O que Fazer em Trento: roteiro de 1 dia

“Decidi onde vou viver quando me mudar pra Itália!”, disse para minha colega de viagem assim que avistei a piazza duomo da janela do apartamento alugado em Trento, com a mesma certeza que tive em tantas outras cidades que conheci, como Vancouver no Canadá, São Francisco nos EU, Budapeste na Hungria… O devaneio continuou no dia seguinte, quando vi no horizonte, espremidas nas ruas estreitas e entre os predinhos alinhados, as montanhas alpinas, e prosseguiu quando passei em frente à universidade de Letras de Trento. Mas este post não é sobre meus sonhos de viver ali – ou fora daqui -, mas sim para compartilhar o que há para fazer em Trento, uma cidade fora dos roteiros tradicionais dos brasileiros que vão à Itália, mas que merece um lugar ao Sol, se você tiver além de 15 dias na Itália ou se já provou a bota noutra oportunidade.

Norte da Itália

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Por onde meus pés andaram em 2016

Não foi um ano fácil. Os resultados da crise política e econômica se escancararam e trouxeram grandes mudanças de comportamento na vida dos brasileiros. Muita gente cortou ou simplificou os destinos de viagem – e esses são os privilegiados, porque muitos fecharam seu pequeno negócio, perderam o emprego ou tiveram que aceitar fazer o trabalho de um colega demitido recebendo o mesmo salário e esticando a jornada.

Também senti diferenças em dois pontos: como professora de Português para estrangeiros, vi a diminuição da chegada de alunos de pós graduação por aqui (meu público alvo), afinal, o Brasil já não está com a bola toda que Lula vendeu ao exterior. Ou seja, minha renda caiu. Como blogueira de viagem, percebi que imagens compartilhadas que falavam sobre a dificuldade de viajar ganhavam mais likes do que imagens de destinos turísticos e o blog teve menos acesso agora em novembro e dezembro (quando as pessoas planejam as féras de verão e Carnaval) do que em anos anteriores.

imagem que circulou nas redes sociais
imagem que circulou nas redes sociais

Eu não consegui manter a mesma média de viagens de outros anos, mas apesar de tudo consegui fazer duas viagens internacionais: fui à Itália pela terceira vez e aos Estados Unidos pela… (parei de contar), escolhendo a Califórnia, desta vez. Faço aqui então um post fotográfico como parte da blogagem coletiva do Bloggers Out and About, grupo do qual faço parte.

Itália, em junho/2016

Não foi fácil esperar por esta viagem. Primeiro porque a anterior tinha sido em dezembro de 2015 e depois porque o intervalo parecia infinito: eu havia comprado o bilhete (promocional, meio por impulso) para março, mas adiei porque ainda estaria muito frio e nevado nas montanhas e porque tive fortes dores nas pernas que se foram como surgiram.

Seguem os lugares por onde passei em 2016:

Ainda não escrevi sobre Milão, que não está entre minhas cidades preferidas da Itália, mas passei duas noites por lá por causa dos voos de chegada e saída.

patio do Castello Sforzesco e as papoulas vermelhas
Patio do Castello Sforzesco e as papoulas vermelhas

Siena é muito querida e duas noites por lá permitiram que conhecesse muitos lugares que não havia visto em minha primeira visita relâmpago. Difícil foi escolher uma só imagem de lá, pois tenho fotos lindas.

vista privilegiada!
vista privilegiada!

Toscana – As cidadezinhas medievais e os campos toscanos estão nos planos e sonhos de muita gente e fui atestar o porquê. No caminho de Siena a Montepulciano, uma parada para fotografar a primeira estradinha de ciprestes:

Toscana estrada de ciprestes

Adoro observar o desenho dos tijolos remendando as paredes e imaginar onde e como eram as janelas e portas originais…

Toscana Montepulciano

Depois de almoçar em Montepulciano, passamos em uma cidade lindinha, Pienza:

Toscana Pienza

Já no final da tarde, uma paradinha em outra cidade sobre um monte: San Quirino d’Órcia.

Torre, em San Quirino d'Órcia
Torre, em San Quirino d’Órcia e a nona

O Valle d’Órcia, que engloba Montalcino, Pienza, Casteglione d’Orcia e San Quirino d’Orcia personifica a imagem toscana de estradinhas ladeadas por ciprestes, fenos e estábulos de pedra, campos arados e considero um presente ter encontrado, bem por acaso, um de seus cartões postais, a Capela de Vitaleta:

toscana Vale d'Órcia

Não conseguimos encontrar a estrada para chegar perto dela, então fotografamos da SP 146, que liga Pienza a San Quirino d’Órcia, mas o GoogleMaps me mostrou depois onde é, e deixo de presente para você a localização exata aqui.

Dormimos em um agriturismo aos pés de Montalcino, um apartamento alugado em uma fazenda produtora, com vizinhos no melhor estilo toscano: ralhou porque fotografei o pátio típico italiano onde devem acontecer as refeições em família no dias de verão. Ainda aprendo italiano para não passar por situações como esta… e porque a língua é linda, va bene!

a casa do meu "vizinho"
a casa do meu “vizinho”

Era dia de conhecer Montalcino e fomos presenteadas, minha colega de viagem e eu, por uma paisagem única: a cidade acima das nuvens!

toscana Montalcino

De Montalcino, seguimos para San Gimignano, e no caminho paramos em Colle di Val d’Elsa, uma cidade não tão bonita, mas autêntica, sem muita maquiagem e com poucos turistas.

Toscana Colle di Val d'Elsa
a bem preservada fortaleza de Val d’Elsa

Ainda tínhamos San Gimignano e se não estivéssemos cansadas demais, Volterra, que acabou ficando para uma próxima!

Toscana San Gimignano

A próxima noite foi em Siena, de onde pegaríamos o trem para Veneza, que nos recebeu sob muita chuva! Era minha terceira vez na cidade, que sempre tem algo novo para ver e fazer, como assistir a um concerto na igreja San Vidal:

veneza concerto em igreja

Ainda não escrevi sobre nenhum desses destinos, mas tem várias dicas sobre Veneza, Roma, Florença e outras cidades italianas aqui.

Em Veneza alugamos um carro e dirigimos em direção aos Alpes, para conhecer as Dolomitas, cadeia de montanhas com picos lindos, pastos de altitude e lagos. Dicas para dirigir na Itália estão neste post.

