Por onde andei em 2017

Chega aquela época do ano em que o Robertão é descongelado para aparecer na Globo, tua rinite ataca por causa do pó da árvore de Natal, a uva passa vira ingrediente obrigatório nos pratos, você dá um Google pra descobrir maneiras elegantes de recusar amigos secretos, come como se não houvesse amanhã. Sim, amigos, o Natal está perto, o ano está acabando. Então é Natal, e o que você fez? – gente, esqueci da Simone! Deixo aqui minhas turistagens de 2017, que podem servir de inspiração para uma viagem ou passeio seu. Resumi brevemente sobre cada uma das viagens, mas as palavras sublinhadas contêm links para os posts completos sobre os destinos/passeios.

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Áustria: Highline 179 num bate-volta de Fussen

Até agosto de 2017, a Highline 179 era a ponte suspensa mais longa do mundo, mas o recente segundo lugar não me tirou a emoção de atravessá-la. Neste post relato nossa experiência ao cruzá-la e dou dicas para você aproveitar sua ida a Fussen, na Alemanha, para esticar até a Áustria e conhecê-la.

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Alemanha (Baviera), Áustria (Tirol) e França (Alsácia): planejamento e roteiro

Neste post você vai encontrar o roteiro e o planejamento da viagem de 14 dias a 3 países europeus: Alemanha, França e Áustria. Percorreremos as regiões da Baviera, onde ficam cidades de contos de fada na chamada Rota Romântica, e de Baden-Wurttemberg, cuja maior cidade é a capital automobilística alemã Stuttgart e onde fica a Floresta Negra, e alguns dos castelos mais lindos do país e talvez do mundo. Uma França à la chucrute nos espera na Alsácia, que é uma rota de vinhos e tem como cidades mais conhecidas as belas Colmar e Estrasburgo. Para fechar o roteiro e voltar a Munique, incluímos o castelo Neuschwanstein e o Linderhof, e uma bela esticada até Salzburgo e Hallstatt, na Áustria. É um roteiro estilo maratona, mas acredito que por serem cidades bem pequenas (nas menores, um rotiero a pé tem apenas 2 ou 3 quilômetros), conseguiremos cumprir com tranquilidade, principalmente porque não é alta temporada.

O Castelo Neuschwanstein visto da Marienbrucke

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Viena-Budapeste-Praga: trem ou avião?

Infelizmente no Brasil não estamos habituados a viajar de trem ente cidades ou estados, mas na Europa esta é a melhor opção em muitos casos. Acabei de percorrer os trilhos entre Viena, Budapeste e Praga, e fiz um dos trechos, o mais longo, de avião, então compartilho com vocês como foi orientada essa escolha. Espero que ajude a planejar sua viagem a estas três cidades tão lindas e que nada deixam a desejar se comparadas a outras capitais mais visitadas por brasileiros. Em Budapeste eu falava baixinho, com medo de cometer uma heresia:
“esta cidade é tão bonita como Paris!” e isso rendeu até um post: Budapeste ou Paris, qual é a mais bonita?

Conforto e paisagem - e snacks, porque ninguém é de ferro!
Conforto e paisagem – e snacks, porque ninguém é de ferro!


Trem ou avião entre países da Europa?

Como toda escolha, esta também é pessoal, mas em geral o trem vale a pena em percursos com duração de 3 a 5 horas. Para viagens mais longas, o avião é boa opção pois faz o percurso em tempo bem menor. Há quem viaje em trens noturnos para economizar tempo e estadia em hotel, mas na minha opinião esta é uma opção para quando você tem 20 e poucos anos. Depois dos 40 uma noite mal dormida pesa e a disposição para explorar o destino no dia seguinte cai. Por isso não considerei esta opção. Num trem como este da foto abaixo, que tem cabines para seis pessoas, é possível se esticar nos três bancos e dormir na tão sonhada posição horizontal, contando com a sorte de não chegar o dono dos assentos vizinhos ou de não ser incomodado por um fiscal.

O interior do vagão da OBB, de Viena a Budapeste
O interior do vagão da OBB, de Viena a Budapeste

Para fazer a escolha entre trem ou avião, fiz um comparativo dos dois meios de transporte e considerei:

– o tempo gasto no deslocamento até a estação ou aeroporto e seu custo, seja de taxi, seja de transporte público. Em geral, as estações de trem europeias ficam dentro dos centros das cidades, enquanto aeroportos se localizam no mínimo a 15 quilômetros. Em muitas cidades europeias, tanto aeroportos como estações de trem têm fácil acesso por transporte público. A gente morre de inveja!!! Leia os guias sobre cada cidade publicados aqui no blog, onde sempre dou as opções de transporte aeroporto-cidade;
– o tempo gasto na viagem de cada meio de transporte;
– o custo da tarifa de cada modalidade.

Aéreo entre Brasil e Europa
Já começo dizendo que esse negócio de voltar ao ponto de partida está longe de ser o ideal. Chegar a Praga de avião, ir a Viena e a Budapeste de trem e tomar o voo de retorno ao Brasil em Budapeste, seguindo uma linha de Norte a Sul, ou o sentido oposto, seria perfeito. Mas como usei passagem premio de programa de milhagem, eu não tinha essa opção e fiz SP-Viena com conexão em Munique (que aproveitei para conhecer e escrever dois posts: Do Aeroporto ao Centro de Munique e Roteiro de Munique e Dicas para uma Conexão Longa) e no final da viagem Viena-Munique-SP.

Munique dicas
A bela Munique ainda com cara de primavera no início de outubro

Nossas malas foram despachadas diretamente a Viena, e a SP na volta, então não precisamos usar o guarda-volumes do super aeroporto de Munique. O carimbinho da imigração você recebe em Munique (ou na cidade europeia em que fizer conexão) e depois não há controle de passaporte para entrar nos demais países, já que todos fazem parte do Tratado de Schengen.

Não se esqueça que os países signatários desse tratado exigem a emissão de um seguro viagem. O Mulher Casada Viaja tem convênio com a Mondial Assistance e por isso oferece 15% de desconto aos leitores. A cada mês há um código promocional, que é atualizado na página Receita de Viagem. Clique sobre o logo da Mondial presente aqui no blog para ser direcionado à página deles. Você ganha um desconto e contribui para a manutenção do blog. Obrigada!

Viena-Budapeste de Trem
Para o trecho Viena-Budapeste, escolhi viajar de trem porque eram apenas 2h40 de viagem. A estação Keleti, em Budapeste, é a mais centralizada e rodamos apenas 3 estações de metrô para chegar ao hotel na vizinhança do Mercado Municipal. O custo também foi excelente, € 19 por pessoa na segunda classe, então só vi vantagens.

Leia o primeiro post sobre a capital da Hungria: Budapeste: guia para planejar sua viagem.

Para viajar de Budapeste a Praga, eu gastaria cerca de 7 horas dentro do trem ao custo aproximado de €93 a €124, no site RailEurope, dependendo da classe, então optei por gastar 1h20 no avião, a €105. Mesmo considerando os deslocamentos até o aeroporto achei que ainda sairia ganhando em tempo. A tarifa mais barata e de voo mais curto que encontrei foi da Czech Airlines. Antes de bater o martelo pesquisei em fóruns de viajantes e não havia nada preocupante a respeito dessa companhia que não faz voos par o Brasil. O voo foi tranquilo, embora o turbo-hélice seja barulhento.

Budapeste-Praga

Leia post que publicarei em breve Praga: guia para planejar sua viagem.

Finalmente, de Praga a Viena, outro trem, desta vez com duração de 4h10, por € 19 por pessoa. Comprei pela Internet (link no final deste post) e recebi por e-mail o eticket da fotinho abaixo:

Que língua de assutar!
A língua que assusta ainda mais do que a alta do Euro! Brincadeirinha!, a desvalorização do real não tem comparação no quesito show de horror


Sobre Viena, comece pelo post Viena: guia para planejar sua viagem. Há outros três posts e os links ~podem ser encontrados no Roteiro de 3 Dias por Viena.

Bilhete de trem entre Viena e Budapeste: passo a passo para comprar
Partindo de Viena, compre seu bilhete no site oficial da empresa ferroviária austríaca, http://www.oebb.at, Geralmente sai mais barato do que comprar pelo site da RailEurope (em Português). Na minha pesquisa, uma diferença de quase €20 por pessoa na segunda classe. Veja como fazer:

1. Entre no site da companhia austríaca OEBB. O site está em alemão mas se você não fala esta língua, há opção em Inglês na barra superior à esquerda. Ao clicar no menu, o botão em vermelho mostrará “Deutsch”, que significa alemão. Quando você clicar sobre o botão cinza ao lado direito de Deutsch, a palavra English ficará em vermelho e o site em Inglês.

trem de viena a budapeste

2. Digite Vienna no campo From e Budapeste no campo To. Escolha a data de sua viagem e o horário. Não precisa ser exato, será possível escolher outros horários na próxima tela.

term para Budapeste

3. Em Who is traveling, clique sobre “+ Passengers” apenas se quiser comprar mais de um bilhete. Do contrário, clique em “Calculate Fare“. Esta será a nova tela, com as opções de trens, horários e estações.
Atenção: a estação mais central em Budapeste é a Keleti.

bilhete de trem Viena-Budapeste

Se você preferir um trem que saia mais tarde, clique em later e novas opções aparecerão. Depois que você escolher o trem, um alerta de que não é possível imprimir seu bilhete em casa é emitido.

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Atençãocomo não se emitem e-tickets, você tem que ir a uma estação de trem em Viena de posse do código de retirada informado pelo sistema (este você pode imprimir) para retirar seu bilhete. Pode ser no auto atendimento ou num guichê. No guichê é cobrada uma taxa de €1, mas é muito fácil imprimir na máquina.

Pegadinha
Mas acho que o mais importante é esta pegadinha em que eu quase caí: entrei no site da cia. ferroviária húngara, que tinha o trecho Viena-Budapeste mais barato, e quase comprei por lá. Só que eu teria que retirar o bilhete em Budapeste, estando em Viena! Portanto: compre seu bilhete na companhia ferroviária do país de origem da passagem. Os links estão no final desta publicação.

Como eu não tinha cadastro, precisei fazer um. Então, já logada, o passo seguinte foi concluir o pagamento. Ah, esqueci de dizer que eles oferecem a opção de reservar assento. São apenas €3, então acho que é melhor do que ficar procurando lugar vago, principalmente para quem está com malas.

4. Depois de inserir os dados do cartão de crédito, a instituição financeira pede uma autorização e assim que você libera recebe o “Collection Code”, a sequência de números que digitará na máquina da estação austríaca para imprimir seu bilhete.

Quando comprar o bilhete
A maioria das empresas começa a comercializar os bilhetes com 60 dias de antecedência. Se você tentar antes, pode se confundir, achando que o trecho escolhido não existe.

trem Europa malasBagagem no trem
Lembre-se que em trens não há bagageiro de porão como em ônibus ou aviões. Você sobe de mala e cuia no vagão. Em geral há um compartimento sobre os assentos para bolsas e malas pequenas e um único espaço por vagão, perto da porta, para as malas de todos os passageiros, como mostra a foto ao lado. No trecho Viena-Budapeste, os vagões tinham cabines com assentos para 6 pessoas e espaço sobre nossas cabeças para até 4 malas grandes e outra prateleira para bolsas. Ficamos mais tranquilos porque não ficamos na neura de vigiar as malas a cada estação em que o trem parava.

Paisagem
Não há muito o que ver e eu não orientaria minha escolha baseada na paisagem, mas no Outono o colorido das árvores deixa o trecho Praga-Viena especialmente bonito.  O trecho Viena-Budapeste é bem plano, sem relevo, e plantações e hélices de energia eólica dominam a paisagem depois de 30 minutos de partida.

