Bariloche: roteiro de inverno

Pela visão brasileira, Bariloche é sinônimo de inverno, mas a alta temporada rola também no verão. Por isso o título roteiro de inverno. No verão as atividades são diferentes, pois incluem caminhadas e excluem brincadeiras na neve. E a paisagem muda conforme a estação, claro. No outono, os álamos tingem de dourado os lagos à beira dos quais estão plantados, criando um efeito ainda mais encantador e as árvores da base de montanhas, ou cerros, como eles dizem lá, ficam ferrugem. E a luz do outono, sempre tão especial…

Pois bem, segue o meu roteiro de 15 dias em Bariloche. Não, não foi muito tempo. Há anos não fazíamos uma slow travel, pra falar a verdade, acho que nunca tínhamos feito. Bariloche é perfeita para repor as energias: o sol surge depois das 9h, chove bastante e o frio te convida a ficar em frente à lareira olhando a neve lá fora. OK, isso só aconteceu porque eu tinha 15 dias, senão teria sido uma corrida contra o calendário, como sempre é. E nem falei da boa carne e do vinho mais acessível do que cerveja. E não há barreira de língua: a gente entende o espanhol e eles entendem nosso português, olha que coisa boa.

Não deixe de ler os outros posts com dicas práticas de Bariloche e Cerro Catedral, bem como o relato de cada um dos passeios. Os links estão no final deste post.

Roteiro

Segue meu roteiro de 25 de junho a 10 de julho, para você se planejar antes de ir a Bariloche e sugiro outras atividades que não fiz por preguiça ou porque estava gostando de “brincar de casinha” no apart-hotel em Cerro Catedral. Sem culpa.

Dia 1: viagem e chegada. Reconhecimento da Villa Cerro Catedral (nos hospedamos lá). Leia-se: ‘à procura de um restaurante aberto’.

Aeroporto de Bariloche
O aeroporto de Bariloche


Dia 2: dormimos bastante para compensar o alarme do relógio às 3 da manhã do dia anterior, descemos a cerrinha para o centro de Bariloche, caminhamos pelo Centro Cívico, lojas da Mitre e da San Martin e pegamos nossos vouchers na agência Turisur, pois no dia seguinte começariam as excursões lacustres.  

Centro Cívico e o Lago Nahuel Huapi
Centro Cívico e o Lago Nahuel Huapi


Dia 3: excursão de dia inteiro: navegação no Nahuel Huapi para Puerto Blest, Lago Frias e Cascata Los Cantaros.

Puerto Blest
Puerto Blest


Dia 4: excursão de dia inteiro: Cerro Tronador.

Ilha Piuqué Huapi, na excursão Cerro Tronador
Ilha Piuqué Huapi, na excursão Cerro Tronador


Dia 5: excursão à tarde: navegação no Nahuel Huapi para Isla Victoria e Bosque Arrayanes.

Vista do Mirante no Bosque de Arrayanes
Vista do Mirante no Bosque de Arrayanes


Dia 6: Ficamos na Villa Catedral e à noite jantamos no centro.

A avenida principal da Villa Catedral
A avenida principal da Villa Catedral


Dia 7: Nevou de madrugada e choveu a maior parte do dia. Acordamos tarde, almoçamos no centro, visitamos o Museu do Chocolate, passeamos no centro e jantamos no apart-hotel.

Capela São Eduardo
Capela São Eduardo

Dia 8: Passeio na Capela Santo Eduardo e no Hotel Llao Llao. À tarde subimos o Cerro Catedral
esqui em Bariloche

Dia 9: Cruce Andino: um dia inteiro de passeio por lagos e montanhas, cruzando os Andes.

Uma das cenas do Cruce Andino
Uma das cenas do Cruce Andino

Dia 10: Puerto Varas: enquanto não choveu, conheci a cidade e observei as nuvens e o vulcão Osorno brincarem de esconde-esconde. Depois assisti à final da Copa América 2015 no hotel, com os chilenos. Deu Chile.