A primeira parada foi Cortina d’Ampezzo, cidade-resort de esqui, onde não importa a direção, tem uma montanha linda para se ver:

Cortina d Ampezzo Dolomitas

Passamos a noite no Lago Misurina, mas antes subimos até o Rifugio Auronzo:

Trilha próxima ao Rifugio Auronzo
Trilha próxima ao Rifugio Auronzo
O Lago Misurina, a 15 km de Cortina
O Lago Misurina, a 15 km de Cortina

O dia seguinte foi de chuva, muita chuva, o que  nos impediu de subir a picos e aproveitar as paisagens, mas conseguimos uma primeira parada em Passo Falzarego e Passo Giau sem nos molharmos, avistando muitas vaquinhas pelo caminho.

passo-falzarego Dolomitas

Passo Giau
Passo Giau

A região de Val Gardena é linda, mas infelizmente vimos pouco pelo parabrisa molhado do carro.

O restaurante onde almoçamos, a caminho de Funes
O restaurante onde almoçamos, a caminho de Funes

Passamos a noite em Val di Funes, um lugar isolado, de estradinhas sinuosas e casinhas alpinas. Mas valeu acordar com esta vista:

Da varandinha da Pensão Sass Rigais, eu vi o céu azul
Da varandinha da Pensão Sass Rigais, eu vi o céu azul

Assim como em Val d’Orcia, as Dolomitas também têm sua igrejinha cartão postal:

Val di Funes, nas Dolomitas
Val di Funes, nas Dolomitas

E chegamos ao nosso destino final das Dolomitas: Alpe di Siusi, o maior planalto europeu de altitude:

Alpe di Siusi
Alpe di Siusi

Já escrevi todos os posts sobre as Dolomitas, que você pode conferir clicando aqui.

A cidade de Bolzano estava na rota, mas acabamos indo direto a Trento, aquela do concílio… Descobri uma cidade linda, com vista para as montanhas e uma piazza escantadora!

trento Itália
Não tem como não se apaixonar pelas praças italianas…

trento

Carro devolvido, tomamos um trem para Verona, antes de nosso retorno a Milão.

verona
Piazza delle erbe, Verona

E como sempre tem um chorinho, o voo de retorno tinha uma conexão longa em Lisboa, quando aproveitamos para passear pela cidade:

O Rio Tejo visto do Elevador Santa Justa
O Rio Tejo visto do Elevador Santa Justa

 

Califórnia, EUA, em Setembro de 2016
A expectativa também era grande: eu e o maridão visitaríamos as mesmas cidades aonde fomos há 20 anos, em nossa primeira viagem internacional, mas desta vez levaríamos a filhota junto!

Começamos pelo Sul, San Diego:

Praia de Coronado
Praia de Coronado

Uma paradinha rápida em Anaheim para ir à Disneyland e depois Los Angeles…

Disneyland Califórnia

los angeles Hollywood

… e seguimos para o destino que mais me interessava: Yosemite!

El Captain
El Captain, em Yosemite

Era hora de voltar ao litoral e curtimos 3 noites na charmosa São Francisco:

São Francisco

De lá, a região de Monterey com seu belo litoral caracterizado por pinheiros, encostas e muita vida marinha:

monterey-california

Pertinho de Monterey, fica a charmosa cidadezinha Carmel e lá o condomínio Pebble Beach, com belas vistas do mar pela estrada chamada 17-mile-Drive, onde fica o famoso Cipreste Solitário:

O cipreste solitário, na 17-mile drive
O cipreste solitário, na 17-mile drive
tem pebbles, mas não é Pebble beach.
tem pebbles, mas não é Pebble beach.

O tempo não favoreceu belas fotos no dia que fizemos a tradicional “descida” da HW-1, estava muito nublado, mas a beleza do lugar não foi ofuscada e para minha felicidade conseguimos parar em todos recuos em acostamento da Big Sur.

Pfeifer Beach, na CA-1
Pfeifer Beach, na CA-1

Como tínhamos feito a região de Carmel no dia anterior, esticamos de uma só vez, de Monterey a Los Angeles, fazendo uma parada para almoçar em Solvang, que fica no lindo vale Santa Inez, pertencente a Santa Bárbara.

a rua principal de Solvang
a rua principal de Solvang

E como viajar é mais do que estar no destino, vi muitas paisagens douradas pelo caminho, fossem dos campos, fossem do por do sol ou das colinas secas, entendendo porque chamam a Califórnia de O Estado Dourado. Para ler sobre a Califórnia, clique aqui.

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E o que 2017 trará? Como sonhar é o primeiro passo, gostaria de ir à Suíça ou ao Sul da Alemanha no segundo semestre. Se os deuses sorrirem para mim, Marrocos cairia bem. De certo, tenho o Deserto do Atacama e Santiago do Chile chegando, então vêm dicas quentes em março.

Um bom ano para todos vocês e não se esqueçam: sonhar, planejar, economizar, viajar.

Abraços!

 

 

 

 

 

 

Funes? Nas Montanhas Dolomitas!

Este post faz parte de uma série sobre a viagem ao Norte da Itália, mais especificamente nas Montanhas Dolomitas, nos Alpes. Aqui eu conto sobre Funes e a experiência de hospedagem por lá e desafio você a dizer se já ouviu alguma vez falar nesse lugar! Relaxe, eu também nunca tinha ouvido falar, mas leia como a desconhecida Funes entrou no meu roteiro:

O cenário encantado das Dolomitas, em Funes

Dolomitas: um sonho realizado
Esse sonho não é meu, tomei emprestado! Durante o planejamento de minha viagem às Dolomitas eu li vários posts, a maioria em Inglês, pois os blogs brasileiros que encontrei a respeito, além de escassos, traziam poucas informações práticas. Entretanto, de um deles eu gostei por causa da historia: a viajante havia visto uma imagem das Dolomitas no Google, mas não sabia onde ficava especificamente aquela igrejinha no vale verde emoldurado por picos de agulha ainda nevados. Até que um dia seu marido traz a informação de que se tratava de Funes, onde eles registram a própria foto no mesmo ponto da imagem típica de calendário. E Funes entrou na minha rota, também, e passei uma noite numa pousadinha ali pertinho da Igrejinha em Santa Madalena, da foto acima. Se você quiser ler a historia e ver o roteiro deles, clique aqui. 

