Pantheon: o senhor de Roma

Quem vai a Roma tem muitas opções de lugares centenários e milenares para visitar, mas não deve deixar de entrar no Pantheon. Relato aqui curiosidades sobre ele e como foi que ‘nos conhecemos’.

pantheon roma

Foi num clima de festa (pelo menos em meu coração) que passei em frente ao Pantheon em minha primeira vez em Roma. Dos lábios do guia saíam informações relevantes, mas eu estava enebriada pela atmosfera da piazza e por aquela edificação maravilhosa e ao mesmo tempo estranha: redonda, com um pórtico retangular, cercada por prédios sem personalidade e diante de uma fonte e seu obelisco egípcio. Mesas de restaurantes tomadas por turistas, o vai e vem de gentes de todo mundo, tudo isso ao som de uma banda que tocava Pink Floyd na Piazza della Rotonda me trouxeram um certo entorpecimento mental. Infelizmente, as portas do Pantheon estavam fechadas devido ao horário. Não é assim que se conhece um lugar, visita (incompleta) com hora pra começar e terminar, guia dando detalhes hsitóricos e técnicos sem paixão. Saí dali apenas com a certeza de que eu precisaria voltar para sentir o lugar, o que só aconteceu 2 anos mais tarde, quando revisitei Roma.

Quando voltei à Piazza della Rotonda naquele junho de 2015, parecia uma criança diante da entrada de um parque de diversões. Sozinha, sem guia ou qualquer companhia cujo olhar ou comentário poderia quebrar o encantamento em que eu estava prester a mergulhar. Entrei no pórtico e fitei as altas e largas colunas de granito que dão o tom de templo politeísta ao Pantheon. Para escrever aqui, descobri que o teto do pórtico era de bronze, retirado a mando de Urbano VIII Barberinii no século 17 para ser derretido e fazer canhões e balas na defesa do Castelo de Santo Ângelo, morada dos papas.

A aproximação com as portas de bronze de 6,5 metros de altura foi difícil não só pelos muitos turistas que queriam entrar, mas porque eu me demorei ali a tocá-las, como em reverência a este senhor de Roma.

E então meu olhar se direcionou para o interior. O piso polido, as imagens dispostas em nichos nas pareces circulares, mais colunas. E gente, muita gente.

Olho para cima e me perco na luz proveniente do óculo, no alto da grande cúpula. Passei a maior parte do meu tempo ali observando o efeito propciado pelo faixo de luz banhando o interior do Pantheon, imaginando sua dança através das horas. Se puder, escolha um dia de sol – ou de chuva, que deve ser igualmente lindo, já que não há vidro ou outro material fechando o óculo.

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Me aproximei das paredes e encontrei o túmulo do artista Rafael. Desde o Renascimento o Pantheon tem sido utilizado como túmulo de grandes nomes da nação italiana, assim como o de Paris guarda os restos de figuras ilustres francesas.

A multidão era demais pra mim, e embora eu quisesse ficar mais, acabei desistindo e fui para o exterior, nos fundos do Pantheon, onde havia sombra, silêncio e tranquilidade muito bem-vindos. Consegui ali obervar melhor detalhes das colunas, resquícios das pedras que revestiam o templo, e acabamentos primorosos em mármore.

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O que faz o Pantheon especial, dentre outros edifícios de Roma

O Pantheon foi construído durante o reinado do imperador Augusto (27 AC a 14 DC) e, depois de danos causados por incêndios, reconstruído pelo imperador Adriano por volta do ano 126 DC no mesmo formato do original. Passou por intervenções ao longo dos séculos. Havia uma escadaria de 10 metros para se chegar a ele – pra mim é tão difícil entender este acúmulo de material que faz com que o solo vá se elevando, mas Roma é dos lugares mais ricos para entender isso com os próprios olhos.

Sua cúpula continua sendo a maior construída com concreto não reforçado, ou seja, não foi usado nenhum tipo de haste metálica na estrutura. Sua altura e seu diâmetro têm o mesmo número, conferindo harmonia (43,4 metros) e até o século 19 era ainda a maior já construída. E se você, como eu, se perguntar sobre o domo da catedral de Florença, lembre-se que ele é octagonal. Arquitetos afirmam que hoje, com toda tecnologia, não conseguiriam construir algo parecido.

Assisti a um documentário que falava sobre a longevidade dos edifícios romanos, atribuída ao concreto romano. Um engenheiro americano, David Moore, maravilhado pelo Pantheon, estudou o concreto romano, um composto de cinza vulcânica, calcário e água. Se quiser saber mais, é só visitar o site Roman Concrete ou mergulhar no livro The Roman Pantheon: The Triumplh of Concrete, de David Moore.

Evento Especial no Pantheon

O Pantheon passou a ser um templo cristão no século 7 e há missas aos domingos e dias santos. No Domingo de Pentecostes (50 dias após a Páscoa Cristã), uma multidão se forma desde cedo para a missa das 10h, durante a qual pétalas de rosas vermelhas são lançadas para dentro do Pantheon através do óculo, uma representação floral da passagem bíblica de quando o Espírito Santo desceu sobre os apóstolos de Jesus Cristo. Independentemente de sua crença ou da falta dela, é um belo espetáculo. A Ana Venticinque do blog Vou pra Roma gravou o momento da chuva no Pantheon.

