NY em 5, 6, 7 dias

Quando viajamos para certos destinos, junto com a bagagem embarcam filmes, canções e personagens de show televisivos. Visitar Nova Iorque é carregar uma bagagem memorial enorme e é divertido como os arquivos vão saindo dessa mala especial a cada lugar visitado. Tem sempre um edifício, um cantinho do Central Park, uma ponte, uma fachada que serviu de locação. Além disso, sempre há um filme sendo rodado e se você tiver sorte pode assistir a um! Das três vezes em que estive lá, em duas presenciei filmagens. Há inclusive passeios que você pode contratar que visitam locações de séries ou filmes.

O Dakota, locação do filme O Bebê de Rosemary e última morada de John Lennon
O Dakota, locação do filme O Bebê de Rosemary e última morada de John Lennon

Depois de dezessete anos, era óbvio que algumas coisas estivessem diferentes. Para minha surpresa, para melhor! Vi a cidade mais limpa (não vi nenhum ratinho, que coisa!), com novas atrações e motoristas não tão agressivos como nos anos 90 (velocidade máxima nas ruas de Manhattan é de 40 km e os motoristas diminuem à frente da fixa de pedestres mesmo que o semáforo esteja aberto para eles). Mas tive também recordações incômodas, como o espaço vazio deixado pela ausência do World Trade Center no skyline. A Times Square está mais maluca do que nunca. A balsa gratuita para Staten Island (e a vista da Estátua da Liberdade e do Skyline Sul de Manhattan) parece transporte de excursão turística. Quando visitei em uma primavera e também no alto verão, nos anos 90, não havia tantos turistas. Imagino que a Internet seja a “culpada” por divulgar essa manha de não pagar o passeio de barco para ver a estátua… Alguns taxistas ainda não falam Inglês, mas todos são fluentes na linguagem da buzina. Pior, só em Lima, Peru.

Aposto que você já viu essa fonte em filmes!
Aposto que você já viu essa fonte em filmes!

Antes de escolher NY como destino de férias, lembre-se de que não é o destino para descansar, pois há muita gente, muito barulho. E digo o óbvio, só para registrar: Nova Iorque é como Paris ou Londres, você nunca se cansa dela.

Meu lado verde fez com que eu me incomodasse com coisas que talvez passassem despercebidas por outras pessoas em visita aos Estados Unidos. O desperdício de energia é uma delas. No verão, a gente vira picolé em lojas e restaurantes. No inverno, morre assado. Energia gasta sem necessidade. Outra coisa é a cara-de-pau com que dizem não se preocupar “com essas coisas”. No café vizinho ao hotel, onde fizemos nossos café da manhã, perguntei ao balconista porque ele me dava copo de isopor mesmo para bebidas frias. Ele me disse que o plástico era mais caro. Quando comentei que o isopor passa por um processo de reciclagem mais difícil, ele disse “We don’t care about these things in America.” What a shame! Uma coisa legal é a coleta de lixo: sacos de cores diferentes para o reciclável e o orgânico. Simples de se implantar. Outra coisa que me incomodou foram os taxis híbridos que rodam por lá, que são verdes. Fiz questão de tomar um deles para ir do Brooklyn a Manhattan – e foi a única vez que tomei. Mencionei ao motorista que eu não havia visto nenhuma estação de recarga e ele não entendeu. Perguntei se o carro não era elétrico, e que então precisaria de estações para recarga elétrica. Disse que tinha visto em cidades europeias e que tinha ficado feliz em ver carros híbridos em Manhattan também. Ele disse meio desaforado: “Não, aqui nós usamos gasolina!” “Mas o carro não é híbrido?”, perguntei inocentemente. Ele respondeu a mesma coisa…

