Trem na França, Bélgica e Holanda: dicas

trem na Europa
Euzinha, na bela estação de Antuérpia

Cometi o pecado dos viajantes apressados: agarrei uma oferta de passagem SP-Paris ida e volta sem negociar uma SP-Amsterdã-Paris-SP, que atenderia melhor aos meus planos. Que sorte a minha! Tive a chance de aprender como viajar de trem pela Europa e conhecer algumas lindas estações de trem – e outras nem tanto, mas todas com pontualidade britânica!

Outro pecado (ou virtude, se você é viciada em viagem como eu) dos viajantes é o “já que”.  “Já que estou indo a Amsterdã, por que não dar uma paradinha na Bélgica?” E dá-lhe passagem de trem!

Conto aqui um pouco sobre minha passagem (olha o trocadilho aí, gente!) por estas estações de trem e, claro, vão dicas de como proceder no embarque e antes de fazer as malas!

Comprando as passagens

Este item mereceu um post próprio (trem: como comprar bilhetes), principalmente porque não há página em Português no site que vende as passagens do trem de alta velocidade, conhecido como TGV.

Primeira ou segunda classe?

Se a diferença do valor for muuuito pouca, vale a pena a primeira classe, que tem wifi (embora lento) e serviço de bordo com suco e um lanchinho inclusos no custo. As poltronas reclinam um pouquinho. E só. Se a viagem for curta, acho que não vale a pena.

De Paris a Amsterda de trem
O lanche da primeira classe do trecho Amsterdam-Paris (3 horas de viagem)

CDG terminal de trem


Indo do ponto A ao ponto B dentro do aeroporto Charles de Gaulle, Paris

Após todo o desembaraço de passaporte e bagagem, nos dirigimos ao Terminal 2, de onde partem os trens de alta velocidade.

trem ou avião Paris-Amsterda

como é trem de Paris a Amsterdam
Plataforma e trem que leva de um terminal ao outro, dentro do CDG

Já no terminal 2, o grande lobby de espera do Aeroporto CDG tem lanchonetes, banheiros, bancos simpáticos para espera com luminárias que trazem aconchego e uma mostra da paixão dos franceses pelas bikes: um posto de recarga de celular que funciona a pedaladas!

CDG estação terminal de trem
Lobby da estação de trem do CDG e a simpatico recarga We Bike

aeroporto de Paris CDG estação de trem

Dá tempo para fazer uma boquinha? O terminal tem algumas opções. Eu fiz a minha e provei meu primeiro baguete (5,10 euros) da viagem no Autogrill Gare Roissey.

Le Flambeur, baguete de atum.
Le Flambeur, baguete de atum.


Qual plataforma? E que mala?

Fique de olho no painel do lobby que, cerca de 40 minutos antes da saída de seu trem, exibirá a qual plataforma você deve se dirigir. Já na plataforma, é preciso conferir no seu bilhete em qual vagão está seu assento. Na aerogare do CDG, tem painel eletrônico na plataforma. Nas demais estações, um funcionário passa e informa onde se postar à espera do trem, mas em muitas estações de cidades europeias (principalmente as menores) você só descobre qual é seu vagão quando chega o trem, que tem um painel eletrônico próximo à porta indicando o vagão ou  o número pintado. Os trens regionais, que param de estação em estação, não têm assento marcado, então tanto faz em que vagão você entrar.

Tendo assento marcado, se você entrar no vagão errado, poderá se locomover de um vagão para outro, mas é uma péssima ideia, pois o espaço destinado à bagagem é ridídulo de pequeno e ficar por último significa ficar na mão. Por isso diz-se tanto que se for viajar de trem pela Europa, deve-se levar uma mala de bordo (aquelas que não precisam ser despachadas no avião) ou tipo sacola, que podem ser acomodadas no compartimento acima de sua cabeça no vagão. Ou a mochila, claro. E os degraus do trem às vezes são tão estreitos e altos que dificultam entrar com as malas. Eu costumo colocar a mala primeiro de depois subir.

mala bagagem em trem na Europa
As duas prateleiras para armazenar as malas de todo o vagão! Travel light…

Validando o bilhete de trem

trem na Europa como é
Homem casado viaja validando o bilhete de trem
como é viajar de trem na Europa
Na estação CDG, indicação do vagão em painel na plataforma

Ah, ao se dirigir para as escadas rolantes que levam às plataformas é preciso validar seu bilhete, inserindo-o na maquinha, como mostra a foto acima. Certifique-se de que o carimbo foi estampado, porque a tinta pode estar acabando e ficar muito fraco. Se isso acontecer, procure outra máquina. Caso você não tenha validado, sofrerá pena de multa porque durante a viagem, como antigamente, há um fiscal que fará a leitura do código de barras do seu bilhete (eu queria aquele furadorzinho, mas não rolou… rsrs).