Da janela. Depois não entendem porque eu só penso em viajar...
Da janela. Depois não entendem porque eu só penso em viajar…
serviço de bordo à venda
serviço de bordo à venda: chocolate por 40 coroas tchecas

Conforto e serviços dentro dos trens
Os bancos não reclinam, mas em trechos curtos isso não é um problema. Há banheiros e serviço de bordo, incluso na primeira classe e vendido na segunda. No trecho Praga-Viena, nosso trem tinha um café com janelas panorâmicas, o que facilita o bate papo com outros viajantes e faz o tempo passar mais rápido.
O espaço para pernas é bom e, diferente de aviões, não há entretenimento como música ou vídeo.

O espaço para pernas no trem
O espaço para pernas no trem


Últimas Dicas
1. Locomover-se entre as estações de metrô até o terminal de trem de viagem demanda tempo, então programe-se com antecedência para não perder o trem.

2.  Ao chegar à estação, procure os painéis de orientação para descobrir de qual plataforma seu trem partirá. O acesso às plataformas de muitas estações não tem elevador ou escadas rolantes, então lembre-se de viajar com malas pequenas. Se viajar no Outono ou Inverno, agasalhe-se: as plataformas são cobertas, mas como são abertas faz muito frio.

Plataforma da estação de Praga
Plataforma da estação de Praga


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. Depois de achar a plataforma, é preciso adivinhar onde é sua cabine pois algumas estações trazem essa orientação, mas outras não, e a gente só sabe quando o trem chega, lendo no painel luminoso ao lado da porta. Informe-se com um local –  acostumado a tomar trens – para se posicionar mais ou menos próximo de seu vagão, pois as paradas são rápidas.  Em último caso, entre em qualquer vagão e caminhe até achar o seu.

A orientação do número do vagão só chega junto com otrem
A orientação do número do vagão só chega junto com otrem
A ligação entre vagões
A ligação entre vagões

4. Mantenha o voucher ou bilhete sempre à mão, pois o fiscal o solicitará para conferência e carimbinho.

5. A velocidade desses trens é em média de 120 km/h.

6. Dentro dos trens painéis informam em Inglês as paradas.

7. Tenha sempre uma echarpe com você! Isso nunca tinha acontecido comigo, mas na entrada do trem de Praga para Viena algumas pessoas exalavam um odor insuportável de suor + falta de banho que eu mal conseguia respirar!untitled-36
8. As estações de Praga e Viena assemelham-se a aeroportos: têm muitas lojas, corredores infinitos e em Praga muitas placas ininteligíveis! Volte à dica número 1.

A estação de Praga. Ao fundo, o quiosque de informações
A estação de Praga. Ao fundo, o quiosque de informações


Links para comprar os bilhetes

Partindo de Viena, compre da Oebb.
Partindo de Praga, compre da CD
Partindo de Budapeste, compre da Máv
Se preferir, voe de Budapeste a Praga ou vice-versa pela Czech Airlines.

Mais posts com dicas de compra de bilhetes, estações, fotos. (clique sobre os títulos para ler)

Sobre o planejamento da viagem a Viena, Budapeste e Praga

Paris a Amsterdam, passando por Bruxelas, Bruges e Antuérpia

Trem, Luzes, Câmera, Ação!

Minha experiência cruzando o canal da Mancha, entre Paris e Londres

Passo a passo da compra de bilhetes da companhia férrea francesa, entre Paris e Bruges

 

 

Roteiro de 3 dias em Viena – dia 3 no Belvedere

Este post dá dicas e descreve nosso terceiro dia em Viena, capital da Áustria, em Setembro de 2015. Não deixe de ler o roteiro dos dias 1 e 2 e o Guia de Viena, este último com informações bem práticas sobre a cidade. Links para estas publicações estão no final deste post, onde também reproduzi as sugestões de passeios por Viena elaboradas pela Secretaria de Turismo da cidade.

belvedere palácio Viena
Os jardins do Belvedere

Dia 3: Museumsquartier,  Maria Theresien Platz, Alto e Baixo Belvedere, Akademisches Gymnasium, Stadtpark

No terceiro dia o jetlag bateu forte e acordamos no meio da madrugada sem sono, que voltou pela manhã, então saímos tarde para explorar uma nova área da cidade. Nosso primeiro destino era o MuseumsQuartier, um complexo de museus, como o Leopold, o Mumok e o Infantil. Não entramos em nenhum deles, mas se você curte arte moderna e contemporânea este é o lugar. Para informações, visite o website oficial.museumsquartier vienamuseumsquartier  Vienamuseus da Europa
dicas de  VienaBasta atravessar a avenida (Ringstraße) e você chega à Maria Theresien Platz, onde estão dois edifícios gêmeos espelhados que abrigam o Museu de História Natural e o Museu de História da Arte. Entre eles ergue-se o monumento de 20 metros de altura em homenagem à imperatriz Maria Theresa, cercada por 4 cavaleiros que representam seus generais, além de outras figuras. A praça tem fontes, muito trabalho de topiaria e outras esculturas, e durante a segunda quinzena de novembro e todo o mês de dezembro se transforma num mercado de natal.

Europa que países visitar

o que visitar em Viena
O Monumento à imperatriz Maria Tereza

Tomamos um bonde até o Belvedere, complexo formado por extensos jardins e dois palácios barrocos: Alto e Baixo Belvedere (Oberes Belvedere e Unteres Belvedere), construídos no século XVIII para ser residência de verão do general austríaco Príncipe Eugenio de Saboya. Os jardins são frequentados não só por turistas, mas por moradores que se exercitam ou relaxam entre os canteiros que não estavam tão bem cuidados como eu imaginava. A entrada para os jardins é gratuita e os ingressos para um ou ambos museus/palácios podem ser adquiridos em quaisquer  deles. A bilheteria fica fora do palácio, à sua direita. Optamos por comprar um combo para os dois palácios (€20), chamado Klimt Ticket, pois a diferença era de apenas €6. Para mais informações, visite o website oficial do Belvedere.

Fizemos algumas fotos da parte posterior do Alto Belvedere e como já passava do meio dia, almoçamos nos jardins do palácio, olha que chique, no restaurante Menagerie, que fica na lateral esquerda do Alto Belvedere. Cerveja deliciosa e um prato tão lindo quanto saboroso, recomendo!

restaurantes Viena
Estômago forrado, entramos no Alto Belvedere e para minha surpresa o porteiro nos ouviu falando português e nos recebeu na língua de Camões. Antes de começar a visita, vá ao subsolo para guardar sua mochila ou bolsa e fique à vontade no museu. Você insere uma moeda no sistema de fechamento da porta, que é devolvida quando você retira seus pertences. Quanto à visita, para ser sincera, não sei se não me encantei com o palácio porque já estava me acostumando a tanta suntuosidade em Viena ou se ele realmente não é o belo dos belos.

belvedere museus Viena
Não se esqueça de espiar pelas janelas do Alto Belvedere pois a vista pode ser como esta

Mas eu fui até ali porque o Belvedere é o museu com o maior número de obras de Klimt. Mentira, eu nem sou tão fã assim de Klimt, mas seu O Beijo sempre me fascinou e valeria  a visita nem que fosse para vê-lo apenas. Sei que é óbvio dizer que estar diante da tela real é muito diferente de observá-la em uma reprodução ou na tela de um computador, mas algumas obras são inexplicavelmente impressionantes ao vivo e O Beijo é uma delas. Klimt não viajava muito, mas Veneza lhe serviu de inspiração para sua fase Dourada, em que usava folhas de ouro na pintura e acho que este é um dos fatores que a tornam tão mais linda ao vivo. E por falar em Dourada, você já assistiu ao filme A Dama Dourada? Baseado numa historia real envolvendo judeus, Áustria sob o domínio de Hitler e a obra prima de Klimt, O Retrato de Adele Bloch-Bauer, que foi confiscado pelos nazistas e posteriormente exibido no Belvedere. Acontece que a sobrinha de Adele, já uma senhora vivendo nos Estados Unidos, entra com uma ação contra o governo da Áustria para reaver a pintura que seria sua por direito. Não vou contar o final, mas se você for ao Belvedere sem ter assistido ao filme, procure pela pintura…

O Beijo Klimt Viena
O Beijo, de Klimt

itinerário Viena

Além das obras de Klimt, que tem duas salas especialmente para elas, há pinturas de vários períodos, do Medieval ao  Expressionismo. Quanto à arquitetura, destacam-se a Capela, que não pode ser visitada, mas avistada de uma sacada envidraçada, o Hall de Mármore, a Escadaria e a Sala Terrena, que é o hall de entrada que dá vista aos Jardins entre o Alto e Baixo. Ela tem 4 colunas esculpidas e grandes janelas, muito bonita, mas não fotografei porque tinha uma toy art do Hulk no meio do salão!

itinerário Áustria
O Hall de Mármore no Alto Belvedere
Roteiro Áustria
A grande escadaria do Alto Belvedere
roteiro de 3 dias em Viena
O dono da casa, em pintura à esquerda
belvedere Viena palácios
O Baixo Belvedere, ao fundo

Quando chegamos ao Baixo Belvedere, mente e corpo já estavam cansados e acabamos visitando apenas uma parte do museu. Se você tiver mais tempo disponível, sugiro que reserve um dia para cada museu, pois conseguirá aproveitar as muitas informações sobre o palácio e as obras ali expostas> O audio guide (€3,50, disponível apenas em Inglês e Alemão) é rico em detalhes que ajudariam a compreender melhor não apenas as obras, mas a vida em Viena especialmente nos séculos XVIII e XIX.

Plebeus como nós entram pela lateral, que conduz a salas em destaque arquitetônico, como o Hall de Grotescos, o Gabinete Dourado e a Galeria de Mármore. Na minha opinião, o mais impressionante é o Hall de Mármore, por onde entravam com grande pompa os convidados do príncipe.

belvedere Viena palácios

Museus de Viena
O Hall de Mármore do Baixo Belvedere

O Gabinete Dourado originalmente era coberto por seda com motivos de galhos e pássaros, mas hoje apresenta-se tal como decorado por Maria Tereza, que trouxe elementos do Palácio de Himmelpfortgasse do Príncipe Eugênio.  belvedere VienaViena dicas de viagem

Terminamos o passeio na lanchonete do segundo andar e saímos pela direita, depois caminhamos pela Rennweg até encontrar, bastante por acaso, o Memorial do Exército Vermelho e a Hochstrahlbrunnen (fonte), ambos na praça Schwarzenbergplatz.

A fonte é de 1873 e celebra a finalização do sistema de abastecimento de água em Viena e há jatos em números representativos dos dias do ano, da semana, horas do dia, dias do mês. OK, entendi, não falta água em Viena…

passeios em Viena
O Memorial do exército Vermelho
Quando visitei a praça, não sabia o que era o monumento arcado, mas tinha cara de algo bélico. Arcos são sempre para representar vitórias triunfais, não? Fiz minha lição de casa e agora sei que foi erguido em 1946 pelo exército soviético que ocupou uma parte de Viena até 1955. Eu veria monumento parecido depois em Budapeste, acho que era um padrão arquitetônico.

A dois quarteirões dali, fica a Karlskirche (Igreja São Carlos), mas nossos passos sem rumo nos levaram à Beethovenplatz, onde fica a escola de ensino médio mais antiga de Viena, Akademisches Gymnasium, de 1553. O edifício em estilo gótico estava fechado, mas eu passei alguns bons minutos admirando os brasões da fachada. Leia mais aqui.

