Bariloche: roteiro de inverno

Pela visão brasileira, Bariloche é sinônimo de inverno, mas a alta temporada rola também no verão. Por isso o título roteiro de inverno. No verão as atividades são diferentes, pois incluem caminhadas e excluem brincadeiras na neve. E a paisagem muda conforme a estação, claro. No outono, os álamos tingem de dourado os lagos à beira dos quais estão plantados, criando um efeito ainda mais encantador e as árvores da base de montanhas, ou cerros, como eles dizem lá, ficam ferrugem. E a luz do outono, sempre tão especial…

Pois bem, segue o meu roteiro de 15 dias em Bariloche. Não, não foi muito tempo. Há anos não fazíamos uma slow travel, pra falar a verdade, acho que nunca tínhamos feito. Bariloche é perfeita para repor as energias: o sol surge depois das 9h, chove bastante e o frio te convida a ficar em frente à lareira olhando a neve lá fora. OK, isso só aconteceu porque eu tinha 15 dias, senão teria sido uma corrida contra o calendário, como sempre é. E nem falei da boa carne e do vinho mais acessível do que cerveja. E não há barreira de língua: a gente entende o espanhol e eles entendem nosso português, olha que coisa boa.

Não deixe de ler os outros posts com dicas práticas de Bariloche e Cerro Catedral, bem como o relato de cada um dos passeios. Os links estão no final deste post.

Roteiro

Segue meu roteiro de 25 de junho a 10 de julho, para você se planejar antes de ir a Bariloche e sugiro outras atividades que não fiz por preguiça ou porque estava gostando de “brincar de casinha” no apart-hotel em Cerro Catedral. Sem culpa.

Dia 1: viagem e chegada. Reconhecimento da Villa Cerro Catedral (nos hospedamos lá). Leia-se: ‘à procura de um restaurante aberto’.

Aeroporto de Bariloche
O aeroporto de Bariloche


Dia 2: dormimos bastante para compensar o alarme do relógio às 3 da manhã do dia anterior, descemos a cerrinha para o centro de Bariloche, caminhamos pelo Centro Cívico, lojas da Mitre e da San Martin e pegamos nossos vouchers na agência Turisur, pois no dia seguinte começariam as excursões lacustres.  

Centro Cívico e o Lago Nahuel Huapi
Centro Cívico e o Lago Nahuel Huapi


Dia 3: excursão de dia inteiro: navegação no Nahuel Huapi para Puerto Blest, Lago Frias e Cascata Los Cantaros.

Puerto Blest
Puerto Blest


Dia 4: excursão de dia inteiro: Cerro Tronador.

Ilha Piuqué Huapi, na excursão Cerro Tronador
Ilha Piuqué Huapi, na excursão Cerro Tronador


Dia 5: excursão à tarde: navegação no Nahuel Huapi para Isla Victoria e Bosque Arrayanes.

Vista do Mirante no Bosque de Arrayanes
Vista do Mirante no Bosque de Arrayanes


Dia 6: Ficamos na Villa Catedral e à noite jantamos no centro.

A avenida principal da Villa Catedral
A avenida principal da Villa Catedral


Dia 7: Nevou de madrugada e choveu a maior parte do dia. Acordamos tarde, almoçamos no centro, visitamos o Museu do Chocolate, passeamos no centro e jantamos no apart-hotel.

Capela São Eduardo
Capela São Eduardo

Dia 8: Passeio na Capela Santo Eduardo e no Hotel Llao Llao. À tarde subimos o Cerro Catedral
esqui em Bariloche

Dia 9: Cruce Andino: um dia inteiro de passeio por lagos e montanhas, cruzando os Andes.

Uma das cenas do Cruce Andino
Uma das cenas do Cruce Andino

Dia 10: Puerto Varas: enquanto não choveu, conheci a cidade e observei as nuvens e o vulcão Osorno brincarem de esconde-esconde. Depois assisti à final da Copa América 2015 no hotel, com os chilenos. Deu Chile.

Osorno: vulcão adormecido em Puerto Varas
Osorno: vulcão adormecido em Puerto Varas

Dia 11: Cruce Andino (retorno a Bariloche). Retirada do carro alugado.

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Quando o guia disse que temos belas praias no Brasil, mas não nessa cor, eu perguntei se ele conhecia Ilha Grande…

Dia 12: Dia de conhecer o sanatório, quer dizer, o hospital de Bariloche: estava com infecção urinária. Aproveitei pra ficar de molho por causa da torção no pé esquerdo quando caí na escada de um dos barcos do Cruce Andino. Não achei benzedeira em Bariloche (rsrsrs), mas por falar nisso, tem um tipo de loja que não é comum por aqui: santeria, que vende imagens, velas, crucifixos, terços… Fizemos compras no supermercado e à noite recebemos, para uma noite de vinho, pães e queijos, os proprietários do apart-hotel e a família do sobrinho do meu marido que estava em Bariloche.

Dia 13: Circuito Chico. À noite jantamos com um casal que conheci no Chile.

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Dia 14: Day trip a Vila la Angostura debaixo de chuva. À noite a família se reuniu no hotel onde estavam os sobrinhos.

Villa la Angostura
Uma das paisagens a caminho de Vila La Angostura

Dia 15: Nevou bastante e subimos o Cerro Catedral mais uma vez. À noitinha, cervejaria com a família.

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Gorro inspirado no filme Fargo

Dia 16: devolução do carro no aeroporto de Bariloche e viagem de volta ao Brasil.

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O que você pode incluir em seu roteiro que até entrou no meu, mas saiu de fininho:

  • Cerro Otto: subir ao topo, avistar o entorno e comer na confeitaria giratória que tem láCerro Otto
  • Cerro Campanario: Outra montanha que tem ascensão e faz parte do Circuito Chico

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  • Piedras Blancas: Além das brincadeiras na neve, tem um centro de esqui para iniciantes
  • Tomar um chá da tarde no Hotel Llao Llao

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    panorâmica do salão de chá do Llao Llao
  • Subir o Cerro Bayo, em Villa La Angostura, para esquiar ou brincar na neve
  • Circuito Grande: Não o fiz por completo porque quando fomos a Villa la Angostura (dia 14), a primeira parada, choveu muito, então decidimos voltar a Bariloche.
  • Esticar até San Martin de Los Andes

Você não me perguntou, mas vou falar: se eu tivesse que escolher apenas uma atividade em Bariloche… ia ser dureza! Duas fica mais fácil: subir o Cerro Catedral e fazer o Cruce Andino.

