Procuram-se Cidades Pequenas

Procuram-se cidades pequenas…

…em que o horizonte não esteja escondido por detrás de edifícios altos, ou sob a espessa camada de poluição. E se a paisagem se parecer com uma pintura, ainda melhor!

Vale d'Orcia Toscana
Toscana, Itália

… onde haja tempo para cultivar flores na janela, para que sejam a primeira coisa que vemos ao nos levantar pela manhã, lembrando-nos que tudo nasce, cresce e morre, e que se bem cultivadas, cuidadas, alimentadas, terão a chance de uma vida longa e saudável, assim como nós.

Kaysersberg França Alsácia
Kaysersberg, França

…cujos bancos de praças deixem de ser cama para sem tetos, e passem a ser um assento na sala de estar que é a vida ao ar livre.

Cusco Peru praça
Cusco, Peru

 

…onde a vida siga num ritmo calmo, tão lento quanto as águas de um rio no início do outono…

Castelo de Harburgo Alemanha
Harburg, Alemanha

 

Procuram-se cidades pequenas…

…onde o ser humano é observado como visitante, e por isso deve respeito a todos os seres que ali habitam.

Berchesgaden, Alemanha
população de Berchesgaden, Alemanha

 

…onde o capricho seja reflexo do amor pelo seu trabalho, pela sua casa, pela sua cidade.

outono em Nova Iorque
Outono no interior de Nova Iorque

…onde a gente possa se locomover com os pés ou sobre duas rodas, o que é bom para a saúde da cidade e de seus moradores.

cidades pequenas Europa Bruges
Bruges, Bélgica

…onde haja alegria por colher o que plantamos, adubamos e regamos

Colheita da minha chácara no interior de SP

Este post faz parte do projeto fotográfico 8on8, quando bogueiras publicam no dia 8 de cada mês 8 imagens para ilustrar o tema escolhido. Eu tinha pensado em escrever sobre 8 cidades pequenas para visitar, ou algo do gênero, mas escolhi compartilhar meu apreço pelas coisas mais simples, tão presentes em cidades pequenas.

Nascida, criada e envelhecida 48 anos na cidade de São Paulo, acho que nunca me achei aqui. Talvez por alguns poucos anos, quando descobri as oportunidades culturais que uma metrópole como ela pode proporcionar a uma adolescente. Mesmo assim, enquanto Natasha do Capital Inicial era o hino de muitas amigas, envolvidas com a vida noturna recém descoberta, eu entoava Amor de Índio de Beto Guedes ou Quero de Elis Regina (embora o mais óbvio seria mesmo Casa no Campo) na vitrola lá de casa todas as tardes depois da escola.

Essa vontade de virar as costas para a cidade grande não é sentimento novo, só estava adormecido enquanto eu me ocupava das coisas práticas da vida – ou elas se ocupavam de tomar minha vida. Agora é uma surpresa perceber que a essência do que somos nunca se perde, não importa o quanto nossa vida mude ou quantas décadas se passem.

O desconforto e a insatisfação de viver na cidade é algo que me incomoda levemente quase todos os dias, mas se intensifica quando passo muito tempo sem viajar para destinos de natureza. Abrir a janela do quarto pela manhã e ver telhados e mais telhados, tantos outros prédios (= gente vivendo sobre as cabeças de outras gentes, sempre achei a cosa mais estranha do mundo olhar para um edifício residencial e ver nas janelas as pessoas vivendo sobre as outras), horizonte espreitando-se entre eles, depois pelas ruas ver paredes pichadas, emaranhados de fios elétricos, pessoas invisíveis pedindo ajuda, ouvir barulho incessante de carros, inalar ar que ninguém deveria respirar. Sei que há muitas facilidades em cidades grandes, mas sempre acreditei que o caminho mais fácil nem sempre é a melhor escolha.

Viver numa cidade grande é certeza de ruptura com a natureza, não apenas a que está lá fora, que transformamos, agredimos, da qual subtraímos e à qual raramente somamos. Não é só a condição de não estarmos cercados por árvores e rios despoluídos ou da ausência do contato com animais silvestres ou mesmo domesticados. O distanciamento da natureza nos afasta de nossa condição de seres humanos, e a cidade impõe não somente um ritmo, mas convida a ser mais uma máquina, que precisa produzir e consumir. E mesmo que você consiga se desvencilhar dessa armadilha vivendo numa cidade grande, o que te resta é procurar, como eu, alguns momentos de paz, satisfação, encontro com a natureza e com seu ser humano. Um dia eu encontro essa cidade pequena e é pra lá que eu vou, como se estivesse em férias constantes, porque, afinal, são as cidades pequenas que sempre me encantaram mais.

