se você não está hospedado na Villa, vai precisar de um carro se quiser maior mobilidade. Há uma avenida central, que é asfaltada, a continuação da Acesso a Cerro Catedral. As demais ruas são de terra ou pedriscos. O estacionamento é pavimentado na base da montanha e de terra, a alguns metros, na primeira rua à esquerda logo ao acabar a serra.

A avenida principal da Villa Catedral
O comecinho da avenida principal da Villa Catedral

🚏 Há dois pontos de ônibus na vila: um bem no início da avenida principal (abrigo verde à esquerda na foto acima) e outro já “dentro” do Cerro Catedral. Eu usei o ônibus para o Cerro uma vez, saindo do centro cívico e quase virei picolé. Uma hora de espera pela linha 55 que segue pela  Av. E. Bustillo. Há uma outra linha que segue pela Av. de los Pioneros, pararela à Bustillo, mas este ônibus precisa ser tomado no ponto anterior ao Centro Cívico (sentido aeroporto). O bilhete custa 10 pesos (15 se for para Puerto Pañuelo), mas dinheiro não é aceito. Compre o cartão SUBE (25 pesos), encontrado em kioskos como o Milka, a vaca lilás. Lá no Cerro tem. O kiosko e a vaca. Mesmo, a turistada adora tirar foto com a vaca lilás.

ponto de ônibus em Cerro Catedral
ponto de ônibus em Cerro Catedral

🚕 Em vez de taxis, todo mundo usa remisses. São motoristas que cobram preço fechado para ir de um ponto ao outro da cidade, ou seja, não há taxímetro. Há ponto de remisses ao lado do ponto de ônibus no Cerro. Mas se você quiser uma indicação, quem nos atendeu enquanto não estávamos de carro foi o Jose e seu telefone é o 4299002. Do Cerro ao centro de Bariloche, o remisse custava 250 pesos no inverno/2015.

Hospedagem
Eu já falei sobre o quanto gostei de ficar em Cerro Catedral no post Primeiro Encontro com Bariloche, mas é importante deixar claro que há inconvenientes. O transporte não é fácil e mesmo se você estiver de carro, tem estrada para encarar na volta da noite em Bariloche, se for o caso. Fora da temporada, tudo fica fechado e você precisará se deslocar até o centro de Bariloche até para comer.  Talvez por isso muita gente alugue imóvel por lá, fazendo suas próprias refeições. Na Villa Catedral há vários apart-hotéis, pousadas, cabanas e um hotel que fica ao lado do lift, o Pire Hue Lodge, da foto abaixo.

hotel em Cerro Catedral
Solzão em 26 de junho
Cabanas em Villa Catedral
Cabanas em Villa Catedral

Nós ficamos no Ski Sur, e conto a experiência positiva no post: Troquei de Casa! Bariloche, fui! Isso mesmo, eu não gastei nadinha em hospedagem porque sou associada do HomeExchange, ou TrocadeCasa. Fiquei em um apartamento de dois dormitórios, sala e cozinha no inverno e em dezembro os proprietários do Ski Sur vieram a SP e se hospedaram no meu apartamento, sem pagar nada, também.

Se você não quer ou não pode fazer troca, faça sua reserva pelo site Booking.com, o mesmo que utilizo para fazer as minhas viagens. Leia as avaliações de hóspedes, veja as fotos do quarto e do hotel, a localização e faça sua reserva clicando aqui.

Cerro Catedral hotel
O Ski Sur
Ficar em Catedral permite esta vista diariamente
Ficar em Catedral permite esta vista diariamente

Altitude do Cerro Catedral
São 2.180 metros. Eu não senti nenhuma alteração no sistema respiratório ou cansaço, mas andar na neve e com roupas grossas não permite movimentos rápidos  o suficiente para desencadear cansaço ou respiração ofegante. 

Ai, que coisa mais fofa!!!
Ai, que coisa mais fofa!!!

Temporada de inverno e quando ir
O início da temporada varia de acordo com as condições climáticas, mas em geral começa por volta do dia 20 de junho. Se sua intenção é neve, neve, neve, marque a viagem para o final de julho ou, ainda melhor, no mês de agosto. Para acompanhar previsão do tempo especificamente no Cerro Catedral e ler avaliações de pistas e serviços, clique aqui.   

Se pensar em Bariloche como um todo, acho que a escolha entre o final de junho e início de julho foi muito legal, pois os primeiros dias estavam ensolarados, perfeitos para os passeios pelos lagos (links para relatos no final deste post) e para avistar ao longe nos vários mirantes, seja no alto das montanhas, seja no Circuito Chico. Se você for com a finalidade de esquiar, agosto é sempre garantia de neve acumulada. Saiba que a alta temporada deles é o verão, quando argentinos e europeus visitam a região para pescar, mergulhar nos lagos, fazer trekking. A gente, brazuca, vai no inverno em busca da neve e faz nossa alta temporada. Só se ouve português pelas ruas do centro!

Bariloche
No Cerro também tem São Bernardo!