Como tomei o sonho emprestado, achei que o céu azul viesse junto, sqn! Funes foi a parada final de nosso segundo dia nas Dolomitas, quando dirigimos desde o Lago Misurina sob chuva e frio de final de primavera. Frustrante, até, pois não conseguimos fazer muitas paradas por causa da chuva e deixamos de subir por teleférico a alguns passos com vistas espetaculares em dias claros. Leia sobre este segundo dia nas Dolomitas em roteiro de 3 dias nas Dolomitas e sobre o primeiro em Cortina d’Ampezzo num bate volta de Veneza. Outros posts sobre esta viagem têm os links no final desta publicação.

E tinha sido assim o dia todo...
Sass Rigais quando chegamos

Apesar da curta distância entre Lago Misurina e Funes – cerca de 130 km com alguns desvios, uns voluntários, outros nem tanto (sim, erramos algumas entradas e nos perdemos feio), o cansaço por dirigir em estradas sempre sinuosas e estreitas e a chuva constante geraram uma tensão que só acabou quando deitei na cama e dormi.

 

Funes ou Villnoess tem apenas 80 quilômetros quadrados e vilarejos alpinos: San Pietro, Tiso, San Valentino, San Giacomo, Santa Madalena e Colle. E se você estiver achando o local a cara da Áustria ou da Suíça, tem razão: a região não pertencia à Itália até o final da Primeira Guerra Mundial e lá se fala, além do italiano, alemão e ladino.

Pension Sass Rigais
A pousada Sass Rigais fica numa rua sem saída, já dentro dos limites do Parco Naturale Puez Odle, tanto que é preciso passar pela guarita de estacionamento, mas só pela manhã consegui ver as montanhas e achei que apesar do sufoco pra chegar ali tinha valido a pena passar a noite num lugar tão especial.

Sass Rigais Funes bolzano
Mesas externas da pousada

Sass Rigais Funes

A pousada é administrada por uma família e tem 16 quartos simples com um lavatório e 4 banheiros compartilhados no corredor. Achei tudo muito limpo e organizado, principalmente os banheiros, que davam a impressão que eu estava dormindo na casa de uma tia: tapetinhos artesanais, cortina floral na janela, vasinho na pia… Sair do banheiro vestindo pijamas também dá essa impressão! 😄 O jantar estava incluso em nossa estadia e era típico italiano: uma entrada de salada e 2 pedaços de pizza (!), uma carne com ares gourmet (não aguentei comer) e uma sobremesa.

Sass Rigais, as montanhas no quintal da pousada
Da varandinha do quarto, eu vi o céu azul

O café da manhã era bem servido e a o restaurante tem janelinhas com cortinas (eles se cansam da vista?). O aquecedor central estava desligado porque era primavera (!), mas o edredom era tão quente e o isolamento térmico tão bem feito que não sentimos frio.

Janela do restaurante no Sass Rigais
Janela do restaurante no Sass Rigais

Difícil foi a comunicação com os funcionários, pois fora a proprietária, que falava inglês, os demais só falavam alemão. Mas nada que linguagem gestual não resolva, e fica tudo mais engraçado.

Como sempre acontece em regiões montanhosas, acordei cedo, fiz a foto (acima) dos meus pés com as montanhas ao fundo, peguei umas frutas secas e fui passear. As trilhas estão praticamente no quintal da pousada, mas como há muitos pinheiros, quase não se veem as montanhas. São bem sinalizadas e cuidadas e têm canaletas de madeira para escoamento da água, evitando erosão.

Sass Rigais Funes-17
indicação das trilhas

Sass Rigais Funes-11 Sass Rigais Funes-12

 

Sass Rigais Funes-16
a trilha é bem larga e bem cuidada

O passeio foi prazeroso. A luz do sol evaporava a umidade deixada pelo dia anterior e dava pra ver a fumacinha saindo dos gramados e cercas. Os trilheiros e bikers só começaram a chegar quando eu voltava para a pousada para o café da manhã. Depois disso, posamos para uma foto e seguimos para Alpe di Siussi, um lugar tão lindo que parece o paraíso na Terra – você tem que ler o post!

Quintal da Pension Sass Rigais
Quintal da Pension Sass Rigais

No caminho, paradinha para fotos em Santa Madalena, onde fica uma das capelinhas mais fotografadas das Dolomitas, a S. Giovanni:

A capela S. Giovanni, em Funes
A capela S. Giovanni, em Funes

sta magdalena-1

Vídeo feito por um drone da região de Val di Funes, publicado no YouTube. Lindo de ver!

Abaixo, mapa da rede de transporte coletivo que serve a região, caso voce esteja sem carro:

val-di-funes

Depois de Alpe di Siusi e de uma noite e um dia em Trento, cidade com vista para as Dolomitas, voltei com a certeza de que preciso ir de novo. Esta viagem teve mudanças de data e de objetivo e um dia espero conseguir cumprir a ideia original: ficar 10 dias só na região, sem carro, usando transporte público e os meios de elevação, dormir em refúgios, quartos compartilhados. Pois a sensação é que vi apenas o trailer de um filme longo e impactante.

Posts Relacionados às Dolomitas (clique sobre os títulos)

 

Lago Misurina e Refúgio Auronzo

A criança que habita em mim não via a hora de chegar ao Rifugio Auronzo. Ela estava agitada, ansiosa por estar em seu parque de diversões preferido: as montanhas. Há poucas horas havia visto os primeiros carneiros pastando tendo como pano de fundo Os Alpes. Tinha guiado por uma estradinha sinuosa entre Cortina d’Ampezzo e Lago Misurina, onde a criança fez meu corpo saltitar de alegria – e depois registrar um saltinho tímido numa foto. Minha filha adolescente morre de vergonha quando faço isso, mas não ligo, a criança é mais forte que o mico, e um dia minha filha cresce e volta a ser criança, permitindo-se saltitar na alegria.

dicas da Itália
eu, o hospital para crianças asmáticas e as montanhas Tre Cime di Lavaredo

Se sua criança também curte saltitar em destinos de montanha, você vai entender minha cara de felicidade no alto do Rifugio Auronzo quando assistir ao filminho não profissional-super-caseiro-de-quem-só-usava-Movie-Maker-pra-fazer-retrospectiva-de-aniversário – cujo link está no final deste post. Eu não conseguia parar de sorrir. É isso o que as viagens fazem com a gente, principalmente naqueles destinos onde a gente se encontra com nossa criança interior.