Viena o que fazer em 3 dias
Akademisches Gymnasium, a escolad e segundo grau mais antiga de Viena

Mais dois quarteirões e estávamos no Stadtpark, o parque da cidade com 65 mil metros quadrados. Sim, mais um parque – e olhe que nem visitei todos! Era final de tarde e muita gente estava cruzando-o para cortar caminho. Um canal vindo de um segundo canal do Rio Danúbio também corta o parque e apesar do pouco volume é bem bonito de se apreciar, com pontes, luminárias estilosas e vegetação pendente. Gramados, canteiros, laguinho com patos completam o paisagismo. Embora estejamos em plena Ringstrasse, os sons da vida urbana não nos alcança.

roteiro de Viena

Mas as atrações mais visitadas do Stadtpark são o Kursalon, casa de espetáculos onde Strauss se apresentou pela primeira vez, em 1868, e o monumento dourado em sua homenagem.

Viena o que fazer
Relógio de Flores no Stadtpark e ao fundo o Kursalon, onde Johann Strauss deu seu primeiro concerto

Viena dicas de passeios

Novamente caminhamos a esmo e conhecemos a igreja St Maria Rotunda, onde uma missa acontecia e por isso não tenho imagens. Mas é uma bela igreja com uma fachada austera que não representa seu interior. Se quiser, leia no Wikipedia sobre ela.

Para o jantar, escolhemos uma mesa no Café de l’Europe, na Graben, já em clima de despedida, pois na manhã seguinte pegaríamos o trem para Budapeste.

Posso comparar? posso? posso?
Bem, depois de Viena visitamos Budapeste e Praga, então comparações entre as três cidades foram imediatas e inevitáveis. Das três, achei Viena mais formal, mais elegante, mais limpa, mas não a mais acolhedora, embora tenha sido lá que as pessoas se mostraram mais prestativas e educadas. Mas sabe aquela pessoa que por mais que seja simpática e educada não tem aquele tchan? Achei isso de Viena, ressaltando que escrevo aqui impressões de turista, sem profundo conhecimento ou vivência da cidade. De qualquer forma, vale e muito conhecê-la, nem que seja para nos dar inveja!

E se você tivesse 7 dias em Viena, o que faria? Leia o que o Alessandro do Fui e Vou Voltar fez. Gosto muito de seus relatos e acho que você vai gostar também! É só clicar aqui.

Roteiros sugeridos pelo Vienna Tourist Board

Passeio 1 (azul)
Comece na Opera de Viena (1) caminhe pela Karntner Strasse até chegar à Catedral Santo Estevão (2). Nos arredores, visite Mozathaus Vienna (3). Depois vá até o palácio imperial Hofburg (4) pelas ruas Graben e Kohlmarkt. Atravesse a Heldenplatz e admire de longe os edifícios do Parlamento e da Prefeitura. Atravesse a larga avenida e na Theresienplatz você verá dois edifícios gêmeos: os Museus de História Natural Kunsthistorisches (5). Atravessando a praça você chega ao Museumquartier (6), onde ficam o Leopold, Kunsthale Wien e o Museu de Arte Moderna. Caminhe em direção ao domo dourado do edifício Secession (7). Pegue a passagem subterrânea que leva a Musikverein (8), sede da Filarmônica de Viena. Aviste o domo marcante da igreja barroca Karlskirche (9) e o Museu Karlsplatz. Continue pela Lothringerstrasse, passando pelo Konzerthaus (10) em direção ao Stadpark, onde você verá o Monumento a Strauss. Atravesse o Ringstrasse e pegue a rua Seilerstatte até a Haus der Musik (12). Siga pela Karntner Strasse, e chegue ao Albertina (13).

Viena passeios

Passeio 2 (rosa)
Comece no Burggarten (14) em direção a Heldenplatz (15) . Do outro lado  da Ringstasse, fica o Parlamento (16) e ao lado o Rathauspark (17), parque onde fica o edifício da prefeitura e, frente a ele, o Burgtheater (18), um dos maiores teatros da cultura germânica. De lá vale a pena caminhar até a Minoritenkirche (19), igreja com mosaico da Santa Ceia de Leonardo da Vinci. Caminhe pela Amhof (20), local de arquitetura mais relevante da cidade velha, onde escavações para um estacionamento subterrâneo feitas em 1960 revelaram ruínas romanas. Pela Judenplatz (21) você encontrará memorial do holocausto, escavações de uma sinagoga medieval e o Museu sobre a vida judaica na Idade Média e chegará à Hoher Makt (22), como o famoso relógio Anker (apresentação ao meio dia). Depois vá á região conhecida como Triângulo das Bermudas (23), um dos lugares mais famosos de Viena, onde á bares e restaurantes. Alcance a Catedral de Santo Estevão (24) pela Rotenturmstrasse.

Passeios fora do Centro
– Palácio Schonbrunn (residência de verão dos Habsburgs): estação Schonbrunn U4 (metrô)
– Tiergarten Schonbrunn (Zoo): estação Hietzing U4 (metrô)
– Palácio Belvedere (residência barroca e jardins, museu de arte e maior acervo de Gustav Klim): bonde D ponto Schloss Belvedere
– Hundertwasser Haus/Kunsthaus Wien (museu com exibições temporárias): bonde1, ponto Radetzkyplatz
– Prater/Roda Gigante (parque verde e de diversões): estação Praterstern U1 e U2 (metrô)
– Kahlenberg/Leopoldsberg (vinículas nas colinas de Viena: ônibus 38A partindo de Heiligenstadt, ponto Kahlenberg ou Leopoldsberg.

Vai programar sua própria viagem a Viena? Pesquise seu hotel pelo site Booking.com, o mesmo que utilizo para fazer as minhas viagens. Leia as avaliações de hóspedes, veja as fotos do quarto e do hotel, a localização e faça sua reserva clicando aqui.

O blog também te ajuda com o seguro viagem, que inclui desde problemas de saúde a extravio de bagagem. Temos parceria com a Mondial Assistance, que oferece 15% de desconto para os leitores do Mulher Casada Viaja. 

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Este é o segundo post do Roteiro de Viena, de uma série de três, e relata nosso segundo dia (30 de setembro) na capital da Áustria e traz dicas e fofocas sobre a Imperatriz Sissi. Não deixe de ler o guia de Viena e os demais relatos desta viagem na página-índice sobre Viena.

Dia 2 – Museu do Mobiliário, Catedral Santo Estevão, Graben, Peterskirche, Confeitaria Demel, Hofbug (Museu da Prataria e Museu Sissi), Parque de Diversões Prater, Votivkirche, Volksgarten e Wiener Wiesn Fest

Nosso café da manhã foi no Starbucks. Lá um cachorro sentado aos pés de seu dono descansava tranquilamente. Eles também passeiam em metrô e bondes. Aviso: esta série sobre Viena está cheia da mais bem intencionada inveja. O respeito pelos cães – e consequentemente por seus donos – é a inveja número 1 do dia.

Meu pé esquerdo continuou doendo, mas um analgésico resolveu a questão e fomos caminhando até o Museu do Mobiliário, que ficava pertinho do apartamento, mas do lado oposto ao que fomos! Definitivamente, nosso GPS interno estava defeituoso ou ainda não tínhamos instalado o mapinha mental de Viena, que agora está mais tranquilo na minha memória.

museu mobiliario Viena Ástria

O Museu tem uma entrada discreta – o que é de espantar diante de tanta suntuosidade em Viena – e passamos por um pátio que mais se parece com um estacionamento/entrada de serviço. A admissão estava inclusa no ingresso Sissi comprado no dia anterior e por ser perto e relativamente pequeno, e porque eu curto arquitetura e decoração (três motivos já valem, né?), resolvemos dar uma chance a este museu. Poucas pessoas devem fazer isso, porque conosco havia só umas outras 6, mas acho que valeu a pena, pois não se perde muito tempo nele. No andar superior há exposições temporárias, que não visitamos devido a outros compromissos. Além de muitos móveis, claro,  há roupas da imperatriz-modelo (já conto porque), pinturas e uma exposição com o mobiliário original do império utilizado nas filmagens da série Sissi, a Imperatriz. O triste é saber que esse empréstimo fez com que muitas peças se perdessem pelo mau uso nos sets de filmagem. Diferente dos demais museus, neste é permitido fotografar sem flash. Claro que tirei foto com a polêmica Sissi!

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Peças usadas nos filmes Sissi
Peças usadas nos filmes Sissi e o telão exibe suas cenas

Tomamos o metrô para a muvucada região da Catedral Santo Estevão, cuja estação mais próxima é a Stephansplatz. Mesmo sob restauração externa, a catedral de Viena impressiona pela arquitetura. E esses telhados coloridos, você confere de perto ao subir na Torre Norte, de elevador.

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Uma mesa instalada à direita da Catedral vende ingressos  para acessar o elevador para a Torre Norte (€5,50), a que rendeu as fotos deste post, guia de áudio e visita às catacumbas.  A Torre sul é mais alta, com 136 metros e 343 degraus. Para saber mais sobre a igreja, visite o website oficial (em Inglês e Alemão).

Catedral Santo Estevão Viena Áustria
As águias são símbolo do império austríaco e brasão da cidade de Viena

igreja S estevão Viena

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Fotografei as carruagens e seus cocheiros com roupas de época que formam fila na lateral da igreja e caminhamos pelas ruelas próximas até o número 5 da Domgasse, onde fica o museu Mozarthaus a casa onde Mozart viveu de 1784 a 1787, mas não entramos. Mais informações no website oficial.

carruagem igreja Viena

Depois foi a vez de percorrer a rua de pedestres Graben, com comércio e restaurantes com mesinhas no calçadão e edifícios de detalhes arquitetônicos fascinantes. Turistas e locais se encontram no happy hour nas mesas do calçadão. E fumam. Como fumam.

A Graber: rua turística de comércio e com edifícios belíssimos
A Graber: rua turística de comércio e com edifícios belíssimos

Virando à segunda direita, 5 minutinhos depois, chegamos à Petersplatz, onde fica a Igreja de São Pedro (Peterskirche), a segunda igreja mais antiga da cidade e que hoje apresenta acabamento barroco desenhado em 1702. O domo tem um afresco fantástico representando a coroação da Virgem Maria.

A fachada da Peterskirche
A fachada da Peterskirche

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igreja São Pedro Viena

Voltamos para os arredores da catedral e comemos nosso primeiro hot-dog vienense! Eu chamei de pão com moeda, porque a mesma mão que manipula o pão é a que recebe seu dinheiro. Sem luvas e sem pudor. Fechei os olhos e fiquei satisfeita que na viagem à Europa Central esta cena se repetiria diversas vezes e eu não teria nenhuma infecção intestinal.

Hot dog vienense: delicioso!

A sobremesa foi muito especial: paramos na histórica Demel (Kohlmarkt, 14), a confeitaria que servia a família imperial, olha como somos chiques. Falando sério, diferente do Brasil, onde um estabelecimento afamado, bem localizado e com produtos distintos cobra por tudo isso, fiquei surpresa ao ver que é tudo muito acessível. O atendimento  para quem não quer apenas comprar no balcão não é dos mais rápidos, mas um lugar desses precisa ter o ar respirado, as paredes observadas, o teto vasculhado em busca de histórias. OK, não foi nada disso, eu curti mesmo é poder me sentar e descansar enquanto esperava pela minha torta de ameixa. Ai, que saudade dos meus 20 e poucos anos… Depois da comilança doce, enquanto o café não chegava,  subi ao terceiro andar do edifício e vi salas exclusivas e ricamente decoradas, provavelmente usadas para eventos. Ah, e subindo você tem a vista privilegiada da área de preparo de alimentos!

O salão do térreo da confeitaria Demel
O salão do térreo da confeitaria Demel
Área reservada da Demel
Área reservada da Demel
Visite nossa cozinha!
Visite nossa cozinha!


