I sogni, sai, non dormono mai
Esse verso da linda canção Un Soffio Caldo, de Zucchero, me acompanhou durante meu 1 mês estudando italiano em Verona, quando finalmente realizei o sonho de fazer intercâmbio. Aos 56 anos. Sonhos não adormecem, ou morrem, nunca!
Pensei escrever este artigo num tom pessoal, com lembranças minhas… um desabafo de emoção, un soffio caldo de saudade, mas no fim decidi compartilhar informações mais objetivas sobre esse período que vivi, para te inspirar a ir também, a realizar aquele sonho guardado na gaveta durante anos.

Tchau, Brasil!
Sozinha no maior aeroporto do Brasil à espera do voo a Milão, pensamentos no que eu estava deixando momentaneamente e no que estava diante de mim: 34 dias sozinha no meu país do coração, para aprender um pouco da língua mais linda do mundo, numa das cidades mais charmosas da Itália, minha querida Verona.
Para trás, deixei os cuidados com a casa, com a cachorrinha, com o jardim e com a filha; os pais idosos sem meu auxílio e o marido sem a companheira. Tudo e todos teriam que esperar meu retorno, sem sobressaltos, sem problemas para que meu sonho não fosse interrompido. E eu não poderia ficar doente, afinal estava sozinha. Isso se chama fé, porque tanto pode acontecer em 1 mês, não?
E aconteceu! Aconteceu de eu conhecer pessoas de várias partes do mundo e de todas as idades. Aconteceu de eu caminhar pelas ruas de Verona com passos de morador da cidade pela manhã, de turista à tarde e de sonhador ao anoitecer. Aconteceu de eu me apaixonar ainda mais pelo italiano e por Verona e seus arredores. Aconteceu de eu ter agora memórias só minhas, que por melhor que eu tente te contar, não terão o mesmo colorido.
Tive saudade de casa? Sim, mas ligações de vídeo no whatsapp foram fundamentais para não me desligar completamente da família. Quando voltei, demorei alguns dias até me readaptar à velha rotina, e só agora, 2 meses depois, me permiti escrever a respeito.

Além de Verona…
Já que… Já que eu ia desembarcar em Milão, aproveite para conhecer Turim antes de me fixar em Verona. Também passei 2 noites em Milão, antes de voltar ao Brasil. Sempre tem algo para conhecer ou revisitar, né?
Durante o curso em Verona, não sobrava muito tempo para passear, porque a aula terminava às 13h, mas consegui visitar a lindinha Borghetto sul Mincio e o Lago di Garda 3 vezes, conhecendo Peschiera del Garda e Lazice. Eu achava isso o máximo: era só tomar o trem e eu estava no Lago di Garda em menos de 30 minutos.
Nos finais de semana eu visitei cidades mais distantes, e conheci a bela Mântua (Mantova), Vicenza e Treviso. Resisti à tentação e não fui a Veneza, mas explorei melhor Pádua (Padova) e acabei em Florença numa manhã de sábado porque dormi no trem e não desci em Bolonha! Era o universo me dizendo que eu não gostaria da cidade, que acabei visitando num outro sábado.
Encontre na página Itália as dicas de viagem a estas cidades e de outras regiões.


Verona com outros olhos
Pensei que eu seria capaz, depois de 30 dias, de conhecer cada rua de Verona. Não consegui. A sonhadora aqui gostava de ir aos lugares preferidos várias vezes, observando a mudança das cores das folhas das árvores ao longo do rio Ádige, do efeito da luz do sol poente sobre o Castelvecchio ou sobre a colina San Pietro. Além disso, houve dias em que eu ficava no apartamento para estudar ou mesmo para atender alguma consultoria de viagem.
Mas claro que fui a lugares aonde ainda não tinha ido, como o Giardino Giusti (video abaixo), a feira de antiguidades de San Zeno, e visitei as 4 igrejas históricas de Verona e suas muralhas e portas.
Revisitei os pontos turísticos de Verona que eu já conhecia, mas desta vez com guias locais e sem pressa. Andei por ruas não turísticas encontrando novas belezas e descobrindo novas faces de Verona. À casa de Julieta eu fui por obrigação, para não parecer pedante.
Algo que apreciei muito foi acompanhar os eventos da cidade. Consegui assistir a 2 espetáculos na Arena de Verona: a homenagem a Pavarotti, com apresentações de Andrea Bocelli, Laura Pausini, Il Volo, os dois tenores remanescentes do trio. E na semana seguinte, vi Zucchero, de quem virei fã enquanto aprendia as letras para cantar no show. Também participei do mercado de vinho, uma espécie de mercado de natal do início do outono, com barracas e música ao vivo nas principais praças de Verona. E no último dia do curso de italiano, Verona estava se vestindo para o natal.

Pensei que eu veria um monte de defeitos que meus olhos encantados não viram das outras vezes, mas não. É verdade, Verona não é perfeita, mas quem quer a perfeição? É uma cidade tranquila, principalmente quando se aprende a caminhar por ruas não turísticas. É segura apesar dos pick-pockets. Os arredores da estação Porta Nuova têm muitos imigrantes em situação de rua, mas a segurança ali é reforçada. E para que vive em São Paulo ou Rio, nada assusta.