Paisagem

Viajar de trem é legal porque não precisa chegar com tanta antecedênica para embarcar e as estações são próximas dos hotéis em regiões centrais, diferentemente dos aeroportos que em geral são afastados e tem que fazer os procedimentos de segurança, fazer checkin, exigindo uma antecedência maior. E de quebra você pode apreciar a vista. Mas tirar fotos da paisagem é um desafio nos trens de alta velocidade, pois quando você vê a cena, ela se foi e sua câmera nem ligada está! Resultado: reflexos do vidro, elementos indesejados, horizonte torto, imagens tremidas. Lembre-se de ajustar a câmera para o modo esporte, que tira fotos em velocidade e disparo contínuo, assim ao menos uma vai ficar boa. Como você pode ver nas fotos abaixo, só aprendi isso depois…

avião ou trem da França a Holanda
Curso para fotografar em TGV já!
term ou avião França a Bélgica
Paisagem borrada pelo TGV


Pontualidade

Se seu bilhete diz que seu trem partirá às 19h08, acredite! Eles chegam minutos antes, embarcamos e tentamos espremer as malas no tal compartimento (acho que eles se baseiam no metro quadrado médio de apartamentos de grandes cidades europeias para planejar esse treco!). E o trem parte no horário exato. Incrível para os padrões brasileiros! Ah, em alguns trechos, a porta do vagão não abriu automaticamente, então foi preciso apertar o botão que fica na porta para abri-la.

Arquitetura, facilidades e dificuldades na locomoção

Nem todas as estações são lindas, mas espera-se que sejam convenientes. Dos trechos que percorri nesta viagem, a do CDG é de longe a melhor. A de Amsterdam tem citações sobre viagem impressas nos encostos dos bancos, e bitucas de cigarro aos montes nos trilhos. Bem Amsterdam, não acham? Quando chegamos a Bruxelas Midi para pegar o trem para Brugges, tive a sensação de estar em uma estação do leste europeu (pela língua incompreensível e pela ausência de modernização). Ali, mais um obstáculo: escadas, ou seja, carregue sua mala ou acabe com as rodinhas. Escolhi preservar a coluna. E não é que as rodinhas resistiram?! Outro problema é o frio. A estação tem cobertura apenas na plataforma, mas o vento forte tira qualquer morador de país tropical do sério. Imagine no inverno!! Foi a pior estação, na minha opinião.

estação trem Bruxelas
A estação de Bruxelas: sem glamour ou modernização

A estação da pequena Brugges é mais amigável ao viajante. O saguão é quentinho e há escadas rolantes.

estação de trem em Bruges
Saguão da Estação de Brugges, Bélgica

Mas quem leva o troféu de majestosa é a de Antuérpia, onde fizemos conexão entre Brugges-Amsterdã.

Antuérpia trem na Europa

dicas de trem Paris Amsterda
A majestosa estação de Antuérpia, Bélgica

A Gare du Nord, em Paris é bem simples, mas convenientemente em… Paris. Três estações depois estávamos a uma quadra do hotel na região do Parque de Luxemburgo.

como é viajar de trem na França
Homem Casado Viaja, na Gare du Nord, em Paris

Se você leu até aqui, parabéns! Aproveite as dicas. Se não, faça como eu e descubra tudo isso lá, no susto ou na diversão. Vai depender de como você vê a coisa.

Leia sobre outras viagens de trem: Viena-Budapeste, Praga-Viena, Paris-Londres, passo a passo de como comprar bilhetes online, as companhia férreas de cada país europeu e outras. É só clicar aqui.

