Um Dia em Siena – Roteiro

Pombas de Siena: como chegaram ali? Do que se alimentam? Por que cagam em nossas cabeças? Pertencem a que contrada? Hoje, no Mulher Casada Viaja, dicas e roteiro de Siena.

Plim-plim

A catedral de Siena

 

Nem Sérgio Chapelin, nem Glória Maria. Fui eu que caminhando na Piazza del Campo levei cocô de pomba na cabeça, o que segundo a lenda toscana traz sorte. Acho que deu, porque voltei a Siena dois anos depois. Não vou ficar falando de supertições, mas dar dicas: se precisar se livrar da meleca enfezada (venha ela de baixo ou de cima), tem um banheiro público a poucos metros da Piazza, na Via di Beccheria. Não me lembro ao certo, mas acho que custa € 1 para usá-lo. Pronto, você já tem a primeira dica de Siena. Depois dos comerciais Nos próximos parágrafos, o roteiro de Siena.

Continuar lendo

Anúncios

Quanto custa uma viagem à Toscana

A Toscana é uma região da Itália bastante popularizada por filmes americanos como Cartas para Julieta e Sob o Sol de Toscana, mas os campos verdes ora decorados por girassóis, ora por papoulas, a culinária, os vinhos, as cidades muradas medievais no alto de colinas e jóias como Florença e Siena certamente merecem o crédito e estão na lista de desejos principalmente das mulheres, creio eu. Neste post compartilho o custo de uma viagem para a Toscana, tendo como referência minhas idas para lá. Como muitas despesas variam de acordo com o cofrinho do turista, você pode gastar muito menos ou muito mais do que os valores que eu apresento aqui.

Continuar lendo

Roteiro de 1 dia em Verona

No post anterior, eu falei sobre a tarde de minha chegada a Verona quando basicamente visitei a Ponte Pietra e o Rio Ádige e a Piazza delle Erbe, então não deixe de ler. Neste post deixo o roteiro de Verona com as atrações principais: A Piazza Bra e a Arena, a Casa de Julieta, o Castelvecchio, entre outros.

A parte histórica de Verona é limitada pelas portas e muros e pelo rio Ádige e você vai encontrar placas sinalizando os principais pontos turísticos, então não tem como se perder. Quer dizer, até tem – e é sempre uma delícia, mas não tem como perder as “atrações” da cidade.

verona

Com o dia todo pela frente, começamos com um café da manhã na Piazza delle Erbe e fomos pegar no seio da Julieta. Caso você não saiba, há uma superstição de tocar o seio direito da estátua que fica abaixo do balcão onde teria vivido a Julieta de Shakespeare, para ter sorte no amor. Acredite ou não em superstições, faz parte da alegria de estar em um lugar especial.

estátua da Julieta em Verona

Devo dizer que a alegria acaba quando a gente passa pelo corredor que dá acesso ao pátio onde fica o balcão de Julieta: as paredes estão todas rabiscadas com nomes e recados. Quem, quem acha isso legal?

verona dicas

verona2016-38

Nem mesmo a placa que informa a proibição e aplicação de multa de €1.039 impõe respeito. Outra coisa: no muro atrás da estátua, vários chicletes são grudados na parede para segurar bilhetes escritos a Julieta. Na minha primeira vez em Verona achei tudo muito divertido e até li alguns bilhetes, mas desta vez tudo o que fiz vou mover a cabeça em reprovação e sair logo dali.

verona museus

A Casa de Julieta fica na Via Capello, 23. O acesso ao pátio onde está a estátua é gratuito, mas a Casa em si é um pequeno museu e ingressos são cobrados (€ 6 – ou € 7 se quiser ver a tumba de Julieta também). Ah, se você for a Munique, na Alemanha, há uma réplica da estátua na praça principal da cidade, a Marienplatz. Sem fila e sem chiclete. Mas não é Verona…

Deixo claro que a Casa de Julieta, assim como a de Romeu na Via Arche Scaligeri são invenções para turistas e não há registro de que as respectivas famílias rivais – Montague = Montecchio? e  Capello = Capuleto? – que nelas habitavam foram inspiradoras da obra de Shakespeare. É daquelas mentiras que piscam pra gente e a gente pisca de volta.

De lá caminhamos pela Via Mazzini e não resisti e entrei na Zara. Escrevo isso meio como um pedido de desculpas porque sempre me arrependo de gastar tempo em lojas quando viajo, ainda mais na Europa que tem tanto para se ver e aprender e se apaixonar. Mas se você não tem essa culpa, a Mazzini tem ótimas lojas de rede internacional.

a Via Mazzini
a Via Mazzini

A Bra é outra praça linda de Verona e onde fica a Arena de Verona, a terceira maior da Itália e assim como o Coliseu teve seus dias de gladiadores. Hoje você pode visitá-la e assistir a espetáculos de dança, concertos e às famosas óperas, que acontecem no verão, de junho a setembro. Em termos comparativos, ela é menor que o Coliseu, mas está em melhor estado de conservação. Para ver a programação e comprar ingressos, clique aqui. 

verona roteiro e dicas
A Arena vista da Piazza Bra
Arena de verona
Além dos concertos no verão, é possível visitar a arena

Além da Arena, na Piazza Bra você vai encontrar uma praça arborizada com uma estátua de Vittorio Emanuelle II – e se você estiver se perguntando porque há tantas estátuas e galerias e homenagens a ele, saiba que ele foi o responsável (ou levou as glórias) pela unificação do país e o proclamou como Reino da Itália, sendo conhecido como o Pai da Pátria. E isso é tão recente que chega a assustar, se pensarmos como a Itália é antiga: esse reinado durou de 1861 a 1946!

Vitor ou Vittorio
Vitor ou Vittorio

A prefeitura de Verona fica ali na Bra, no Palazzo Barbieri, do século 19. Na foto abaixo, só aparece um pedacinho do edifício que fica ao lado direito da Arena, mas na seguinte, que tirei da Torre del Lamberti, dá pra vê-lo melhor.

prefeitura de verona

Verona vista do alto

À esquerda da Arena, vemos casas coloridas em tons terrosos e em suas calçadas vários restaurantes.

Verona itinerário

Eu me lembro do impacto que o muro e a arena causaram em mim na primeira visita a Verona, assim como o Portoni della Bra e seu relógio. Ainda acho o conjunto maravilhoso, mas a sensação da primeira vez é única.

verona2016-61

Deixamos a Piazza Bra caminhando pela Via Roma. Logo na esquina fica o Museu Lapidário Maffeiano, mas só visitamos o pátio porque 1. é gratuito; 2. eu acho que não iria gostar muito do acervo que, como sugere o nome, é formado por lápides e urnas gregas e romanas. 3. o tempo urge!

O Museu na esquina da Bra com a via Roma
O Museu na esquina da Bra com a via Roma

verona card

No final da Via Roma fica o Castelvecchio, construído no século 14 para fins militares. O acesso ao pátio (corte d’Armi) é gratuito e ao museu (€ 6) apenas para quem tem o VeronaCard. Para mais informações, clique aqui.

verona lugares para conhecer
Fachada do Castelvecchio e entrada na torre à direita
verona castelvecchio
A entrada, por uma ponte levadiça

A placa da entrada menciona Carlo Scarpa, que restaurou nos anos 1960 o castelo e peças para o acervo do museu, como estátuas, pinturas, cerâmica e outros objetos veroneses do século 14 ao 18.

Castelo em verona
Torre dell’Orologio ao fundo, que foi reconstruída entre 1923 e 1925

Li em algum lugar que a torre do castelo voltada para o Ádige era bem maior do que vemos hoje e que chegava até o Arco dei Gavi. Esse arco romano do século I DC foi totalmente demolido enquanto Napoleão dominava a Itália (eita baixinho fdp!) e foi reconstruído nos anos de Mussolini na praça ao lado do castelo. Sua localização original era na Rua Cavour, à frente da torre do relógio do castelo, onde ainda se vêem as marcas de sua base, olha que legal!

portas e arcos de Verona
Arco dei Gavi

Atrás do arco, outro ponto bonito para ver o Rio Ádige (no post anterior você encontrará várias fotos do ponto mais bonito do rio, na ponte Pietra). Se tiver tempo, atravesse a ponte Scaligero (ou ponte do Castelvecchio) que só foi aberta ao público em 1870. Eu não fui, mas você tem que ir e me contar o que achou! Esta ponte também foi bombardeada durante a Segunda Guerra Mundial e reconstruída entre 1949 e 1951. Fico aqui pensando como a Europa conseguiu se reconstruir tantas vezes e penso em nossas casas históricas da baixa Salvador e do centro de Santos, mais novas e tão abandonadas…  

Nós, atrás do Arco dei Gavi
Nós, atrás do Arco dei Gavi e a ponte ao fundo

A Corso Cavour é bem menos muvucada e ótima para caminhar, embora não seja uma rua de pedestres, e no final dela fica a Porta Borsari

porta borsari Verona

Seguindo na mesma rua, que muda de nome e passa a ser Corso Porta Borsari, saímos novamente na Piazza delle Erbe. Minha amiga foi fazer compras e eu fui explorar a Piazza dei Signori, que tem em seu centro outra estátua que encontramos em várias cidades italianas: Dante Aleghieri, o pai da língua italiana, além de autor da Divina Comédia, o Camões deles, se é possível comparar. A praça é mais tranquila que as outras e passei algum tempo sem fazer nada, só observando o vai e vem de pessoas, as fachadas das casas e seus detalhes, assim como Dante.

verona dicas de viagem
Cadê você, Beatriz?

Roteiro de 1 dia em Verona

verona
Dante nada diz, a tudo observa…

Verona museus

Ali na praça fica a entrada para o Palazzo del Mercato Vecchio/Palazzo della Ragione, que dá acesso à Torre de Lamberti, a mais alta construção de Verona, com 84 metros. Começou a ser erguida no século 12 e sofreu várias intervenções, como se pode ver pela diferença de materiais, como tijolos e tufo alternados em camadas, quando tinha apenas 37 mestros de altura. Apenas no século 15 foi adicionada a parte em tijolos e mármore branco como vemos hoje. O relógio que fica na face voltada para a Piazza delle Erbe, foi acrescentado somente em 1779.

A Torre de Lamberti

Para chegar ao topo, você pode subir os 368 degraus ou pegar o elevador que chega até o ponto acima do relógio, restando outros 125 degraus para chegar até  o campanário, onde há dois sinos de diferentes tamanhos (4, segundo o site deles). O menor marcava as horas e também era acionado em caso de incêndios. O maior tocava o terror: chamava a população para pegar as armas em tempos de guerra.