Híbridos que só usam gasolina!
Híbridos que só usam gasolina! Nação-desperdício

Mais uma vez constatei que as pessoas estão viajando muito mais, pois a cidade estava abarrotada de turistas de todo o mundo – mais do que no final dos anos 90. Também notei a presença de muitos moradores chineses (longe de Chinatown, em áreas nobres da ilha) e senti falta das mulheres que lá em 1997 caminhavam elegantes de vestido e tênis. A sensação de segurança ao caminhar pela cidade, mesmo com câmera empunhada – afinal tem sempre um  ângulo para fotografar!, ou pelas trilhas do Central Park vazio também me deixou satisfeita. E pensar como Nova Iorque era insegura algumas décadas atrás… Observei nos locais o mesmo hábito de brasileiros que caminham enquanto enviam mensagens de texto, algo que não vi pela Europa. No Chelsea vi inscrições nas calçadas: “dane-se” (well, não é bem isso) “seu telefone, mantenha a cabeça erguida!”

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Sobre o roteiro

Montar um roteiro sempre é mais fácil quando você já conhece a cidade pois já tem ideia do que há para fazer e o mapa da ilha (literalmente) já mentalizado ajuda nesse processo. Apesar disso, como era a primeira vez de nossa filha por lá, visitamos os principais ícones novamente, o que foi bem legal, também. Não tenho essa coisa de “que mico, ficar visitando pontos turísticos”. Me desculpem, mas eles são pontos turísticos e ícones porque são especiais e por isso todo mundo vai. Essa tendência de ficar indo aonde ninguém vai só vale para quem já visitou a cidade dezenas de vezes. Soa muito vaidoso isso, concordam? Afinal, os ícones são os mesmo, mas nossos olhos os vêem de uma maneira diferente a cada visita. Mas você não é “obrigado” a visitar todos eles. Eu não gosto do Arco do Triunfo em Paris e nem da Estátua da Liberdade, por exemplo.

O mapa do tesouro tem um monte de Xs, então é difícil fazer um roteiro que caiba no gosto de todo mundo. Os programas também mudam de acordo com a época, então pesquise o que estará rolando na cidade. Alguns sites que você pode explorar com eventos na cidade:

http://www.nycgo.com
http://www.timeout.com/newyork

O mapa da mina
O mapa da mina com alguns pontos principais
Ao observar o roteiro, o dia 2, por exemplo, não é necessariamente o segundo dia da viagem. Vá escolhendo a região a ser visitada levando em conta o clima, sua disposição física e mental. Às vezes o dia está lindo para caminhar ao ar livre e você não vai querer se enfiar em um museu. Guarde os museus para dias chuvosos, por exemplo.
Não incluí no roteiro jantares ou compras, que estão explicadinhos nos posts de cada dia do roteiro, a ser publicados.
Viajamos em Outubro, com uma criança de 12 anos.
DIA 1: região da Times Square e Midtown
O primeiro dia foi bem proveitoso, pois nosso voo chegou no JFK às 6h. Se você chegar mais tarde, vai precisar cortar algumas atividades. Chegando ao hotel, deixamos nossas malas na recepção, pois o check in seria só depois das 15h. Veja com seu hotel se há cobrança de taxa para isso.

– St Patrick Cathedral (5th ave. com East 50th)
– NY Library
– Bryant Park
– Grand Central Station
– Times Square (lojas da Disney, M&Ms, Toys R Us)
– Rockfeller Center (loja da LEGO e por do sol no Top of the Rock)

Pernas cansadas encontram repouso no Bryant Park
Pernas cansadas encontram repouso no Bryant Park

DIA 2: Upper West Side
– American Museum of Natural History
– Strawberry Fields Forever (homenagem a Lennon)
– Dakota Building (onde John Lennon morava e locação dO Bebê de Rosemary)
– Columbus Circle
– Lincoln Center

Dinossauros e bichos empalhados não são a única atração do Museu de História Natural. O planetário agrada para quem vive no mundo da lua, também
Dinossauros e bichos empalhados não são a única atração do Museu de História Natural. O planetário agrada para quem vive no mundo da lua, também