Meios de elevação (lifts)

indicação de lifts na base do Cerro
indicação de lifts na base do Cerro

Nem todos os meios de elevação estavam funcionando no início da temporada, apenas o Amancay, que parte da base da montanha. É um bondinho para até 4 pessoas (segunda foto abaixo), fechado, e chega até este platô da foto abaixo, onde há um restaurante e acesso a outro meio de elevação, desta vez aberto e para 2 pessoas. lifts em Cerro Catedral Catedral meio elevação
Preço para subir e como comprar
A foto ao lado mostra os preços vigencerro catedral preçotes no inverno/2015. Confira no website Catedral os valores atualizados. Compramos os ingressos no local, pois esperamos que a neve caísse para subir a montanha. Na primeira vez que subimos, dia 2 de julho, o dia estava claro e havia nevado na noite anterior. Com exceção dos adolescentes em excursão, não havia quase ninguém. A neve estava bem compactada, mas conseguimos brincar e principalmente apreciar a vista. Mas na madrugada do dia 9 nevou pra valer, e a fila para comprar os ingressos para o lift levou 45 minutos – debaixo de neve! Apesar da multidão que queria subir a montanha, apenas o lift Amancay estava funcionando – e apenas essa bilheteria. Equanto isso, as crianças brincavam de esquibunda ou no p45 minutos debaixo de neve, na filaarquinho e eu de praticar snowboarding. rsrsrs E por falar em esquibunda, as lojas vendem uma espécie de pá de plástico em dois tamanhos, para a prática do “esporte”. Antes de gastar 110 pesos em uma, confira se estão autorizadas. Na primeira subida, era permitido, mas não na segunda vez, porque já era temporada e havia muita gente e muitos esquiadores.

 

Fazendo gênero!
Fazendo gênero!

Outro detalhe: na primeira vez em que subimos, pudemos usar os dois meios de elevação que citei acima, mas na segunda, apenas esquiadores podiam chegar ao topo, Punta Princesa, a 2.150 metros.

Restaurantes
Não tivemos oportunidade de conhecer muitos, pois a maioria estava fechada antes do início da temporada, então acabamos fazendo a maioria das refeições no centro de Bariloche e algumas durante os passeios. Listei onde comemos na base da montanha. No alto, há alguns restaurantes (caros) e você pode saber mais sobre eles no site da Alta Patagonia, a empresa que explora a montanha.

– Tage: bateu a vontade de comer um hambúrguer ou não tem tempo para uma refeição completa? Não se engane pela aparência esquisita do balcão (que tem comida fake como modelo). O lanche é bom e o salão no piso superior tudo de bom pra fugir da friaca. Se quiser, pode encarar as mesinhas que ficam do lado de fora. It’s a free country! Uma cerveja Patagonia, um refrigerante, dois X saladas e um X burguer saíram por 310 pesos.

A lanchonete Tage é opção de comida rápida
A lanchonete Tage é opção de comida rápida

– Shirdi: não comi lá, mas foi minha salvação na chegada a Cerro Catedral, no final do dia, quando tudo estava fechado. Eles têm um mercadinho e também fazem alguns pratos para viagem. Pedimos uma pizza e uma quentinha de arroz e frango assado. Acho que é a única opção de mercado em Cerro Catedral, então não espere preços bons.

– Almoçamos em um restaurante de atendimento bom e comida razoável, mas não me recordo o nome, além de que tem SUR na segunda palavra (rsrs). Eles têm parrilla e fica quase em frente ao hotel Pire Hue.

Compras
Além do comércio voltado a esportes de neve e de venda e aluguel de roupas e acessórios de neve, só encontrei uma loja de decoração e presentes, muito fofa e, por sinal, a única autêntica que achei em Bariloche. Chama-se Refugio de Artesanos (foto abaixo). 
Não cheguei a visitar o Las Terrazas, o shopping local, então não sei se lá há outras opções por lá.

Loja Refugio de Artesanos
Loja Refugio de Artesanos


Aluguel de roupas de neve
Os preços do aluguel na base do Cerro não estavam diferentes dos praticados no centro de Bariloche. Eu não cheguei a alugar o traje todo, pois tenho calça e abrigo de neve. Alugamos três botas de neve e uma calça juvenil por 310 pesos.
No post  Roupa de neve ou para Temperaturas Negativas eu dou várias dicas do que levar na mala e o que fazer para seus pés não ficarem molhados mesmo usando botas impermeáveis. Os meus ficaram, mas já aprendi!

Seguro Viagem
Gelo ou neve + morador de país tropical pode ser uma fórmula para acidentes. O blog também te ajuda com o seguro viagem, que inclui desde problemas de saúde, fraturas ou torções a extravio de bagagem. Temos parceria com a Mondial Assistance, que oferece 15% de desconto para os leitores do Mulher Casada Viaja. É só clicar aqui e fazer seu orçamento para uma viagem tranquila e segura. O código para fazer valer o desconto é atualizado nesta página do blog.