⛄  ⛄ ⛄ ⛄ ⛄ ⛄ ⛄ ⛄ ⛄ ⛄ ⛄ ⛄

Links para posts relacionados a Bariloche (clique sobre o título para saber mais sobre a região)

– Bariloche: Passeios e Checklist
– Cabaña del Lago: um refúgio em Puerto Varas, Chile
– Puerto Blest e Los Cantaros: O Melhor passeio de Bariloche
– Isla Victoria e Bosque de Arrayanes: Natureza e História em Bariloche
 Primeiro Encontro com Bariloche

– Cerro Catedral: um templo para brincar em Bariloche
Roupa de Neve ou para Temperaturas Negativas
– Bariloche: Guia para Planejar sua Viagem
Cruce Andino: de Bariloche a Puerto Varas
– Cerro Tronador: Lagos, Geleiras e Vulcão em Bariloche

Em breve:
Bariloche: restaurantes e supermercados
Troquei de Casa! Bariloche, Fui!
Vila la Angostura
Hotel Llao Llao
Puerto Varas: o que fazer

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Cerro Catedral: um templo para brincar em Bariloche

A penúltima vez  que subi uma montanha não foi brincadeira e não foi para brincar, mas eu a chamei de minha catedral. Estar frente a frente com Torres del Paine foi muito especial em todos os sentidos e é daqueles momentos que eu vou guardar para sempre. Por outro lado, subir a Catedral oficial, aquela em Bariloche, foi brincadeira de criança. Mesmo! E é sobre o Cerro Catedral, maior estação de esqui da América do Sul, que falarei neste post.

esqui em Bariloche

Cerro Catedral tem esse nome porque no seu topo há rochas que lembram, pela cor e forma, as torres de uma catedral gótica.  Óbvio dizer que a paisagem lá de cima é linda, e quem vai pela primeira vez não sabe se aprecia a neve, os lagos, as outras montanhas, então a dica é: só vá se o dia estiver claro, ensolarado. Outra dica: se não se importar com a vista, converse com os locais (da Villa Catedral) para saber se aquele é um bom dia para subir, pois às vezes está nublado ou até chovendo e lá no topo o sol está brilhando.

Cerro Catedral

Eu sinceramente espero que você que planeja ver neve pela primeira vez ou pisar no gelo acumulado por alguma nevasca passada esteja tão feliz consigo mesmo/a que não tenha vergonha de brincar como criança: faça guerra de bola de neve, role bolas morro abaixo na esperança de vê-las crescendo como nos desenhos da sua infância, prove a neve que cai fresca do céu, faça boneco de neve com nariz-cenoura ou não, faca anjinho, role morro abaixo, esquibunde. Se souber, pode até esquiar e praticar snowboard…

Não pode faltar!
Olaf na sua versão: não pode faltar!

Meus planos eram ambiciosos e otimistas: embora minha viagem a Bariloche estivesse programada para a última semana de junho e primeiro decêndio de julho, eu achava que sairia de lá com um histórico respeitável de tombos nas aulas de esqui. Nevou tão pouco que a temporada de inverno 2015 só começou mesmo na segunda semana de Julho e dos 15 dias em que fiquei por lá subi apenas duas vezes o Cerro Catedral. Não foi suficiente para que eu me entusiasmasse por tomar aulas de esqui, mas foi o suficiente para que eu saísse várias vezes de manhã, ainda de pijamas, para ver a neve caindo ou fotografar geadas e o efeito “tudo branco”.

neve em Bariloche
Em frente ao hotel, em Cerro Catedral

Importante frisar que meu hotel era na Vila de Cerro Catedral, cujas altitude e proximidade com a montanha permitem a moradores e turistas ali instalados ver a neve antes do pessoal que se hospeda em Bariloche. Essa foi minha sorte, pois durante a viagem, nevou bem poquito uma só noite na cidade de Bariloche. Lá a neve forte mesmo só caiu em 11 de Julho, quando eu já estava de volta a SP. Em Catedral, a proprietária do apart-hotel prometeu neve para o dia 6 de julho (dia no aniversário de seu filho mais velho) e dia 6 tivemos A neve! Para você que vai ou pensa em ir, ou mesmo que quer conhecer, organizei as dicas em tópicos. Cerro Catedral
Localização
Cerro Catedral está a 11 quilômetros do centro de Bariloche.
Como Chegar
A estrada que dá acesso à Villa Catedral e ao Cerro se chama Caminho a Cerro Catedral (rs) e começa no km 9 da Av. Bustillo, a que margeia o Lago Nahuel Huapi., sentido Península Llao Llao (Oeste). Não há iluminação e a estrada tem algumas boas curvas, mas nada assustador. O problema é que as faixas estavam bem desbotadas e não havia refletores como olhos de gato ou faixas verdes para neblina. Mas  fique tranquilo/a: acho que o Fernando Haddad, prefeito de SP, passou por lá, porque todo mundo dirige a 50 quilômetros por hora. Falando sério, é importantíssimo dirigir devagar no inverno, pois pode haver uma cada de gelo na pista e com isso é muito fácil perder o controle do carro. Ah, homem casado viaja pediu para informar que o farol baixo deve ser aceso mesmo durante o dia. Além do gelo, como toda serra, há neblina em alguns pontos, principalmente à noite. Se você vai direto do Aeroporto de Bariloche e não tem carro alugado, à esquerda do portão de saída da sala de desembarque, há um balcão de uma empresa de remisses.

a estrada de acesso a Cerro Catedral (sentido Bariloche)
a estrada de acesso a Cerro Catedral (aqui, sentido Bariloche)

Como Circular na base do Cerro
👣  A Villa Catedral é bem pequena e é possível fazer tudo a pé.

🚗  Se você não está hospedado na Villa, vai precisar de um carro se quiser maior mobilidade. Há uma avenida central, que é asfaltada, a continuação da Acesso a Cerro Catedral. As demais ruas são de terra ou pedriscos. O estacionamento é pavimentado na base da montanha e de terra, a alguns metros, na primeira rua à esquerda logo ao acabar a serra.