Osorno: vulcão adormecido em Puerto Varas
Osorno: vulcão adormecido em Puerto Varas

Dia 11: Cruce Andino (retorno a Bariloche). Retirada do carro alugado.

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Quando o guia disse que temos belas praias no Brasil, mas não nessa cor, eu perguntei se ele conhecia Ilha Grande…

Dia 12: Dia de conhecer o sanatório, quer dizer, o hospital de Bariloche: estava com infecção urinária. Aproveitei pra ficar de molho por causa da torção no pé esquerdo quando caí na escada de um dos barcos do Cruce Andino. Não achei benzedeira em Bariloche (rsrsrs), mas por falar nisso, tem um tipo de loja que não é comum por aqui: santeria, que vende imagens, velas, crucifixos, terços… Fizemos compras no supermercado e à noite recebemos, para uma noite de vinho, pães e queijos, os proprietários do apart-hotel e a família do sobrinho do meu marido que estava em Bariloche.

Dia 13: Circuito Chico. À noite jantamos com um casal que conheci no Chile.

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Dia 14: Day trip a Vila la Angostura debaixo de chuva. À noite a família se reuniu no hotel onde estavam os sobrinhos.

Villa la Angostura
Uma das paisagens a caminho de Vila La Angostura

Dia 15: Nevou bastante e subimos o Cerro Catedral mais uma vez. À noitinha, cervejaria com a família.

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Gorro inspirado no filme Fargo

Dia 16: devolução do carro no aeroporto de Bariloche e viagem de volta ao Brasil.

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O que você pode incluir em seu roteiro que até entrou no meu, mas saiu de fininho:

  • Cerro Otto: subir ao topo, avistar o entorno e comer na confeitaria giratória que tem láCerro Otto
  • Cerro Campanario: Outra montanha que tem ascensão e faz parte do Circuito Chico

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  • Piedras Blancas: Além das brincadeiras na neve, tem um centro de esqui para iniciantes
  • Tomar um chá da tarde no Hotel Llao Llao

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    panorâmica do salão de chá do Llao Llao
  • Subir o Cerro Bayo, em Villa La Angostura, para esquiar ou brincar na neve
  • Circuito Grande: Não o fiz por completo porque quando fomos a Villa la Angostura (dia 14), a primeira parada, choveu muito, então decidimos voltar a Bariloche.
  • Esticar até San Martin de Los Andes

Você não me perguntou, mas vou falar: se eu tivesse que escolher apenas uma atividade em Bariloche… ia ser dureza! Duas fica mais fácil: subir o Cerro Catedral e fazer o Cruce Andino.

⛄  ⛄ ⛄ ⛄ ⛄ ⛄ ⛄ ⛄ ⛄ ⛄ ⛄ ⛄

Links para posts relacionados a Bariloche (clique sobre o título para saber mais sobre a região)

– Bariloche: Passeios e Checklist
– Cabaña del Lago: um refúgio em Puerto Varas, Chile
– Puerto Blest e Los Cantaros: O Melhor passeio de Bariloche
– Isla Victoria e Bosque de Arrayanes: Natureza e História em Bariloche
 Primeiro Encontro com Bariloche

– Cerro Catedral: um templo para brincar em Bariloche
Roupa de Neve ou para Temperaturas Negativas
– Bariloche: Guia para Planejar sua Viagem
Cruce Andino: de Bariloche a Puerto Varas
– Cerro Tronador: Lagos, Geleiras e Vulcão em Bariloche

Em breve:
Bariloche: restaurantes e supermercados
Troquei de Casa! Bariloche, Fui!
Vila la Angostura
Hotel Llao Llao
Puerto Varas: o que fazer

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Cerro Catedral: um templo para brincar em Bariloche

