Por onde meus pés andaram em 2016

Não foi um ano fácil. Os resultados da crise política e econômica se escancararam e trouxeram grandes mudanças de comportamento na vida dos brasileiros. Muita gente cortou ou simplificou os destinos de viagem – e esses são os privilegiados, porque muitos fecharam seu pequeno negócio, perderam o emprego ou tiveram que aceitar fazer o trabalho de um colega demitido recebendo o mesmo salário e esticando a jornada.

Também senti diferenças em dois pontos: como professora de Português para estrangeiros, vi a diminuição da chegada de alunos de pós graduação por aqui (meu público alvo), afinal, o Brasil já não está com a bola toda que Lula vendeu ao exterior. Ou seja, minha renda caiu. Como blogueira de viagem, percebi que imagens compartilhadas que falavam sobre a dificuldade de viajar ganhavam mais likes do que imagens de destinos turísticos e o blog teve menos acesso agora em novembro e dezembro (quando as pessoas planejam as féras de verão e Carnaval) do que em anos anteriores.

imagem que circulou nas redes sociais
imagem que circulou nas redes sociais

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Funes? Nas Montanhas Dolomitas!

Este post faz parte de uma série sobre a viagem ao Norte da Itália, mais especificamente nas Montanhas Dolomitas, nos Alpes. Aqui eu conto sobre Funes e a experiência de hospedagem por lá e desafio você a dizer se já ouviu alguma vez falar nesse lugar! Relaxe, eu também nunca tinha ouvido falar, mas leia como a desconhecida Funes entrou no meu roteiro:

O cenário encantado das Dolomitas, em Funes

Dolomitas: um sonho realizado
Esse sonho não é meu, tomei emprestado! Durante o planejamento de minha viagem às Dolomitas eu li vários posts, a maioria em Inglês, pois os blogs brasileiros que encontrei a respeito, além de escassos, traziam poucas informações práticas. Entretanto, de um deles eu gostei por causa da historia: a viajante havia visto uma imagem das Dolomitas no Google, mas não sabia onde ficava especificamente aquela igrejinha no vale verde emoldurado por picos de agulha ainda nevados. Até que um dia seu marido traz a informação de que se tratava de Funes, onde eles registram a própria foto no mesmo ponto da imagem típica de calendário. E Funes entrou na minha rota, também, e passei uma noite numa pousadinha ali pertinho da Igrejinha em Santa Madalena, da foto acima. Se você quiser ler a historia e ver o roteiro deles, clique aqui. 

Como tomei o sonho emprestado, achei que o céu azul viesse junto, sqn! Funes foi a parada final de nosso segundo dia nas Dolomitas, quando dirigimos desde o Lago Misurina sob chuva e frio de final de primavera. Frustrante, até, pois não conseguimos fazer muitas paradas por causa da chuva e deixamos de subir por teleférico a alguns passos com vistas espetaculares em dias claros. Leia sobre este segundo dia nas Dolomitas em roteiro de 3 dias nas Dolomitas e sobre o primeiro em Cortina d’Ampezzo num bate volta de Veneza. Outros posts sobre esta viagem têm os links no final desta publicação.

E tinha sido assim o dia todo...
Sass Rigais quando chegamos

Apesar da curta distância entre Lago Misurina e Funes – cerca de 130 km com alguns desvios, uns voluntários, outros nem tanto (sim, erramos algumas entradas e nos perdemos feio), o cansaço por dirigir em estradas sempre sinuosas e estreitas e a chuva constante geraram uma tensão que só acabou quando deitei na cama e dormi.

 

Funes ou Villnoess tem apenas 80 quilômetros quadrados e vilarejos alpinos: San Pietro, Tiso, San Valentino, San Giacomo, Santa Madalena e Colle. E se você estiver achando o local a cara da Áustria ou da Suíça, tem razão: a região não pertencia à Itália até o final da Primeira Guerra Mundial e lá se fala, além do italiano, alemão e ladino.

Pension Sass Rigais
A pousada Sass Rigais fica numa rua sem saída, já dentro dos limites do Parco Naturale Puez Odle, tanto que é preciso passar pela guarita de estacionamento, mas só pela manhã consegui ver as montanhas e achei que apesar do sufoco pra chegar ali tinha valido a pena passar a noite num lugar tão especial.

Sass Rigais Funes bolzano
Mesas externas da pousada

Sass Rigais Funes

A pousada é administrada por uma família e tem 16 quartos simples com um lavatório e 4 banheiros compartilhados no corredor. Achei tudo muito limpo e organizado, principalmente os banheiros, que davam a impressão que eu estava dormindo na casa de uma tia: tapetinhos artesanais, cortina floral na janela, vasinho na pia… Sair do banheiro vestindo pijamas também dá essa impressão! 😄 O jantar estava incluso em nossa estadia e era típico italiano: uma entrada de salada e 2 pedaços de pizza (!), uma carne com ares gourmet (não aguentei comer) e uma sobremesa.

Sass Rigais, as montanhas no quintal da pousada
Da varandinha do quarto, eu vi o céu azul

O café da manhã era bem servido e a o restaurante tem janelinhas com cortinas (eles se cansam da vista?). O aquecedor central estava desligado porque era primavera (!), mas o edredom era tão quente e o isolamento térmico tão bem feito que não sentimos frio.

Janela do restaurante no Sass Rigais
Janela do restaurante no Sass Rigais

Difícil foi a comunicação com os funcionários, pois fora a proprietária, que falava inglês, os demais só falavam alemão. Mas nada que linguagem gestual não resolva, e fica tudo mais engraçado.

Como sempre acontece em regiões montanhosas, acordei cedo, fiz a foto (acima) dos meus pés com as montanhas ao fundo, peguei umas frutas secas e fui passear. As trilhas estão praticamente no quintal da pousada, mas como há muitos pinheiros, quase não se veem as montanhas. São bem sinalizadas e cuidadas e têm canaletas de madeira para escoamento da água, evitando erosão.

Sass Rigais Funes-17
indicação das trilhas

Sass Rigais Funes-11 Sass Rigais Funes-12

 

Sass Rigais Funes-16
a trilha é bem larga e bem cuidada

O passeio foi prazeroso. A luz do sol evaporava a umidade deixada pelo dia anterior e dava pra ver a fumacinha saindo dos gramados e cercas. Os trilheiros e bikers só começaram a chegar quando eu voltava para a pousada para o café da manhã. Depois disso, posamos para uma foto e seguimos para Alpe di Siussi, um lugar tão lindo que parece o paraíso na Terra – você tem que ler o post!

Quintal da Pension Sass Rigais
Quintal da Pension Sass Rigais

No caminho, paradinha para fotos em Santa Madalena, onde fica uma das capelinhas mais fotografadas das Dolomitas, a S. Giovanni:

A capela S. Giovanni, em Funes
A capela S. Giovanni, em Funes

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Vídeo feito por um drone da região de Val di Funes, publicado no YouTube. Lindo de ver!

Abaixo, mapa da rede de transporte coletivo que serve a região, caso voce esteja sem carro:

val-di-funes

Depois de Alpe di Siusi e de uma noite e um dia em Trento, cidade com vista para as Dolomitas, voltei com a certeza de que preciso ir de novo. Esta viagem teve mudanças de data e de objetivo e um dia espero conseguir cumprir a ideia original: ficar 10 dias só na região, sem carro, usando transporte público e os meios de elevação, dormir em refúgios, quartos compartilhados. Pois a sensação é que vi apenas o trailer de um filme longo e impactante.