A avenida principal da Villa Catedral
O comecinho da avenida principal da Villa Catedral

🚏 Há dois pontos de ônibus na vila: um bem no início da avenida principal (abrigo verde à esquerda na foto acima) e outro já “dentro” do Cerro Catedral. Eu usei o ônibus para o Cerro uma vez, saindo do centro cívico e quase virei picolé. Uma hora de espera pela linha 55 que segue pela  Av. E. Bustillo. Há uma outra linha que segue pela Av. de los Pioneros, pararela à Bustillo, mas este ônibus precisa ser tomado no ponto anterior ao Centro Cívico (sentido aeroporto). O bilhete custa 10 pesos (15 se for para Puerto Pañuelo), mas dinheiro não é aceito. Compre o cartão SUBE (25 pesos), encontrado em kioskos como o Milka, a vaca lilás. Lá no Cerro tem. O kiosko e a vaca. Mesmo, a turistada adora tirar foto com a vaca lilás.

ponto de ônibus em Cerro Catedral
ponto de ônibus em Cerro Catedral

🚕 Em vez de taxis, todo mundo usa remisses. São motoristas que cobram preço fechado para ir de um ponto ao outro da cidade, ou seja, não há taxímetro. Há ponto de remisses ao lado do ponto de ônibus no Cerro. Mas se você quiser uma indicação, quem nos atendeu enquanto não estávamos de carro foi o Jose e seu telefone é o 4299002. Do Cerro ao centro de Bariloche, o remisse custava 250 pesos no inverno/2015.

Hospedagem
Eu já falei sobre o quanto gostei de ficar em Cerro Catedral no post Primeiro Encontro com Bariloche, mas é importante deixar claro que há inconvenientes. O transporte não é fácil e mesmo se você estiver de carro, tem estrada para encarar na volta da noite em Bariloche, se for o caso. Fora da temporada, tudo fica fechado e você precisará se deslocar até o centro de Bariloche até para comer.  Talvez por isso muita gente alugue imóvel por lá, fazendo suas próprias refeições. Na Villa Catedral há vários apart-hotéis, pousadas, cabanas e um hotel que fica ao lado do lift, o Pire Hue Lodge, da foto abaixo.

hotel em Cerro Catedral
Solzão em 26 de junho
Cabanas em Villa Catedral
Cabanas em Villa Catedral

Nós ficamos no Ski Sur, e conto a experiência positiva no post: Troquei de Casa! Bariloche, fui! Isso mesmo, eu não gastei nadinha em hospedagem porque sou associada do HomeExchange, ou TrocadeCasa. Fiquei em um apartamento de dois dormitórios, sala e cozinha no inverno e em dezembro os proprietários do Ski Sur vieram a SP e se hospedaram no meu apartamento, sem pagar nada, também.

Se você não quer ou não pode fazer troca, faça sua reserva pelo site Booking.com, o mesmo que utilizo para fazer as minhas viagens. Leia as avaliações de hóspedes, veja as fotos do quarto e do hotel, a localização e faça sua reserva clicando aqui.

Cerro Catedral hotel
O Ski Sur
Ficar em Catedral permite esta vista diariamente
Ficar em Catedral permite esta vista diariamente

Altitude do Cerro Catedral
São 2.180 metros. Eu não senti nenhuma alteração no sistema respiratório ou cansaço, mas andar na neve e com roupas grossas não permite movimentos rápidos  o suficiente para desencadear cansaço ou respiração ofegante. 

Ai, que coisa mais fofa!!!
Ai, que coisa mais fofa!!!

Temporada de inverno e quando ir
O início da temporada varia de acordo com as condições climáticas, mas em geral começa por volta do dia 20 de junho. Se sua intenção é neve, neve, neve, marque a viagem para o final de julho ou, ainda melhor, no mês de agosto. Para acompanhar previsão do tempo especificamente no Cerro Catedral e ler avaliações de pistas e serviços, clique aqui.   

Se pensar em Bariloche como um todo, acho que a escolha entre o final de junho e início de julho foi muito legal, pois os primeiros dias estavam ensolarados, perfeitos para os passeios pelos lagos (links para relatos no final deste post) e para avistar ao longe nos vários mirantes, seja no alto das montanhas, seja no Circuito Chico. Se você for com a finalidade de esquiar, agosto é sempre garantia de neve acumulada. Saiba que a alta temporada deles é o verão, quando argentinos e europeus visitam a região para pescar, mergulhar nos lagos, fazer trekking. A gente, brazuca, vai no inverno em busca da neve e faz nossa alta temporada. Só se ouve português pelas ruas do centro!

Bariloche
No Cerro também tem São Bernardo!

Meios de elevação (lifts)

indicação de lifts na base do Cerro
indicação de lifts na base do Cerro

Nem todos os meios de elevação estavam funcionando no início da temporada, apenas o Amancay, que parte da base da montanha. É um bondinho para até 4 pessoas (segunda foto abaixo), fechado, e chega até este platô da foto abaixo, onde há um restaurante e acesso a outro meio de elevação, desta vez aberto e para 2 pessoas. lifts em Cerro Catedral Catedral meio elevação
Preço para subir e como comprar
A foto ao lado mostra os preços vigencerro catedral preçotes no inverno/2015. Confira no website Catedral os valores atualizados. Compramos os ingressos no local, pois esperamos que a neve caísse para subir a montanha. Na primeira vez que subimos, dia 2 de julho, o dia estava claro e havia nevado na noite anterior. Com exceção dos adolescentes em excursão, não havia quase ninguém. A neve estava bem compactada, mas conseguimos brincar e principalmente apreciar a vista. Mas na madrugada do dia 9 nevou pra valer, e a fila para comprar os ingressos para o lift levou 45 minutos – debaixo de neve! Apesar da multidão que queria subir a montanha, apenas o lift Amancay estava funcionando – e apenas essa bilheteria. Equanto isso, as crianças brincavam de esquibunda ou no p45 minutos debaixo de neve, na filaarquinho e eu de praticar snowboarding. rsrsrs E por falar em esquibunda, as lojas vendem uma espécie de pá de plástico em dois tamanhos, para a prática do “esporte”. Antes de gastar 110 pesos em uma, confira se estão autorizadas. Na primeira subida, era permitido, mas não na segunda vez, porque já era temporada e havia muita gente e muitos esquiadores.

 

Fazendo gênero!
Fazendo gênero!

Outro detalhe: na primeira vez em que subimos, pudemos usar os dois meios de elevação que citei acima, mas na segunda, apenas esquiadores podiam chegar ao topo, Punta Princesa, a 2.150 metros.

Restaurantes
Não tivemos oportunidade de conhecer muitos, pois a maioria estava fechada antes do início da temporada, então acabamos fazendo a maioria das refeições no centro de Bariloche e algumas durante os passeios. Listei onde comemos na base da montanha. No alto, há alguns restaurantes (caros) e você pode saber mais sobre eles no site da Alta Patagonia, a empresa que explora a montanha.