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Hotel Llao Llao

Isla Victoria e Bosque de Arrayanes: natureza e historia em Bariloche

Bariloche é um destino para se comer bem, provar vinhos, curtir o friozinho e a neve, mas também é um ótimo destino para quem quer ficar mais perto da naturaleza. Os passeios pelos lagos da região proporcionam essa proximidade e nos levam a conhecer paisagens ao mesmo tempo tão diferentes e similares às brasileiras e relaxar ao balanço das ondas calmas do Nahuel Huapi. Paisagem diferente porque não temos montanhas de picos nevados ou lagos formados por geleiras. A similaridade fica por conta da floresta úmida, chamada Valdiviana, devido à proximidade da mata com os lagos e que em alguns pontos tem cana e até samambaias. Já viu samambaia com neve? Eu já!

Não sei vocês, mas me lembrei de Ilha Grande e região
Não sei vocês, mas me lembrei de Ilha Grande e região

Já relatei aqui no blog o passeio denominado Puerto Blest e Los Cantaros, que navega o braço mais importante do Lago Nahuel Huapi. Neste post falo de outro passeio lacustre pelo Nahuel Huapi e que também inclui dois destinos, que são a Ilha Victoria, a Noroeste de Bariloche e, um pouco mais ao Norte, o Parque Nacional Los Arrayanes. Array what? Calma, já explico.

os trajetos feitos no Nanuel Huapi
os trajetos feitos no Nanuel Huapi (clique para ampliar)

Quem me ofereceu o passeio para que eu pudesse conhecer e contar aqui para você foi a Turisur, empresa que faz navegações no Nahuel Huapi desde 1958. Visite o site deles e veja fotos PB da época em que o Modesta Victoria chegou a Bariloche. Modesta quem? Modesta Victoria é o nome do barco que nos levou a este passeio e, na minha modesta e entusiasmada opinião, só navegar nele já valeria! Ele é um barco charmosão e autêntico. Foi construído – adivinhe! – na Holanda e veio desmontado, transportado em navio e trem até Bariloche onde foi reconstruído e inaugurado em novembro de 1938. Diferente das outras embarcações, além do espaço panorâmico reservado aos passageiros, há salas menores e mais aconchegantes e intimistas, além de uma cafeteria e sanitários a bordo. A sala das escotilhas é muito legal, pois elas ficam quase na superfície do lago e podem-se ver as ondas desse nível. Há algumas fotos e objetos antigos decorando o barco, então não deixe de explorar todos os espaços. Vale até pular degraus das escadas apoiando-se nos corrimãos, tal qual vemos os marinheiros fazer nos filmes! 😄

O Modesta Victoria em Puerto Pañuelo
O Modesta Victoria em Puerto Pañuelo

Modesta Victoria

Como todos os passeios lacustres, a partida é do belo Puerto Pañuelo, localizado 25 quilômetros a Oeste de Bariloche. A Turisur oferece o traslado de Bariloche se você estiver sem carro. Também é possível se utilizar de transporte público. O ponto de ônibus fica do outro lado da rua, em frente ao Hotel Llao Llao.

O ponto de ônibus em Puerto Pañuelo
O ponto de ônibus em Puerto Pañuelo e o hotel Llao Llao ao fundo

O porto construído em 1965 tem estacionamento gratuito para período igual ou superior a 90 minutos, onde há uma cabine de venda de passeios lacustres. Você pode aproveitar para comprar quando fizer o Circuito Chico, que passa por lá, ou ir à loja da Turisur na Mitre 219. O edifício do porto tem calefação, lanchonete, sanitários modernos e limpos, wifi gratuito, – uma vista linda para o Cerro Lopez – e os guichês de pagamento das taxas de embarque e de entrada no Parque Nacional. Gaivotas de papier marche penduradas no teto fazem referência às gaivotas que acompanham o barco à procura de pães e biscoitos oferecidos pelos turistas que navegam o Lago Nahuel Huapi, então não se esqueça de levar seu biscoito ou pãozinho.

Porto Pañuelo, Bariloche
Porto Pañuelo a partir da Capela de São Eduardo
a sala de embarque
a sala de embarque

Este passeio parte às 14h, mas é preciso chegar com antecedência para pagar as taxas de embarque e de entrada no Parque Nacional. Aproveite para conhecer a lindinha Capela de San Eduardo, que fica do outro lado da rua e tem uma vista linda para o porto (foto acima). Falo sobre ela no post Circuito Chico cujo link está no final desta publicação.

A simples e bela capela vizinha do Porto Pañuelo
A simples e bela capela vizinha do Porto Pañuelo

Durante a navegação, além de ouvir as informações prestadas pela guia, você pode explorar os espaços do Modesta, alimentar as gaivotas e fazer fotos da linda paisagem. Uma equipe de fotógrafos profissionais garante o clique caso você perca o momento exato em que a gaivota pega sua oferta. Um dos viajantes será sorteado e levará a foto gratuitamente, mas você também pode comprar a sua se não for o sortudo. Eles também vendem um pen drive com várias fotos em alta resolução das paisagens pelas quais passamos.

Turisur passeios Bariloche

passeios Bariloche
Uma hora de navegação depois, chegamos ao parque Nacional de Arrayanes, uma reserva natural de 1.753 hectares (1 hectare = 10 quilômetros) criada em 1934 como parte integrante do Parque Nacional Nahuel Huapi. Em 1971, ganhou autonomia devido à importância da sua formação bosqueada da espécie  Luma apiculata, popularmente conhecida como arrayane. Luma é uma palavra Mapuche (povo nativo da região) que significa cor laranja, em referência ao tronco da árvore. O bosque fica numa península nomeada Quetrihué, que em mapuche significa arrayanes. A guia fez questão de relatar que a árvore é parente da nossa jabuticabeira e realmente o tronco guarda semelhanças, não é?