O Lago Misurina
A estrada que liga Cortina d’Ampezzo até Misurina é, como todas as outras das Dolomitas, sinuosa e com vistas lindas de paredões rochosos. Vaquinhas pastando completam a experiência sensorial – não olfativa, como você pode pensar, mas auditiva: seus sinos badalam a ao movimento de suas cabeças ao comer ou ao posar para as câmeras dos turistas. Quando a estrada fica plana e reta, é inevitável parar para fotografar as montanhas Tre Cime di Lavaredo que se vêem ao fundo, como na foto acima. O prédio amarelo é um hospital, maior referência italiana para crianças asmáticas, instalado 1.750 metros acima do nível do mar e entre montanhas, lugar perfeito para quem tem doenças respiratórias e fome de paisagens lindas, mas me pareceu um tanto quanto silencioso demais. Acho que eu deveria ter ouvido ao menos uma tosse quando passeei em seus jardins, mas nada…

O Hospital Infantil para Asmáticos
O Hospital Infantil para Asmáticos
Na trilha que circunda o lago
Na trilha que circunda o lago

O lago é pequeno, tem menos de 3 km e uma trilha fácil, plana e com bancos para descanso ou apreciação o circunda, podendo ser feita por crianças e idosos sem problema. Além das Tre Cime, outras montanhas compõem a paisagem do lago: Cristallino e Sorapis, então é fácil encontrar motivos para fotografar em sua visita ao Misurina. Em dias claros e sem vento, infelizmente não foi o caso, as montanhas se duplicam nas águas e nos dias de inverno o lago de apenas 5 metros de profundidade congela e vira uma pista de patinação, tendo inclusive sido local das competições de patinação de velocidade nas Olimpíadas de Inverno de 1956, que aconteceram em Cortina d’Ampezzo.

O Monte Sorapis
O Monte Sorapis
O Misurina congelado
O Misurina congelado
Teleférico para Rifugio Coll de Varda
Teleférico para Rifugio Col de Varda

Além de caminhar, relaxar, fotografar e admirar a paisagem, há um teleférico que chega ao Rifugio Col de Varda, a 2.106 metros de altitude, e que deve dar uma bela vista panorâmica do lago e das montanhas próximas, mas estava fechado  no dia em que estive lá.

Leia os outros posts sobre as Dolomitas, cujos links estão no final deste.

 Senta que lá vem historia
Misurina era, segundo a lenda e a Wikipedia, a neta (ou filha, de acordo com outra fonte) mimada de um amado e generoso rei, que se rendia a seus impulsivos caprichos. Um dia Misurina ouviu dizer que uma bruxa que vivia numa montanha próxima possuía uma espelho que permitia a seu dono ver tudo o que acontecia no mundo.  Misurina esperneou e fez tanta birra que o bondoso rei foi ter com a bruxa, que barganhou a troca transformando-o em uma montanha (a Sorapiss!) para sombrear sua horta de ervas. Ao descobrir o sacrifício de seu amado avô, Misurina chorou tanto que encheu um rio – ou um lago – de lágrimas. E o espelho? Ninguém me contou, mas acho que são as lágrimas depositadas no lago que refletem o mundo no Misurina.

misurina reflexo
O Sorapiss refletido nas águas do Misurina em foto que não é minha…

Eu escolhi ficar no Lago Misurina pela paisagem, embora a de Cortina d’Ampezzo também seja linda, mas me preocupava saber se haveria restaurantes abertos à noite para o jantar, já que estávamos fora de temporada se só há uns 10 edifícios ali no lago. Então fizemos umas comprinhas em Cortina: frutas, queijos, pães e vinho, mas há hotéis que servem também não hóspedes, descobri lá.

Bem, não me lembro que horas eram, mas devia ser perto das 15h quando fizemos o check in no Hotel Sorapiss rapidamente e voltamos ao nosso carrinho para subir ao Rifugio Auronzo.

Sobre aluguel de carro na Itália e dicas de direção por lá, leia Dirigindo na Itália 

Cai a noite no Lago Misurina
Cai a noite no Lago Misurina

Onde ficamos no Lago Misurina
Hotel Sorapiss é simples, mas aconchegante, com vista para o lago e com atendimento simpático e atencioso, motivo principal da minha indicação a você. Se quiser pesquisar outros hotéis no Lago Misurina, clique aqui.

Nossa casa no Lago Misurina
Nossa casa no Lago Misurina
Área social do Hotel Sorapiss
Área social do Hotel Sorapiss

A decoração está desatualizada, mas tanto o quarto quanto as áreas sociais eram bem aconchegantes e eu fiquei imaginando aquela sala com lareira no inverno, tudo branquinho através das janelas…

Primeiro registro da manhã, da janela
Primeiro registro da manhã, da janela: prenúncio de um dia chuvoso

Rifugio Auronzo
Pra começar, o que são rifugios? Refúgio são acomodações simples no alto de montanhas, que servem de pousada para quem está fazendo trilhas longas, de vários dias, mas qualquer um pode solicitar reserva, que deve ser feita com muita antecedência, em geral.  A maioria possui quartos coletivos com beliches, mas há quartos para 2 ou 4 pessoas, também. A maioria serve refeições e as mesas ao ar livre são disputadíssimas em dias quentes. Eu não entrei no Rifugio Auronzo porque a paisagem do lado de fora era hipnotizante e eu não conseguia desgrudar os olhos dos picos.

trekking dolomitas

 

Rifugio Auronzo
Rifugio Auronzo

Quem viaja por estas bandas o que vai mais fazer é encontrar refúgios e o que é bacana é o fato de muitos serem acessíveis por carro ou teleférico, diferente de outros parques nacionais onde são exclusivos para quem faz trekking ou escaladas. Claro que  a sensação de conquista é inexistente, pois não há esforço algum envolvido, mas a vista, ah, a vista…

Trilha próxima ao Rifugio Auronzo
Trilha próxima ao Rifugio Auronzo

Chegar ao Rifugio Auronzo  foi muito fácil. Dirigi a partir de Cortina d’Ampezzo, onde cheguei ainda mais facilmente vindo de Veneza (leia as dicas no post Cortina d’Ampezzo), onde almoçamos. Uma breve parada no Lago Misurina para fazer o check in no Hotel Sorapiss, onde me informei sobre o Rifugio, e tomamos a estrada no final do lago. Pouco depois de começar a serra, há uma guarita para pagar a taxa de €18 pelo estacionamento (algo inexistente em outros rifugios que visitei nas Dolomitas) e ao lado, mais vaquinhas pastando.