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Lago Misurina e Refúgio Auronzo

A criança que habita em mim não via a hora de chegar ao Rifugio Auronzo. Ela estava agitada, ansiosa por estar em seu parque de diversões preferido: as montanhas. Há poucas horas havia visto os primeiros carneiros pastando tendo como pano de fundo Os Alpes. Tinha guiado por uma estradinha sinuosa entre Cortina d’Ampezzo e Lago Misurina, onde a criança fez meu corpo saltitar de alegria – e depois registrar um saltinho tímido numa foto. Minha filha adolescente morre de vergonha quando faço isso, mas não ligo, a criança é mais forte que o mico, e um dia minha filha cresce e volta a ser criança, permitindo-se saltitar na alegria.

dicas da Itália
eu, o hospital para crianças asmáticas e as montanhas Tre Cime di Lavaredo

Se sua criança também curte saltitar em destinos de montanha, você vai entender minha cara de felicidade no alto do Rifugio Auronzo quando assistir ao filminho não profissional-super-caseiro-de-quem-só-usava-Movie-Maker-pra-fazer-retrospectiva-de-aniversário – cujo link está no final deste post. Eu não conseguia parar de sorrir. É isso o que as viagens fazem com a gente, principalmente naqueles destinos onde a gente se encontra com nossa criança interior.

O Lago Misurina
A estrada que liga Cortina d’Ampezzo até Misurina é, como todas as outras das Dolomitas, sinuosa e com vistas lindas de paredões rochosos. Vaquinhas pastando completam a experiência sensorial – não olfativa, como você pode pensar, mas auditiva: seus sinos badalam a ao movimento de suas cabeças ao comer ou ao posar para as câmeras dos turistas. Quando a estrada fica plana e reta, é inevitável parar para fotografar as montanhas Tre Cime di Lavaredo que se vêem ao fundo, como na foto acima. O prédio amarelo é um hospital, maior referência italiana para crianças asmáticas, instalado 1.750 metros acima do nível do mar e entre montanhas, lugar perfeito para quem tem doenças respiratórias e fome de paisagens lindas, mas me pareceu um tanto quanto silencioso demais. Acho que eu deveria ter ouvido ao menos uma tosse quando passeei em seus jardins, mas nada…

O Hospital Infantil para Asmáticos
O Hospital Infantil para Asmáticos
Na trilha que circunda o lago
Na trilha que circunda o lago

O lago é pequeno, tem menos de 3 km e uma trilha fácil, plana e com bancos para descanso ou apreciação o circunda, podendo ser feita por crianças e idosos sem problema. Além das Tre Cime, outras montanhas compõem a paisagem do lago: Cristallino e Sorapis, então é fácil encontrar motivos para fotografar em sua visita ao Misurina. Em dias claros e sem vento, infelizmente não foi o caso, as montanhas se duplicam nas águas e nos dias de inverno o lago de apenas 5 metros de profundidade congela e vira uma pista de patinação, tendo inclusive sido local das competições de patinação de velocidade nas Olimpíadas de Inverno de 1956, que aconteceram em Cortina d’Ampezzo.

O Monte Sorapis
O Monte Sorapis
O Misurina congelado
O Misurina congelado
Teleférico para Rifugio Coll de Varda
Teleférico para Rifugio Col de Varda

Além de caminhar, relaxar, fotografar e admirar a paisagem, há um teleférico que chega ao Rifugio Col de Varda, a 2.106 metros de altitude, e que deve dar uma bela vista panorâmica do lago e das montanhas próximas, mas estava fechado  no dia em que estive lá.

Leia os outros posts sobre as Dolomitas, cujos links estão no final deste.

 Senta que lá vem historia
Misurina era, segundo a lenda e a Wikipedia, a neta (ou filha, de acordo com outra fonte) mimada de um amado e generoso rei, que se rendia a seus impulsivos caprichos. Um dia Misurina ouviu dizer que uma bruxa que vivia numa montanha próxima possuía uma espelho que permitia a seu dono ver tudo o que acontecia no mundo.  Misurina esperneou e fez tanta birra que o bondoso rei foi ter com a bruxa, que barganhou a troca transformando-o em uma montanha (a Sorapiss!) para sombrear sua horta de ervas. Ao descobrir o sacrifício de seu amado avô, Misurina chorou tanto que encheu um rio – ou um lago – de lágrimas. E o espelho? Ninguém me contou, mas acho que são as lágrimas depositadas no lago que refletem o mundo no Misurina.

misurina reflexo
O Sorapiss refletido nas águas do Misurina em foto que não é minha…

Eu escolhi ficar no Lago Misurina pela paisagem, embora a de Cortina d’Ampezzo também seja linda, mas me preocupava saber se haveria restaurantes abertos à noite para o jantar, já que estávamos fora de temporada se só há uns 10 edifícios ali no lago. Então fizemos umas comprinhas em Cortina: frutas, queijos, pães e vinho, mas há hotéis que servem também não hóspedes, descobri lá.

Bem, não me lembro que horas eram, mas devia ser perto das 15h quando fizemos o check in no Hotel Sorapiss rapidamente e voltamos ao nosso carrinho para subir ao Rifugio Auronzo.

Sobre aluguel de carro na Itália e dicas de direção por lá, leia Dirigindo na Itália 

Cai a noite no Lago Misurina
Cai a noite no Lago Misurina

Onde ficamos no Lago Misurina
Hotel Sorapiss é simples, mas aconchegante, com vista para o lago e com atendimento simpático e atencioso, motivo principal da minha indicação a você. Se quiser pesquisar outros hotéis no Lago Misurina, clique aqui.

Nossa casa no Lago Misurina
Nossa casa no Lago Misurina
Área social do Hotel Sorapiss
Área social do Hotel Sorapiss

A decoração está desatualizada, mas tanto o quarto quanto as áreas sociais eram bem aconchegantes e eu fiquei imaginando aquela sala com lareira no inverno, tudo branquinho através das janelas…

Primeiro registro da manhã, da janela
Primeiro registro da manhã, da janela: prenúncio de um dia chuvoso

Rifugio Auronzo
Pra começar, o que são rifugios? Refúgio são acomodações simples no alto de montanhas, que servem de pousada para quem está fazendo trilhas longas, de vários dias, mas qualquer um pode solicitar reserva, que deve ser feita com muita antecedência, em geral.  A maioria possui quartos coletivos com beliches, mas há quartos para 2 ou 4 pessoas, também. A maioria serve refeições e as mesas ao ar livre são disputadíssimas em dias quentes. Eu não entrei no Rifugio Auronzo porque a paisagem do lado de fora era hipnotizante e eu não conseguia desgrudar os olhos dos picos.

trekking dolomitas

 

Rifugio Auronzo
Rifugio Auronzo

Quem viaja por estas bandas o que vai mais fazer é encontrar refúgios e o que é bacana é o fato de muitos serem acessíveis por carro ou teleférico, diferente de outros parques nacionais onde são exclusivos para quem faz trekking ou escaladas. Claro que  a sensação de conquista é inexistente, pois não há esforço algum envolvido, mas a vista, ah, a vista…

Trilha próxima ao Rifugio Auronzo
Trilha próxima ao Rifugio Auronzo

Chegar ao Rifugio Auronzo  foi muito fácil. Dirigi a partir de Cortina d’Ampezzo, onde cheguei ainda mais facilmente vindo de Veneza (leia as dicas no post Cortina d’Ampezzo), onde almoçamos. Uma breve parada no Lago Misurina para fazer o check in no Hotel Sorapiss, onde me informei sobre o Rifugio, e tomamos a estrada no final do lago. Pouco depois de começar a serra, há uma guarita para pagar a taxa de €18 pelo estacionamento (algo inexistente em outros rifugios que visitei nas Dolomitas) e ao lado, mais vaquinhas pastando.