Leia o que as outras blogueiras escreveram sobre o tema Cidades Pequenas:

 

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29 comentários sobre “Procuram-se Cidades Pequenas

  1. Edson Jr março 12, 2018 / 5:40 am

    Oi Marcia, adorei o tema do post, nós também adoramos conhecer e se perder em cidades pequenas, aquelas mais e menos conhecidas.

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  2. Aline Rodrigues fevereiro 28, 2018 / 10:40 am

    Marcia, adorei seu texto! Que poeta em potencial, hem. Eu também tenho um amor grande por cidades pequenas e não vejo a hora de poder viver em uma pra aproveitar tudo o que você cita nessa lista! Bjs

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    • Marcia março 4, 2018 / 6:18 pm

      ahaha, poeta em potencial, nada, é sintoma de quem vive em SP! abraços

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  3. Juliana Moreti fevereiro 21, 2018 / 1:43 pm

    bella
    vc vai achar sim a tua cidade pequena (ou as tuas vàrias cidades pequenas), mas enquanto a Giulia nao cresce, aproveite muito tua chácara! Fiquei morrendo de vontade de ter aquela cesta de frutas

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    • Marcia fevereiro 27, 2018 / 7:33 pm

      Oi, Juli, vou aproveitando, sim, minha pequena Toscana, ahaha. obrigada pela visita!

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      • Juliana Moreti fevereiro 27, 2018 / 10:02 pm

        Eu me encantei!!! S2

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  4. cleberyamamoto fevereiro 21, 2018 / 6:28 am

    Que post incrível, me senti dentro de cada pequena cidade e me envolvi emocionalmente e espiritualmente dentro do texto, fiquei imaginando rodeado de grandes prédios, chão asfaltado e vi lá no horizonte uma luz me chamando. Sai correndo em direção à luz. Quando me aproximei, vi que era uma pequena cidade com crianças brincando na rua de paralelepípedo, idosos conversando na praça e a vida passando bem devagar. Foi incrível! Adorei o post. Obrigado pelo relato!

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    • Marcia fevereiro 21, 2018 / 10:20 am

      E que delícia de comentário! Também viajei nele, Cleber, obrigada. É assim mesmo, precisamos encontrar uma luz e nos mover naquela direção, senão não há viver. Abraços

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  5. Giulia Sampogna fevereiro 19, 2018 / 10:54 pm

    Adorei esse post. Sinto bem essa diferenca vivendo metade do tempo em Sydney e outra metade em uma cidade pequenininha no meio do nada em NSW. Acabo vivendo o melhor dos dois mundos, o que eu adoro.

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    • Marcia fevereiro 27, 2018 / 7:31 pm

      Aí é bom demais, hein, Giulia. E mesmo sendo grande, viver em Sydney não deve ser tão estressante quanto viver em SP!

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  6. Karine Porto fevereiro 19, 2018 / 7:34 am

    Adorei o post! Apesar de ser da tribo da cidade grande, entendo o sentimento e o valor de cada uma dessas coisas que só cidades pequenas podem oferecer! ❤

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  7. angiesantanna fevereiro 19, 2018 / 6:39 am

    eu amo cidades pequenas e quero voltar a morar em uma! é tudo mais fácil, tudo mais perto, as pessoas se conhecem (as vezes da umas tretas) mas no geral me encanto muito mais do que as grandes!

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    • Marcia fevereiro 27, 2018 / 7:30 pm

      Imagino as tretas, Angie, a gente sempre ouve essa reclamação a respeito de cidades pequenas. Mas acho que compensa pelos benefícios que oferecem.

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  8. Viviane Carneiro fevereiro 16, 2018 / 7:42 pm

    Que texto mais lindo e inspirador! Amei também as fotos, que estão maravilhosas. Conhecer cidades pequenas é sempre uma boa pedida.

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  9. Ruthia fevereiro 16, 2018 / 7:09 pm

    A vida nas cidades grandes é muito corrida e, apesar da oferta cultural ser maior, também sinto muito a falta do contacto com a natureza. O sentido de comunidade perde-se, os vizinhos não se conhecem, a poluição e o trânsito envenenam-nos aos poucos…
    Gostei muito da sua inspiração e, sobretudo, da foto das gazelas a observarem curiosas os visitantes!!