Uma das surpresas do dia ficou por conta do Museu da Prataria (Silberkammer), no complexo Hofburg, residência imperial de inverno, onde ficam também o Museu da Sissi, a Biblioteca Nacional Austríaca, a Escola Espanhola de Equitação (Spanische Hofreitschule), os gabinetes do presidente da Áustria e museus de arte com obras acumuladas durante os quase 700 anos do império Habsburgo. 

Michaelerplatz, acesso ao Hofburb
Michaelerplatz, acesso ao Hofburg

 

A maquete do complexo dos palácios e jardins
A maquete do complexo dos palácios e Volksgarten
Fachada central do Hofburg
Fachada central do Hofburg. E um cara que eu não conheço que não saía de jeito nenhum da frente!

Visitar um museu como o da Prataria pode parecer chato para muita gente e é realmente meio cansativo, mas dá uma dimensão da suntuosidade (olha essa palavra de novo!) da corte imperial. Apesar do nome, além de prata há mais objetos de louça, com delicadas pinturas florais e vindos de várias partes do mundo.  O guia de áudio é bem completo e praticamente explica sobre cada vitrine de objetos, com explicações do material, do artesão, data, ocasião de uso… O ingresso estava incluso no combo Sissi Ticket.

A peça mais impressionante devido a suas dimensões
A peça mais impressionante devido a suas dimensões
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Esse era um trabalho artesanal!
Presente de casamento nunca usado. Atire a primeira pedra...
Presente de casamento nunca usado. Atire a primeira pedra…

Um lance de escadas e estamos na entrada do Museu Sissi, o Museu-fofoca. As primeiras salas são mais intimistas, seja pelo tamanho dos corredores, seja pelo escurinho do ambiente. O áudio é bem completo, mas não tivemos tempo para ouvir tudo o que estava disponível. Depois visitamos os aposentos imperiais (kaiserappartements): escritórios, quartos, salas de jantar e de jogos, salas de banho e de ginástica.

Sala de ginástica de Sissi
Sala de ginástica de Sissi

E já que estamos no museu-fofoca, menina, nem te conto! Sissi tinha a maior neura com beleza! Experimentava vários tratamentos para a pele, banhos de imersão com choques térmicos, passava horas para arrumar a longa cabeleira tão amada por seu marido-imperador. Diziam que colocava bifes sobre o rosto para dormir na esperança de manter a pele jovem e nunca se deixou ser pintada depois dos 34 anos! Sorte dela não haver paparazzi naquela época…

Que cintura é essa!!!!
Que cintura é essa!!!!

Como não tinha Facebook ou revista de fofoca no Império austríaco, talvez você não saiba que a Imperatriz Sissi tinha uma doença ainda não conhecida na época, a anorexia. Chegou a 45 quilos tendo mais de 1,70m de altura. E mais: quem consegue ter uma cintura de 50 cm de diâmetro?! Sissi! E quando ela adoeceu oficialmente de uma doença pulmonar, as más línguas tuitaram que era doença venérea! Meu São Franz Joseph, não pode ser verdade!

Mas vejam só: eu, você e ela temos algo em comum:  SISSI ADORAVA VIAJAR!!!

E este fato parece ser bastante relevante, pois até um póstumo mapinha com alfinetes nas cidades visitadas Sissi ganhou, daqueles que todo viajante viciado tem. Abaixo, repodução do vagão de trem utilizado por Sissi em suas andanças.

O vagão de trem em que Sissi viajava. Classe imperial
O vagão de trem em que Sissi viajava. Classe imperial
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Acho que o vestido de Scarlet O’Hara, de O Vento Levou, foi inspirado neste que aparece em primeiro plano…

Pensando bem, acho que vou escrever um post só para falar da Sissi. Pessoazinha polêmica, ela, não?

Orgulho de mim mesma: não era permitido fotografar no museu e eu resisti bravamente, mesmo vendo outras pessoas burlando a regra. As três fotos acima eu tomei emprestadas de sites da Internet. Vá com tempo pois o audio guide é bem completo e leva bastante tempo ouvir todos os detalhes picantes ou não da vida da Imperatriz. Na saída do museu, uma lojinha com vários produtos inspirados em Sissi.

Já entardecia quando deixamos o museu e caminhamos pelo bem cuidado jardim VolksGarten. Aí volta a sensação de inveja ao ver as pessoas tranquilamente aproveitando o final do dia para caminhar, correr, passear com seus bebês. E tudo limpo, bem cuidado, seguro e silencioso. Tento me convencer que essas benesses se devem ao fato de estarmos numa área turística, centralizada e valorizada, assim como em certas regiões de SP.

Volksgarten Viena
Viena é mais linda no Volksgarten. Mas não só lá…

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Deixamos o parque em frente a Rathausplatz, o edifício da prefeitura de Viena, que fica ao lado do imponente Parlamento, e caminhamos em direção a outro parque, o Sigmund Freud, onde fica a Votivkirche. 

Estou até agora esparramando minha inveja diante da beleza, limpeza, segurança de Viena, mas esta igreja tem sua história intimamente relacionada com um fato violento e histórico: em 1853 o imperador Franz Josef estava a caminhar como sempre quando nas redondezas de onde hoje fica a igreja foi atingido pelas costas com uma faca. Como não morreu, a igreja foi erguida como agradecimento. A história completa você pode ler na wikipedia. OK, isso foi à quase dois séculos, não conta.

A sede da prefeitura de Viena
A sede da prefeitura de Viena
igreja Votickirche Viena
A Votivkirche vista da Reichsratsstrasse

O maridão queria encerrar o dia por ali, “porque não temos mais 20 anos e não aguentamos mais andar o dia todo”, mas insisti, nos divertimos e ninguém padeceu de cansaço ou sono! Afinal, não é todo dia que você vai à Europa. Tomamos o metrô em direção ao Prater, os pulmões da cidade, para conhecer o parque de diversões de mesmo nome e que tem a roda gigante mais antiga do mundo, a Riesenradplatz.

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A roda gigante mais antiga do mundo atrás da entrada do Wiener Wiesn Fest

Prater parque roda gigante Viena

O Parque Prater é uma área verde pública que até 1766 pertencia à aristocracia como região de caça. O comércio não demorou a aparecer, assim como brinquedos típicos de parques infantis como gangorra e gira-gira. Daí para o que é hoje foi um pulinho. Em 1873 Viena sediou a Exibição Mundial, feira que inspirou em 1889 a construção da Torre Eiffel de Paris, por exemplo, e o Prater recebeu 53 mil expositores. O edifício construído para a ocasião foi destruído em um incêndio de 1937.

A entrada do parque de diversões é gratuita, então você paga apenas pelas atrações que quiser. Para mais informações, acesse o website oficial.

Eu não fiz muita questão de brincar por ali, preferindo observar a festa que rolava animada ao lado: Viena também tem sua Oktoberfest, a Wiener Wiesn Fest, e esta foi a maior surpresa do dia. 2015 foi a quinta edição da festa e em 2016 a farra começa em 22 de setembro. Enquanto a festa de Munique tem 6 galpões de cervejarias, aqui são 3, mas a cultura e animação são as mesmas: trajes tiroleses, galpões de cervejarias com música tradicional ao vivo e muita paquera, claro, representadas pelos graciosos Herzerlwerkstatt, biscoitos de gengibre decorados com declarações de amor, uma espécie de correio elegante deles. Menos românticos são os pretzels, que além de servidos à mesa ou em cestas, também decoram os galpões das cervejarias.

A Wienfest, a Oktoberfest vienense
A foto num momento não muito animado
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Herzerlwerkstatt, biscoito de gengibre-correio elegante
Pretzel e cerveja: ícones da festa
Pretzel e cerveja: ícones da festa

E a inveja bateu novamente: jovens e adultos em trajes típicos só pode significar que sentem orgulho de sua cultura, o que acabei por confirmar com um alunos alemão que mora em Viena. Será que estou sofrendo da síndrome do vira-lata? Talvez, talvez, posso eu acreditar que em nosso carnaval as pessoas sentem o mesmo orgulho de nossa cultura?

Prater Viena Cerveja

Não me causou inveja a antipatia dos seguranças/porteiros dos galpões: pedi que me permitissem fotografar do lado de dentro do galpão, a um passo da porta de vidro (para evitar o reflexo), mas todos, sem exceção, negaram meu pedido. Depois acham falta de educação quando simplesmente decidimos fotografar sem permissão. Em Praga ganhei um empurrão por causa disso… Se tem algo de que me orgulho em meu país é da simpatia e receptividade do brasileiro!

Como não aguentaríamos uma noitada num galpão, ficamos pelas barraquinhas montadas no parque. Comemos mais sarschichons e tomamos mais cerveja enquanto eu entrevistava a atendente da barraquinha, fazendo mil perguntas sobre a festa, a tradição, as comidas… que parecia não saber muito sobre a cultura, infelizmente. Também provamos doces ditos típicos, que me lembraram dos doces de armazém de quando eu era criança! Sim, eu comprava coisas em armazém, uma espécie de loja de conveniência dos anos 1970.

A eficiência típica alemã: um suporte com dois cilindros na mesma circunferência da salsicha fura o pão
A eficiência típica alemã: um suporte com cilindros na mesma circunferência da salsicha fura o pão

 

comida IMG_0455Para chegar ao Prater, que fica no distrito 2 (Leopoldstadt), descemos na estação de metrô Praterstern, que é muito conveniente: tem até supermercado, o onipresente Billa. E a inveja bateu de novo: na volta pra casa compramos algumas frutas e, na hora de pesar, é você mesmo quem insere o código. Claro, não tendo ninguém para burlar e colocar código de fruta mais barata, para que precisaria de um funcionário só para apertar botões e colar etiqueta no seu saquinho plástico?! Não ficou com inveja? Então veja o preço do chocolate suíço Lindt….

A poucos quarteirões dali, fica o rio Danúbio, mas eu não fui até ele. Sim, eu sei, mas eu tinha lido que Viena, apesar da valsa Danúbio Azul, não guarda a porção mais bela do rio. O rio lindo, isso eu vi lá em Budapeste, cidade que amei e sobre a qual logo logo terei o prazer de compartilhar aqui no blog.

Dia longo esse, post longo. No próximo eu conto sobre o roteiro do dia 3, o último em Viena, quando visitamos o Belvedere e o Stadtpark.

 

 

Roteiro de 3 dias em Viena – dia 1

Viena evoca para a maioria das pessoas elementos que realmente são a cara da cidade: Mozart e Strauss (sim, tocava valsa até no banheiro do palácio Belvedere), o rio Danúbio (azul ou verde?), palácios e jardins, a Imperatriz Sissi, talvez até salsicha vienense – que não tem nada a ver com a nossa! O que fazer por lá, então, misturando Mozart e salsichas? Este é o primeiro post de uma série de 3 e nele relato nosso primeiro dia em Viena, 29 de setembro. No segundo, o relato do dia 2 e no terceiro, além do dia 3, roteiro de passeios a pé elaborados pela Secretaria de Turismo de Viena, que gentilmente me presenteou com material informativo da cidade, um Vienna Card e lembrancinhas promocionais. Obrigada, Florian Wiesinger! Escrever sobre Viena ficou mais fácil.

Vai a Viena e quer dados práticos e rápidos? Leia  Viena: Guia para Planejar sua Viagem e os demais relatos desta viagem na página-índice sobre Viena.