A penúltima vez  que subi uma montanha não foi brincadeira e não foi para brincar, mas eu a chamei de minha catedral. Estar frente a frente com Torres del Paine foi muito especial em todos os sentidos e é daqueles momentos que eu vou guardar para sempre. Por outro lado, subir a Catedral oficial, aquela em Bariloche, foi brincadeira de criança. Mesmo! E é sobre o Cerro Catedral, maior estação de esqui da América do Sul, que falarei neste post.

esqui em Bariloche

Cerro Catedral tem esse nome porque no seu topo há rochas que lembram, pela cor e forma, as torres de uma catedral gótica.  Óbvio dizer que a paisagem lá de cima é linda, e quem vai pela primeira vez não sabe se aprecia a neve, os lagos, as outras montanhas, então a dica é: só vá se o dia estiver claro, ensolarado. Outra dica: se não se importar com a vista, converse com os locais (da Villa Catedral) para saber se aquele é um bom dia para subir, pois às vezes está nublado ou até chovendo e lá no topo o sol está brilhando.

Cerro Catedral

Eu sinceramente espero que você que planeja ver neve pela primeira vez ou pisar no gelo acumulado por alguma nevasca passada esteja tão feliz consigo mesmo/a que não tenha vergonha de brincar como criança: faça guerra de bola de neve, role bolas morro abaixo na esperança de vê-las crescendo como nos desenhos da sua infância, prove a neve que cai fresca do céu, faça boneco de neve com nariz-cenoura ou não, faca anjinho, role morro abaixo, esquibunde. Se souber, pode até esquiar e praticar snowboard…

Não pode faltar!
Olaf na sua versão: não pode faltar!

Meus planos eram ambiciosos e otimistas: embora minha viagem a Bariloche estivesse programada para a última semana de junho e primeiro decêndio de julho, eu achava que sairia de lá com um histórico respeitável de tombos nas aulas de esqui. Nevou tão pouco que a temporada de inverno 2015 só começou mesmo na segunda semana de Julho e dos 15 dias em que fiquei por lá subi apenas duas vezes o Cerro Catedral. Não foi suficiente para que eu me entusiasmasse por tomar aulas de esqui, mas foi o suficiente para que eu saísse várias vezes de manhã, ainda de pijamas, para ver a neve caindo ou fotografar geadas e o efeito “tudo branco”.

neve em Bariloche
Em frente ao hotel, em Cerro Catedral

Importante frisar que meu hotel era na Vila de Cerro Catedral, cujas altitude e proximidade com a montanha permitem a moradores e turistas ali instalados ver a neve antes do pessoal que se hospeda em Bariloche. Essa foi minha sorte, pois durante a viagem, nevou bem poquito uma só noite na cidade de Bariloche. Lá a neve forte mesmo só caiu em 11 de Julho, quando eu já estava de volta a SP. Em Catedral, a proprietária do apart-hotel prometeu neve para o dia 6 de julho (dia no aniversário de seu filho mais velho) e dia 6 tivemos A neve! Para você que vai ou pensa em ir, ou mesmo que quer conhecer, organizei as dicas em tópicos. Cerro Catedral
Localização
Cerro Catedral está a 11 quilômetros do centro de Bariloche.
Como Chegar
A estrada que dá acesso à Villa Catedral e ao Cerro se chama Caminho a Cerro Catedral (rs) e começa no km 9 da Av. Bustillo, a que margeia o Lago Nahuel Huapi., sentido Península Llao Llao (Oeste). Não há iluminação e a estrada tem algumas boas curvas, mas nada assustador. O problema é que as faixas estavam bem desbotadas e não havia refletores como olhos de gato ou faixas verdes para neblina. Mas  fique tranquilo/a: acho que o Fernando Haddad, prefeito de SP, passou por lá, porque todo mundo dirige a 50 quilômetros por hora. Falando sério, é importantíssimo dirigir devagar no inverno, pois pode haver uma cada de gelo na pista e com isso é muito fácil perder o controle do carro. Ah, homem casado viaja pediu para informar que o farol baixo deve ser aceso mesmo durante o dia. Além do gelo, como toda serra, há neblina em alguns pontos, principalmente à noite. Se você vai direto do Aeroporto de Bariloche e não tem carro alugado, à esquerda do portão de saída da sala de desembarque, há um balcão de uma empresa de remisses.

a estrada de acesso a Cerro Catedral (sentido Bariloche)
a estrada de acesso a Cerro Catedral (aqui, sentido Bariloche)

Como Circular na base do Cerro
👣  A Villa Catedral é bem pequena e é possível fazer tudo a pé.