Bosque Arrayenes

A trilha é uma passarela de madeira, feita para evitar que as raízes das árvores fossem danificadas pelo pisoteio. Antes de viajar eu li em vários blogs que a arrayane só existe nesta ilha, mas isso não é correto. Embora seja nativa desta região andina, foi levada para várias partes do mundo, inclusive estas informações eu busquei no Jardim Botânico de São Francisco, onde ela não cresce tanto como em seu ambiente de origem. O que torna a ilha tão especial a ponto de ser uma reserva é a qualidade de bosque, ou seja, várias árvores nascidas e desenvolvidas no mesmo espaço.

Nahuel Huapi navegação

Bosque Arrayanes
a tal cabana da “Disney”, que na vida real é uma cafeteria aconchegante

Se quiser usar o banheiro no Bosque, logo no início da trilha há sanitários. Use-os ao chegar, pois a trilha é direcionada para o porto em um único sentido, fazendo um desenho de U. No final da trilha, há uma casinha que diz a lenda foi inspiração para Disney fazer seu filme Bambi. Na vida real, a casinha é uma cafeteria bem aconchegante e em frente a ela há um mirante com mesas para picnic com uma bela vista para o porto.

Vista do Mirante em frente à cabana
Vista do Mirante em frente à cabana “Disney”

Depois de uns 15 minutos de navegação, às 16h15, começa a segunda etapa do passeio, quando descemos em Isla Victoria, que nem sempre foi Isla Victoria. Os primeiros habitantes da região, os Mapuches, a chamavam de Nahuel Huapi, que significa olho do tigre, mas chegou o homem branco e ela foi registrada como Isla Victoria em homenagem ao Ministro da Guerra, Gal. Benjamin Victoria.

Isla Victoria

No início do século XX, esta região da patagônia Argentina ainda não despertava interesse dos governantes, mas despertou a paixão de Aaron Anchorena, um rico aristocrata que desejava comprar a ilha. Obteve apenas o direito de usufruto entre 1907 e 1916, período em que, apesar de toda dificuldade de locomoção e transporte, construiu portos (não por acaso o porto onde descemos se chama Anchorena), moinho, estábulos, galpões e uma casa espaçosa de dois andares com adega no porão e biblioteca. Trouxe cavalos, vacas holandesas e ovelhas. Hoje sabemos o desastre ambiental que ações como a de Anchorena trazem ao ambiente e embora eu não tenha feito pesquisa para confirmar isso, imagino que os cervos e faisões que ele soltou na ilha para transformá-la em campo de caça não podem ter sido coisa boa para a fauna local. Em 1916 o Ministério da Agricultura retoma o controle da ilha e em 1934 a lei que instituiu os Parques Nacionais Argentinos determinava que “o Viveiro Nacional da Ilha Victoria passava a depender da direção dos Parques Nacionais”. Interessante saber que 40.000 árvores de lá foram retiradas para construção do Hotel Llao Llao, cuja história eu conto em um posto dedicado somente a ele.

Isla Victoria

Por outro lado, em 1949 o viveiro iniciado com espécies exóticas iniciado por Anchorena superava a marca de 1 milhão de plantas. Quem disse que os efeitos da globalização são recentes? Eu gosto muito de plantas e durante a travessia de florestas ficava me perguntando – e perguntando aos guias – se aqueles espécies eram nativas ou não. Muitas não eram… Bem, as plantas e árvores provenientes do viveiro eram utilizadas para ornamentar praças e ruas públicas e para fins particulares, vendidas a valores acessíveis. Nessa mesma época, foi inaugurada a Hosteria Nacional de La Isla Victoria, com abrigo para 14 pessoas e um restaurante que atendia 200 pessoas (mesmo naquele tempo, os turistas passavam poucas horas no local). Este hotel foi destruído por um incêndio em 1980 e substituído pelo atual edifício em funcionamento desde 2001. 

Eu não cheguei a entrar nos edifícios para conhecer suas instalações. Logo no início da trilha há um exemplar de uma sequóia, as coníferas gigantes da Califórnia. O tempo que nos é permitido na ilha é muito pequeno e foi suficiente apenas para seguir a trilha até a praia Del Toro, em cujo caminho podemos ver as pinturas rupestres descobertas por  um engenheiro sueco em 1958. 

20150629-IMG_0813 Isla Victoria pinturas rupestres
O que mais impressionou Pedersen foram os desenhos de llamas, evidenciando que os nativos locais haviam tido algum contato com as culturas do Peru, já que não há llamas nesta parte da patagônia. O que mais me impressionou foi a qualidade da fixação da tinta que eles criaram, pois ainda está tão evidente depois de séculos expostos a variações de temperatura, chuva, neve, sol – e turistas.