Guarita do estacionamento
Guarita do estacionamento

Rifugio Auronzo

Mas o bucolismo vira suspense pela ausência de guardrail em alguns pontos da sinuosa e estreita estrada. Mas logo se avista o grande estacionamento, no alto da montanha e o refúgio.

Montanhas Dolomitas

Minha colega de viagem, Miriam, tinha ficado no carro, mas eu fui buscá-la porque não é possível alguém ir até ali e não ver aquela paisagem! Depois de umas fotos ela retornou para o calor do carro e eu fui “só até ali” 😉

Rifugio Auronzo Belluno

Caminhei em direção a uma capelinha – algo também sempre presente nos vales e passos – que fica na trilha que parte do rifugio. Não sei quanto tempo caminhei, mas se ela não estivesse me esperando eu teria ficado mais.

Refúgio Auronzo

Rifugio Auronzo dolomitas

Esse foi o primeiro contato com as montanhas nesta viagem aos Alpes Italianos, e estar pertinho delas, com direito a vento frio no rosto, isolamento e quietude trouxe um prazer imenso. As montanhas são minha praia e é nelas que me sinto bem, de corpo e alma. And nothing else compares!

Acesse o canal do blog Mulher Casada Viaja no YouTube onde compartilhei minha alegria de estar nas montanhas.

 

Posts Relacionados às Dolomitas (clique sobre o título)
Dirigindo na Itália
– Cortina d’Ampezzo
– Dolomitas: roteiro de 3 dias
Roteiro de 12 dias pelo Norte e pela Toscana
– Dolomitas: guia para planejar sua viagem
– Alpe di Siusi
– Val di Funes

 

 

 

Alpe di Siusi, o paraíso nos Alpes Italianos

Para ser feliz: uma trilha na montanhas, mochila nas costas e viver um sonho acordada
Para ser feliz: uma trilha nas montanhas, mochila nas costas e viver um sonho acordada

Se houvesse teletransporte e você fosse enviado por uma falha qualquer na programação para Alpe di Siusi, é provável que pensasse estar morto e ter ganhado o paraíso como destino final. Isso se fosse primavera no hemisfério Norte, claro, quando os campos verdes do maior platô de altitude europeu se enchem de flores selvagens amarelas e os sinos das vacas que por todo lado pastam deixam no ar fresco da montanha uma melodia cheia de paz para completar o clima de paraíso. OK, harpas seriam mais adequadas, mas não produzem som algum apenas com o movimento das simpáticas cabeças bovinas.

Dolomitas Alpe di Siussi
Eu no paraíso – e viva!

Eu não fui teletransportada: Alpe di Siusi era um dos três destinos da minha tão esperada viagem ao Alpes Italianos naquele início de Junho. Os demais foram Lago Misurina, nos arredores de Cortina D’Ampezzo, e Val di Funes. Entre um ponto e outro, estradas com tantas curvas quanto paisagens dramáticas, arquitetura ora alpina ora italiana e igrejinhas que parecem ter sido construídas com aqueles tijolinhos de madeira de nossa infância. Mas as montanhas eram as protagonistas e eu não conseguia parar de repetir “Ai, que lindo!”, para desespero de minha colega de viagem.

Dolomitas alpe di Siussi

Escrevi aqui as dicas para você se preparar para esta parte das Dolomitas. Outras regiões das Dolomitas, como Funes, Trento, Cortina d’Ampezzo podem ser encontrados na aba Destinos, no menu do blog. Achei muito pouco material em Português sobre as Dolomitas e tudo foi meio que uma surpresa, aprendendo por lá o que estou compartilhando agora. Aliás, percebi que poucas pessoas sabiam da existência das Dolomitas. Uma pena, porque para quem gosta de montanhas esta parte dos Alpes poderia se tornar a queridinha da Itália e da Europa.

Se você apreciar as dicas e quiser contribuir com a manutenção do blog (sim, é preciso pagar hospedagem), faça seu seguro viagem pela Mondial ou reserve seu hotel ou pousada pelo Booking.com clicando nestes links. O valor é o mesmo que você pagaria entrando diretamente no site deles e assim eu recebo uma comissão.

Dolomitas Alpe di Siussi

Quando ir às Dolomitas
É preciso uma boa pesquisa para decidir quando ir, pois restaurantes e lojas e até mesmo algumas pousadas fecham fora das temporadas de inverno (que vão de final de dezembro a março) e de verão (final de junho a setembro).
Dolomitas na PrimaveraOriginalmente eu iria em Março porque comprei uma passagem promocional, mas acompanhando o clima da região, percebi que tudo estaria coberto de neve e não era minha intenção esquiar (nem que eu quisesse, pois não sei), então mudei a passagem para junho, decisão acertada.
Dolomitas no Verão – No verão os dias tendem a ser mais limpos, possibilitando avistar todos os cumes (e são muitos!) e tornando os passeios mais leves, sem necessidade de jaquetas. Motoqueiros tomam as estradas, especialmente perto de Cortina d’Ampezzo e trekkers se esbaldam nas trilhas acessíveis a qualquer mortal ou em outras mais restritas, como as da via ferrata (leia post Dolomitas para saber sobre as trilhas). Vi fotos de Alpe di Siusi no verão e o tapete amarelinho já não enfeitava os campos.

Motoqueiros no Passo Giau
Motoqueiros no Passo Giau

Dolomitas no Inverno – Os Alpes fervem no inverno para a prática de esqui. A região das Dolomitas possui 17 resorts de esqui, com um total de 978 quilômetros de pistas (668 pistas individuais) e 573 meios de elevação! Em Alpe di Siussi, são 25 pistas.

