O Palácio Real de Turim é uma das atrações mais importantes da cidade, e uma das residências reais mais bem preservadas da Europa. Durante quase três séculos, foi o centro do poder da Casa de Savoia, a dinastia que governou o Piemonte, liderou a unificação italiana e deu origem aos reis da Itália.
Ao visitar seus salões, apartamentos e galerias, você não está apenas entrando em um museu. Está percorrendo os ambientes onde foram tomadas decisões que mudaram a história da Itália.
Ao visitar o Palácio Real de Turim, compará-lo com outros palácios europeus foi inevitável. Em número de visitantes, o Palazzo Reale de Turim está no mesmo patamar da Reggia di Caserta e abaixo de gigantes turísticos como o Palazzo Pitti, em Florença. Historicamente, porém, sua importância pode ser comparada à Residenz de Munique: ambas foram sedes das dinastias que moldaram a unificação de seus países e preservam até hoje alguns dos interiores reais mais impressionantes da Europa.

Breve história do Palazzo Reale
O palácio ocupa o local onde existia o antigo Palácio Episcopal de Turim. Em 1584, o duque Carlos Emanuel I decidiu transformá-lo na principal residência da corte de Saboia, dando início a uma série de ampliações e reformas que se estenderiam pelos séculos seguintes. Arquitetos como Ascanio Vitozzi, Filippo Juvarra, Benedetto Alfieri e Pelagio Palagi contribuíram para moldar o edifício que vemos atualmente.
Até 1865, quando a capital do Reino da Itália foi transferida para Florença, o Palazzo Reale permaneceu como residência oficial dos soberanos da Casa de Savoia. Após a proclamação da República Italiana, em 1946, o edifício tornou-se propriedade do Estado e foi transformado em museu. Em 1997, passou a integrar o conjunto das Residências Reais da Casa de Savoia reconhecidas como Patrimônio Mundial pela UNESCO.
Como é a visita ao Palácio Real de Turim
A visita começa pela monumental Escadaria de Honra, construída para impressionar embaixadores e convidados ilustres logo na chegada – e impressionou muito esta plebeia!
É impossível não perceber a preocupação da corte em transmitir poder e prestígio. Mármores, estuques e proporções grandiosas criam um cenário digno das grandes monarquias europeias.



O primeiro grande ambiente de representação é o Salão dos Guardas Suíços (1). Seu nome faz referência aos guardas encarregados da proteção dos soberanos. O espaço impressiona pelas dimensões, pelos tetos decorados e pela sensação de grandiosidade que preparava os visitantes para os aposentos oficiais da corte. O salão foi remodelado no século XIX por Pelagio Palagi.

A Sala do Trono (2) é um dos ambientes mais importantes do palácio real de Turim. Aqui aconteciam cerimônias oficiais, recepções diplomáticas e eventos ligados à monarquia. O trono, os dourados, os tecidos vermelhos e a decoração exuberante tinham uma função clara: demonstrar a autoridade dos soberanos da Casa de Savoia.
Eu fiquei impressionada com o trabalho de marchetaria do piso, que espetáculo!


A sequência de apartamentos permite acompanhar a evolução do gosto artístico da corte entre os séculos XVII e XIX. Ao longo da visita, passamos por salões de recepção, gabinetes privados, salas de audiência, quartos reais, salas de música, e ambientes onde a vida cotidiana da família real acontecia.
O que impressiona é a preservação do mobiliário original, dos relógios, das tapeçarias, das porcelanas e dos lustres. Sempre me pergunto o quanto são autênticos ou se sofreram intervenções de restauro. O gabinete chinês, por exemplo, tem uma coleção de vasos incrível.

Entre os aposentos mais famosos está a Câmara da Alcova de Carlos Emanuel II. Tecidos luxuosos, entalhes dourados e um leito cerimonial que simbolizava o status do soberano.
Por essa eu não esperava: uma sala dedicada ao consumo de café. Assim como o chocolate, quando o café chegou à Europa tornou-se um símbolo de sofisticação e modernidade. A Sala do Café do Palácio Real de Turim recorda os hábitos refinados da aristocracia piemontesa e a importância que os rituais sociais tinham na vida da corte.
E chegamos a um dos ambientes mais espetaculares do palácio, o Salão de Baile (8). Espelhos, douramentos, lustres monumentais e uma decoração extremamente elegante evocam as festas e recepções realizadas pela família real. É um dos espaços mais fotografados da visita.

Uma das joias arquitetônicas do palácio é a famosa Escada das Tesouras (Scala delle Forbici), projetada por Filippo Juvarra em 1720. Seu nome deriva da engenhosa estrutura cruzada que permitiu criar uma escadaria elegante em um espaço relativamente reduzido. É considerada uma das obras-primas da arquitetura barroca piemontesa.
No segundo andar encontram-se os antigos apartamentos dos Príncipes do Piemonte e dos Duques de Aosta. Após a queda da monarquia em 1946, esses ambientes permaneceram fechados e lacrados por décadas, sendo reabertos ao público apenas em 2007. A visita permite conhecer uma faceta mais íntima da vida da família real.

Incluída no percurso está a extraordinária Armeria Reale (5), considerada uma das mais importantes coleções de armas e armaduras da Europa. São armaduras cerimoniais, espadas, armas de fogo, armamentos orientais e equipamentos militares pertencentes aos soberanos de Saboia. Mesmo quem não tem interesse especial por armamentos costuma se impressionar com a riqueza da coleção e com a beleza do salão que a abriga.
E se existe a máxima de que o melhor está guardado para o final, tive essa confirmação na visita ao Palácio Real de Turim. O percurso termina em uma das maiores obras-primas do barroco europeu: a Capela do Santo Sudário (9).
Projetada por Guarino Guarini no século XVII, a capela foi construída para abrigar a relíquia mais preciosa da Casa de Savoia. O destaque é a extraordinária cúpula geométrica, considerada uma das realizações arquitetônicas mais ousadas de seu tempo.