Torre e sinos de Verona

Mais uma vez me entristeceu ver que Enza e Roberto e tantos outros deixaram sua marca ali. Sério, viajamos para que os lugares nos deixem marcas, não o contrário. Che vergogna!!

verona2016-110
No alto da torre tinha rabisco. Tinha rabisco no alto da torre.

A entrada para a Torre pode ser comprada na bilheteria do Palazzo del Mercato Vecchio/Palazzo della Ragione por € 8 e dá acesso ao elevador – isso é muito importante 😛 e à Galleria d’Arte Moderna Acihlle Forti. Se você tiver o Verona Card, ambos são gratuitos. Caso você não saiba, as cidades turísticas da Europa e América do Norte comercializam cartões que dão acesso gratuito ou com descontos para atrações ou transporte. Em Verona você pode comprar o com validade de 24 ou 48 horas (€ 18 ou € 22) no Centro de Informações Turísticas, na Piazza Bra ao lado da Prefeitura.

A Piazza delle Erbe vista da Torre
A Piazza delle Erbe vista da Torre

O acervo de arte (pinturas e esculturas) do museu pode ser visitado rapidamente. Não tenho fotos pois não são permitidas e isso causa um impacto enorme na minha memória, ou seja, não lembro de quase nada, agora meses depois. Além da capela ricamente decorada o acervo não me impressionou muito e a nota que fiz de uma artista de que gostei desapareceu entre minha papelada de viagem. As instalações do museu são modernas, com santo ar condicionado e há guarda volumes e banheiros bem equipados.

Saindo do museu meu estômago resmungou e comi uma deliciosa bruschetta (por que essas coisinhas são tão deliciosas na Itália?) na Via delle Fogge, uma simpática rua de pedestres recheada de mesinhas que sai da Piazza dei Signori. Se seu estômago não chiar, seguindo à direita na praça, na saída do museu, você encontra um monumento gótico, o Túmulo dos Scaligeri e pode ainda se perder pelas ruelas até sair no Duomo ou no rio Ádige.

brischetta, come ti amo!

As atrações deste e do post anterior não são as únicas de Verona, mas são as principais. Se você tiver um dia vai conseguir ver tudo, mas se puder, por que não ficar mais?

Acesse a página índice da Itália para ler tudo o que já publiquei sobre o país de meus antepassados.

meus pés em Verona

Gostou das dicas? Se você fizer sua reserva de hotel, pousada ou apartamento pelo Booking.com através do blog (clicando no logo deles ou no link acima, você paga a mesma tarifa que pagaria diretamente no site deles e ainda contribui para a manutenção do blog, pois eu recebo uma pequena comissão. Não dá pra viajar com ela, mas ajuda a pagar o WordPress! Também temos convênio com a Mondial Assistance, para você viajar sem se preocupar com sua saúde o malas esxtraviadas. Grazie mille!

verona dicas

O que Fazer em Verona além de apaixonar-se

Ah, uma segunda vez em Verona vai dar conta. Não deu. Muita gente vai dizer que um dia é suficiente em Verona e talvez para muitos seja, mesmo, mas eles não se apaixonarão/am, então de que vale a visita? Neste post falo sobre as atrações da tarde em que cheguei e no próximo dou o roteiro de 1 dia pelos pontos principais da cidade.

Cheguei a Verona de trem vindo de Trento (€17) com minha colega de viagem, esta a última cidade do rolê de 10 dias pela Itália (Toscana e Dolomitas). O taxi (€12) nos deixou no B&B Alle Erbe (€89), a passos da Piazza delle Erbe, cujo prédio fica em frente à Loggia del Mangano (leia mais abaixo), na Corte Sgarzerie. Como tocamos a campainha e ninguém nos atendeu, pois já havia passado a hora do check in, recorri a duas jovens que conversavam animadamente sentadas na mureta da loggia. Acabei descobrindo que uma delas era filha de uma brasileira (estamos por todo o mundo!). Solícitas, elas ligaram para o telefone de contato do B&B e em italiano explicaram que estávamos ali, prontinhas para entrar em nosso quarto. Eles forneceram a senha eletrônica para acessar o prédio e deu tudo certo.

sítio arqueológico em Verona
Loggia del Mangano

Nesta pequena praça, no número 8,  fica a entrada para o sítio arqueológico Corte Sgarzerie, cujas escavações começaram em 1983 e continuaram até 2011. Foram encontradas estruturas de edifícios públicos e de um templo romano dedicado a Juno, Minerva e Júpiter, usado até o século 4, quando foi abandonado devido à massificação do Cristianismo. A forma que possui hoje é medieval e passou por várias construções, tendo sido restaurada recentemente. Encontre mais informações aqui. 

Depois de ter explorado a simpática Trento naquele mesmo dia, e apesar do cansaço, saí para fotografar o rio Ádige (de novo, pois ele também banha Trento) e a ponte Pietra. Aqui ele é bem mais bonito do que em Trento, especialmente nos arredores da Pietra porque a colina em frente com seus ciprestes e edifícios centenários fazem um belo pano de fundo. Verona o que fazer

quantos dias em Veroa

A Pietra é um dos monumentos mais importantes da cidade por seu valor histórico. A primeira ponte construída ali, em madeira, data de 89 AC. Ao longo dos séculos, há registros de quedas e destruição da ponte, seja em madeira, seja em pedra. A ponte que se vê hoje foi reconstruída em 1959, após ter sido explodida em 1945 pelo exército alemão em retirada. Foram utilizadas pedras originais caídas no rio, mas faltavam muitas, então a completaram com tijolos de demolição de edifícios medievais.

A ponteà época da reconstrução
A ponte à época da reconstrução
noite em Verona
Do outro lado do rio, alla sinistra, a Igreja San Giorgio in Braida
Alla destra, o Teatr romano
Alla destra, o Teatro romano

Da Ponte, não é possível ver o teatro Romano, apenas a enorme placa verde que aponta sua localização, como mostra a foto acima. Do Teatro Romano original, construído no século 1 AC, restam apenas os degraus e trechos do muro, mas há espetáculos regulares ainda hoje. Se quiser assistir a um, este site vende ingressos.

O Teatro Romano. Foto de Wikipedia
O Teatro Romano. Foto de Wikipedia

Pena que não tive tempo para perambular pelas ruas do outro lado do rio. Minha amiga me esperava para jantarmos – e estava ficando muito ermo por ali e como boa paulistana…

dicas de Verona

turismo em Verona
sempre encantadoras ruelas italianas
No alto da Colina, o Santuário Na. Sra. de Lourdes observa Verona
No alto da Colina, o Santuário Na. Sra. de Lourdes observa Verona
bikes para empréstimo, do outro lado da ponte Pietra
bikes para empréstimo, do outro lado da ponte Pietra

De volta ao centrinho, fiz algumas fotos na Piazza delle Erbe, que em vez do mercado de outros tempos abriga barraquinhas de produtos verochineses. Essas barraquinhas são ótima opção para comprar suvenires como ímãs, chaveiros, chapéus, camisetas, biju, uma variedade enorme a preços baixos. Por outro lado, elas poluem a praça visualmente e não têm a autenticidade de feirinhas de antiguidade de outras praças na Europa. Na minha opinião, um mercado de frutas, legumes e flores deveria ser mantido ali, quem mais apoia a causa? Se puder, deixe para fotografar a praça no final do dia, quando há menos gente e dá para fotografar e apreciar os muitos monumentos, fontes, terraços, janelas e afrescos das fachadas.

piazza delle erbe verona
A Piazza delle Erbe de dia
verona
e à noitinha


Da imagem acima, podemos falar de dois pontos importantes da praça: a fonte e as Casas Mazantti. A Fonte “Madonna Verona“, tem em sua estátua o elemento mais antigo da praça, datada do século 4, mas a fonte é do século 14. Encantada com tudo, nem percebi que minha filha imitou a cena de La Dolce Vita e se refrescou na fonte, em minha primeira visita a Verona!

Ju se refresca na base da fonte
Ju se refresca na base da fonte

As Casas Mazzanti são um conjunto de casas com afrescos remanescentes do período em que esse elemento era tão comum em Verona que os visitantes a apelidaram de urbs picta (cidade pintada). Pertenceram a várias famílias poderosas, como os Scala (séculos 13 a 16) e os Gonzaga, que vendeu à família Mazzanti em 1527.

verona fonte madonna veronaE se você já esteve em Veneza, deve se lembrar da coluna com leão alado que fica na Praça de São Marcos. Símbolo do poder veneziano, Verona ganhou um leão em 1523, abatido por jacobinos que retomaram o poder em 1797 e recolocado numa grande festa em 25 de abril de 1886, dia de São Marcos. Ainda olhando a foto abaixo, vê-se atrás da coluna de São Marcos o Palazzo Maffei, de 1668, ques ostenta 6 estátuas de divindades pagãs: Éroles, Júpiter, Vênus, Mercúrio, Apolo e Minerva.

verona dicas de viagem
A fonte que aparece na imagem abaixo é anexa à Tribuna ou Berlinda (eu não fotografei a dita, porque não sabia de sua relevância histórica, veja só!), uma espécie de gazebo de pedra onde na Idade Média os ‘prefeitos’ da cidade deveriam prestar seus votos a serviço de Verona. Também servia de padrão para medidas, utilizado pelos comerciantes locais.  Quanto à fonte, meu italiano não permitiu entender direito, mas na Idade Média quem blasfemasse contra Deus ou Virgem Maria era mergulhado uma quantidade x de vezes -e isso se fosse inverno, porque no verão a pena era outra.

verona

Outro monumento da praça é um pouco mais recente e homenageia os mortos no bombardeio da Primeira Guerra Mundial.

The Austrian air-raid on Verona, death and destruction by bomb in the Piazza delle Erbe

16583695_617066368483629_8349424712710881280_n
Já segue o Instagram do blog? Esta imagem apareceu primeiro lá!

Saber o significado e um pouquinho da historia dos elementos da cidade traz um novo olhar para o turista, mas outros sentidos precisam ser atendidos, como o paladar. Escolhemos uma mesa ao ar livre no Caffe Dante, na praça ali pertinho, a dei Signori, a respeito da qual falarei no próximo post sobre Verona. Já ouvi muito brasileiro dizer que a pizza boa é a brasileira e não a italiana. Bem, gosto é gosto…

verona

O serviço foi um pouco lento porque os atendentes estavam assistindo a uma partida de futebol da Eurocopa, Itália e Bélgica. Como boa brasileira, entendi. Deu Itália (2 X 0) e deu pizza. Todo mundo ficou feliz.