– Tage: bateu a vontade de comer um hambúrguer ou não tem tempo para uma refeição completa? Não se engane pela aparência esquisita do balcão (que tem comida fake como modelo). O lanche é bom e o salão no piso superior tudo de bom pra fugir da friaca. Se quiser, pode encarar as mesinhas que ficam do lado de fora. It’s a free country! Uma cerveja Patagonia, um refrigerante, dois X saladas e um X burguer saíram por 310 pesos.

A lanchonete Tage é opção de comida rápida
A lanchonete Tage é opção de comida rápida

– Shirdi: não comi lá, mas foi minha salvação na chegada a Cerro Catedral, no final do dia, quando tudo estava fechado. Eles têm um mercadinho e também fazem alguns pratos para viagem. Pedimos uma pizza e uma quentinha de arroz e frango assado. Acho que é a única opção de mercado em Cerro Catedral, então não espere preços bons.

– Almoçamos em um restaurante de atendimento bom e comida razoável, mas não me recordo o nome, além de que tem SUR na segunda palavra (rsrs). Eles têm parrilla e fica quase em frente ao hotel Pire Hue.

Compras
Além do comércio voltado a esportes de neve e de venda e aluguel de roupas e acessórios de neve, só encontrei uma loja de decoração e presentes, muito fofa e, por sinal, a única autêntica que achei em Bariloche. Chama-se Refugio de Artesanos (foto abaixo). 
Não cheguei a visitar o Las Terrazas, o shopping local, então não sei se lá há outras opções por lá.

Loja Refugio de Artesanos
Loja Refugio de Artesanos


Aluguel de roupas de neve
Os preços do aluguel na base do Cerro não estavam diferentes dos praticados no centro de Bariloche. Eu não cheguei a alugar o traje todo, pois tenho calça e abrigo de neve. Alugamos três botas de neve e uma calça juvenil por 310 pesos.
No post  Roupa de neve ou para Temperaturas Negativas eu dou várias dicas do que levar na mala e o que fazer para seus pés não ficarem molhados mesmo usando botas impermeáveis. Os meus ficaram, mas já aprendi!

Seguro Viagem
Gelo ou neve + morador de país tropical pode ser uma fórmula para acidentes. O blog também te ajuda com o seguro viagem, que inclui desde problemas de saúde, fraturas ou torções a extravio de bagagem. Temos parceria com a Mondial Assistance, que oferece 15% de desconto para os leitores do Mulher Casada Viaja. É só clicar aqui e fazer seu orçamento para uma viagem tranquila e segura. O código para fazer valer o desconto é atualizado nesta página do blog.

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Em breve:
❄ Troquei de Casa! Bariloche, Fui!
❄ Bariloche: restaurantes e supermercados
❄ Vila la Angostura
❄ Puerto Varas: o que fazer
❄
Hotel Llao Llao

Primeiro encontro com Bariloche

Lago Nahuel Huapi ao amanhecer, às 9h
Lago Nahuel Huapi ao amanhecer, às 9h. Sem filtro.

Sabe aquele amigo da sua amiga, de quem você só ouve coisas legais, mas desdenha porque acha que ele está sendo supervalorizado? Aí um dia você diz “oh, what the hell, I’ll give it a shot!” e aceita o encontro arranjado pela amiga em comum? Conhecer Bariloche foi assim, comigo. Eu achava que ia ser só um rosto bonitinho, mas gostei de tantos aspectos dessa viagem que a região entrou na minha lista de lugares para voltar – se possível na Outono e no Verão, pois a paisagem, os turistas e as atividades se modificam com as estações. Ou no inverno, pois gostei e muito!

O primeiro encontro não só rendeu uma paixonite (tanta que quase fiquei ofendida quando recentemente uma blogueira falou que Bariloche estava decadente), mas se dependesse de meus anseios viraria um casamento. Eu que atualmente proclamo que meu sonho de consumo é morar um pouco em cada canto do mundo, escolheria nossos hermanos como vizinhos por alguns meses, para pronunciar j no lugar do l, alimentar-me de vinho e dos sabores da carne, caminhar pelos vales tendo como companhia as montanhas e lagos que se assemelham às paisagens canadenses. Adoraria fazer compras na verduleria, panaderia, poleria, carniceria em vez de em um impessoal supermercado. Viver a vida como os moradores de Cerro Catedral, que se conhecem pelo nome e dão dois beijinhos ao se encontrar e se despedir, inclusive os homens.

nem fiquei feliz quando a manhã estava branca em Cerro Catedral!
nem fiquei feliz quando a manhã estava branca em Cerro Catedral!

Mas essa história de beijar pode não ser nada para a maioria dos brasileiros, acostumados ao contato físico, mas eu que não sou muito de beijos e abraços fiquei espantada com a situação que compartilho agora, sob protestos de Home Casado Viaja. Conhecemos um casal de Buenos Aires no ponto de ônibus em Puerto Pañuelo – sim, os ônibus demoram tanto a chegar e a vencer os quilômetros em alguns pontos que é possível começar uma amizade – e ao final do percurso o argentino se despediu de meu marido com dois beijinhos. Claro que virou piada. Homem Casado Viaja, com toda a rivalidade futebolista entre Brasil e Argentina, recebendo beijinhos de um hermano!

Não fosse a neve sobre a montanha, poderia-se pensar em alguma praia tropical

Apesar da paisagem montanhosa, da ausência de sujeira pelas ruas, da sensação de segurança que tive ao caminhar pelas ruas do Centro, da cordialidade dos locais, conversando com argentinos e moradores da região nos lembramos que estamos em um país muito parecido com o Brasil: alta carga tributária, deficiência na educação e saúde públicas, instabilidade política, burocracia e leis não cumpridas.

O Cerro Tronador e sua geleira bolo mármore: resultado da mistura gelo+rocha vulcânica
O Cerro Tronador e sua geleira bolo mármore: resultado da mistura gelo+rocha vulcânica

Em contraste com a vida atribulada de SP, mesmo no início de Julho as lojas, escritórios, agências de viagem e, pasmem, até restaurantes, mantêm a cultura da siesta nessa região. Restaurantes fecham por volta das 15h ou 16h e só reabrem às 20h. Fomos à charmosa Vila La Angostura, distante 85 quilômetros de Bariloche, e depois de algumas paradas para fotografar o relevo diversificado das montanhas pelo caminho chegamos por volta das 12h. Muitas lojas estavam fechando ou já se encontravam fechadas. Capitalistas dirão que estão perdendo a chance de ganhar dinheiro, mas eu diria que estão ganhando a chance de viver. Talvez mais realisticamente, manter funcionários no comércio é custoso quando não há muito movimento, então opta-se por manter as lojas fechadas enquanto as pessoas estão em passeios, reabrindo à noite, quando perambulam pela cidade à procura de restaurantes aconchegantes.