Guarita do estacionamento
Guarita do estacionamento

Rifugio Auronzo

Mas o bucolismo vira suspense pela ausência de guardrail em alguns pontos da sinuosa e estreita estrada. Mas logo se avista o grande estacionamento, no alto da montanha e o refúgio.

Montanhas Dolomitas

Minha colega de viagem, Miriam, tinha ficado no carro, mas eu fui buscá-la porque não é possível alguém ir até ali e não ver aquela paisagem! Depois de umas fotos ela retornou para o calor do carro e eu fui “só até ali” 😉

Rifugio Auronzo Belluno

Caminhei em direção a uma capelinha – algo também sempre presente nos vales e passos – que fica na trilha que parte do rifugio. Não sei quanto tempo caminhei, mas se ela não estivesse me esperando eu teria ficado mais.

Refúgio Auronzo

Rifugio Auronzo dolomitas

Esse foi o primeiro contato com as montanhas nesta viagem aos Alpes Italianos, e estar pertinho delas, com direito a vento frio no rosto, isolamento e quietude trouxe um prazer imenso. As montanhas são minha praia e é nelas que me sinto bem, de corpo e alma. And nothing else compares!

Acesse o canal do blog Mulher Casada Viaja no YouTube onde compartilhei minha alegria de estar nas montanhas.

 

Posts Relacionados às Dolomitas (clique sobre o título)
Dirigindo na Itália
– Cortina d’Ampezzo
– Dolomitas: roteiro de 3 dias
Roteiro de 12 dias pelo Norte e pela Toscana
– Dolomitas: guia para planejar sua viagem
– Alpe di Siusi
– Val di Funes

 

 

 

Dolomitas, nos Alpes Italianos – roteiro de 3 dias

“Se a Capela Sistina tem o teto, as Dolomitas são o telhado da Itália.”

Quando dizia às pessoas que iria às Dolomitas, Patrimônio Mundial da UNESCO,  percebia uma interrogação em seus semblantes, então eu explicava que se tratava de uma cadeia de montanhas nos Alpes italianos, e acho que pensavam o que eu iria fazer nos Alpes se nem era inverno por lá e eu nem sabia esquiar. Aí comecei a postar fotos das montanhas no Facebook e o encantamento tomou conta delas também. Que bom! Foi assim que conheci alguns dos lugares mais lindos do mundo: sendo apresentada através de impactantes imagens.

Trilha próxima ao Rifugio Auronzo
Trilha próxima ao Rifugio Auronzo

Compartilho aqui meu roteiro de 3 dias pelas Dolomitas e no próximo post você encontra um guia com várias dicas sobre esta cordilheira. No final deste post, tem também links para outras publicações sobre esta viagem.

Roteiro de 3 dias nas Dolomitas
Roteiro dia 1 nas Dolomitas: Veneza-Cortina-Lago Misurina-Rifugio Auronzo
Depois de duas noites em Veneza, tomamos o vaporetto até a estação final (Piazzale Roma) e retiramos o carro na locadora, o que levou quase uma hora! Como parte do dia 1, leia o post sobre bate-volta a Cortina d’Ampezzo a partir de Veneza, com várias dicas práticas e em breve escreverei sobre o Lago Misurina e o Refúgio Auronzo, outros lugares por onde passamos no primeiro dia.

Lago Misurina
Lago Misurina

Roteiro dia 2 nas Dolomitas: Lago Misurina-Passo Giau-Passo Falzarego-Selva Val Gardena-Funes
Dia de muita estrada, com trechos da famosa Grande Strada delle Dolomiti, que vai de Cortina a Bolzano, mas infelizmente o clima não ajudou. Choveu a maior parte do tempo e quando não estava chovendo o céu estava completamente encoberto. Mesmo assim foi possível apreciar toda a majestade dessas montanhas. Vou escrever post próprio sobre Funes, o destino final deste dia e onde passamos a segunda noite. Você não pode perder, porque o lugar é estonteante!

Partimos do Lago Misurina logo após o café da manhã e pegamos a estrada até Cortina, que é lindamente sinuosa com campos e paredões rochosos e há um ponto para ver o vale onde está a cidade.

Cortina vista da estrada que leva ao Lago Misurina
Cortina vista da estrada que leva ao Lago Misurina. Montanhas encobertas

Na cidade há placas orientativas para vários passos e refúgios, daquelas que você precisará estacionar para ler, pois são tantas que só uma olhadinha não será suficiente. Se você ainda não dirigiu na Itália, leia o post dirigindo na Itália e você vai entender melhor do que estou falando rsrsrs.

Passo Giau
Vaquinhas pastam ao lado da estrada para Passo Giau

Nossa primeira parada do dia foi Passo Giau. Eu vou ficar aqui repetindo que as estradas são lindas. Desculpe, não é pobreza de vocabulário ou falta de assunto, mas todas elas têm atrativos e todas valem ser percorridas, seja pela paisagem, seja pelo prazer de dirigir. Nesta em particular foi onde encontramos um grupo de motoqueiros e até um carro de corrida (só sei modelo de carro se leio o que está escrito na traseira), mas também vimos ciclistas e vários cavalos e vacas pastando à beira da estrada.

A vista em Passo Giau é muito legal e deve ser fantástica em dias claros. Os motoqueiros que nos ultrapassaram estavam colando seus adesivos na placa, uma tradição do tipo “estivemos aqui”.

Passo Giau

Passo Giau às vezes é incluído na competição ciclística Giro d’a Itália, que como diz o nome percorre alguns pontos de Norte a Sul do país. Outra competição anual é a Maratona das Dolomitas, cuja próxima edição está agendada para o final de junho de 2017. Mas acho que por causa do tempo ruim havia poucos ciclistas pelas estradas nesse dia.

Depois de brincar de esconde esconde, esperando as nuvens permitirem-me avistar o cume de 2.236 metros, voltamos pela estrada até Cortina, mas para quem tem mais tempo é possível continuar pela mesma estrada (638) e na bifurcação pegar a 251 e a 203, seguindo até Passo Falzarego, nossa parada seguinte.

Passo Giau (2)

Pouco antes de chegar a Passo Falzarego, parei para fotografar o Rifugio Col Gallina, onde também tem uma capelinha, mas o destaque fica por conta da montanha piramidal. Aliás, os passos sempre tem capelas, algumas para padroeiros de montanhistas, outras para padroeiros de gado. Entendo a religiosidade italiana, mas não há melhor mais próximo de Deus, Buda, Alá, ou seja qual for sua crença, do que a natureza e, na minha opinião, as montanhas são o templo perfeito.

