Por onde meus pés andaram em 2016

Não foi um ano fácil. Os resultados da crise política e econômica se escancararam e trouxeram grandes mudanças de comportamento na vida dos brasileiros. Muita gente cortou ou simplificou os destinos de viagem – e esses são os privilegiados, porque muitos fecharam seu pequeno negócio, perderam o emprego ou tiveram que aceitar fazer o trabalho de um colega demitido recebendo o mesmo salário e esticando a jornada.

Também senti diferenças em dois pontos: como professora de Português para estrangeiros, vi a diminuição da chegada de alunos de pós graduação por aqui (meu público alvo), afinal, o Brasil já não está com a bola toda que Lula vendeu ao exterior. Ou seja, minha renda caiu. Como blogueira de viagem, percebi que imagens compartilhadas que falavam sobre a dificuldade de viajar ganhavam mais likes do que imagens de destinos turísticos e o blog teve menos acesso agora em novembro e dezembro (quando as pessoas planejam as féras de verão e Carnaval) do que em anos anteriores.

imagem que circulou nas redes sociais
imagem que circulou nas redes sociais

Eu não consegui manter a mesma média de viagens de outros anos, mas apesar de tudo consegui fazer duas viagens internacionais: fui à Itália pela terceira vez e aos Estados Unidos pela… (parei de contar), escolhendo a Califórnia, desta vez. Faço aqui então um post fotográfico como parte da blogagem coletiva do Bloggers Out and About, grupo do qual faço parte.

Itália, em junho/2016

Não foi fácil esperar por esta viagem. Primeiro porque a anterior tinha sido em dezembro de 2015 e depois porque o intervalo parecia infinito: eu havia comprado o bilhete (promocional, meio por impulso) para março, mas adiei porque ainda estaria muito frio e nevado nas montanhas e porque tive fortes dores nas pernas que se foram como surgiram.

Seguem os lugares por onde passei em 2016:

Ainda não escrevi sobre Milão, que não está entre minhas cidades preferidas da Itália, mas passei duas noites por lá por causa dos voos de chegada e saída.

patio do Castello Sforzesco e as papoulas vermelhas
Patio do Castello Sforzesco e as papoulas vermelhas

Siena é muito querida e duas noites por lá permitiram que conhecesse muitos lugares que não havia visto em minha primeira visita relâmpago. Difícil foi escolher uma só imagem de lá, pois tenho fotos lindas.

vista privilegiada!
vista privilegiada!

Toscana – As cidadezinhas medievais e os campos toscanos estão nos planos e sonhos de muita gente e fui atestar o porquê. No caminho de Siena a Montepulciano, uma parada para fotografar a primeira estradinha de ciprestes:

Toscana estrada de ciprestes

Adoro observar o desenho dos tijolos remendando as paredes e imaginar onde e como eram as janelas e portas originais…

Toscana Montepulciano

Depois de almoçar em Montepulciano, passamos em uma cidade lindinha, Pienza:

Toscana Pienza

Já no final da tarde, uma paradinha em outra cidade sobre um monte: San Quirino d’Órcia.

Torre, em San Quirino d'Órcia
Torre, em San Quirino d’Órcia e a nona

O Valle d’Órcia, que engloba Montalcino, Pienza, Casteglione d’Orcia e San Quirino d’Orcia personifica a imagem toscana de estradinhas ladeadas por ciprestes, fenos e estábulos de pedra, campos arados e considero um presente ter encontrado, bem por acaso, um de seus cartões postais, a Capela de Vitaleta:

toscana Vale d'Órcia

Não conseguimos encontrar a estrada para chegar perto dela, então fotografamos da SP 146, que liga Pienza a San Quirino d’Órcia, mas o GoogleMaps me mostrou depois onde é, e deixo de presente para você a localização exata aqui.

Dormimos em um agriturismo aos pés de Montalcino, um apartamento alugado em uma fazenda produtora, com vizinhos no melhor estilo toscano: ralhou porque fotografei o pátio típico italiano onde devem acontecer as refeições em família no dias de verão. Ainda aprendo italiano para não passar por situações como esta… e porque a língua é linda, va bene!

a casa do meu "vizinho"
a casa do meu “vizinho”

Era dia de conhecer Montalcino e fomos presenteadas, minha colega de viagem e eu, por uma paisagem única: a cidade acima das nuvens!

toscana Montalcino

De Montalcino, seguimos para San Gimignano, e no caminho paramos em Colle di Val d’Elsa, uma cidade não tão bonita, mas autêntica, sem muita maquiagem e com poucos turistas.

Toscana Colle di Val d'Elsa
a bem preservada fortaleza de Val d’Elsa

Ainda tínhamos San Gimignano e se não estivéssemos cansadas demais, Volterra, que acabou ficando para uma próxima!

Toscana San Gimignano

A próxima noite foi em Siena, de onde pegaríamos o trem para Veneza, que nos recebeu sob muita chuva! Era minha terceira vez na cidade, que sempre tem algo novo para ver e fazer, como assistir a um concerto na igreja San Vidal:

veneza concerto em igreja

Ainda não escrevi sobre nenhum desses destinos, mas tem várias dicas sobre Veneza, Roma, Florença e outras cidades italianas aqui.