A Praia del Toro
A Praia del Toro

No canto da praia, há uma trilha que sobe a encosta rochosa e leva ao hotel Hosteria Isla Victoria. Próximo ao porto, há uma trilha larga, um corredor de sequóias em ambos os lados que rende fotos lindas. As minhas ficaram muito ruins e por isso não postei aqui, snif. Ainda compro um tripé…

Se você decidir fazer este passeio, confira se terá duração de dia inteiro para que haja tempo de explorar as outras trilhas, visitar os mirantes e subir o teleférico até o morro Bela Vista, a 900 metros de altitude. Ou quem sabe se hospedar no exclusivo hotel da ilha. Quem sabe você não avista o Nahuelito, o monstro do lago Nahuel Huapi!!
Eu voltei às 17h45 para o porto, onde o Modesta Victoria nos levou de volta a Puerto Pañuelo. Sem Nahuelito e sem hotel exclusivo, mas com muitas lembranças.

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Primeiro encontro com Bariloche

Lago Nahuel Huapi ao amanhecer, às 9h
Lago Nahuel Huapi ao amanhecer, às 9h. Sem filtro.

Sabe aquele amigo da sua amiga, de quem você só ouve coisas legais, mas desdenha porque acha que ele está sendo supervalorizado? Aí um dia você diz “oh, what the hell, I’ll give it a shot!” e aceita o encontro arranjado pela amiga em comum? Conhecer Bariloche foi assim, comigo. Eu achava que ia ser só um rosto bonitinho, mas gostei de tantos aspectos dessa viagem que a região entrou na minha lista de lugares para voltar – se possível na Outono e no Verão, pois a paisagem, os turistas e as atividades se modificam com as estações. Ou no inverno, pois gostei e muito!

O primeiro encontro não só rendeu uma paixonite (tanta que quase fiquei ofendida quando recentemente uma blogueira falou que Bariloche estava decadente), mas se dependesse de meus anseios viraria um casamento. Eu que atualmente proclamo que meu sonho de consumo é morar um pouco em cada canto do mundo, escolheria nossos hermanos como vizinhos por alguns meses, para pronunciar j no lugar do l, alimentar-me de vinho e dos sabores da carne, caminhar pelos vales tendo como companhia as montanhas e lagos que se assemelham às paisagens canadenses. Adoraria fazer compras na verduleria, panaderia, poleria, carniceria em vez de em um impessoal supermercado. Viver a vida como os moradores de Cerro Catedral, que se conhecem pelo nome e dão dois beijinhos ao se encontrar e se despedir, inclusive os homens.

nem fiquei feliz quando a manhã estava branca em Cerro Catedral!
nem fiquei feliz quando a manhã estava branca em Cerro Catedral!

Mas essa história de beijar pode não ser nada para a maioria dos brasileiros, acostumados ao contato físico, mas eu que não sou muito de beijos e abraços fiquei espantada com a situação que compartilho agora, sob protestos de Home Casado Viaja. Conhecemos um casal de Buenos Aires no ponto de ônibus em Puerto Pañuelo – sim, os ônibus demoram tanto a chegar e a vencer os quilômetros em alguns pontos que é possível começar uma amizade – e ao final do percurso o argentino se despediu de meu marido com dois beijinhos. Claro que virou piada. Homem Casado Viaja, com toda a rivalidade futebolista entre Brasil e Argentina, recebendo beijinhos de um hermano!

Não fosse a neve sobre a montanha, poderia-se pensar em alguma praia tropical

Apesar da paisagem montanhosa, da ausência de sujeira pelas ruas, da sensação de segurança que tive ao caminhar pelas ruas do Centro, da cordialidade dos locais, conversando com argentinos e moradores da região nos lembramos que estamos em um país muito parecido com o Brasil: alta carga tributária, deficiência na educação e saúde públicas, instabilidade política, burocracia e leis não cumpridas.

O Cerro Tronador e sua geleira bolo mármore: resultado da mistura gelo+rocha vulcânica
O Cerro Tronador e sua geleira bolo mármore: resultado da mistura gelo+rocha vulcânica

Em contraste com a vida atribulada de SP, mesmo no início de Julho as lojas, escritórios, agências de viagem e, pasmem, até restaurantes, mantêm a cultura da siesta nessa região. Restaurantes fecham por volta das 15h ou 16h e só reabrem às 20h. Fomos à charmosa Vila La Angostura, distante 85 quilômetros de Bariloche, e depois de algumas paradas para fotografar o relevo diversificado das montanhas pelo caminho chegamos por volta das 12h. Muitas lojas estavam fechando ou já se encontravam fechadas. Capitalistas dirão que estão perdendo a chance de ganhar dinheiro, mas eu diria que estão ganhando a chance de viver. Talvez mais realisticamente, manter funcionários no comércio é custoso quando não há muito movimento, então opta-se por manter as lojas fechadas enquanto as pessoas estão em passeios, reabrindo à noite, quando perambulam pela cidade à procura de restaurantes aconchegantes.