🚗  Se você não está hospedado na Villa, vai precisar de um carro se quiser maior mobilidade. Há uma avenida central, que é asfaltada, a continuação da Acesso a Cerro Catedral. As demais ruas são de terra ou pedriscos. O estacionamento é pavimentado na base da montanha e de terra, a alguns metros, na primeira rua à esquerda logo ao acabar a serra.

A avenida principal da Villa Catedral
O comecinho da avenida principal da Villa Catedral

🚏 Há dois pontos de ônibus na vila: um bem no início da avenida principal (abrigo verde à esquerda na foto acima) e outro já “dentro” do Cerro Catedral. Eu usei o ônibus para o Cerro uma vez, saindo do centro cívico e quase virei picolé. Uma hora de espera pela linha 55 que segue pela  Av. E. Bustillo. Há uma outra linha que segue pela Av. de los Pioneros, pararela à Bustillo, mas este ônibus precisa ser tomado no ponto anterior ao Centro Cívico (sentido aeroporto). O bilhete custa 10 pesos (15 se for para Puerto Pañuelo), mas dinheiro não é aceito. Compre o cartão SUBE (25 pesos), encontrado em kioskos como o Milka, a vaca lilás. Lá no Cerro tem. O kiosko e a vaca. Mesmo, a turistada adora tirar foto com a vaca lilás.

ponto de ônibus em Cerro Catedral
ponto de ônibus em Cerro Catedral

🚕 Em vez de taxis, todo mundo usa remisses. São motoristas que cobram preço fechado para ir de um ponto ao outro da cidade, ou seja, não há taxímetro. Há ponto de remisses ao lado do ponto de ônibus no Cerro. Mas se você quiser uma indicação, quem nos atendeu enquanto não estávamos de carro foi o Jose e seu telefone é o 4299002. Do Cerro ao centro de Bariloche, o remisse custava 250 pesos no inverno/2015.

Hospedagem
Eu já falei sobre o quanto gostei de ficar em Cerro Catedral no post Primeiro Encontro com Bariloche, mas é importante deixar claro que há inconvenientes. O transporte não é fácil e mesmo se você estiver de carro, tem estrada para encarar na volta da noite em Bariloche, se for o caso. Fora da temporada, tudo fica fechado e você precisará se deslocar até o centro de Bariloche até para comer.  Talvez por isso muita gente alugue imóvel por lá, fazendo suas próprias refeições. Na Villa Catedral há vários apart-hotéis, pousadas, cabanas e um hotel que fica ao lado do lift, o Pire Hue Lodge, da foto abaixo.

hotel em Cerro Catedral
Solzão em 26 de junho
Cabanas em Villa Catedral
Cabanas em Villa Catedral

Nós ficamos no Ski Sur, e conto a experiência positiva no post: Troquei de Casa! Bariloche, fui! Isso mesmo, eu não gastei nadinha em hospedagem porque sou associada do HomeExchange, ou TrocadeCasa. Fiquei em um apartamento de dois dormitórios, sala e cozinha no inverno e em dezembro os proprietários do Ski Sur vieram a SP e se hospedaram no meu apartamento, sem pagar nada, também.

Se você não quer ou não pode fazer troca, faça sua reserva pelo site Booking.com, o mesmo que utilizo para fazer as minhas viagens. Leia as avaliações de hóspedes, veja as fotos do quarto e do hotel, a localização e faça sua reserva clicando aqui.