Viena roteiro

O que é que Viena tem? Alguns números

  • um boulevards de 5 quilômetros chamado Ringstrasse, construído em 1865 no lugar dos muros da cidade.
  • cerca de 120 salas de espetáculo e teatros
  • mais de 100 museus
  • 50% da cidade é de áreas verdes e há 280 jardins e parques imperiais
  • população de 1.7 milhões espalhados em 415 quilômetros quadrados
  • 1.716 pontes – quatro vezes mais que Veneza
  • o Coral dos Meninos de Viena existe desde 1498

Não se impressionou? Mas vai, ao caminhar pela cidade e perceber o quanto ela é ao mesmo tempo dinâmica e tranquila, cosmopolita e interiorana, suntuosa e acessível.

Se você quiser espiar o planejamento desta viagem, como reserva de hotéis e compra de bilhetes aéreos e de trem, o post é este: O Jogo do Planejamento de uma Viagem Internacional

Chegamos a Viena numa segunda-feira por voltas das 20h, depois de uma conexão longa proposital para visitar Munique, onde passamos a tarde. Caso seu voo tenha conexão em Munique, não deixe de ler as dicas neste post.  Como já era noite e nossa primeira vez na capital da Áustria, preferimos tomar um taxi (€33), que eu havia reservado online do Brasil e cujo motorista nos aguardava com aquelas plaquinhas no desembarque do aeroporto. Caso você queira reservar, clique aqui para ir ao site deles.

Viena Ringstrasse
O Parlamento e ao fundo a Torre da Prefeitura

A primeira impressão da cidade foi literalmente monumental, já que os edifícios construídos na Ringstrasse de que falei acima são da época do império austro-húngaro, ou seja, coisa para rei ou imperador nenhum botar defeito.

Nos hospedamos em um apartamento alugado pelo site AirBnB, localizado numa paralela à rua de pedestres Mariahilfer Straße e a duas quadras do Museumsquartier. Ouvimos as instruções do proprietário do apartamento e saímos para comer algo nos arredores mesmo. OK, confesso: sem muita paciência para escolher um restaurante, fomos ao McDonalds. Mas Viena se revelaria pela luz do dia seguinte, eu não queria estragar a surpresa e explorá-la cansada como eu estava. Ah, sobre alugar pelo AirBnB e minha avaliação da experiência, leia AirBnB, como escolher um imóvel para alugar.

graben VienaE Viena foi se apresentando aos poucos, nas fachadas caprichosas da esmagadora maioria de seus edifícios, na limpeza das ruas, nas ciclovias, nas facilidades de transporte, na gentileza de moradores que se ofereciam para dar informações ao nos verem matutando qual bondinho pegar. E no silêncio. Gente, que cidade silenciosa! O som dos automóveis parece não chegar aos parques e praças que se multiplicaram como Gremlins e, fora das avenidas mais movimentadas, o clima é de tranquilidade se comparado a capitais como Paris, Londres, Roma e Praga. A muvuca fica mesmo na Graben perto da Catedral de Santo Estevão.

Viena parques Volksgarten

Mas vamos lá, eis o que fizemos e que pode sugestionar sua viagem:

Dia 1 – Igreja Mariahilf – Palácio Schonbrunn: jardins e Museu das  Carruagens
O café da manhã foi perto do apartamento, e a primeira coisa que reparei foi que os vienenses fumam muito, dentro dos restaurantes e cafés. Um amigo que vive lá me disse que essa farra acabará em 2016. Ponto para Viena!  Do café avistamos uma igreja que não estava na lista de coisas para ver e fazer e, apesar de sua fachada simples, a igreja Mariahilf, construída no século XXVII, nos surpreendeu pela beleza dos afrescos, do órgão e de detalhes como os lustres de cristal (afinal, estamos na Áustria!). Restaurada nos anos 1990, teve sua estrutura abalada pela construção do metrô e precisou ser ancorada para que a nave não pendesse. Como talvez você tenha adivinhado, a igreja deu nome ao bairro e à rua de pedestres. Eu explico sobre os bairros de Viena no Guia de Viena.

Viena o que fazer
Mariahilfer, na Mariahilfer Strabe, 55

Viena dicas

Então saímos a caminhar pela Mariahilf, rua comercial larga de pedestres, observando os passantes a caminho do trabalho, e percebemos que nosso GPS interno estava buggado! íamos a oeste em vez de leste. E já que isso aconteceu, depois de andar pra caramba e perceber que por ali não havia mais muito para ver, tomamos nosso primeiro bondinho rumo ao Schonbrunn, o palácio imperial de verão e atração mais visitada de Viena. Fotografar a fachada completa do palácio exige que você esteja do outro lado da rua, então faça isso antes de passar pelos portões. À esquerda do portão, fica a bilheteria. Se você for comprar ingresso simples, há máquinas automáticas, com filas mais rápidas. Para bilhetes combinados, use a fila única da bilheteria. Compramos o Sissi Card (€28),  que inclui ingresso ao Palácio (Grand Tour) e jardins, ao Museu do Mobiliário e ao Museu da Sissi e da Porcelana.

A fachada frontal do Palácio de Verão
A fachada frontal do Palácio de Verão

Não é permitido fotografar os ambientes internos do palácio, por isso nenhuma imagem aqui. E olhe que impressionante: ninguém tentou fotografar, ninguém!

Saímos do palácio já passava da hora do almoço, mas como ainda tinha todo o espaço dos jardins para explorar, escolhemos o café do zoológico que fica nos jardins do palácio. O serviço foi rápido, a comida saborosa e de ótima apresentação e a cerveja Ottakringer boa como sempre. Quanto ao Schonbrunn Zoo, não o visitamos, mas ele é considerado o mais antigo do mundo, fundado em 1752! Para chegar lá, use a linha 4 do metrô e desça na estação Hietzing  ou tome um destes bondes: 10,58 e 60.

schobrunn jardins

Nesse dia, não rolou sarsichão!
Nesse dia, não rolou sarsichão pra mim, fui de salada!

Viena dicas de restaurantes

Pernas relativamente descansadas, subimos a colina entre os caprichados canteiros do jardim do palácio em direção ao Gloriette, uma construção de 1775 utilizada pelo imperador Francisco José I para… tomar o café da manhã. Se quiser brincar de imperatriz, lá tem um café com a vista mais bonita de Viena, pois o salão central é envidraçado. Ou tenha a vista como um plebeu, do lado de fora. Ela é a mesma.

O jardim nos fundos do Schobrunn e Gloriette, no alto da colina
O jardim nos fundos do Schobrunn e Gloriette, no alto da colina

Ah, entre o palácio e Gloriette, há uma fonte encomendada pela imperatriz Maria Thereza, a sogra da Sissi, finalizada em 1780. Netuno é o destaque. Por trás da fonte, uma bela vista do palácio e dos jardins.

O Palácio visto pelas águas da fonte de Netuno
O Palácio visto pelas águas da fonte de Netuno

Os jardins abrigam ainda outras atrações, como a Casa das Palmeiras, a maior estufa da Europa, com centenas de plantas de diversas partes do planeta, o Labirinto, as Ruínas Romanas (fake!), o Museu Infantil e o Orangery.

Como pra baixo todo santo ajuda, num instante estávamos de volta à fachada do palácio e como o homem casado viaja adora um veículo, resolvemos visitar o Museu das Carruagens Imperiais, que fica num edifício à direita do palácio. É um museu pequeno, bom para fechar uma tarde e, como não é muito visitado, é possível fotografar e ler as plaquinhas (em alemão e inglês) com calma.

O Museu da Carruagem, anexo ao Schobrunn
O Museu da Carruagem, anexo ao Schobrunn

 

Não perca nos próximos episódios: post Schonbrunn, quando dou detalhes sobre cada uma dessas atrações e dicas de transporte, tipos de ingresso, preços, e claro minhas impressões impressionadas sobre tudo isso.

Já passava das 17h quando deixamos o Museu das Carruagens e o sono bateu tão forte quanto a dor no meu pé esquerdo, resquício de uma torção mal curada durante o Cruce Andino, 3 meses antes. Tomamos o bondinho 58 e depois o 9 e o 49, que nos deixou perto do Hofburg. Não se assuste com as baldeações de um para outro bonde. Elas têm intervalo de uns 5 minutinhos e por estar na superfície, diferente de metrô, você sempre tem muito a observar, desde o simples cesto de lixo que tem um recipiente para bitucas de cigarro (como os vienenses fumam!) até o horizonte embasbacante do entorno do Hofbug (a residência oficial do império): cúpulas, torres, cavalos, águias, mais torres, mais cúpulas, mais águias e mais cavalos. Andamos a esmo até que não aguentamos mais e perto da Opera entramos em um restaurante onde provamos o prato que é como o nosso arroz feijão para os vienenses: o  Schnitzel, um filé bem fininho e empanado. Tomamos o metrô para voltar ao apartamento e a sensação que ficou do meu primeiro dia foi meio estranha. A profusão de torres, cúpulas, fontes, palácios me deixou meio atordoada. Ou teria sido o cansaço? Mas como diria Scarlet O’Hara, “amanhã é outro dia!”. E tome mais cúpulas, palácios, jardins, fontes, torres…

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Staats Opera

No próximo post, o relato do dia 2 em Viena.

Vai a Viena? Pesquise pelo site Booking.com, o mesmo que utilizo para reservar hoteis. Leia as avaliações de hóspedes, veja as fotos do quarto e das áreas comuns do hotel, sua localização e faça sua reserva clicando aqui.

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Viena: guia para planejar sua viagem

   Mais um guia com informações práticas e objetivas para você começar
o planejamento de sua viagem, desta vez para a linda Viena, capital da Áustria. Não deixe de ler também os demais posts de Viena com roteiro, visita a museus e outros. É só clicar aqui.

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Não se esqueça de espiar pelas janelas do Alto Belvedere pois a vista pode ser como esta


Localização
Capital da Áustria, localizada na Europa Central, Viena fica no extremo Nordeste do país. Por isso, se você pretende conhecer Viena, pode ser uma boa ideia combinar na mesma viagem cidades de países ao Leste da Áustria, como Bratislava, Budapeste e Praga. Nada impede que você estique a outras cidades austríacas, como Innsbruck e Salzburgo, mas elas estão mais perto de Munique, por exemplo, do que de Viena. Mais abaixo você encontra as distâncias até algumas dessas cidades. Viajar por regiões e não por países, foi uma forma de viajar que aprendi depois de gastar muito tempo e dinheiro em deslocamentos aéreos para conhecer um país de uma só vez, como fazer o Leste e o Oeste do Canadá na mesma viagem. Viajar por regiões algumas vezes traz a desvantagem de ter de trocar moeda e passar por fronteiras, mas ainda acho que compensa. Sem contar que tem uma certa contrariedade à ordem política. Adoro lembrar que fronteiras entre países quase nunca são naturais, mas objeto de guerras, disputas, acordos que quase nunca respeitaram as diferenças religiosas ou culturais da população.austria-map-0[1]
Como Chegar
✈ Não há voos diretos para Viena partindo do Brasil. Você terá que fazer conexão em alguma cidade europeia, como Paris, Lisboa, Roma, Zurique, Frankfurt, dependendo da nacionalidade da companhia aérea escolhida. Eu voei pela Lufthansa, com conexão de 8 horas em Munique. Este período longo foi proposital, pois assim poderia fazer um reconhecimento da cidade, que está numa viagem futura pela Rota Romântica, no Sul da Alemanha. Leia dicas sobre como se organizar para uma conexão e o roteiro de Munique neste post.