No próximo post, descrevo o roteiro de um dia inteiro em Verona, com mapinha e tudo!

Acesse a página índice da Itália para ler tudo o que já publiquei (e publicarei) sobre o país de meus antepassados.

verona piazza delle erbe

Funes? Nas Montanhas Dolomitas!

Este post faz parte de uma série sobre a viagem ao Norte da Itália, mais especificamente nas Montanhas Dolomitas, nos Alpes. Aqui eu conto sobre Funes e a experiência de hospedagem por lá e desafio você a dizer se já ouviu alguma vez falar nesse lugar! Relaxe, eu também nunca tinha ouvido falar, mas leia como a desconhecida Funes entrou no meu roteiro:

O cenário encantado das Dolomitas, em Funes

Dolomitas: um sonho realizado
Esse sonho não é meu, tomei emprestado! Durante o planejamento de minha viagem às Dolomitas eu li vários posts, a maioria em Inglês, pois os blogs brasileiros que encontrei a respeito, além de escassos, traziam poucas informações práticas. Entretanto, de um deles eu gostei por causa da historia: a viajante havia visto uma imagem das Dolomitas no Google, mas não sabia onde ficava especificamente aquela igrejinha no vale verde emoldurado por picos de agulha ainda nevados. Até que um dia seu marido traz a informação de que se tratava de Funes, onde eles registram a própria foto no mesmo ponto da imagem típica de calendário. E Funes entrou na minha rota, também, e passei uma noite numa pousadinha ali pertinho da Igrejinha em Santa Madalena, da foto acima. Se você quiser ler a historia e ver o roteiro deles, clique aqui. 

Como tomei o sonho emprestado, achei que o céu azul viesse junto, sqn! Funes foi a parada final de nosso segundo dia nas Dolomitas, quando dirigimos desde o Lago Misurina sob chuva e frio de final de primavera. Frustrante, até, pois não conseguimos fazer muitas paradas por causa da chuva e deixamos de subir por teleférico a alguns passos com vistas espetaculares em dias claros. Leia sobre este segundo dia nas Dolomitas em roteiro de 3 dias nas Dolomitas e sobre o primeiro em Cortina d’Ampezzo num bate volta de Veneza. Outros posts sobre esta viagem têm os links no final desta publicação.

E tinha sido assim o dia todo...
Sass Rigais quando chegamos

Apesar da curta distância entre Lago Misurina e Funes – cerca de 130 km com alguns desvios, uns voluntários, outros nem tanto (sim, erramos algumas entradas e nos perdemos feio), o cansaço por dirigir em estradas sempre sinuosas e estreitas e a chuva constante geraram uma tensão que só acabou quando deitei na cama e dormi.

 

Funes ou Villnoess tem apenas 80 quilômetros quadrados e vilarejos alpinos: San Pietro, Tiso, San Valentino, San Giacomo, Santa Madalena e Colle. E se você estiver achando o local a cara da Áustria ou da Suíça, tem razão: a região não pertencia à Itália até o final da Primeira Guerra Mundial e lá se fala, além do italiano, alemão e ladino.

Pension Sass Rigais
A pousada Sass Rigais fica numa rua sem saída, já dentro dos limites do Parco Naturale Puez Odle, tanto que é preciso passar pela guarita de estacionamento, mas só pela manhã consegui ver as montanhas e achei que apesar do sufoco pra chegar ali tinha valido a pena passar a noite num lugar tão especial.

Sass Rigais Funes bolzano
Mesas externas da pousada

Sass Rigais Funes

A pousada é administrada por uma família e tem 16 quartos simples com um lavatório e 4 banheiros compartilhados no corredor. Achei tudo muito limpo e organizado, principalmente os banheiros, que davam a impressão que eu estava dormindo na casa de uma tia: tapetinhos artesanais, cortina floral na janela, vasinho na pia… Sair do banheiro vestindo pijamas também dá essa impressão! 😄 O jantar estava incluso em nossa estadia e era típico italiano: uma entrada de salada e 2 pedaços de pizza (!), uma carne com ares gourmet (não aguentei comer) e uma sobremesa.

Sass Rigais, as montanhas no quintal da pousada
Da varandinha do quarto, eu vi o céu azul

O café da manhã era bem servido e a o restaurante tem janelinhas com cortinas (eles se cansam da vista?). O aquecedor central estava desligado porque era primavera (!), mas o edredom era tão quente e o isolamento térmico tão bem feito que não sentimos frio.

Janela do restaurante no Sass Rigais
Janela do restaurante no Sass Rigais

Difícil foi a comunicação com os funcionários, pois fora a proprietária, que falava inglês, os demais só falavam alemão. Mas nada que linguagem gestual não resolva, e fica tudo mais engraçado.

Como sempre acontece em regiões montanhosas, acordei cedo, fiz a foto (acima) dos meus pés com as montanhas ao fundo, peguei umas frutas secas e fui passear. As trilhas estão praticamente no quintal da pousada, mas como há muitos pinheiros, quase não se veem as montanhas. São bem sinalizadas e cuidadas e têm canaletas de madeira para escoamento da água, evitando erosão.

Sass Rigais Funes-17
indicação das trilhas

Sass Rigais Funes-11 Sass Rigais Funes-12

 

Sass Rigais Funes-16
a trilha é bem larga e bem cuidada

O passeio foi prazeroso. A luz do sol evaporava a umidade deixada pelo dia anterior e dava pra ver a fumacinha saindo dos gramados e cercas. Os trilheiros e bikers só começaram a chegar quando eu voltava para a pousada para o café da manhã. Depois disso, posamos para uma foto e seguimos para Alpe di Siussi, um lugar tão lindo que parece o paraíso na Terra – você tem que ler o post!

Quintal da Pension Sass Rigais
Quintal da Pension Sass Rigais

No caminho, paradinha para fotos em Santa Madalena, onde fica uma das capelinhas mais fotografadas das Dolomitas, a S. Giovanni:

A capela S. Giovanni, em Funes
A capela S. Giovanni, em Funes

sta magdalena-1

Vídeo feito por um drone da região de Val di Funes, publicado no YouTube. Lindo de ver!

Abaixo, mapa da rede de transporte coletivo que serve a região, caso voce esteja sem carro:

val-di-funes

Depois de Alpe di Siusi e de uma noite e um dia em Trento, cidade com vista para as Dolomitas, voltei com a certeza de que preciso ir de novo. Esta viagem teve mudanças de data e de objetivo e um dia espero conseguir cumprir a ideia original: ficar 10 dias só na região, sem carro, usando transporte público e os meios de elevação, dormir em refúgios, quartos compartilhados. Pois a sensação é que vi apenas o trailer de um filme longo e impactante.

Posts Relacionados às Dolomitas (clique sobre os títulos)

 

Lago Misurina e Refúgio Auronzo

A criança que habita em mim não via a hora de chegar ao Rifugio Auronzo. Ela estava agitada, ansiosa por estar em seu parque de diversões preferido: as montanhas. Há poucas horas havia visto os primeiros carneiros pastando tendo como pano de fundo Os Alpes. Tinha guiado por uma estradinha sinuosa entre Cortina d’Ampezzo e Lago Misurina, onde a criança fez meu corpo saltitar de alegria – e depois registrar um saltinho tímido numa foto. Minha filha adolescente morre de vergonha quando faço isso, mas não ligo, a criança é mais forte que o mico, e um dia minha filha cresce e volta a ser criança, permitindo-se saltitar na alegria.

dicas da Itália
eu, o hospital para crianças asmáticas e as montanhas Tre Cime di Lavaredo

Se sua criança também curte saltitar em destinos de montanha, você vai entender minha cara de felicidade no alto do Rifugio Auronzo quando assistir ao filminho não profissional-super-caseiro-de-quem-só-usava-Movie-Maker-pra-fazer-retrospectiva-de-aniversário – cujo link está no final deste post. Eu não conseguia parar de sorrir. É isso o que as viagens fazem com a gente, principalmente naqueles destinos onde a gente se encontra com nossa criança interior.

O Lago Misurina
A estrada que liga Cortina d’Ampezzo até Misurina é, como todas as outras das Dolomitas, sinuosa e com vistas lindas de paredões rochosos. Vaquinhas pastando completam a experiência sensorial – não olfativa, como você pode pensar, mas auditiva: seus sinos badalam a ao movimento de suas cabeças ao comer ou ao posar para as câmeras dos turistas. Quando a estrada fica plana e reta, é inevitável parar para fotografar as montanhas Tre Cime di Lavaredo que se vêem ao fundo, como na foto acima. O prédio amarelo é um hospital, maior referência italiana para crianças asmáticas, instalado 1.750 metros acima do nível do mar e entre montanhas, lugar perfeito para quem tem doenças respiratórias e fome de paisagens lindas, mas me pareceu um tanto quanto silencioso demais. Acho que eu deveria ter ouvido ao menos uma tosse quando passeei em seus jardins, mas nada…

O Hospital Infantil para Asmáticos
O Hospital Infantil para Asmáticos
Na trilha que circunda o lago
Na trilha que circunda o lago

O lago é pequeno, tem menos de 3 km e uma trilha fácil, plana e com bancos para descanso ou apreciação o circunda, podendo ser feita por crianças e idosos sem problema. Além das Tre Cime, outras montanhas compõem a paisagem do lago: Cristallino e Sorapis, então é fácil encontrar motivos para fotografar em sua visita ao Misurina. Em dias claros e sem vento, infelizmente não foi o caso, as montanhas se duplicam nas águas e nos dias de inverno o lago de apenas 5 metros de profundidade congela e vira uma pista de patinação, tendo inclusive sido local das competições de patinação de velocidade nas Olimpíadas de Inverno de 1956, que aconteceram em Cortina d’Ampezzo.

O Monte Sorapis
O Monte Sorapis
O Misurina congelado
O Misurina congelado
Teleférico para Rifugio Coll de Varda
Teleférico para Rifugio Col de Varda

Além de caminhar, relaxar, fotografar e admirar a paisagem, há um teleférico que chega ao Rifugio Col de Varda, a 2.106 metros de altitude, e que deve dar uma bela vista panorâmica do lago e das montanhas próximas, mas estava fechado  no dia em que estive lá.

Leia os outros posts sobre as Dolomitas, cujos links estão no final deste.