Cerro Catedral hotel
O Ski Sur
Ficar em Catedral permite esta vista diariamente
Ficar em Catedral permite esta vista diariamente

Altitude do Cerro Catedral
São 2.180 metros. Eu não senti nenhuma alteração no sistema respiratório ou cansaço, mas andar na neve e com roupas grossas não permite movimentos rápidos  o suficiente para desencadear cansaço ou respiração ofegante. 

Ai, que coisa mais fofa!!!
Ai, que coisa mais fofa!!!

Temporada de inverno e quando ir
O início da temporada varia de acordo com as condições climáticas, mas em geral começa por volta do dia 20 de junho. Se sua intenção é neve, neve, neve, marque a viagem para o final de julho ou, ainda melhor, no mês de agosto. Para acompanhar previsão do tempo especificamente no Cerro Catedral e ler avaliações de pistas e serviços, clique aqui.   

Se pensar em Bariloche como um todo, acho que a escolha entre o final de junho e início de julho foi muito legal, pois os primeiros dias estavam ensolarados, perfeitos para os passeios pelos lagos (links para relatos no final deste post) e para avistar ao longe nos vários mirantes, seja no alto das montanhas, seja no Circuito Chico. Se você for com a finalidade de esquiar, agosto é sempre garantia de neve acumulada. Saiba que a alta temporada deles é o verão, quando argentinos e europeus visitam a região para pescar, mergulhar nos lagos, fazer trekking. A gente, brazuca, vai no inverno em busca da neve e faz nossa alta temporada. Só se ouve português pelas ruas do centro!

Bariloche
No Cerro também tem São Bernardo!

Meios de elevação (lifts)

indicação de lifts na base do Cerro
indicação de lifts na base do Cerro

Nem todos os meios de elevação estavam funcionando no início da temporada, apenas o Amancay, que parte da base da montanha. É um bondinho para até 4 pessoas (segunda foto abaixo), fechado, e chega até este platô da foto abaixo, onde há um restaurante e acesso a outro meio de elevação, desta vez aberto e para 2 pessoas. lifts em Cerro Catedral Catedral meio elevação
Preço para subir e como comprar
A foto ao lado mostra os preços vigencerro catedral preçotes no inverno/2015. Confira no website Catedral os valores atualizados. Compramos os ingressos no local, pois esperamos que a neve caísse para subir a montanha. Na primeira vez que subimos, dia 2 de julho, o dia estava claro e havia nevado na noite anterior. Com exceção dos adolescentes em excursão, não havia quase ninguém. A neve estava bem compactada, mas conseguimos brincar e principalmente apreciar a vista. Mas na madrugada do dia 9 nevou pra valer, e a fila para comprar os ingressos para o lift levou 45 minutos – debaixo de neve! Apesar da multidão que queria subir a montanha, apenas o lift Amancay estava funcionando – e apenas essa bilheteria. Equanto isso, as crianças brincavam de esquibunda ou no p45 minutos debaixo de neve, na filaarquinho e eu de praticar snowboarding. rsrsrs E por falar em esquibunda, as lojas vendem uma espécie de pá de plástico em dois tamanhos, para a prática do “esporte”. Antes de gastar 110 pesos em uma, confira se estão autorizadas. Na primeira subida, era permitido, mas não na segunda vez, porque já era temporada e havia muita gente e muitos esquiadores.

 

Fazendo gênero!
Fazendo gênero!

Outro detalhe: na primeira vez em que subimos, pudemos usar os dois meios de elevação que citei acima, mas na segunda, apenas esquiadores podiam chegar ao topo, Punta Princesa, a 2.150 metros.

Restaurantes
Não tivemos oportunidade de conhecer muitos, pois a maioria estava fechada antes do início da temporada, então acabamos fazendo a maioria das refeições no centro de Bariloche e algumas durante os passeios. Listei onde comemos na base da montanha. No alto, há alguns restaurantes (caros) e você pode saber mais sobre eles no site da Alta Patagonia, a empresa que explora a montanha.