Rifugio Col Gallina
Rifugio Col Gallina

Em Falzarego tem uma gôndola/um teleférico que te leva (neste dia literalmente) às nuvens sem recorrer a nenhum tipo de substância ilícita. Em um dia tão nublado como aquele, não valeria a pena subir a Lagazuoi, a 2.752m, então eu tirei algumas fotos, entrei na lojinha de suvenires (cara!) do local, onde muita gente tomava um café para esquentar. Não sei qual era a temperatura naquele dia, mas estava muito frio para um final de primavera e eu vestia minha sempre-presente-nos-destinos-de-montanha-jaqueta-corta-vento-vermelha. É preciso economizar para viajar. Melhor a mesma roupa do que a mesmice!

O teleférico em Falzarego, que sobe até o Rifugio Lagzuoi
O teleférico em Falzarego, que sobe até o Rifugio Lagzuoi

E como a viagem continua depois que termina, descobri que Falzarego significa falso rei na língua ladina (dialeto do norte da Itália, nas Dolomitas, no Sul do Tirol nas províncias de Beluno e Trentino. Leia mais no próximo post, o Guia das Dolomitas) e se refere ao rei de Fanes, que segundo a lenda virou pedra por ter tomado o trono do verdadeiro herdeiro. Esta é uma das lendas passadas oralmente por gerações, nos invernos longos das montanhas, quando as famílias se reuniam em um único cômodo para aproveitar o calor que vinha do fogão. No final do século 19 um antropologista austríaco coletou esta e outras historias e seus estudos renderam publicações que hoje são usadas  nas escolas ladinas. Na região de Alta Badia, um pouco mais ao Norte deste ponto, você encontrará algumas estações de aluguel de bikes elétricas e lá você também pode usar um MP3 para ouvir esta e outras lendas. E no Brasil, sua escola ou a escola de seus filhos ensina lendas indígenas?

A caminho entre Falzarego e Gardena, fotografei um dos museus históricos da Primeira Guerra Mundial – as Dolomitas têm vários túneis, trincheiras que podem ser visitados, principalmente no alto das montanhas (que pena não ter subido a Lagazuoi), mas este estava ao lado da estrada Passo Valparola. Garoava e fazia frio, e eu que gosto de um papo nem tive vontade de conversar com um motoqueiro alemão que me explicava (o que eu já sabia) que aquelas montanhas antes pertenceram à Áustria (na verdade, ao império austríaco) e que as Dolomitas haviam sido palco de batalhas da Primeira Guerra.

Museu I GM (2)
Nem tava frio, magina! Até gelo acumulado da última nevada ainda tinha.

Museu I GM (3)

Assista a este video disponibilizado no YouTube (em Inglês) para entender melhor o que são estas trincheiras e viajar no tempo ao imaginar a vida desses soldados batalhando em condições inóspitas. Mais abaixo eu resumo o imbróglio envolvendo as Dolomitas.

a caminho de Funes, o tempo fechou ainda mais
a caminho de Funes, o tempo fechou ainda mais

Nos próximos 100 km eu dirigiria debaixo de chuva, com nuvens baixas sobre as montanhas altas que mal podiam ser vistas, por estradas serranas estreitas e cheias de cotovelos. Passamos por vales lindos e montanhas sempre impressionantes, e também por vilarejos à beira da estrada onde em dia sem chuva teria sido delicioso passear, mas só paramos para almoçar no restaurante do Hotel Chalet Gerard, que apesar de luxuoso e do cardápio primoroso, não saiu tão mais caro que em outros restaurantes italianos.

O restaurante onde almoçamos
O restaurante onde almoçamos

Este trecho entre Passo Gardena e Selva di Val Gardena… ah, nem vou falar que é um grande prazer dirigir ali, que a paisagem é linda, que a estrada é cheia de cotovelos a 180º e que a proximidade com os paredões rochosos chega a assustar, mas um susto como de uma surpresa boa. Pronto, falei de novo. Eu preciso falar, sempre, porque é muito bonito, mesmo.

A parte chata eu vou falar rapidinho: nos perdemos para chegar a Funes, rodamos muitos quilômetros a mais na autoestrada e depois por estradas tão estreitas e à beira de precipícios debaixo de chuva e com a noite se aproximando. Foi desgastante.

Acredite: o GPS nos mandou por ali!
Acredite: o GPS nos mandou por ali! Sim, o carro passou!

Quando finalmente chegamos à pousada onde passaríamos a noite, não se enxergava nada por causa da chuva e neblina. A rua era sem saída e estreita e como passamos batido pela pousada (não me culpem, olhem a visibilidade!), tive que voltar de ré. Gente, que saudade do meu marido dirigindo!!!!!! Eu quero ver paisagem, fotografar, não quero mais brincar de dirigir em viagem! rsrsrs

E tinha sido assim o dia todo...
E tinha sido assim o dia todo…

O jantar foi uma coisa esquisita. Havia 4 ou 5 mesas tomadas por hóspedes e um silêncio inquietante, como se a gente estivesse ali para um teste ou incomodados com algo – será que com a chuva que caíra o dia todo? Normalmente em pousadas e B&B há uma proximidade entre as pessoas, mas não sei porque isso não aconteceu nem durante as refeições ali. Mas cachorro é tudo de bom e um gordinho entrou na sala e todos começaram a rir: “I think he’s on a holiday here, too!”. Explico: o jantar era típico italiano, com entrada de salada e pizza, prato principal, sobremesa. Quem aguenta comer tanto?!

Sass Rigais, as montanhas no quintal da pousada
Sass Rigais, as montanhas no quintal da pousada

Roteiro dia 3 nas Dolomitas: Funes-Alpe di Siusi-Trento
A pousada em Funes fica num lugar tão remoto que nem visualização do homenzinho amarelo do Google Maps tem, só fotos. Pagamos o preço da exclusividade para chegar lá, agora era aproveitar a vista, porque no dia seguinte acordei com a luz que entrava pela porta balcão do quarto e vi o céu azul. Quase pulei de alegria. Fui à sacada para fotografar meus pés com as montanhas Sass Rigais ao fundo, me vesti, peguei uma fruta e às 6h30 já estava fazendo uma trilhazinha antes do café da manhã.

Sass Rigais Funes-16
uma das trilhas próximas à pousada

Sass Rigais Funes

Depois do café, parti com dor no coração, porque não teria mais tempo de andar por ali, mas o Grand Finale nos aguardava: Alpe di Siusi! No caminho, Santa Magdalena, um vale salpicado de casinhas alpinas e igrejinhas simpáticas, iguais a tantas outras, mas com picos pontiagudos lindos! Não consegui o melhor ângulo e o dia estava nublando rapidamente, então me contentei com as próximas imagens. Acho que a máxima Deus ajuda quem cedo madruga funciona bem aqui nas Dolomitas!sta magdalena-1

A capela S. Giovanni, em Funes
A capela S. Giovanni, em Funes


Cerca de 50 km depois chegamos a Siusi, no vale. Nosso destino era o alto da montanha, o maior planalto de altitude da Europa, então tomamos o teleférico mais longo em que já “andei” (ensino Português para estrangeiros e eles morrem de rir quando digo que em Português a gente anda de carro, anda de cavalo, anda de metrô…) e tivemos algumas horas de paz e encantamento. Mas essa historia você lê no post Alpe di Siusi: o paraíso nos Alpes Italianos. Sim, o lugar parece um estereotipado paraíso: campos verdes enfeitados com flores amarelas, vacas pastando e seus sinos tocando. Vento fresco batendo no rosto num raro encontro com a natureza alpina. Passa lá pra ler!