 Senta que lá vem historia
Misurina era, segundo a lenda e a Wikipedia, a neta (ou filha, de acordo com outra fonte) mimada de um amado e generoso rei, que se rendia a seus impulsivos caprichos. Um dia Misurina ouviu dizer que uma bruxa que vivia numa montanha próxima possuía uma espelho que permitia a seu dono ver tudo o que acontecia no mundo.  Misurina esperneou e fez tanta birra que o bondoso rei foi ter com a bruxa, que barganhou a troca transformando-o em uma montanha (a Sorapiss!) para sombrear sua horta de ervas. Ao descobrir o sacrifício de seu amado avô, Misurina chorou tanto que encheu um rio – ou um lago – de lágrimas. E o espelho? Ninguém me contou, mas acho que são as lágrimas depositadas no lago que refletem o mundo no Misurina.

misurina reflexo
O Sorapiss refletido nas águas do Misurina em foto que não é minha…

Eu escolhi ficar no Lago Misurina pela paisagem, embora a de Cortina d’Ampezzo também seja linda, mas me preocupava saber se haveria restaurantes abertos à noite para o jantar, já que estávamos fora de temporada se só há uns 10 edifícios ali no lago. Então fizemos umas comprinhas em Cortina: frutas, queijos, pães e vinho, mas há hotéis que servem também não hóspedes, descobri lá.

Bem, não me lembro que horas eram, mas devia ser perto das 15h quando fizemos o check in no Hotel Sorapiss rapidamente e voltamos ao nosso carrinho para subir ao Rifugio Auronzo.

Sobre aluguel de carro na Itália e dicas de direção por lá, leia Dirigindo na Itália 

Cai a noite no Lago Misurina
Cai a noite no Lago Misurina

Onde ficamos no Lago Misurina
Hotel Sorapiss é simples, mas aconchegante, com vista para o lago e com atendimento simpático e atencioso, motivo principal da minha indicação a você. Se quiser pesquisar outros hotéis no Lago Misurina, clique aqui.

Nossa casa no Lago Misurina
Nossa casa no Lago Misurina
Área social do Hotel Sorapiss
Área social do Hotel Sorapiss

A decoração está desatualizada, mas tanto o quarto quanto as áreas sociais eram bem aconchegantes e eu fiquei imaginando aquela sala com lareira no inverno, tudo branquinho através das janelas…

Primeiro registro da manhã, da janela
Primeiro registro da manhã, da janela: prenúncio de um dia chuvoso

Rifugio Auronzo
Pra começar, o que são rifugios? Refúgio são acomodações simples no alto de montanhas, que servem de pousada para quem está fazendo trilhas longas, de vários dias, mas qualquer um pode solicitar reserva, que deve ser feita com muita antecedência, em geral.  A maioria possui quartos coletivos com beliches, mas há quartos para 2 ou 4 pessoas, também. A maioria serve refeições e as mesas ao ar livre são disputadíssimas em dias quentes. Eu não entrei no Rifugio Auronzo porque a paisagem do lado de fora era hipnotizante e eu não conseguia desgrudar os olhos dos picos.

trekking dolomitas

 

Rifugio Auronzo
Rifugio Auronzo

Quem viaja por estas bandas o que vai mais fazer é encontrar refúgios e o que é bacana é o fato de muitos serem acessíveis por carro ou teleférico, diferente de outros parques nacionais onde são exclusivos para quem faz trekking ou escaladas. Claro que  a sensação de conquista é inexistente, pois não há esforço algum envolvido, mas a vista, ah, a vista…

Trilha próxima ao Rifugio Auronzo
Trilha próxima ao Rifugio Auronzo

Chegar ao Rifugio Auronzo  foi muito fácil. Dirigi a partir de Cortina d’Ampezzo, onde cheguei ainda mais facilmente vindo de Veneza (leia as dicas no post Cortina d’Ampezzo), onde almoçamos. Uma breve parada no Lago Misurina para fazer o check in no Hotel Sorapiss, onde me informei sobre o Rifugio, e tomamos a estrada no final do lago. Pouco depois de começar a serra, há uma guarita para pagar a taxa de €18 pelo estacionamento (algo inexistente em outros rifugios que visitei nas Dolomitas) e ao lado, mais vaquinhas pastando.

Guarita do estacionamento
Guarita do estacionamento

Rifugio Auronzo

Mas o bucolismo vira suspense pela ausência de guardrail em alguns pontos da sinuosa e estreita estrada. Mas logo se avista o grande estacionamento, no alto da montanha e o refúgio.

Montanhas Dolomitas

Minha colega de viagem, Miriam, tinha ficado no carro, mas eu fui buscá-la porque não é possível alguém ir até ali e não ver aquela paisagem! Depois de umas fotos ela retornou para o calor do carro e eu fui “só até ali” 😉

Rifugio Auronzo Belluno

Caminhei em direção a uma capelinha – algo também sempre presente nos vales e passos – que fica na trilha que parte do rifugio. Não sei quanto tempo caminhei, mas se ela não estivesse me esperando eu teria ficado mais.

Refúgio Auronzo

Rifugio Auronzo dolomitas

Esse foi o primeiro contato com as montanhas nesta viagem aos Alpes Italianos, e estar pertinho delas, com direito a vento frio no rosto, isolamento e quietude trouxe um prazer imenso. As montanhas são minha praia e é nelas que me sinto bem, de corpo e alma. And nothing else compares!

Acesse o canal do blog Mulher Casada Viaja no YouTube onde compartilhei minha alegria de estar nas montanhas.

 

Posts Relacionados às Dolomitas (clique sobre o título)
Dirigindo na Itália
– Cortina d’Ampezzo
– Dolomitas: roteiro de 3 dias
Roteiro de 12 dias pelo Norte e pela Toscana
– Dolomitas: guia para planejar sua viagem
– Alpe di Siusi
– Val di Funes

 

 

 

Dolomitas: guia para planejar sua viagem

A Itália tem uma longa lista de cidades e locais tombados como Patrimônio Mundial pela Unesco, a maior da Europa, com nomes manjados como Verona, Florença e Pisa, que entram nos sonhos e planos de todos os brasileiros que desejam visitar o país da bota pela primeira vez. As Dolomitas, cordilheira nos Alpes Italianos, acabam entrando na lista de pessoas que praticam esportes de inverno ou curtem um clima mais frio ou que, como eu, adoram uma paisagem montanhosa ou são trilheiros. Uma pena, porque mesmo para quem aprecia os contornos destas montanhas e as curvas de suas estradinhas da janela do carro este é um destino fantástico, que poderia ser incluído no roteiro de quem vai a Milão, Verona ou Veneza.

Rifugio Auronzo
Rifugio Auronzo

Este post traz informações complementares a outros já publicados a respeito da minha viagem à Itália em junho de 2016 e no final dele você encontra os links.

Localização
Sabe onde fica Veneza, na região Vêneto? Cerca de 200 quilômetros ao Norte você já está em Cortina d’Ampezzo, no coração das Dolomitas. Mas a paisagem alpina começa já em Belluno, ainda na província de Vêneto, e se estende mas a Oeste, até a província de Trentino Alto Ádige.

A região Tentino-Alto Ádige, no Norte da Itália
A região Tentino-Alto Ádige, no Norte da Itália


Passeios e roteiro pelas Dolomitas
No post anterior, você encontra o roteiro detalhado de 3 dias nas Dolomitas, descrevendo os pontos mais legais para paradas. Deixo aqui sugestões de outros lugares que não conheci. 

Ainda na região que explorei (Misurina, Cortina, Gardena, Funes e Siusi), outros pontos literalmente altos são o Glaciar Marmolada, que pode ser visto da estrada 641, atrás do Lago di Fedaia, e o Passo Pordoi na 48. Os lagos me decepcionaram, mas conheci poucos, então talvez tenha sido isso. Ou talvez seja porque os lagos das Montanhas Rochosas Canadenses sejam imbatíveis e qualquer comparação, injusta. Um lago bonito aonde se chega por uma trilha relativamente fácil é o Sorapiss.

Conhecer os museus da Primeira Guerra Mundial e ao mesmo tempo caminhar no alto das montanhas é possível, pois alguns dos museus são trilhas, chamados Museu a Céu Aberto, o mais famoso no Rifugio Falzarego, pegando a gôndola para Lagazuoi. Clique aqui para informações.

Museu I GM (3)

Depois de explorar essa região, ainda tem montanhas e vales para além da cidade de Bolzano, como San Genesio e Sopra Bolzano. 

Já que chegou até ali, numa esticadinha até Merano você viverá como um nobre: repousará seus pés cansados de trilhas nas Termas de Merano e apreciará o Castelo Trauttmansdorff. 

Castelo e Jardins em Merano
Castelo Trauttmansdorff e Jardins em Merano
E para se despedir das montanhas, nada melhor do que passear pelo centro histórico de Trento , cidade com vista para as montanhas!

Como Chegar às Dolomitas
🚗 As Dolomitas estendem-se por 200 quilômetros de Leste a Oeste, então é preciso definir sua porta de entrada, que pode ser:

  • a partir de Veneza, chegando a Cortina d’Ampezzo, na parte Leste das Dolomitas;
  •  a partir de uma das cidades a Oeste das Dolomitas, como Bolzano ou Trento, chegando a Siusi.

🚅 Não há trens percorrendo as Dolomitas de Leste a Oeste, mas há opções para chegar lá de transporte público e depois contratar passeios ou alugar um automóvel. Por isso, tenha programado o aluguel do automóvel para escolher o bilhete, pois nem todas cidades dispõem de locadoras. Eis algumas linhas que pesquisei e cujos bilhetes podem ser adquiridos online na Trenitalia. Todas as viagens levam cerca de duas horas e os valores foram pesquisados em Abril/2016:

  • de Innsbruck na Áustria até Bolzano (estava nos meus planos iniciais um bate volta antes de incluir a Toscana na mesma viagem): € 35
  • de Verona a Bolzano: € 12
  • de Veneza a Calalzo di Cadore-Cortina: € 12
Mapa das linhas férreas no Norte da Itália
Mapa das linhas férreas no Norte da Itália. Dentro do ovo, as Dolomitas

Milão é a cidade italiana com voos diretos partindo do Brasil mais próxima das Dolomitas e por isso deixo informações de como chegar a partir dela até Val Gardena, na parte central da cordilheira:

🚍 de ônibus: Duas companhias fazem a rota do Aeroporto Malpensa até Val Gardena: Busgroup.eu e Alto Adige Bus
🚅 de trem: comprar bilhete na Trenitalia até Bolzano e de lá um ônibus. Informações aqui.