Bariloche dicas

Não que Bariloche estivesse vazia, mas a região é grande e durante o dia a maioria está engajada em passeios pelos lagos, subindo os cerros (montanhas) ou pelas estradas. Grupos barulhentos de adolescentes em uniforme preenchem os espaços e têm serviço garantido em restaurantes na base do Cerro Catedral. Explico: tivemos certa dificuldade para comer no Cerro, que mantém o comércio fechado na baixa temporada (chegamos no final de junho) e ao entrar em um restaurante aberto, fomos informados que o serviço era apenas para os grupos, que provavelmente têm acordo com as agências que os levam. Mais uma vez, a sensação de que faturar acima de tudo não é regra por aqui. Fico imaginando se as pessoas tem clara a relação daquela máxima: “mostre a seu dinheiro quem está no comando.” ou se não têm estrutura para atender a quem não estava na lista.

Outro fato agradável: em nenhum momento tentaram se aproveitar de nós como turistas. Todos os remisses que tomamos cobravam a mesma tarifa, independente do horário ou do clima. Nenhum golpe a vista, senão o custo exorbitante para ser fotografado com um São Bernardo no Centro Cívico de Bariloche (120 pesos por uma foto!). O sobrinho de meu marido esteve com a família no mesmo período que nós e relatou ter encontrado erros na conta em dois restaurantes diferentes. Vale a dica para sempre conferir.

São Bernardo em Bariloche
Centro Cívico: ponto de encontro com os simpáticos São Bernardos

Ah, outro ponto positivo desta viagem a Bariloche e cuja descoberta me deixou satisfeitíssima: sempre evitei viajar para lugares de temperaturas baixas no inverno, porque imaginava que eu não suportaria o frio. De roupas e calçados apropriados, não só é praticável, como prazeroso. Pegamos temperaturas negativas, mas o que causa mais frio nem é a neve, mas o vento, que quando sopra forte nas proximidades do Lago Nahuel Huapi é de afugentar qualquer turista desavisado! E a gente logo se acostuma à rotina de chegar a um restaurante e tirar casado, touca, cachecol, luvas e a vestir tudo novamente ao ir embora.

Nunca é tarde para brincar como criança!
Nunca é tarde para brincar como criança!

Mas é claro que as geadas e a neve causam transtornos para quem como nós não está acostumado a baixas temperaturas. Em nossa último dia, a geada da madrugada havia produzido uma camada fina de gelo sobre o carro. O miolo da chave do porta-malas não girava, os vidros não podiam ser baixados. Era preciso aquecer o carro para que o gelo derretesse. Dica local: nunca jogue água quente, pois o choque térmico pode quebrar o vidro. Máquinas limpam as ruas, afastando a neve, mas o gelo não, e ele é que é perigoso. Outra dica local: não freie, apenas reduza a marcha. Calçados apropriados, com ranhuras e impermeáveis, são obrigatórios e é preciso caminhar com cuidado e firmeza para não escorregar no gelo sobre superfícies lisas, como madeira.

geada em Bariloche

Minha dica maior é: se possível, fique cerca de 10 dias. Além de ter muito o que fazer pela região, o clima muda com frequência nos Andes, alternando dias chuvosos com claros e outros com neve. Inverno é estação chuvosa e há grande probabilidade de chover por 4 ou 5 dias seguidos e você terá perdido o melhor, que é observar as montanhas nevadas espelhadas nos lagos, subir os cerros em dias de visibilidade alta e a neve, que tantos brasileiros buscam aqui.

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Cerro Catedral
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Chove lá fora e aqui está aconchegante. Feels like home…

Não deixe de ler os demais posts relacionados a Bariloche, onde dou dicas de onde comer, o que fazer, preços, transporte, etc. O links estão abaixo.

Espero que seu primeiro encontro seja tão bom quanto o meu. Escrevi este post num dia chuvoso, no calor do apart-hotel em Cerro Catedral, com vista para a montanha. Mais feliz, só se estivesse nevando.

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Puerto Blest e Los Cantaros: o melhor passeio de Bariloche

Turisur passeios Bariloche

A manjada foto da gaivota pegando biscoitos das mãos de turistas que se equilibram num barco com uma vista de tirar o fôlego talvez seja a imagem mais recorrente quando se fala em navegar o Nahuel Huapi, o onipresente lago da cidade de Bariloche. E estava eu, buscando informações do que fazer entre 25 de junho e 10 de julho, quando soube que além do histórico Cruce Andino havia outros dois passeios lacustres, todos partindo do cinematográfico Puerto Pañuelo e todos operados pela Turisur. O primeiro deles e do qual falo neste post é o que vai a Puerto Blest, Lago Frías e Cachoeira Los Cántaros. Fiz o passeio a convite da Turisur, que tem escritório na Calle Villegas, 310, no centro de Bariloche.

A fachada da Tursur, no Centro de Bariloche
A fachada da Tursur, no Centro de Bariloche

Morando em um país tropical, com algumas praias acessíveis apenas pelo mar, lagoas mornas por jangadas e piscinas naturais por saveiros, tive poucas chances de navegar por lagos antes de visitar Bariloche. Além da beleza das montanhas, das florestas e dos lagos em si, o que causou boa impressão foi a organização dos passeios, o profissionalismo dos marinheiros e guias e a qualidade da frota da Turisur. Em nada lembrava os passeios de saveiro por Ilha Grande ou Angra dos Reis no estado do RJ, quando os saveiros aportavam um ao lado do outro e íamos pulando-os até chegar ao píer.