Em Alpe di Siussi - Bullaccia
Em Alpe di Siussi – Bullaccia

Quando descemos até Siusi, no vale, seguimos em direção à autoestrada 22 até Trento (aquela mesmo do Concílio, que você estudou na escola), que ainda tem vista para as Dolomitas, muita historia e é uma cidadezinha deliciosa para passar a noite. Vou falar sobre ela em breve, aguarde!

Até agora não sei se deixei as Dolomitas satisfeita. Que gostei, não tenho dúvidas! Ficou a vontade de ir para ficar 10 dias, como eu havia planejado, para caminhar – de preferência sem chuvas! Porque tem muita coisa ainda para ver e fazer e se você tiver um tempo maior nesta região, vá até o post Dolomitas: guia para planejar sua viagem que lá tem mais sugestões!

E se você gosta de road trips, confira os relatos de viagens nas montanhas canadenses, na incrível Icefields Parkway e pelo Parque Torres del Paine. E logo estarei na HW1 da Califórnia, então tem mais roadtrip por aí! 

Lago Bow, na Icefields Parkway, Oeste Canadense
Lago Bow, na Icefields Parkway, Oeste Canadense. Também estava nublado…
Posts Relacionados às Dolomitas (clique sobre os títulos)

 

Cortina d’Ampezzo, nas Dolomitas, num bate-volta de Veneza

Apenas duas horas de carro separam a incomparável Veneza a uma menos conhecida dos brasileiros, mas de cenários tão incomparáveis quanto, embora totalmente diversos: a cadeia de montanhas chamada Dolomitas, que enfeita o Nordeste da Itália (como se o país precisasse de mais atrativos!), onde fica a fronteira com a Áustria, ou seja, nOs Alpes.

O Lago Misurina, a 15 km de Cortina
Chegando ao Lago Misurina, a 15 km de Cortina

Diferente do que muita gente pensa, os Alpes não estão ali só para servirem de estação de esqui. O verão por estas bandas pode ser uma opção prazerosa para apreciar os contornos das montanhas e, se você for um entusiasta trilheiro ou ciclista, aposto que já ouviu falar das Dolomitas, destino preferido também de motoqueiros e motoristas, pois todas as estradas têm um visual maravilhoso e para quem gosta de dirigir ou pedalar as curvas são apenas mais um atrativo.

A região das Dolomitas é daqueles lugares com alta concentração de beleza por metro quadrado e exibe (esta palavra é perfeita aqui: o cenário parece uma exibição de Arte), além das montanhas de até 3 mil metros no papel principal, coadjuvantes de peso, como o maior planalto de altitude da Europa: Alpe di Siussi (post a respeito com imagens que parecem de calendário já estão publicado aqui), lagos, vales com casas alpinas e igrejinhas que mais parecem aqueles tijolinhos de madeira nossa infância, cultura tirolesa (fala-se mais alemão do que italiano), lagos formados pelo degelo e encostas pontuadas por vaquinhas e carneiros, numa extensão de apenas 200 metros de Leste a Oeste, tendo como cidades mais famosas Bolzano (já em seu limite) e Cortina D’Ampezzo, no coração das Dolomitas.

O Centrinho de Cortina
Torre da Igreja Santi Filippo e Gicamo, de 1850, e as onipresentes montanhas

Eu, Marcia, me, myself, na minha opinião totalmente pessoal e subjetiva, acho que bate-volta para essas montanhas é uma pena, mas se é isso o que cabe na sua viagem ou o que lhe basta, não vai se arrepender. Saí de Veneza já passavam das 10h30 e consegui almoçar e passear por Cortina, subir a montanha até o Rifugio Auronzo e caminhar em volta do Lago Misurina, além de várias paradas para fotos. No verão, quando os dias são mais longos, um bate volta é possível, sim.

cortina ruas-1
Em vez de um monte de prédios da minha janela em SP, adoraria ver este paredão!

Outra coisa: fiz na mesma viagem a Toscana e as Dolomitas e cada região tem sua beleza, mas as montanhas são… arrebatadoras, impactantes. Não posso dizer que uma road trip é mais bonita que a outra porque é também uma questão de gosto, mas é uma pena que se valorize tanto a Toscana, entre os brasileiros, e poucos conheçam as Dolomitas. De qualquer forma, opte você por bate volta ou por permanecer alguns dias na região, ficam aqui dicas para você ir a Cortina, nome apropriadíssimo, pois a partir dela abre-se o espetáculo que são as Dolomitas.

Cortina nova edição-1

O ginásio que serviu para competições das Olimpíadas de 1956
O ginásio que serviu para competições das Olimpíadas de 1956 em Cortina. Hoje tem hockey!

Localização
Cortina d’Ampezzo fica na província de Belluno, 158 quilômetros ao Norte de Veneza e a 1224 de altitude.

Como chegar a Cortina d’Ampezzo

✈ Os aeroportos mais próximos são em Veneza e Bolzano.

🚄 Não se chega direto a Cortina de trem. A estação mais próxima fica em Calalzo di Cadore.

🚌 Este site tem informações sobre as linhas de ônibus que chegam a Cortina.

🚗 Se você está em Veneza, o ponto de partida é a Piazzale Roma, onde ficam o terminal de ônibus e o ponto final/inicial do vaporettos. A maior parte das locadoras de veículos fica na rua de trás do canal, na Ponte della Libertà.  Também há lojas no aeroporto Marco Polo.

locadoras na Ponte della Libertà
locadoras na Ponte della Libertà, Veneza

 

Não deixe de ler o post Dirigindo na Itália,
com dicas de estacionamento, pedágio, combustível…

Estradas de Veneza a Cortina d’Ampezzo, nas Dolomitas
Qualquer Google Maps ou GPS vai te mostrar o caminho de Veneza a Cortina d’Ampezzo, que é muito simples: autoestrada A 27 e SS 51 após a entrada para Belluno, que você não pega, ou seja, siga em frente. Se quiser, a primeira parada com uma vista bonita é em Valle di Cadore, à esquerda da estrada, onde tem um Centro de informações Turísticas ao lado de uma fonte bonitinha com fundo de montanhas:

a caminho de Cortina, as montanhas ficam mais próximas, em Valle di Cadore
opçao para esticar as pernas e fazer uma das primeiras fotos das montanhas: Valle di Cadore

Um pouco mais adiante, uma outra cidadezinha: San Vito di Cadore. A SS51 passa no meio de ambas e não há acostamento, então fique de olho em estacionamentos de comércio para dar uma paradinha para fotos.