Dolomitas
a região de Val Gardena, nas Dolomitas

 

Que estradas escolher
Este era um ponto preocupante para mim, porque eu não queria correr o risco de escolher uma estrada nas Dolomitas para ir do ponto A ao ponto B que fosse menos cênica que outra. Confesso que embora eu não tenha guiado por todas as estradas, é impossível cometer este erro porque para onde se olhe se avistam as montanhas. Basta sair da autoestrada e rodar pelas SP e SS, as estradas estreitas, sinuosas, cheias de cotovelinhos fofos dobrados a 180º. Mas o roteiro que fiz passa pela chamada Grande Estrada das Dolomitas, que vai de Cortina a Bolzano.

A Grande Estrada das Dolomitas
Em Passo Giau

Hospedagem
Há inúmeras possibilidades para todos os bolsos e estilos, desde campings, refúgios no alto das montanhas (concorridíssimos), B&B, hotéis-spa, a lista é longa. Como só usaria o hotel para banho e dormir, escolhi pousadas e hotéis econômicos, sem piscinas ou spas, pensando também nas interações sociais que estes lugares propiciam. Ficamos em dois pontos das Dolomitas: no Lago Misurina, a Leste, e em Funes, a Oeste, sobre os quais falarei em futuros posts. Veja o custo do Hotel Sorapiss e da Pension Sass Rigais no Booking.com, onde sempre reservo meus hoteis. 

Quintal da Pension Sass Rigais
Quintal da Pension Sass Rigais. Nada mal, né?

Trekking
Caminhar pelas montanhas nas diversas trilhas existentes é a principal atividade para quem não vai às Dolomitas para esquiar.  As trilhas têm vários níveis de dificuldade e a primeira a ser construída, a Via delle Dolomiti 1, foi traçada nos anos 1960, e até os anos 1980 outras 9 foram acrescentadas. O quadro abaixo traz informações sobre cada uma delas.  Você notará que há dois nomes para cada uma delas, um alemão e um italiano. Se você não tem familiaridade com trilhas ou dispõe de pouco tempo, saiba que não é preciso fazê-las completas, eleja apenas um trecho.  Fonte.

Nº da Trilha Nome Início Final Distância Duração
AltaVia 1 Via Classico Pragser Wildsee / Lago di Braies Belluno 150km 13 dias
Alta Via 2 Via delle Legende Brixen / Bressanone Feltre 185km 15 dias
Alta Via 3 Via dei Camosci Toblach / Dobbiaco Longarone 120km 10 dias
Alta Via 4 Via Grohmann Innichen / San Candido Pieve di Cadore 90km 8 dias
Alta Via 5 Via di Tiziano Sexten / Sesto Pieve di Cadore 100km 10 dias
Alta Via 6 Via dei Silenzi Sappada Vittorio Veneto 190km 14 dias
Alta Via 7 Via di Lothar Pateras Pieve d’Alpago Segusino 110km 11 dias
Alta Via 8 Via Panoramica Brixen / Bressanone Salurn / Salorno 160km 13 dias
Alta Via 9 Via Transversale Bozen / Bolzano Santo Stefano di Cadore 180km 14 dias
Alta Via 10 Judikarienhöhenweg Bozen / Bolzano Lago di Garda 200km 18 dias

Agora, se você acha caminhadas de 13 dias light demais, pode querer escalar as montanhas pela famosa Via Ferrata. Eu nem me atrevi a pesquisar, mas achei este site sobre o assunto em meio a minhas pesquisas.

Ah, que delícia!!!
Ah, que delícia!!!
E este é pelo jeito o melhor guia de trekking nas Dolomitas, indicado em vários blogs que li. E neste site das Dolomitas você encontra um mapa de trilhas na região de Cortina.

Como minha intenção inicial era “trecar” solo, pesquisei algumas agências que gerenciavam o transporte, as reservas e as caminhadas, uma britânica e uma espanhola. Também tem agência no Brasil. 

Deixo claro que não tenho indicação e não utilizei nenhum destes serviços, pois viajei de forma independente. Os links de agências e serviços de transporte são apenas fruto de minha pesquisa do planejamento desta viagem.

Passe para os Lifts (gondolas ou teleféricos)
Se você vai ficar na região de Cortina para fazer trilhas a pé ou de bike, existem passes de 3 a 7 dias que dão acesso a todos os teleféricos da região, pois as melhores trilhas estão no alto das montanhas. Acesse este site para ver os preços atualizados.

O cable car que leva a um ponto ainda mais alto: Bullaccia
Teleférico em Alpe di Siusi

Língua e Cultura
Quando se viaja para grandes centros urbanos, podemos observar o modo de agir, falar, comer das pessoas em metrôs, ruas, praças e restaurantes, mas como nas Dolomitas não há concentração de gente, na minha breve passagem pela região não consegui sentir a cultura local e as únicas marcas foram uma atendente vestida com trajes tiroleses e as sinalizações indicativas de cidades que vinham em uma língua estranha, diferente, o ladino – além do italiano e alemão. Já dei essa dica em outro post, mas vou repetir: familiarize-se com os nomes dos lugares que quer ir nestas três línguas, porque ficará mais fácil ler as placas e decidir se vai virar adestra ou sinistra.

Mas fiquei curiosa e fui pesquisar: não são poucos os que falam ladino nessa região: 30.000 habitantes ainda escrevem e falam a língua que perdeu o status de dialeto e oficializou-se como terceira língua oficial na região das Dolomitas, sendo ensinado nas escolas.

Para saber mais

Websites oficiais
Auronzo di Cadore e Lago Misurina
Belluno
Cortina d’Ampezzo
Sobre as Dolomitas 

Dolomitas Alpes italianos
Lago Misurina
Geologia

Esta é para os nerds de plantão! Se quiser saber sobre a formação das Dolomitas, clique aqui!


Um pouco da historia das Dolomitas
Desde a Guerra da Independência Italiana de 1861, quando a Itália passou a ser um Estado, a fronteira entre Áustria e Itália estava em disputa e com a Primeira Guerra Mundial as Dolomitas viram sangrentas batalhas. Dezenas de milhares de soldados morreram de 1915 a 1918, não apenas em combate, mas também em avalanches e pela exposição aos elementos naturais como nevascas e frio – e, imagino, fome. Embora os Italianos estivessem em maior número, os Austríacos conseguiram as melhores posições estratégicas e tomaram o Monte Lagazuoi onde hoje fica o museu.

E depois de tanto sangue derramado, foi num tratado em Paris em 1919 que se decidiu o riscado da fronteira Áustria-Itália, quando a região das Dolomitas passou a pertencer à Itália, como prêmio pela Itália ter virado a casaca e se aliado à Tríplice Entente (aliança entre Inglaterra, França e Império Russo). Claro que a coisa é complexa e envolve interesses territoriais e econômicos, então este é só um resumão para unir pontos como cultura tirolesa-fronteira-museu de guerra.

WebCams
 Encontrei sites que dispõem webcams de vários pontos das Dolomitas, que ajudam a ver se já tem neve, se está chovendo, céu azul, etc.
– webcams da região de Auronzo e Lago Misurina (perto de Cortina d’Ampezzo)
– webcams de várias regiões das Dolomitas

Posts Relacionados às Dolomitas (clique sobre os títulos)

 

 

 

Dolomitas, nos Alpes Italianos – roteiro de 3 dias

“Se a Capela Sistina tem o teto, as Dolomitas são o telhado da Itália.”

Quando dizia às pessoas que iria às Dolomitas, Patrimônio Mundial da UNESCO,  percebia uma interrogação em seus semblantes, então eu explicava que se tratava de uma cadeia de montanhas nos Alpes italianos, e acho que pensavam o que eu iria fazer nos Alpes se nem era inverno por lá e eu nem sabia esquiar. Aí comecei a postar fotos das montanhas no Facebook e o encantamento tomou conta delas também. Que bom! Foi assim que conheci alguns dos lugares mais lindos do mundo: sendo apresentada através de impactantes imagens.

Trilha próxima ao Rifugio Auronzo
Trilha próxima ao Rifugio Auronzo

Compartilho aqui meu roteiro de 3 dias pelas Dolomitas e no próximo post você encontra um guia com várias dicas sobre esta cordilheira. No final deste post, tem também links para outras publicações sobre esta viagem.

Roteiro de 3 dias nas Dolomitas
Roteiro dia 1 nas Dolomitas: Veneza-Cortina-Lago Misurina-Rifugio Auronzo
Depois de duas noites em Veneza, tomamos o vaporetto até a estação final (Piazzale Roma) e retiramos o carro na locadora, o que levou quase uma hora! Como parte do dia 1, leia o post sobre bate-volta a Cortina d’Ampezzo a partir de Veneza, com várias dicas práticas e em breve escreverei sobre o Lago Misurina e o Refúgio Auronzo, outros lugares por onde passamos no primeiro dia.

Lago Misurina
Lago Misurina

Roteiro dia 2 nas Dolomitas: Lago Misurina-Passo Giau-Passo Falzarego-Selva Val Gardena-Funes
Dia de muita estrada, com trechos da famosa Grande Strada delle Dolomiti, que vai de Cortina a Bolzano, mas infelizmente o clima não ajudou. Choveu a maior parte do tempo e quando não estava chovendo o céu estava completamente encoberto. Mesmo assim foi possível apreciar toda a majestade dessas montanhas. Vou escrever post próprio sobre Funes, o destino final deste dia e onde passamos a segunda noite. Você não pode perder, porque o lugar é estonteante!

Partimos do Lago Misurina logo após o café da manhã e pegamos a estrada até Cortina, que é lindamente sinuosa com campos e paredões rochosos e há um ponto para ver o vale onde está a cidade.

Cortina vista da estrada que leva ao Lago Misurina
Cortina vista da estrada que leva ao Lago Misurina. Montanhas encobertas

Na cidade há placas orientativas para vários passos e refúgios, daquelas que você precisará estacionar para ler, pois são tantas que só uma olhadinha não será suficiente. Se você ainda não dirigiu na Itália, leia o post dirigindo na Itália e você vai entender melhor do que estou falando rsrsrs.

Passo Giau
Vaquinhas pastam ao lado da estrada para Passo Giau

Nossa primeira parada do dia foi Passo Giau. Eu vou ficar aqui repetindo que as estradas são lindas. Desculpe, não é pobreza de vocabulário ou falta de assunto, mas todas elas têm atrativos e todas valem ser percorridas, seja pela paisagem, seja pelo prazer de dirigir. Nesta em particular foi onde encontramos um grupo de motoqueiros e até um carro de corrida (só sei modelo de carro se leio o que está escrito na traseira), mas também vimos ciclistas e vários cavalos e vacas pastando à beira da estrada.