Bariloche dicas

Não que Bariloche estivesse vazia, mas a região é grande e durante o dia a maioria está engajada em passeios pelos lagos, subindo os cerros (montanhas) ou pelas estradas. Grupos barulhentos de adolescentes em uniforme preenchem os espaços e têm serviço garantido em restaurantes na base do Cerro Catedral. Explico: tivemos certa dificuldade para comer no Cerro, que mantém o comércio fechado na baixa temporada (chegamos no final de junho) e ao entrar em um restaurante aberto, fomos informados que o serviço era apenas para os grupos, que provavelmente têm acordo com as agências que os levam. Mais uma vez, a sensação de que faturar acima de tudo não é regra por aqui. Fico imaginando se as pessoas tem clara a relação daquela máxima: “mostre a seu dinheiro quem está no comando.” ou se não têm estrutura para atender a quem não estava na lista.

Outro fato agradável: em nenhum momento tentaram se aproveitar de nós como turistas. Todos os remisses que tomamos cobravam a mesma tarifa, independente do horário ou do clima. Nenhum golpe a vista, senão o custo exorbitante para ser fotografado com um São Bernardo no Centro Cívico de Bariloche (120 pesos por uma foto!). O sobrinho de meu marido esteve com a família no mesmo período que nós e relatou ter encontrado erros na conta em dois restaurantes diferentes. Vale a dica para sempre conferir.

São Bernardo em Bariloche
Centro Cívico: ponto de encontro com os simpáticos São Bernardos

Ah, outro ponto positivo desta viagem a Bariloche e cuja descoberta me deixou satisfeitíssima: sempre evitei viajar para lugares de temperaturas baixas no inverno, porque imaginava que eu não suportaria o frio. De roupas e calçados apropriados, não só é praticável, como prazeroso. Pegamos temperaturas negativas, mas o que causa mais frio nem é a neve, mas o vento, que quando sopra forte nas proximidades do Lago Nahuel Huapi é de afugentar qualquer turista desavisado! E a gente logo se acostuma à rotina de chegar a um restaurante e tirar casado, touca, cachecol, luvas e a vestir tudo novamente ao ir embora.

Nunca é tarde para brincar como criança!
Nunca é tarde para brincar como criança!

Mas é claro que as geadas e a neve causam transtornos para quem como nós não está acostumado a baixas temperaturas. Em nossa último dia, a geada da madrugada havia produzido uma camada fina de gelo sobre o carro. O miolo da chave do porta-malas não girava, os vidros não podiam ser baixados. Era preciso aquecer o carro para que o gelo derretesse. Dica local: nunca jogue água quente, pois o choque térmico pode quebrar o vidro. Máquinas limpam as ruas, afastando a neve, mas o gelo não, e ele é que é perigoso. Outra dica local: não freie, apenas reduza a marcha. Calçados apropriados, com ranhuras e impermeáveis, são obrigatórios e é preciso caminhar com cuidado e firmeza para não escorregar no gelo sobre superfícies lisas, como madeira.

geada em Bariloche

Minha dica maior é: se possível, fique cerca de 10 dias. Além de ter muito o que fazer pela região, o clima muda com frequência nos Andes, alternando dias chuvosos com claros e outros com neve. Inverno é estação chuvosa e há grande probabilidade de chover por 4 ou 5 dias seguidos e você terá perdido o melhor, que é observar as montanhas nevadas espelhadas nos lagos, subir os cerros em dias de visibilidade alta e a neve, que tantos brasileiros buscam aqui.

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Cerro Catedral
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Chove lá fora e aqui está aconchegante. Feels like home…

Não deixe de ler os demais posts relacionados a Bariloche, onde dou dicas de onde comer, o que fazer, preços, transporte, etc. O links estão abaixo.

Espero que seu primeiro encontro seja tão bom quanto o meu. Escrevi este post num dia chuvoso, no calor do apart-hotel em Cerro Catedral, com vista para a montanha. Mais feliz, só se estivesse nevando.

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Cerro Catedral: um templo para brincar em Bariloche 
– Isla Victoria e Bosque de Arrayanes: Natureza e História em Bariloche
Cerro Tronador: Lagos, Geleiras e Vulcão em Bariloche

Roupa de Neve ou para temperaturas negativas
Cruce Andino: De Bariloche a Puerto Varas
– 
Cabaña del Lago: um refúgio em Puerto Varas, Chile
– O que Fazer em Puerto Varas
-Puerto Varas: guia para sua viagem

 

 

Bariloche: Guia para planejar sua viagem

Confesso: Bariloche para mim era como Miami: um destino meio… sei lá, coisa de turismo consumista. Não de um consumo de produtos, mas de viagem, do tipo “todo mundo tá indo, deve ser legal”. Mas atire o primeiro passaporte quem nunca teve certo preconceito em relação a algum destino de viagem. E se a gente pensar bem, não dá para falar de um lugar sem conhecê-lo, assim como não dá pra falar de uma pessoa sem nunca ter tido contato imediato de terceiro grau. Sou do tipo que prefere Monte Verde a Campos do Jordão, cidades procuradas por paulistas quando as temperaturas caem, embora ambas sejam deliciosas. Se você as conhece, vai entender o que estou falando.  Se não conhece, explico: Monte Verde é mais rural, mais pacata. Campos do Jordão na alta temporada vira uma versão dos bairros “nobres” de SP: um desfile de pessoas que parecem ir para ser vistas e não para curtir a cidade. Sem generalizar, claro, mas uma boa parcela é assim mesmo.

