Conexão longa em Lisboa

Neste post relato minhas poucas horas em Lisboa, aproveitadas em uma conexão longa na cidade.

Vez ou outra publico na página do FB mensagens engraçadas, do tipo: “Você trabalha com que? Trabalho com vontade de viajar” ou “Dinheiro não traz felicidade, mas te leva pra sofrer em Praga”, (Se você também se identifica com elas, compilei várias neste post). Também vejo vários comentários de blogueiros dizendo que mal retornamos de uma viagem já estamos pensando na próxima. Eu estava de volta a SP, onde moro, há apenas 20 dias, já com nova viagem dali a 60 dias e não resisti a uma promoção da TAP, comprando um voo para Milão datado 11 meses adiante, sem saber exatamente para onde iria, seguindo a lógica de que estando no Norte da Itália muitos lugares podem ser alcançados de trem.
Acontece que tinha uma Lisboa no caminho. No caminho, tinha uma Lisboa, cidade que eu ainda não conhecia, e então escolhi o voo com a conexão diurna mais longa, para dar uma voltinha em solo lusitano.Lisboa

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Dormindo no Aeroporto

conexao longa dormir no aeroporto

Desculpe se você chegou aqui imaginando que eu daria dicas do tipo: “leve uma manta e estique-a num cantinho da sala de embarque para deitar-se e durma agarrado a seus pertences”. Nos meus vinte anos estava ocupada trabalhando e estudando, nos 30 somei à rotina insana a criação de uma filha e hoje, nos 40, meu corpo pede conforto e segurança, então reuni aqui dicas de empresas que levam esse conforto a salas de embarque de aeroportos: as chamadas sleep pods. Quem já encarou voo noturno + horas de espera em conexão ou conexões sabe que dicas de onde esticar o corpo na horizontal valem ouro. Pena que não chegaram à maioria dos aeroportos, mas acredito que seja uma questão de tempo.

O nome para este tipo de “comodidade” pode variar: cabines de sono, cápsula de soneca, cubículo para dormir, cubo do cochilo, assim como os preços, tamanhos e serviços prestados. Alguns são claustrofóbicos, meras poltronas reclináveis com uma cobertura, enquanto outros assemelham-se a quartos de hotel simples, com TV, banheiro privativo e serviço de despertar. O que todos têm em comum é o fato de o custo ser calculado por hora, não por diária, como em um hotel – e todos ficam a passos do portão de embarque. Algumas têm isolamento acústico e as “5 estrelas” possuem uma música que potencializa o tempo de sono, garantem os desenvolvedores.

o que fazer em conexão longa

Segue a relação dos aeroportos que disponibilizam este tipo de serviço, com links para páginas onde você encontrará todas as informações de que precisa (em Inglês). Basta clicar sobre a cidade.

onde dormir no aeroporto

Aeroportos com Cabines para Dormir

Abu Dhabi

Amsterdã

Berlim Tegel

Dubai

Hanoi

Helsinque

Kuala Lumpur

Londres Gatwick  e Londres Heathrow

Munique

Nova Delhi

Paris

onde dormir no aeroporto de GuarulhosNos aeroportos internacionais de Atlanta, Filadélfia e Dallas, existem quartos que lembram os de uma cabine (interna) de navio.

Dormindo nos aeroportos brasileiros

O Aeroporto Internacional de Guarulhos (São Paulo) já dispõe de cabines similares às americanas na área de desembarque nacional. Para voos internacionais, conta com um hotel na área restrita de embarque internacional dos terminais 2 ou 3.

Os aeroportos da cidade maravilhosa não dispõem de cabines ou cápsulas, mas há um hotel simples dentro do Galeão.

Quem chega a Curitiba (São José dos Pinhais) conta com cabines com ou sem banheiro anexo no 2° piso do saguão.

O aeroporto de Recife também tem cabines modernas. Clique aqui para visitar o site.

Em breve haverá uma modalidade parecida também no aeroporto de Belo Horizonte. Eita trem bão!

Guia para dormir em aeroportos

Viaja muito e passa longas horas em aeroportos ou costuma comprar voos com conexões “marava”, no eio da madrugada? O site The Guide to Sleeping in Airports pode te ajudar.

 

 

 

 

Patagônia Argentina e Chilena: plano de viagem

Torres del Paine: o parque dos meus sonhos!
Torres del Paine: o parque dos meus sonhos!