A vista em Passo Giau é muito legal e deve ser fantástica em dias claros. Os motoqueiros que nos ultrapassaram estavam colando seus adesivos na placa, uma tradição do tipo “estivemos aqui”.

Passo Giau

Passo Giau às vezes é incluído na competição ciclística Giro d’a Itália, que como diz o nome percorre alguns pontos de Norte a Sul do país. Outra competição anual é a Maratona das Dolomitas, cuja próxima edição está agendada para o final de junho de 2017. Mas acho que por causa do tempo ruim havia poucos ciclistas pelas estradas nesse dia.

Depois de brincar de esconde esconde, esperando as nuvens permitirem-me avistar o cume de 2.236 metros, voltamos pela estrada até Cortina, mas para quem tem mais tempo é possível continuar pela mesma estrada (638) e na bifurcação pegar a 251 e a 203, seguindo até Passo Falzarego, nossa parada seguinte.

Passo Giau (2)

Pouco antes de chegar a Passo Falzarego, parei para fotografar o Rifugio Col Gallina, onde também tem uma capelinha, mas o destaque fica por conta da montanha piramidal. Aliás, os passos sempre tem capelas, algumas para padroeiros de montanhistas, outras para padroeiros de gado. Entendo a religiosidade italiana, mas não há melhor mais próximo de Deus, Buda, Alá, ou seja qual for sua crença, do que a natureza e, na minha opinião, as montanhas são o templo perfeito.

Rifugio Col Gallina
Rifugio Col Gallina

Em Falzarego tem uma gôndola/um teleférico que te leva (neste dia literalmente) às nuvens sem recorrer a nenhum tipo de substância ilícita. Em um dia tão nublado como aquele, não valeria a pena subir a Lagazuoi, a 2.752m, então eu tirei algumas fotos, entrei na lojinha de suvenires (cara!) do local, onde muita gente tomava um café para esquentar. Não sei qual era a temperatura naquele dia, mas estava muito frio para um final de primavera e eu vestia minha sempre-presente-nos-destinos-de-montanha-jaqueta-corta-vento-vermelha. É preciso economizar para viajar. Melhor a mesma roupa do que a mesmice!

O teleférico em Falzarego, que sobe até o Rifugio Lagzuoi
O teleférico em Falzarego, que sobe até o Rifugio Lagzuoi

E como a viagem continua depois que termina, descobri que Falzarego significa falso rei na língua ladina (dialeto do norte da Itália, nas Dolomitas, no Sul do Tirol nas províncias de Beluno e Trentino. Leia mais no próximo post, o Guia das Dolomitas) e se refere ao rei de Fanes, que segundo a lenda virou pedra por ter tomado o trono do verdadeiro herdeiro. Esta é uma das lendas passadas oralmente por gerações, nos invernos longos das montanhas, quando as famílias se reuniam em um único cômodo para aproveitar o calor que vinha do fogão. No final do século 19 um antropologista austríaco coletou esta e outras historias e seus estudos renderam publicações que hoje são usadas  nas escolas ladinas. Na região de Alta Badia, um pouco mais ao Norte deste ponto, você encontrará algumas estações de aluguel de bikes elétricas e lá você também pode usar um MP3 para ouvir esta e outras lendas. E no Brasil, sua escola ou a escola de seus filhos ensina lendas indígenas?

A caminho entre Falzarego e Gardena, fotografei um dos museus históricos da Primeira Guerra Mundial – as Dolomitas têm vários túneis, trincheiras que podem ser visitados, principalmente no alto das montanhas (que pena não ter subido a Lagazuoi), mas este estava ao lado da estrada Passo Valparola. Garoava e fazia frio, e eu que gosto de um papo nem tive vontade de conversar com um motoqueiro alemão que me explicava (o que eu já sabia) que aquelas montanhas antes pertenceram à Áustria (na verdade, ao império austríaco) e que as Dolomitas haviam sido palco de batalhas da Primeira Guerra.

Museu I GM (2)
Nem tava frio, magina! Até gelo acumulado da última nevada ainda tinha.

Museu I GM (3)

Assista a este video disponibilizado no YouTube (em Inglês) para entender melhor o que são estas trincheiras e viajar no tempo ao imaginar a vida desses soldados batalhando em condições inóspitas. Mais abaixo eu resumo o imbróglio envolvendo as Dolomitas.

a caminho de Funes, o tempo fechou ainda mais
a caminho de Funes, o tempo fechou ainda mais

Nos próximos 100 km eu dirigiria debaixo de chuva, com nuvens baixas sobre as montanhas altas que mal podiam ser vistas, por estradas serranas estreitas e cheias de cotovelos. Passamos por vales lindos e montanhas sempre impressionantes, e também por vilarejos à beira da estrada onde em dia sem chuva teria sido delicioso passear, mas só paramos para almoçar no restaurante do Hotel Chalet Gerard, que apesar de luxuoso e do cardápio primoroso, não saiu tão mais caro que em outros restaurantes italianos.

O restaurante onde almoçamos
O restaurante onde almoçamos

Este trecho entre Passo Gardena e Selva di Val Gardena… ah, nem vou falar que é um grande prazer dirigir ali, que a paisagem é linda, que a estrada é cheia de cotovelos a 180º e que a proximidade com os paredões rochosos chega a assustar, mas um susto como de uma surpresa boa. Pronto, falei de novo. Eu preciso falar, sempre, porque é muito bonito, mesmo.

A parte chata eu vou falar rapidinho: nos perdemos para chegar a Funes, rodamos muitos quilômetros a mais na autoestrada e depois por estradas tão estreitas e à beira de precipícios debaixo de chuva e com a noite se aproximando. Foi desgastante.

Acredite: o GPS nos mandou por ali!
Acredite: o GPS nos mandou por ali! Sim, o carro passou!

Quando finalmente chegamos à pousada onde passaríamos a noite, não se enxergava nada por causa da chuva e neblina. A rua era sem saída e estreita e como passamos batido pela pousada (não me culpem, olhem a visibilidade!), tive que voltar de ré. Gente, que saudade do meu marido dirigindo!!!!!! Eu quero ver paisagem, fotografar, não quero mais brincar de dirigir em viagem! rsrsrs

E tinha sido assim o dia todo...
E tinha sido assim o dia todo…

O jantar foi uma coisa esquisita. Havia 4 ou 5 mesas tomadas por hóspedes e um silêncio inquietante, como se a gente estivesse ali para um teste ou incomodados com algo – será que com a chuva que caíra o dia todo? Normalmente em pousadas e B&B há uma proximidade entre as pessoas, mas não sei porque isso não aconteceu nem durante as refeições ali. Mas cachorro é tudo de bom e um gordinho entrou na sala e todos começaram a rir: “I think he’s on a holiday here, too!”. Explico: o jantar era típico italiano, com entrada de salada e pizza, prato principal, sobremesa. Quem aguenta comer tanto?!

Sass Rigais, as montanhas no quintal da pousada
Sass Rigais, as montanhas no quintal da pousada

Roteiro dia 3 nas Dolomitas: Funes-Alpe di Siusi-Trento
A pousada em Funes fica num lugar tão remoto que nem visualização do homenzinho amarelo do Google Maps tem, só fotos. Pagamos o preço da exclusividade para chegar lá, agora era aproveitar a vista, porque no dia seguinte acordei com a luz que entrava pela porta balcão do quarto e vi o céu azul. Quase pulei de alegria. Fui à sacada para fotografar meus pés com as montanhas Sass Rigais ao fundo, me vesti, peguei uma fruta e às 6h30 já estava fazendo uma trilhazinha antes do café da manhã.

Sass Rigais Funes-16
uma das trilhas próximas à pousada

Sass Rigais Funes

Depois do café, parti com dor no coração, porque não teria mais tempo de andar por ali, mas o Grand Finale nos aguardava: Alpe di Siusi! No caminho, Santa Magdalena, um vale salpicado de casinhas alpinas e igrejinhas simpáticas, iguais a tantas outras, mas com picos pontiagudos lindos! Não consegui o melhor ângulo e o dia estava nublando rapidamente, então me contentei com as próximas imagens. Acho que a máxima Deus ajuda quem cedo madruga funciona bem aqui nas Dolomitas!sta magdalena-1

A capela S. Giovanni, em Funes
A capela S. Giovanni, em Funes


Cerca de 50 km depois chegamos a Siusi, no vale. Nosso destino era o alto da montanha, o maior planalto de altitude da Europa, então tomamos o teleférico mais longo em que já “andei” (ensino Português para estrangeiros e eles morrem de rir quando digo que em Português a gente anda de carro, anda de cavalo, anda de metrô…) e tivemos algumas horas de paz e encantamento. Mas essa historia você lê no post Alpe di Siusi: o paraíso nos Alpes Italianos. Sim, o lugar parece um estereotipado paraíso: campos verdes enfeitados com flores amarelas, vacas pastando e seus sinos tocando. Vento fresco batendo no rosto num raro encontro com a natureza alpina. Passa lá pra ler!

Em Alpe di Siussi - Bullaccia
Em Alpe di Siussi – Bullaccia

Quando descemos até Siusi, no vale, seguimos em direção à autoestrada 22 até Trento (aquela mesmo do Concílio, que você estudou na escola), que ainda tem vista para as Dolomitas, muita historia e é uma cidadezinha deliciosa para passar a noite. Vou falar sobre ela em breve, aguarde!

Até agora não sei se deixei as Dolomitas satisfeita. Que gostei, não tenho dúvidas! Ficou a vontade de ir para ficar 10 dias, como eu havia planejado, para caminhar – de preferência sem chuvas! Porque tem muita coisa ainda para ver e fazer e se você tiver um tempo maior nesta região, vá até o post Dolomitas: guia para planejar sua viagem que lá tem mais sugestões!

E se você gosta de road trips, confira os relatos de viagens nas montanhas canadenses, na incrível Icefields Parkway e pelo Parque Torres del Paine. E logo estarei na HW1 da Califórnia, então tem mais roadtrip por aí! 

Lago Bow, na Icefields Parkway, Oeste Canadense
Lago Bow, na Icefields Parkway, Oeste Canadense. Também estava nublado…
Posts Relacionados às Dolomitas (clique sobre os títulos)

 

Cortina d’Ampezzo, nas Dolomitas, num bate-volta de Veneza

Apenas duas horas de carro separam a incomparável Veneza a uma menos conhecida dos brasileiros, mas de cenários tão incomparáveis quanto, embora totalmente diversos: a cadeia de montanhas chamada Dolomitas, que enfeita o Nordeste da Itália (como se o país precisasse de mais atrativos!), onde fica a fronteira com a Áustria, ou seja, nOs Alpes.