DIA 3: Downtown e Financial District (Lower Manhattan)
– Staten Island Ferry (Estátua da Liberdade e Skyline de Manhattan)
– Battery Park
– Wall Street
– Trinity Church (a igreja mais antiga de NYC)
– September 11 Memorial
– High Line
-Little Italy e Chinatown
– Pier 17 (estava em reforma durante nossa visita)
– Brooklyn Bridge e Brooklyn Promenade

Uma rosa para lembrar uma vida no Memorial 11 de setembro
Uma rosa para lembrar uma vida no Memorial 11 de setembro

DIA 4: Upper East Side e Met
– The Metropolitan Museum. Se o tempo estiver bom, não deixe de visitar o Roof Garden com vista para o parque.

Encontrei o Marcos Mion no Metropolitan, quem diria!
Encontrei o Marcos Mion no Metropolitan, quem diria!

DIA 5: Central Park e Gugenheim
Central Park: Belvedere Castle, Conservatory Garden, Bethesda Fountain, Alice in Wonderland Statue e Lagos. Se você for no outono, aprenda sobre a mudança das cores das folhas neste post.
– Gugenheim

Na minha opinião. só o Central Park já vale a viagem!
Na minha opinião. só o Central Park já vale a viagem!

DIA 6: DIA DE RETORNO
Com a manhã livre (o voo sairia apenas às 15h), fizemos algo próximo ao hotel. Eu acordei bem cedo e fui fotografar o Central Park, antes de encontrar maridão e filha.

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– Central Park Zoo, sonho da minha filha, talvez pelo imaginário legado da animação Madagascar.
– FAO Schwarz (leia post Lojas de Brinquedo em NY).

Tivemos um DIA 7, mas nós o usamos para sair de Manhattan e visitar um parque estadual no interior de Nova Iorque (leia post sobre Minnewaska).

Outono? Hit the road!
Outono? Hit the road!

Se interior não for sua praia (ficou estranho isso!), você pode usar um eventual dia extra para fazer compras em um dos outlets da região, como o Woodbury Outlet (mais longe, a 100 km de Manhattan) e o Jersey Gardens.

Aguarde os próximos posts onde explico sobre as atrações de cada dia do roteiro, transporte e dicas de onde comer. Um post sobre o planejamento de sua viagem a NYC também está no forno!

Algo legal ficou de fora? Certamente, vários “algos”! Deixe sua dica para que possam ser aproveitadas pelos leitores.

Abraços e uma NY maravilhosa para você!


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Roteiro New York – dia 2: Upper West Side

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2 comentários sobre “NY em 5, 6, 7 dias

  1. Fernanda setembro 1, 2015 / 11:24 am

    Bom dia! Há um ano, decidi q iria para NYC em dezembro desse ano. Isso significa que há meses estou lendo inúmeros sites, no google praticamente não aprece site já em roxinho, que siginifica que passei meus olhos por lá. Mas o seu site foi o primeiro que tive vontade de deixar um comentário. Tudo muito bem explicado, claro e simples de entender! Vou devorar todos os outros posts que vc fez! Viajo em dezembro como disse, com minha irmã. Tivemos as duas bebês há pouco tempo, então será uma viagem para as meninas, deixando filhos e marido no Brasil! Obrigada pelas valiosas dicas!

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    • mulhercasadaviaja setembro 1, 2015 / 12:08 pm

      Fernanda, bem-vinda ao blog! Obrigada pelo comentário. Eles nos ajudam a melhorar a qualidade dos posts e nos deixam felizes quando é um como o seu (rsrs). Que delícia, viagem entre mulheres, aproveitem! Volte para contar como foi, afinal o inverno é a única estação em que ainda não fui a NY. Ah, já leu sobre viajar sem filhos? https://mulhercasadaviaja.com/2014/09/09/viagem-sem-filhos/
      Boa viagem!

      Curtir

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