Não gosto de rótulos, mas sou um ser humano imperfeito (e sincero, como pode ver ler)  e confesso que vez ou outra rotulo, antes de fazer uma análise. Acho que a gente sempre rotula ou generaliza em um momento ou outro de nossas vidas, não tem jeito. Ser viajante é mais cool do que ser turista? Quem toma vinho é mais sofisticado do que quem toma cerveja? Se eu não ando na moda não estou antenada? Quem prefere Paris é melhor do que quem bate cartão em Orlando ou Miami? Não assistir novelas me faz melhor do que quem as assiste? Fazer mochilão é superior a viajar de pacote, com mala de rodinha? Filme europeu é necessariamente melhor que o americano? Bah! É tudo vaidade. Que cada um seja feliz no estilo que lhe faz feliz. Vou para Bariloche, sim. Primeiro porque me encantei com o Sul da Patagônia argentina e chilena e agora vou tirar a prova e ver se lagos e montanhas mais ao Norte são tão bonitos quanto. Segundo porque eu nunca vi neve caindo do céu, só o gelo no chão – e foi super frustrante quando eu, toda feliz e pimpona, disse para a atendente de uma loja nas Montanhas Rochosas do Canadá: “É a primeira vez que vemos neve!” E ela gentilmente respondeu, embora tenha parecido uma estalactite fincada na minha barriga: “mas isso não é neve, é gelo. Neve é leve, cai devagar e depois de um tempo vira gelo em alguma superfície.” Não sei se fiquei muda de frustração ou de vergonha por não saber disso! Anyway, Bariloche nunca foi meu destino-sonho e por isso acho que vou me surpreender e gostar muito. E você vai comigo! Neste post eu dou as dicas básicas para planejar a viagem e quando eu voltar publicarei dicas mais pessoais, de acordo com minha experiência. Leia também outros posts relacionados a esta viagem de 15 dias por Bariloche e região dos Lagos Andinos. Links no final desta publicação.

Não tem o calor da Tailândia, não é quente como lá, mas é uma vista tão linda quanto! Foto cedida pela Turisur
Não tem o calor da Tailândia, não é quente como lá, mas é uma vista tão linda quanto! Foto cedida pela Turisur

Localização
São Carlos de Bariloche fica na região patagônica andina, a 1.500 km de Buenos Aires, a capital argentina. Como Chegar a Bariloche
Não há voos diretos saindo do Brasil, a não ser aqueles charter, que as operadoras fecham e vendem em seus pacotes na alta temporada. Mas vale a pena fazer uma busca rápida no Voopter, site de busca de bilhetes aéreos, para ver se alguma companhia tem voos diretos, especialmente na “nossa” alta temporada, Julho e Agosto.

Se você viaja por conta própria, terá conexão em Buenos Aires. De SP, o voo leva 2h50 e de Buenos Aires até lá são mais 2h30.
✈  Atenção quando comprar seu bilhete aéreo: há opções com o voo internacional chegando no Aeroporto Ezeiza (EZE), que fica a cerca de 50 minutos de carro de Buenos Aires, mas pode ser que o voo doméstico até Bariloche parta do Aeroparque (AEP). Isso significa que você terá que se deslocar de mala e cuia por conta própria. Meu voo de ida teve conexão no Aeroparque, mas o de volta no Ezeiza.
✈ 
Outra dica: Se você tiver uma conexão de mais de 3 horas no Aeroparque, dá pra passear em Buenos Aires! Eu já fiz isso e aprovei a experiência, Leia aqui.

Chegando no aeroporto de Bariloche, são mais 15 quilômetros até o Centro Cívico. Taxis custam cerca de 20 dólares. O remises (taxi não oficial, mas legalizado para transportes, muito comum na Argentina) ficam em torno de 15 dólares.

Como Circular em Bariloche
Seja qual for o meio utilizado, é bom mentalizar uma linha (embora não exatamente reta), de Oeste a Leste: Hotel Llao Llao e Puerto Pañuelo a Oeste, bifurcação para Cerro Catedral no Centro, aeroporto e estrada para Vila La Angostura a Leste.

o mapa da mina
o mapa da mina

Outro ponto importante é que o marco zero da cidade é zero mesmo. Ali começa a contagem de quilômetros em direção a Oeste (Parque Municipal Llao Llao). No centro também é fácil achar a numeração, pois cada quadra tem 100 metros. Se você precisa ir ao número 400 da Mitre, por exemplo, andará 4 quarteirões a partir do Centro Cívico (lá onde ficam os São Bernardos).

Carro alugado em Bariloche
Se estiver hospedado/a na região do centro e contratar passeios em agências, não vale a pena alugar carro, pois a maior parte dos passeios duram o dia todo e oferecem traslado.

Como nos hospedamos em Cerro Catedral, fizemos as duas coisas: nos primeiros quatro dias fizemos os passeios pelos lagos com a Turisur e ficou mais barato pagar um remisse (20 ou 25 dólares a viagem), para nos levar ao Centro ou ao Porto Pañuelo (de onde partem os barcos para passeios fluviais) pois como nos hospedamos em Cerro Catedral, as agências não trasladavam para lá.

O carro mais econômico, mais simples, como um Clio ou Corsa, sai em torno de 70 dólares a diária. Alugar carro pode exigir atenção redobrada em caso de gelo na pista, muito comum no inverno, porque brasileiros não têm experiência em dirigir sob essas condições. A dica é nunca frear e sim reduzir o carro no câmbio. A neve é retirada com máquinas, mas o gelo não. Outra dica é quanto há geada sobre o carro. Ligue-o 10 minutos antes de sair e acione o ar quente. Isso fará com que o gelo aos poucos se desprenda dos vidros. Não jogue água quente sobre os vidros, o que produzirá um choque térmico e poderá quebrar o vidro – dica de moradores do Cerro Catedral!

Se for cruzar a cordilheira em direção ao Chile, além da documentação e taxas necessárias, você precisará também das correntes para pneus.

Preço do litro da gasolina em pesos, no posto Petrobrás
Preço do litro da gasolina em pesos, no posto Petrobrás

As locadoras oferecem opção de rack para skis, da mesma forma que oferecem cadeira infantil. Ah, e correntes para pneus (para dirigir na neve).

Se você resolver alugar um carro, faça sua reserva pelo site RentCars.com, site parceiro do Mulher Casada Viaja que busca preços em diversas locadoras. Fazendo sua reserva ao clicar no logo presente aqui no blog ou no link acima, você não paga nenhum valor é acrescido à sua reserva e você ainda contribui para a manutenção do blog, pois o Rentcars repassa uma pequena comissão. Gracias!

Remisse ou taxi
Não usamos nenhum taxi, então não sei a tarifa, mas os remisses são mais baratos. Remisse é um carro comum, sem taxímetro, que oferece preço fechado de um ponto ao outro. Há alguns pontos ou você pode ligar para eles ou tomar na rua (há um número de registro inscrito na lateral do carro, como na foto abaixo). São seguros e bem comuns na Argentina. E diferente de taxistas de Buenos Aires, todos cobravam o mesmo valor e nenhum tentou dar golpes. Aceitam dólares ou pesos. Olha o “nosso” motorista, indicado pelos proprietários do apart-hotel, José foi quem nos levou a vários pontos. Ele é muito profissional e ainda responde a todas as perguntas que uma blogueira pode fazer! 😏

Precisa de um remisse: chame Jose: telefone 4299002
Precisa de um remisse? Chame Jose: telefone 4299002

Ônibus
Ônibus circulam com intervalos de 15 a 20 minutos, mas para Cerro Catedral a demora pode chegar a 50 minutos! Nós testamos e quase viramos pinguins, mas aprendi que deve ser por isso que tanta gente morre no inverno: as roupas não te protegem mais e o frio vai tomando conta do seu corpo. Os pontos têm cobertura e o que fica em frente ao Centro Cívico tem mapa dos arredores.
É preciso comprar um cartão SUBE, que custa 25 pesos e é válido em todo território argentino. Pode ser encontrado em kioskos como o Milka, a vaca lilás do chocolate. As passagens variam de 10 a 12 pesos. Link para informações sobre as linhas, clique aqui.