 

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Paris-Londres de trem

Estação St Pancras, em Londres
Estação St Pancras, em Londres

“Todos os dias é um vai e vem
a vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar

E assim chegar e partir
são só dois lados
da mesma viagem
O trem que chega
é o mesmo trem da partida
A hora do encontro
é também despedida
A plataforma dessa estação
é a vida desse meu lugar”

Ah, Milton, como não se lembrar de sua linda canção em uma estação de trem, entre malas e expectativas!

E você, gosta de viajar de trem?

Gare du Nord, Paris
Gare du Nord, Paris

Meu marido tinha nas lembranças de infância as viagens de trem que o levavam ao interior de SP para vsitar os familiares – um pouquinho diferente, né?  Mas eu nunca tinha usado um trem para viajar (além de SP-Mogi das Cruzes rsrsrs). Minha primeira experiência foi ótima: saímos do hotel de Paris poucos minutos (não horas) antes do horário de embarque, mas como tinha trânsito acabamos por perder o trem. Nosso bilhete permitia mudanças sem custo, e fomos colocados no trem seguinte, com uma espera de 30 minutinhos. Foi preciso passar pelo controle de passaportes, mas nada próximo da espera e dos trâmites de um aeroporto internacional.  Após aguardar na plataforma, entramos em nosso vagão e a pergunta foi: onde vão nossas malas? Parece bobo, mas para quem nunca viajou de trem não é tão obvio assim. Não há nenhum funcionário para ajudar a embarcar suas malas e se elas estiverem muito pesadas, boa sorte! Encontramos nossos lugares, com uma mesinha entre nossos assentos e de nossos vizinhos franceses de meia idade que não pareciam muito amigáveis para um papo. Bem, pelo menos se ofereceram para tirar uma foto nossa quando tentávamos fazer uma selfie na era pré-selfies.

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Aff, que cara. Devia ser proibido ser fotografado de manhã!
Apesar da correria, consegui uma fotinho na Gare du Nord
Apesar da correria, consegui uma fotinho na Gare du Nord

A pasisagem decepcionou um pouco, sem grandes ou pequenos atrativos. O que mais me chamou à atenção (além da rapidez: 2h15 Paris-Londres) foi descobrir quantas poucas árvores há nos campos ingleses. Do lado francês, as pichações nos muros da Gare du Nord também foram surpresa. No mais, fica registrado que o trem é silencioso até mesmo no túnel sob o Canal da Mancha e corre sem solavancos apesar da alta velocidade.

St Pancras (3)
Relógio restaurado pela fabricante original
St Pancras (4)
The Meeting Place, de Paul Day
StPancras
A fachada vitoriana da St Pancras

 

Escultura em homenagem a Sir John Betjeman, responsável por salvar a estação e o hotel da demolição nos anos 1960
Escultura em homenagem a Sir John Betjeman, responsável por salvar a estação e o hotel da demolição nos anos 1960

Do outro lado do Canal da Mancha, Londres nos esperava e a estação St Pancreas, que recebe os trens  velocidade provenientes de Paris e Bruxelas, é um portal que faz jus à beleza da cidade. Construída em 1868, quando ostentava o título de maior vão coberto do mundo, foi ponto importante de partidas e chegadas nas duas grandes guerras. Guarda vários assuntos para fotografar, então não saia correndo, aprecie as esculturas, o contraste do aço azul e dos tijolos vermelhos, os janelões. Quando sair, tire mais fotinhos da fachada vitoriana. Se tiver sorte (e dinheiro sobrando), hospede-se no hotel anexo à estação, que permaneceu fechado por décadas, quando seus quartos viraram escritórios da companhia férrea. Mas quando estiver na plataforma, feche os olhos e sinta o momento em que as crianças de Londres foram enviadas para o interior do país para fugir dos bombardeios; imagine quantas lágrimas de alegria e de tristeza esses tijolos testemunharam. Já é uma viagem, não?

Leia também:

–  Trem: Paris-Bruxelas-Bruges-Antuérpia-Amsterdam-Paris. Ufa!

Trem: como comprar bilhetes

Pela Europa de Trem

Também escrevi sobre a relação trem-cinema neste post Trem: Luzes, Câmera, Ação! 

Bon voyage!