Viagem com crianças II

No post anterior desta série , falei um pouco sobre viajar ou não com crianças e quais destinos escolher, lembrando sempre que as sugestões são baseadas na minha experiência e opinião. It’s a free country, you know. Neste, listo dicas práticas direcionadas a quem fez a opção de viajar com crianças pequenas ou bebês.

Acredito que quanto mais jovem a criança, mais fácil é a viagem, pois o bebê dorme longas horas e fica quietinho no berço. Acho que a fase mais difícil para o confinamento de um avião é logo que a criança começa a andar e o assento ou a cadeirinha é o último lugar onde ela quer ficar. Depois dos 4 ou 5 anos volta a ficar mais fácil, se você educou direitinho seu filho. Afinal, é preciso manter um determinado tom de voz em ambientes fechados e com outras tantas pessoas; brincar com a luz do avião ou chutar o assento da frente vai incomodar os outros passageiros. Todo mundo já foi criança um dia e precisa entender que elas têm seu jeito particular de pensar e agir, mas cabe a nós, responsáveis por sua educação, mostrar-lhes como se comportar em cada situação. Ou seja, é natural que seu filho chute o assento da frente, mas não é natural que você não faça nada para que ele pare de chutar.

Homem Casado Viaja e nossa pequena em seu primeiro voo
Homem Casado Viaja e nossa pequena em seu primeiro voo

Preparando seu filho para a viagem
O melhor educador é aquele que faz perguntas e que sabe ouvir. Antes de contar sobre como é uma viagem, pergunte a seu filho ou sua filha o que ele ou ela espera encontrar no aeroporto, no avião, no hotel, no destino.  Apresente imagens ou conte sobre esses lugares e veja o que mais ele ou ela tem a dizer ou perguntar.

Consulta ao pediatra e medicamentos
Peça receita de medicamentos ao seu pediatra e leve-a para o caso de ser solicitada. Lembre-se que os medicamentos podem ser diferentes em outros países, então é bom levar os seus. Veja o item “malinha do bebê”.

Documentos do bebê ou do menor
Verifique com a companhia aérea os documentos necessários e lembre-se que há regras específicas para menores que viajam com apenas um dos pais ou sem eles.

Documentos importantes:
– Carteira de vacinação
– Cartão do SUS (para viagens nacionais)
– Cartão do plano de saúde
– Certidão de nascimento ou identidade
– Passaporte (para voos internacionais)

Fuso Horário
Alguns dias antes da viagem internacional, altere a rotina de sono das crianças pequenas dependendo da diferença de fuso que você vai encarar. Faça isso aos poucos, começando com 20 minutos mais cedo/tarde, até chegar ao horário de seu destino. O mesmo com a alimentação: vá ajustando conforme o fuso. Você preserva seu filho e de quebra aproveita melhor a viagem.

Assento do avião
Prefira os assentos da primeira fileira, que têm espaço para o bebê sentar-se no chão e para colocar o monte de coisas que você vai levar para distraí-lo. Ou não! como todo mundo com criança prefere esses assentos da primeira fileira, quando uma começa a chorar as outras vão no embalo ou acordam… Flip the coin!

Se não conseguir ou não quiser a primeira fileira e estiver em dois adultos + bebê até 23 meses, sem assento, o melhor é escolher um assento de corredor e um de janela, deixando um vago entre vocês. Se ninguém sentar, é do bebê! Se alguém sentar, vai ficar feliz em trocar com um de vocês e não ser o recheio do sanduíche de uma família.

O berço para menores de 2 anos em voos internacionais
Na TAM, por exemplo, é preciso reservar o berço com até 3 horas de antecedência ao voo, com restrições: peso máximo de 11kg e tamanho que se enquadre nas medidas do berço padrão (75cm X 34cm X 22cm). Como só há 2 berços na executiva e 2 na econômica  (!), faça a reserva o quanto antes.  Há cobrança de taxa que varia de 100 a 250 reais, de acordo com a distância.

Carrinho de bebê
Confira quantos itens a companhia aérea permite despachar sem custo. Confira se é permitido levar o carrinho de bebê a bordo (do tipo guarda-chuva), mesmo para crianças maiores. Lembre-se que depois de descer do avião, ainda é preciso enfrentar a esteira de malas e o controle de passaportes em viagens internacionais e muitas vezes as crianças estão sonolentas e querem colo  e você tem sua bolsa Mary Poppins e a mochila/sacola da criança para carregar.