A Fonte do Pantheon

A fonte em frente ao Pantheon foi realizada pelo escultor Leonardo Sormani no século 16 seguindo desenho do arquiteto Giacomo della Porta. O obelisco egípcio contemporâneo a Ramsés II foi levado a Roma por Domiciano e ficava em um templo pagão. Mudou-se para a Piazza della Rotonda em 1711 a mando do Papa Clemente XI. Da fonte original, apenas a bacia permanece inalterada. As 4 máscaras em formato de dragões foram substituídas por cópias no século 19. Mais recentemente, passou por restauros em 1974 e 1991-92.

E não se esqueça que as fontes de Roma te presenteam com água potável gratuita, fresquinha mesmo em dias quentes de verão, pode tomar sem receio e reabasteça sua garrafinha.

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Como eu disse antes, não deixe de incluir o Pantheon no seu roteiro em Roma. Em minha última visita, no final de junho de 2019, havia uma fila enorme na piazza, mas que andou rápido. O Pantheon fica na Piazza della Rotonda e a entrada é grátis.

Este post é parte da blogagem coletiva do grupo 8on8, em que todo dia 8 blogueiros do Brasil e da Europa escrevem sobre um tema em comum, trazendo dicas legais pra você sempre ilustradas com 8 imagens. Confira as escolhas dos demais blogs participantes neste mês, cujo tema foi Monumentos Arquitetônicos.

Destinos Por Onde Andei – Monumentos no Mundo – Arcos maravilhosos
Turistando.in – As antigas portas de entradas das cidades italianas
O Berço do Mundo – O real alcázar e a alma árabe de Sevilha
Viajando em 3..2..1. – Top 8 monumentos na Europa
Entre Polos – Anıtkabir – O Grande Monumento da Turquia

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1 COMENTÁRIO

  1. Eu sinto um paradoxo quando estou junto à multidões em locais turísticos. Gostaria de estar visitando aqueles lugares fantásticos, sem ninguém por perto. Mas, ao mesmo tempo, quero que muitas pessoas tenham a mesma oportunidade que eu estiver tendo. Difícil, né? Minha visita ao Pantheon também foi conturbada. Eu cheguei por trás, e quando percebi o que era aquele edifício, a emoção tomou conta de mim. Adorei sua abordagem!

    • Sinto o mesmo, Zudi! Vivo propagando as maravilhas de viajar e fico até irritada com as multidões, especialmente gente que só quer fazer selfie e fotografar sem sentir os lugares.

  2. Fiquei maravilhado na minha visita a este monumento, hoje acho que foi muito rapido, poderia ficar lá mais tempo admirando, é sempre assim ne! e penssar que sua construção começou antes de Cristo, é mesmo fascinante. 👏👏👏

  3. O Panteão é um dos edifícios mais apaixonantes de Roma. O mais interessante é ter sido erguido como templo a todos os deuses e quando convertido a Igreja, não terem a tentação de arrasarem o espaço para construírem uma igreja mais “tradicional”. Felizmente para as gerações futuras

  4. Visitei o Pantheon em duas oportunidades distintas em que estive em Roma e em ambas eu fiquei deslumbrada com este monumento maravilhoso e que nunca deve ser esquecido por nenhum turista que visita a cidade, é realmente imperdível.
    Eu tive mais sorte que você, porque nas duas vezes não estava tão lotado assim, que pena, Márcia.
    O Pantheon é um local que precisa de tempo para ser contemplado, por causa das belezas e história que contém.
    Amei as fotos, lindíssimas, deu vontade de voltar mais uma vez.

  5. Como não querer visitar o Pantheon, o senhor de Roma agora? Seu relato é de arrepiar! Pergunta que não quer calar, na segunda visita, estava ali a banda tocando Pink Floyd? Rs Brincadeirinha!

  6. Eu ainda lembro quando vi ele a primeira vez, tava andando meio distraída pelas ruas de Roma e dei quase de cara, entrei e fiquei sem palavras com a grandeza do lugar

  7. Confesso que tive a mesma impressão que você quando vi o Panteão pela primeira vez: achei o prédio esquisito por fora. Uma sensação de fora do lugar. Pior: ele também estava fechado por causa do horário. Voltei em Roma anos depois e aí sim entrei no Panteão e aí foi só deslumbramento. Que magnitude. Entrei no link para ver a chuva de pétalas e… que lindeza, gente. que lindeza! É mesmo coisa de outro mundo!

  8. Realmente, é o senhor de Roma, Márcia! Já te contei que estou devorando seus posts da Itália né? Acho incrível a forma como você traz as informações, nós ficamos inebriados e ainda mais ansiosos!
    Estou mais apaixonada ainda!

  9. Uau! Eu acho que nunca tive um sentimento do genero em lugar nenhum
    rsrsrsrs
    Primeira vez que vi o Pantheon eu estava sozinha. Jà era noite e me deixei me perder pelo centrinho da cidade. Entrei ainda outras 3 vezes ali dentro, mas a mais impressionante foi em minha ultima visita, quando vi o facho de luz passando pelo òculo

  10. Conhecer o Pantheon é um passeio que deve estar no roteiro de quem visita Roma, o lugar é impressionante, e vale a visita. Ótima dica.

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