O Lago Misurina, a 15 km de Cortina
Chegando ao Lago Misurina, a 15 km de Cortina

Diferente do que muita gente pensa, os Alpes não estão ali só para servirem de estação de esqui. O verão por estas bandas pode ser uma opção prazerosa para apreciar os contornos das montanhas e, se você for um entusiasta trilheiro ou ciclista, aposto que já ouviu falar das Dolomitas, destino preferido também de motoqueiros e motoristas, pois todas as estradas têm um visual maravilhoso e para quem gosta de dirigir ou pedalar as curvas são apenas mais um atrativo.

A região das Dolomitas é daqueles lugares com alta concentração de beleza por metro quadrado e exibe (esta palavra é perfeita aqui: o cenário parece uma exibição de Arte), além das montanhas de até 3 mil metros no papel principal, coadjuvantes de peso, como o maior planalto de altitude da Europa: Alpe di Siussi (post a respeito com imagens que parecem de calendário já estão publicado aqui), lagos, vales com casas alpinas e igrejinhas que mais parecem aqueles tijolinhos de madeira nossa infância, cultura tirolesa (fala-se mais alemão do que italiano), lagos formados pelo degelo e encostas pontuadas por vaquinhas e carneiros, numa extensão de apenas 200 metros de Leste a Oeste, tendo como cidades mais famosas Bolzano (já em seu limite) e Cortina D’Ampezzo, no coração das Dolomitas.

O Centrinho de Cortina
Torre da Igreja Santi Filippo e Gicamo, de 1850, e as onipresentes montanhas

Eu, Marcia, me, myself, na minha opinião totalmente pessoal e subjetiva, acho que bate-volta para essas montanhas é uma pena, mas se é isso o que cabe na sua viagem ou o que lhe basta, não vai se arrepender. Saí de Veneza já passavam das 10h30 e consegui almoçar e passear por Cortina, subir a montanha até o Rifugio Auronzo e caminhar em volta do Lago Misurina, além de várias paradas para fotos. No verão, quando os dias são mais longos, um bate volta é possível, sim.

cortina ruas-1
Em vez de um monte de prédios da minha janela em SP, adoraria ver este paredão!

Outra coisa: fiz na mesma viagem a Toscana e as Dolomitas e cada região tem sua beleza, mas as montanhas são… arrebatadoras, impactantes. Não posso dizer que uma road trip é mais bonita que a outra porque é também uma questão de gosto, mas é uma pena que se valorize tanto a Toscana, entre os brasileiros, e poucos conheçam as Dolomitas. De qualquer forma, opte você por bate volta ou por permanecer alguns dias na região, ficam aqui dicas para você ir a Cortina, nome apropriadíssimo, pois a partir dela abre-se o espetáculo que são as Dolomitas.

Cortina nova edição-1

O ginásio que serviu para competições das Olimpíadas de 1956
O ginásio que serviu para competições das Olimpíadas de 1956 em Cortina. Hoje tem hockey!

Localização
Cortina d’Ampezzo fica na província de Belluno, 158 quilômetros ao Norte de Veneza e a 1224 de altitude.

Como chegar a Cortina d’Ampezzo

✈ Os aeroportos mais próximos são em Veneza e Bolzano.

🚄 Não se chega direto a Cortina de trem. A estação mais próxima fica em Calalzo di Cadore.

🚌 Este site tem informações sobre as linhas de ônibus que chegam a Cortina.

🚗 Se você está em Veneza, o ponto de partida é a Piazzale Roma, onde ficam o terminal de ônibus e o ponto final/inicial do vaporettos. A maior parte das locadoras de veículos fica na rua de trás do canal, na Ponte della Libertà.  Também há lojas no aeroporto Marco Polo.

locadoras na Ponte della Libertà
locadoras na Ponte della Libertà, Veneza

 

Não deixe de ler o post Dirigindo na Itália,
com dicas de estacionamento, pedágio, combustível…

Estradas de Veneza a Cortina d’Ampezzo, nas Dolomitas
Qualquer Google Maps ou GPS vai te mostrar o caminho de Veneza a Cortina d’Ampezzo, que é muito simples: autoestrada A 27 e SS 51 após a entrada para Belluno, que você não pega, ou seja, siga em frente. Se quiser, a primeira parada com uma vista bonita é em Valle di Cadore, à esquerda da estrada, onde tem um Centro de informações Turísticas ao lado de uma fonte bonitinha com fundo de montanhas:

a caminho de Cortina, as montanhas ficam mais próximas, em Valle di Cadore
opçao para esticar as pernas e fazer uma das primeiras fotos das montanhas: Valle di Cadore

Um pouco mais adiante, uma outra cidadezinha: San Vito di Cadore. A SS51 passa no meio de ambas e não há acostamento, então fique de olho em estacionamentos de comércio para dar uma paradinha para fotos.

ASS 51, em San Vito di Cadore
A estrada SS 51, em San Vito di Cadore

A partir daí, Cortina está pertinho e é tanta paisagem que você esquece da quilometragem e do relógio. Ao chegar à cidade, procure um dos estacionamentos, que são gratuitos na baixa temporada. Este em que paramos fica perto da estação de ônibus da cidade, onde há banheiro público (€1) e comércio típico de estações, como lanchonetes, vending machines e suvenires.

estacionamento em Cortina
sinalização para estacionamento em Cortina

Outra opção: Se tiver mais tempo, na bifurcação da SS 51 siga à direita (foto abaixo), que continua com o nome de SS 51bis (aprendi, perdida em Paris, que bis quer dizer “é esse número, mas não exatamente esse número”). Na bifurcação, pegue a SS52 sentido Norte. Em seguida, as placas indicarão Auronzo e Misurina, e pegue a SS48, que também te leva a Cortina d’Ampezzo. Eu não fiz esse trecho, mas parece ser lindo.

Cortina a caminho foto Google

Para voltar a Veneza, pegue a SS51 e a A27. Leia mais abaixo as opções de lugares próximos a Cortina para visitar.

Como circular
Cortina é tão pequena que se você bobear acaba saindo dela achando que nem chegou (sim, aconteceu conosco! rsrsrs), então dá pra fazer tudo a pé. Para ir a outros pontos próximos, como Misurina ou Passo Falzarego, caso esteja sem carro, poderá usar ônibus de linha, que partem da rodoviária. Uma máquina automática vende bilhetes (€1,20 a unidade) e há uma de troco também. 

Trajetos de ônibus urbano na região de Cortina
Trajetos de ônibus urbano na região de Cortina
Rodoviária de Cortina
Rodoviária de Cortina

Câmeras ao vivo
Quer dar uma espiada ao vivo do alto das Montanhas? Este site tem 6 câmeras só na região de Cortina!

Vídeos do YouTube
Você vai encontrar vários, mas eu selecionei este pois tem mais imagens da primavera do que do inverno, mais comum de encontrar pois Cortina é um resort de esqui.

Este vídeo é profissional e mostra Cortina em todas as estações, trazendo uma ideia do quanto da pra se fazer por lá!

o Centrinho de Cortina
o Centrinho de Cortina

Onde ficar em Cortina d’Ampezzo
Como toda cidade turística, há hospedagem para todos os bolsos e gostos. O hotel que escolhi ficava no Lago Misurina, a apenas 15 km de Cortina e vou escrever sobre ele no post Lago Misurina. Fiz a reserva pelo Booking.com e se você fizer a sua através do blog Mulher Casada Viaja estará contribuindo para a manutenção do blog, pois recebo uma pequena comissão. Você não paga nada a mais por isso e faz um gesto simpático com quem passou horas para organizar este post. Grazie!

Estrada entre Cortina e Lago Misurina
Estrada entre Cortina e Lago Misurina

Visto, Passaporte e Carta Schengen
Não é necessário visto para entrar na Itália, apenas passaporte com validade superior a 6 meses e, como a Itália faz parte da Comunidade Europeia onde é exigida a Carta Schengen, há obrigatoriedade de contratação de seguro viagem. Além disso, seguro viagem não é só para o caso de você torcer o pé numa trilha ou sofrer um acidente. Malas extraviadas e tantas outras coisas que tornariam sua aventura inesquecível negativamente podem ser minimizadas com o seguro. O blog tem parceria com a Mondial Assistance,  que  oferece 15% de desconto para os leitores, desde que contratado através do link do blog. Neste link você encontra o código promocional

Língua e cultura
A língua oficial é o italiano e nesta parte das Dolomitas não há tanta influência tirolesa como na região mais a Oeste. A arquitetura é alpina, mas com um quê típico italiano. As poucas pessoas com quem tive contato foram atenciosas e simpáticas e usei o Inglês para me comunicar em restaurantes, centro de turistas e pousadas.

Cortina d Ampezzo
Pelas ruas de Cortina

Dinheiro/Moeda 
Com o IOF de 6% sobre o cartão de crédito, deixei para usá-lo em poucas situações e levei euros para quase todas as despesas. Se você decidir levar dinheiro, não se esqueça do moneybelt, aquela pochete de tecido que se usa entre a roupa íntima e a camiseta ou calças, que você compra em lojas de bolsas ou pela Internet. Nesta região não há batedores de carteira como em Roma ou Paris, mas é todo dinheiro que você tem na viagem, então melhor não correr riscos deixando-o em sua carteira. Outra coisa: nenhuma das pousadas em que fiquei tinha cofre nos quartos.

Quanto custa ir para Cortina d’Ampezzo
Claro que um mesmo destino pode ter variações enormes de custo, dependendo do perfil do viajante, da época do ano e de tantos outros fatores, mas deixo aqui uma ideia do quanto gastar, baseando-me nas despesas de junho/2016:

Hospedagem: média de €70 em hotéis ou pousadas simples (sem estrutura como piscina, spa, mas limpos e com restaurantes) com vista para montanhas e lagos.

Refeições: o preço não muda muito de uma cidade para outra e uma refeição simples (uma pizza ou massa com cerveja) não sai por menos de €15, mas sempre comemos com “uma vista: na piazza principal, em frente a uma montanha ou lago, etc.

Cortina d Ampezzo Dolomitas
mercadinho em Cortina: legumes, frutas, vinhos e queijos: faça seu picnic!