Entendendo o que é Alpe di Siussi ou Seiser Alm
Siusi é a cidade (no detalhe da foto abaixo) na base do platô Alpe di Siussi. O nome em alemão é Seiser Alm. Alemão? Sim, esta parte da Itália pertencia ao Império Austro-húngaro até o final da Primeira Guerra Mundial, então os costumes do Tirol do Sul são mantidos por aqui. Isso hoje, porque durante os anos sob a ditadura de Mussolini a cultura tirol havia sido proibida. Uma outra língua é praticada por uma porcentagem menor da população, o ladino.

Alpe di Siusi é o maior platô de altitude europeu e está 2 mil metros (veja foto abaixo) acima do nível do mar. Do que mais gostei é a acessibilidade, pois enquanto muitas montanhas são apenas para os mais preparados, em Alpe di Siusi idosos, crianças e até pessoas com mobilidade reduzida podem caminhar pelas trilhas tendo os cumes tão próximos. Além dos meios de elevação, a estrutura é de invejar: estacionamento em dois níveis coberto e automatizado (e barato: €0,40/hora), lojas, restaurantes, banheiros limpos e bem equipados.
Alpe di siussi mapa foto

Como chegar a Siussi
Siusi fica na região Trentino Alto Ádige, também conhecida como Tirol do Sul, que faz fronteira com a Áustria e a Suíça. 
🚙 Viemos de carro de Funes, a cerca de 40 quilômetros do outro lado da cadeia de montanhas, e seguimos as placas que indicavam o ponto de saída do cable car, pois após as 9h a estrada é fechada para veículos.

Quase chegando a Siussi. Note que o alemão aparece antes do italiano nesta região
Quase chegando a Siussi. Note que o alemão aparece antes do italiano nesta região

🚄As cidades mais próximas com acesso por trem são Bolzano e Bressanone (Brixen) e a partir delas você pode alugar um carro, usar as linhas de ônibus ou contratar passeios em agências. Não há trens que cheguem diretamente às Dolomitas, seja aqui, seja mais a Leste, em Cortina d’Ampezzo.
✈ Os aeroportos mais próximos ficam em Salzburg, Munique e Innsbruck, na Áustria, e na Itália em Milão, Veneza, Verona e Bolzano.

Estando em Siusi, você tem duas opções: 1) subir pela estradinha sinuosa, o que é permitido somente antes das 9h e depois das 17h, a menos que você tenha reserva em um dos hotéis ou pousadas do platô; 2) tomar o cable car com 4.300 metros de extensão, que além de transporte é um passeio lindo, sobrevoando casas, campos com vaquinhas, trilhas, estradas.

Se você vem pela SS242 vindo de Selva di Val Gardena, há um outro cable car até Alpe di Siusi, que sai de Ortisei e tem 1.684 metros de extensão. Como chovia muito no dia em que passamos por lá, nem paramos, então não tenho dicas em primeira mão, mas o site oficial tem as informações de que você precisa.

Preço do bondinho para Alpe di Siusi
O bondinho custou €16 ida e volta, mas há diversas opções de passes semanais (€85) e anuais (a partir de €130). O Combi card parece mais vantajoso para quem vai trilhar por vários dias, porque permite subir e descer 3 vezes (€39). Outro combo dá uso irrestrito por 7 (€52) ou 14 dias (€76). Cães e bicicletas também podem pegar a carona para as nuvens. Para informações que você não encontrar no site da cidade, escreva para info@seiseralmbah.it

Para o infinito e além!
Para o infinito e além!
Dolomitas Alpe di Siussi
Indicação de trilhas em Alpe di Siusi e de hospedagem, no desembarque do cable car


Como circular em Siusi
Eu não circulei pois não tive tempo, mas a cidadezinha é uma graça, como todas as outras nas Dolomitas. Tirei uma foto do caderninho que retirei na estação do cable car que talvez ajude quem precisa se deslocar de transporte público.

As linhas de ônibus de Siussi
As linhas de ônibus de Siussi


Onde comer? nas alturas!
Depois que tirar dezenas de fotos, a fome bate e você se pergunta se há restaurantes ali no paraíso. Tome um outro cable car pertinho do ponto de desembarque do primeiro, o Puflatsch Bullaccia (€8), que te levará a um dos pontos com visual ainda mais incrível, conhecido como Bullaccia. Além destes que usamos, há um outro meio de elevação chamado Panoramico, mas não o usamos.

Alpe di Siussi Bullaccia

O cable car que leva a um ponto ainda mais alto: Bullaccia
O teleférico que leva a um ponto ainda mais alto: Bullaccia

No restaurante, o atendimento foi simpático, em inglês, por uma falante de alemão em trajes tiroleses que em breve estará no Brasil e Peru. A cerveja estava geladinha e aproveitei para comer um Schnitzel  (prato típico austríaco, mas que além do nome não tem nada de chique: é na verdade um empanado ou carne à milanesa). O preço, apesar do local exclusivo e especial, foi o mesmo que em outro café ou osteria italiana.

Dolomitas Alpe di Siussi Itália

O restaurante disponibiliza espreguiçadeiras. A natureza, a vista
O restaurante disponibiliza espreguiçadeiras. A natureza, a vista

 

Ah, mas eu tô rindo à toa!

Além da vista espetacular, o restaurante oferece as espreguiçadeiras e um playground para as crianças.

Dolomitas Alpe di Siussi o que fazer

Um outro ponto pertinho do restaurante é um círculo com indicação de todas as montanhas que dali podem ser avistadas:

Dolomitas-4-3
Chove em Sassolungo, uma das mais montanhas mais altas, com 3.181 metros

Depois do almoço, descemos o primeiro cable car e compramos lembrancinhas e suvenires. Aí eu vi este restaurante perto das lojas e da estação do bondinho, com mais uma vista imperdível e não resisti a um cappuccino. Quem pode me culpar?

restaurantes nas Dolomtias

Câmeras on line
Clique aqui para acessar a câmera on line panorâmica 360° em Alpe di Siusi. Se for noite na Itália, deixe para o dia seguinte, pois as câmeras são ao vivo. E não se esqueça que são 5 horas mais tarde na Itália em relação ao Brasil.