“Meu” apartamento italiano em Verona
A escola oferece opções de hospedagem em casas de italianos. Pesei os prós: eu teria alguém para conversar em italiano e para responder minhas milhões de perguntas sobre a cultura e história locais. Os contras venceram: eu não queria passar 1 mês em Verona limitada a um quarto, sem liberdade para escolher o que comer e quando. O custo era menor nesse tipo de hospedagem, mas eu ainda estava tentando convencer minha filha a estudar italiano em Verona comigo, então o apartamento nos serviria melhor.
Escolhi um bairro fora do centro histórico – ficar no centro histórico seria bem mais caro – mas cuja distância não exigia o uso de transporte público, assim eu poderia caminhar da e para a escola e queimar as calorias das pizzas rsrs, além de economizar com transporte.
O studio ficava num prédio residencial entre a principal estação de trem de Verona, a Porta Nuova, e o centro histórico. O apartamento era reformado, com cozinha completa, máquina de lavar e varal de chão. Não tinha uma vista bonita, mas era bem iluminado e tinha ar condicionado e vidros duplos. A lixeira de coleta seletiva ficava do outro lado da rua e a vizinhança era bem silenciosa. Naquele 1 mês, apenas uma noite eu ouvi burburinho de gente vindo de uma festa.
No mesmo quarteirão tinha um dos melhores gelatos que já provei, da gelateria La Romana e abastecia a geladeira no mercado Pam Valverde. Pelo caminho diário à escola tinha vários cafés, e era prazeroso, passando por avenidas arborizadas antes de chegar aos Portoni della Bra. A escola fica numa travessa da piazza, ao lado da Arena.

A escola de Italiano em Verona
Eu já tinha visitado Verona duas vezes, sempre dizendo que seria minha escolha para morar na Itália, da mesma maneira que se sonha acordado o que fazer ao ganhar na loteria. E naquele 2025 eu descobri uma escola de italiano no coração de Verona, a passos da linda arena romana, a InClasse. Guardei no coração. Comecei a assistir ao canal deles no YouTube. Eu tinha estudado italiano por 1 ano com uma professora ítalo-brasileira, então compreendia muita coisa, mas nunca conseguia falar: toda vez que eu tentava falar italiano, saía inglês!
Depois de ganhar uma ação contra a Latam, comprei o voo, consegui alugar um studio com desconto devido ao período prolongado de 1 mês, em localização central em Verona, e fiz a matrícula depois de trocar algumas mensagens por email com uma das proprietárias da escola.
Dez dias antes do início do curso, fiz um teste de nível de italiano online, e no primeiro dia de aula uma prova oral. Os resultados servem para agrupar os alunos em níveis de conhecimento da língua parecidos. Você pode se matricular para apenas 1 semana de curso, enquanto aqueles que já moram em Verona ficam por períodos longos. Fiquei 4 semanas. Os alunos também mudam de grupo de acordo com o seu nível, então podemos ter a primeira aula com uma turma e a segunda com pessoas diferentes.

A escola fica num prédio comercial e tem 6 /(ou 7, não lembro) salas de aula, com no máximo 10 alunos por classe. Das 9h às 10h30 as aulas são de gramática e depois de um intervalo temos aula de conversação. Saímos às 13h. Os professores são trocados a cada 2 semanas, então tive 4 professores diferentes. Todos muito simpáticos e atenciosos, mas claro que alguns tive vontade de colocar numa caixinha e trazer para casa! Uma das professoras precisava de orientação didática, outras parecem ter nascido para isso: além de ensinar, mostravam-se interessadas nos alunos.
No período da tarde, uma vez por semana temos gratuitamente um passeio por Verona, com um dos proprietários/professores da escola como guia apresentando temas como Verona Romana, as pontes de Verona, Verona Medieval. Após os passeios, vamos a um bar para o tradicional aperitivo. Também oferecem aulas de culinária ou degustação de azeite ou vinho e outros passeios, de acordo com a época do ano.

Uma aluna americana nos presenteava com seus deliciosos bolos sempre às sextas-feiras e eu, no meu último dia, fiz brigadeiros improvisados, embrulhados em papel alumínio e sem chocolate granulado. Todo mundo adorou, mesmo assim. Fazer um teste ao final do curso é opcional. Eu me poupei do stress, nunca fiquei muito tranquila durante provas, mas ganhei meu certificado-souvenir.
Valeu a pena o investimento?
Não quero carregar muitas citações, mas é impossível deixar Fernando Pessoa de fora desta resposta: Tudo vale a pena, se a alma não é pequena.
Bem, em 1 mês eu poderia ter conhecido muito mais da Itália se estivesse viajando em vez de me hospedar em Verona, apenas. Mas eu já visitei várias partes da Itália, e além disso, esta experiência de se fixar em uma cidade foi algo novo para mim, e gostei.
Estudar cansa. Um cansaço diferente porque é a mente que cansa e não o corpo como acontece quando turistamos. Eram 4 horas por dia em sala de aula, em uma língua nova. Após a aula, se almoçava ou passeava com alguém da escola, falávamos italiano, assim como em lojas e restaurantes. TV em italiano. Música italiana. Cansa, mas foi pra isso que eu fui, não é?
Meu italiano evoluiu bem, e um exemplo concreto é quando entrava num café ou restaurante, o atendente começava a falar inglês, mesmo eu tendo iniciado a conversa em italiano. No final do curso, isso já não acontecia, o que para mim foi um bom sinal. Também consigo agora falar sem a intromissão do inglês. E tenho conversado semanalmente em italiano com uma australiana que conheci no curso. Se pudesse, voltaria à Itália uma vez ao ano para mais uma temporada de curso e passeios!

E você, tem algum sogno nel cassetto? Vibre e trabalhe para realizá-lo. Deixe o medo de lado, pense que tudo dará certo.
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