ASS 51, em San Vito di Cadore
A estrada SS 51, em San Vito di Cadore

A partir daí, Cortina está pertinho e é tanta paisagem que você esquece da quilometragem e do relógio. Ao chegar à cidade, procure um dos estacionamentos, que são gratuitos na baixa temporada. Este em que paramos fica perto da estação de ônibus da cidade, onde há banheiro público (€1) e comércio típico de estações, como lanchonetes, vending machines e suvenires.

estacionamento em Cortina
sinalização para estacionamento em Cortina

Outra opção: Se tiver mais tempo, na bifurcação da SS 51 siga à direita (foto abaixo), que continua com o nome de SS 51bis (aprendi, perdida em Paris, que bis quer dizer “é esse número, mas não exatamente esse número”). Na bifurcação, pegue a SS52 sentido Norte. Em seguida, as placas indicarão Auronzo e Misurina, e pegue a SS48, que também te leva a Cortina d’Ampezzo. Eu não fiz esse trecho, mas parece ser lindo.

Cortina a caminho foto Google

Para voltar a Veneza, pegue a SS51 e a A27. Leia mais abaixo as opções de lugares próximos a Cortina para visitar.

Como circular
Cortina é tão pequena que se você bobear acaba saindo dela achando que nem chegou (sim, aconteceu conosco! rsrsrs), então dá pra fazer tudo a pé. Para ir a outros pontos próximos, como Misurina ou Passo Falzarego, caso esteja sem carro, poderá usar ônibus de linha, que partem da rodoviária. Uma máquina automática vende bilhetes (€1,20 a unidade) e há uma de troco também. 

Trajetos de ônibus urbano na região de Cortina
Trajetos de ônibus urbano na região de Cortina
Rodoviária de Cortina
Rodoviária de Cortina

Câmeras ao vivo
Quer dar uma espiada ao vivo do alto das Montanhas? Este site tem 6 câmeras só na região de Cortina!

Vídeos do YouTube
Você vai encontrar vários, mas eu selecionei este pois tem mais imagens da primavera do que do inverno, mais comum de encontrar pois Cortina é um resort de esqui.

Este vídeo é profissional e mostra Cortina em todas as estações, trazendo uma ideia do quanto da pra se fazer por lá!

o Centrinho de Cortina
o Centrinho de Cortina

Onde ficar em Cortina d’Ampezzo
Como toda cidade turística, há hospedagem para todos os bolsos e gostos. O hotel que escolhi ficava no Lago Misurina, a apenas 15 km de Cortina e vou escrever sobre ele no post Lago Misurina. Fiz a reserva pelo Booking.com e se você fizer a sua através do blog Mulher Casada Viaja estará contribuindo para a manutenção do blog, pois recebo uma pequena comissão. Você não paga nada a mais por isso e faz um gesto simpático com quem passou horas para organizar este post. Grazie!

Estrada entre Cortina e Lago Misurina
Estrada entre Cortina e Lago Misurina

Visto, Passaporte e Carta Schengen
Não é necessário visto para entrar na Itália, apenas passaporte com validade superior a 6 meses e, como a Itália faz parte da Comunidade Europeia onde é exigida a Carta Schengen, há obrigatoriedade de contratação de seguro viagem. Além disso, seguro viagem não é só para o caso de você torcer o pé numa trilha ou sofrer um acidente. Malas extraviadas e tantas outras coisas que tornariam sua aventura inesquecível negativamente podem ser minimizadas com o seguro. O blog tem parceria com a Mondial Assistance,  que  oferece 15% de desconto para os leitores, desde que contratado através do link do blog. Neste link você encontra o código promocional

Língua e cultura
A língua oficial é o italiano e nesta parte das Dolomitas não há tanta influência tirolesa como na região mais a Oeste. A arquitetura é alpina, mas com um quê típico italiano. As poucas pessoas com quem tive contato foram atenciosas e simpáticas e usei o Inglês para me comunicar em restaurantes, centro de turistas e pousadas.

Cortina d Ampezzo
Pelas ruas de Cortina

Dinheiro/Moeda 
Com o IOF de 6% sobre o cartão de crédito, deixei para usá-lo em poucas situações e levei euros para quase todas as despesas. Se você decidir levar dinheiro, não se esqueça do moneybelt, aquela pochete de tecido que se usa entre a roupa íntima e a camiseta ou calças, que você compra em lojas de bolsas ou pela Internet. Nesta região não há batedores de carteira como em Roma ou Paris, mas é todo dinheiro que você tem na viagem, então melhor não correr riscos deixando-o em sua carteira. Outra coisa: nenhuma das pousadas em que fiquei tinha cofre nos quartos.

Quanto custa ir para Cortina d’Ampezzo
Claro que um mesmo destino pode ter variações enormes de custo, dependendo do perfil do viajante, da época do ano e de tantos outros fatores, mas deixo aqui uma ideia do quanto gastar, baseando-me nas despesas de junho/2016:

Hospedagem: média de €70 em hotéis ou pousadas simples (sem estrutura como piscina, spa, mas limpos e com restaurantes) com vista para montanhas e lagos.

Refeições: o preço não muda muito de uma cidade para outra e uma refeição simples (uma pizza ou massa com cerveja) não sai por menos de €15, mas sempre comemos com “uma vista: na piazza principal, em frente a uma montanha ou lago, etc.

Cortina d Ampezzo Dolomitas
mercadinho em Cortina: legumes, frutas, vinhos e queijos: faça seu picnic!

Pedágio e combustível: rodamos 3 dias por Veneza-Cortina-Misurina-Falzarego-Selva Gardena-Funes-Alpe di Siussi e Trento e gastamos €46 para reabastecer o carro antes de sua devolução à locadora. O custo do pedágio que só existe nas autoestradas e não nas estradinhas entre as montanhas, depende da quilometragem rodada. Para chegar a Funes nos perdemos e tivemos que rodar até achar uma saída, então gastamos € 7,50. Na saída de Funes a Siussi foram €3,80.

Não tem cofre, mas tem vista!
Não tem cofre, mas tem vista! Hotel Sorapiss

Voltagem/Tomadas
Não se esqueça do adaptador universal para tomadas e de um benjamim, pois alguns hotéis têm poucas tomadas para recarregar câmera, celulares, etc.

Fuso horário
Se não estivermos em horário de verão, na Itália são 5 horas mais tarde em relação ao horário de Brasília.

dicas da Itália

Temperatura/clima
Confira a previsão do tempo neste site das Dolomitas.

Quando ir a Cortina d’Ampezzo
Se você quiser ver neve, de novembro até março vai encontrar os picos, telhados e pinheiros cobertos por ela. Mas esqueça o carro nesta opção se você não tem experiência em dirigir com correntes nos pneus, que são obrigatórios. Leia mais em Dirigindo na Itália.

Se quiser fazer trilhas, usar sua bike ou simplesmente fugir da friaca dos Alpes, a partir de maio já dá para encarar os picos, onde venta muito e faz frio mesmo no final da primavera. Em 2016 a primavera foi chuvosa e o calor demorou a chegar. Nos rifugios e passos e no início da manhã ou à noite, precisei usar jaqueta corta vento mesmo no meio de junho! Se puer escolher, a alta temporada de verão, entre julho e agosto é o ideal – e quem sabe suas fotos ganham mais colorido do que as minhas com o sol!

Entre nas ruas residencias!
Entre nas ruas residências!