Leia dicas de como dirigir na Itália e minha experiência
dirigindo nas Dolomitas e na Toscana neste post

As bruxas do Sciliar
Eu sabia que devia ter uma explicação para eu ter ficado tão encantada, enfeitiçada por essas montanhas rsrsrs. Alpe di Siusi tem uma tradição de bruxaria desde o início dos tempos. Calma, na verdade, as “bruxas” eram mulheres que curavam doenças com ervas e faziam rituais para obterem uma boa colheita, coisas comuns antes do Cristianismo. Pesquisadores acreditam que antes delas este ponto havia sido local de cultos durante o neolítico (8 mil a mill AC), e que nesses bancos de pedra que podem ser alcançados numa caminhada fácil de 1,5 hora a partir de Bullaccia, deusas eram adoradas.

bullaccia

Então, se a atração exercida por estas montanhas é coisa de bruxaria, eu não sei. Que o lugar parece um estereotipado paraíso tenho certeza, assim como sei que você deveria conferir com seus próprios sentidos. Boas Dolomitas para você!

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Em breve sobre região das Dolomitas:
– Val di Funes
– Trento

 

Roteiro de 12 dias pelo Norte da Itália e pela Toscana

Val di Funes, nas Dolomitas
Val di Funes, nas Dolomitas

Quem foi Cabra das Rochosas em outra encarnação como eu, ficaria 10 dos 12 dias disponíveis na Itália somente nos Alpes, sem sombra de dúvida. Seja no inverno, para praticar esportes de neve  ou no verão para fazer caminhadas e apreciar os contornos dos vales e picos, o Norte da Itália vai muito além de Veneza e Milão e eu descobri em minhas pesquisas nomes menos conhecidos, como Auronzo, Bolzano, Carezza, Val di Funes e Gardena, todos na cadeia de montanhas Dolomitas. Um pouco mais ao Sul, os nomes já são mais familiares, como Sirmione, Como, Verona e Trento.

Cabra das Rochosas, eu em outra encarnação
Cabra das Rochosas, eu em outra encarnação

Como comprei o bilhete aéreo com antecedência de sete meses e adiei a viagem por mais três, tive aí quase um ano para sonhar com essas montanhas. Um problema nas pernas me fez mudar objetivo da viagem, que seria me inscrever em grupos de trekking, viajar sozinha e caminhar entre as montanhas, caminhar e caminhar.  Cheguei até a divulgar na página do Facebook que organizaria um grupo de leitoras do blog para viajar à Itália, mas tive receio de me comprometer como responsável por um grupo estando com esse probleminha mal resolvido nas pernas.

Estou a pouco mais de um mês para pisar em solo italiano de novo, tentando manter a calma por estar sem viajar há meses (gente, consegui!!!), aprendendo um pouco de italiano de forma autônoma, e controlando os pensamentos negativos que passeiam de vez em quando pela minha mente: “Que pena, seria sua primeira viagem à Europa sozinha.” ou “Que pena que você não vai ter a experiência de fazer trekking nas Dolomitas e dormir em refúgios a 2 mil metros de altitude.”. Tudo tem um porquê, mesmo que a gente não consiga enxergá-lo, conforto-me ao pensar.

Alpe di Siussi
Alpe di Siussi

Geralmente acho o planejamento da última viagem o mais trabalhoso e certamente chegar a este roteiro exigiu muitas horas de pesquisa e com uma colega de viagem, alguma negociação. Eu queria ficar só nas montanhas, nos Alpes Italianos, suíços e austríacos, que embora pertençam a três diferentes países possuem traços culturais tiroleses e relevo em comum. Mas minha amiga achava que montanhas eram muito parecidas entre si, algumas mais altas, outras mais baixas (rsrsrs) e queria mudar de paisagem e fazer a Toscana de carro, o que acabei topando (ai, que sacrifício, fazer a Toscana de carro!). Entre uma conversa e outra, havíamos flertado com outras possibilidades, que listo a seguir caso você queira incluí-las em seu próprio roteiro, se tiver mais tempo e dinheiro:

  • Vale d’Aosta
  • “já que” estaremos em Aosta, uma esticadinha até a francesa Annecy
  • Bellagio, no Lago di Como e Sirmione, no Lago di Garda
  • percorrer os trilhos especiais do trem panorâmico Bernina Express, que liga Itália à Suíça.
  • continuar nas paisagens alpinas fazendo o trecho St. Moritz (Suíça) a Innsbruck (Áustria) de trem, que é belíssimo. Dá uma olhada neste vídeo do trajeto!

Cada uma dessas ideias saiu do roteiro final por vários motivos, mas o determinante foi o curto tempo de que dispúnhamos. Mas elas já estão num roteiro futuro: Annecy entra brincando num roteiro pela Suíça, assim como o Bernina e o Lago Como. E Innsbruck pode ser incluída na chamada Rota Romântica Alemã.

dolomitas
cenário dos meus sonhos nos últimos meses

A versão final do roteiro continuou apertada, com uma noite em cada cidade, coisa que eu não faço há pelo menos uns 20 anos e que não recomendo devido ao desgaste e à impossibilidade de explorar e sentir a cidade, mas toda regra tem uma exceção e nesta viagem há justificativas para uma noite em cada cidade:

  1. Milão, Verona e Veneza são cidades que já visitamos
  2. era mais fácil ficar uma noite em cada cidade da Toscana do que fazer bate-voltas a partir de Siena, além de ser mais charmoso dormir numa pousada do tipo agroturismo
  3. o mesmo nas Dolomitas: já que são roteiros de carro e cidades/vilas com características parecidas, será menos cansativo, espero, percorrer menos quilômetros do que trocar de hotel.
Castelo Banfi, em Montalcino
Castelo Banfi, em Montalcino

Roteiro de 12 dias na Itália
dia 1 – chegada a Milão no final da manhã. Ainda não decidi se faço um bate-volta rapidíssimo ao Lago di Como ou se curto um pouco Milão

dia 2 – trem de Milão para Siena

dia 3 – de carro alugado: Siena-Montepulciano-Pienza-Montalcino

Siena
Siena

dia 4 – Montalcino-Monteriggione-S. Gimignano-Volterra-Colle di Val d’Elsa-Siena

dia 5: trem de Siena a Veneza (quem resiste a ela, no meio do caminho, entre o ponto A e o B?)

dia 6: Veneza

Veneza no verão
Veneza no verão

dia 7: de carro alugado: Veneza-Auronzo-Cortina d’Ampezzo-Lago Misurina

dia 8: Lago Misurina-Falzarego Pass-Selva Gardena-Alpi di Siussi-Val di Funes

dia 9: Val di Funes-Merano-Bolzano-Trento

dia 10: de trem: Trento-Verona

dia 11: de trem: Verona-Milão

Milão
Milão

dia 12: de avião: Milão-Lisboa-SP

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Itália: roteiro

Minha queridinha Florença
Minha queridinha Florença

Escolhi conhecer outros países antes de conhecer parte da belíssima Itália.  Acho que tudo tem um porquê, mesmo que não compreensível. Mas chegou 2013 e a nuvem do desconhecido se desfez: meus pais, que nunca tinham saído do Brasil, iriam conhecer o país da bota, terra de seus avós, e iríamos juntos. Aí, por outro motivo, que ainda não entendo, um mês antes da viagem e com tudo pronto, meu pai não pôde ir devido a problemas de saúde. A viagem foi linda, mas não completa, como você pode imaginar.