Olha! A minha listinha dos 20 destinos para conhecer antes de morrer vai ficar menorzinha (mas se Deus quiser eu vou acrescentar outros tantos, basta ter saúde e dinheiro, porque vontade não falta, mesmo!). Começo 2015 com uma viagem a dois a um lugar longínquo, gelado, mas de paisagens de tirar o fôlego: a Patagônia Argentina e Chilena.

Não vai ser como nossas expectativas de recém-casados, quando sonhávamos em partir de São Paulo de carro e atravessar fronteiras para chegar aos Andes e admirar as Torres del Paine. Vai ser uma viagem curtinha, de 6 noites, porque é isso que cabe na nossa vida real.

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O glaciar Perito Moreno

Como os pontos a serem visitados ficam bem ao Sul da América do Sul, é um passeio para ser feito no verão, quando o clima é mais ameno. Em janeiro, o índice pluviométrico é o menor de todo ano e as temperaturas ficam em torno de 8 a 20 graus (no inverno cai para -2º C). Mas não se engane: caminhar sobre o gelo ou mesmo pegar trilhas exigem casacos corta-vento e tocas. A quantidade de horas de sol (luz do dia) também interfere no aproveitamento de uma viagem como esta, em que tudo é feito ao ar livre. No verão o sol nasce às 5h30 e se põe apenas às 23h, enquanto no inverno há apenas 8 horas de luz por dia.

Patagonia-airports
Os pontos circulados são os que visitaremos

Descrevo abaixo as etapas para planejar esta viagem, mais trabalhosa do que uma à Europa! Quando você decidir ir, pode seguir meus passos para planejar sua própria aventura!

  • Fiz orçamento em três agências de viagem, que ofereciam pacotes bem diferentes. Valores por pessoa, sem aéreo, tendo por base quarto duplo. O “a partir de” varia por causa da classe do hotel:
    a. 11 noites (cruzeiro de 3 noites), incluindo Ushuaia, Punta Arenas, Torres del Paine e El Calafate, com guia e passeio ao Perito Moreno e cruzeiro de 3 noites: a partir de US$ 5,400 por pessoa;
    b. 6 noites, El Calafate, Puerto Natales e Torres del Paine, aluguel de carro SUV e passeio no Perito Moreno: a partir de US$ 2,115;
    c. 7 noites com Puerto Natales, El Calafate e Torres del Paine e todas as refeições, aluguel de Jeep e entradas em parques, museus e Perito Moreno: a partir de US$ 5,500.
  • Pesquisei alguns hotéis e sem fazer o orçamento completo percebi que ficaria muuuuito mais barato planejar eu mesma a viagem, sem pacote, do jeito que eu gosto, embora seja sempre mais trabalhoso e às vezes a gente se enrosque em dúvidas como “onde é que tem posto de gasolina nesse fim de mundo?”. Mas assim é bom, porque tenho tempo para planejar, aprendo um monte sobre o destino, gasto menos e ainda dou dicas para você! No final, contas feitas, hotéis, 4 dias de carro intermediário, traslados, saíram por US$ 2,154, para os dois. Não entraram no cálculo as entradas de parques e passeios de barco ou sobre as geleiras, mas nem de longe chegarão aos 2 mil dólares de diferença!
  • Money talks, mas outros pontos a favor de viajar desempacotada foram:
    a. algumas dessas agências montaram pacotes com voos a partir de Santiago, sendo que é mais rápido e perto fazer por Buenos Aires. Para quem dispõe de pouco tempo e não vai  curtir a capital chilena, melhor o aéreo por Buenos Aires.
    b. o carro te dá liberdade de parar naquela paisagem linda para a qual você em um ônibus ou van de excursão daria apenas tchauzinho.
    c. ganhei pontos no aluguel do carro equivalentes a uma diária no Brasil. Se você ainda não tem um programa de fidelidade com uma locadora, programe-se!
    d. viajando de pacote, os quartos oferecidos nem sempre são os melhores, mesmo que os hotéis sejam os mesmos das agências.
mini trekking sobre o glaciar: um dos passeios
mini trekking sobre o glaciar: um dos passeios
  • Comprando o aéreo. Entrei no site da TAM, cliquei em “várias cidades” no box de escolha dos voos (os voos domésticos argentinos são operados pela Lan):
    a. SP-Buenos Aires-Buenos Aires-El Calafate
    b. El Calafate-Buenos Aires-São Paulo. Aqui, como a conexão é longa, ainda dá pra aproveitar umas horas na capital argentina, que não visito desde 2010.
    A princípio, o sistema me ofereceu um voo que, além de não ser direto, teria conexão de 6 horas durante a madrugada, em Córdoba. Não faz sentido sair de férias e ter que dormir em bancos desconfortáveis de aeroporto para esperar pelo voo. E esse retorno levaria 24 horas, céus! Liguei para a central de atendimento da TAM e enquanto falava com o simpático atendente, acabei conseguindo na opção ”solicitar outros voos” um voo direto, sem conexão entre Buenos Aires e SP. E foi aí que descobri que comprando pelo atendimento você paga 7% sobre o valor da passagem. No início do atendimento digital, é informado que existe uma taxa, mas não sabia que era tão alta! Agradeci e pedi desculpas ao atendente constrangida (eles ganham comissão), elogiando sua presteza, mas fui pro site e fechei. As duas passagens (4 trechos, sendo os internacionais na classe executiva) que sairiam por R$5.350, saíram por R$4.377, já com taxas de embarque. Ah, não se esqueça de incluir a assistência viagem. Ah 2: verifique com seu cartão de crédito se ele oferece benefícios como seguro viagem gratuito e até seguro de automóvel alugado. A economia é grande. Se você não tiver, faça seu seguro com a Mondial Assistance, que frequentemente oferece descontos para leitores do Mulher Casada Viaja. Mas você tem que entrar no site deles através do blog, clicando sobre o logo aí da direita (se estive em PC) ou lá embaixão (se estiver em smartphone).
Monte Fitz Roy, em El Chaltén, a 214 km de El Calafate
Monte Fitz Roy, em El Chaltén, a 214 km de El Calafate