O que fazer em Cortina d’Ampezzo e região
Cortina foi apenas uma parada para almoço e passeamos um pouco pelo centrinho após a farta refeição típica italiana. Quase tudo estava fechado (hora de almoço+baixa temporada) e eu estava ansiosa para ir ao Rifugio Auronzo, então não ficamos muito por lá. Além da diferença entre uma viagem no inverno e no verão, há dois tipos de viagem nas Dolomitas e as sugestões dependerão de qual é a sua:

  1. contemplativa, para quem tem menos tempo, quando rodamos pelas estradas sinuosas, fazemos paradas, tomamos teleféricos para o alto das montanhas e fotografamos. A paisagem aliada às estradas sinuosas fazem das Dolomitas destino preferido de motoqueiros, ciclistas e por que não dos motoristas? Infelizmente foi o que cabia no meu roteiro, então conheci o centrinho, peguei folhetos no Uffici Turistico, dirigi até o Lago Misurina e subi de carro até o Rifugio Auronzo. No dia seguinte, ainda na região, fui a Passo Giau e ao Passo Falzarego. Neste, um teleférico te leva a 2,700 de altitude, no Rifugio Lagazuoi, aonde só não fui porque as montanhas estavam completamente encobertas e eu não veria nada. Falarei sobre estes passeios em posts à parte.
  2. imersão, para quem fica mais dias e faz trilhas para lagos, nas montanhas, visita as antigas trincheiras da Primeira Guerra Mundial. Nesta categoria podemos adicionar passeios de bicicleta, esqui e incontáveis esportes de inverno que nós moradores de países tropicais nem imaginamos. Se você tiver a sorte de ficar por lá para isso, o centro de informações turísticas tem diversos mapas gratuitos para você se orientar.

Centro de Informações Turísticas de Cortina d’Ampezzo
O Ufficio Turistico fica na Corso Italia, 81, fácil de achar pois é perto da igreja da cidade, cuja torre pode ser vista facilmente. Lá você pode pegar gratuitamente mapas de trilhas ou de pistas de ciclismo e receber informações de que precisar.

De Cortina a…
Lago Misurina: 15 km
Veneza: 158 km
Bolzano: 132 km
Innsbruck: 164 km

Minhas impressões de Cortina
Durante o planejamento de minha viagem, senti falta de informações mais específicas sobre Cortina, mas lá descobri que não há muito a escrever além do que já disse aqui, pois o grande barato mesmo é ficar pelas estradas e trilhas e usar os meios de elevação para ir ao topo das montanhas onde as estradas não chegam. Claro que quem fica na cidade vai curtir os restaurantes e comércio, mas a cidade é tão pequena que pode ser chamada de vila.  Na foto invernal abaixo, você vê a praça principal e a cidade se espalha pelas encostas das montanhas na forma de casinhas alpinas. Vale a pena? Se você gosta de natureza e de montanhas, a região das Dolomitas é o lugar certo para você. 

O Centro de Cortina no inverno, em foto do Expedia
O Centro de Cortina no inverno, em foto do Expedia

Depois de todas estas dicas dá pra planejar sua ida a Cortina, mas se você não tiver tempo ou paciência, você sabia que eu organizo roteiros e/ou presto assessoria para você montar sua própria viagem? Leia como funciona clicando aqui.

Não deixe de ler os posts sobre Veneza, com dicas de como chegar, um guia para você começar o planejamento, roteiro de uma primeira vez, e o que não fazer por lá, além de uma explicação de como Veneza foi construída sobre as águas.

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Alpe di Siussi
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 Dolomitas: guia para sua viagem
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Em breve sobre região das Dolomitas:
Val di Funes
Trento

 

 

 

Alpe di Siusi, o paraíso nos Alpes Italianos

Para ser feliz: uma trilha na montanhas, mochila nas costas e viver um sonho acordada
Para ser feliz: uma trilha nas montanhas, mochila nas costas e viver um sonho acordada

Se houvesse teletransporte e você fosse enviado por uma falha qualquer na programação para Alpe di Siusi, é provável que pensasse estar morto e ter ganhado o paraíso como destino final. Isso se fosse primavera no hemisfério Norte, claro, quando os campos verdes do maior platô de altitude europeu se enchem de flores selvagens amarelas e os sinos das vacas que por todo lado pastam deixam no ar fresco da montanha uma melodia cheia de paz para completar o clima de paraíso. OK, harpas seriam mais adequadas, mas não produzem som algum apenas com o movimento das simpáticas cabeças bovinas.

Dolomitas Alpe di Siussi
Eu no paraíso – e viva!

Eu não fui teletransportada: Alpe di Siusi era um dos três destinos da minha tão esperada viagem ao Alpes Italianos naquele início de Junho. Os demais foram Lago Misurina, nos arredores de Cortina D’Ampezzo, e Val di Funes. Entre um ponto e outro, estradas com tantas curvas quanto paisagens dramáticas, arquitetura ora alpina ora italiana e igrejinhas que parecem ter sido construídas com aqueles tijolinhos de madeira de nossa infância. Mas as montanhas eram as protagonistas e eu não conseguia parar de repetir “Ai, que lindo!”, para desespero de minha colega de viagem.

Dolomitas alpe di Siussi

Escrevi aqui as dicas para você se preparar para esta parte das Dolomitas. Outras regiões das Dolomitas, como Funes, Trento, Cortina d’Ampezzo podem ser encontrados na aba Destinos, no menu do blog. Achei muito pouco material em Português sobre as Dolomitas e tudo foi meio que uma surpresa, aprendendo por lá o que estou compartilhando agora. Aliás, percebi que poucas pessoas sabiam da existência das Dolomitas. Uma pena, porque para quem gosta de montanhas esta parte dos Alpes poderia se tornar a queridinha da Itália e da Europa.

Se você apreciar as dicas e quiser contribuir com a manutenção do blog (sim, é preciso pagar hospedagem), faça seu seguro viagem pela Mondial ou reserve seu hotel ou pousada pelo Booking.com clicando nestes links. O valor é o mesmo que você pagaria entrando diretamente no site deles e assim eu recebo uma comissão.

Dolomitas Alpe di Siussi

Quando ir às Dolomitas
É preciso uma boa pesquisa para decidir quando ir, pois restaurantes e lojas e até mesmo algumas pousadas fecham fora das temporadas de inverno (que vão de final de dezembro a março) e de verão (final de junho a setembro).
Dolomitas na PrimaveraOriginalmente eu iria em Março porque comprei uma passagem promocional, mas acompanhando o clima da região, percebi que tudo estaria coberto de neve e não era minha intenção esquiar (nem que eu quisesse, pois não sei), então mudei a passagem para junho, decisão acertada.
Dolomitas no Verão – No verão os dias tendem a ser mais limpos, possibilitando avistar todos os cumes (e são muitos!) e tornando os passeios mais leves, sem necessidade de jaquetas. Motoqueiros tomam as estradas, especialmente perto de Cortina d’Ampezzo e trekkers se esbaldam nas trilhas acessíveis a qualquer mortal ou em outras mais restritas, como as da via ferrata (leia post Dolomitas para saber sobre as trilhas). Vi fotos de Alpe di Siusi no verão e o tapete amarelinho já não enfeitava os campos.

Motoqueiros no Passo Giau
Motoqueiros no Passo Giau

Dolomitas no Inverno – Os Alpes fervem no inverno para a prática de esqui. A região das Dolomitas possui 17 resorts de esqui, com um total de 978 quilômetros de pistas (668 pistas individuais) e 573 meios de elevação! Em Alpe di Siussi, são 25 pistas.