O interior do catamarã Victoria Andina, que leva de Puerto Pañuelo a Puerto Blest
O interior do catamarã Victoria Andina, que leva de Puerto Pañuelo a Puerto Blest

O barco utilizado para este passeio foi o catamarã Victoria Andina. Além dos assentos da parte frontal (foto acima), há assentos estilo lanchonete, com mesas, ideais para grupos e famílias grandes. O catamarã com capacidade para 260 pessoas tem sanitários, calefação e cafeteria. Acredite, você vai precisar de um chocolate quente depois de ficar no convés, com o braço estendido, segurando um biscoito, em oferta às gaivotas. Durante o trajeto,  apresentam-se em vídeo as fotos tiradas por uma equipe de fotógrafos, que podem ser impressas se você quiser comprá-las.

gaivotas Bariloche

Como fazia muito frio, logo que partimos, pontualmente às 10h, os vidros estavam embaçados, mas foram ficando translúcidos e pudemos apreciar a paisagem. Diferente de navegação em mar, não há balanço e não se enjoa. Apesar disso, as normas de se manter sentado na chegada e saída de cada porto precisam ser observadas.

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O barco desliga os motores para que os turistas fotografem a cachoeira

O trajeto inicial até Puerto Blest leva 90 minutos e a navegação é feita pelo braço mais importante do Nanuel Huapi, o Braço Blest. Logo ao entrar nesse estreito, vemos a Ilha Sentinela, onde estão os restos mortais de Perito Moreno, grande herói dos parques nacionais e importante figura na demarcação da fronteira entre Chile e Argentina. O barco toca a buzina para prestar sua homenagem. E se você estiver imaginando onde foi que ouviu esse nome antes, ele está presente em ruas de Bariloche, nomeia uma cidade, lagos e é mundialmente conhecido pela geleira que fica no sul da Patagônia Argentina, a (surprise!) Perito Moreno. Aproveite e leia sobre como foi caminhar sobre ela clicando aqui.

Puerto Blest

Tudo o que se tem para fazer é relaxar, apreciar a paisagem, fotografar e alimentar as gaivotas. Ao chegar a Puerto Blest, todo mundo quer um click com o visu da foto acima, mas temos só 10 minutos. Então sossegue e faça suas fotos no retorno, quando há tempo para lanche, fotos e até brincar na praia.

Praia de lago frio: a brincadeira é jogar pedras no lago, escrever na areia e cutucar o que se vê pela frente com cana, muito frequente na região
Praia de lago frio: a brincadeira é jogar pedras no lago, escrever na areia e cutucar o que se vê pela frente com cana, muito frequente na região

Pode-se usar os banheiros do único hotel da região, o Hotel Blest. Ao lado do hotel há um mirante para o rio Frias, que se origina de um dos glaciares do Cerro Tronador e termina no lago de mesmo nome e deságua no Nahuel Huapi. Nosso ônibus nos esperava para um percurso de 3 quilômetros, cerca de 10 ou 15 minutos por uma estradinha de mão única de terra, em meio à selva valdiviana, uma espécie de floresta úmida.

Puerto Blest passeio

Chega-se a Puerto Alegre, parte norte do Lago Frías. Quem incluiu em seu passeio a navegação do Lago Frias embarca no Victoria del Sul, com capacidade para 110 pessoas. Quem não incluiu, depois de apreciar o lago Frias desse ponto, pode voltar caminhando pela trilha para ver mais de perto as espécies da região ou aguardar o retorno do Victoria del Sul para voltar de ônibus.

lagos argentinos

Às 12h10, deixamos Puerto Alegre para uma navegação rápida pelo lago Frías, de 70 metros de profundidade. Sua coloração esverdeada deve-se a partículas de rochas provenientes do glaciar do  Tronador, que ficam na superfície da água.

A antiga administração do Parque Nacional
A antiga administração do Parque Nacional
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Este arbusto alto e seco que se vê em várias fotos é chamado Álamo. Fica amarelo no Outono, imaginem que contraste lindo!

Em Puerto Frías, sul do lago Frías, as pessoas que fazem o Cruce Andino se dirigem à aduaneira argentina para controle de passaportes e revista de bagagem, que é feita aleatoriamente. Os demais passageiros têm entre 10 a 15 minutos para caminhar, fotografar, usar o banheiro e comprar algo no quiosque local.

Os portos dos lagos andinos
Os portos dos lagos andinos
Interior do Victoria del Sul
Interior do Victoria del Sul

Lago Frias

Puerto Frias
Puerto Frias

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lagos andinosPercorremos o caminho de volta até Puerto Alegre e depois de ônibus a Puerto Blest. Temos então pouco mais de uma hora para almoçar e fazer as fotos do lugar com calma. A lanchonete fica no térreo do hotel.

Puerto Blest onde comer

O andar superior tem um restaurante (que estava fechado) e uma sala de estar com janelas que emolduram essa linda paisagem.

Realizei este mesmo percurso uma segunda vez quando fiz o Cruce Andino e posso dizer que além da mudança registrada pelas estações, a paisagem se transforma em dias de chuva, de sol e de neve. Escolha o que mais lhe agrada.