Cadeirinha de carro (car seat)
Se for alugar um carro no destino, considere levar sua própria cadeirinha, pois as locadoras de automóvel cobram um valor alto pelo aluguel. Se for comprar no destino, deverá ser a primeira coisa a fazer ao chegar. Compras, logo ao chegar, really? Especialmente em vagens internacionais, há adaptação ao fuso local, o cansaço da viagem em si e você vai às compras? Parabéns, que energia!

A bolsa da Mary Poppins
Quando nasce uma mãe, nasce um polvo! Temos diversos braços para dar conta das situações que a maternidade nos oferece. Em um desses tentáculos, leve uma sacola ou bolsa grande para as coisas da criança. Ficar levantando, abrindo o compartimento de bagagem vai incomodar as pessoas e a você também. Deixe os jogos, brinquedos, livros, mamadeiras, tudo dentro de uma sacola ou mochila aos seus pés. As crianças em torno dos 3 anos já podem carregar uma mochilinha nas costas com alguns objetos leves.
O que levar nessa bolsa mágica depende das preferências e costumes de cada família, então vão aí sugestões básicas:
– 2 mudas de roupas para os acidentes a bordo
– 1 muda de roupas e calçados de acordo com o clima do destino, para você trocar a criança enquanto o papai pega as malas na esteira ou mesmo pouco antes do pouso.
– mamadeira, copinho, biscoito, comida em potinho, fruta…
– brinquedos mais estimados (exceto aqueles sonoros, para não incomodar os vizinhos de assento ou de mesa)
– livros preferidos
– caderno de atividades e giz de cera
– bichinho de pelúcia ou cobertorzinho
– você é a melhor distração de seu filho. Faça brincadeiras de palavras, de dedos e mãos, inventem histórias, cantem…
– ah, o tablet, o Ipad, caso você já tenha embarcado nessa. Galinha Pintadinha, Elmo, Barney, Backyardigans, Peppa Pig…

A “Malinha” do bebê
Nossa, esse item é um problema! Temos que levar em conta a restrição das companhia aéreas e dos porta-malas de taxi ou carros de aluguel, ao mesmo tempo que temos que assegurar o mínimo necessário para um bebê. Fiz uma pesquisa pela Internet e descobri que algumas mães realmente não praticam o desapego, carregando até nebulizador na mala!  Roupas, calçados, mamadeiras, chupetas são óbvios, mas há outros itens que podem passar despercebidos (além dos já citados assento de carro, carrinho guarda-chuva, brinquedos):

– babá eletrônica
– boné ou chapéu (mas acho legal comprar esse item no destino)
– itens de higiene: sabonete, xampu, creme para assaduras, fraldas, lenços umedecidos, fralda para piscina, cotonete,
– Piscininha inflável para o banho
sling ou canguru
– alimentos prontos para bebês (na mala a ser despachada)
– medicamentos: pomada para picada de insetos, repelente de insetos, protetor solar, soro nasal, analgésico, termômetro, band-aid, outros medicamentos de uso regular.

Uma blogueira-mãe-brasileira dá equivalentes de remédios infantis nos Estados Unidos, onde mora. Confira o site se este for seu destino de férias.

O Canguru deixa as mãos da mãe livres e o bebê pertinho
O Canguru deixa as mãos da mãe livres e o bebê pertinho


O que Vestir para o voo
A regra do conforto vale ainda mais para as crianças. Se o voo for noturno, elas vão adorar embarcar de pijamas. Vai me dizer que você também não gostaria?!

Pressão no ouvido
Na hora de decolagem ou do pouso sentimos a pressão no ouvido devido à diferença de altitude e engolimos a saliva. É um bom momento para oferecer água, leite (seja do peito ou de mamadeira) para os bebês e garantir o conforto deles. Ensine seu filho maiorzinho a engolir saliva nesses momentos. As balinhas que as companhias aéreas distribuem antes da decolagem são para isso.

Seu colo, um ninho
A partir dos 2 anos, a criança já paga tarifa cheia e tem direito a um assento no avião só para ela. até os 23 meses, ela vai no seu colo. Às vezes 9, 10 horas no seu colo. Por mais que sejam gostosinhas, cheirosas e a gente morra por elas, não é mole! Se for um bebê, leve um sling, vai dar uma folga ao seus braços. Se o pai ou outro membro da família estiver viajando com você, não hesite em estabelecer um rodízio.