– Tage: bateu a vontade de comer um hambúrguer ou não tem tempo para uma refeição completa? Não se engane pela aparência esquisita do balcão (que tem comida fake como modelo). O lanche é bom e o salão no piso superior tudo de bom pra fugir da friaca. Se quiser, pode encarar as mesinhas que ficam do lado de fora. It’s a free country! Uma cerveja Patagonia, um refrigerante, dois X saladas e um X burguer saíram por 310 pesos.

A lanchonete Tage é opção de comida rápida
A lanchonete Tage é opção de comida rápida

– Shirdi: não comi lá, mas foi minha salvação na chegada a Cerro Catedral, no final do dia, quando tudo estava fechado. Eles têm um mercadinho e também fazem alguns pratos para viagem. Pedimos uma pizza e uma quentinha de arroz e frango assado. Acho que é a única opção de mercado em Cerro Catedral, então não espere preços bons.

– Almoçamos em um restaurante de atendimento bom e comida razoável, mas não me recordo o nome, além de que tem SUR na segunda palavra (rsrs). Eles têm parrilla e fica quase em frente ao hotel Pire Hue.

Compras
Além do comércio voltado a esportes de neve e de venda e aluguel de roupas e acessórios de neve, só encontrei uma loja de decoração e presentes, muito fofa e, por sinal, a única autêntica que achei em Bariloche. Chama-se Refugio de Artesanos (foto abaixo). 
Não cheguei a visitar o Las Terrazas, o shopping local, então não sei se lá há outras opções por lá.

Loja Refugio de Artesanos
Loja Refugio de Artesanos


Aluguel de roupas de neve
Os preços do aluguel na base do Cerro não estavam diferentes dos praticados no centro de Bariloche. Eu não cheguei a alugar o traje todo, pois tenho calça e abrigo de neve. Alugamos três botas de neve e uma calça juvenil por 310 pesos.
No post  Roupa de neve ou para Temperaturas Negativas eu dou várias dicas do que levar na mala e o que fazer para seus pés não ficarem molhados mesmo usando botas impermeáveis. Os meus ficaram, mas já aprendi!

Seguro Viagem
Gelo ou neve + morador de país tropical pode ser uma fórmula para acidentes. O blog também te ajuda com o seguro viagem, que inclui desde problemas de saúde, fraturas ou torções a extravio de bagagem. Temos parceria com a Mondial Assistance, que oferece 15% de desconto para os leitores do Mulher Casada Viaja. É só clicar aqui e fazer seu orçamento para uma viagem tranquila e segura. O código para fazer valer o desconto é atualizado nesta página do blog.

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Em breve:
❄ Troquei de Casa! Bariloche, Fui!
❄ Bariloche: restaurantes e supermercados
❄ Vila la Angostura
❄ Puerto Varas: o que fazer
❄
Hotel Llao Llao

Primeiro encontro com Bariloche

Lago Nahuel Huapi ao amanhecer, às 9h
Lago Nahuel Huapi ao amanhecer, às 9h. Sem filtro.

Sabe aquele amigo da sua amiga, de quem você só ouve coisas legais, mas desdenha porque acha que ele está sendo supervalorizado? Aí um dia você diz “oh, what the hell, I’ll give it a shot!” e aceita o encontro arranjado pela amiga em comum? Conhecer Bariloche foi assim, comigo. Eu achava que ia ser só um rosto bonitinho, mas gostei de tantos aspectos dessa viagem que a região entrou na minha lista de lugares para voltar – se possível na Outono e no Verão, pois a paisagem, os turistas e as atividades se modificam com as estações. Ou no inverno, pois gostei e muito!