Para dicas de como planejar sua viagem de maneira autônoma,
sem agentes ou agências, completamente livre e desempacotado,
acesse Receita de Viagem.

trem Viena Áustria

🚄 Em alemão, bahnhof é estação de trem. Viena tem duas principais, a Westbahnhof e a Hauptbahnhof. Se você vem de Budapeste, são 2h30 de viagem. De Praga, são 4h10. Você pode comprar sua passagem de Budapeste a Viena no site da Máv, a companhia de trem húngara. Mas atenção: não pode comprar na Máv se quiser fazer o trecho Viena-Budapeste, como eu fiz. Nesse caso, compre na Obb, a companhia austríaca. Como essas companhias não imprimem e-tickets e não entregam pelo correio, você precisa retirar o bilhete em uma estação de trem do país. O site deles não é tão friendly, mas não é impossível de navegar. Qualquer dúvida, mande nos comentários que eu ajudo. Eu paguei € 19 na segunda classe, mais €3 de reserva de assento. Se preferir, pode comprar no site da RailEurope, que é mais fácil de navegar e está em Português, mas as tarifas costumam ser mais altas: 50 dias antes da viagem estavam € 47 . Compare os preços e faça sua escolha. De Praga a Viena, compre na empresa tcheca, a Ceské Dráhy .Paguei €16 mais €3 para a taxa de reserva de assento, que valeu a pena pois o trem estava bem cheio – e já era Outono.

trem Praga a Viena
Interior do trem de Praga a Viena

Leia sobre a escolha do transporte entre Viena, Budapeste e Praga neste post.

🚌 Se você optar pelo ônibus vindo de outro país europeu, chegará à estação Wien Mitte.

Como circular por lá

A divisão dos bairros de Viena
A divisão dos bairros de Viena

👣  Viena é dividida em distritos (bairros), começando pelo central 1, onde está a maioria das atrações. Se você estiver em um hotel dentro ou nas proximidades da Ringstrasse, que é a avenida que circunda o distrito 1, exatamente onde antes ficavam os muros da cidade, dá para fazer muita coisa a pé.

Transporte público em Viena
Ônibus, metrô e bonde servem a cidade e Viena se orgulha de ser detentora do recorde europeu de maior número de usuários de transporte público. Os trens são ligados às estações de trem  que levam ao aeroporto ou a outras cidades.
Para circular por Viena, usei o cartão VOR (Vienna Card) oferecido ao blog pelo Vienna Tourist Board (obrigada, Florian!), que tem validade de 24, 48 ou 72h e pode ser usado em ônibus, metrô e bonde. Compre nos guichês ou nas máquinas automáticas das estações. Você o valida no primeiro uso de qualquer um dos meios de transporte e depois só precisa apresentá-lo em caso de  fiscalização. Veja valores no item Preços, mais abaixo.

 🚃 Os charmosos bondes vermelhos percorrem boa parte dos pontos turísticos, mas são usados por moradores também. Se você estiver sem o cartão de transporte VOR, é possível comprar um bilhete unitário nas máquinas dentro dos bondes e validá-los. Os bilhetes unitários são perfurados na validação e cartões têm a data da validação estampada. Não é preciso dar sinal para subir neles, pois param em todos os pontos e para descer, nos mais novos é preciso apertar o botão laranja.

dicas de  Viena
Os charmosos bondes de Viena

🚌Como em toda capital turística, Viena também tem o BigBus, ônibus turístico de dois andares com áudio em diversos idiomas (tem em Português) que passa por várias atrações, permitindo a quem compra o passe subir e descer do ônibus durante o período válido de 24 ou 48h. Clique aqui para saber mais.

blog de viagemViena
A ciclovia de Viena é pintada apenas onde há maior movimento de pedestres. E de verde.

🚲 As bikes com detalhes laranja são oferecidas em 120 estações. A primeira hora de empréstimo é gratuita e as demais podem ser pagas com cartão Visa ou Mastercard depois de um cadastro nas máquinas das estações ou no site.  As avenidas principais e os arredores de parques têm ciclovias bem sinalizadas e deve ser um grande prazer descobrir a cidade sobre duas rodas.

🚄  Viena, que linda, parabéns! Todas as estações de metrô foram adaptadas para pessoas com mobilidade limitada. E nós turistas de mala e cuia agradecemos os elevadores, também, claro! Além disso, as linhas servem bem a cidade, com vagões limpos e confortáveis. Viena é mesmo invejável. Não bastasse a limpeza, o grande número de áreas verdes, a cordialidade e educação dos moradores, o metrô faz questão de esfregar na sua cara que ali as pessoas são honestas e as estações de metrô não têm bloqueio, apenas a máquina para validar seu bilhete (azuis). Morra de inveja, Brasil!

Viena roteiro e dicas
Na confiança: sem bloqueios ou catracas

 

 Dicas para organizar seu roteiro estão em Viena: Roteiro de 3 dias

Onde Ficar
 Os bairros são divididos por números, começando pelo centro histórico e mais antigo, chamado Innere Stadt, onde fica a maioria das atrações turísticas, como museus, palácios e igrejas, além do Parlamento, Prefeitura. Muitos consulados ficam perto do Palácio Belvedere. É também a região mais cara e agitada, então se você quer economizar e fugir da muvuca, talvez valha a pena ficar fora do distrito 1, onde conseguirá preços melhores.

O 2 é o Leopoldstadt, situado entre o Danúbio e o canal Donaukanal, onde fica o Prater, grande área verde da cidade que abriga eventos e onde fica o parque de diversões com a famosa roda gigante mais antiga do mundo. Ah, nos últimos dias de setembro havia uma edição do  WienFest, a Oktoberfest deles. A foto abaixo mostra um dos três galpões de cervejarias onde as festas acontecem.

Octoberfest
Oktoberfest de Viena: no Prater

Não se esqueça que você pode pesquisar diversos tipos de hospedagem e fazer suas reservas através do site Booking.com. O Mulher Casada Viaja tem parceria com o Booking e a cada reserva recebe um pequena comissão. Você não paga nada a mais por isso e contribui para os custos de manutenção do blog no WordPress.

Os distritos 3 (Landstraße), 4 (Wieden) e 5  (Margareten) são residenciais, embora tenham algumas atrações turísticas.
Os 6º e 7º  Distritos, Mariahilf e Neubau são onde a vida noturna de Viena acontece, com muitos bares e restaurantes. A maior rua de comércio de Viena, a Mariahilferstrasse, divide os dois distritos.  Eu fiquei no distrito 7 coladinho no 1, num apartamento, pois achei o custo-benefício melhor do que ficar em um hotel.

Leia post AirBnB: dá para confiar? Como escolher um imóvel para alugar

Visto
Brasileiros não precisam de visto para permanências de até 90 dias.

Viena guia blog
A sede da Prefeitura


Permanência
Três dias dão conta de conhecer os principais pontos e visitar alguns dos muitos museus da cidade. Mas se você tiver mais tempo, não faltarão opções de o que fazer.

Língua
A língua oficial é o alemão, mas o Inglês é compreendido e falado muito bem por habitantes, atendentes de restaurantes e lojas e por funcionários de estações de metrô e trem. Morra de inveja, Brasil!

Dinheiro/Moeda: Europreços em  Viena


Compras
Há muitas lojas espalhadas pela cidade, mas a maior concentração que vi foi na Graben, onde há lojas de grife, e na Mariahilfer Straße, comércio mais acessível. Ambas são ruas de pedestres.

compras Viena
A Graber: rua turística de comércio e com edifícios belíssimos


Como em todo país europeu, não residentes podem solicitar o reembolso dos impostos pagos, que em Viena é de 20%. É preciso ter gasto acima de €75 numa mesma loja, solicitar o – formulário (tax back) e apresentar o  passaporte. Mantenha os produtos comprados nas embalagens originais, sem uso e sem retirar etiquetas, caso seja necessário apresentá-los na alfândega. Já li em muitos blogs que as pessoas desistem de solicitar o reembolso porque precisam se deslocar de uma área a outra e enfrentar filas no aeroporto de saída da Europa.

A rede de supermercados Billa é onipresente e está até em algumas estações de metrô. Explore frutas, legumes e produtos industrializados consumidos pelos locais e de quebra faça umas comprinhas e curta um piquenique em um dos lindos parques de Viena. E que tal uma barra de chocolate Lyndt por 1,99?!

Preços em Viena (em euros, em setembro/2015)
Museus e igrejas
– ingresso para a Torre Norte da Catedral Santo Estevão: 5,50
– ingresso para o Museu da Carruagem, anexo ao Schonbrunn: 8
– Sisi Ticket (Schonbrunn, Museu da Sissi e Museu do Mobiliário): 28
– ingresso para ambos os palácios Belvedere (e O Beijo, de Klimt): 20

museu sissi Viena
A entrada do Museu Sissi

Se você vai ficar bastante tempo em Viena e pretende visitar várias atrações, faça as contas e confira se vale comprar o Vienna Card, que inclui descontos em museus e transporte gratuito. Você pode comprar em hotéis, no Centro de Informações Turísticas (na Albertinaplatz) ou no site. Preços variam de 18,90 a 21,90.

igreja Viena o que fazer
Telhado da Igreja S. Estevão, Torre Norte
Os bilhetes do transporte, da esquerda para a direita: trem para aeroporto, bilhete unitário, não lembro (rsrs) e o Vienna Card
Os bilhetes do transporte, no sentido horário: trem para aeroporto, bilhete unitário, bilhete comprado no bonde antigo e o Vienna Card 72h

Transporte Público
– bilhete de trem VOR do Centro para o aeroporto: 4,40
– bilhete VOR transporte público 72h: 21,90
– bilhete VOR unitário: 2,30

Suvenires
– ímã de geladeira: 4,90
– caixinha de metal e louça da Sissi: 12,90
– porta óculos Sissi: 13,90
– caneca suvenir Viena: 7,99

Alimentação
– chocolate quente na Starbucks (sim, eles estão em todos os lugares!): 3,70
– croissant de queijo: 2,60
– cerveja Ottakringer 500 ml: 4,90
– Salada alface e legumes: 10
– Schnitzel vienense (filé de frango empanado e fininho): 10
– suco de laranja natural: 3,80
– torta de maça (apfelstrudel) na histórica confeitaria Demel: 4

A cerveja fica ainda mais gostosa nos jardins do palácio Belvedere
A cerveja fica ainda mais gostosa nos jardins do palácio Belvedere

 

o que comer em Viena
Hot dog vienense: delicioso!

O que Comer e Beber
Uma tia conheceu Viena pouco antes de nós e enquanto ela não comeu um Sarshichão não paramos de incomodá-la com brincadeiras de duplo sentido. Então era óbvio que nossa primeira refeição por lá fosse numa barraquinha num lugar mega turístico, comendo o tal salsichão vienense recheado de queijo emental, acompanhado de uma cerveja, claro! Esqueça o que você sabe sobre salsichas. Os caras manjam da coisa! Olhando o tamanho do lanche chego à conclusão que talvez o 1 quilo que ganhei nesta viagem não seja culpa dos copos exagerados de cerveja de Munique, Viena, Praga e Budapeste…

Outro clássico vienense é o Schnitzel, um filé de carne vermelha, porco ou frango bem fininho e empanado. Não demos sorte na escolha do restaurante onde provamos o nosso, então nem vou indicar.

Faça uma visita à confeitaria Demel, que fornecia para ninguém menos que a família imperial e mantém seu negócio de nos engordar até hoje. Não é caro, não, dá para encarar de boa. Além dos doces maravilhosos servidos no local, a ante sala tem opções maravilhosas de lembrancinhas literalmente doces.

Cerveja, cerveja, cerveja. São deliciosas e os canecos de meio litro impõem respeito!

Da cozinha internacional, os vienenses são como os paulistanos: adoram comida italiana e há mais de 500 restaurantes especializados. Restaurantes de todas as nacionalidades são encontrados e os Vietnamitas começam a aparecer com força.

Se você quiser indicações mais específicas, o Centro de Informações turísticas traz uma lista de restaurantes, cafés e até de barraquinhas para um lanche rápido

demel Viena dicas
Um dos muitos cantinhos charmosos da Demel


Voltagem/Tomadas
A rede elétrica é de 220 volts e as tomadas são de dois pinos redondos.