Como viajaríamos em 5, a segurança de viajar com dois idosos e uma criança seria maior em uma excursão e essa foi nossa escolha. Além disso, dispúnhamos de pouco tempo entre a decisão de viajar e as  férias escolares de julho.

Pelas ruas de Assis
Pelas ruas de Assis

Há vários roteiros para a Itália, mas escolhemos o pacote com meia pensão de 9 noites, 12 dias, passando por Milão, Sirmione, Verona, Veneza, Pádua, Pisa, Florença, Siena, Assis, Roma e Capri, ufa! Isso, faça as contas e não terás uma noite em cada cidade. Mas a divisão real (ou plebeia rsrsrs) foi assim:

1 noite em Milão

2 noites em Veneza (Mestre), com passagem em Verona e Lago di Garda.

2 noites em Florença, com passagem em Assis, Pádua, Pisa e Siena.

4 noites em Roma com um bate-volta a Capri.

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Restaurante em Milão

Se dependesse de mim, claro que seriam 9 noites em Roma, ao menos 5 em Veneza, 5 na região da Toscana, 5 no norte da Itália. Slow Travel, dolce far niente, stop and smell the flowers. Não foi nesta viagem… Não, não! Se dependesse de mim, eu faria como Elizabeth Gilbert: permaneceria ao menos 4 meses em cada país. Aprenderia um pouco da língua e sobre os costumes locais, viveria em bairros não turísticos, experimentaria a culinária típica…

Veneza
Qualquer canto de Veneza pede uma foto

Acordei.

Alguns destinos precisam ser visitados mais de uma vez na vida e a Itália certamente é um deles. Principalmente se você “passou” pela Itália em 12 dias – e mais ainda se esteve em uma excursão! Um dia eu volto! Por falar nisso, leia o post Viajar por Conta, de  Pacote ou Excursão?, onde listo vantagens e desvantagens dessas três formas de viajar. Sabe aquela expressão city tour? Acho que a viagem em excursão, toda ela, é um city tour: você recebe um monte de informações (de um guia que já as pronunciou ao menos 300 milhões de vezes – haja entusiasmo para manter os olhos brilhando!), olha tudo com pressa, segue o grupo, não pode nem parar para fotografar os campos de girassóis (Essa, eu ainda não engoli, Alejandro!). Ou viajar de pacote é igual estar no exército: você se levanta cedo, se exercita o dia todo, as atividades são cronometradas, a comida certamente poderia ser melhor. Excursão é como ter bebê: você espera meses e quando chega você não dorme direito, não come direito, mas sente-se imensamente feliz.

Afrescos em Verona

No frigir dos ovos, como dizia uma antiga amiga antiga, gostei da experiência principalmente por causa do grupo formado por pessoas tão diferentes, o que sempre soma e tempera nossas vidas. Mas outras questões poderiam ter melhorado a qualidade da agência receptiva na Itália, Lusanova e Surland, como ter um guia italiano
(o nosso Alejandro, embora simpático e atencioso, não era) e informações detalhadas sobre o que faríamos em cada cidade, em que hotel ficaríamos (sim, quando comprei o pacote a operadora no Brasil me disse que dependeria da disponibilidade, mas que seria em um dos três listados. Simples assim!) e em que restaurante nossas refeições inclusas seriam servidas. Aparentemente eu fui a única que me incomodei com esses detalhes. Mas como viajar muda a roupa da alma, né, Mario?, depois de Veneza eu já havia decidido que não ia perder a viagem de sonhos e entrei no clima.

Florença dicas
O Rio Arno, em Florença

O pacote incluiu todos os traslados, hospedagem, café da manhã e meia pensão (algumas refeições no próprio hotel, outras em restaurantes), passeios de barco e gôndola em Veneza, barco no Lago Gardia e em Capri (ferry + barco), entrada nos museus do Vaticano  e na Galeria D’Academia de Florença. Isso encarece o pacote, mas ele pode ser parcelado, então o peso não fica só e um mês ou dois, como acontece quando se viaja por conta. Para se ter uma ideia, passeio de gondola custa em torno de 90 euros!

Veneza dicas
Cai a noite em Veneza

O aéreo foi pela Iberia (SP-Madri-Milão e Roma-Madri-SP), um avião digamos, menos moderno, sem entretenimento individual, o que o tornou mais longo. A conexão foi bastante demorada, mas o aeroporto de Madri é tão grande que realmente é preciso tempo para se deslocar de trem de um canto a outro. O processo de controle de passaporte foi bem rápido e sem stress, apesar de tudo o que eu havia lido a respeito dizer que havia filas imensas e péssimo humor de funcionários, uma verdadeira chateação.

Refeição da Iberia
Refeição da Iberia
As três gerações no aeroporto de Madri
As três gerações em conexão no aeroporto de Madri


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Roma Trastevere
Santa Maria in Trastevere, Roma

Atualização
E agora, em 2016, escolhi a Itália mais uma vez e espero ainda voltar para fazer o sul e oeste do país! Está programada uma breve passagem por Milão, Trento, Veneza e Verona, um roteiro de carro pelos vales e platôs das Montanhas Dolomitas. Toscana acabou entrando no roteiro para agradar minha colega de viagem – ai, que chato, ter que ir à Toscana! rsrsrs – e escolhemos Montepulciano, Montalcino, Pienza, Siena, San Gimignano e outras, uma verdadeira maratona pela região das videiras. Na volta eu conto como foi em posts novinhos.

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