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    • Marcia fevereiro 27, 2018 / 7:28 pm

      Obrigada, Ruthia. Elas estavam assustadas, pois pularam na estrada bem na nossa frente, uma a uma. Enquanto meu marido olhava assustado pra mim, que me preparava pra fotografar a cena, o segundo apareceu na frente do carro e o terceiro, o filhote, atravessou a estrada calmamente, juntando-se aos adultos.

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  10. Luciana Rodrigues fevereiro 16, 2018 / 5:09 pm

    Ainda me sinto bem atraída pelas grandes cidades, mas Roma na verdade não é uma megalopole, então ainda vivemos bem.

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    • Marcia fevereiro 27, 2018 / 7:25 pm

      Pois é, mas Roma tem o agravante de estar sempre invadida pelos turistas, o que não sei se chega a ser um problema ou algo interessante. Acho que gostaria de viver em Roma um pouco para saber ahaha

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  11. Diego Arena fevereiro 16, 2018 / 2:42 pm

    Muito legal as fotos e a reflexão. Sempre vivi em São Paulo também e as vezes sinto falta de uma cidade pequena. Ai vem as viagens né haha
    Obrigado por compartilhar esse texto.

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  12. Pollyane Martins fevereiro 14, 2018 / 8:11 am

    Seus posts são lindos e inspiradores. Amei as suas reflexões ao final e concordo com os seus pensamentos. Não cresci numa cidade grande, mas também não era pequena o suficiente para que pudéssemos aproveitar as vantagens que vc foi citando com as imagens, ou seja, era um meio do caminho, o que no final era pior. Ainda bem que hoje temos a oportunidade de viajar para lugares que nos agradam mais, enquanto a chance de morar neles não chega.. Espero que, para vc, chegue logo! Beijo grande

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    • Marcia fevereiro 16, 2018 / 11:23 am

      Polly, obrigada pelo comentário e pela visita. Verdade, meio termo é bem ruim – em tudo! Seja quente ou seja frio, mas morno, não dá! abraços

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  13. quartodeviagem fevereiro 13, 2018 / 8:13 pm

    também quero encontrar uma cidade pequena pra chamar de minha, apesar de morar em uma, Malvern é uma vila no interior da Inglaterra, não é aqui que quero morar pra sempre, quem sabe um dia encontro esse lugar que tanto espero!

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    • Marcia fevereiro 27, 2018 / 7:23 pm

      Flavia, fui ver no Googlemaps onde e como é Malvern. Espero que um dia você encontre seu cantinho. Enquanto isso, continue procurando nas viagens!

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  14. Let's Fly Away (@letsflyawaybr) fevereiro 9, 2018 / 12:16 pm

    Que lindo texto!!! Fiquei apaixonada. Uma visão tão poética do tema, um olhar muito criativo. As fotos do trio no banco da praça são a melhor expressão de uma cidade pequena, com pessoas vivendo uma vida calma, mais pacata, de interação com o próximo. Excelente!

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    • Marcia fevereiro 27, 2018 / 7:21 pm

      Acho que não é utópico, a gente pode viver assim, não é? Hoje parece ser crime ter tempo livre, as pessoas andam malucas.

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  15. Ellen fevereiro 9, 2018 / 8:35 am

    Nossa…quanta coisa linda foi dita e fotografada…viajei em pensamentos nessa pequena matéria Márcia que ressoou em mim…obrigada!

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    • Marcia fevereiro 27, 2018 / 7:20 pm

      Obrigada pela visita e comentário, Ellen, foi um prazer escrever.

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  16. Analuiza (Espiando Pelo Mundo) fevereiro 9, 2018 / 7:55 am

    Oi Márcia… eu amei seu olhar e seu recorte neste [8 on 8]. Talvez por comungar de seus sentimentos, talvez por ele estar repleto de
    poesia. As imagens estão lindas e me levaram numa viagem particular.

    Eu tenho total apreço pelas cidades pequenas justamente porque elas nos permitem observar os detalhes como as flores na janela, observar a vida que se desenrola, o horizonte… este ritmo mais lento das cidades pequenas nos levam ao autoconhecimento.

    Eu também sofro e me sinto inadequada em minha cidade grande e caótica e busco renascer em minhas viagens. Por isso sempre estão uma ou mais cidades pequenas em meus roteiros. 😁😊😀

    😘😘😘😘😘

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    • Marcia fevereiro 27, 2018 / 7:19 pm

      Vamos viajar, então! Não é a solução, mas um paliativo delicioso!

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