A Capela do Santo Sudário não é apenas uma obra-prima do barroco, mas também um espaço funerário dinástico. Ali foram transferidos os restos de membros da Casa de Savoia, incluindo o duque Amedeu VIII. No entanto, o conjunto não funciona como um mausoléu tradicional: trata-se de um espaço simbólico, ligado à devoção ao Sudário e ao poder da dinastia.
Os Jardins do Palácio Real de Turim
Parte do projeto original dos jardins do Palácio Real de Turim foi inspirada pelo mesmo criador dos jardins de Versalhes. Eu conheci apenas uma parte dos jardins, onde fica a Fonte do Tritão. Esta parte estava tomada por carros pois naquele final de semana acontecia o Salão do Automóvel de Turim.


Horários e preço do Palácio Real de Turim
| 📍 Local: Piazza Castello / Piazzetta Reale |
| 🕘 Horário de abertura: segunda a domingo, 9h-19h – fecha às quartas-feiras |
| 💰 Ingresso inteiro: € 15 (opcional guia de áudio por € 3.99) |
| 🎟️ Ingresso reduzido: € 2 (jovens 18–25 anos) |
| 🆓 Gratuidade: Menores de 18 anos, Abbonamento Musei, Torino+Piemonte Card (veja abaixo) |
| 🧭 O que inclui o bilhete: Apartamentos reais + Armeria Reale + Capela do Sudário + Galleria Sabauda + Museu de Antiguidades + Jardins Reais |
Torino + Piedmonte Card
Para economizar e evitar filas nas bilehterias locais, compre o Cartão Torino Piemonte, que permite acesso às principais atrações de Turim. Visitando só o Palácio Real e o Museu Egípcio, já vale a pena. O custo do Torino + Piemonte Card é de acordo com o número de dias: €29,90 para 1 dia; €39,90 para 2 dias, €45,90 para 3 dias. Eu comprei nesse link, da Civitatis, em que você paga em reais, evitando o custo de IOF. Outra vantagem de cartões turísticos, é que eles nos impulsionam a visitar mais museus do que visitaríamos se tivéssemos que comprar os ingressos individualmente.
Confira a lista completa dos museus inclusos no cartão turístico:
- Galeria Cívica de Arte Moderna e Contemporânea
- Palácio Real
- Museu Egípcio
- Museu Nacional do Cinema (na Mole Antonelliana)
- Basílica Superga
- Museu do Juventus
- Museu do Automóvel
- Museu de Artes Decorativas (palácio Madama)
- Museu Nacional da Montanha
- Centro Italiano da Fotografia

Dúvidas frequentes sobre o Palácio Real de Turim
Quanto tempo dura a visita ao Palazzo Reale?
A maioria dos visitantes passa entre 2 e 3 horas no complexo. Quem deseja visitar com calma os apartamentos reais, a Armeria Reale, a Capela do Santo Sudário e os jardins facilmente passar meio dia no complexo dos Museus Reais.
O que está incluído na visita?
O percurso normalmente inclui:
- Apartamentos Reais
- Salão do Trono
- Salão dos Guardas Suíços
- Escada das Tesouras
- Armeria Reale
- Capela do Santo Sudário
- Jardins Reais
Dependendo da programação, também podem existir exposições temporárias.
O Santo Sudário está no Palazzo Reale?
Não. O Santo Sudário permanece guardado na Catedral de Turim, ao lado do palácio. A confusão se dá devido ao nome da capela real, Capela do Santo Sudário, projetada por Guarino Guarini para abrigar a relíquia.
Vale mais a pena visitar o Palazzo Reale ou o Palazzo Madama?
Tendo tempo, visite os dois, pois oferecem experiências diferentes. O Palazzo Reale impressiona pela riqueza dos ambientes e pela história da monarquia italiana. Já o Palazzo Madama é mais interessante para quem gosta de arquitetura, pois reúne vestígios romanos, estruturas medievais e uma espetacular fachada barroca em um único edifício. Eu gostei mais do Palácio real de Turim, embora o terraço do Palazzo Madama e as ruínas romanas sejam fortes motivos para visitá-lo.
Os Jardins Reais valem a visita?
Sim. Os Jardins Reais oferecem um agradável contraste com os interiores luxuosos do palácio. São um ótimo lugar para descansar, tirar fotos e apreciar uma das áreas verdes mais elegantes do centro histórico de Turim. Mas quem tem pouco temo pode curtir mais o Parco del Valentino, às margens do Rio Pó.
O Palazzo Reale é acessível para pessoas com mobilidade reduzida?
Sim. Grande parte do percurso possui elevadores e estruturas adaptadas para visitantes com mobilidade reduzida. Recomenda-se consultar as condições atualizadas antes da visita.
Mais dicas de Turim
Confira na página-índice Itália tudo o que já publiquei sobre diversas regiões da Bota.
O Palácio Real de Turim não impressiona pelo tamanho, como Versailles ou Caserta, mas na minha opinião isso foi positivo. É muito mais simples e proveitoso visitar um museu compacto, não acha? Um Louvre causa mais ansiedade do que um d’Orsay, assim como o Versalhes cansa, enquanto o palácio de Turim é uma visita breve e prazerosa e não menos impressionante.