Em Veneza alugamos um carro e dirigimos em direção aos Alpes, para conhecer as Dolomitas, cadeia de montanhas com picos lindos, pastos de altitude e lagos. Dicas para dirigir na Itália estão neste post.

A primeira parada foi Cortina d’Ampezzo, cidade-resort de esqui, onde não importa a direção, tem uma montanha linda para se ver:

Cortina d Ampezzo Dolomitas

Passamos a noite no Lago Misurina, mas antes subimos até o Rifugio Auronzo:

Trilha próxima ao Rifugio Auronzo
Trilha próxima ao Rifugio Auronzo
O Lago Misurina, a 15 km de Cortina
O Lago Misurina, a 15 km de Cortina

O dia seguinte foi de chuva, muita chuva, o que  nos impediu de subir a picos e aproveitar as paisagens, mas conseguimos uma primeira parada em Passo Falzarego e Passo Giau sem nos molharmos, avistando muitas vaquinhas pelo caminho.

passo-falzarego Dolomitas

Passo Giau
Passo Giau

A região de Val Gardena é linda, mas infelizmente vimos pouco pelo parabrisa molhado do carro.

O restaurante onde almoçamos, a caminho de Funes
O restaurante onde almoçamos, a caminho de Funes

Passamos a noite em Val di Funes, um lugar isolado, de estradinhas sinuosas e casinhas alpinas. Mas valeu acordar com esta vista:

Da varandinha da Pensão Sass Rigais, eu vi o céu azul
Da varandinha da Pensão Sass Rigais, eu vi o céu azul

Assim como em Val d’Orcia, as Dolomitas também têm sua igrejinha cartão postal:

Val di Funes, nas Dolomitas
Val di Funes, nas Dolomitas

E chegamos ao nosso destino final das Dolomitas: Alpe di Siusi, o maior planalto europeu de altitude:

Alpe di Siusi
Alpe di Siusi

Já escrevi todos os posts sobre as Dolomitas, que você pode conferir clicando aqui.

A cidade de Bolzano estava na rota, mas acabamos indo direto a Trento, aquela do concílio… Descobri uma cidade linda, com vista para as montanhas e uma piazza escantadora!

trento Itália
Não tem como não se apaixonar pelas praças italianas…

trento

Carro devolvido, tomamos um trem para Verona, antes de nosso retorno a Milão.

verona
Piazza delle erbe, Verona

E como sempre tem um chorinho, o voo de retorno tinha uma conexão longa em Lisboa, quando aproveitamos para passear pela cidade:

O Rio Tejo visto do Elevador Santa Justa
O Rio Tejo visto do Elevador Santa Justa

 

Califórnia, EUA, em Setembro de 2016
A expectativa também era grande: eu e o maridão visitaríamos as mesmas cidades aonde fomos há 20 anos, em nossa primeira viagem internacional, mas desta vez levaríamos a filhota junto!

Começamos pelo Sul, San Diego:

Praia de Coronado
Praia de Coronado

Uma paradinha rápida em Anaheim para ir à Disneyland e depois Los Angeles…

Disneyland Califórnia

los angeles Hollywood

… e seguimos para o destino que mais me interessava: Yosemite!

El Captain
El Captain, em Yosemite

Era hora de voltar ao litoral e curtimos 3 noites na charmosa São Francisco:

São Francisco

De lá, a região de Monterey com seu belo litoral caracterizado por pinheiros, encostas e muita vida marinha:

monterey-california

Pertinho de Monterey, fica a charmosa cidadezinha Carmel e lá o condomínio Pebble Beach, com belas vistas do mar pela estrada chamada 17-mile-Drive, onde fica o famoso Cipreste Solitário:

O cipreste solitário, na 17-mile drive
O cipreste solitário, na 17-mile drive
tem pebbles, mas não é Pebble beach.
tem pebbles, mas não é Pebble beach.

O tempo não favoreceu belas fotos no dia que fizemos a tradicional “descida” da HW-1, estava muito nublado, mas a beleza do lugar não foi ofuscada e para minha felicidade conseguimos parar em todos recuos em acostamento da Big Sur.

Pfeifer Beach, na CA-1
Pfeifer Beach, na CA-1

Como tínhamos feito a região de Carmel no dia anterior, esticamos de uma só vez, de Monterey a Los Angeles, fazendo uma parada para almoçar em Solvang, que fica no lindo vale Santa Inez, pertencente a Santa Bárbara.

a rua principal de Solvang
a rua principal de Solvang

E como viajar é mais do que estar no destino, vi muitas paisagens douradas pelo caminho, fossem dos campos, fossem do por do sol ou das colinas secas, entendendo porque chamam a Califórnia de O Estado Dourado. Para ler sobre a Califórnia, clique aqui.

campos-dourados-1-2

E o que 2017 trará? Como sonhar é o primeiro passo, gostaria de ir à Suíça ou ao Sul da Alemanha no segundo semestre. Se os deuses sorrirem para mim, Marrocos cairia bem. De certo, tenho o Deserto do Atacama e Santiago do Chile chegando, então vêm dicas quentes em março.

Um bom ano para todos vocês e não se esqueçam: sonhar, planejar, economizar, viajar.

Abraços!

 

 

 

 

 

 

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