O primeiro encontro não só rendeu uma paixonite (tanta que quase fiquei ofendida quando recentemente uma blogueira falou que Bariloche estava decadente), mas se dependesse de meus anseios viraria um casamento. Eu que atualmente proclamo que meu sonho de consumo é morar um pouco em cada canto do mundo, escolheria nossos hermanos como vizinhos por alguns meses, para pronunciar j no lugar do l, alimentar-me de vinho e dos sabores da carne, caminhar pelos vales tendo como companhia as montanhas e lagos que se assemelham às paisagens canadenses. Adoraria fazer compras na verduleria, panaderia, poleria, carniceria em vez de em um impessoal supermercado. Viver a vida como os moradores de Cerro Catedral, que se conhecem pelo nome e dão dois beijinhos ao se encontrar e se despedir, inclusive os homens.

nem fiquei feliz quando a manhã estava branca em Cerro Catedral!
nem fiquei feliz quando a manhã estava branca em Cerro Catedral!

Mas essa história de beijar pode não ser nada para a maioria dos brasileiros, acostumados ao contato físico, mas eu que não sou muito de beijos e abraços fiquei espantada com a situação que compartilho agora, sob protestos de Home Casado Viaja. Conhecemos um casal de Buenos Aires no ponto de ônibus em Puerto Pañuelo – sim, os ônibus demoram tanto a chegar e a vencer os quilômetros em alguns pontos que é possível começar uma amizade – e ao final do percurso o argentino se despediu de meu marido com dois beijinhos. Claro que virou piada. Homem Casado Viaja, com toda a rivalidade futebolista entre Brasil e Argentina, recebendo beijinhos de um hermano!

Não fosse a neve sobre a montanha, poderia-se pensar em alguma praia tropical

Apesar da paisagem montanhosa, da ausência de sujeira pelas ruas, da sensação de segurança que tive ao caminhar pelas ruas do Centro, da cordialidade dos locais, conversando com argentinos e moradores da região nos lembramos que estamos em um país muito parecido com o Brasil: alta carga tributária, deficiência na educação e saúde públicas, instabilidade política, burocracia e leis não cumpridas.

O Cerro Tronador e sua geleira bolo mármore: resultado da mistura gelo+rocha vulcânica
O Cerro Tronador e sua geleira bolo mármore: resultado da mistura gelo+rocha vulcânica

Em contraste com a vida atribulada de SP, mesmo no início de Julho as lojas, escritórios, agências de viagem e, pasmem, até restaurantes, mantêm a cultura da siesta nessa região. Restaurantes fecham por volta das 15h ou 16h e só reabrem às 20h. Fomos à charmosa Vila La Angostura, distante 85 quilômetros de Bariloche, e depois de algumas paradas para fotografar o relevo diversificado das montanhas pelo caminho chegamos por volta das 12h. Muitas lojas estavam fechando ou já se encontravam fechadas. Capitalistas dirão que estão perdendo a chance de ganhar dinheiro, mas eu diria que estão ganhando a chance de viver. Talvez mais realisticamente, manter funcionários no comércio é custoso quando não há muito movimento, então opta-se por manter as lojas fechadas enquanto as pessoas estão em passeios, reabrindo à noite, quando perambulam pela cidade à procura de restaurantes aconchegantes.

Bariloche dicas

Não que Bariloche estivesse vazia, mas a região é grande e durante o dia a maioria está engajada em passeios pelos lagos, subindo os cerros (montanhas) ou pelas estradas. Grupos barulhentos de adolescentes em uniforme preenchem os espaços e têm serviço garantido em restaurantes na base do Cerro Catedral. Explico: tivemos certa dificuldade para comer no Cerro, que mantém o comércio fechado na baixa temporada (chegamos no final de junho) e ao entrar em um restaurante aberto, fomos informados que o serviço era apenas para os grupos, que provavelmente têm acordo com as agências que os levam. Mais uma vez, a sensação de que faturar acima de tudo não é regra por aqui. Fico imaginando se as pessoas tem clara a relação daquela máxima: “mostre a seu dinheiro quem está no comando.” ou se não têm estrutura para atender a quem não estava na lista.