Pedágio e combustível: rodamos 3 dias por Veneza-Cortina-Misurina-Falzarego-Selva Gardena-Funes-Alpe di Siussi e Trento e gastamos €46 para reabastecer o carro antes de sua devolução à locadora. O custo do pedágio que só existe nas autoestradas e não nas estradinhas entre as montanhas, depende da quilometragem rodada. Para chegar a Funes nos perdemos e tivemos que rodar até achar uma saída, então gastamos € 7,50. Na saída de Funes a Siussi foram €3,80.

Não tem cofre, mas tem vista!
Não tem cofre, mas tem vista! Hotel Sorapiss

Voltagem/Tomadas
Não se esqueça do adaptador universal para tomadas e de um benjamim, pois alguns hotéis têm poucas tomadas para recarregar câmera, celulares, etc.

Fuso horário
Se não estivermos em horário de verão, na Itália são 5 horas mais tarde em relação ao horário de Brasília.

dicas da Itália

Temperatura/clima
Confira a previsão do tempo neste site das Dolomitas.

Quando ir a Cortina d’Ampezzo
Se você quiser ver neve, de novembro até março vai encontrar os picos, telhados e pinheiros cobertos por ela. Mas esqueça o carro nesta opção se você não tem experiência em dirigir com correntes nos pneus, que são obrigatórios. Leia mais em Dirigindo na Itália.

Se quiser fazer trilhas, usar sua bike ou simplesmente fugir da friaca dos Alpes, a partir de maio já dá para encarar os picos, onde venta muito e faz frio mesmo no final da primavera. Em 2016 a primavera foi chuvosa e o calor demorou a chegar. Nos rifugios e passos e no início da manhã ou à noite, precisei usar jaqueta corta vento mesmo no meio de junho! Se puer escolher, a alta temporada de verão, entre julho e agosto é o ideal – e quem sabe suas fotos ganham mais colorido do que as minhas com o sol!

Entre nas ruas residencias!
Entre nas ruas residências!

O que fazer em Cortina d’Ampezzo e região
Cortina foi apenas uma parada para almoço e passeamos um pouco pelo centrinho após a farta refeição típica italiana. Quase tudo estava fechado (hora de almoço+baixa temporada) e eu estava ansiosa para ir ao Rifugio Auronzo, então não ficamos muito por lá. Além da diferença entre uma viagem no inverno e no verão, há dois tipos de viagem nas Dolomitas e as sugestões dependerão de qual é a sua:

  1. contemplativa, para quem tem menos tempo, quando rodamos pelas estradas sinuosas, fazemos paradas, tomamos teleféricos para o alto das montanhas e fotografamos. A paisagem aliada às estradas sinuosas fazem das Dolomitas destino preferido de motoqueiros, ciclistas e por que não dos motoristas? Infelizmente foi o que cabia no meu roteiro, então conheci o centrinho, peguei folhetos no Uffici Turistico, dirigi até o Lago Misurina e subi de carro até o Rifugio Auronzo. No dia seguinte, ainda na região, fui a Passo Giau e ao Passo Falzarego. Neste, um teleférico te leva a 2,700 de altitude, no Rifugio Lagazuoi, aonde só não fui porque as montanhas estavam completamente encobertas e eu não veria nada. Falarei sobre estes passeios em posts à parte.
  2. imersão, para quem fica mais dias e faz trilhas para lagos, nas montanhas, visita as antigas trincheiras da Primeira Guerra Mundial. Nesta categoria podemos adicionar passeios de bicicleta, esqui e incontáveis esportes de inverno que nós moradores de países tropicais nem imaginamos. Se você tiver a sorte de ficar por lá para isso, o centro de informações turísticas tem diversos mapas gratuitos para você se orientar.

Centro de Informações Turísticas de Cortina d’Ampezzo
O Ufficio Turistico fica na Corso Italia, 81, fácil de achar pois é perto da igreja da cidade, cuja torre pode ser vista facilmente. Lá você pode pegar gratuitamente mapas de trilhas ou de pistas de ciclismo e receber informações de que precisar.

De Cortina a…
Lago Misurina: 15 km
Veneza: 158 km
Bolzano: 132 km
Innsbruck: 164 km

Minhas impressões de Cortina
Durante o planejamento de minha viagem, senti falta de informações mais específicas sobre Cortina, mas lá descobri que não há muito a escrever além do que já disse aqui, pois o grande barato mesmo é ficar pelas estradas e trilhas e usar os meios de elevação para ir ao topo das montanhas onde as estradas não chegam. Claro que quem fica na cidade vai curtir os restaurantes e comércio, mas a cidade é tão pequena que pode ser chamada de vila.  Na foto invernal abaixo, você vê a praça principal e a cidade se espalha pelas encostas das montanhas na forma de casinhas alpinas. Vale a pena? Se você gosta de natureza e de montanhas, a região das Dolomitas é o lugar certo para você. 

O Centro de Cortina no inverno, em foto do Expedia
O Centro de Cortina no inverno, em foto do Expedia

Depois de todas estas dicas dá pra planejar sua ida a Cortina, mas se você não tiver tempo ou paciência, você sabia que eu organizo roteiros e/ou presto assessoria para você montar sua própria viagem? Leia como funciona clicando aqui.

Não deixe de ler os posts sobre Veneza, com dicas de como chegar, um guia para você começar o planejamento, roteiro de uma primeira vez, e o que não fazer por lá, além de uma explicação de como Veneza foi construída sobre as águas.

Posts Relacionados às Dolomitas (clique sobre o título)
Alpe di Siussi
Dirigindo na Itália
 Dolomitas: roteiro de 3 dias
Roteiro pelo Norte da Itália e pela Toscana
 Dolomitas: guia para sua viagem
Lago Misurina e Rifugio Auronzo

Em breve sobre região das Dolomitas:
Val di Funes
Trento

 

 

 

Onde Ficar em Roma: Dica de Hotéis

A São Pedro
A São Pedro

Tendo ferramentas como as avaliações de hóspedes do Booking.com e do TripAdvisor, escolher um hotel ficou cada vez mais fácil, mas uma ajudazinha em primeira mão de quem já foi e se hospedou ajuda e muito! Neste post dou dicas de que região de Roma escolher e avalio hoteis em que fiquei, além de sugerir outros.

Não deixe de ler também o Guia de Roma

Como escolher onde ficar em Roma
Em qualquer cidade, a região onde você ficar hospedado terá impactos na sua experiência de viagem. Em cidades europeias, bairros afastados do centro podem estar descaracterizados tanto na arquitetura quanto na população – ou podem proporcionar uma vivência local mais autêntica do que se ficasse em zonas mais turísticas. Eu sugiro este tipo de hospedagem para quem tem mais tempo numa mesma cidade, dando preferência para B&B e aluguel de apartamentos. Mas se você dispõe de poucos dias na cidade, talvez seja melhor ficar na zona turística, perto de tudo.

O rio Tibre visto do Castelo Sant'Angelo
O rio Tibre visto do Castelo Sant’Angelo

O destaque no mapa abaixo mostra a região histórica de Roma, onde ficam museus, monumentos, igrejas, ou seja, ficando por ali, você estará bem perto das principais atrações:

  • a Oeste (esquerda) do círculo, na estação Ottaviano, estão o Vaticano, o Castelo Sant’Angelo e acesso próximo ao rio Tibre
  • ao Sul, o Coliseu e o Foro Romano
  • a Norte, a Vila Borghese e a Piazza di Spagna
  • no centro do círculo, sem acesso próximo do metrô, Pantheon, Fontana de Trevi, Piazza Navona
  • a Leste (direita), a estação Termini de trem e a Piazza della Repubblica, onde fica a bela igreja Santa Maria degli Angeli, onde fiquei na segunda vez em Roma (leia mais abaixo)

onde ficar em Roma

Roma, fora do centro
Se preferir ficar longe do burburinho turístico, e onde eu ficaria numa próxima vez, Trastevere é um bairro boêmio, com restaurantes graciosos e muito verde, do lado ocidental do rio, que foi descoberto por turistas e perdeu um pouco de sua autenticidade, principalmente depois do sucesso de livro e filme Comer, Rezar, Amar, mas ainda é uma graça e sua Basílica Santa Maria é uma de minhas igrejas preferidas em Roma.

O portão de Trastevere
O portão de Trastevere


Clique aqui para ver o mapa com os hotéis da região de Trastevere.

Em minha primeira visita a Roma eu fique fora do centro, na Via Aurelia, no Hotel Ergife. É um daqueles enormes, com restaurantes, bares, piscina, sala de convenções. Foi escolha da operadora de quem comprei o pacote e o quarto era grande, com terracinho, muito limpo e com ótimo café da manhã.  É uma boa opção para quem vai com crianças no verão, pois os hotéis do centro histórico de Roma não tem a mesma estrutura e as crianças vão adorar uma piscina depois de turistar. O hotel fica numa rua sem saída e isso o tornava bem tranquilo. O metrô mais próximo (Aurelia) fica a pouco mais de 1 quilômetro do hotel.

o Pantheon, no miolinho do centro
o Pantheon, no miolinho do centro, e as onipresentes cabeças de turistas

Hotel no centro de Roma
Na segunda vez em Roma, escolhi um hotel
 perto do metrô República, na Rua Modena, paralela à Via Nazionalle, onde há muitas lojas e restaurantes usados por locais. O SuiteDreams fia no primeiro andar de um edifício de uso misto  e isso a princípio me incomodou. Mas as avaliações de quem havia ficado lá eram muito positivas, então arrisquei. Não podia ter tido uma experiência melhor! O elevador é bom para os padrões de cidades europeias, os funcionários atenciosos e simpáticos, o quarto moderno, bem decorado e limpo e o banheiro bem equipado.  O café da manhã uma delícia e me senti como num B&B, não em um hotel.

A sala de café da manhã
A sala de café da manhã

20150514-20150514_100915_HDR 20150514-20150514_100907_HDR

O corredor do SweetDreams
O corredor do SweetDreams

onde ficar em Roma hotel Roma

Hotel no miolo do centro de Roma
Se você está viajando com idosos, uma boa ideia é ficar no miolinho onde o metrô não chega, assim eles economizam as pernas. Não fiquei neste hotel mas a localização é fantástica e eu guardei o nome para compartilhar aqui no blog. Fica na Via di Pietra ao lado do Templo de Adriano. Não custa dar uma olhada: Albergo Cesare.

o Templo de Adriano, ao lado do hotel. Foto do Booking
o Templo de Adriano, ao lado do hotel. Foto do Booking

Links para Posts Relacionados a Roma

Para Roma, com Amor

https://mulhercasadaviaja.com/2015/07/28/roma-guia-para-planejar-sua-viagem/

https://mulhercasadaviaja.com/2015/09/09/roma-vista-do-alto/