Quadro de Temperatura e Clima
clima em viena
Fuso Horário
São cinco horas a mais em relação ao horário regular de Brasília.

Concertos
Ir a Viena e não assistir a um concerto é como um gringo vir ao Brasil e não visitar uma escola de samba. E foi o que eu fiz sniff – ou não fiz: bati tanta perna durante o dia que não tive pique para me arrumar e ir a um concerto (afinal, dizem que todo vienense tem um smoking no armário!), mas a Gabriela do blog Estrangeira listou 5 concertos imperdíveis em Viena. Confira.

De Viena a:
Praga está a 330 quilômetros de Viena e pode ser alcançada de carro, ônibus, trem ou avião.
Budapeste é outra cidade comumente incluída no planejamento de uma viagem a Viena, pois fica a 240 quilômetros. E é linda!
Bratislava fica a apenas 60 quilômetros e pode ser uma opção de bate-volta. Há um passeio de barco pelo Danúbio para chegar até ela. Muita gente vai de barco e retorna de trem, mais rápido.
Innsbruck fica na região Tirol (dos tiroleses, lembra?), nos Alpes, a 480 quilômetros de Viena. Muito visitada no inverno para a prática de esqui, já foi sede dos Jogos Olímpicos de inverno por duas vezes. Conta com um palácio imperial e outros edifícios de destaque, e ali pertinho tem a fábrica de cristais  Swarowvski, que virou atração turística. No verão, é possível fazer caminhadas nas trilhas de montanhas e lagos. Nem gosto!
O centro de Salzburgo, a 300 quilômetros,  foi declarado Patrimônio Cultural pela Unesco, então espere encontrar construções do período barroco bastante preservadas.

De avião, cidades mais distantes como Estocolmo ou Lisboa podem ser alcançadas em 3 horas a partir de Viena. Berlim, Amsterdam, Roma, Paris, em 2 horas. Tipo: “vamos passar o fim de semana em Paris ou Praga?” Brasileiros, morram de inveja!

Wi-fi
Vários pontos da cidade têm wifi gratuito:
– o belo centro de Informações Turísticas na Albertinaplatz
– praças: MuseumsQuartier, Stephansplatz, Rathausplatz
– Mariahilfer Strasse (rua de pedestres) e Westbahnhof (estação de trem)

turismo Viena
O belo centro de Informações Turísticas


Links para outros posts relacionados a Viena

O jogo do planejamento de uma viagem internacional⚽
Roteiro de 3 dias em Viena – dia 1
Roteiro de 3 dias em Viena: o dia 2 não queria acabar!
 Roteiro de 3 dias em Viena: dia 3 no Belvedere

 

E você, esteve em Viena e tem alguma dica para acrescentar ao guia? Ou quer ir e tem alguma pergunta? Deixe nos comentários. Seu email não será divulgado.

 

Alemanha, Áustria e Eslováquia retomam o controle de fronteira: a crise de refugiados sírios

Desde que a mídia começou a noticiar mais intensamente a situação de refugiados que chegavam à Europa provenientes da Síria, o que mais me preocupou não foi o fato de eu ter uma viagem marcada para a região, mas tentar entender a situação em si, de onde vinham esses refugiados, para onde queriam ir, as medidas que o governo de cada país estava tomando quanto à questão. Não vou ficar aqui repetindo as imagens de refugiados porque isso a mídia já faz. Além de pensar alto a respeito da situação, deixo aqui informações sobre o que muda para quem vai à região. E enquanto eu estiver lá vou dando mais notícias pelo Facebook.

Eu ainda não tenho uma opinião formada a respeito e estou bem dividida e isso talvez seja porque procurei me informar em fontes “de direita”, “de esquerda”, humanitárias. Tenho certeza que se você se mantiver imparcial e ler de fontes diversas também vai ficar cheio de dúvidas porque todas elas, cada uma a sua maneira, parecem ter razão. Sim, deve ser verdade que há quem se aproveite a fuga dos sírios e se infiltre entre os refugiados para  conseguir asilo em países ricos (dizem que documentos de identidade de outros países são encontrados no lixo). Sim, é verdade que como seres humanos temos o dever de ajudar quem busca abrigo (alguém aí olhou pro próprio umbigo? quanta gente precisa de ajuda aqui pelo Brasil, na sua cidade, ates de culpar europeus de xenofobia e não movemos um dedo?). Sim, é verdade que há interesses na mão de obra barata que chega. Sim, é verdade que a Europa vai se transformando cada vez mais e isso me assusta.

Não se trata de xenofobia, sou  muito a favor da mistura de culturas e da diversidade, mais um motivo para gostar tanto de viajar. Mas este vídeo me assustou um pouco pois mesmo que os radicais sejam a minoria, são as minorias que começam as guerras, que promovem atentados e atrocidades como as que marcaram a história da humanidade, sejam essas minorias ou governo legítimo ou não. Acredito que se você se estabelece em país que te acolheu, precisa respeitar as leis e a cultura daquele país. Não fazemos isso como turistas? Se você visita países islâmicos, como mulher vai vestir um véu para não chamar a atenção e demonstrar respeito a essa cultura. Mas parece que o contrário está acontecendo. Numa escola alemã a diretora orientou as meninas a não usarem minissaia pois poderiam ser mal interpretadas pelos imigrantes islâmicos.

Mas agora, a poucos dias da minha viagem a Munique, Viena, Budapeste e Praga, passei para a fase “minha viagem nessa situação” e resolvi compartilhar com vocês o que mudou para quem vai ao Leste Europeu.

O que muda nas fronteiras europeias

Você deve saber que existe há 20 anos na Europa um tratado chamado Schengen. Ele te obriga a contratar um seguro com cobertura de € 30 mil, mas permite a livre circulação entre os países signatários estando de posse de um passaporte com validade de 6 meses da data da saída da Europa. Na prática isso significa que haverá controle de passaporte na primeira cidade europeia onde você pisar, mesmo que seja apenas uma conexão de voo, e o mesmo ocorre na saída. Entre esse período, você tem circulação livre, sem controle de fronteiras.

Como os refugiados chegam em uma quantidade assombrosa, 438 mil em 7 meses de 2015 contra 571 mil em 2014, alguns países da Comunidade Europeia resolveram reestabelecer o controle das fronteiras. A Hungria ergueu cercas, você deve ter visto. Alemanha, Áustria e Eslováquia na mesma semana declararam que o controle de fronteira está de volta. A Holanda também intensificou o controle, pois o país pode servir como passagem à Alemanha. Ou seja, seu passaporte será solicitado não apenas no primeiro país da Europa, mas quando passar por uma unidade fronteiriça entre esses países.

Como eu vou viajar de trem de Viena a Budapeste, Áustria a Hungria, entrei em contato com o escritório consular da Hungria em São Paulo, que me informou que o controle será feito dentro do trem, com um funcionário governamental verificando os passaportes. Imagino que nos demais trechos o mesmo será feito, então se você está com seus documentos em ordem não há com o que se preocupar e pode voltar a tentar a compreender o que acontece por trás das notícias.

Atualização: Acabo de voltar da viagem. Não vi nada parecido com as imagens vistas na TV e não houve controle de passaporte depois de minha entrada na Europa. Apenas na viagem de trem entre Praga e Viena meu passaporte foi solicitado, mas acho que foi para confirmar a identidade com o bilhete que eu portava. De meu marido, que viajava comigo, ou dos passageiros sentados próximos a nós nessa viagem, não houve solicitação.

O jogo do planejamento de uma viagem internacional⚽

Geralmente os posts que escrevo aqui no Mulher Casada Viaja acontecem depois da viagem. Isso significa que os perrengues do planejamento foram esquecidos, convertidos no câmbio favorável da moeda prazer de viajar. O mesmo acontece com a vitória do time querido. Quem se lembra dos sufocos dos 90 minutos depois da vitória? Então resolvi registrar no calor do momento o planejamento de minha próxima Eurotrip, que acontecerá no início do Outono no hemisfério Norte, quando finalmente pousarei meu olhar sobre o Rio Danúbio, escutarei música erudita mesmo que não queira, tocarei em muros de castelos imperiais, respirarei tristes memórias do holocausto, banquetearei meu paladar com salsichas recheadas de emental. Sim, vamos para Viena, Budapeste e Praga.

Estas três cidades estavam na minha lista desde 1998, quando troquei de emprego e fiquei sem férias. Depois veio um período de muito trabalho, o nascimento da minha filha e com ela os destinos de viagem passaram a ser escolhidos atendendo às suas necessidades de criança. Privilegiei outros destinos na Europa quando ela já estava grandinha para ficar aos cuidados de meus pais e só agora conhecerei as cidades imperiais. Nada contra quem viaja com filhos pequenos à Europa, mas eu não sou desse time.

Torço para que este post motive você a realizar o planejamento de sua viagem. Sim, é mais trabalhoso do que comprar um pacote, mas muitas vezes mais econômico. Se mesmo com essas dicas você ainda se sentir inseguro/a, leia na página inicial do blog, no menu superior, Personalize sua Viagem.

No início do planejamento a gente pode se sentir meio perdido/a, sem saber como dar o pontapé inicial, mesmo para quem já jogou várias vezes planejou várias viagens. Mas é só dar o primeiro chute e a bola sai rolando. Abaixo estão os tópicos na ordem em que foram aparecendo no planejamento.

Viena Budapeste Praga

0. Pesquisa de preço de pacotes
Na verdade eu pulei esta etapa, porque não queria viajar empacotada, mas registrei este passo aqui para servir como diretriz para você. Mas depois que comprei o aéreo, vi um pacote de apenas 8 noites (ficarei 11) com valor mínimo aproximado de US$ 2,673.00. Leia rápido: O Ministério da Blogagem de Viagens adverte: em pacotes os trechos entre as três cidades são feitos em ônibus e não em trem rápido, o que significa menos tempo em cada uma para conhecer museus, caminhar com calma, etc. O custo-benefício deve ser colocado na balança, também.

1. Bilhete aéreo (pesquisa com 6 meses de antecedência. Comprei 3 meses antes da viagem)
O jogo começa morno, sem grandes chances de marcar gol. Até que uma das duas coisas acontece: aparece uma oferta ou a data da viagem se aproxima e é preciso garantir sua passagem. Comigo foi a segunda. Eu tinha feito várias simulações, em três diferentes companhias aéreas e datas aproximadas. Lembre-se de que se você for viajar na alta temporada, é mais seguro comprar com antecedência maior. Nos valores abaixo não estão inclusas as taxas de embarque. Bilhete para uma pessoa em classe econômica.

booking-holiday-online-fraud-stay-safe[1]

✈ Air France
SP-Viena em 27 ago e Praga-SP em 8 set: R$ 3.703,00
SP-Viena em 27 ago e Viena-SP em 8 set: R$ 3.560,00
SP-Viena em 29 set e Praga-SP em 12 out: $ 3.470,00

✈ TAM
SP-Madri-Praga em 18 out e Praga-Madri-SP em 02 nov: R$ 2.470,00
SP-Viena em 29 set e Viena-SP em 10 out: R$ 3.419,00
SP-Viena em 29 set e Viena-SP em 12 out: 150 mil pontos Multiplus
SP-Viena em 28 set e Praga-SP em 11 out: 130 mil pontos Mulitiplus

✈ Ponto-Viagem pelo programa Sempre Presente do Banco Itaú, voo pela Lufthansa
SP-Munique-Viena em 28 set e Viena-Munique-SP em 10 de out: R$ 1.140, + 60 mil pontos

Como eu não teria pontos suficientes para dois passageiros se emitisse pelo Multiplus, achei melhor emitir pelo programa Sempre Presente. Além disso, se eu transferisse 120 mil pontos do Sempre Presente para o Multiplus, seriam creditados apenas 90 mil pontos. Está cada vez mais difícil aproveitar os programas de milhagem… Anyway, escolhi um voo com conexão de quase 9 horas, então terei a chance de visitar Munique, em plena Oktoberfest!!!