Outro fato agradável: em nenhum momento tentaram se aproveitar de nós como turistas. Todos os remisses que tomamos cobravam a mesma tarifa, independente do horário ou do clima. Nenhum golpe a vista, senão o custo exorbitante para ser fotografado com um São Bernardo no Centro Cívico de Bariloche (120 pesos por uma foto!). O sobrinho de meu marido esteve com a família no mesmo período que nós e relatou ter encontrado erros na conta em dois restaurantes diferentes. Vale a dica para sempre conferir.

São Bernardo em Bariloche
Centro Cívico: ponto de encontro com os simpáticos São Bernardos

Ah, outro ponto positivo desta viagem a Bariloche e cuja descoberta me deixou satisfeitíssima: sempre evitei viajar para lugares de temperaturas baixas no inverno, porque imaginava que eu não suportaria o frio. De roupas e calçados apropriados, não só é praticável, como prazeroso. Pegamos temperaturas negativas, mas o que causa mais frio nem é a neve, mas o vento, que quando sopra forte nas proximidades do Lago Nahuel Huapi é de afugentar qualquer turista desavisado! E a gente logo se acostuma à rotina de chegar a um restaurante e tirar casado, touca, cachecol, luvas e a vestir tudo novamente ao ir embora.

Nunca é tarde para brincar como criança!
Nunca é tarde para brincar como criança!

Mas é claro que as geadas e a neve causam transtornos para quem como nós não está acostumado a baixas temperaturas. Em nossa último dia, a geada da madrugada havia produzido uma camada fina de gelo sobre o carro. O miolo da chave do porta-malas não girava, os vidros não podiam ser baixados. Era preciso aquecer o carro para que o gelo derretesse. Dica local: nunca jogue água quente, pois o choque térmico pode quebrar o vidro. Máquinas limpam as ruas, afastando a neve, mas o gelo não, e ele é que é perigoso. Outra dica local: não freie, apenas reduza a marcha. Calçados apropriados, com ranhuras e impermeáveis, são obrigatórios e é preciso caminhar com cuidado e firmeza para não escorregar no gelo sobre superfícies lisas, como madeira.

geada em Bariloche

Minha dica maior é: se possível, fique cerca de 10 dias. Além de ter muito o que fazer pela região, o clima muda com frequência nos Andes, alternando dias chuvosos com claros e outros com neve. Inverno é estação chuvosa e há grande probabilidade de chover por 4 ou 5 dias seguidos e você terá perdido o melhor, que é observar as montanhas nevadas espelhadas nos lagos, subir os cerros em dias de visibilidade alta e a neve, que tantos brasileiros buscam aqui.

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Cerro Catedral
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Chove lá fora e aqui está aconchegante. Feels like home…

Não deixe de ler os demais posts relacionados a Bariloche, onde dou dicas de onde comer, o que fazer, preços, transporte, etc. O links estão abaixo.

Espero que seu primeiro encontro seja tão bom quanto o meu. Escrevi este post num dia chuvoso, no calor do apart-hotel em Cerro Catedral, com vista para a montanha. Mais feliz, só se estivesse nevando.

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Cerro Catedral: um templo para brincar em Bariloche 
– Isla Victoria e Bosque de Arrayanes: Natureza e História em Bariloche
Cerro Tronador: Lagos, Geleiras e Vulcão em Bariloche

Roupa de Neve ou para temperaturas negativas
Cruce Andino: De Bariloche a Puerto Varas
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Cabaña del Lago: um refúgio em Puerto Varas, Chile
– O que Fazer em Puerto Varas
-Puerto Varas: guia para sua viagem

 

 

Bariloche: Guia para sua viagem

15 dias em Bariloche renderam vários posts e neste deixo dicas bem práticas, como preços de passeios, de refeições e transporte, além de dicas de tomadas, wifi, temperatura, aquelas coisas que muita gente esquece de pesquisar.

San Carlos de Bariloche
A região dos Lagos, onde fica Bariloche, vai te surpreender – foto Marcia Picorallo

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