Carona
Vi várias pessoas pedindo carona, principalmente as que queriam ir a ou voltar de Cerro Catedral. Pessoal de snowboarding, principalmente. Se há gente pedindo, é porque há gente topando dar carona.

Onde Ficar em Bariloche
Ficar nos arredores do Centro Cívico facilita a ida a restaurantes, às compras, agências de turismo e às lojas de aluguel de equipamento de ski e neve. Por outro lado, é muvuca na certa e a rede hoteleira está mais datada. além dos turistas “normais”, há sempre caravanas de estudantes do ensino médio que lotam as ruas e que são bem ruidosos.

Hotéis um pouco mais afastados, com vista para o lago Lago Nahuel Huapi são opção para quem quer mais sossego e dispõe de veículo para circular.

Faça sua pesquisa de hotéis em Bariloche no site Booking.com e reserve clicando no logo presente aqui no blog ou no link acima para contribuir com a manutenção do blog. Você não vai pagar nada a mais por isso e fará um gesto simpático de agradecimento pelas dicas!

Se você vai com a finalidade de esquiar, a escolha certa é ficar em Cerro Catedral, a 19 quilômetros de Bariloche, que tem uma das melhores estruturas para a prática do esporte na América do Sul. O número de restaurantes e lojas é menor do que em Bariloche, mas nada que um taxi ou remisse (o taxi mais barato e não oficial) não resolvam. Foi lá que ficamos, sem pagar nada, pois nos inscrevemos no site Troca de Casa e a família que mora em Cerro Catedral topou ceder um de seus apartamentos no final de junho e início de julho, enquanto usaram nosso apartamento no litoral paulista no início de dezembro.

Vista do terraço do apart-hotel Ski Sur
Vista do terraço do apart-hotel Ski Sur, na base de Cerro Catedral. Pra falar a verdade, não dá pra ver muito…

Cerro Catedral é um lugar lindo, e como é mais alto que o centro de Bariloche, sempre neva primeiro lá. O Apart hotel em que ficamos se chama Ski Sur. Confira seus preços e de outras propriedades aqui.

Visto
Não é preciso visto nem passaporte para entrar na Argentina, apenas a Carteira de Identidade. Mas leve seu passaporte se você gosta de ver carimbinhos nele, ehehe. Eu nem gosto!

Permanência e quando ir
A temporada de inverno começa na última semana de junho e termina no final de agosto, mas isso muda a cada ano, dependendo das variações climáticas. A neve é mais certa de cair em agosto, quando as crianças brasileiras estão em aula. 😒 Isn’t it ironic?, diria Alanis Morissette.

No início os preços são mais baixos, mas em Julho e agosto vão às alturas e a cidade fica ainda mais cheia – de brasileiros. Argentinos e europeus vão especialmente no verão, para praticar trekking. Caso queira só ter um gostinho e conhecer as atrações principais, o usualmente oferecido pelas operadoras e agências de turismo são 5 ou 7 noites. Se você quer ter uma experiência maior na região e não só de Bariloche, seja no inverno para prática de esportes no gelo, seja no verão para fazer trekking e navegar os lagos, aumente esse número.

Língua
Espanhol. Não sei se é preciosismo meu como profissional de Letras que sou, mas acho um horror falar Português com sotaque de espanhol. Misturar as duas línguas, no que se transformou o portuñol,  na minha opinião ainda é tolerável – e divertido. Mas se você não é fluente em Espanhol e quer fazer bonito mesmo, fale Português. A maioria entende, assim como você entende o Espanhol. Além disso, se você for a Bariloche em Julho, terá inúmeras chances de ouvir Português por todo lado, quando Bariloche é conhecida como BRASILOCHE.

Dinheiro/Moeda
Perguntas sobre que dinheiro usar na Argentina são as mais comuns em fóruns de viajantes. A confusão é armada porque aceitam-se reais, dólares e o peso argentino. Algumas lojas podem não aceitar notas de 100 dólares, por exemplo, por não terem troco, que é sempre dado em pesos. Embora seja chato ficar fazendo o câmbio no momento do pagamento, esta é a melhor opção. Pergunte se aceitam reais. Se não aceitarem, pergunte qual a taxa para pagar em dólar. Se for mais vantajosa que a do câmbio blue (o paralelo), troque. Os únicos restaurantes que fizeram a cotação pelo câmbio oficial foram os dos aeroportos. A cotação em junho/15 estava assim: O dólar no Oficial, controlado pelo gobierno, está a 9 pesos. O dólar blue, que é o usado no paralelo, nas compras e restaurantes, estava na proporção de 1 para 13 pesos, mas alguns lugares chegaram a cobrar 15.

Compras e Preços (em pesos argentinos em julho de 2015)
Além dos artigos de lã e couro e dos manjados artesanatos made in China, há inúmeras lojas de chocolate. Eu adoro artesanato e fiquei bem decepcionada com as opções. As única lojas legais, com produtos autênticos de artesãos que encontrei ficam em Cerro Catedral, a Refugio de Artesanos, e no Fundo Colonia Suiza, a Regaleria El Abrojo. 

Cerro Catedral preço bondinho
Ainda na baixa temporada, os preços para subir o Cerro Catedral
aluguel de roupa de neve
Custo do aluguel de roupas em Bariloche

Embora o real valha três vezes mais do que o peso, o custo de vida por lá é bem alto, então não espere encontrar um paraíso de compras. Compre memórias através dos passeios!