Mais ou menos minhas caras e bocas ao tentar emitir o bilhete
Mais ou menos minhas caras e bocas ao tentar emitir o bilhete

Mas não foi assim tão fácil, só apertar um botão. Eu sempre digo: não tente emitir bilhete em programas de milhagem se estiver na TPM! Calculo que tenha levado mais tempo do que uma final com prorrogação e pênaltis. A cada nova tentativa, uma bola na trave: ou o voo que eu queria não estava disponível (sumiu da lista, num intervalo de 3 minutos!), ou o cartão não era aceito, ou o site simplesmente travava. Cartão amarelo. Liguei para a Central do Cartão de Crédito e, depois da terceira vez que me identifiquei e expliquei o caso, recebi um número de protocolo (piada!) e o telefone da central que só funcionaria na próxima segunda-feira (era o mítico dia para compra de passagens, a sexta-feira, bem tarde da noite). Insisti mais algumas vezes e ALELUIA! consegui emitir os dois bilhetes. Só que não! Recebi um aviso de que o meu bilhete tinha sido bloqueado pelo cartão de crédito. Penalty!!! Eu tinha digitado a data de validade errada. Respirei fundo, fiz todo o processo novamente e finalmente: Goooool!

bilhete aéreo recompensa

2. Roteiro (pesquisa começa 80 dias antes da viagem)
Sempre que tinha um tempinho livre, lia sobre as atrações e impressões das cidades em outros blogs. Se você não conhece muitos blogs, pode recorrer ao Google, digitando termos como “O que fazer em …” ,  “Atrações em ….”  ou “Pontos turísticos em …”. Mas o TripAdvisor é muito bom e já organizou isso em lista para você. O problema é a qualidade das avaliações, que na maioria das vezes limitam-se a “Muito legal” ou “lindo”. Sim, meu caro ou minha cara, prestigie o/a blogueiro/a, que tanto tempo dedica para explicar sua impressões dos lugares que visita, um torcedor leal e fiel para que seu jogo sua viagem seja até melhor do que a dele ou dela.

Ainda 2. Hospedagem (pesquisa começa 80 dias antes da viagem)
Ao mesmo tempo em que pesquisava as atrações, li sobre hospedagem nas avaliações do TripAdvisor e pesquisei preços no Booking.com. Uma vez por semana dava uma olhada no Booking para comparar preços e disponibilidade.

3. Trechos entre as cidades (pesquisa e compra do voo: 80 dias antes; dos trechos de trem: 60 dias antes)
Entrei no site RailEurope, que tem navegação em Português e vende bilhetes de várias  companhias europeias, e fiz uma simulação dos trechos para a segunda classe. Ainda não sei se teremos tempo de pegar um trem para um bate-volta a Bratislava, então não a inclui na pesquisa. Fiz um registro no site e salvei a pesquisa para nova consulta. Os preços estavam assim:

🚄 Viena-Budapeste (€ 36, 2h30 de viagem)
🚄 Budapeste-Praga (€ 90, 7h de viagem) – faremos de avião.
🚄 Praga-Viena (€ 40, 4h de viagem)

Cerca de 10 dias depois, os valores estavam mais altos (45 o trecho Viena-Budapeste). Segui a dica do Ricardo Freire, o pai dos blogs de viagem brasileiros: pesquisei diretamente nos sites das empresas que operam nos países. Leia o post Viena-Budapeste-Praga: bilhete de trem barato, em que listo os links para todos os trechos e dou um passo a passo da compra pela Internet. 

Como o jogo tem hora pra terminar, não queríamos passar 7 horas dentro de um trem, então o trecho Budapeste-Praga será feito de avião. Fui direto nas aéreas lowcost EasyJet e Ryanair e Bola na Trave! para minha surpresa elas não fazem esse trecho. Apelei para os buscadores de voos, como o Voopter e o Skyscanner, mas o custo de aéreas como a KLM ou Lufthansa era muito alto. Numa cobrança de escanteio, encontrei uma empresa chamada Czech Airlines, com tarifa de menos de € 30 na Decolar. Muito bom pra ser verdade, não é? É. No final das contas, com todas as taxas, a tarifa subia para R$ 1.088. Fiz uma busca por avaliações da Czech e no TripAdvisor os passageiros a isentavam de qualquer problema, principalmente por se tratar de um voo com uma hora de duração. Dica da boa: se você souber Inglês, faça a pesquisa no fórum do TripAdvisor em Inglês, pois há mais conteúdo. Entrei no website oficial da Czech e comprei os dois bilhetes por 209, ou seja, mais barato do que na Decolar. O site deles não tem a opção  de selecionar o Brasil para navegar em Português, mas além do Inglês, pode-se navegar em Espanhol. A bagagem a ser despachada é limitada a 15 quilos na classe econômica. Acima disso, paga-se € 30. É possível escolher esse acréscimo no momento da compra, mas preferi esperar para ver o que rola. Quando eu voltar eu conto a experiência.

Trem Europa
Trem na Itália: repare no espaço exíguo para as malas – de todos no vagão!

4. Montando o roteiro e pesquisando os meios de transporte
Tendo as atrações mais ou menos definidas (às vezes eu mudo tudo na hora por causa de chuva, sol ou do meu humor: deixo de ir a um museu para fazer fotossíntese numa praça, por exemplo), usei o Google Maps (ou o Earth) e marquei os endereços, distribuindo-os em dias disponíveis em cada cidade considerando: a) a proximidade entre si; b) o tempo médio dedicado a cada atração.

5. Passe
A maioria das cidades turísticas disponibiliza um passe com validade de 24, 48 ou 72h, que inclui entrada ou descontos em atrações e ingresso no transporte público urbano. Sabendo o custo do transporte e de entradas de museus e outras atrações, fica fácil calcular se vale a pena comprar esses passes ou não. Mas até o momento da escrita deste post eu ainda não tinha feito esse cálculo.

6. Reserva dos hotéis
Este item vai depender, claro, do seu orçamento, mas sabendo onde se concentram as atrações e as estações de metrô, busque hotéis próximos. Use o Booking.com, que tem opção de pagamento antecipado ou no local. Escolha o filtro “oferta esperta” para a lista de hotéis com desconto.
Momento publicidade no intervalo do jogo, sem cerveja ou mulher seminua: Não se esqueça que você pode fazer um gesto simpático e reservar seu hotel pelo Booking clicando no logo presente aqui no blog. Eu recebo uma pequena comissão sem você ter que pagar nada a mais por isso. Essa graninha ajuda a manter o blog no ar e a continuar a fornecer dicas.😉 

reserva hotel

7. $$$$$ Moeda e câmbio, custo de alimentação e transporte
Talvez você precise deslocar este item lá para o início do planejamento a fim de saber se vai dar para encarar a viagem ou não. Muita gente vai à Europa com orçamento de € 50/dia, mas eu acho isso um verdadeiro milagre – ou privação. Prefiro economizar em tantas outras coisas antes da viagem para não deixar de fazer passeios ou de me sentar em um restaurante legal para comer. Viajar não é só estar em um lugar, mas viver experiências. É verdade que elas podem estar tanto num restaurante como no mercado local. Equilíbrio é a chave de tudo.
Mas com exceção de Viena, essas cidades são das mais baratas da Europa.

Já leu o post 58 maneiras de economizar para viajar?

💰 Praga, República Tcheca: CZK, a coroa tcheca. CZK$ 1 = R$ 0,15
💰 Budapeste, Hungria: HUF, florim húngaro. HUF$ 1 = R$ 0,013
💰 Viena, Áustria: , euro. 1 = R$ 4,32 (quando escrevi este post)

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Quando eu voltar, publicarei post Guia para planejar sua viagem sobre as três cidades, nos quais incluirei preços de passeios, refeições, suvenires, etc., bem como outras que sempre publico nos guias das cidades que visito. Já tem Paris, Roma, Nova Iorque, Bariloche, Veneza, Florença, El Calafate e tem mais Europa nos planos. Me aguarde 2016!

Não se esqueça de baixar um aplicativo de conversão de moeda no seu Smartphone, de preferência um que funcione off-line. O Currency é um deles. Baixei pelo Google Play, e é gratuito. Mas não se esqueça de atualizá-lo sempre que estiver conectado.

Para ter uma ideia do quanto se gasta em uma viagem, eu já falei aqui no blog sobre o site Quanto Custa Viajar, mas descobri um bem mais completo, disponível apenas em Inglês, o Numbeo. A dica veio do blog do Alessandro, o Fui e Vou Voltar, que tem textos ricos e sempre divertidos. Passe lá pra conhecer o blog dele.

Se você vai para a Europa, a escolha certa é comprar Euros e, se o país usar outra moeda, fazer o câmbio por lá. Isso porque é difícil encontrar algumas moedas em casas da cambio aqui no Brasil. Também é possível utilizar o cartão de débito do seu banco para saques internacionais.

8. Temperatura média e previsão do tempo
Este item é para ajudar a decidir o que colocar na mala e, mais importante, distribuir no roteiro passeios ao ar livre ou em lugares fechados, como museus.  

9. Seguro viagem
Viajar sem seguro é roubada na certa. Se você vai à Europa, na maioria dos países é obrigatório contratar seguro com cobertura de 30 mil.
Olha outro momento publicidade: PLIM PLIM! O Mulher Casada Viaja firmou parceria com uma das melhores seguradoras para sua viagem, a Mondial Assistance, o que significa que seus leitores ou leitoras têm desconto especial ao clicar no logo da Mondial aqui no blog e inserir o código promocional, que é em Setembro é Promosete. Aproveite! Eu sempre atualizo novos códigos na página Receita de Viagem, que fica no menu superior da página inicial do blog. PLIM PLIM!

10. Outros itens que merecem atenção MESES antes da viagem
– alguns países exigem vacinas específicas para permitir sua entrada. Pesquise.
– verificação da validade ou (re)emissão do passaporte
– pesquisa da necessidade de visto para entrada no(s) país(es)
– situação política do país. Este site do governo britânico se mantém atualizado quanto à situação social e política da maioria dos países do mundo.

11. Versão final do Roteiro
Monto meu roteiro em um doc do Word mesmo, inserindo uma tabela de 4 colunas com o cabeçalho horizontal:
– DIA/HORA: além das datas e horário de voos ou trens, anoto a previsão do tempo.
– O QUE FAZER: check in em hotéis, número e trecho de voo, nome da atração
– ONDE: nome do aeroporto ou estação de trem, endereço de hotel e de atrações. Também marco observações sobre transporte público
– MONEY: além de anotar o custo do transporte ou da atração, também escrevo se o passeio, transporte ou hotel foi já pago.

Eu ainda uso papel e caneta para as anotações. Com o roteiro pronto, digito as informações, imprimo e salvo o documento no Dropbox, para pesquisa caso eu perca as folhas do planejamento.

12. Liberação do cartão de crédito e de débito para uso no exterior
Não sei se todos os bancos trabalham assim, mas o Itaú e o Bradesco exigem a liberação dos – cartões antes da viagem.

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Outros posts que tratam de planejamento (clique sobre o título para ler):

Check list
Como chegar a 45 cidades a partir do aeroporto

– Dicas sobre câmbio
Receita de Viagem
O Planejamento de uma viagem e as relações
Programas de Fidelidade
58 maneiras de Economizar para Viajar
Emissão de bilhete aéreo

Um bom jogo pra você!