Entendendo o que é Alpe di Siussi ou Seiser Alm
Siusi é a cidade (no detalhe da foto abaixo) na base do platô Alpe di Siussi. O nome em alemão é Seiser Alm. Alemão? Sim, esta parte da Itália pertencia ao Império Austro-húngaro até o final da Primeira Guerra Mundial, então os costumes do Tirol do Sul são mantidos por aqui. Isso hoje, porque durante os anos sob a ditadura de Mussolini a cultura tirol havia sido proibida. Uma outra língua é praticada por uma porcentagem menor da população, o ladino.

Alpe di Siusi é o maior platô de altitude europeu e está 2 mil metros (veja foto abaixo) acima do nível do mar. Do que mais gostei é a acessibilidade, pois enquanto muitas montanhas são apenas para os mais preparados, em Alpe di Siusi idosos, crianças e até pessoas com mobilidade reduzida podem caminhar pelas trilhas tendo os cumes tão próximos. Além dos meios de elevação, a estrutura é de invejar: estacionamento em dois níveis coberto e automatizado (e barato: €0,40/hora), lojas, restaurantes, banheiros limpos e bem equipados.
Alpe di siussi mapa foto

Como chegar a Siussi
Siusi fica na região Trentino Alto Ádige, também conhecida como Tirol do Sul, que faz fronteira com a Áustria e a Suíça. 
🚙 Viemos de carro de Funes, a cerca de 40 quilômetros do outro lado da cadeia de montanhas, e seguimos as placas que indicavam o ponto de saída do cable car, pois após as 9h a estrada é fechada para veículos.

Quase chegando a Siussi. Note que o alemão aparece antes do italiano nesta região
Quase chegando a Siussi. Note que o alemão aparece antes do italiano nesta região

🚄As cidades mais próximas com acesso por trem são Bolzano e Bressanone (Brixen) e a partir delas você pode alugar um carro, usar as linhas de ônibus ou contratar passeios em agências. Não há trens que cheguem diretamente às Dolomitas, seja aqui, seja mais a Leste, em Cortina d’Ampezzo.
✈ Os aeroportos mais próximos ficam em Salzburg, Munique e Innsbruck, na Áustria, e na Itália em Milão, Veneza, Verona e Bolzano.

Estando em Siusi, você tem duas opções: 1) subir pela estradinha sinuosa, o que é permitido somente antes das 9h e depois das 17h, a menos que você tenha reserva em um dos hotéis ou pousadas do platô; 2) tomar o cable car com 4.300 metros de extensão, que além de transporte é um passeio lindo, sobrevoando casas, campos com vaquinhas, trilhas, estradas.

Se você vem pela SS242 vindo de Selva di Val Gardena, há um outro cable car até Alpe di Siusi, que sai de Ortisei e tem 1.684 metros de extensão. Como chovia muito no dia em que passamos por lá, nem paramos, então não tenho dicas em primeira mão, mas o site oficial tem as informações de que você precisa.

Preço do bondinho para Alpe di Siusi
O bondinho custou €16 ida e volta, mas há diversas opções de passes semanais (€85) e anuais (a partir de €130). O Combi card parece mais vantajoso para quem vai trilhar por vários dias, porque permite subir e descer 3 vezes (€39). Outro combo dá uso irrestrito por 7 (€52) ou 14 dias (€76). Cães e bicicletas também podem pegar a carona para as nuvens. Para informações que você não encontrar no site da cidade, escreva para info@seiseralmbah.it

Para o infinito e além!
Para o infinito e além!
Dolomitas Alpe di Siussi
Indicação de trilhas em Alpe di Siusi e de hospedagem, no desembarque do cable car


Como circular em Siusi
Eu não circulei pois não tive tempo, mas a cidadezinha é uma graça, como todas as outras nas Dolomitas. Tirei uma foto do caderninho que retirei na estação do cable car que talvez ajude quem precisa se deslocar de transporte público.

As linhas de ônibus de Siussi
As linhas de ônibus de Siussi


Onde comer? nas alturas!
Depois que tirar dezenas de fotos, a fome bate e você se pergunta se há restaurantes ali no paraíso. Tome um outro cable car pertinho do ponto de desembarque do primeiro, o Puflatsch Bullaccia (€8), que te levará a um dos pontos com visual ainda mais incrível, conhecido como Bullaccia. Além destes que usamos, há um outro meio de elevação chamado Panoramico, mas não o usamos.

Alpe di Siussi Bullaccia

O cable car que leva a um ponto ainda mais alto: Bullaccia
O teleférico que leva a um ponto ainda mais alto: Bullaccia

No restaurante, o atendimento foi simpático, em inglês, por uma falante de alemão em trajes tiroleses que em breve estará no Brasil e Peru. A cerveja estava geladinha e aproveitei para comer um Schnitzel  (prato típico austríaco, mas que além do nome não tem nada de chique: é na verdade um empanado ou carne à milanesa). O preço, apesar do local exclusivo e especial, foi o mesmo que em outro café ou osteria italiana.

Dolomitas Alpe di Siussi Itália

O restaurante disponibiliza espreguiçadeiras. A natureza, a vista
O restaurante disponibiliza espreguiçadeiras. A natureza, a vista

 

Ah, mas eu tô rindo à toa!

Além da vista espetacular, o restaurante oferece as espreguiçadeiras e um playground para as crianças.

Dolomitas Alpe di Siussi o que fazer

Um outro ponto pertinho do restaurante é um círculo com indicação de todas as montanhas que dali podem ser avistadas:

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Chove em Sassolungo, uma das mais montanhas mais altas, com 3.181 metros

Depois do almoço, descemos o primeiro cable car e compramos lembrancinhas e suvenires. Aí eu vi este restaurante perto das lojas e da estação do bondinho, com mais uma vista imperdível e não resisti a um cappuccino. Quem pode me culpar?

restaurantes nas Dolomtias

Câmeras on line
Clique aqui para acessar a câmera on line panorâmica 360° em Alpe di Siusi. Se for noite na Itália, deixe para o dia seguinte, pois as câmeras são ao vivo. E não se esqueça que são 5 horas mais tarde na Itália em relação ao Brasil.

Leia dicas de como dirigir na Itália e minha experiência
dirigindo nas Dolomitas e na Toscana neste post

As bruxas do Sciliar
Eu sabia que devia ter uma explicação para eu ter ficado tão encantada, enfeitiçada por essas montanhas rsrsrs. Alpe di Siusi tem uma tradição de bruxaria desde o início dos tempos. Calma, na verdade, as “bruxas” eram mulheres que curavam doenças com ervas e faziam rituais para obterem uma boa colheita, coisas comuns antes do Cristianismo. Pesquisadores acreditam que antes delas este ponto havia sido local de cultos durante o neolítico (8 mil a mill AC), e que nesses bancos de pedra que podem ser alcançados numa caminhada fácil de 1,5 hora a partir de Bullaccia, deusas eram adoradas.

bullaccia

Então, se a atração exercida por estas montanhas é coisa de bruxaria, eu não sei. Que o lugar parece um estereotipado paraíso tenho certeza, assim como sei que você deveria conferir com seus próprios sentidos. Boas Dolomitas para você!

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