Passeios lacustres oferecidos pela agência Turisur:
– Isla Vistoria e Bosque de Arrayanes: $ 520
– Puerto Blest e Cascata de los Cántaros: $ 520
– Lago Frias (adicional de Puerto Blest): $ 200 cruce andino  Excursões terrestres
– Cerro Catedral: $ 150 e $ 195 (na alta)
– Circuito Chico: $ 150 e $ 195 (na alta)
– Cerro Tronador: $ 450 e $ 560 (na alta)
– San Martín de Los Andes: $ 650 e $750 (na alta)
– Cruce andino: $ 2.522 (julho a dezembro) e $ 2.072 (Páscoa a Junho)

uma das vistas chatas de quem faz o Cruce Andino
uma das vistas – vulcão Osorno – de quem faz o Cruce Andino. Foto cedida pela agência Turisur


O que comer e Beber e Preços
Truta é um clássico em cidades serranas, assim como fondues e chocolates e em Bariloche essa regra se mantém. Para quem deseja variar os clássicos argentinos ojo de bife e bife de chorizo, carneiro, javali e cervo são pratos típicos patagônicos. 

Bariloche restaurantes
Um dos restaurantes mais aconchegantes – e de comida boa!
restaurantes em Bariloche
O Cardápio do La Marmite
Restaurantes em Bariloche
Churrascando em Bariloche, na Parrilla de Julian 
restaurantes em Bariloche preços
Cardápio da Parrilla de Julian

Se você quiser uma experiência culinária-cultural, não deixe de comer o curanto, prato indígena ainda hoje feito com base na cultura dos índios mapuches e araucanos: um buraco no solo com pedras incandescentes recebem folhas  e depois carnes (boi, porco, frango, carneiro, linguiça), batatas doce, maçãs, cenoura e abóboras. Tecido úmido e folhas cobrem os alimentos e um pouco de terra é jogada por cima. Você pode provar na Colônia Suíça de Bariloche, que é parte do Circuito Chico.

Há várias cervejarias, nós visitamos a Blest que tem um ambiente bem legal:

20150709-IMG_0741

Bares em Bariloche
O cardápio da Blest

O que Fazer por lá
Os passeios mais populares são subir o Cerro Otto e o Cerro Campanário, que consistem em subir as respectivas montanhas em meios de elevação para avistar a cadeia de montanhas e os lagos da regiã
o. A primeira tem uma confeitaria giratória e a segunda é conhecida pela melhor vista de Bariloche. Circuito Chico é rodar pela estrada a Oeste de Bariloche, com lagos e mirantes, além da passagem por um local chamado Fundo Colônia Suíça, onde há vários restaurantes e lojinhas (mas vi nada da Suíça) e onde se prova o Curanto de que falei acima. O Cerro Catedral vale subir, além da vista, pela oportunidade de esquiar ou apenas brincar na neve. Mas eu conto sobre os 15 dias que fiquei na região de Bariloche no post Bariloche: Roteiro de Inverno, porque tem muito mais para fazer por lá além desses passeios, inclusive cruzar a fronteira com o Chile e ficar de cara com o Osorno, o vulcão inativo com cobertura permanente de glacê neve, passeio denominado Cruce Andino, que eu também fiz a convite da Turisur.

Voltagem/TomadasQue carinha de desapontada!
Leve seu adaptador. A voltagem é de 220 volts, então se seus aparelhos não forem bivolt (a maioria dos modernos é, como celulares, tablets) vai precisar de um transformador. Ou não os leve. Algumas tomadas dão acesso a plugs de dois pinos redondos, como mostra a foto abaixo:tomadas em Bariloche

Fuso Horário
Mesmo horário de Brasília quando não estamos em Horário de Verão.

Temperatura
No inverno, o sol nasce às 9h e se põe pouco depois das 18h. As linhas curvas do quadro abaixo mostram as temperaturas médias históricas e as colunas azuis, o índice pluviométrico. Outro recurso legal para saber mais sobre o clima, especialmente quando o assunto é neve, é pesquisar câmeras locais na web. Mas não se preocupe, eu já fiz isso pra você: clique aqui.

Se o que você procura é neve, use este website, que dá as condições climáticas especificamente nos centros de esqui.

De Bariloche a…
Villa la Angostura e San Martin de los Andes, passeio denominado Rota dos 7 Lagos.

Villa la angostura Bariloche
Uma das belas paisagens a caminho de Villa la Angostura

⛄  Villa Traful e Villa La Angostura, que em vez de passar por 7, proporciona a vista de 5 lagos e é conhecido como Circuito Grande.
Chile: O passo (fronteira) Cardenal Samoré, aduana e fronteira, fica a apenas 3 horas de carro a partir de Bariloche e você ainda faz a espetacular travessia dos Andes. No Chile, visite Puerto Montt, Puerto Varas, El Frutillar, e os vulcões da região. Lembre-se de que é preciso documentação especial se estiver com carro alugado e quiser cruzar a fronteira, além de pagar uma taxa. A locadora de veículos te informará a respeito.
Não se esqueça que é possível chegar a Puerto Varas, a cidade chilena dos vulcões Osorno e Cabulco, pelo passeio Cruce Andino.

Osorno no Todos Los Santos
navegando o Lago Todos los Santos com o Osorno como testemunha

Aluguel de roupa para neve e equipamento para esqui
Este assunto mereceu um post à parte: Roupa de Neve ou para Temperaturas Negativas. No post Bariloche: passeios e check list, eu dou dicas de preços e de onde comprar roupas de neve no Brasil.

Com roupas apropriadas, você pode, literalmente, rolar na neve
Com roupas apropriadas, você pode, literalmente, deitar e rolar na neve. Eu, fazendo anjinho!

Wifi
Estava procurando por wifi em locais públicos, mas me lembrei que a maiorira viaja no inverno, então quem vai ficar em local público, aberto, para se conectar??!!! Além de hotéis, restaurantes também oferecem conexão. Encontrei um site que lista acesso à Internet em diversas cidades. Clique aqui para consultá-lo. Atualização: a do McDonald’s é muito boa. Também usei o wifi da loja de chocolates O Turista.

Links para outros posts relacionados a Bariloche

– Bariloche: Passeios e Checklist
– Puerto Blest e Los Cantaros: O Melhor passeio de Bariloche
– Isla Victoria e Bosque de Arrayanes: Natureza e História em Bariloche
 Primeiro Encontro com Bariloche

– Cerro Catedral: um templo para brincar em Bariloche
Roupa de Neve ou para Temperaturas Negativas
– Bariloche: Roteiro de Inverno
Cruce Andino
Cerro Tronador: Lagos, Geleiras e Vulcão em Bariloche
– Cabaña del Lago: um refúgio em Puerto Varas, Chile
– O que Fazer em Puerto Varas
-Puerto Varas: guia para sua viagem

Link para a agência Turisur, que me levou aos melhores passeios
www.turisur.com.ar

O lago Los Cantaros
O lago Los Cantaros