Novas regras
Vocês estão de férias e é tempo de relaxar. Mantenha algumas regras essenciais e relaxe em outras. E que Deus te dê sabedoria para saber quais são umas e quais são outras (rsrsrs)! Importante: diga a seu filho ou filha que está tolerando certas coisas porque vocês estão de férias. Isso não vai impedir que em casa eles queiram manter certos comportamentos adquiridos nas férias.

Rodízio
Take turns! Se viaja com bebês ou crianças bem pequenas, a atenção que dispensa a eles é sempre muito grande. Por isso, faça um rodízio, deixando ora a criança sob os cuidados do pai, ora sob os seus e aproveite para ler, passear na praia, fazer compras. Assim todo mundo relaxa.

Relaxar, sem rodízio, não dá!
Relaxar, sem rodízio, não dá! Minha filha querendo atenção…


Alimentação
Verifique com a companhia aérea a alimentação que será servida durante o voo e o que você pode ou não pode levar a bordo.

Já em seu destino, melhor do que sucos industrializados é oferecer produtos in natura. Imagine a riqueza de viajar para um lugar com frutas diferentes! São novas texturas e sabores para seu pequeno!

Em restaurantes, converse com o atendente para saber da possibilidade de adaptar pratos já presentes no menu para oferecer à criança.

Seguro Viagem
Na minha opinião, viajar sem seguro é um risco. Se estiver com crianças, acho obrigatório fazer um. Eu sempre comprei com a Mondial e embora nunca tenha precisado usar, acabei fazendo uma parceria com eles. Frequentemente um desconto é oferecido para os leitores, então fique de olho no FB pois é lá que eu publico as promoções com maior persistência. Ao contratar seu seguro pelo blog Mulher Casada Viaja, eu recebo uma comissão. Basta clicar sobre o logo Mondial à direita (na versão PC) ou no final do blog (na versão smartphone). É um gesto atencioso em troca do compartilhamento de dicas, imagens e sonhos proporcionados por um veículo gratuito – mas que demanda tempo e dedicação. Eu agradeço antecipadamente.

Hospedagem
Com crianças, precisamos ser mais criteriosos na escolha do hotel, como poder contar com copa de apoio, a segurança existente no local e até a localização do quarto. Em grandes resorts, por exemplo, um quarto perto das áreas de lazer dará a você a oportunidade de manter a criança no quarto durante o sono enquanto você a monitora pela babá eletrônica.

Antes de escolher o hotel, verifique também se preparam papinhas de bebê e procure pela avaliação de outras mães que já estiveram lá hospedadas para saber sobre a qualidade do serviço e da alimentação.

Ao chegar no hotel, apresente os espaços ao bebê, para minimizar o estranhamento. Se houver dificuldade para dormir, coloque-o na cama com você (mas acho que essa dica nem precisa dar! Você já deve ter feito isso, claro).

Verifique se o hotel tem bercinho e se tem tela mosqueteira, caso contrário, leve uma na mala.

E você tem alguma dica ou história com crianças a bordo para contar? Deixe no comentário. Se não quiser vê-lo publicado, é só avisar e eu apenas leio e/ou respondo.

Abraços às mamães e seus filhotinhos.

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Viagem com crianças I

Quando nasce um bebê, nascem uma mãe e um pai, você já deve ter ouvido isso. Mas nasce também um novo jeito de viajar! Se você está esperando ou planejando um filho ou uma filha, esqueça essa história de que ele/ela é que têm de se adaptar a sua rotina e a seu jeito de viver. É um relacionamento que nasce, também, e como todo relacionamento é preciso fazer adaptações, concessões, doações, inclusive no modo de viajar.

Nos primeiros anos de vida de nossos filhos, os destinos de viagem são pensados primeiro para o conforto e o prazer deles, mas você pode incluir um destino “adulto” levando em conta uma série de detalhes que listarei no próximo post. Conto neste minha experiência, que reflete meu modo particular de viajar da época e pode e deve ser diferente de muita gente. Ou seja, é um relato, não um manual, pois tudo o que se refere a criança não tem instruções precisas, apenas sugestões (que pena!).