Às 14h30 partimos de Puerto Blest para uma breve navegação até as passarelas que levam aos mirantes da Cachoeira Los Cantaros. São cerca de 700 degraus, mas bem leves, com descanso a cada 4. Não é difícil para crianças ou idosos e como pode-se ver nas fotos, há corrimãos. De qualquer forma, sempre penso em como o mundo não está preparado para receber pessoas com limitações de mobilidade e como temos que agradecer por ter saúde para aproveitar as belezas da natureza.

Bariloche los Cantaros

roteiro Bariloche

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Sei que a cachoeira é a grande atração, mas eu me encantei mesmo foi com o lago, que leva o mesmo nome. Pena que estava na contraluz, mas mesmo assim, consegui alguns ângulos legais.

navegação nos lagos andinos20150627-IMG_0343

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E então é hora de voltar ao Victoria Andina, mais paisagens lindas, mais gaivotas. Na minha opinião este é um passeio para favoritar em qualquer planejamento de viagem a Bariloche. Mesmo que você faça o Cruce Andino, que considero (não gosto desse termo, mas ele é certeiro!) imperdível, não deixe de fazer o Puerto Blest para aproveitar o Los Cantaros e ter mais tempo em Puerto Blest, que no Cruce é apenas uma breve passagem.

PRÁTICAS RÁPIDAS

Compra de Ingresso
Você pode comprar os ingressos antecipadamente pela Internet ou no escritório da  Turisur. Outras agências também comercializam, mas a Turisur é a concessionária autorizada a realizar navegação pelo Nahuel Huapi e demais lagos da região, até a fronteira com o Chile. Também é possível contar com a sorte e comprar no dia do passeio, no guichê da Turisur que fica no estacionamento do porto, mas é melhor garantir seu ingresso, não acha?

pagando a taxa de embarque e de acesso ao Parque Nacional
pagando a taxa de embarque e de acesso ao Parque Nacional

Preços (em pesos argentinos )
adultos: 580
crianças de 5 a 12 anos: 290
extensão a Lago Frias: 220 (opcional)
traslado do Centro de Bariloche a Puerto Pañuelo: 130

Taxas a serem pagas em dinheiro em Puerto Pañuelo:
– taxa de embarque: 32
– ingresso ao Parque Nacional: 100 (para integrantes do Mercosul). Menores de 16 anos e maiores de 65 não pagam.

Visite o site da Turisur para mais informações.

câmbio pesos argentinos
O câmbio é feito pelo dólar oficial

Horário
O passeio leva o dia todo. O barco parte às 10h de Puerto Pañuelo, em frente ao hotel Llao Llao, mas é preciso chegar com antecedência mínima de 30 minutos para pagar a taxa de embarque e de acesso ao Parque Nacional. Além disso, o porto é um lugar muito bonito, e faz parte do Circuito Chico.

Porto Pañuelo antes do passeio
Porto Pañuelo antes do passeio


Estrutura do Porto Pañuelo

Todos os passeios lacustres partem de Puerto Pañuelo, 25 quilômetros a Oeste de Bariloche. O porto construído em 1965 tem estacionamento gratuito para período igual ou superior a 90 minutos, um edifício com calefação e envidraçado com uma lanchonete, sanitários modernos e limpos, wifi gratuito e rápido e os guichês de pagamento das taxas de embarque e de entrada no Parque Nacional. O edifício tem vista para o Cerro Lopez, esse lindão da foto acima. Gaivotas do que imagino seja papier marche adiantam que suas versões reais estarão à espera de pão e biscoitos oferecidos pelos turistas que navegam o Lago Nahuel Huapi.

puerto pañuelo
o andar superior da lanchonete em Puerto Pañuleo
a sala de embarque
a sala de embarque

Gostou do passeio? Em breve publico sobre outra excursão lacustre realizada pela Turisur, o Isla Victoria e Bosque de arrayanes. A cereja do bolo será o Cruce Andino! Confira abaixo todos os posts relacionados a esta viagem a Bariloche:

Posts relacionados
(clique sobre o título e vá!)

❄ Bariloche: guia para planejar sua viagem
❄ Cabaña del Lago: um refúgio em Puerto Varas, Chile
❄ Bariloche: Passeios e Checklist
❄ Isla Victoria e Bosque de Arrayanes: natureza e história em Bariloche

Em breve:

❄ Troquei de Casa! Bariloche, Fui!
❄ Bari
loche: Roteiro de Inverno
❄
Bariloche: restaurantes e supermercados
❄
O que vestir na neve
❄
 Cerro Catedral
❄
 Cruce Andino
❄ Cerro Tronador
❄
 Vila la Angostura
❄
 Puerto Varas: o que fazer
❄
Hotel Llao Llao

 

Bariloche: passeios e check list

   Escrevo este post poucos dias antes de embarcar pela primeira vez para Bariloche, a preferida dos brasileiros que querem perder a virgindade de neve. Compartilho uma lista das principais atrações de Bariloche, dicas de roupas para neve, e compartilho meu check list, que inclui seguro viagem, o que colocar na mala, e outras tantas coisas que precisamos arrumar antes de partir em férias.

viagem e dicas Bariloche
Porto Pañuelo – Foto: Marcia Picorallo

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