 

  • li relatos de quem fez esta viagem em blogs e também em fóruns de viajantes como o do TripAdvisor. Anotei dicas de agências locais, de locadoras de veículos, de empresas que fazem traslados aeroporto-hotel, de sugestões de passeios. Obrigada Internet!
  • decidimos o roteiro:
    – dia 1: SP-Buenos Aires – El Calafate
    – dia 2: El Calafate: passeio no Parque Nacional Los Glaciares, onde fica a mais impressionante geleira do mundo, a Perito Moreno. Mini trekking sobre o gelo.
    – dia 3: retirada do carro alugado e viagem a Torres del Paine
    – dia 4: Torres del Paine
    – dia 5:Retorno a El Calafate e espero poder fazer algum passeio, como o caiaque no Upsala Glacier. Atualização pós viagem: o passeio ao Upsala leva o dia todo, então se você quiser, terá de deixar TdP de madrugada.
    – dia 6: bate-volta a El Chaltén (214 km)
    – dia 7: El Calafate-Buenos Aires (passeio na cidade devido a conexão de 8 horas, eba!) – SP.
    Assim como viajar às Rochosas Canadenses, imagino que o ponto principal desta viagem seja a vista das montanhas das estradas e as que estão escondidas nas curvas das trilhas. Olhando o roteiro, parece não haver muito o que fazer além de se alimentar da paisagem de montanhas, lagos, geleiras e, com sorte, alguns animais selvagens.
  • Programar os passeios foi o que deu mais trabalho. Li no TripAdvisor os passeios mais usuais e as agências que os organizam. Os websites das agências locais não têm ferramenta de reserva e foi frustrante enviar e-mails e não receber retorno.
  • Para as reservas dos hotéis, usei o Booking.com. Falarei sobre hospedagem nos posts de El Calafate e Torres del Paine. Atualização: agora o blog tem parceria com o Booking.com. Você reserva clicando no logo à direita (se estiver em PC) ou no final do blog (se estiver em smartphone). Não paga nada mais por isso e eu ganho uma comissão. É um gesto simpático em retribuição a todas as dicas que os blogueiros compartilham, não acha?
  • Reservei o carro com a Hertz. Como viajaremos da Argentina ao Chile, é necessário informar à locadora que você precisará de permissão para cruzar a fronteira (= papelada providenciada pela locadora e pagamento de taxa para isso – $120 doletas). Caso vá de carro a partir do Brasil, é preciso emitir a Carta Verde, para cruzar a fronteira entre Brasil e Argentina.
  • Sem querer fazer propaganda mas já fazendo, comprei roupas especiais para esta viagem na loja virtual da Decathlon: luvas (comprei uma que tem polegares e indicadores sensíveis ao toque de celulares), calça térmica, segunda pele, blusa quentinha segunda camada (fleece). Usarei uma bota forrada de pele e levarei um tênis de caminhada.
De caiaque entre icebergs!
De caiaque entre icebergs no Glaciar Upsala, em El Calafate

Bem, isso tudo foi o planejamento. Parece mais simples agora que está organizado, mas deu muito trabalho.

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