Minha filha viajou pela primeira vez aos 5 meses, de carro de SP a GO (Pousada do Rio Quente), então conta como uma viagem de avião pela distância e confinamento em espaço pequeno, eu acho. A vantagem do carro é a privacidade e a possibilidade de fazer paradas. Até os 3 anos de idade, ela rodou estradas SP-RS e SP-MG, e foi sempre muito tranquilo. Na verdade, a primeira foi meio tensa, pois não observamos o horário de cólicas dela e estávamos à noite, no carro, quando a crise começou. Fora isso, foi mesmo muito tranquilo, pois bebês dormem bastante, ainda mais em carros em movimento. De avião, viajou pela primeira vez pouco antes de completar 2 anos, numa curta distância SP-Porto Seguro.

Algo para entreter durante a viagem
Algo para entreter durante a viagem

Quando eu trabalhava em escola de educação infantil, muitas mães me perguntam sobre viajar ou não para a Europa com criança pequena (4 anos, por exemplo). Lembra das concessões de que falei no início do post? Elas servem para as crianças também. Se você precisa ir à Europa ou Ásia enquanto seus filhos são pequenos e não pode ou não quer deixá-los aos cuidados de alguém no Brasil, prepare-se bem e vá! Mas se for apenas uma opção, por que não escolher um destino mais atrativo para a criança?

Escolher viajar ou não com crianças depende de cada um e do destino escolhido. Criança pequena gosta de bicho, de natureza, de mato, de praia. Hotéis-fazenda são o que há de melhor para crianças até 3, 4 anos. Curta esses momentos. Vai ter tempo para outras viagens quando elas estiverem maiores. Resorts no Brasil, onde a gente pode ficar com segurança e tranquilidade também são boas opções.

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Criança feliz é criança perto da natureza

Mas tudo depende do seu estilo. Não adianta querer ficar perto da natureza se você vai gritar ao ver uma aranha, passando a ideia de que insetos, aracnídeos e afins são assustadores (embora sejam, às vezes). As crianças são fascinadas por insetos, folhas, pedras. Se você perdeu esse encanto, tente redescobri-lo através dos olhos curiosos de seu filho ou de sua filha. Se não reencontrá-lo, fascine-se pela admiração de seu filho e segure seu impulso de medo ou repulsa diante de bichos de jardim que não oferecem perigo.

Nós fizemos esta opção: hotéis-fazenda, litoral paulista, nordeste brasileiro enquanto ela era pequena, e a primeira viagem internacional com minha filha aconteceu quando ela tinha 6 anos, para Orlando. Mas se eu tivesse tido a oportunidade de ir antes, talvez teria ido. Não sei ao certo. Sou daquelas que acredita que a Disney seja um lugar cheio de pais e crianças cansados e infelizes com obrigação de parecerem felizes. Mas, de novo, tudo vai de como a coisa é feita: criança gosta e precisa de rotina. Se ela for respeitada, não vai ter lugar para manhas, choros, birras.

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Em Monte Verde, MG

No ano passado, viajamos com nossos pais, que sempre ficam com nossa filha quando viajamos em casal, então ela embarcou para a Europa pela primeira vez. De tudo o que ela viveu, o que ela mais curtiu foi passear de gôndola e comer massa todos os dias! Mas essa é minha filha, e cada criança tem uma reação baseada em suas vivências e em sua personalidade, então você só vai saber quando viver, não é? Mas imagino ser unânime a opinião de que visitar igrejas, monumentos e centros históricos não seja a melhor opção para crianças. Claro que ela correu atrás dos pombos, tomou muitos gelatos, curtiu os passeios de barco, fotografou esculturas, mas sei que ela preferia ter ido à Disney ou curtido uma praia ou piscina! E repito: vai ter tempo mesmo para ela conhecer a Europa.

Viajar sem os filhos
Muitos pais não desgrudam de seus filhos. Eu pessoalmente acho isso ruim para a criança e para o casal. Acho saudável que os pais passem alguns dias sem os filhos, oportunidade de se reconstituírem como casal. Para a criança, aumenta a confiança em si, de que é possível sobreviver sem a presença dos pais. Os laços afetivos entre a criança e os familiares que dela cuidaram durante a ausência dos pais também se estreitam. E tem todo um olhar psicológico de a criança perceber-se não mais como o centro do universo familiar. E de que os pais não pertencem à criança e a criança não pertence aos pais.

No próximo post, as dicas práticas de como se preparar para viajar com bebês e crianças pequenas.